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RENOME

CULTURAL

Tudo o que você precisa saber sobre cultura em um só lugar ...

Na edição deste mês ... Artigos, entrevistas e pesquisas relacionadas a Indústria Cultural ! Produzido pela Turma 3ELME do CEFET UnED NI Edição Limitada.


Sumário 1 – Artigos 1.1 – A articulação da Indústria Cultural pela Televisão.........3 1.2 – Uma crítica ao telejornal Brasileiro...............................4 1.3 – Uma Breve Reflexão: A Indústria do Cinema e Você....6 2 – Pesquisas 2.1 – Custo comercial de uma música.....................................8 2.2 – Custo comercial de um livro.........................................15 3 – Entrevistas 3.1 – Entrevista com Nathália Encarnação.............................21 3.2 – Entrevista com Larissa Martins.....................................23 3.3 – Entrevista com Marcos Vinícius ..................................25 4 – Vale a pena conferir ! ............................................................27

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A articulação da Indústria Cultural pela Televisão

A palavra cultura define os costumes, modo de agir, atividades e crenças de um determinado grupo de indivíduos. Devemos sempre estar atentos ao diferenciar o que nos é posto de forma cultural do que nos é posto de forma natural, ou seja, diferenciar hábitos naturais do ser humano com hábitos que assim se dão por intermédio de uma manifestação cultural. As manifestações culturais presentes na nossa sociedade atual são fortemente influenciadas pela indústria cultural, que vem de maneira quase sorrateira e injeta inúmeros valores, costumes, ideias e credos que são adotados quase sempre sem que nós notemos. Mas o que em si seria a indústria cultural? O termo Indústria Cultural foi utilizado pela primeira vez em 1942, e, resumidamente, serve para nomear a prática da comercialização de “valores culturais” implícitos em vários seguimentos das comunicações e do entretenimento. A indústria da cultura tem como principal porta de entrada e meio de permanência entre nós a mídia televisiva, que trabalha articulando e facilitando de forma extrema sua divulgação e livre circulação entre uma determinada sociedade. Por intermédio de filmes, novelas, séries, programas, músicas e até mesmo os emergentes reality shows, vários desses valores mencionados anteriormente vão se impregnando na nossa cultura original, que vai sendo cada vez mais miscigenada com a de outros povos. Podemos citar como exemplo a atuação da indústria cultural por intermédio da televisão no Brasil. Cada vez mais as novelas vão lançando moda e ditando o comportamento, modo de se vestir e de agir de pessoas de todos os tipos (principalmente mulheres). Os filmes visam nos transmitir valores que muitas vezes são desnecessários para nós e a propaganda nos vende costumes novos juntamente com os produtos que divulgam. A televisão se torna o principal meio de articulação e manipulação da indústria cultural por causa de seu imenso alcance, que atinge diversas camadas da sociedade, e também pelo seu fortíssimo poder de influência sobre aqueles com um senso crítico um pouco menos apurado. Cabe a nós a análise e a reflexão sobre o tamanho da influência da televisão na nossa cultura e na nossa sociedade, e refletir também sobre até que ponto tal influência é benéfica (isso se de alguma forma realmente for).

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Uma Crítica Ao Telejornal Brasileiro

Vivemos em um mundo onde existem muitos veículos de comunicação em massa, mas, será que estes refletem a cultura de seu público alvo, ou será que seu público reflete o que esses veículos transmitem? Se observarmos com calma veremos que é um pouco dos dois, e desse modo, dessa miscigenação de idéias, é que a cultura vai se modificando. O telejornal é um desses principais veículos de comunicação em massa, ele tem objetivo de trazer fatos e noticias a conhecimento público de maneira impessoal, tratemos aqui do telejornal brasileiro, que de forma alguma é transmitido impessoalmente.

Alguns dos principais Telejornais do país .

