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as meninas prenderam a respiração quando ela alcançou a viga mestra, ficou em pé e, equilibrando-se naquele espaço precário, começou a caminhar por ela um pouco tonta e consciente de que estava a uma altura extremamente desconfortável neste mundo, e que caminhar em cima de vigas mestras não era algo em que sua imaginação era de grande ajuda. Mesmo assim, conseguiu dar vários passos antes da catástrofe. Foi quando ela oscilou, perdeu o equilíbrio, tropeçou, cambaleou e caiu, escorregando pelo teto quente de sol e arrastando atrás de si o emaranhado de trepadeiras da Virginia até se espatifar no chão – tudo isso antes que o círculo angustiado que acompanhava tudo lá de baixo pudesse soltar um grito simultâneo de horror. Se Anne tivesse caído do telhado do lado que subira, provavelmente Diana teria herdado o anel de pérolas naquele mesmo instante. Mas, por sorte, ela caiu do outro lado, onde o teto se estendia por cima da varanda e ficava tão perto do chão que um tombo daquela altura não era algo muito sério. Contudo, quando Diana e as outras meninas deram a volta correndo pela casa – com exceção de Ruby Gillis, que estava histérica e parecia ter criado raízes no chão –, elas encontraram uma Anne toda trêmula, e tão branca como uma folha de papel, deitada no meio da destruição e das ruínas da trepadeira da Virginia. – Anne, você morreu? – gritou Diana, caindo de joelhos ao lado da amiga. – Oh, Anne, querida Anne, fale comigo, diga se morreu. Para o imenso alívio de todas as meninas, especialmente de Josie Pye, que, apesar da falta de imaginação, havia sido invadida por visões horrorosas de um futuro marcado como a menina que causara a morte trágica e prematura de Anne Shirley, Anne se sentou ainda meio tonta e respondeu hesitante: – Não, Diana, eu não morri, mas acho que estou sofrendo um desmaio. – Onde? – soluçou Diana. – Oh, Anne, onde? 284

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Anne de Green Gables  

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