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Caos em Moema Alta Pompeia Com menos espaço para os carros, situação no bairo fica mais difícil p.3

Bairro paulistano ganha status e o gosto da classe média p.6

Urbano

São Paulo SEGUNDA-FEIRA 07 NOVEMBRO 2011

ANO 01 Nº 0001

19º / 23º

Reformas no Palestra Itália geram discórdia na Pompeia

Obras que se estendem até 2013 pretendem transformar o estádio em uma arena multiuso

Construções verdes são Vila Olímpia adere à tendências para cidade verticalização Grandes metrópoles começam a enxergar a construção sustentável que envolve ganhos recíprocos para empresas e sociedade p.8

De olho no futuro, bairro investe em projetos ambiciosos para crescimento organizado e, consequentemente, vertical p.14

Sinal verde para a cidade de São Paulo A permacultura promete ser grande aliada de um novo modelo de vida para as comunidades que deve ganhar muitos adeptos p.10

Foto: Reprodução

A polêmica sobre as obras vai além dos torcedores e dirigentes do clube e atinge também moradores e comerciantes que se preocupam com o trânsito da região p.4


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Editorial Urbano Cultura Urbana - por Amauri Terto Por Sander Alvarenga

Mesmo iniciada a partir da Revolução Industrial, no século XVIII, em países pioneiros no processo de industrialização, a urbanização se fez conhecida por todo o mundo, principalmente na América Latina e na Ásia, no século XX, após a Segunda Guerra Mundial. A urbanização ocorreu quando as pessoas com o intuito de conseguir melhores condições de vida, trabalho e fácil acesso ao atendimento médico decidiram deixar o campo e migraram para as cidades. Hoje, diante do crescimento demográfico desenfreado (pois, já somos 7 billhões de pessoas a habitar o planeta Terra) e do “boom” vivido pela construção civil nas cidades várias iniciativas estão sendo tomadas para colaborar com a paisagem urbana. Os crescentes congestionamentos de trânsito e os danos provocados por ações do clima em áreas de risco são indicadores trágicos do que pode ocorrer em áreas urbanizadas quando falta planejamento. Fenômenos como verticalização, expansão horizontal do tecido urbano, realização de obras viárias, entre outras, são, muito frequentemente, tomados no âmbito do senso comum, como sintomas de “desenvolvimento urbano”. Porém, tais medidas feitas sem estudos, longe da política de desenvolvimento das cidades, chamada de plano diretor, pode trazer consequências negativas (como já trouxe e trás) para as pequenas e, inclusive, as grandes cidades. Buscando aliar desenvolvimento e sustentabilidade, governos e instituições privadas procuram meios para remodelar os centros urbanos adequando os espaços já existentes com qualidade de vida para os seus habitantes.

“Queremos Miles!” está cartaz no Sesc Pinheiros, prestigiando um dos nomes mais criativos do jazz no século 20. Concebida pelo instituto musical Cité de la Musique, em Paris, e organizada com a ajuda da família e dos gestores da obra do músico, a exposição multimídia traça a trajetória artística do trompetista Miles Davis. Com mais de 450 objetos reunidos como instrumentos utilizados pelo músico, partituras de discos, fotografias e filmes, a mostra multimídia conta também com pequenas cabines de audição em que o público pode ouvir os discos das diferentes fases de artista, em alta definição. O trompetista começou a carreira aos 18 anos - tocando ao lado de mestres como Charlie Parker, Herbie Hancock, Charlie Parker, John Coltrane e Wayne Shorter -, e transitou por diferentes vertentes do gênero, redefinindo conceitos de ritmo, harmonia, sonoridade e interação na música. A exposição é gratuita e imperdível. Queremos Miles! 20/10 a 22/01. SESC Pinheiros Terça a sexta, das 10h30 às 21h30, Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30 Entrada Franca

Redação Urbano Supervisão Laercio Arruda Editores Augusto Garcia - Victor Maximo Reportagem Amauri Terto - Augusto Garcia - Bruna Pimentel Carla Braga - Carolina Campos - Carolina Holanda Danielle Koetz - Julia Andrada - Juliana Fernandes Juliana Santos - Luan Vaz - Patrícia Jéssica - Rafael Guglielmi Sander Alvarenga - Tamiris Cobero - Thamara Popi Tonia Machado - Victor Maximo Fotógrafos Amauri Terto - Bruna Pimentel - Carla Braga Carolina Campos - Juliana Fernandes - Luan Vaz Rafael Guglielmi - Sander Alvarenga - Thamara Popi Carolina Holanda


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3 Moema com menos vagas CET diminui espaço dos carros e causa problemas um ano depois

E

m maio de 2010, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) cortou 3.850 vagas de estacionamento no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. Em ruas onde era permitido parar dos dois lados, agora um lado é proibido e o outro é permitido com zona azul. Para compensar a medida, foram criadas 1.072 vagas de estacionamento rotativo. O objetivo e principal justificativa da CET era desafogar as vias mais movimentadas da região, como as Avenidas Ibirapuera, Bandeirantes, Indianópolis e República do Líbano, aumentando o fluxo de deslocamento do motorista pelo bairro. À época, a prefeitura de Gilberto Kassab prometeu a construção de mais estacionamentos em Moema, inclusive verticais. Passados um ano e cinco meses da implementação, a reportagem foi conversar com moradores, comerciantes e envolvidos na ação para saber se a relação impacto-benefício está valendo a pena.

