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Q L . TUS JANEIRO 2014

EDIÇÃO ÚNICA


EDITORIAL

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trabalho do jornalista é mais árduo do que parece. Afinal, como reduzir a história de vida de alguém a algumas páginas, suas palavras tão cheias de significado e informações a alguns parágrafos, suas emoções e percepção do mundo a alguns verbos, substantivos e adjetivos? Este esforço é constante e, quando o jornalista consegue, transforma um acontecimento diário num evento que pode ser compartilhado por milhares de olhos, ouvidos, mentes e corações, por meio de imagens, sons, fotos e textos que circulam por toda parte. Investigar, em jornalismo, é o trabalho digno de um Sherlock Holmes. Não se trata apenas de desvendar o mistério que reside no não-conhecido. É também buscar as induções e deduções que podem tornar aquilo que é familiar em algo novo; é olhar o comum com olhos curiosos, desvendar o que já parecia totalmente esclarecido. Interpretar, como diz o nome da disciplina a que esta revista se refere, não é meramente traduzir,

nem fechar os acontecimentos num ângulo único de sentido, mas mobilizar, incomodar, emocionar e despertar o leitor. É o jornalismo cumprindo seu papel no mais alto grau. Os alunos da Disciplina de Jornalismo Interpretativo foram desafiados a este trabalho árduo, condensando em umas poucas páginas de revista um leque de experiências e informações, e olhares distintos sobre fenômenos culturais os mais variados. Para além de trazer dados, números e curiosidades, foi-lhes pedido que contassem uma boa história, refletindo em palavras suas sensações, pensamentos, percepções, olhares, cheiros, gostos, sentidos presentes na vida das pessoas que estão por trás de cada matéria. Portanto, que a leitura destas reportagens conduza você por este caminho de descobertas e que seja para você algo tão vibrante quanto foi para diversos dos estudantes, ao se depararem com pessoas, histórias, narrativas e fatos tão distintos, encantadores, intrigantes – como é a própria vida! Hideide Brito Torres Profa. da Disciplina de Jornalismo Interpretativo Curso de Jornalismo, Comunicação Social - UFV


Q L . TUS JANEIRO 2014

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EDIÇÃO ÚNICA

UM PEDAÇO DO JAPÃO NO BRASIL

HERANÇA NIKKEI NOS ESPORTES

UMA REPRESENTAÇÃO ARTÍSTICA DO ORIENTE

A MODA ORIENTAL E SUAS POSSÍVEIS CONEXÕES COM O BRASIL

SENDO O HERÓI POR UM DIA – A ARTE DO COSPLAY

POR TRÁS DO PERSONAGEM

SUSHI'N'ROLL - UMA CULINÁRIA REPLETA DE SABORES

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Um pedaço do Japão no Brasil ELES VIERAM DO OUTRO LADO DO MUNDO. O BRASIL POSSUI MAIS DE 1,5 MILHÕES, SENDO O PAÍS COM O MAIOR NÚMERO DE JAPONESES FORA DO JAPÃO. CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DESSES IMIGRANTES.

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rasil, o berço da miscigenação cultural. Um país de tantas cores, sabores e raças. O lugar que virou a segunda casa dos japoneses. Estes desembarcaram no Brasil devido a um acordo imigratório firmado com o Japão, criado com a intenção de deslocar a superpopulação das metrópoles, para diminuir a saturação das cidades.

POR ANA LUISA MOREIRA

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ANTES DO ACORDO om a era Meiji, ocorreu a grande reforma agrícola que mecanizou os sistemas, tornando pequenos produtores desempregados e endividados. Com isso, essa população se mudou para os grandes centros, acarretando em uma grande aglomeração urbana.

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ao país. Durante o desenvolvimento da guerra esse fluxo foi interrompido. Sendo São Paulo o maior produtor de café, formou-se ali a maior colônia Nikkei do Brasil. Com a pretensão de enriquecer aqui e voltar para seu país, a população não abriu mão de seus costumes, e não se importou em aprender português. AS GERAÇÕES NIPÔNICAS

Esta saturação das cidades ocasionou no desemprego novamente, pois sobrava mão de obra e faltava emprego. Sem alternativas para controlar esse êxodo rural e a grande taxa de desemprego, a partir do ano de 1980, começou a se incentivar essas políticas imigratórias. A escolha do Brasil não foi ocasional. O governo japonês mandou o deputado Tadashi Nemoto fazer uma visita ao Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Somente depois de aprovar estas cidades, recomendou o envio dos imigrantes. 1908, CHEGANDO AO BRASIL m 18 de junho de 1908, chegou ao porto de Santos o navio Kasato Mar, o navio da esperança, trazendo os primeiro 781 imigrantes. Estes concentraram suas colônias ao longo da linha Noroeste da Companhia Paulista, dedicando-se especialmente à agricultura.

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Como o Brasil, firmou esse acordo de imigração devido à falta de mão de obra na cafeicultura, e os japoneses com necessidades de emprego, o número de imigrantes cresceu rapidamente. Outro fator relevante foi a Segunda Guerra Mundial, até o início é estimado que aproximadamente 180 mil, chegaram q L

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primeira geração, só queria enriquecer, com isso não aderiu aos costumes brasileiros. Contudo sua pretensão de ganhar dinheiro só foi possível depois de alguns anos, quando fizeram um acordo com os donos da terra onde trabalhavam, e assim conseguiram comprar sua própria terra. Sua rigidez perante os costumes era tanta que seus filhos frequentavam escolas criadas por eles nas colônias. Contudo a segunda geração, sem esperanças de voltar ao Japão, e com a eclosão da II Guerra Mundial que acabava com sua terra natal, decidi ficar no Brasil. Esse fator trouxe, no início, outros personagens japoneses, atraídos pelos seus parentes. Nesta década, 1930, já tínhamos a maior população de Nikkei fora do Japão. E foi a partir da terceira geração que eles começaram a se abrir para sociedade brasileira. Nos anos 50, saíram do campo para as cidades, para concluir os estudos. RUMO A SÃO PAULO.

