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– explicou. – Quanto à escola dominical... Comportei-me bem, como você pediu. A sra. Lynde já tinha saído, mas fui para lá sozinha. Entrei na igreja, com um monte de outras meninas, e sentei-me na ponta de um banco ao lado da janela durante a cerimônia de abertura. O sr. Bell fez uma prece terrivelmente comprida. Eu teria me cansado horrores antes mesmo de chegar ao fim se não tivesse me sentado perto da janela, que dava para o Lago de Águas Cintilantes, e por isso fiquei simplesmente olhando para ele e imaginando coisas magníficas. – Não era para você fazer nada disso. Era para ter prestado atenção ao sr. Bell. – Mas ele não estava falando comigo – protestou Anne. – Estava falando com Deus, e tampouco parecia muito interessado no que dizia. Deve ter pensado que Deus estava longe demais e que não valia a pena. Mas eu fiz uma pequena prece. Havia uma fileira comprida de bétulas brancas debruçadas sobre o lago, e a luz do sol as atravessava e chegava bem, mas bem lá no fundo da água. Ah, Marilla, foi como um lindo sonho! Fiquei arrepiada e disse simplesmente: “Obrigada, meu Deus”, duas ou três vezes. – Espero que não tenha sido em voz alta – comentou Marilla, apreensiva. – Ah, não, foi só para mim mesma. Bem, o sr. Bell finalmente terminou e me disseram para entrar na sala de aula com a turma da srta. Rogerson. Havia outras nove meninas na classe. Todas usavam mangas bufantes. Tentei imaginar que as minhas também eram, mas não consegui. Por que será? Foi tão fácil imaginá-las bufantes quando eu estava sozinha no frontão leste, mas foi terrivelmente difícil ali no meio de outras meninas com mangas bufantes de verdade. – Você não deveria pensar em mangas durante o catecismo. Deveria, isso sim, cuidar da lição. Espero que a tenha decorado. – Ah, sim, e respondi um monte de perguntas. A srta. Rogerson 135

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Anne de Green Gables  

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