Insatisfação

Quando perguntados sobre os resultados efetivos da retirada das vagas de estacionamento do bairro, moradores de Moema são unânimes. “Não percebi melhorias”, diz a Relações Públicas Natalia Arbex. Ela sofre para estacionar próximo às lojas quando precisa com-

prar alguma coisa, e também quando recebe visitas em casa: “Uma pessoa que vai até a minha casa de carro tem que estacionar a duas ou três quadras de distância. Se é um prestador de serviço também é complicado, pois às vezes eles carregam materiais. Isso sem falar quando chove e a visita vem com crianças. É chato”. O mesmo acontece com a presidente da Associação de amigos e moradores de Moema (AMAM) e também moradora, Rosângela Lyra, que afirma que a questão do trânsito não justifica o prejuízo. “Não desafogou nada. Antes ficavam três quarteirões parados, pois cabiam duas filas de carros nas vias. Hoje cabem quatro, mas continuam dois ou três quarteirões congestionados, apenas nos horários de pico.” Em contrapartida, a prefeitura divulgou em notas e comunicados que a medida trouxe sim benefícios para o trânsito da região. Porém, nenhum porta-voz quis falar com nossa equipe.

Comércio

O maior prejuízo, no entanto, tem sido para os comerciantes do bairro. As casas que abrigam comércio em Moema são antigas, geralmente sobrados pequenos. Sempre dependeram das vagas de rua para atender a demanda de clientes. Com a implementação da medida e maior ocupação de carros nas vias, ficou inviável estacionar. “A queda de movimento foi em

Foto: Juliana Santos

Por Carla Braga e Juliana Santos

torno de 30, 40%. Muitas lojas já fecharam e outras estão fechando”, diz Rosângela. Para um bairro com população de oitenta mil pessoas, que sempre foi considerado ideal justamente pela proximidade de serviços, a retirada das vagas pode estar descaracterizando a região. O deputado do PSOL Carlos Giannazi está diretamente envolvido na causa e se preocupa com os prejuízos indiretos do fechamento das lojas. “Há desemprego, porque os empregados estão sendo demitidos.” A gerente de vendas Giselle Spigariol afirma que a medida trouxe muitos prejuízos para as lojas que dependem de estacionamentos de rua. “Muitos clientes deixaram de vir até a loja, pois não têm paciência para esperar ou encostar o carro na rua até que uma vaga apareça.” Outro resultado perigoso é que, ao desafogar ainda mais as ruas, o aumento de velocidade dos motoristas

têm causado acidentes. O número de acidentes, entre batidas e atropelamentos aumentou em 22%, segundo confirmação da Polícia Militar que atende o lado dos pássaros (O bairro de Moema é dividido entre o lado dos pássaros, próximo à Avenida Ibirapuera e o lado dos índios, próximo à República do Líbano).

Suspeitas

Passado este primeiro ano após a retirada das vagas, as justificativas da CET e da prefeitura se tornam frágeis diante de uma relação de prejuízos muito maior que os benefícios trazidos para o bairro. A AMAN, juntamente com o deputado Carlos Giannazi começou a investigar uma possível especulação imobiliária na região, que tem pouquíssimos terrenos disponíveis e muito interesse por parte de empreiteiras e construtoras. “Nós detectamos, depois de muita análise e discussões,

que por trás dessa justificativa da prefeitura existe uma tentativa de desvalorizar vários imóveis para que os proprietários vendam barato seus terrenos para construção de condomínios”, citou Giannazi. Rosângela afirmou que entre 2006 e 2008, cerca de 90 mil títulos imobiliários de Moema - que dão permissão para uso e construção - foram vendidos. “As Construtoras e interessados compram esses papéis. Eles têm a permissão de uso para construção, mas precisam comprar os terrenos. E aqui em Moema não tem mais terrenos.” As suspeitas de fato se encaixam, mas novamente, nenhum responsável da CET ou Secretaria municipal dos Transportes quis falar com a reportagem. “Tudo leva a crer que seja uma tática, uma política deliberada de proibir o estacionamento dos carros para desvalorizar esses imóveis”, completa Carlos.


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Arena Palestra gera discórdia na Pompeia Falta de infraestrutura do bairro é a principal preocupação dos vizinhos Foto: Reprodução

Arena Palestra deve ficar pronta em 2013 Por Juliana Fernades e Tonia Machado “O Palmeiras deixou de ser um clube aonde as famílias iam se divertir nos finais de semana com as crianças para ser um clube de futebol, que atrai milhares de pessoas ao bairro a cada jogo”, constata Maria Antonietta Lima e Silva, 75, advogada e presidente da Associação Amigos da Vila Pompeia. Moradora do bairro desde que nasceu Maria Antonietta lamenta a transformação do clube do Palmeiras na Arena Palestra, um espaço multiuso que abrigará, além do clube e do estádio, um anfiteatro, um centro de convenções, lojas e restaurantes.