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Uma Crítica Ao Telejornal Brasileiro O telejornal brasileiro tem vendido muito sentimentalismo para o telespectador, através de discursos inflamados de opinião própria de apresentadores como José Luiz Datena, entre outros, inclusive o foco das matérias apresentadas tem refletido muito isso, que poderia ser dito como uma tentativa de cativar o público, criando vítimas, heróis e vilões em cenários de ''terror e medo''. José Luiz Datena, apresentador conhecido por suas “performances” frente a telinha .

Resumidamente, o telejornal brasileiro é uma indústria de valores e sentimentalismos. Desse modo, se faz necessário um filtro mental, e um alerta constante ao usarmos esses veículos de comunicação em massa para tentarmos absorver apenas o que há de concreto neles e o que é pura subjetividade.

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Uma Breve Reflexão: A Indústria do Cinema e Você O "por trás das câmeras" em Hollywood vai muito além do que você pensa. Hoje, a indústria cinematográfica possui uma característica marcante, que não se parece em nada com a maioria dos contos de fada. Isso porque seu principal objetivo atualmente não é criar novas histórias e novos personagens que nos façam viajar para outro mundo, e, sim, investir na continuação ou reconstituição de filmes já conhecidos, pois, para as produtoras, oferecem maiores chances de sucesso e de mais milhões arrecadados nas bilheterias. Tal prática vem sendo adotada com cada vez mais frequência pelas produtoras. Grande exemplo é a nova série de filmes do Homem-Aranha, que teve seu primeiro filme lançado em julho de 2012. Quem não gosta da história de um adolescente órfão que é picado por uma aranha geneticamente modificada e acaba conquistando super poderes? História essa que já faz sucesso desde o início da década de 1960 nas histórias em quadrinhos. O “Espetacular Homem-Aranha” garantiu as bilheterias americanas US$ 258,4 milhões e a sua continuação já tem previsão de estreia para maio de 2014. Uma das mais beneficiadas com arrecadação do primeiro filme da série foi a Walt Disney Co., que comprou a Marvel Entertainment Inc. pelo o valor de US$ 4 bilhões, pagamento feito em dinheiro e em ações, investindo nas franquias. Cartaz do filme “O Espetacular HomemAranha”, citado acima .

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Uma Breve Reflexão: A Indústria do Cinema e Você Fica claro que o cinema é influenciado por estereótipos de histórias que fazem sucesso, pois garantem maior número de pessoas nas salas de cinema, gerando maior lucro para as produtoras. Por outro lado, muitos espectadores demonstram apatia pelas histórias repetidas e preferem não ir, o que é prejudicial para o cinema, pois tem seu prestígio diminuído e acaba perdendo credibilidade. O capitalismo mais uma vez está interferindo maleficamente em uma área destinada à cultura e ao lazer na qual não deve decidir qual será o próximo enredo surpreendente a estampar as telonas, e, sim, ser consequência do seu possível êxito. É interessante perceber como estas questões que englobam a dinâmica do fazer artístico – no que diz respeito à Indústria Cinematográfica – estão profundamente atreladas a lógica do sistema capitalista de produção. A sociedade contemporânea sofre de uma grave turbulência cultural, pois o capitalismo tem passado a determinar uma “linha comportamental” para tudo aquilo que é cultura. Este processo de mecanização cultural tem sido, desde a sua percepção, chamado de Indústria Cultural. Tal conceito aqui nos serve para explicar de que forma age e vigora o determinismo capitalista dentro das produções hollywoodianas. Os filmes, especialmente os estadunidenses, são lançados sem mais que haja preocupação com o conteúdo daquilo que está sendo editorado. Basta que seja comercial, e a arte está pronta. A sétima arte se tornou meramente um instrumento de lazer para os grupos sociais consumistas da atualidade – deixando de lado outros fins originalmente mais aplicáveis ao cinema (como parte de uma exposição de caráter político, por exemplo). Não está na hora de você rever seu posicionamento frente à dominação da Indústria Cultural? Ou ainda prefere esperar pelo lançamento da continuação de o “Espetacular Homem-Aranha”? Isso é retórico, sabemos que prefere esperar pelo filme. Mas, pelo menos, seja um alienado consciente.