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s colônias se estabeleceram em São Paulo, maior produtor de café no Brasil. Hoje, em um dos bairros mais famosos de São

Paulo, Bairro da Liberdade, a maioria da população é descendente de orientais. Estes começaram a residir no local em 1912, começando a fundação do bairro. Para eles, a fundação de um bairro onde sua própria cultura reside era fundamental. Criaram escolas para educação de seus filhos, segundo seus métodos. Com o passar do tempo foram criadas lojas, tornando a região um grande centro comercial de São Paulo. E graças à associação de lojistas, o bairro recebe um estilo próprio, com decoração tipicamente oriental. As festas típicas, tradições do bairro, como a Feira de Domingo e o Ano Novo Chinês, atraem turistas para aquela região, movimentando ainda mais o comércio. Outros eventos como o Hanamatsuri, o festival das flores, e o campeonato de Sumô, também são atrações. UM BRINDE AO MULTICULTURALISMO BRASILEIRO.

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aís de portas abertas para o mundo, o Brasil é, e sempre foi um lugar onde os imigrantes procuraram abrigo, emprego ou um lar. Nossa nação é essa mistura de outros povos, dando esse gosto diferencial de ser brasileiro. Mas, dentre tantas culturas que mesclam nossa nacionalidade, a japonesa é a mais exótica. Desde sua decoração, culinária, músicas, esportes e arte, até seus métodos de ensino. O que nos deixa ainda mais curiosos em conhecer esse povo de tantas singularidades.


Isseis (japoneses de primeira geração, nascidos no Japão): 13% Nisseis (filhos de japoneses): 31% Sanseis (netos de japoneses): 41%; Yonseis (bisnetos de japoneses): 13% Lugares turísticos do Bairro da Liberdade: Feira da Liberdade Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil Templo Busshinji Comunidade Soto Zen Shu Templo Quannin do Brasil

“Meu bisavô, Torakuma Abe, chegou por volta de 1930. Após a primeira guerra mundial o governo japonês fazia propaganda sobre o Brasil, incentivando a virem para cá. No Japão tinha escassez de terras, e depois da guerra, estavam quebrados, então, resolveram tentar a vida por aqui. Chegando, começaram a trabalhar em fazendas de algodão. Após juntar um dinheiro compraram um pequeno pedaço de terra no interior de São Paulo, em uma cidade chamada Votuporanga. A família toda trabalhava lá, meu bisavô e seus nove filhos.”

“Minha bisavó e meu bisavô vieram para o Brasil, fugindo da segunda guerra mundial que acabava com o Japão, e não tinha empregos. Vieram com minha avó ainda bebê e mais duas irmãs, deixando uma de suas filhas para traz, com a tia, pois esta tinha uma doença contagiosa e não podia embarcar. Chegando aqui trabalharam em uma fazenda de café no interior de São Paulo.” Talita Takahashi, 20, estudante de Biologia da Universidade Federal de São Carlos.

Eduardo Abe, 25, estudante de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa.

As dez cidades com o maior número absoluto de nikkeis são: Atibaia, Mogi das Cruzes, Suzano, Bastos, Marília, Lins, Registro, Araçatuba, Presidente Prudente e Pereira Barreto. Sendo que 1 milhão de nikkeis vivem no Estado de São Paulo (estima-se que sejam, portando, 3% da população paulista). Na Grande São Paulo, estima-se que corresponda a 6% da população paulistana.

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As empresas japonesas, encorajadas, começam a planejar investimentos no Brasil.

Chegada do navio Kasato Maru, em Santos.

Segundo dados do Consulado Geral do Japão em São Paulo mostram que a comunidade nikkei, na época, era composta por 132.689 pessoas. O comércio entre Brasil e Japão é promovido por meio de um acordo bilateral.

O Governo Federal começou a restringir as atividades culturais e educacionais dos imigrantes.

A circulação de todas as publicações em japonês é proibida.

1908

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1932

1938

1940

1949

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Número de japoneses e descendentes no país somavam 404.630

A sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa - Bunkyo é inaugurada na Rua São Joaquim, em São Paulo.

Chega em Santos, São Paulo, o navio Nippon Maru, último a transportar imigrantes japoneses.

No início dos anos 90, o fenômeno da imigração japonesa se inverteu. Milhares de descendentes de japoneses passaram a imigrar para o Japão em busca de emprego.

Comemorou-se, neste ano, o centenário do tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão.

Comemorou-se o centenário da imigração japonesa no Brasil

1958

1964

1973

1990

1995

2008

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Heranรงa

Nikkei

nos

esportes POR ANA CLรUDIA RICHARDELLI

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KARATÊ

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aminho das mãos vazias. Esta é a tradução de Karatê, arte marcial milenar criada entre os séculos V e VI a.C., quando se encontram os primeiros indícios de lutas na Índia, e desenvolvida no Japão a partir do século XVII. Recriado na região de Okinawa, o Karatê - denominado Tê na época do surgimento - sofreu grande influência chinesa e inicialmente era transmitido apenas por meio oral, por força de tradição. No final do século XIX, o Tê sofreu uma grande simplificação que objetivou tornar mais fáceis sua difusão e seu aprendizado. Assim, foi reformulada completamente a forma com que a arte marcial é ensinada, chegando aos moldes atuais. Essa modificação também foi responsável pela alteração no nome: a partir de então, a luta passou a se chamar Karatê. No que diz respeito ao ensinamento, a arte marcial se sustenta em cinco princípios éticos (Dojo-kun): esforçar-se para formação do caráter, fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão, criar o intuito de esforço, respeitar acima de tudo e reprimir o espírito de agressão. Segundo o diretor técnico da Confederação Brasileira de Karatê, William Cardoso, em nota publicada no site da Confederação Interestilos, a incorporação destes princípios por parte dos alunos é fundamental para o aprendizado: ‘’Tais

ensinamentos

são

difundidos

enfaticamente durante a prática esportiva, filosofia que, inegavelmente, no plano pedagógico, é um forte componente de desenvolvimento e aprimoramento dos alunos seja sob aspecto moral, ou no aspecto técnico’’.

o campeonato mundial da modalidade com Luís Watanabe, que voltaria a subir ao pódio no ano seguinte, sagrando-se vice-campeão no primeiro campeonato pan-americano, realizado no Rio de Janeiro.