A polêmica sobre as obras — iniciadas há um ano e com previsão de término para abril de 2013 — vai muito além dos torcedores e dirigentes do clube e atinge também moradores e comerciantes da região. Existem aqueles que são contra a construção, como Maria Antonietta, mas também os que são favoráveis, como a educadora Fernanda Migliore Rodrigues, 39. Segundo ela, “o Palmeiras foi o primeiro a se instalar aqui e tem plenos direitos de desenvolver seus equipamentos e modernizá-los, pois o bairro todo está crescendo e não seria justo que justamente ele não tivesse chance de se modernizar e se manter

nessa região”. O principal motivo da discórdia é o impacto que um empreendimento tão grande pode trazer ao dia-a-dia de quem vive ou trabalha na região. “Imagine o transtorno nos dias de jogos e shows: o barulho, a sujeira, o trânsito. E até agora não existe nenhum projeto de adaptação nesse sentido.”, adverte Maria Antonietta. O acesso à região também preocupa Liberato Brito Bonfim, 37, sócio-proprietário da Pastelaria Brasileira, vizinha do estádio há 36 anos. “Com certeza o trânsito vai aumentar muito e atualmente a região não tem estrutura suficiente para suportar isso.”, afirma. Tanta preocupação

se explica devido aos problemas que o bairro já enfrenta antes mesmo de a Arena estar pronta. O Palestra Itália está localizado entre a Rua Turiassú e a Avenida Francisco Matarazzo. Em dias de jogos e shows essas vias costumam ficar intransitáveis devido ao fechamento do tráfego na Turiassú e a Matarazzo ser então a única alternativa de acesso a bairros como Lapa, Água Branca e Vila Romana. A presença do Shopping Bourbon, ao lado estádio, também aumentou o fluxo de carros e pessoas no bairro, sobretudo aos finais de semana. Outro transtorno enfrentado pela população são as constantes enchentes que

assolam o bairro e que, se continuarem, representarão um problema ainda maior em dias de eventos na Arena. Segundo Antonietta, “a Pompeia foi feita para ser um bairro de operários, sem um projeto urbanístico e formado por 44 ruas estreitas. Não existe estrutura para receber os 45 mil torcedores em dias de jogos na Arena”. A educadora Fernanda propõe mudanças que melhorariam a rotina do bairro: “certamente o bairro precisará de metrô, talvez um bolsão de estacionamento, além de adaptação das mãos das ruas, temporização de semáforos, readequação da Guarda Civil Metropolitana.” No entanto, acredita que tais problemas são de responsabilidade de órgãos competentes como a Prefeitura e a CET e que não devem ser empecilho para o crescimento do clube. “Se o Palmeiras não crescer primeiro, outras grandes obras serão feitas a sua volta e da mesma forma o bairro crescerá, dando prioridade aos que chegaram depois, o que não seria justo.”, conclui. Fernanda refere-se aos prédios, empresarias e residenciais, que não param de ser construídos na região. Na opinião de Bonfim, a Arena agrada tanto aos comerciantes quanto aos torcedores do Palmeiras. “Para o meu comércio significa mais público, aumento nas vendas e imóveis mais valorizados. Mas para os moradores que não torcem não deve ser tão bom”.


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A arena e seus parceiros Orçado em cerca de R$330 milhões, o projeto da Arena Palestra é uma parceria entre o Palmeiras e a construtora WTorre. O empreendimento, que deve ser entregue em

abril de 2013, prevê o duplicação da capacidade de público do estádio, o que, significa 45 mil assentos cobertos e camarotes para até duas mil pessoas. Além do estádio, a Arena

Palestra contará com um anfiteatro para 15 mil pessoas, um estacionamento para 1.500 veículos, restaurantes, lanchonetes, lojas e um centro de convenções. Na última semana, a

WTorre e o Palmeiras firmaram um contrato com a AEG Facilities, maior grupo de gestão de entretenimento do mundo, para a realização de shows internacionais para até 60

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mil pessoas. A empresa também tem interesse em realizar o UFC, evento de lutas de MMA já sediado no Rio de Janeiro e que vem crescendo muito em popularidade do Brasil. Foto: Juliana Fernandes

“Raízes da Pompeia”: um registro da história “Luto pela Pompeia como se lutasse por um filho. Ouço ainda a voz embargada do meu pai, no seu leito de morte, onde me pediu: ‘Não abandone meu povo da Pompeia’. Eu cumprirei essa promessa!” Essas palavras introduzem o livro Raízes da Pompeia, escrito por Maria Antonietta Lima e Silva, 75, advogada e presidente da associação Amigos de Vila Pompeia. Maria Antoni-

etta herdou o amor pelo bairro de seu pai, Rocco De Fina, um imigrante italiano, que ajudou no crescimento da região e que a criou sozinho em uma casa do número 299, da Avenida Pompeia. “Perdi minha mãe muito cedo, mas aprendi muito com meu pai. Éramos bastante unidos.” declara emocionada, Antonietta, que também criou sua família no bairro. Foi esse amor e esse

aprendizado que a levaram a escrever o livro, uma contribuição para que um dia as futuras gerações conheçam a história do bairro e continuem a lutar por melhorias. A publicação fala sobre a chegada dos imigrantes italianos ao Brasil, entre eles Francesco Matarazzo, que instalou suas indústrias na Pompeia e transformou o bairro em moradia para os trabalhadores, também

italianos. “Francesco Matarazzo fez da Pompeia o polo gerador da indústria em São Paulo e no Brasil.”, conta Antonieta. Dentre as histórias presentes no livro, não poderia faltar a do Palestra Itália, clube fundado pela comunidade italiana para seus momentos de lazer e que se transformou, ao longo do tempo, em um dos principais clubes de futebol do país. “Íamos

ao Palestra todos os finais de semana para nadar nas piscinas.”, relembra Antonietta. O livro de Antonietta comemora o centenário da Vila Pompeia, fundada em 23 de setembro de 1911 e representa um objetivo de vida da advogada. “Tenho um compromisso com meu pai e com meu povo, e enquanto estiver viva vou lutar para cumprilo”.