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A música é algo que faz parte do cotidiano das pessoas, mas você já parou pra pensar qual é o verdadeiro custo comercial dessa produção artística? Um dos maiores desafios para quem trabalha com música é fazer o consumidor pagar para ter acesso ao produto musical, ou seja, agregar valor comercial à sua produção artística. A solução de tal desafio está em usar estratégias para tornar o produto musical especial e vantajoso para o público alvo e oferecer subprodutos de um mesmo artista para que o consumidor escolha o que melhor satisfaça suas expectativas como CD e DVD, downloads etc. O valor do produto musical reside justamente em ser único para quem o consome, e o responsável por isso é o marketing cultural. Podemos definir o custo alvo de um produto através do modelo proposto por Ellram (2006):

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Para a demonstração do custo comercial de um CD foram coletados os custos referentes à produção do mesmo. O preço médio de venda do CD é de R$ 8,00, na figura é representada a formação deste preço de venda, com os custos de produção mais a margem de lucro almejada.

1– FABRICAÇÃO( CD, ENCARTE E O ESTOJO ): O preço de fábrica é de R$ 2,00, em pedidos superiores a mil cópias. 2– DIREITOS AUTORAIS : Geralmente é pago 8,4% de direitos autorais aos artistas. O valor é calculado sobre 90%do preço médio de venda do CD, neste caso estabelecido em R$ 8,00, pois pode apresentar variações em casos particulares.

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3– DIREITOS ARTÍSTICOS : É pago o valor de 3,5% de direitos artísticos sobre a mesma base de calculo dos direitos autorais, ou seja, 90%. 4– MARKETING: São empreendidos, em média, 13% do valor do preço médio de venda em marketing. 5– PRODUÇÃO, RETORNO SOBRE ESTOQUE E LUCRO: Nesta fatia estão incluídos os custos de produção artística do CD (melhor explicado na figura sobre o orçamento de produção), o retorno sobre o estoque e o lucro almejado pela gravadora. O CD acabado e pronto para a venda no atacado custa em média R$ 8,00. Não foram levantados dados referentes a despesas com distribuição pois geralmente estes são arcados pelos revendedores. O preço de venda médio nas lojas fica entre RS 13,90 e 15,90, mas este valor pode variar consideravelmente. A produção artística do CD envolve as seguintes etapas: - Estúdio CD: Existe um valor de hora/estúdio no qual são apropriados os custos pelo uso do estúdio. - Produção: Trata-se da produção musical em si, realizada por um produtor musical com tratado, geralmente um músico de experiência. Seu trabalho é comprado em um PA cote. Outros produtores também podem ser contratados para a realização do traba lho. - Arte da capa do CD: Trabalho artístico de desenho e fotografia da capa do CD.

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- Maquiagem: Aplicada nos artistas ou mesmo eventuais modelos que aparecem na capa do CD. - CDRs : CD onde é gravado o original da produção. Geralmente este produto está disponível no estoque da gravadora. - Masterização: Trabalho de mixagem do CD, onde um profissional realiza em estúdio a mixagem das gravações dos diferentes vocais e instrumentos (geralmente as gravações são feitas em etapas separadas). - Pagamento de músicos: É a parte paga aos diversos instrumentistas e vocalistas presentes na gravação do CD. Varia muito, pois se o título for de um cantor, vários instrumentistas são re quisitados, como baterista, tecladista etc. Se for o caso de um conjunto musical, os próprios integrantes deste tocam os instrumentos, mas mesmo assim muitas vezes são requisitados instrumentistas adicionais. É a parte de valor mais variável da pro dução, pois músicos iniciantes podem cobrar valores mais baixos para participar da gravação de um álbum.