Em entrevista concedida à produção da revista (nome da revista) via e-mail, William faz questão de ressaltar que o karatê desenvolve as qualidades físicas e contribui também para o desenvolvimento de valores morais e sociais. De acordo com o diretor, o esporte é responsável por colaborar com o desenvolvimento da agilidade, flexibilidade e elasticidade dos movimentos e favorecer a educação e correção da postura corpórea, entre outros.

COMO ESPORTE

NO BRASIL

A WKF representa a arte marcial no âmbito internacional, e atua coordenando as atividades relacionadas a ela, também criando regras técnicas e controlando encontros internacionais.

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e acordo com a publicação Karatê-do – Uma introdução, de Ubiratan Bezerra, a chegada da arte marcial no país se deu no início do século XIX, junto com o primeiro navio japonês carregado de imigrantes. Sendo São Paulo a maior cidade de concentração nipônica do Brasil, foram lá que os primeiros ensinamentos sobre o Karatê se desenvolveram – inicialmente para os jovens japoneses e alguns brasileiros que se interessassem pela luta, até então inédita. A disseminação do Karatê pelo país se concretizou após a criação da Associação Brasileira de Karatê, em 1960. Como consequência desta recente popularidade, já em 1972, a equipe brasileira de Karatê começou a ganhar importância no cenário internacional. Neste ano, foi conquistado

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riada em 1990, a Federação Mundial de Karatê (WKF) direciona a prioridade da instituição para incluir o Karatê nos Jogos Olímpicos. Além disso, a organização objetiva unificar todas as organizações que pratiquem o esporte, bem como incentivar relações estreitas entre os karatecas ao redor do mundo por meio de competições.

William Cardoso comenta a visão da luta como esporte e também a expectativa para que esta se torne um esporte olímpico: ‘’É uma modalidade reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e faz parte do ciclo olímpico, pois participa dos Jogos Mundiais, Jogos Sul-Americanos e Jogos Pan-Americanos. No entanto, ainda não está inserido na ultima etapa do ciclo, que são os Jogos Olímpicos, mas a WKF continua a trabalhar com o intuito de incluir esta modalidade nos Jogos de 2024.’’

KARATÊ KID A HORA DA VERDADE (1984) Daniel Larusso e sua mãe recentemente se mudaram de Nova Jersey, para o sul da Califórnia. Porém, Daniel não consegue se ambientar em sua nova morada, até que conhece Ali Mills, uma garota atraente que gosta dele. Porém, a situação de Daniel se complica quando o ex-namorado de Ali, Johnny Lawrence e sua gangue começam a atormentá-lo. Um dia, quando é cercado pela gangue de Johnny, ele é salvo por um Miyagi, um veterano japonês mestre na arte do karatê. Disposto a ajudar Daniel, Miyagi, resolve passar-lhe os ensinamentos do karatê, para que ele possa se defender da gangue de Johnny. (Fonte: Filmow – Rede social de filmes e séries)

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JUDÔ

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m tatame de formato quadrado e cinco minutos em busca do ippon – o golpe perfeito. De forma bem resumida, este é o judô: arte marcial esportiva, criada no Japão em 1882, pelo professor de Educação Física Jigoro Kano. Tendo sua técnica combinada com princípios do jiu-jitsu e de outras artes orientais, o Judô se popularizou, no mundo inteiro no último século, utilizando como base a filosofia de unir corpo e mente. Usando os músculos e a rapidez de raciocínio do praticante como ferramentas para dominar e derrotar o adversário, os golpes do judô são assim definidos: Ippon: Conquistado quando um judoca consegue derrubar o oponente, imobilizando-o, com as costas ou ombros no chão por meio minuto. Se alcançado, o combate se encerra. Wazari: Considerado um ippon que foi aplicado de forma incompleta, ou seja, o adversário cai sem ficar com os dois ombros no tatame. Dois wazari equivalem a um ippon. Yuko: Quando o adversário vai ao solo de lado. Vale um terço de ponto. Koka: Menor pontuação, equivale apenas um quarto de ponto. No entanto, quatro kokas não causam o fim do combate. É conseguido quando o adversário cai sentado. NO BRASIL

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Difundido no país a partir do começo do século passado, o judô se popularizou por meio da figura de um lutador denominado Conde Coma. Segundo o instrutor Stanlei Virgílio, no livro A Arte do Judô, a propagação da arte marcial se deve, principalmente, às inúmeras exibições destes imigrantes japoneses. Iniciando a prática no sul do país, o Conde e outros lutadores começaram a se apresentar também na região norte e sudeste, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo, ensinando e perpassando o conhecimento desta arte em cada lugar onde viviam. q L

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Cada vez mais aumentava o número de mestres que faziam exibições e aceitavam protagonizar lutas em locais públicos. Consequentemente, o número de brasileiros interessados na arte também aumentava, exponencialmente. A partir daí, o judô foi se tornando uma das atividades individuais mais praticadas no Brasil. O agora engenheiro ambiental Vítor Oliveira, fascinado por esportes desde criança, ressalta a importância que a prática do judô alcançou em sua vida. Apaixonado pelos clássicos filmes de luta das décadas de 80 e 90 – O Grande Dragão Branco, Rocky Balboa, por exemplo – Vítor teve de insistir com sua família para que o deixassem praticar artes marciais. Depois de convencê-los, ele não teve dúvida na hora de escolher qual luta praticar. Segundo Vítor, o judô sempre chamou sua atenção: ‘’Não sei porquê mas eu sempre tive essa preferência pelo judô. Talvez seja porque os meus outros amigos todos faziam, aquela história de ir avançando de nível, trocando de faixa me deixava curioso. É isso mesmo, o desafio que o judô propõe é que me fez gostar tanto da luta, desde moleque. ’’ Hoje em dia, a arte marcial é ensinada em academias e centros esportivos espalhados por cada canto do país, além de ser reconhecida como ferramenta importante contra a prática da violência, a partir do controle mental e corporal. Desta forma, pode-se dizer que o povo brasileiro abraçou o esporte desde o início, sendo esse um dos motivos para o sucesso recente do país em competições. ESPORTE OLÍMPICO

