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Redação

De frente com

Escrevemos a Comunicação

Edição 12/Dezembro 2010/Ano 1º

Cony

Qual o futuro do impresso?

História

Os 180 anos da morte do jornalista Libero Badaró

A vida de Zuckerberg “A Rede Social” exibe a história do criador da maior mídia de relacionamento, o facebook A busca de um pouso:

O que presidentes fazem quando não estão mais no poder?


Carta do editor

Português de Portugal que eu mais gosto na co- Quando Cristiano Ronaldo chutou na bertura jornalística da trave, o que poderia ser um golo no fim Copa do Mundo é a pos- do jogo contra a Costa do Marfim, para sibilidade dos jornalistas os comentaristas portugueses ele atidescobrirem histórias maravilhosas e rou ao poste, no limiar do golo. Quem fatos curiosos que passariam desper- marca o impedimento (fora do jogo) é cebidos em outras ocasiões e que con- o fiscal de linha, nosso popular banseguem fugir da mesmice dos temas e deirinha. O bate-boca entre o jogador das discussões construídas para atrair Nicolas Anelka e o técnico Raymond a atenção dos leitores/espectadores. Domenech, que detonou neste Mundial Folheando o jornal O Globo atrás - a segunda revolução francesa após a de uma boa foto da Copa para nossa derrota para o México, ocorreu no balseção Ponto de Vista (aliás, se alguém neário. Entenda-se balneário por vestiver sugestão, nós aceitamos), encon- tiário. trei essa materinha da jornalista Sandra Posições de jogadores são um capíCohen. Reproduzo-a, dando os devidos tulo à parte nessa complicada tentativa créditos a ela e ao jornal: de entender quem é quem dentro de “Apesar da língua em comum, glos- campo quando os narradores são porsário do futebol revela diferenças entre tugueses. O zagueiro Lúcio é defesabrasileiros e portugueses central; o meio-campo Elano, médio; o Falamos a mesma língua, mas num meio Kaká, ponta de lança; e o centrojogo de futebol, quanta diferença... Go- avante Luis fabiano, avançado. leiro é guarda-redes, trave é poste e tiro Amanhã, em Durban, a equipa cade meta, pontapé de baliza. Ouvir pelo narinha, como o nosso time é conhecirádio a transmissão de uma partida em do aqui, enfrentará os navegadores - o Portugal, uma simples entrevista de um plantel de 11 jogadores portugueses jogador português ou mesmo o notici- para disputar a liderança do grupo G. ário esportivo deixa qualquer brasileiro O que se diz aqui é que só por uma faconfuso, à procura de um intérprete. talidade, a equipa portuguesa não será Na bem-sucedida finalização de apurada para os oitavos do Mundial. uma jogada, com ou sem vuvuzela, o Mas resta a nós, brasileiros, esperar grito é por golo, e se, por azar ou in- por uma cueca do Robinho em Cristiacompetência, ele for contra, autogolo. no Ronaldo.” Levei um bom tempo para me adapMuita calma nessa hora: é só uma tar aos termos. Já sou capaz de discutir caneta. futebol com um português, mas jamais vou gritar golo “Apesar da língua em vez de gol - diz o brasiem comum, glossário leiro Josias dos Santos, que mora há três anos em Lisboa do futebol revela e serve cafés num quiosque diferenças entre do shopping Amoreiras, no Centro. brasileiros e Aqui ninguém vai ao jogo, portugueses” mas à bola, e a partida é sempre disputada no relvado. Torcedores são adeptos.

O

William Bonner Editor-chefe da revista Redação

Fez parte da edição Fátima Bernardes ► Fátima

Bernardes dedicou-se 17 anos ao balé clássico. Estudou com professores do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e chegou a dar aulas para crianças. Ao entrar na faculdade de jornalismo, pensava em trabalhar em mídia impressa, escrevendo sobre assuntos relacionados à dança.

Jorge Pontual ► Jorge

Pontual saiu da TV Globo em 1975, para trabalhar como repórter e editor na Bloch Editores. No período em que esteve fora da emissora, escreveu para outros veículos de imprensa, como O Globo e o Jornal do Brasil. Trabalhou cinco anos no JB, onde ocupou os cargos de copydesk, subeditor, editor de Internacional e chefe de redação

Redação Editor: William Bonner Presidente Executivo: Lucas Martins Conselho Editorial: Lucas Martins, Lucas Martins e Lucas Martins Diretor de Assinaturas: Lucas Martins Diretor de Redação: Lucas Martins Redação: Fátima Bernardes, Jorge Pontual, Caco Barcellos, Carlos Schroeder

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Redação|dezembro de 2010 |


Sumário

lia a í l ar M brie om a m Ga vista cque te s de tre ta ano En nalis 40 jor is de ma reira r ca 06 g. á P

Humor e informação Furo MTV une dois gêneros discursivos diferentes: a comédia e o jornalismo. E dá certo. Pág. 10

Facebook nas telonas A história de Mark Zuckerberg, o criador do terceiro maior “país” do mundo, o facebook Pág. 14

História:

Os 180 anos da morte de Libero Badaró Pág. 28

Sessão Cultura: Dicas de filmes, livros e música Pág. 30

Cartas do Leitor A surpresa “The Middle” Depois da notícia de que “Two and a Half Men” pode estar perto de seu fim, e de que “The New Adventures of Old Christine” está na temporada final, fiquei um pouco chateada porque não consigo achar graça nas séries de humor atuais. (salvo “Cougar Town” que as vezes me agrada.)

4| dezembro de 2010 |Redação

Saudosismo Mas quando assisti, meio sem expectativa, a série “The Middle” mudei completamente essa visão. Posso até dizer que nunca ri tanto de uma série americana. Isabela Pinheiro, 23 anos, enfermeira

Atualmente não existe mais desenhos bons como os antigos, não se fazem mais Thundercats, She-Ra ou He-Man, agora a moda é Yu-Gi-Oh, Ben 10 e mais um monte de baboseiras com monstros e animações em computador. Ricardo Furlan, 25 anos, estudante


Edição 12/Dezembro 2010/Ano 1º

Cony: Qual será o futro do impresso? Pág. 13

A busca de um pouso A rotina dos presidentes e expresidentes vista por uma outra perspectiva Pág. 20

Carla Vilhena Perfil sobre uma das mais talentosas apresentadoras da tv brasileira Pág. 24

Sônia Bridi: Notas sobre o mundo bizarro

A surpresa “The Middle” Depois da notícia de que “Two and a Half Men” pode estar perto de seu fim, e de que “The New Adventures of Old Christine” está na temporada final, fiquei um pouco chateada porque não consigo achar graça nas séries de humor atuais. (salvo “Cougar Town” que as vezes me agrada.)