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A seguir é exibido um suposto orçamento de produção de um título de uma gravadora:

A produção do CD, o retorno sobre o estoque e o lucro estão incluídos no valor de R$ 4,11 que compõe o preço de venda do CD. A margem de lucratividade esperada por CD é de, aproximadamente, 30%. 6– PREÇO ALVO O processo de formação do preço de venda segue duas etapas: a primeira, já explicada, sobre o preço do CD da gravadora para as lojas. A segunda etapa trata-se do preço de venda do CD para os consumidores. O preço de venda unitário do CD para as lojas está estabelecido em R$ 8,00. Este preço atual permite a empresa cobrir seus custos de produção e obter sua margem de lucro. Sendo assim, a empresa já possui um preço alvo que lhe permite retorno. O preço 26aos consumidores varia de R$ 13,90 a 15,90, conforme fornecido pela gravadora, mas pode apresentar grandes variações.

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7– LUCRO– ALVO : Conforme a planilha de custos apresentada anteriormente, a margem de lucratividade esperada pela empresa é de 30% por CD. Para atingir esta margem de lucro, a empresa deve adotar estratégias de redução de custos e identificar possíveis perdas neste processo. 8– CUSTO– ALVO : A empresa tem um custo de R$ 5,59 por produto, mais a parcela que cabe a produção artística do CD, conforme evidenciado no orçamento. O custo-alvo permitido é compatível com o custo atual de produção, mas ainda pode ser reduzido. A redução do custo, mantendo-se a margem atual almejada, implicará numa redução do preço de venda. O uso da criatividade é essencial para gerar idéias para melhorar os métodos de produção utilizados. Assim podemos notar que todas as formas de manifestações artísticas ou culturais tem algum custo comercial. O capitalismo está em qualquer meio onde há o lucro, a produção e a comercialização de mercadorias, ou seja, ele age dominando tudo aquilo que é produzido e comercializado pelo homem, incluindo a arte. Dentro deste contexto, observamos produções artísticas cada vez mais limitadas no interior de um molde imposto pela lógica da mais-valia capitalista, é acaba existindo assim a perda da essência artística originalmente livre, em detrimento de uma arte puramente comercial e vendível. É valido notar também, que o cd físico está aos poucos sendo substituído por uma nova tecnologia, os downloads, assim como o cd fez com a fita, que fez com o vinil, etc. Devido a essa troca de tecnologia, a indústria musical perdeu muito da sua lucratividade, por causa desse período de transição entre uma tecnologia e outra, ela ainda tá se adequando ao mundo dos downloads, que deve muito à pirataria.

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O gráfico mostra o crescimento dos downloads e o declínio dos cd's mos últimos anos .

A tirinha ao lado, apresenta o que foi falado com respeito aos downloads e a pirataria, tão comum nos tempos atuais.

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Veja agora o quê está envolvido na produção de um livro... Um livro produz cultura, transfere conhecimento a quem lê. Manifestações e modos culturais são relatados em livros, que são lidos, desse modo indivíduos absorvem o conhecimento. O conteúdo Tudo começa com a parte mais importante, que é o conteúdo em si do livro. Ou seja, é o conteúdo que irá determinar se o livro “é bom” ou “se é ruim”. Depois de todo o texto digitado, produzido, é necessário que o próprio autor faça as primeiras revisões, adequações, tomando como base a primeira versão. Com o apoio de amigos e críticos tesouram-se vários sub-capítulos, removendo ilustrações, por exemplo. Redefine-se também a formatação do texto, bem como o número de páginas. Por exemplo: 408 páginas em tamanho A5 (com espaço simples e fonte tipográfica tamanho 11). A quantidade de páginas de um livro é algo “importante” pois o custo de produção é diretamente proporcional à tiragem e ao número de páginas (ainda mais se houver conteúdo colorido).O “limite” para uma encadernação convencional é de cerca de 400 páginas (usando papel 75g/m2). O livro precisa ser revisado várias vezes e por diferentes pessoas, e mesmo assim é capaz que existam erros ortográficos ou contextuais.