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ncluída no calendário olímpico pela primeira vez em Tóquio, no ano de 1964, a modalidade foi efetivada nas Olimpíadas a partir de 1972. Sendo sete categorias tanto para o gênero masculino quanto feminino, o Brasil já coleciona, ao todo, 19 medalhas. O professor de judô Caio Kanayama reforça os resultados nacionais, considerando que ‘’os representantes brasileiros tem conquistado grandes resultados, alcançando o topo do ranking

em várias categorias’’. Caio complementa apontando razões para o excelente desempenho do Brasil na modalidade, sendo considerado como uma das grandes potências nos últimos anos: ‘’Reflexo disso é o reconhecimento e o alto investimento que o Comitê Olímpico Brasileiro tem empregado em parceria com o a Confederação Brasileira de Judô nas categorias de base e adulta. Desde as olimpíadas de Los Angeles em 1984 os judocas brasileiros tem trazido alguma medalha para nosso país. ’’


JUDÔ BRASILEIRO PROTAGONISTA O ano de 2013 consolidou a força do judô brasileiro no cenário internacional. Uma pesquisa feita pelo site especializado em estatísticas da modalidade, o judoinside.com, colocou o Brasil como o segundo país que mais conquistou medalhas em competições organizadas pela Federação Internacional de Judô. No total, foram 121 pódios contra 123 do Japão, maior vencedor do ano. (Fonte: Portal Brasil)

CAMPEÕES OLÍMPICOS Munique 1972: Chiaki Ishii – Bronze Los Angeles 1984: Douglas Vieira – Prata, Luís Onmura – Bronze, Walter Carmona – Bronze Seul 1988: Aurélio Miguel – Ouro Barcelona 1992: Rogério Sampaio – Ouro Atlanta 1996: Henrique Guimarães – Bronze Aurélio Miguel – Bronze Sydney 2000: Tiago Camilo – Prata, Carlos Honorato – Prata Atenas 2004: Leandro Guilheiro – Bronze, Flávio Canto – Bronze Pequim 2008: Leandro Guilheiro – Bronze, Ketleyn Quadros – Bronze, Tiago Camilo – Bronze Londres 2012: Felipe Kitadai – Bronze, Sarah Menezes - Ouro, Mayra Aguiar- Bronze, Rafael Silva- Bronze (Fonte: Confederação Brasileira de Judô)

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POR LUCAS KATO

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pós inúmeros acontecimentos que marcaram a história da civilização japonesa, encontramos magníficas realizações no campo artístico. Frutos de séculos de inquietações ideológicas, imigrações e combates violentos, a arte japonesa desenvolveu sua própria estética que também ganhou influência do Ocidente ao longo do tempo. A ampla variedade de estilos e gêneros artísticos pode atordoar qualquer um. Por isso, continue acompanhando a nossa trajetória pelo maravilhoso cenário artístico japonês. XILOGRAVURA

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uma das técnicas mais antigas e que utiliza uma madeira talhada como matéria-prima. Através dela, é possível fazer uma espécie de carimbo e reproduzir uma imagem em um papel. A figura ou forma, comumente chama de “matriz”, é talhada com o auxílio de um instrumento cortante próprio. Após criar a figura que você deseja imprimir, a técnica utiliza um rolo de borracha molhado na tinta. As partes em relevo

serão tocadas pelo rolo e, em seguida, pressionada sobre o papel.

nos grandiosos templos budistas e santuários xintoístas.

PINTURA

ORIGAMI

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s variedades de estilos e técnicas de pintura são muito vastas. Mas uma das características que ganha mais destaque nessa manifestação artística, são composições de personagens caóticos, com complexos detalhes que buscam representar narrativas e cenas do cotidiano. Essa estética surgiu sob grande influência da China durante o período medieval, entretanto, o Japão a incorporou e desenvolveu um jeito específico de se pintar que prevalece até os dias de hoje. ARQUITETURA

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a arquitetura, o Japão também recebe forte influência chinesa. Utilizando elementos como colunas de sustentação e madeira para material de construção, sua estrutura oferece segurança para os recorrentes casos de terremoto. Os japoneses prezam muito também pela estética harmônica do ambiente, essa característica é evidênciada por uma forte religiosidade que busca influência

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rigami utiliza dobras geométricas de um pedaço de papel, sem cortar ou colar, para montar representações de figuras ou objetos. Essa arte tradicional pode utilizar de diferentes tipos de papeis, coloridos ou estampados, e podem ser combinados de inúmeras maneiras para formar composições complexas. A dobradura japonesa mais conhecida é o “tsuru” ou, no português, “cegonha”. De acordo com uma crença popular, originada de Sadako Sasaki, vítima de uma bomba atômica, quem fizer mil origamis de “tsuru”, tem direito à realização de um pedido. No Brasil, o bairro da Liberdade em São Paulo, provavelmente é ponto mais característico referente à cultura japonesa. Além de restaurantes e lojas orientais, o bairro possui letreiros e lâmpadas que remetem ao Japão entre outros aspectos, além de abrigar todo domingo a Feira Oriental, onde se pode encontrar barracas com artesanato na Praça da Liberdade. q

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lguns brasileiros, entretanto, gostam de colocar um pedacinho do Japão em suas casas:

“Eu sou meio supersticioso, tenho no meu quarto um Daruma, um daqueles bonecos que a gente pinta um olho e faz um pedido, aí quando realiza você pinta o outro. Também tenho daqueles gatinhos que dizem atrair fortuna, que parece que acena, chama Maneki Neko.” - Bruno Naoshi

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“Minha arte favorita é o origami, sem dúvida. Não conheço muito de arte japonesa, mas acho fazer dobraduras relaxante depois que pega o jeito.” - Ricardo Farias


“Tenho um mini-jardim japonês em casa e um no trabalho. Acho relaxante ficar mexendo nele sentada no escritório, principalmente quando estou no telefone! É melhor do que rabiscar o papel. Acho que tudo que relaxa inspira nossa criatividade, ajuda a viajar por outras realidades.” - Leilane Cristina. “Fazer origamis é extremamente viciante, depois que você faz os primeiros, é automático. Fora que eles são muito bonitos! Eu poderia ficar horas olhandos os pequenos origamis.”