Pág. 27

Saudosismo Mas quando assisti, meio sem expectativa, a série “The Middle” mudei completamente essa visão. Posso até dizer que nunca ri tanto de uma série americana. Isabela Pinheiro, 23 anos, enfermeira

Atualmente não existe mais desenhos bons como os antigos, não se fazem mais Thundercats, She-Ra ou He-Man, agora a moda é Yu-Gi-Oh, Ben 10 e mais um monte de baboseiras com monstros e animações em computador. Ricardo Furlan, 25 anos, estudante

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Redação|dezembro de 2010 |


Entrevista

Infância: Marília Gabriela com retratos de quando tinha 5 anos. Nos momentos difíceis, clama pela mãe

6| dezembro de 2010 |Redação


De frente com

A

jornalista ção na juventude, Marília .Uma das personalidades Marília Gaentrevistou grandes estamais marcantes da televisão briela costudistas como Yasser Arafat, brasileira, a apresentadora ma dizer que Shimon Peres e Fidel Casadora anos pares. Foi ne- diversifica atividades e investe tro. Cobriu importantes les que teve os dois filhos, datas históricas, como a na carreira de atriz. nesse Cristiano e Theodoro, e ano, ela comemora 41 anos de morte de Perón e a ascenconheceu grandes amosão da viúva dele, Isabelijornalismo, estreia em minires, como o ator Reynaldo ta, na Argentina. Marcou série da Globo e sobe ao palco época ao ancorar o céleGianecchini. Neste ano de 2004, Marília tem outro bre TV mulher na Globo com novo espetáculo bom motivo para festejar: Por Ali Kamel e mediar o debate entre os os 35 anos de carreira, presidenciáveis na Band. iniciados em 1969, como Irrequieta, prepara-se para ‘’estagiária-observadoraestrear como atriz de nonão-remunerada’’ da Globo. De lá da Rússia. Um analista arriscou di- velas, numa participação especial para cá, foi repórter, apresentadora, zer que, por ter 1,80 m, as pessoas em Dinastia, a próxima trama das correspondente internacional. se sentem intimidadas só por terem oito da Globo, de Aguinaldo SilDesde agosto, passou a ser tam- de olhá-la de baixo para cima. Uma va. ‘’Gosto de viver ocupada. Até bém produtora independente do De astróloga explicou que o jeito impo- mesmo para poder reclamar que frente com Gabi, do SBT. ‘’Tenho sitivo é conseqüência de ‘’um Plu- estou ocupada demais’’, diverte-se sempre de ter algo que me faça sen- tão na primeira casa’’. ‘’Reconheço a jornalista, que também comanda, tir viva, ativa, correndo riscos. Essa que sou impulsiva, grandalhona, desde 1997, Marília Gabriela entreé uma característica do jornalista, quase monstruosa. Mas, para sair vista, no canal GNT. correr riscos, sem estar necessaria- do interior, onde nasci, e chegar à Uma das personalidades mais mente cobrindo uma guerra do ou- cidade grande, devo ter caprichado marcantes da televisão brasileira, tro lado do mundo’’, pondera. À pri- na postura agressiva, quase que por a apresentadora diversifica ativimeira vista, Marília Gabriela chega mecanismo de defesa’’, diz. Ao lon- dades e investe na carreira de atriz. a intimidar. Dona de uma imponen- go da carreira, a campineira de 55 Em 2004, ela comemora 35 anos te voz grave e de expressivos olhos anos fez de tudo muito. de jornalismo, estréia em novela da azuis, ela admite, bem-humorada, A exemplo da jornalista italiana Globo e sobe ao palco com novo esque possui um certo ar de Catarina Oriana Fallaci, objeto de admira- petáculo

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Redação|dezembro de 2010 |


Com 35 anos de carreira, como você encarou o desafio de virar co-produtora do De frente com Gabi? No começo, me deu medo. É muito confortável você ser empregada de alguém. Você vai lá, cumpre o seu papel e, depois, recebe no final do mês. No primeiro momento, fiquei preocupada, achando que não cumpriria com as minhas obrigações. Mas me uni a duas produtoras formidáveis: Paula Cavalcante e Ana Sardinha. Fizemos as contas, pegamos os guardados e investimos no programa. No segundo ele se pagou. Ainda não ganho o que ganhava como contratada, mas vou chegar lá.

Personalidade: Dona de uma imponente voz grave e de expressivos olhos azuis, ela admite, bemhumorada, que possui um certo ar de Catarina da Rússia

Repórter, apresentadora, correspondente, produtora independente... Do que mais você se orgulha de ter feito na televisão? Eu me orgulho mais é de ter me mantido. De ter conseguido sobreviver e sobreviver com dignidade, com um trabalho que reputo inteligente, sensato, dentro de um veículo mutante, complicado, um veículo que ainda busca saber para que ele serve exatamente e onde é que ele mais prende a atenção do público... Acho que fiz alguns gols na carreira. Que balanço você faria desses 35 anos de carreira? Essa minha carreira teve lá seus altos e baixos. Teve momentos de grande entusiasmo e excitação e momentos de profundo desânimo. Mas foi uma carreira rica em acontecimentos, em projetos e até em desilusões. Mas foi bom. Porque tudo isso me fez aprender a minha profissão, aprender a fazer o que faço hoje. Se posso escolher fazer o que eu quero, é sinal de que

8| dezembro de 2010 |Redação

existe um reconhecimento do meu mento em que as mulheres estavam trabalho. tentando ser bem-representadas. Lembro “Essa minha Pode-se dizer que carreira teve que fomos capa do o TV mulher tenha The New York Times, lá seus alsido um dos moa Marta Suplicy e eu, tos e baixos. em dia de reeleição mentos mais marcantes? Teve momen- de Ronald Reagan... tos de grande Até hoje, tem gente TV mulher foi o proque lembra de mim... entusiasmo grama que me deu O próprio Giane, pee excitação mais notoriedade, o quenininho, já me via que me tornou naciono TV mulher... e momentos nalmente conhecida. de profundo E num momento que desânimo.” considero muito imE os famosos deportante. Era uma bates entre os canmulher representativa num mo- didatos à Presidência? Qual é a


lembrança mais forte que você guarda deles? Na época, eu não tinha o alcance do que representava aquilo: uma mulher mediando o primeiro debate depois da volta plena da democracia. Saía de lá e reclamava: 'Eu não quero mais apresentar essa porcaria, esses homens são uns maleducados, eu não ganho para isso'. E, de repente, recebo telegrama do ACM, dizendo que votaria em mim para presidente se eu me candidatasse... Mas a ficha não caiu. Não passava pela minha cabeça que eu fazia parte de um importante momento histórico do país.

