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toda rígida numa cadeira próxima, com o rosto inchado e manchado de lágrimas e os olhos fixos no chão. – Que bela maneira de se comportar, Anne! Você não tem vergonha do que fez? – Ela não tinha o direito de me chamar de feia e ruiva – replicou Anne, evasiva e rebelde. – Você não tinha o direito de se enfurecer daquela maneira e falar com ela daquele jeito, Anne. Você me envergonhou... me envergonhou completamente. Eu queria que você se comportasse bem na frente da sra. Lynde e, em vez disso, você me desmoralizou. Não sei por que perdeu a calma daquele jeito, só porque a sra. Lynde disse que você era ruiva e sem graça. Você mesma já disse isso mais de uma vez. – Ah, mas há uma grande diferença entre dizer você mesma e ouvir isso de outra pessoa – queixou-se Anne. – Sabemos que as coisas são como são, mas sempre resta a esperança de que as outras pessoas talvez pensem diferente. Você deve estar pensando que tenho um temperamento horrível, mas não pude evitar. Quando ela disse aquelas coisas, algo simplesmente se rebelou dentro de mim. Eu tinha de explodir com ela. – Bem, você fez um papelão, isso sim. Aonde for, a sra. Lynde terá uma bela história para contar sobre você. E ela contará mesmo. Foi uma coisa temerária perder a calma daquele jeito, Anne. – Imagine como você se sentiria se alguém lhe dissesse na cara que você era magra e feia – protestou Anne, com os olhos rasos d’água. Uma antiga recordação apareceu de repente diante de Marilla. Ela era bem pequena quando ouviu uma tia dizer a outra, a respeito dela: “Que pena ela ser uma coisinha tão morena e sem graça”. Marilla já tinha cinquenta anos quando a dor daquela lembrança finalmente desapareceu. – Não creio que a sra. Lynde tivesse exatamente razão para 114

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Anne de Green Gables  

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