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vestido, a abriu com a mesma formalidade, as duas meninas apertaram-se as mãos, sérias, como se não se conhecessem. Essa solenidade nada natural continuou até Diana ter sido levada ao frontão leste para deixar o chapéu e sentar-se dez minutos na sala de estar, com os dedos dos pés alinhados. – Como está sua mãe? – perguntou Anne educadamente, como se não tivesse visto a sra. Barry de manhã, colhendo maçãs, com uma saúde e um humor excelentes. – Está muito bem, obrigada. Imagino que o sr. Cuthbert esteja embarcando as batatas no Lily Sands esta tarde, não? – disse Diana, que seguira de carona na carroça de Matthew até a casa do sr. Harmon Andrews naquela manhã. – Sim, nossa safra de batatas foi muito boa este ano. Espero que a de seu pai também tenha sido. – Foi sim, obrigada. Colheram muitas maçãs? – Oh, mais do que esperávamos – disse Anne, esquecendo a dignidade e levantando-se de um salto. – Vamos ao pomar colher maçãs doces, Diana. Marilla disse que podemos ficar com todas que sobraram no pé. Marilla é uma mulher muito generosa. Disse que poderíamos ter bolo de frutas e compota de cereja para o chá. Mas não é de bom tom dizer à convidada o que será servido, portanto não vou contar o que ela disse que poderíamos beber. Só que começa com um l e um f, e é vermelho vivo. Adoro bebidas dessa cor, e você? São duas vezes mais gostosas do que as de outras cores. O pomar, com seus grandes galhos vergados, que, carregados de frutas, quase tocavam o chão, estava tão delicioso que as meninas passaram ali boa parte da tarde, sentadas num cantinho coberto de relva onde o frio tinha poupado o verde e a luz suave do outono se demorava e aquecia, comendo maçãs e falando pelos cotovelos. Diana tinha tanta coisa para contar a Anne sobre a escola. Ela teve de se sentar ao lado de Gertie Pye e detestou a experiência. Gertie fazia o lápis chiar o tempo todo, e isso deixava Diana arrepiada. 194

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Anne de Green Gables  

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