“Só quero entrevistar gente que queira me dar entrevista. Houve uma época que perseguia loucamente o entrevistado que não quisesse falar comigo. Hoje, não. Respeito é bom e eu gosto.”

Depois de quase dez mil entrevistas, existe alguém que você ainda não conseguiu entrevistar? Só quero entrevistar gente que queira me dar entrevista. Houve uma época que perseguia loucamente o entrevistado que não quisesse falar comigo. Hoje, não. Respeito é bom e eu gosto. Não quer me dar entrevista, que pena. Mas não faço mais força. Tento uma, duas, três vezes. Não deu. Tchau! Fico me sentindo uma intrusa, uma pessoa chata, insistente...

Carreira:

Em seus 32 anos de carreira, já entrevistou mais de 10 mil personalidades. Entre eles, Fidel Castro, Lula, Xuxa e Jô Soares Nome Completo: Marília Gabriela Baston de Toledo Cochrane Nascimento: 31 de maio de 1948 (Campinas, SP) Curiosidades: ► Ela era professora primária quando veio para São Paulo fazer faculdade de Cinema e Publicidade. ► Durante o curso, conseguiu um estágio na Rede Globo e já, no primeiro dia, fez sua primeira reportagem, cobrindo a ausência de um repórter. ► Em seus 32 anos de carreira, já entrevistou mais de 10 mil personalidades.

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Redação|dezembro de 2010 |


Televisão

A notícia misturada com Desde 2009 no ar, o Programa Furo MTV mistura as notícias do dia-a-dia com um humor ácido e sarcástico. os dois apresentadores se tornaram grandes revelações dentro da emissora e se portam como âncoras-palhaços Por Sandra Annenberg

10| dezembro de 2010 |Redação

U

ma vez ou outra, descobrimos programas de TV que se destacam por sua verdadeira originalidade. Furo MTV é um desses. Com pouco mais de um ano no ar, o programa já ganha muitos fãs pelo humor genial com que apresentam as matérias das principais notícias da semana. Agora com duração de 30 minutos, vale a pena conferir. Se quiser ter uma noção do programa, pode-se encontrar no Youtube videos de quase todos (ou todos) os programas que já foram ao ar. Boa dica! Saiba mais: Furo MTV é um programa de humorístico transmitido pela MTV, que estreou em 2 de março de 2009, tendo a duração de 15 minutos, seguindo a nova linha


de programas curtos da emissora. No segundo ano do programa, passa a ter 30 minutos de duração com a apresentação de novos quadros. É apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro. Tem como repórter Bruno Motta, que também é redator chefe da atração. O programa é dirigo por Nicolas Vargas e tem no elenco Didi Effe e Gui Santanna. O jornal, seguindo a linha de "fake news shows" como o The Daily Show ou o Weekend Update, do Saturday Night Live, tem como objetivo mostrar os fatos do dia de uma maneira crítica, ácida, divertida e humorada. O programa é exibido de segunda a sextafeira ás 22:00 h e reprisado à 01:00 h de terça à sextafeira e às 15:00 h de segunda à sexta-feira. Na sextafeira, no mesmo horário, é exibido um compacto com os melhores momentos da semana, erros de gravação e bastidores.

Apresentação de premiações Além de apresentar as notícias do dia-a-dia, Dani Calabresa e Bento Ribeiro também foram escalados para apresentar premiações importantes do mundo da música. A emissora brasileira da MTV transmitiu todas as laureações internacionas via o programa. Dessa vez, quem vai comandar a premiação é a atriz Eva Longoria. E entre os shows do “EMA” estão confirmados: Rihanna, Shakira com Dizzee Rascal, Linkin Park e Katy Perry. Essa última, inclusive, promete travar uma batalha particular com Lady Gaga na premiação, já que as duas concorrem em cinco categorias cada. Nos estúdios da MTV Brasil em São Paulo, Dani Calabresa e Bento Ribeiro comandam a transmissão do “EMA 2010″ numa edição ao vivo e especial do “Furo MTV”. Eles vão comentar vencedores, shows e tudo o que rolar em Madri. O jornal, seguindo a linha de “fake news shows” como o The Daily Show ou o Weekend Update, do Saturday Night Live, tem como objetivo mostrar os fatos do dia de uma maneira crítica, ácida, divertida e humorada. O programa é exibido de segunda a sexta-feira ás 22:00 h e reprisado à 01:00 h de terO jornal, seguindo a linha de "fake news ça à sexta-feira e às 15:00 h shows" como o The Daily Show ou o Weekend de segunda à sexta-feira. Na Update, do Saturday Night Live, tem como sexta-feira, no mesmo horáobjetivo mostrar os fatos do dia de uma rio, é exibido um compacto com os melhores momentos maneira crítica, ácida, divertida e humorada.

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Redação|dezembro de 2010 |


da semana, erros de gravação e bastidores. No segundo ano do programa, passa a ter 30 minutos de duração com a apresentação de novos quadros. É apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro. Tem como repórter Bruno Motta, que também é redator chefe da atração. O programa é dirigo por Nicolas Vargas e tem no elenco Didi Effe e Gui Santanna. O jornal, seguindo a linha de “fake news shows” como o The Daily Show ou o Weekend Update, do Saturday Night Live, tem como objetivo mostrar os fatos do dia de uma maneira crítica, ácida, divertida e humorada. O programa é exibido de segunda a sexta-feira ás 22:00 h e reprisado à 01:00 h de terça à sexta-feira e às 15:00 h de segunda à sexta-feira. Na sexta-feira, no mesmo horário, é exibido um compacto com os melhores momentos da semana, erros de gravação e bastidores.

