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absolutamente irritante! – Não vejo por que seria mais ridículo levar flores no chapéu do que no vestido – protestou Anne. – Várias meninas tinham ramalhetes presos nos vestidos. Que diferença faz? Marilla não se deixaria arrastar da segurança do concreto para os caminhos duvidosos do abstrato. – Não me responda desse jeito, Anne. Foi muita tolice sua fazer uma coisa dessas. E que eu nunca mais a pegue fazendo isso. A sra. Rachel disse que quase morreu de vergonha ao ver você entrar toda enfeitada daquele jeito. Quando ela conseguiu se aproximar o suficiente para mandar você tirá-las, já era tarde demais. Disse que as pessoas falaram horrores a respeito. Claro que pensaram que eu fiz a loucura de deixar você ir à igreja toda engrinaldada. – Oh, sinto muito – disse Anne, com os olhos marejados de lágrimas. – Não imaginei que você se importasse. As rosas e os ranúnculos estavam tão bonitos e encantadores; achei que ficariam adoráveis em meu chapéu. Muitas meninas tinham flores artificiais nos chapéus. Receio que serei uma provação e tanto para você. Talvez seja melhor me mandar de volta ao orfanato. Seria terrível: creio que eu não conseguiria suportar. É bem provável que começasse a definhar, e olhe que já sou magra. Mas antes isso do que ser uma provação para você. – Bobagem – disse Marilla, irritada consigo mesma por ter feito a criança chorar. – Não quero mandá-la de volta ao orfanato, e disso estou certa. Só quero que você se comporte como as outras garotinhas e que não banque a ridícula. Não chore. Tenho uma novidade para você. Diana Barry voltou para casa esta tarde. Vou subir e ver se consigo emprestado um molde de saia com a sra. Barry e, se você quiser, pode vir comigo e conhecer Diana. Anne ficou de pé, de mãos postas e com algumas lágrimas ainda a brilhar em suas faces. O pano de prato que andara embainhando deslizou até o chão sem que ela o visse. 142

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Anne de Green Gables  

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