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Pompeia se torna bairro de alto padrão

Construída por imigrantes fabris o bairro desperta atenção da nova classe média

Por Bruna Pimentel

A

s ruas arborizadas, as casas geminadas e as famosas vilas de sobradinhos da Vila Pompeia garantem o charme deste bairro centenário, localizado entre os distritos de Perdizes e Lapa. Tradicional, a Pompeia, como é sim-

plesmente conhecida, mantém aquecida a relação cultural com o SESC e com o Palestra Itália, sendo este último o reduto recreativo que acompanha quase todas as histórias do bairro. A data de fundação é, de acordo com a subprefeitura da Lapa, que administra o distrito, em 8 de outubro

de 1910. A chácara que existia no local passou a ser dividida em lotes, formando um novo bairro. Porém, a pesquisa da advogada e também presidente da Associação de Amigos da Vila Pompeia, Maria Antonieta De Fina Lima e Silva, aponta que a primeira transação imobiliária aconteceu em

23 de setembro de 1911, e foi a venda do lote onde hoje localiza-se o Hospital São Camilo. É a partir dos anos 20 que a história da Vila Pompeia começa a ganhar forma. Com a instalação da Indústria Matarazzo na região, as ruas de terra batida ganharam paralelepípedos e a fábrica, um ramal ferroviário. Nascia, então, o pólo industrial de São Paulo e, acerca dele, vilas operárias. A urbanização do bairro se deu pelas mãos dos imigrantes, em sua maioria italianos. Filha de um dos primeiros moradores, Maria Antonieta conta que as primeiras vilas passaram a se levantar devido a Francesco Matarazzo. Com o cabo do guar-

da-chuva, o também italiano, desenhava no chão de terra as casas geminadas que operários construiriam ali. O clima bucólico da região está intimamente ligado às histórias de vida que se desenharam pelo bairro. Adelmo Vidal, hoje um senhor com mais de 80 anos, passou a juventude na Vila Pompeia. Mudou-se para o bairro quando o pai conseguiu emprego em uma das oficinas mecânicas do Matarazzo. Residia na Rua Caraíbas, próximo ao Palestra Itália. Uma das lembranças mais fortes que mantém, é a de pegar o bonde no Largo da Pompeia em direção ao rio Tietê, onde praticava remo. A Escola Miss Brown, Foto: Bruna Pimentel

A nova cara da Pompeia: os antigos sobrados sem garagem, com portões baixo, agora dividem espaço com residenciais de luxo


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Foto: Bruna Pimentel

A cerveja aos domingos no boteco do Nogueira é point da velha guarda localizada entre as ruas Padre Chico e Caraíbas, é marcante na vida de vários antigos moradores. Estadual, foi a iniciativa do governo no final dos anos 20, início da década de 30, para ensinar português aos imigrantes da região – até então, os primeiros a fazê-lo haviam sido os padres camilianos. Já em 1982, em meio à redemocratização e à recessão econômica, apareceu o SESC Pompéia, projeto que mudou a vida cultural do bairro. A região já detinha a alcunha de Liverpool brasileira, pois foi berço de algumas das mais famosas bandas

de rock nacional, como Os Mutantes, Tutti Frutti e Made in Brazil, mas o SESC, que permanece ativo até hoje, foi o catalisador de feiras de arte e iniciativas culturais por parte dos próprios moradores. Hoje, a história da Vila Pompeia cede espaço a edifícios novos e de alto padrão. “A Pompeia tem a melhor relação custo/ benefício da zona oeste”, explica Fábio Rossi Filho, membro da diretoria de marketing do Secovi – SP, sindicato de habitação da cidade. Perdizes, o bairro vizinho, há 30 anos não pára de valorizar. Durante as

últimas décadas manteve um processo de verticalização acentuado, focando especialmente em classes mais altas. De acordo com o engenheiro Flávio Prando, sócio-diretor da imobiliária Frema, os terrenos na região estão escassos e, assim, a Pompeia surgiu como uma alternativa. Rejuvenescimento O bairro charmoso, de classe média, que ainda hoje tem entre seus moradores residentes com mais de 50 anos de Pompeia, passa “por um processo de rejuvenescimento”, segundo Prando.