Sintonia: O “telejornal” é famoso por unir

duas personagens tão distintas, mas que juntas, divertem o público

Humor Inteligente Existe vida inteligente na MTV. E não estou me referindo ao programa do Lobão ou ao pseudo futebolístico humorístico (?!) da emissora. O Furo MTV tem se tornado o telejornal mais aguardado das noites de segunda a sexta. O problema é que o modelo de telejornal humorístico, sarcástico e debochado corre o risco de se esgotar rapidamente, pois os apresentadores também participam do Comédia MTV, que vai ao

ar nas noites de quarta-feira, além de outros programas. Comédia MTV de comédia só tem o nome. Poderia se chamar “A Praça é Nossa MTV” ou ser ridicularizado pelo próprio Furo MTV. Nem a entrada do excelente Paulinho Serra dos “Deznecessários” conseguiu dar graça a um programa com roteiro digno de Zorra Total. O Furo MTV conseguiu o que era aparentemente impossível: colocar uma apresentadora com sotaque de São Bernardo do Campo, Dani Calabresa, ser o destaque de um telejornal.

Mussum Alive!!!

“Cacildis!”

Furo MTV

Horário: Segunda à Sexta, às 22h Duração: 30 min. Apresentação: Dani Calabresa e Bento Ribeiro Quadros: ►@Mussumalive: A coluna mostra como Mussum, se es-

tivesse vivo, comentaria os mais recentes assuntos da atualidade. ► Você não pode dormir sem saber: São notícias sem quase nenhuma relevância, que abrange fatos meio bizarros e notícias de celebridades. ► Furo do Dia: ma análise de uma notícia que o Furo a considera o destaque do dia, mas que pode ter conteúdo irrelevante.

12| dezembro de 2010 |Redação


Opinião

Carlos Heitor

O dilema da imprensa

A

penas seis em cada cem brasileiros costumam ler jornais. Para efeitos de comparação, considere-se, por exemplo, que no Japão essa proporção é de 46 leitores em cada cem habitantes, na Noruega é de 54 para cem e, nos Estados Unidos, 19 leitores a cada centena de habitantes. Os dados são citados na terça-feira (23/11), em reportagem do Estado de S.Paulo na cobertura do seminário sobre o futuro dos jornais que se realiza na capital paulista. O tema que mais chama a atenção da imprensa brasileira nesse evento é a integração de operações para o jornalismo de papel e para o jornalismo digital. No entanto, há questões anteriores a serem contempladas. Na reportagem da Folha de S.Paulo sobre o mesmo assunto, por exemplo, o destaque é o caso do jornal The Times of India, que aumentou a circulação de s u a s edições de papel em 8% ao ano, regularmente, nos últimos dez anos. O segredo dos indianos tem sido manter baixo o preço dos exemplares e aproveitar a ascensão social de parte da população do país, sem rebaixar a qualidade do conteúdo. Um exemplar do Times indiano custa o equivalente a R$ 0,10 e uma assinatura anual sai por R$ 45,00. O jornal tem uma circulação diária de 4 milhões de exemplares e tira seis edições diferentes por dia. Jornalismo melhor No Brasil, quando se trata de buscar os novos públicos promovidos pela melhoria das condições econômicas, praticamente todas as empresas jornalísticas preferiram criar ou adquirir títulos "populares", que têm pouco jornalismo e muito entretenimento.

Difícil escapar da hipótese de que algum precon- Carlos Heitor Cony ceito move a decisão se- é jornalista, escritor e gundo a qual, para a nova menbro da Academia Brasileira de Letras. classe média emergente, É comentarista da o produto adequado deve CBN e da Band News. ser inferior ao que os jor- Colunista da Folha de nais oferecem aos seus S. Paulo, suas colunas leitores tradi- são reproduzidas cionais. em diveros jornais O tema e revistas do país. c e n t r a l Como romancista, dos de- ganhou vários prêmios bates promovidos no seminário tem sido a convergência das mídias e o desafio de financiar o desenvolvimento do jornalismo digital com a receita do jornalismo de papel. Alguns especialistas reconhecem que é difícil mudar um modelo de negócio que durante séculos foi dominado pelos processos de impressão e construir operações multimídia rentáveis. O dilema poderia ser reduzido se o jornalismo oferecido, tanto em papel como pela via digital, fosse capaz de surpreender e satisfazer o leitor. Qualquer leitor. Mesmo com o bom momento econômico, que elevou a circulação dos diários de papel no Brasil a mais de 8 milhões de exemplares em 2009 (em boa parte por conta dos chamados "populares"), os empresários nacionais temem a perda de receita com o crescimento do número de leitores online. “O dilema poderia ser reduzido se o jornalismo oferecido, tanto em papel como pela via digital, fosse capaz de surpreender e satisfazer o leitor. Qualquer leitor.”

Redação|dezembro de 2010 |13


Capa

Personagens reais: Justin Timberlake e Jesse Eisenberg como Sean Parker e Mark Zuckerberg, diretor do Facebook

14| dezembro de 2010 |Redação


A Rede Social

O polêmico filme A Rede Social, estrelado por Justin Timberlake e Jesse Eisenberg, está conseguindo se manter no ponto máximo das bilheterias norte-americanas. Pelo segundo final de semana consecutivo, o longa dirigido por David Fincher levou a melhor e lucrou cerca de R$ 26,3 milhões. O filme narra a trajetória do criador da maior rede social mundial: o facebook