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A editora ou ainda sobre os “custos” de produção. Pois bem, essa não é uma etapa obrigatória, mas facilita muita a vida do autor pois se ele estiver publicando seu livro através de uma editora, ela se encarrega de todas as etapas a seguir, se for uma produção independente, o autor geralmente precisa ir atrás dos profissionais para fazerem as próximas etapas (que não são triviais). As editoras em geral visam lucro. Ou seja, se o seu livro é de poesia ou de escalada (risos) isso significa que não há público consumidor que justifique o “investimento” de uma editora em cima da sua obra. Às vezes, editoras se interessam por certos tipos de livros, que são promissores e indicam algumas pessoas para investirem no processo beneficiando o autor, quando o livro não apresenta um conteúdo que possa ser lucrativo, o custo é de total responsabilidade de quem quer publicar, o autor. A revisão e a diagramação Depois de tudo escrito, vem uma etapa muito importante que é a revisão. A revisão ocorre em duas frente : uma técnica, onde outras pessoas capacitadas vão ver se você não escreveu nenhuma bobagem, e outra revisão que busca encontrar erros de ortografia, erros de construção verbal, por exemplo. Mesmo assim é relativamente comum o livro ser impresso com eventuais erros. Depois do texto revistado, as alterações são feitas e acertadas, e vem uma das partes mais importantes na produção de um livro, que é a editoração. Na editoração serão definidos o posicionamento das ilustrações, o sumário, numeração de páginas, enfim, a identidade visual do livro. O software mais utilizado para diagramação é o Adobe InDesign.

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A capa Um livro muitas vezes não é vendido pelo seu conteúdo e sim pela capa. A produção da capa de um livro é determinante na tomada de decisão do leitor, e mesmo que não fosse, espera-se que a capa seja condizente com o conteúdo do livro em si.A capa pode ser em diversos tipos de papel, com diversos tipos de acabamento.Um exemplo é a capa em papel triplex 250g/m2 c0m acabamento em laminação UV fosca e “orelhas (que são aquelas dobras na parte interna da capa e contra-capa).A capa também deve ser submetida à analise de profissionais do ramo artístico. O registro ISBN, Ficha Catalográfica, CDD e outros Toda e qualquer obra literária deve ser registrada na Biblioteca Nacional e receber um código conhecido como O ISBN – International Standard Book Number – é um sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país, a editora, individualizando-os inclusive por edição. O registro ISBN pode ser visto na contra-capa (ele tem um lugar certo para ser colocado).A ficha catalográfica vai nas primeiras páginas do livro, assim como CDD, e são elas que facilitam o trabalho do bibliotecário ao catalogar o seu livro. Todos os livros publicados no Brasil devem conter a Catalogação na Publicação, de acordo com o padrão internacional estabelecido em 1976 (Cataloging-in-Publication – CIP) e com o artigo 6 do Capítulo 3 da Lei do Livro. A Catalogação na Publicação reúne num único lugar, geralmente no verso da página de rosto, dados pertinentes à obra, como nome do autor, editora, ano de publicação, ISBN e assunto. Geralmente a editora se encarrega deste assunto.