“Eu gosto das pinturas. Seja em porcelana ou naqueles rolos, mesmo sendo só escrita japonesa, acho que são objetos que servem pra uma decoração bonita, passa um certo ar de tranquilidade à sala.” - Sabrina Campos

- Letícia Camargos

“Minha avó tinha uma amiga japonesa que mexia com bonsais. Ela achou fascinante aquelas árvores pequenininhas e começou a cultivá-las também. As técnicas foram passadas para minha mãe e agora para mim. É muito interessante o fato da nossa família praticar algo de uma cultura tão diferente da nossa.” – Cecília Amorim

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A moda oriental

e suas possíveis conexões com o Brasil POR MARINA WAN-DER- MAAS

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ensar no contexto da moda no Japão desde as passarelas ao estilo de rua encontrado em sua capital, Tóquio, pode ser prazeroso e até mesmo instigante. O Japão possui uma riqueza cultural que é motivo de admiração no ocidente, admiração que muitas vezes é transformada em produtividade, notada nas referências usadas nos planejamentos de coleções de diversos estilistas brasileiros, europeus e q L

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americanos. Vivenciando a pluralidade de estilos na grande capital paulista e trabalhando diretamente com o melhor da moda nacional, a estilista Nayara Pinho com apenas 27 anos, carrega consigo uma bagagem fashion digna de fazer babar qualquer iniciante no ramo! Ela percebe influências japônicas nas coleções de marcas brasileiras conhecidas como Lucy in the Sky e Fernanda Yamamoto.


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Japão ganhou notoriedade no universo da moda a partir da criação de estilistas como Yohji Yamamoto e Rei Kawakubo. Esses estilistas inovaram o cenário fashion com suas criações completamente inusitadas e cheias de personalidade. No repertório desses criadores é possível perceber a ousadia existente numa modelagem arquitetônica que transcende os padrões corporais, inserindo formas inexistentes no corpo humano através do uso de saias extravagantes e modelagens que rompem com as expectativas de qualquer cidadão no que antecede as semanas de moda. Em contrapartida à inovação e aos exageros encontrados na modelagem desses designers, os tons neutros como o preto e o cinza são bastante explorados. Essa escolha por tons sóbrios pode ser a grande sacada que justifica o sucesso dos estilistas no mundo ocidental. Embora inovem na modelagem, eles mantêm o tom neutro que é tão amado mundialmente.

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ayara Pinho aponta os renomados estilistas Glória Coelho e Reinaldo Lourenço, como nomes fortes no Brasil que gostam de trabalhar com a linha de modelagem japonesa desconstruída e reconstruída que revolucionou o mundo da moda nas décadas de 80 e 90. Ela acredita que o estilo arquitetônico de Yamamoto pode até ter correspondentes na moda nacional, mas ressalta: “esses correspondentes são ainda pouco autênticos e não refletem expressão de vida”. Sobre as influências japonesas usadas em suas criações, a estilista conta que já usou o país como referência, porém não foi possível trazer a temática para toda uma coleção: “O japonismo esteve em alta há dois anos, mas não chegou a ser referência para uma coleção inteira, somente para algumas modelagens. Mas isso pode ter a ver com o fato de que sempre trabalhei em marcas muito comerciais”. q L

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as e quando refletimos sobre o street style japonês? O que os japoneses absorvem desse tom conceitual exibido nas passarelas e refletido ao redor do mundo? O estilo de rua no Japão é completamente pluralizado. Se por um lado percebemse diversos adeptos ao estilo a La Yohji, completamente sóbrio na cor e arquitetônico na modelagem com certa medida de classicismo, por outro lado, a riqueza de detalhes e cores avistadas nas calçadas japonesas, é motivo de notícias e gera bastante repercussão mundo a-fora. Harajuku é o grande ponto de encontro em Tóquio responsável por desenvolver e acolher em seus arredores, adolescentes com grande desejo de autoafirmação que por ali passam. Estilos e subdivisões de estilos são formados a partir da movimentação desses orientais que querem se destacar da multidão. Talvez a semelhança encontrada esteticamente entre os japoneses seja um estímulo a mais para provocar nos adeptos ao movimento, um desejo intenso por diferenciação e destaque. A jovem estilista observa que entre os japoneses esse desejo de autoafirmação é forte e notório a partir das intervenções cirúrgicas que muitos deles se submetem para a alteração de traços faciais, como a busca por pálpebras mais arredondas assim como as dos ocidentais. Um dos estilos que possuem bastante notoriedade mundial e que está associado a esse movimento que acontece no bairro de Harajaku é o estilo Lolita.

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olita nasceu nos anos 1970 com inspiração na cultura kawai, uma cultura que evidencia o comportamento infantilizado. Pensar em kawaii é associar imagens que retratem elementos fofos ao seu contexto. Além disso, referências vindas do estilo vitoriano e do rococó também foram importantes para a construção do Lolita. Saias rodadas até o joelho repletas de anáguas, rendas de extrema qualidade em tons variados de rosa, sombrinhas bordadas e completamente românticas, corte de cabelo com franjas retas e tingimentos coloridos e tecidos brilhantes, são algumas de suas marcantes características. Visitar o espaço de Harajaku pode ser o mesmo que entrar em um mundo de fantasias. Um espetáculo de cores e autenticidade é o que será encontrado por lá. A estilista radicada na cidade de São Paulo faz um paralelo entre a ousadia de estilos existentes no Japão e movimentos que acontecem no Brasil. Ela acredita que na capital paulista existam grupos de jovens que aderiram a esse estilo comumente usado em Harajaku. Porém os grupos são pequenos e pouco representativos, causando efeito mínimo na moda nacional. Por outro lado, ela acredita ser possível fazer um paralelo comportamental entre os movimentos culturais no Japão e movimentos como o tecno brega e o funk no Brasil. Ela entende que esses movimentos possuem semelhanças, principalmente quando se trata do tecno brega, que se assume como movimento livre e não expressa necessidade de inclusão, tendo suas próprias referências assim como os adeptos ao movimento que acontece em Harajaku.