Por Fátima Bernardes

Redação|dezembro de 2010 |15


N

ascido em 2004 como uma brincaO pouco que se sabe sobre as origens do deira de estudantes da UniversidaFacebook está em dois livros The Facebook de de Harvard, o Facebook deixou Effect, de David Kirkpatrick, e The Accidenos muros acadêmicos e abraçou o tal Billionaires, de Ben Mezrich - biografia mundo. Já ultrapassou a marca dos 500 milhões não autorizada que deu origem ao filme A de usuários em todo o planeta. O fenômeno da Rede Social web virou fenômeno cultural, apontam especiaapenas seis anos e em que o protagonista principal é listas, que veem na ferramenta um novo ambienum jovem milionário . te de comunicação. Pior ainda quando o filme versa sobre um fenómeA febre chegou a Hollywood, que transformou a hisno de sucesso tão actual quanto a rede social Facebook tória da criação da rede social em filme. Para viver nas telas o papel do criador do Facebook, que tem acima de 500 milhões de utilizadores em todo Mark Zuckerberg, o ator Jesse Eisenberg, de 27 anos, o mundo. Para agravar a tarefa falta dizer que tudo o fez uma longa busca na internet: assistiu a todos os ví- que tenha a ver com o Facebook - a sua fundação, os deos em que Zuckerberg aparecia ou dava declarações. seus protagonistas -, está envolto em mistério por vonMas o objetivo de Eisenberg não era apenas imitar os tade expressa do seu líder Mark Zuckerberg que gosta trejeitos do criador da maior rede social do planeta. muito pouco de falar sobre si. O pouco que se sabe sobre as origens do Facebook "Tentei também identificar cada característica pessoal está em dois livros The Facebook Effect, de David Kie entender por que ele perdia horas de sono programando o site", conta o ator. Valeu a pena. A interpretação rkpatrick, e The Accidental Billionaires, de Ben Metem sido elogiada desde a estreia do filme A Rede So- zrich. Este último é uma biografia não autorizada, que cial nos Estados Unidos, em outubro, e pode render um deu origem ao filme A Rede Social, que estreou recenOscar a Eisenberg. Antes ou depois do sucesso, nunca temente em Angola e está a ter um enorme sucesso em houve um encontro entre os dois - Mark e Jesse. Mas na todo o mundo. Facturou 23 milhões de dólares na prientrevista a seguir, que Eisenberg concedeu por telefo- meira semana de exibição nos Estados Unidos e já se ne ao site de VEJA, ele revela o que diria a Zuckerberg diz ser candidato a Óscares. Os autores, conscientes da caso a reunião acontecesse. "Seria estranho encontrá- polémica do argumento, afirmam que se trata de uma lo", adianta o ator.Não é fácil fazer um filme sobre uma história ficcionada baseada em acontecimentos reais. história real, cujos acontecimentos se passaram há

Mark Zuckerberg espera que fãs do site ignorem o filme O filme A Rede Social (The Social Network), que narra as origens de Facebook, não é o programa preferido dos criadores do site, que confiam que o público vai ignorá-lo nos cinemas, informou hoje o jornal "San Francisco Chronicle". O longa-metragem, que estreia no dia 1º de outubro nos EUA, conta a história de Mark Zuckerberg, diretor-executivo e co-fundador do site, e é baseado no livro do jornalista Ben Mezrich, The Acidental Billionaires, e não tem o apoio do Facebook. "O filme é ficção", disse Zuckerberg em uma das poucas ocasiões nas quais se referiu publicamente ao filme, já que sua empresa evita se pronunciar.

16| dezembro de 2010 |Redação

O filme associa o início do Facebook a uma série de traições entre amigos e retrata Zuckerberg, agora um multimilionário de 26 anos, como uma espécie de anti-herói em busca de aceitação social. Após a criação do Facebook, Zuckerberg foi acusado de apropriar-se da ideia da rede social, uma causa que terminou com um acordo extrajudicial.


Realidade ou Ficção

Inimizades: Mark Zuckerberg precisou passar por cima de muita coisa para se tornar o CEO do facebook, até das suas amizades

O problema do espectador é como distinguir a realidade da ficção. Só duas pessoas podem esclarecer essas dúvidas. Uma delas é o próprio Zuckerberg que já confessou ter odiado o filme. Ele tem razões para isso. O fundador do Facebook surge no ecrã como um pequeno génio de Harvard, absolutamente destituído de competências sociais. Retrata-o ainda como um empresário impiedoso que não hesitou em trair o amigo brasileiro da faculdade, Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook. A outra pessoa que podia esclarecer o mistério é o próprio Eduardo que, ao que se diz, foi consultor do filme. O brasileiro terá recebido uma indemnização milionária quando foi afastado do cargo de director financeiro do site. Na altura, exigiu que o seu nome constasse na ficha técnica do Facebook, mas, em contrapartida, foi forçado a manter o silêncio sobre o seu conflito com Zuckerberg. Logo, se por um lado, é impossível saber até que ponto o filme é um retrato fiel da realidade, por outro, ficamos esclarecidos sobre o que é realmente essencial, ou seja, como é que um jovem sobredotado socialmente inapto criou uma rede social com 500 milhões de utilizadores em 207 países. Hoje o aluno tímido que abandonou a faculdade de informática aos 19 anos tornouse o mais jovem empreendedor milionário da história, dono de uma companhia avaliada em mais de 10 mil milhões de dólares. Com apenas 26 anos, Mark Zuckerberg, surge em 35.º lugar, na lista dos homens mais ricos do mundo da revista Forbes, com uma fortuna avaliada em 7 mil milhões de dólares.

você não consegue

500 milhões de amigos sem fazer alguns INIMIGOS

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Redação|dezembro de 2010 |


ficção x realidade Os protagonistas da história da criação do facebook

Jessen Eisenberg

Mark Zuckeberg

Intepretado por Jesse Eisenberg em “A Rede Social”, o CEO fundador do Facebook é apresentado é apresentado como um sujeito inseguro com sérias falhas de mau caráter e mal resolvido com o sexo oposto

Milion‫ב‬rio de Chinelos O facto de se ter tornado milionário nunca o impediu de, nas suas aparições públicas, se apresentar com chinelos de borracha — tal como antigamente costumava fazer pelos corredores da Universidade de Harvard. Só no início deste ano é que o menino prodígio da internet apareceu pela primeira vez com um novo visual em programas de televisão — passou a vestir camisas, jeans e… ténis. Foi assim que algo aparentemente sem a menor importância se tornou notícia. A reforma dos chinelos gerou discussões em inúmeros blogues e, é claro, no próprio Facebook. O filme explora muito bem esse pormenor (o fundador chega a aparecer de roupão e chinelos para uma das reuniões de negócios). Explora também como o Facebook nasceu da simples necessidade de integração social por parte dos seus fundadores (a este propósito o diálogo inicial do filme entre Zuckerberg e a namorada é simplesmente brilhante). O Facebook foi uma vitória do mundo dos nerds (expressão que designa os “génios da informática”, do qual o empreendedor fazia parte) sobre o mundo dos cool (os meninos de boas famílias de Harvard que conquistavam as moças mais sexy da turma).

Sexo, Drogas e Rede Andrew Garfield

Eduardo Saverin

Cofundador do Facebook, foi passado pra trás por seu ex-melhor amigo Zuckenberg. Anos depois, fechou um acordo de valor não revelado para resolver a situação. É vivido no filme por Andrew Garfield.