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A gráfica Se a tiragem for realmente ínfima, da ordem de 200 ou 300 exemplares, pode-se optar por “gráficas expressas” que fazem a impressão do livro em formato digital, ou seja, usam impressoras digitais de alta qualidade para imprimir o livro. As gráficas digitais conseguem imprimir um livro diretamente a partir de um original formatado no “word”.Se a tiragem exceder uns 300 exemplares já passa a ser interessante usar gráficas convencionais. Existem dois tipos de gráficas : as grandes (grandes mesmo) e as pequenas (ou médias). As realmente grandes são capazes de imprimir diretamente no papel usando sistemas digitais, sem que seja necessário fazer etapas “intermediárias” como impressão de fotolitos, gravação de chapas, etc… O problema é que essas gráficas só trabalham com tiragens realmente grandes (uns 10.000 exemplares ou mais). As gráficas comuns usam o seguinte método : são montados “cadernos” em folhas de tamanho A1 que possuem 8 folhas em cada caderno. Para imprimir em uma impressora “offset” é necessário utilizar uma chapa metálica, que é sensibilizada através de um fotolito… Os “cadernos” com 8 páginas do livro são impressas a uma velocidade espantosa e depois que a tinta seca, o técnico troca a “chapa metálica”, recalibra a máquina, e recoloca os cadernos para imprimir o outro lado: cada caderno tem o lado “frente e verso” impresso. O papel normalmente é offset alcalino 75g/m2 (que não fica amarelado com o passar do tempo). Livros mais sofisticados (e caros) podem usar papel tipo “pólen”, que é aquele papel amarelinho, meio bege e super agradável ao toque. A distribuição e a venda Essa é a última etapa, que é colocar a venda o produto final. As grandes editoras possuem canais de distribuição já com as grandes livrarias.Claro que para livros com tiragem pequena dificilmente uma livraria terá interesse em expor seu livro. A saída é colocar a venda em lojas especializadas ou através da internet. Quando o livro é feito através de uma grande editora, o autor dificilmente fica com mais de 25% do valor do livro. Lembrese que a maior parte do custo de um livro é justamente a impressão dele.

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De forma genérica se um livro custa R$ 10,00, cerca de R$ 3,50 ficam com a livraria, cerca de R$ 4,50 com a editora (estou incluindo os serviços de impressão, editoração, diagramação, fotolitagem, etc…) e apenas cerca de R$ 2,00 com o autor do livro em si. Estou sendo extremamente ótima com esta margem de “lucro” de 20% para o autor. A realidade pode (e é) bem diferente… Atribuímos nosso selo editorial apenas a obras que passem pelo processo completo de produção, a saber: Leitura Crítica, Projeto Gráfico, Preparação do Texto, Revisão (1ª, 2ª e 3ª), Diagramação, Arte da Capa personalizada, Confecção da Ficha Catalográfica e do ISBN junto aos órgãos competentes, e Impressão. Nosso custo de produção e publicação tem como referência um livro de 100 páginas com as seguintes especificações: Formato14x21; • Capa colorida em papel supremo 250g; • Orelhas de 7cm; • Miolo papel offset ou pólen 90g em preto e branco; • Arte da capa personalizada O custo de produção é de: R$ 2.050,00, e a impressão de cada exemplar: R$ 6,40.

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Pacote 1 Produção e impressão de 10 exemplares: R$ 2.114,00 Pacote 2 Produção e Impressão de 50 exemplares: R$ 2.434,00 Pacote 3 Produção e impressão de 100 exemplares: R$ 2.690,00 Este valor pode ser pago no cartão em 3 x sem juros, ou em 4 x através de depósito bancário por etapa concluída. 1ª parcela ao definir o projeto gráfico 2ª parcela na conclusão da preparação do texto 3ª parcela na conclusão da diagramação 4ª parcela no checking final PROJETOS COM PAPEL, FORMATO OU IMPRESSÃO DIFERENCIADOS NECESSITAM DE UM ORÇAMENTO ESPECÍFICO. Dica : Num evento de lançamento com previsão de vendas de 100 exemplares, consegue-se pagar o custo de produção. Fontes http://www.cultura.gov.br/site/2011/10/21/pesquisa-de-precos-para-projetos/ http://tcc.bu.ufsc.br/Contabeis293888 http://www.overmundo.com.br/overblog/o-valor-comercial-da-producao-artistica http://www.blogadao.com/capitalismo-o-sistema-economico-que-domina-o-mundo/

