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fitando com curiosidade aquela estranha entre elas, com seu extraordinário adereço de cabeça. As meninas de Avonlea já tinham ouvido histórias esquisitas a respeito de Anne: a sra. Lynde dissera que ela tinha um gênio terrível; Jerry Buote, o garoto que trabalhava em Green Gables, dissera que ela falava sozinha ou então com as árvores e as flores, o tempo todo, como se fosse louca. Elas a observaram e cochicharam entre si, escondendo-se atrás dos catecismos. Ninguém tentou fazer amizade, nem naquele momento nem depois de terminada a cerimônia de abertura, quando Anne se viu na classe da srta. Rogerson. A srta. Rogerson era uma mulher de meia-idade que lecionava na escola dominical havia vinte anos. Seu método de ensino era fazer as perguntas impressas no catecismo e olhar implacavelmente por cima do livro para a menina que ela queria que as respondesse. Olhou muitas vezes para Anne, que, graças ao ensaio de Marilla, respondia prontamente, mas era questionável se entendia de fato a pergunta ou a resposta. Ela decidiu que não gostava da srta. Rogerson e sentiu-se muito infeliz: todas as outras meninas da turma usavam mangas bufantes. Anne pensou que não valia mesmo a pena viver sem mangas bufantes. – E então, o que achou da escola dominical? – Marilla quis saber quando Anne voltou para casa. Como a guirlanda tivesse murchado, Anne a havia jogado na vereda e, portanto, Marilla não ficaria sabendo desse pormenor tão cedo. – Não gostei nem um pouco. Foi horrível. – Anne Shirley! – ralhou Marilla. Anne sentou-se na cadeira de balanço com um longo suspiro, beijou uma das folhas de Bonny e acenou com a mão para uma fúcsia em flor. – Elas devem ter se sentido sozinhas na minha ausência 134

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Anne de Green Gables  

Anne de Green Gables  

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