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erdadeiros personagens podem ser visualizados através da combinação de cores e estampas improváveis, nos tingimentos capilares completamente fora dos padrões ocidentais e principalmente na atitude de carregar consigo acessórios que não estão relacionados a acervo de acessórios específicos de moda. Objetos como bonecos e pelúcias diferenciadas fazem parte da composição de looks usados no dia a dia. Aprender com a cultura de moda japonesa pode ser um exercício muito rico. Assumir quem você é independente de tendências de moda, é uma das mensagens principais que os japoneses passam com a sua imagem tão bem elaborada. Vale a pena fazer um tour fashion e se inspirar na ideia desse estilo de vida tão livre e fidedigno.

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street style japonês é uma amostra do pensamento livre e da expressão libertadora que os orientais carregam consigo. A autenticidade e o excesso de transparência quanto à personalidade das pessoas é muito nítida, deixando escancarado que os japoneses assumem o que são e o que pensam, aparentemente sem receio em se expor na hora de se vestir. Sobre sua visão particular em relação à moda oriental, Nayara Pinho explana: “Eu acho que o Japão leva ao extremo todos os estilos que explora, desde as ruas de Harajuko ao desconstrutivismo. Isso é muito bom, porque eles não apenas reproduzem algo, eles estudam e evoluem aquilo que exploram. Um pouco diferente do que acontece na moda brasileira”. E como aprender com os japoneses sobre o aprofundamento de estilos e inovação no mundo da moda? Para a estilista, os brasileiros ganhariam muito ao buscar entender como eles fazem isso, para que assim haja uma evolução, afinal ir a fundo e vivenciar de fato o estilo inerente, leva à autenticidade e ao crescimento. “Sempre penso no Picasso que desenhava mulheres incríveis antes de abstrair os desenhos, só quem conhece muito sabe como subverter”.

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Sendo o

herói por um

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a arte do cosplay POR CAMILA DE NADAI

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osplay é uma palavra vinda da junção de duas palavras do inglês: costume e play, que pode ser entendido (em tradução livre) como “representação de personagem”. Essa prática tem se tornado cada vez mais popular, desde crianças até adultos praticando o hobby, porém mais forte no segmento jovem. Cosplay é se fantasiar de um personagem, muitas vezes tentando interpretá-lo. Um dos locais mais comuns para se verem os cosplayers – nome que se dá ao praticante do hobby – são os eventos de anime.

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nimes é o nome dado a animações japonesas. Como exemplos clássicos, podemos citar Pokémon, Sailor Moon, Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco e Sakura Card Captors. Muitas vezes, esses desenhos têm sua origem em quadrinhos, os quais recebem o nome de mangá. Embora comumente cosplays venham dessas obras, não é a única forma válida. Encontramos vários tipos de personagens, desde jogos até filmes e pessoas de verdade. Tem gente que prefere criar seu próprio personagem. Foi assim que a prática teve início. Ao contrário do que muitos pensam, ela não começou no Japão e sim nos Estados Unidos. Em uma convenção de ficção científica, em 1939, a World Science Fiction Convention ou simplesmente Worldcon, Forrest J. Ackerman e sua amiga, Myrtle Douglas, fãs de filmes de ficção científica e freqüentadores da convenção, apareceram com trajes inspirados no tema do evento: ficção científica. Ele vestia um traje de piloto espacial que chamou de “futurecostume” e ela um vestido inspirado no filme “Things to Come” (1936), ou “Daqui a Cem Anos”, aqui no Brasil. No ano seguinte, mais pessoas apareceram fantasiadas, posteriormente surgindo competições para se exibir as roupas e também realizar apresentações. Só na década de 80 o cosplay chegou ao Japão, através de Nobuyuki Takahashi, diretor de um estúdio japonês chamado Studio Hard, que começou a divulgar a prática que viu na Worldcon em revistas do Japão, por ter ficado impressionado. Hoje encontramos adeptos desse passatempo em vários locais do mundo, tendo inclusive concursos a nível internacional. O Brasil tem uma participação expressiva nesse cenário. No campeonato mundial de cosplay, WCS, o Brasil é o país que foi mais vezes vencedores, sendo tricampeão. DESTAQUES

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úlio César e Jacqueline Nathaly, ou simplesmente Shirou e Sora, são namorados e fazem cosplay juntos e saíram vencedores do Yamato Cosplay World (YCW) de 2013, ganhando uma q L

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viagem de ida e volta para o Japão. A dupla ganhou o concurso com uma apresentação dos personagens Conserta Félix Jr. e Sargento Calhoun do filme Detona Ralph.

cultura japonesa e dos animes e games, assim resolvi fazer justamente por gostar e querer me inclinar mais para esse meio, vivendo e compartilhando dessas novas experiências.“

A apresentação contou com efeitos impactantes, como fumaça e luzes na armadura da Sargento. “Foi difícil pela distancia, foram poucos ensaios, um sem conseguir ajudar o outro e isso foi realmente complicado... Mas no final, deu tudo“, conta Jacqueline sobre a experiência de ganhar o concurso YCW. O trabalho foi grande, eles acabaram o cosplay praticamente no dia da grande final. Além do visual e performance sincronizada e boa interação no palco, ambos tiveram o cuidado com a dublagem, apresentando algo bem próximo à dublagem original do final. Eles entraram em contato com a dubladora da Calhoun e Júlio fez um ótimo trabalho simulando a voz do Conserta Félix, surpreendendo aos amigos que inclusive acharam ser o dublador original do personagem.

Os dois concordam que o cosplay é um hobby. Servem para adicionar momentos felizes, conhecer pessoas novas e, mesmo que existam pessoas que menosprezem o trabalho e falem mal, é importante fazer o que quer e não desistir. Júlio recomenda usar o tempo livre para pesquisar e experimentar fazer cosplay. “Posso dizer que é completamente saudável, e gratificante. Isso aumentará seu relacionamento com as pessoas e seu ciclo de amizade!”

