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– Estou bem de corpo, mas de espírito consideravelmente maltratado, obrigada, senhora – disse Anne, circunspecta. Em seguida, à parte para Marilla, num sussurro audível: – Não disse nada de mais, disse, Marilla? Diana estava sentada no sofá lendo um livro, que ela deixou de lado quando as visitas entraram. Era uma menina muito bonita, tinha os cabelos e os olhos negros da mãe e faces rosadas, além da expressão alegre que herdara do pai. – Esta é minha filhinha Diana – disse a sra. Barry. – Diana, pode levar Anne ao jardim e mostrar-lhe suas flores. Antes isso do que esforçar a vista com aquele livro. Ela lê demais – comentou com Marilla, depois que as meninas saíram –, e não posso impedi-la, pois o pai a apoia e incentiva. Ela está sempre lendo um livro. Que bom que ela pode ter aí uma amiguinha... Talvez isso a tire um pouco mais de dentro de casa. Lá fora, no jardim, que se enchia com a luz suave do pôr do sol que atravessava aos borbotões os abetos antigos e escuros mais a oeste, estavam Anne e Diana, fitando timidamente uma à outra por sobre uma moita de deslumbrantes lírios-tigrinos. O jardim dos Barry era uma vastidão frondosa de flores que teria deliciado o coração de Anne não fosse aquele um momento tão predestinado. Era cercado por salgueiros velhos e imensos e pinheiros altos, sob os quais medravam flores que gostavam de sombra. Caminhos retos e perpendiculares, cuidadosamente delimitados por conchas, cruzavam-no feito faixas vermelhas e úmidas e, nos canteiros entre as flores antigas, corriam em todas as direções. Havia corações-de-maria rubros e imensas e magníficas peônias escarlates; narcisos brancos e fragrantes, e rosas escocesas, espinhosas e encantadoras; aquilégias rosadas, azuis e brancas, e saboeiras lilases; moitas de abrótano, alpiste-dos-prados e hortelã; orquídeas roxas, narcisos e grandes quantidades de trevo-de-cheiro branco, com sua ramagem felpuda, delicados e fragrantes; 144

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Anne de Green Gables  

Anne de Green Gables  

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