A história começa quando Mark Zuckerberg cria a rede social Facemash, em 2003. Depois de alguns “copos” em excesso, ele decidiu piratear os servidores da universidade e fazer o download das fotos das alunas mais “quentes” de todas as residências estudantis. De-

“Seria estranho encontrar

Justin Timberlake

Sean Parker

O criador do Napster é o bady boy da trama. Encarnado por Justin Timberlake, manipula Zuckenberg, torna-se presidente do Facebook e é preso depois de uma balada com drogas e garotas menores de idade

18| dezembro de 2010 |Redação

Ator Jesse Eisenberg tentou levar a pessoa Mark Zuckerberg para o seu personagem em "A Rede Social"


Vida universitária: A vida no campus era bem agitada: regada a festas, drogas e disputas virtuais

pois de roubar as fotos, criou um site em que os alunos brasileiro fez um investimento inicial de mil dólares podiam votar nos atributos das jovens e estabelecer — depois de outros 17 mil — e recebeu uma quota de um ranking. Pelo seu atrevimento, quase foi expulso 30% da empresa. Logo que entrou no ar, o site conde Harvard. quistou milhares de utiToda A história começa quando Esta experiência foi o lizadores em Harvard. O Mark Zuckerberg cria a rede social ponto de partida para o sucesso repetiu-se, mais Facemash, em 2003. Depois de alguns Facebook. Durante sematarde, noutras universi“copos” em excesso, ele decidiu piratear nas a fio, Zuckerberg tradades, como Princeton e os servidores da universidade e fazer balhou no projecto de uma Yale. o download das fotos das alunas comunidade exclusiva, em O debate jurídico sobre a mais “quentes” de todas as residências que os utilizadores se coverdadeira paternidade do estudantis nhecessem. Nessa época, site é um dos pontos alno final de 2003, redes sociais como o Friendster e o tos do filme. Os diálogos (aos quais não falta o bomMySpace já existiam, mas ainda não tinham grande humor) são outro dos trunfos. Mas o que verdadeisucesso. Com o projecto terminado, pediu dinheiro ao ramente atrai o espectador são os retratos da vida no seu amigo Eduardo Saverin para alugar servidores. O campus.

Mark Zuckerberg,” diz ator Como surgiu o convite para ser o protagonista de A Rede Social? A audição para o filme começou com testes de vídeo, onde eu lia textos de algumas cenas. Alguns dias depois, fui chamado para ir à Califórnia. Então, encontrei o diretor David Fincher, que me deu o papel. Fiquei muito contente. Afinal, o filme é muito bom. Como você se preparou para interpretar Zuckerberg? O personagem é uma pessoa real. Então, assisti a todos os vídeos e entrevistas de Zuckerberg que encontrei na internet. Estudei seu jeito de falar e tentei levar o máximo disso para meu personagem. Tentei também identificar

Você chegou a conhecê-lo? Não, nunca o encontrei pessoalmente.

Quem é Mark Zuckerberg para você? Uma pessoa criativa. Alguém que cria quando se sente bem, quando está cansado e quando está triste. Um incrível inventor que conquistou mais de 500 milhões de pessoas.

E se tivesse a oportunidade de encontrá-lo: o que diria a ele? Eu diria: "prazer em conhecê-lo". Diria também que tentei fazer um bom filme, e que ele fez algo notável e inovador. Acho que teríamos muito o que falar um ao outro. Mas acho também que eu me sentiria um pouco desconfortável ao encontrar Zuckerberg: afinal, fiz um filme sobre a vida dele. Seria estranho encontrá-lo.

Você gosta de tecnologia? Eu não sinto que posso controlar a tecnologia, mas sei que ela assume um controle sobre mim. A tecnologia é ótima e pode ser usada para tornar as coisas mais convenientes. O Facebook, por exemplo, pode ser uma ferramenta maravilhosa ou apenas um lugar para gastar tempo na web. Há alguns dias, minha mãe entrou no Facebook e foi uma experiência incrível para ela.

cada característica pessoal e entender por que ele perdia horas de sono programando o site.

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Redação|dezembro de 2010 |


Portfólio

João Figueiredo em 1988, no seu terceiro ano depois de Brasília. Ele chamava o bairro carioca de São Conrado, onde morava de frente para a praia, de república dos “ex”

Em busca de

um

O que acontece com um presidente após cumprir o seu mandato? A resposta para essa pergunta pode ser encontrada nas fotos de Orlando Britto

20| dezembro de 2010 |Redação

A

descida do Planalto para a planície faz de todo expresidente um aposentado com dificuldade de encontrar seu lugar no país e no mundo. Mesmo que retorne ao poder mais adiante, o ajuste costuma ser penoso. A partir do próximo 1º de janeiro, o Brasil terá cinco membros nesse clube de cidadãos cada vez mais longevos. A bagagem com que sai do palácio determina a chance de cada um construir uma nova identidade pública sem a faixa presidencial


Março ce 1990, foto tirada três dias antes de José Sarney passar o poder ao sucessor. A gameleira plantada no fundo do Palácio da Alvorada tem a idade de Brasília.

Luiz Inácio Lula da Silva deixa Brasília em janeiro de 2011. Estará com apenas 65 anos de idade e toda uma carreira de ex por construir. Nunca antes na história desse país

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Redação|dezembro de 2010 |


Fernando Collor entre o seu afastamento do poder, em outubro de 1992, e a votação do

22| dezembro de 2010 |Redação


impeachment, em dezembro. Isolado no gabinete que montou em casa, despachava sozinho.

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Redação|dezembro de 2010 |


Perfil

Um sorriso 24| dezembro de 2010 |Redação

Pontual


A Engenharia Mecânica perdeu uma musa, Mas, ao optar pela Faculdade de Comunicação, o Telejornalismo ganhou Carla Vilhena, uma das melhores Âncoras do País Por Evaristo Costa

