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contas. Já não estou tão surpresa por você e Matthew terem ficado com ela... nem tenho mais pena de você. Pode ser que ela saia boa coisa. Naturalmente, ela tem uma maneira esquisita de se expressar: um pouco... bem, um pouco forçada, sabe. Mas é provável que ela perca esse hábito agora que viverá entre pessoas civilizadas. E, imagino, resta o fato de que é geniosa. Mas há aí um consolo, pois a criança geniosa explode e logo se acalma, e provavelmente nunca será matreira nem mentirosa. Deus nos guarde de uma criança matreira, isso sim. No geral, Marilla, acho que gosto dela. Quando Marilla se pôs a caminho de casa, Anne saiu do crepúsculo fragrante do pomar com um ramo de narcisos brancos nas mãos. – Desculpei-me muito bem, não foi? – disse ela, com orgulho, enquanto seguiam pela vereda. – Pensei que, como tinha de fazê-lo, o melhor era fazê-lo à perfeição. – Você se desculpou perfeitamente, sem dúvida – foi o comentário de Marilla. Viu-se consternada ao descobrir que tinha vontade de rir da lembrança. Também tinha a incômoda sensação de que deveria repreender Anne por ter se desculpado tão bem, mas era ridículo! Chegou a um meio-termo com sua consciência ao dizer, com severidade: – Espero que você não tenha muitas outras ocasiões para se desculpar. Espero que tente controlar esse seu gênio de agora em diante, Anne. – Não seria tão difícil se as pessoas parassem de criticar minha aparência – disse Anne, suspirando. – Eu não me irrito com outras coisas, mas estou tão cansada de ouvir críticas aos meus cabelos, e isso simplesmente me faz ferver de raiva. Você acha que terei lindos cabelos castanho-avermelhados quando crescer? – Você não deveria pensar tanto na aparência, Anne. Receio que você seja uma menininha muito vaidosa. – Como posso ser vaidosa sabendo que sou sem graça? – protestou Anne. – Adoro as coisas bonitas e detesto olhar para o espelho 126

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Anne de Green Gables  

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