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sempre. Contudo... eu faria qualquer coisa por você... se realmente quisesse que eu... – Bem, é claro que quero. Está uma solidão terrível lá embaixo, sem você. É só botar panos quentes... Boa menina. – Muito bem – disse Anne, resignada. – Direi a Marilla, tão logo ela entre, que estou arrependida. – Isso mesmo, isso mesmo, Anne. Mas não conte a Marilla que eu falei com você. Ela pode pensar que meti o bedelho, e prometi a ela não fazer isso. – Nem mesmo cavalos bravios arrancariam de mim o segredo – Anne prometeu solenemente. – Como é que cavalos bravios arrancariam um segredo de uma pessoa, por falar nisso? Mas Matthew já tinha saído, assustado com o próprio êxito. Foi correndo para o canto mais remoto do pasto dos cavalos, para que Marilla não desconfiasse do que ele andara aprontando. A própria Marilla, ao voltar à casa, teve uma surpresa agradável ao ouvir uma voz dorida chamar-lhe o nome por sobre a balaustrada. – E então? – ela disse, entrando no vestíbulo. – Sinto muito por ter perdido a calma e dito coisas rudes, e estou disposta a ir me desculpar com a sra. Lynde. – Muito bem. – A determinação de Marilla não deu nenhum sinal de seu alívio. Andou pensando no que diacho deveria fazer se Anne não cedesse. – Levo você até lá depois da ordenha. Dito e feito, depois da ordenha, eis que estavam Marilla e Anne descendo a vereda, a primeira ereta e triunfante, a segunda abatida e desanimada. Mas, na metade do caminho, o desânimo de Anne desapareceu como por encanto. Ela ergueu a cabeça e passou a caminhar alegremente, com os olhos fixos no céu do crepúsculo e um ar de contentamento reprimido. Marilla contemplou a mudança com desaprovação. Não era nenhuma penitente dócil aquela que lhe cabia apresentar à ofendida sra. Lynde. – No que está pensando, Anne? – ela perguntou abruptamente. 122

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Anne de Green Gables  

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