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ENTREVISTAs Entrevista 1 Dados do Entrevistado Nome: Nathália Encarnação de Queiroz. Idade: 19 anos. Estudante de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. 1- O que você entende como indústria cultural? É o papel que o conteúdo artístico-cultural ocupa na sociedade. Empresas e instituições que trabalham com a produção de projetos, jornais, revistas, rádios, canais de televisão, e outras formas de entretenimento que são baseadas na cultura e visam o lucro. O que antes era uma forma de lazer/ uma arte, como o cinema, virou um meio de se adquirir lucros. Tudo é negócio na indústria cultural, assim a cultura foi transformada em mercadoria . 2- Qual a relação do capitalismo e a indústria cultural? A partir do surgimento do capitalismo começou a existir a produção, e distribuição de conteúdo artístico-cultural com objetivo de se adquirir lucros. O capitalismo transformou a cultura num produto comercializado, visando o ganho de lucros. 3- Como você acha que a industrial cultural interfere na sociedade? A indústria cultural está presente no dia a dia da população. Querendo ou não, estamos expostos a ela através de programas de tv, de jornais, revistas etc., que buscam conquistar o público através de suas produções.

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ENTREVISTAs

4- Você acha que a indústria cultural é uma forma de alienação social? Sim. As mensagens transmitidas de forma subliminar conseguem escapar da consciência, o que tende a provocar alienação, levando o indivíduo a pensar e agir como lhe é proposto. ———————————————————————————————————— A entrevista foi feita com uma estudante e esta sabia sobre o que era o tema que ficou bem claro nas perguntas. Ela afirma que as pessoas tendem a ficar alienadas por causa da influencia dos meios de comunicação, que querem buscam o lucro ao alienar as pessoas com suas produções. Geralmente essa alienação é feita de forma subliminar, até mesmo porque dessa forma é mais difícil que as pessoas tomem consciência do que estão fazendo com elas e despertem desse transe. O grande problema dessa indústria é a transformação da cultura em mercadoria e o homem é sempre dotado de cultura, seja ela qual for. Logo a cultura, que virou um produto, gera lucro e faz a grande indústria cultural continuar a funcionar.

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ENTREVISTAs Entrevista 2 Dados do Entrevistado Nome: Larissa Martins Idade: 18 anos. Ocupação: Estudante 1- Você é fã de alguma banda? Sim, várias, mas System of a Down é a minha banda favorita. 2- Por que você gosta tanto dessa banda? Porque eu adoro as músicas deles, e as críticas à sociedade que eles fazem em suas músicas. 3- Você costuma adquirir produtos relacionados à banda? Sim. Geralmente blusas, tenho muitas. CDs também, apesar de eu não ter um rádio. 4- Porque você compra CDs quando você já tem as músicas no seu iPod e celular? E porque comprar CDs quando você não tem um aparelho pra reproduzi-los? Ah, a sensação de comprar um cd deles é diferente, me faz me sentir bem! Fora que eu sei o trabalho que eles tiveram para fazer o CD. E eu gosto de contribuir com o que eu puder. E que tipo de fã eu seria se não tivesse o CD deles? 5- Você se sente assim quando compra uma blusa da banda também? Sim.

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ENTREVISTAs 6- Então você gosta de ajudar os seus artistas favoritos comprando os seus CDs, camisetas e outras coisas da banda para mostrar as outras pessoas que você é fã deles? Não é porque eu quero me mostrar para os outros, é porque eu gosto da banda e me sinto bem usando as coisas relacionadas a eles. ———————————————————————————————————— Na entrevista, Larissa diz não gostar apenas das músicas de sua banda favorita, mas também gostar de ajudar os artistas comprando os seus discos. A entrevistada disse, porém, que compra blusas e outros artigos relacionados à banda porque, segundo ela, essas coisas a fazem se sentir bem. Um dos motivos principais alegado por ela para gostar tanto da banda System of a Down é por causa das críticas a sociedade capitalista e consumista presentes nas músicas. Todavia, seu discurso é controverso, pois, ironicamente, ela diz adorar comprar os CDs, as blusas, os chaveiros da banda que faz críticas à sua própria atitude consumista. Mesmo assim, para se sentir bem consigo e se sentir aceita pelas outras pessoas que também gostam da banda, acaba comprando estes artigos. É importante destacar como a Indústria Cultural se aproveita de atitudes como a de Larissa para poder lucrar mais. As grandes corporações e a mídia sabem que as pessoas estão sempre procurando algo com que elas possam se identificar, algo que as caracterizem como indivíduos, ou que as inclua em um grupo e se aproveitam disso para lucrar. Quando a entrevistada diz “E que tipo de fã eu seria se não tivesse o CD deles?”, deixa a dinâmica relatada explícita: As corporações que vendem o que se relaciona a cultura se aproveitando da necessidade de mostrar afeição pela banda – neste caso específico para gerar lucro, pensamento este que é criado pelas próprias corporações, gerando assim, uma dinâmica onde mostrar quem você é ou do que você gosta por intermédio de bens de consumo se torna mais importante do que a arte em si.

