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para Diana, e as mangas chegam aos cotovelos. Ela o usará no piquenique. Oh, espero que faça tempo bom na quarta-feira. Não sei se conseguiria suportar a decepção se alguma coisa me impedisse de ir ao piquenique. Imagino que sobreviveria, mas tenho certeza de que seria uma tristeza para a vida toda. Não faria diferença se eu fosse a uns cem piqueniques depois disso: não compensariam o fato de eu ter perdido este. Vamos ter barcos no Lago de Águas Cintilantes... e sorvete, como eu já disse. Nunca tomei sorvete antes. Diana tentou explicar como era, mas acho que sorvete é uma daquelas coisas que escapam à imaginação. – Anne, você não parou de falar durante dez minutos, contados no relógio – disse Marilla. – Agora, só para matar minha curiosidade, veja se consegue ficar esse mesmo tempo de bico fechado. Anne fechou o bico, como lhe pediram. Mas, durante o resto da semana, ela falou do piquenique, pensou no piquenique e sonhou com o piquenique. No sábado, choveu, e ela ficou tão frenética, com medo de que continuasse a chover até a quarta-feira, que Marilla a fez costurar um retalho a mais para acalmar os nervos. No domingo, Anne confidenciou a Marilla, quando voltavam da igreja, que ficou petrificada de emoção quando o pastor anunciou o piquenique no púlpito. – Um arrepio e tanto subiu e desceu por minha espinha, Marilla! Acho que até aquele momento eu não acreditava realmente que teríamos um piquenique. Não pude evitar o medo de que eu tivesse apenas imaginado. Mas, quando um pastor diz uma coisa no púlpito, é preciso acreditar. – Você deseja as coisas com muita força, Anne – suspirou Marilla. – Receio que você terá muitas decepções nesta vida. – Oh, Marilla, metade do prazer que há nas coisas é esperar por elas! – exclamou Anne. – Pode ser que nunca as tenhamos, mas nada nos impede de nos divertir esperando por elas. A sra. Lynde diz: “Benditos aqueles que nada esperam, pois nunca ficarão 155

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Anne de Green Gables  

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