Trabalhando em conjunto com costureiras, Shirou costuma fazer os acessórios de seus cosplays. O contato de ambos com o hobby se deu através de eventos, Júlio ainda completa: “sempre gostei muito da

Jacqueline ainda lembra que mesmo que outros cosplayers te critiquem, eles também começaram do zero. ”Então faça o seu primeiro cosplay, se dedique ao máximo e você consegue!” Há os que fazem cosplay para competir e outros somente para diversão. Contudo, é importante que não se tem idade para passar um dia como seu personagem favorito, aquele que você admira ou simplesmente gosta. Cosplay é para todos – o importante é ser feliz com o que faz.


CIRCUITO COSPLAY (TRADICIONAL E LIVRE) Criada também pela Yamato, o Circuito Cosplay surgiu para valorizar os cosplayers que produzem boas roupas e apresentações durante o ano. Na versão tradicional, se faz uma apresentação fiel ao personagem, enquanto na categoria livre não precisa seguir à risca a história. CRUZADA COSPLAY BRASIL Uma competição nacional criada em 2009, com competições para duplas e solo, organizada pelo Grupo Akai que realizam eventos de cultura alternativa no Rio de Janeiro.

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lém das competições que ocorrem dentro de convenções de anime, conheça aqui mais sobre concursos a nível nacional e internacional. WORLD COSPLAY SUMMIT – WCS É o campeonato mundial de cosplay, reunindo as melhores duplas de diversos países. Acontecem seletivas nacionais (chamada Etapa JBC Brasil) dentro de eventos em diferentes lugares do país. Os vencedores de cada lugar competem em São Paulo para participar da final no Japão com os melhores do mundo YAMATO COSPLAY CUP – YCC É um concurso nacional individual que reúne os melhores cosplayers do país, criado em 2007. O YCC julga em vários critérios, como fidelidade da roupa, interpretação, entre outros. YAMATO COSPLAY WORLD – YCW É um concurso de cosplay em dupla brasileiro. Inicialmente se chamava Yamato Brazil Cosplay e começou sendo uma seletiva para o Concurso Latino-Americano de Cosplay (CLC) na Venezuela. A premiação é uma passagem de ida e volta para o Japão.

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uem a vê no dia-a-dia talvez não imagine a artista que se encontra por trás do pequeno e suave sorriso. Laura Ribeiro, 22 anos, a partir de 04 de fevereiro de 2014 (como enfatizou com certa animação “22 nas próximas semanas!”), é estudante de Jornalismo e trabalha com produção de conteúdo transmidiático e adaptação de livros para ambientes digitais. No tempo livre, tem como sua paixão a escrita: “trabalhar sobre universos e estórias, ilustrar e colocar tudo isso em sinergia é minha atividade favorita na vida”. Além disso, gosta de estudar idiomas, costurar pelúcias e tocar piano. Residente em Belo Horizonte, algumas vezes é possível ver Laura pela cidade, mas praticando outro hobby que faz parte de sua vida. Além das responsabilidades, música e escrita, Laura é cosplayer. Mais conhecida como Laz nas redes sociais, ela se envolve com criação de roupas e acessórios para usar em seus cosplays, mostrando um cuidado e capricho que impressionam. “Eu sempre fui apaixonada por fantasias, mas nunca, até o dia em que fiz meu

primeiro cosplay, tive a oportunidade de me vestir como meus personagens favoritos. Depois que fui ao meu primeiro evento, em 2004, fiquei fascinada com essa possibilidade de me vestir e participar de atividades em conjunto com outras pessoas. Daí, em 2005, fiz meu primeiro cosplay, da personagem Tohru Honda, de Fruits Basket”, conta a estudante, que se mostra simpática. Apesar de algumas vezes cosplayers serem julgados como infantis ou não receberem apoio da família, com Laz é diferente. A mãe, que sempre trabalhou com arte e criação, ficou empolgada com o hobby. O irmão costuma fotografá-la e também já se fantasiou com ela duas vezes. É interessante ver como Laz sempre se mantém atenciosa aos detalhes – materiais, combinações de cores, produção de acessórios e a própria costura –, apesar de dizer que o maior desafio é achar os materiais corretos em BH. Não há muita variedade de tecidos mais nobres, além do preço elevado quando se acha, mas ela se diverte com todo esse processo. “Melhor ainda que usar, é fazer a roupa e a ver do jeito que esperava.” Mas é válido ressaltar que,

como hobby, o cosplay não fica à frente de questões profissionais ou de estudo. Quando indagada sobre o cosplay que fez e mais gosta, ela se lembra de Valdo, de Avalon Code, um jogo para Nintendo DS. O motivo? Ela fica meio na dúvida, mas responde com bom humor: “ Acho que foi pelo trabalho que ele me deu... acabei criando um laço especial com essa roupa e todos os milhares de acessórios que a armadura carrega. Foi um desafio pensar e planejar todos os encaixes sem desafiar as leis da gravidade”, diz brincando. Mas, quando se olha a fantasia rica em acessórios – coroa, correntes, entre outros – a gente vê que é verdade. Laura mantém um site e página no Facebook, que além de postagens dos cosplays, também possui tutoriais sobre como fazer algumas peças. Ela dá um recado para quem quer começar a fazer cosplay: “O mais importante nesse hobby é ter prazer na maneira como você o executa. Seja comprando a roupa pronta, seja costurando, seja só tirando foto, seja concorrendo a prêmios... a pessoa deve ter em mente que tudo que ela fizer tem de ser, primeiramente, para ela.”