Para a Embraesp, Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, a valorização da região se deve à presença dos dois shoppings, Bourbon e West Plaza, e a facilidade de acesso à Marginal Tietê. O metro quadrado da região chega a valer R$ 5.500. Muito procurado por recém-casados e famílias com um ou dois filhos, o perfil do bairro está se redefinindo. Eliseu Gonçalves, morador da Pompeia há mais de 50 anos e proprietário de uma tradicional adega na Rua Tucuna, percebeu que os moradores dos apartamentos não possuem o hábito de comprar bebidas para confraternizar em casa, com os amigos e família, como sempre fizeram os moradores dos sobradinhos. A constatação do comerciante reforça o que é evidente: o surgimento de dezenas de novos bares e restaurantes. Mas para Leonardo Garcia, consultor imobiliário da Marques Dias Imóveis, a vida noturna da região não tende a igualar-se à outra vizinha, a Vila Madalena. “O bairro continua sendo muito tradicionalista, familiar. Há alguns anos já se tentou investir na consolidação de bares e baladas, mas

não foi bem aceito”. A nova cara da Pompeia é um paradoxo. Marcos Valente, estudante universitário, buscou na vila o ritmo de cidade pequena ao qual está acostumado. Nascido no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, ao ingressar na PUC-SP, universidade paulistana tradicional, optou por residir em um bairro que lhe oferecesse um ambiente mais intimista, uma relação de convivência com os vizinhos. “Eu realmente me sinto acolhido no bairro, mas confesso que esperava uma rotina ainda menos movimentada. O trânsito da região impressiona bastante.” Para Maria Antonieta, que está há 16 anos presidindo a Associação de Amigos da Vila Pompeia, o trânsito na região tende a piorar. “As obras do Palmeiras darão espaço para 46 mil pessoas. Onde vamos desembocá-las? Vai ser um caos!”. Os 100 anos de Pompeia ensinam: de grandes chácaras a condomínios residenciais de alto padrão, o que faz deste bairro de São Paulo um dos mais harmoniosos da cidade, são as pessoas que escolhem fazer desta vila, um lar.


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Construção civil mais sustentável

Telhados verdes colaboram para a preservação do meio ambiente Foto: Sander Alvarenga

O Edifício Jatobá Green Building, exemplo de sustentabilidade na construção civil. Por Luan Vaz e Sander Alvarenga

N

ão é novidade que a construção civil é uma das grandes responsáveis pelos impactos negativos ao meio ambiente. Segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo, 75% dos insumos naturais do planeta são consumidos somente pela engenharia civil. Com o atual modelo de desenvolvimento, cresce a degradação ambiental em todas as suas formas. A criação

de projetos sustentáveis tem ganhado força na luta pela preservação e conservação do planeta. Segundo o coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental da PUC São Paulo Geraldo Borin, para que as questões ambientais sejam compreendidas, devem ser considerados vários aspectos na sociedade como as questões socioeconômica, política, cultural e histórica. Porém, de uma forma geral, se percebe que há um aumento na consciência ambiental

por parte da sociedade na implantação dos projetos sustentáveis. “Eu acredito que a forma mais consistente de uma mudança na questão ambiental seria a gente partir da própria formação das novas gerações”, afirma o professor Borin. Essa necessidade em cuidar do planeta, tem feito com que a construção civil empregue cada vez mais em suas obras o conceito de sustentabilidade e una a alta tecnologia com as soluções para a preservação do Meio

Ambiente. Para Alfredo Del Bianco, arquiteto do Grupo Aflalo e Gasperini, a questão da sustentabilidade foi um tema que preocupou os arquitetos desde o início da arquitetura moderna. Entretanto, com essa preocupação sobre a ecologia, a preservação do Meio Ambiente, tem se tornado mais forte agora nessa etapa. Hoje, é possível encontrarmos os mais variados projetos sustentáveis instalados nos prédios, como a captação de água da chuva

para reuso, eficiência energética com a absorção de luz solar e redução do calor, reciclagem do lixo, cultivo de plantas na cobertura entre outros. “Pra contribuir na diminuição das ilhas de calor, nós sempre utilizamos pisos mais claros nas áreas externas e a maior área possível, a jardinada no pavimento térreo e na cobertura, utilizando árvores frutíferas que acabam atraindo a fauna para o local” informa Del Bianco sobre a iniciativa que contribui para diminuir


Foto: Sander Alvarenga

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propostas, tanto do ponto de vista ambiental quanto dos aspectos sociais, culturais e econômicos. Para Mônica Casanova, usuária do Edifício Jatobá, essas iniciativas encontradas no prédio fazem bem para a saúde, para o bolso e para o planeta. Ela acredita que o principal benefício que os projetos sustentáveis trazem para a vida dela é o bem-estar.

Lei Paulistana

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temperatura no ambiente interior. Um ganho que se traduz não apenas em bem-estar, mas também no bolso, já que o gasto de energia elétrica reduz-se em até 70%. Na cidade de São Paulo, por exemplo, já foi aprovado, em primeira votação pela câmara de vereadores, um projeto de lei que torna obrigatória a pintura de branco dos telhados das novas construções. O texto ainda deve ser votado uma segunda vez antes de ir para a sanção do prefeito. Hoje, as empresas brasileiras estão entre as mais avançadas do mundo na implantação de projetos ambientais na sociedade. Porém, apesar de inegáveis avanços, o Meio Ambiente ainda carece de muitos cuidados. Foto: Sander Alvarenga