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ENTREVISTAs Entrevista 3 Dados do Entrevistado Nome: Marcos Vinícius Machado Maia Idade: 37 anos Emprego: Músico e administrador de empresas. 1- O senhor como músico à 15 anos, como se posiciona em relação à um total envolvimento da produção cultural com o meio capitalista? Eu sou muito contrário à tudo isso, fato de muitos artistas apenas fazerem músicas com intuito de vender e serem famosos traz um grande empobrecimento na qualidade musical. O que de forma indireta influencia o tipo de cultura que passamos à adquirir. 2- O senhor se sente consumista? Sim, porque hoje a sociedade nos força a ser assim e a grande produção tecnológica e os meios de comunicação nos fazem precisar de coisas que nem sempre são realmente úteis. 3- Baseado nas perguntas anteriores qual é a sua opnião sobre a relação entre consumismo e cultura? Consumismo e cultura estão diretamente ligados já que as pessoas são condicionadas de forma muito freqüente à consumir. E isso fez com que o hábito de consumo tenha se tornado parte da cultura da sociedade. 4- O senhor é músico, já gravou um álbum, comercializou ele? Mas é claro! Eu preciso sobreviver e cuidar da minha família. Você não se lembra dos mecenas, que eram burgueses que financiavam os artistas do renascentismo? Se não fossem eles, talvez nunca teríamos visto grandes pinturas como Monalisa, por exemplo.

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ENTREVISTAs 5- Quais são suas bandas ou artistas preferidos e você considera eles apenas músicos que produzem apenas com fins lucrativos? Olha, eu gosto muito de Faith No More, Radiohead e Rage Against The Machine. Eu não considero eles apenas capitalistas, apesar de todos eles fazerem muito sucesso e terem muito dinheiro. Não considero pelo fato de todas essas bandas surgirem de épocas com contextos políticos muito revolucionários, enquanto existiam ditaduras e muita repressão por parte dos governos, suas letras faziam referencias e críticas à tudo de ruim que existia e ainda existe na sociedade. E mais uma coisa que eu posso citar é que em 2005 a banda Radiohead lançou seu álbum In Rainbows na internet e os internautas podiam fazer o download de graça ou eles pagavam o quanto eles achavam que o álbum valia. Isso me chamou muito a atenção. ————————————————————————————————————O entrevistado parece compreender parte do assunto Indústria Cultural, porém apesar de afirmar que o consumo e cultura apresentam uma grande relação e que mesmo ela não sendo benéfica, ele se assume consumista. Ele justifica pelo fato de que os meios de comunicação forçam à um consumo desenfreado e desnecessário e isso forma o conceito já estabelecido de cultura de massas. Porém apesar da grande relação que existe entre produção de arte e capitalismo, existe a possibilidade dessa produção de arte servir como um grande disseminador de ideais e pensamento, e podemos ver que existem artistas que usam o próprio consumismo para combater à ele mesmo. É como se usássemos o sistema contra ele mesmo.

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Vale a pena conferir !

O “Vale a pena conferir !” desse mês, vai para o Cineclube Buraco do Getúlio, conhecido como o “Buraco”. O “Buraco” realiza desde julho de 2006, sessões mensais e gratuitas, priorizando a difusão do curta-metragem nacional e promovendo intervenções artísticas de teatro, poesia e circo no intervalo entre os filmes, além de shows e performances de DJs e VJs. Fica aí a nossa dica !

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