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acostumada a dormir em quartos de hóspedes. Mas imagine só como se sentiria se fosse uma orfãzinha que nunca teve essa honra. Àquela altura, os olhos já não mais fuzilavam. Na verdade, a srta. Barry riu: um som que fez Diana – à espera lá fora, na cozinha, em muda ansiedade – soltar um grande suspiro de alívio. – Receio que minha imaginação esteja um pouco enferrujada: já faz tempo que não a uso – ela respondeu. – Eu diria que você é digna de pena tanto quanto eu. Tudo depende de como se vê a coisa. Sente-se aqui e me fale de você. – Sinto muito, mas não posso – disse Anne, firme. – Bem que eu gostaria, porque a senhorita parece interessante e talvez seja até mesmo um espírito afim, apesar de não aparentar muito. Mas é meu dever voltar para casa, pois a srta. Marilla Cuthbert me espera. A srta. Marilla Cuthbert é uma dama muito bondosa que me adotou e está me criando como se deve. Ela está fazendo o possível, mas a empreitada não é nada encorajadora. Não a culpe por eu ter pulado na cama. Mas, antes de ir, eu gostaria realmente que a senhorita me dissesse se vai perdoar Diana e ficar em Avonlea tanto quanto tinha planejado. – Acho que talvez eu fique se você vier conversar comigo de quando em quando – disse a srta. Barry. Naquela noite, a srta. Barry deu a Diana um bracelete de prata e contou aos adultos da casa que desfizera sua mala. – Decidi ficar simplesmente para conhecer melhor a tal menina Anne – explicou ela, com toda a franqueza. – Ela me diverte e, na minha idade, as pessoas divertidas são uma raridade. O único comentário de Marilla ao ouvir a história foi um “Eu avisei”, dirigido a Matthew. A srta. Barry ficou um mês e mais um pouco. Foi uma hóspede mais agradável do que de costume, pois Anne a manteve de bom humor. Elas se tornaram grandes amigas. Ao partir, a srta. Barry disse: 244

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Anne de Green Gables  

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