De acordo com uma pesquisa da Secretaria de Energia dos Estados Unidos, uma forma de também contribuir com a degradação ambiental nos grandes centros urOs jardins suspensos tornam-se cada vez mais comuns nos edifícios. banos são as coberturas brancas. o impacto negativo dos tecnologia sistêmica age gente”. Essas ações refletem edifícios nas grandes ci- no meio ambiente. Os projetos sustentáveis até 90% dos raios sodades. Em uma agência garantem maior cui- lares, reduzindo em até bancária do Bradesco, dado com as soluções seis graus centígrados a no bairro de Perdizes, Telhado Verde Essa área, chamada de zona oeste de São Paujardim suspenso ou tel- lo, é possível encontrar hado verde, é um dos essa iniciativa, implanprojetos mais comuns, tada por Rocha. Esse hoje, nas edificações projeto além de embelencontradas na capital ezar a cidade, funciona paulista. Prédios anti- como um oásis dentro gos e novos aderem ao da aridez fria e urbana. cultivo de plantas e ár- Rocha afirma que a urvores a fim de modificar banização desenfreada a paisagem cinzenta da faz com que as cidades não estejam preparadas cidade. O engenheiro agrôno- para superar as mudanmo, Sérgio Rocha, ças bruscas do clima. foi um dos primeiros No Itaim Bibi, zona sul profissionais a desen- da cidade, é possível envolver o telhado verde contrarmos essas alterno Brasil, baseando-se nativas de preservação num conceito simples ambiental instaladas no criado em países da Eu- Edifício Jatobá Green ropa como Inglaterra e Building. Para a administradora Alemanha. “O telhado verde tra- do prédio Michelle balha tanto na questão Souza, os projetos susdo conforto térmico e tentáveis trazem muitos redução do consumo benefícios para o emde energia elétrica, e preendimento. “Bom, também na redução de dos mais fortes que a enchentes dentro das gente tem percebido cidades. Além de trabal- bastante foi a economia har o controle e regu- no consumo de água e lação da atmosfera”, energia elétrica. Isso, Os breezes na fachada ajudam na captação de luz solar e economia afirma Rocha sobre as mesmo os condôminos de energia para o edifício. diversas áreas que essa tem passado isso pra


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10 Sinal Verde para São Paulo Metrópole paulistana é palco para inciativas sustentáveis e preservação coletiva dos recursos naturais Por Tamiris Cobêro

O

Iniciativa Casa Hólon A cidade de São Paulo (uma das capitais que contém maior número de habitantes do mundo, responsável por grande taxa de poluição), é palco para a iniciativa de um grupo

de idealizadores que criaram o projeto da Casa Hólon, um espaço voltado para implantação de técnicas sustentáveis capaz de manter uma casa sem os recursos tecnológicos utilizados principalmente por famílias de classe média a alta. Thiago Tognozzi, 25 anos, jornalista, um dos voluntários do projeto, acredita que a Casa Hólon é uma esperança

para a capital paulista e principalmente para contribuir com os recursos de preservação da natureza e combate ao aquecimento global. “Nós não queremos forçar as pessoas a seguirem este padrão de vida, principalmente porque requer um cuidado diário e atenção daqueles que utilizam, nós queremos educar as pessoas e mostrar que simples atos no dia-

e muito importante. Hoje é difícil pensarmos no nosso cotidiano sem as facilidades criadas pelo sistema capitalista, porém após conhecer a Casa pude rever meus conceitos e apostar na ideia”. Já a economista Sandra Lima, 45 anos, acredita que o projeto requer muito desempenho de quem o adota, mas que é um grande passo para salvar o planeta. “A princípio me assustei em descobrir o projeto em meu bairro, nunca iria imaginar que o Campo Belo abrigaria uma causa tão legal. Se metade das pessoas aqui adquirissem os hábitos ensinados pelo grupo, muita coisa iria mudar, é aos poucos que ocorre o progresso”. Para o jornalista o grande foco do projeto é incentivar principalmente crianças e adolescentes, pois, eles Foto: Rafael Guglielmi

século XXI é marcado pela Era da tecnologia e da globalização, porém o tema sustentabilidade ganhou grande espaço nos noticiários, congressos e debates por todo mundo. A definição para sustentabilidade são métodos para salvar o planeta de forma ecologicamente correta, ou seja, usar somente o que é necessário, pensando no que há de melhor tanto para as pessoas, como para o meio ambiente, garantindo a preservação dos recursos naturais e garantindo a sobrevivência das gerações futuras. A principal característica da geração mundial nos dias atuais é o desperdiço e desrespeito ao próximo e ao meioambiente. Para muitos, adequar-se a estes métodos de preservação da natureza é praticamente impossível, já que suas rotinas de “conforto” seriam afetadas pela introdução de novos métodos cotidianos.

a-dia faz muita diferença”. A localização da Casa Hólon é um dos pontos mais intrigantes do processo. O local escolhido para implantação da casa é o bairro Campo Belo, na zona sul da capital paulista, um dos bairros mais elegantes, que é ocupada em grande maioria por uma população classe alta. Existe uma controversa ao analisar uma iniciativa como os Hólons em uma área representada por pessoas com um costume de vida “privilegiado”, regado a mordomias que influem diretamente no desgaste e poluição do ecossistema. A estilista Elaine Massaro, 47 anos, moradora do Campo Belo desde a infância, defende a causa e elogiou as atividades desenvolvidas pelo grupo sustentável. “O projeto é renovador

