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deveria ser castigada. – Bem, ora, não... não exatamente – disse Matthew, constrangido. – Acho que ela precisa de um castigo leve. Mas não seja muito dura com ela, Marilla. Não se esqueça de que ela nunca teve quem a ensinasse direito. Você vai... você vai deixá-la comer alguma coisa, não vai? – Quando é que você me viu ensinar bons modos a alguém fazendo a pessoa passar fome? – perguntou Marilla, indignada. – Ela fará as refeições normalmente, e eu mesma vou levá-las ao quarto. Mas ela ficará lá em cima até se dispor a se desculpar com a sra. Lynde, e ponto final, Matthew. O desjejum, o almoço e o jantar deram-se em silêncio, pois Anne continuou renitente. Depois de cada refeição, Marilla levava uma bandeja bem fornida para o frontão leste e a trazia de volta mais tarde, sem que estivesse muito mais vazia. Matthew observou o último retorno da bandeja com preocupação. Anne não teria comido nada? Naquela tarde, quando Marilla saiu para recolher as vacas do pasto dos fundos, Matthew, que andara pelos celeiros, de olho na casa, entrou sorrateiramente, com o ar de um gatuno, e subiu as escadas. Em geral, Matthew atinha-se à cozinha e ao quartinho do outro lado do vestíbulo, onde ele dormia. Muito ocasionalmente, ele se aventurava com um certo embaraço pela sala de estar ou de visitas, quando o pastor vinha para o chá. Mas ele nunca mais subira as escadas de sua própria casa desde a primavera em que ajudara Marilla a colar o papel de parede no quarto de hóspedes, e isso já fazia quatro anos. Ele cruzou o vestíbulo nas pontas dos pés e demorou-se vários minutos diante da porta do frontão leste, até reunir a coragem necessária para bater e, em seguida, abri-la e dar uma olhadela lá para dentro. Anne estava sentada na cadeira amarela ao lado da janela, 120

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Anne de Green Gables  

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