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SUsHI'N'ROLL Uma culinรกria repleta de sabores POR CAMILA MACEDO

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m um país onde o prato mais tradicional é o arroz com feijão, a comida japonesa tem ganhado cada vez mais espaço. O comércio da culinária japonesa no Brasil é cada vez mais crescente. De acordo com um levantamento do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, o número de restaurantes japoneses já ultrapassa o número de churrascarias na capital paulista: são produzidos 400 mil sushis por dia em São Paulo. Atualmente, a comida japonesa domina o mercado de rodízios e restaurantes das grandes cidades em todo país. A influência da culinária no Brasil iniciouse no começo do século 20, com a chegada de imigrantes japoneses em 1908. Desde então, os japoneses se espalharam pelo país. Apesar de muitas famílias se aglomerarem em colônias, como em São Paulo e no Paraná, depois de 100 anos de imigração, há famílias japonesas vivendo do norte ao sul do país. Durante todos esses anos, os japoneses nos ensinaram a conviver com seus costumes. Com eles, vieram na bagagem hábitos alimentares peculiares que ajudaram a mudar o cenário gastronômico brasileiro. Pratos como salmão grelhado, sashimi, sushi, temaki e o famoso macarrão yakisoba são os mais pedidos por aqui. A belorizontina, Fernanda Mello, assim como muito brasileiros, antes mesmo de experimentar, dizia não gostar da

culinária japonesa, mas hoje em dia é frequentadora assídua dos restaurantes japoneses da capital mineira. “No inicio eu não comia de jeito nenhum, mas como aqui em casa sempre tinha por causa da minha irmã, eu fui aprendendo a gostar e eu hoje amo”, disse. Para Fernanda, o sushi empanado e frito, mas conhecido como Hot Filadélfia, é o seu favorito, mas ela aprecia quase todos os pratos japoneses e sempre tenta experimentar coisas novas. Mas apesar do grande número de apreciadores da culinária nipônica que vêm surgindo cada vez mais em terras tupiniquins, vale ressaltar que o tempero da comida japonesa usada no Brasil não é igual ao original. No Brasil, o sabor é mais adocicado, uma adaptação para atender o gosto dos brasileiros. Nem mesmo o saquê, bebida tipicamente japonesa, escapou das adaptações para cair no gosto do paladar dos brasileiros. O Hot Filadélfia e o Hot Roll, os sushis mais queridinhos dos brasileiros, e o cream cheese, são apenas adaptações brasileiras, e não são feitos no Japão. O sushiman, Fernando Gonçalves Martins, trabalha a três anos no Rokkon, restaurante japonês que fica na cidade de Belo Horizonte, e a mais de dez anos trabalha com a preparação de do mais tradicional prato da culinária japonesa no Brasil, o sushi. Por ser descendente de japoneses, o interesse de Fernando pela

gastronomia japonesa veio de berço. Nascido no Brasil, ele não chegou a ir ao Japão, mas sempre gostou da cultura oriental e desde a adolescência tinha curiosidade em saber como o sushi era preparado e foi a partir dessa curiosidade que hoje se tornou um grande sushiman. Em uma noite de sexta-feira movimentada, com o restaurante cheio de clientes, Fernando, mesmo na correria para preparar cada sushi, nos contou sobre sua experiência com a culinária japonesa e sobre essa diferença do preparo da culinária japonesa no Brasil. Para Fernando, a adaptação da culinária japonesa com a culinária brasileira sempre aconteceu. Desde a chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil vem ocorrendo essa adaptação, pois segundo ele, no Brasil não se encontravam o ingredientes e os utensílios necessários para a preparação da comida, então ele tiveram que acabar se adaptando. “A cozinha japonesa no Brasil vem se modificando a tal ponto que está se perdendo a identidade da verdadeira comida japonesa. Hoje em dia mais e mais restaurantes japoneses estão aderindo à moda de cozinha japonesa feita nos Estados Unidos, como exemplo do Hot Roll, que no próprio nome já se percebe essa diferença” – disse.

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lém do sabor, o modo como a comida japonesa é servida e preparada também é muito diferente. No Brasil, a popular gastronomia japonesa, feita essencialmente de arroz e peixe cru, pode ser encontrada desde os grandes restaurantes à sessão de comidas resfriadas nos supermercados. Em Tóquio, onde foi criado o sushi há 300 anos, a preparação dos pratos e vista como uma forma de arte e para fazer o sushi perfeito, são necessários anos de treinamento. Para os japoneses, o que chega à mesa é uma obra-prima e não apenas um simples enroladinho de arroz. Eles primam por cada detalhe na hora da preparação para preservar o sabor dos ingredientes, esse é o motivo pelo qual as mulheres não podem preparar o sushi, pois segundo os próprios japoneses, a temperatura das mãos das mulheres, tidas como mais quentes que a dos homens, poderia alterar o sabor do peixe.

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culinária faz parte dos costumes culturais de um país, e a forma como é consumida também faz parte das tradições locais. No Japão não é diferente: antes de comer, é tradição japonesa limpar as mãos com toalhinhas brancas, quentes e úmidas, chamadas Oshibori, muito comuns nos restaurantes por lá. Segundo os japoneses, o vapor também ajuda a pele a relaxar, tornando a refeição mais agradável. É errado e falta de etiqueta cruzar e morder o hashi, pauzinhos usados para pegar a comida no Japão, e nunca se deve espetá-los no bolinho – o certo é manter os palitos paralelos ou é preferível usar as mãos mesmo.

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Shoyu é um molho de soja usado para temperar sushis e outros pratos da culinária japonesa, ensopar o sushi com o molho é errado, ele serve apenas para acrescentar sabor. Além disso, o correto é molhar o peixe no Shoyu e não o arroz, o que evita que o bolinho desmanche e que fique muito salgado. O Wasabi é um tempero feito a partir de uma raiz-forte japonesa e forma uma pasta verde. Além de dar sabor à comida, ele também tem funções higiênicas e acelera a digestão do peixe cru. O certo é que ele seja colocado entre o arroz e o peixe nos sushis. Conhecer um pouco mais sobre novas culturas é o melhor jeito de apreciar de forma correta culinária de um país, além de lhe trazer ótimos conhecimentos. Mas não devemos nos sentir intimidados por essas regras. O objetivo é aproveitar a culinária japonesa, e nos deliciar com essa simples mistura de arroz e peixe cru que os japoneses conseguiram transformar em um prato cheio de sabores. q L

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EXPEDIENTE Esta revista foi produzida, na disciplina de Jornalismo Interpretativo, pelos alunos do quarto período do curso de Comunicação Social/ Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa. COORDENAÇÃO Hideide Torres PROJETO GRÁFICO Lucas Kato DIAGRAMAÇÃO Lucas Kato REDAÇÃO Ana Claudia Richardelli, Ana Luisa Moreira, Camila de Nadai; Camila Macedo; Lucas Kato; Marina Wan-Der-Maas.

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Revista lotus