Casa propôe estilo de vida alinhado com as questões ambientais


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Importância Social e sustentável Mais que um simples projeto a Casa Holóns é um passo para educar e provar a população que é possível adqurir métodos sustentáveis no seu cotidiano. “Este tipo de trabalho é muito importante para o atual momento que estamos vivendo”, opi-

na Elaine. Segundo a estilista, a casa Holóns serve de exemplo para todas as pessoas, de diferentes situações financeiras, já que ensina atividades que contribuem para a preservação do planeta, além de adquar hábitos melhores a sociedade. Sandra, acredita que o projeto tem muito a ensinar e que merece um investimento maior de governantes e prefeituras, mas com o maior interesse por parte da população. “Se essas técnicas sustentáveis fossem seguidas pela maioria das pessoas e ganhasse maior importância dos órgãos políticos, com toda certeza teríamos condições climáticas melhores sem atrapalharmos nossa rotina de vida”, completa a economista.

Já Thiago faz questão de esclarecer que o projeto ainda é pequeno comparado a sua importância, e que a falta de interesse dos moradores do bairro na questão, faz com que a Casa dos Holóns caminhe lentamente. “Como não temos o objetivo de forçar ninguém a participar da causa, a Casa cresce aos poucos”, encerra um dos idealizadores do projeto e jornalista. O projeto “Casa dos Holóns” é um dos muitos distribuídos pelo mundo, com a iniciativa de criar técnicas sustentáveis para ajudar o planeta, sem comprometer a rotina da sociedade. Cabe agora conscientização e atitude para que um passo maior seja atingido pela humanidade.

Foto: Rafael Guglielmi

serão os únicos capazes de salvar o mundo. “Nosso foco não é investir na publicidade e adquirir mais adeptos, e sim fazer com que através de nossos encontros em uma praça próxima a casa, as pessoas tenham curiosidade e venham conhecer o espaço, ou seja, elas chegam até nós por livre espontânea vontade, sem qualquer interferência forçada do grupo”.

Mais que consciência, um estilo de vida

A

Permacultura origina-se de uma cultura permanente do ambiente. Estabelecer em nossa rotina diária, hábitos e costumes de vida simples e ecológicos – um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente, envolvendo-se cotidia-

namente em atividades de auto-produção dos aspectos básicos de nossas vidas referentes a abrigo, alimento, transporte, saúde, bem-estar, educação e energias sustentáveis. As atividades dos permacultores promovem o aproveitamento de todos os recursos (energias) utilizando a maior

Os Telhados Verdes

T

elhado Verde é uma técnica utilizada em arquitetura que tem como objetivo o plantio de plantas e árvores nas coberturas de residências e edifícios. A técnica traz vantagens para o morador, que através deste método ajuda na implantação de novas áreas verdes em regiões com alto índice de urbanização, além

de diminuir a poluição ambiental e aumentar a umidade relativa do ar em lugares próximos ao telhado verde. “Se todos os edifícios da Avenida Paulista utilizassem esta técnica, iriamos ter uma grande melhoria na qualidade do ar e observaríamos uma grande diminuição da poluição ambiental” afirma o Jornalista Tognozzi.

quantidade possível de funções em cada uma dos elementos de uma dada paisagem, com seus múltiplos usos no tempo e no espaço. O excesso ou descarte produzidos por plantas, animais e atividades humanas são criteriosamente utilizados para beneficiarem outros elementos do sistema. No centro da atividade do permacultor está o design, tomado como planejamento consciente para tornar possível, entre outras coisas, a utilização da terra sem desperdício ou poluição, a restauração de paisagens degradadas e o consumo mínimo de energia. Este processo, segundo André Soares, permacultor do Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado – IPEC, deve ser dinâmico, con-

tínuo e orientado para a aplicação de padrões naturais, contendo sub-processos de organização de elementos dentro de determinados contextos. Os fundamentos éticos da Permacultura repousam sobre o cuidar do Planeta Terra, fortalecendo sua capacidade de manutenção de todas as formas de vida, atuais e futuras. Isto inclui a possibilidade humana de acesso a recursos e provisões sem desperdícios ou acúmulos além de suas necessidades. Observando a regra geral da natureza na qual espécies cooperativas e associação de espécies produzem comunidades saudáveis, os participantes da Permacultura valorizam a contribuição única de cada pessoa na comunidade.

A concepção política da Permacultura é crescente desde o surgimento da consciência de uma eminente crise ecológica gerando a visão de um futuro próximo onde pessoas e comunidades tentam libertar-se de um sistema decadente, usando as terras no entorno de suas casas para prover suas necessidades básicas. Os ativistas permacultores geram espaços de máxima produtividade e de mínimo desperdício. Trabalham para assentar bases para o surgimento gradual de cooperativas, comunidades ou vilas auto-suficientes como modelos para uma sociedade planetária alternativa. Quanto mais produtivas as áreas dos assentamentos humanos, mais factível será a proteção das florestas e outras áreas silvestres tão necessárias à saúde do Planeta Terra.