À

s 4h30, enquanto muitas meninas descem dos sapatos plataformas e saltos altos depois da balada que lhes rende algumas horas a menos de sono, a jornalista Carla Vilhena já se equilibra em cima de um habitual salto dez, que rapidamente transforma seu habitual 1,70 metro em 1,80. Dali a pouco uma equipe estará a sua espera para finalizar os preparativos do "Bom Dia SP", que entra no ar, de segunda à sexta-feira, às 6h25, tendo ela como âncora. Jána Rede Globo, depois de ler os espelhos do "Jornal Nacional" e do "Jornal da Globo" da noite anterior e as principais notícias das agências, dá uma folheada nos jornais do dia enquanto é penteada e maquiada. Produzir um noticiário que é veiculado tão cedo exige trabalho de equipe, e Carla reconhece o valor da sua. Do carro, desde sua casa, no bairro do Morumbi, em São Paulo, até os estúdios, Carla observa a quantidade de pessoas que faz fila nos pontos de ônibus: "Na hora que o despertador toca realmente é difícil, mas para quantas pessoas ele não toca e elas saem de casa e pegam um transporte deficiente e fazem algo que não gostam, mas são obrigadas?". Tenta emplacar uma pauta a respeito no telejornal, mas suas tentativas até agora não tiveram sucesso: "Para quem trabalha no 'Bom Dia' isso não é mais novidade", lamenta. Para ela, aindaé. Depois de oito anos à frente do "SPTV - 1ª Edição", em abril

assumiu a nova bancada. Desde então, além do programa paulista, Carla entra ao vivo e com frequência no "Bom Dia Brasil", conversando com Renato Machado e Renata Vasconcelos - que ancoram do Rio de Janeiro - sobre as principais notícias do eixo Sul-Sudeste. Os telejornais da manhã global, cujo clima despojado sempre foi marcante, ficou ainda mais solto com Carla. Ficaram famosas as ocasiões em que, indignada, teceu uma crítica a pichadores e quando fez um comentário espirituoso sobre o caso de uma mulher assaltada pelo próprio marido. Disse: "Os tempos românticos acabaram. Antigamente, as pessoas roubavam só o coração. Agora roubam a mochila mesmo". A carioca Carla “Os tempos românticos acabaram. Vilhena começou Antigamente, as pessoas roubavam só o coração. Agora roubam no jornalismo como a mochila mesmo,” afirma a editora de imagens jornalista carioca do Jornal Hoje, em 1984. Com 18 anos

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Redação|dezembro de 2010 |


Carreira: Carla Vilhea está na tv desde 1984. De lá pra cá, já passou por todas as etapas do jornalismo

já era apresentadora de um programa semanal em rede nacional na TV Educativa. Foi repórter na extinta Rede Manchete. Na Rede Bandeirantes, apresentou vários telejornais, como o Jornal da Band e o Jornal da Noite, bem como as transmissões de carnaval, antes de voltar à Rede Globo, em 1997. Contratada inicialmente para o SPTV, Carla foi logo convocada para o Fantástico, no qual ficou até 1998. Passou por todos os telejornais da casa, menos o Globo Rural e o Globo Repórter. Em 1999, passou a integrar o rodízio de apresentadores eventuais do Jornal Nacional. Em 2001 assumiu a bancada do Jornal Hoje, ao lado de Carlos Nascimento, e saiu de lá no ano seguinte, para assumir a bancada do SPTV 1ª Edição com

26| dezembro de 2010 |Redação

o então marido Chico Pinheiro. Desde 2005, Carla apresenta eventualmente o Globo Notícia. Em 1º de Abril de 2010, Carla se despede do SPTV, passando a comandar o Bom Dia São Paulo e o Bom Dia Brasil, este no bloco que remete as notícias que são transmitidas do estúdio em São Paulo. Foi casada com o também jornalista Chico Pinheiro de 1991 a 2008, com quem apresentou por 8 anos o SPTV. Em casa, não põe a mão nas plantas porque “mata todas”, mas na cozinha arrasa em massas e doces. Não toma refrigerante e, bebida alcoólica então, sem chance. “Eu costumo pegar as frutinhas da caipirinha do meu namorado [Carlos Monnerat] e fico completamente l-o-u-c-a!”, diz, entre muitas risadas. Na entrevista a seguir, a estrela da nossa capa fala da emoção da notícia, da ditadura da beleza, de seus gostos, de amor e separação, de seu temperamento e revela que continua gostando muito de estampa de oncinha. O ensaio fotográfico já havia acabado, mas a Carla ainda estava dançando. Criatura, onde desliga?

Nome Completo: Carla Vilhena Nascimento: 11 de junho de 1968 Cidade de Origem: Rio de Janeiro Filhos:Clarissa e Pedro (2001); Marcelo (2006) Casamento: Chico Pinheiro (1991-2008) Formação: Comunicação Social (Jornalismo) FACHA (Faculdades Integradas Hélio Alonso) Trabalho: Jornal Hoje (1984); TV Educativa (1986); TV Manchete (1990); Rede Bandeirantes (1993-1997); SPTV (1998); Fantástico (1999); Bom dia São Paulo (2005); Bom Dia Brasil (2006) Curiosidades: ► A carioca Carla Vilhena começou no jornalismo como editora de imagens do Jornal Hoje, em 1984. ► Com 18 anos já era apresentadora de um programa semanal em rede nacional na TV Educativa. Foi repórter na extinta Rede Manchete. ► Foi casada com o também jornalista Chico Pinheiro de 1991 a 2008, com quem apresentou por 8 anos o SPTV..


Notas Jornalísticas

Sônia Lontra Criminosa País: Estados Unidos: ► Uma lontra é procurada

pelas autoridades de Boca Raton, no estado da Flórida (EUA), por ter atacado um cachorro e duas pessoas. O serviço de controles de animais colocou armadilhas com isca de atum para tentar capturá-la. Folhetos também foram distribuídos nos bairros para ajudar a pegar a lontra, segundo reportagem da emissora de TV "WSVN".

Papai-Noel Futurista País: Alemanha ► Vestido de Papai Noel, o designer alemão Didi Senft, mais conhecido como “El Diabo”, apresentou na quinta-feira (25), em Storkow, na Alemanha, sua mais nova criação. Ele inventou uma espécie de trenó puxado por uma bicicleta. O reboque tem sete metros de comprimento.

Sofá-Caixão Milionário País: Holanda ► O designer Von Erickson criou um

sofá inspirado em um caixão. O móvel é feito com uma espuma grossa, molas e conta com uma cobertura de veludo. É possível, inclusive, fechá-lo como um caixão. Na loja on-line “Etsy.com”, a peça custa US$ 4,9 mil, cerca de R$ 8,7 mil.

Peladão

Sônia Bridi é jornalista e repórter de televisão brasileira. Foi correspondente da TV Globo em Londres (1995), Nova Iorque (1996 a 1999), Pequim (2005 a 2006) e Paris ( 2008 a 2010). Atualmente mora no Rio de Janeiro. lançou um livro em julho de 2008 sobre a permanência na China entre 2005 e 2006, chamado Laowai (estrangeiro) – histórias de uma repórter brasileira na China (Letras Brasileiras)

País: Estados Unidos ► O norte-americano Dakotah Lamuska foi preso na última terça-feira em Jackson, no estado do Tennessee (EUA), acusado de invadir uma escola e ser flagrado dançando nu pelas câmeras de vigilância, segundo reportagem da emissora “WMC-TV”. O suspeito teria invadiu a escola “North East” após quebrar uma janela

Võmito Ao Vivo País: Espanha ► Uma mulher foi flagrada vomitando durante um programa ao vivo na Espanha. A cena ocorreu no programa “Saber Vivir”, do canal RTVE, no ano passado”. A mulher, que aparece sentada em uma bancada ao fundo, sente enjoo e vomita várias vezes em um saquinho plástico.

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Redação|dezembro de 2010 |


História

Inspiração: A liberdade buscada por Libero Badaró e por todos os republicanos da época podem ser encontrados na Revolução Francesa (1789)

28| dezembro de 2010 |Redação


Lutador na N

ascido numa pequena aldeia da região italiana da Ligúria e vindo para o Brasil aos 28 anos, quase nada se sabe sobre os antecedentes do médico Líbero Badaró na Europa. "Supõe-se que ele era um carbonário, um revolucionário perseguido por suas ideias liberais. Havia acontecido revoluções na Europa no começo dos anos 1820, uma delas em Nápoles", relata o historiador da USP, Lincoln Secco, estudioso do combativo jornalista que, há exatos 180 anos, foi assassinado por dois homens, a caminho de casa, em São Paulo. Para melhor compreender a atuação de Líbero no Brasil é necessário remontar aos acontecimentos na Europa de então. "Dizer apenas que o jornalista Libero Badaró foi o canal de comunicação entre a Revolução de 1830 e o Brasil é algo batido e banal. Uma onda percorreu o Velho Continente, dando fim aos anseios retrógrados do Congresso de Viena e da Santa Aliança. Foi nesse momento que Carlos X abdicou do trono francês; a Bélgica se livrou da dominação holandesa; a Grécia do jugo turco, a Polônia tentou se emancipar e uma lufada liberal varreu a Alemanha", descreve o his-

Assassinado há 180 anos, o jornalista Libero Badaró é considerado o primeiro mártir da liberdade de imprensa no Brasil Por Jorge Pontual toriador e escritor carioca Clóvis Bulcão de Moraes. "No mesmo período, o Brasil vivia os últimos meses do reinado de Pedro I. O imperador se tornara um monarca extremamente impopular e estava acossado pelas duras críticas dos liberais brasileiros. Na verdade, Dom Pedro era o protótipo do monarca absolutista e arbitrário", descreve. Noite de 20 de novembro de 1830. Líbero Badaró caminha pela Rua Nova de São José, centro de São Paulo. Italiano naturalizado brasileiro, professor de geometria - é o Doutor Botas, por causa das solas grossas dos sapatos. Líbero funda em 1929 o segundo jornal paulistano, O Observador Constitucional. Agressivo e provocador, é a bandeira liberal contra o autoritarismo de D. Pedro I. A defesa da Constituição e as críticas ao abuso de poder atraem a ira das autoridades. Doutor Botas faz barulho com seus sapatos pelas ruas. Tudo combinado para a emboscada. O sino da igreja bate dez horas. A bala rompe uma artéria, provoca hemorragia e a vida de Badaró se esvai. Médico, sabe que o ferimento é fatal: “Não se iludam. Morre um liberal mas não morre a liberdade.” Pagou com a vida pelo ideal de liberdade. No ano seguinte, a 7 de abril, D. Pedro I abdica.

Pensamento: De todas as garantias que

o pacto social concede aos cidadãos, parecenos que a liberdade inteira de publicar os seus pensamentos (salvo responder pelos abusos) seja aquela a que menos se deve atacar; por isso que em certa maneira é o guarda de todas as outras.” Libero Badaró (1798-1830)

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Sessão Cult

Livros

Bandas Indies

1. Strokes

O som feito pela banda são diversas a partir de cada disco. Enquanto em Is This It a banda mostra um rock com um apelo sujo, de garagem, apesar de extremamente melódico.

2. Arctic Monkeys

Atingiram o sucesso através de fitas demo e compartilhamento de arquivos.[2] Os Arctic Monkeys alcançaram o sucesso com seu segundo single, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, que alcançou o

3. ok go

Atingiram o sucesso através de fitas demo e compartilhamento de arquivos.[2] Os Arctic Monkeys alcançaram o sucesso com seu segundo single, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, que alcançou o

30| dezembro de 2010 |Redação

Hiroshima John Hersey

Por quem os sinos dobram Ernest Hemingway

Um ano depois que os EUA lançaram a bomba atômica em Hiroshima, John Hersey reconstituiu o dia da explosão, a partir de depoimentos de seis sobreviventes. Quarenta anos mais tarde, o jornalista voltou a Hiroshima e escreveu o último capítulo da história dos hibakushas: as pessoas atingidas pelo efeito da bomba. Editora: Companhia das Letras Ano: 1946

Esta é a nova edição do clássico “Por Quem os Sinos Dobram”, agora com nova tradução. A obra foi eternizada no cinema numa produção norte-americana, e a trama gira em torno de Robert Jordan, o americano integrante das Brigadas Internacionais, que luta ao lado do governo democrático e republicano, recebendo a missão de dinamitar uma ponte. Editora: Bertrand Brasil Ano: 1940

Preço: R$ 42,00

Preço: R$ 22,90

Fama e Anonimato Gay Talese Nas reportagens reunidas neste antologia, o consagrado repórter americano que ajudou o “Novo jornalismo” retrata o universo urbano de Nova York. Publicado no Brasil em 1973 com o título “Aos Olhos da Multidão”, o livro se tornou referência entre jornalistas e escritores. A edição inclui duas reportagens inéditas. Editora: Companhia das Letras Ano: 2004 Preço: R$ 68,50

Filmes Cidadão Kane Orson Welles Cidadão Kane é supostamente baseado na vida do magnata do jornalismo William Randolph Hearst (publicamente, Welles negava), e conta a história de Charles Foster Kane, um menino pobre que acaba se tornando um dos homens mais ricos do mundo.

Duração: 119 min. / Ano: 1941

Os homens do presidente Orson Welles . ois jornalistas investigam o escândalo de Watergate para o jornal Washington Post. Descobrem uma rede de espionagem e lavagem de dinheiro, o que acaba por levar à renúncia do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. Duração: 138 min. / Ano: 1976


Revista Redação  

Projeto desenvolvido para a disciplina de Planejamento Gráfico em Jornalismo do curso de Comunicação Social - Jornalismo (UEL - Universidade...

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