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ONG quer mudar cenário das favelas “Um Teto Para Meu País” agrega jovens na construção voluntária de casas Foto: Carolina Campos

Projeto nascido no Chile visa melhorar condição de moradia de baixa renda Por Carolina Campos e Thamara Gignon Popi

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m setembro, 410 jovens universitários se reuniram para construir mais de 50 casas em comunidades carentes da grande São Paulo. O trabalho realizado no Brasil desde 2006 pela ONG ‘Um Teto para meu País’ já entregou 679 lares para famílias carentes e ainda tem como meta entregar mil casas até o final de 2011. A jornalista, Luiza Yang de 23 anos é voluntária do Teto há um ano e acredita que o projeto auxilia jovens estudantes de classe média alta, a enxergar a realidade do país nos dias de hoje “Eu estou fazendo o básico para ter uma realidade mais justa”. Além de Luiza, a maioria dos jovens voluntários por terem acesso a uma boa formação, ótimos empregos e muitas oportunidades se sentem na obrigação de ajudar pessoas com mais necessidades.

Através de ações sociais, os jovens encontram na ONG a oportunidade de contribuir para um futuro com uma diferença social menor do que o país tem hoje. A voluntária e assessora de imprensa, Cristina Lemos, participa do projeto por acreditar que pode fazer a diferença “Acredito que o mundo pode sim ser diferente, basta à gente ter uma primeira atitude, por menor que ela seja”. Liderada por jovens, a ONG nascida no Chile em 1997, tem como intuito melhorar a qualidade de vida de famílias e comunidades a partir da construção de casas de emergência, programas de habilitação social, e a formação de uma Comunidade sustentável, além de conscientizar a nova geração. Por isso buscam jovens voluntários universitários com idade entre os 18 e 30 anos. A diretora de construção Nathalia Watanabe cuida de toda a parte relacionada com as casas emergenciais e

do projeto que é um padrão em todos os países da América Latina. Watanabe é uma voluntária fixa do projeto, contou que independente do projeto ser um padrão de todos os países, em cada país é necessário fazer pequenas alterações em alguns materiais, por conta do clima de cada local, mas tudo é colocado em prática após experiências construtivas prévias. Nathalia explica que há uma preocupação com a renovação do projeto, mas sem grandes alterações para não fugir do padrão, “Estamos sempre estudando uma nova maneira de construção, realizamos um teste, e se a experiência é positiva, nós a efetivamos”. A sustentabilidade também está levemente envolvida com o projeto das casas, porém não há certificação, mas os materiais usados são de origem sustentável, tais como as madeiras pinus e eucalipto para a estrutura, e no telhado é usado o material zinco.

A preocupação com o meio ambiente está sempre em pauta, e os estudos para a implementação de materiais recicláveis na casa estão em andamento, assim como o uso de materiais que seriam descartados. Unindo a preocupação com o meio ambiente com a redução no número de famílias que vivem em extrema pobreza, a ONG contribuirá mais para a urbanização da cidade de São Paulo em 2012, quando o programa de habilitação entrará em vigor. “Aos poucos estamos evoluindo, mas tudo depende de um primeiro passo, e o que já conseguimos realizar é uma primeira etapa e tanto, milhares de jovens empenhados em melhorar a realidade que infelizmente vivemos”, Nathalia vê que força de vontade por parte de todos os voluntários não falta, e que o caminho de todo este trabalho está fluindo bem e repercutindo positivamente.

Comunidade Sustentável A partir de condições básica, as comunidades conseguem se auto desenvolver. Habilitação Social Capacitação das famílias que vivem em extrema vulnerabilidade, com plano de educação, capacitação em ofício, plano de saúde e plano de microcrédito.

As famílias também sentem a melhoria em todo o processo, é um incentivo para procurarem melhorar em tudo nas suas vidas, e futuramente transformar as comunidades carentes em verdadeiros bairros, com todas as necessidades básicas supridas. Pequenas atitudes de fato melhoram o cenário que não só o Brasil, mas tantos outros países se encontram, e o futuro depende principalmente dos que ainda são jovens, “É bonito ver que jovens universitários, que poderiam estar viajando e passeando, dedicam muito do seu tempo para um trabalho voluntário, que é lindo o resultado”, Nathalia se sente realizada em ver que o trabalho da ONG ajuda cada vez mais a Cidade de São Paulo e o resultado ajuda a conscientizar milhares de pessoas em relação ao que vivemos e o que podemos melhorar.

Casas emergenciais Após a seleção das famílias, os voluntários realizam mensalmente a construção de casas de madeira pré-fabricada, de 18 metros quadrados com durabilidade de cerca de 5 anos. Faça a diferença Já estão abertas as inscrições para Outubro, os interessados podem acessar o site: www.umtetoparameupais.com.br


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Região da Consolação ganha com metrô Bairro que perdeu cinema histórico em março continua bem movimentado Foto: Amauri Terto

Metrô da Linha 4 Amarela traz público de outras regiões para a Consolação Por Amauri Terto e Augusto Garcia

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á 7 meses, o Cine Belas Artes fechava definitivamente suas portas. Depois de 59 anos exibindo filmes alternativos, de arte e fora do circuito nacional, no dia 17 de março o tradicional cinema, localizado na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, fez sua última mostra especial. Flávio Maluf, proprietário do imóvel havia recusado em definitivo a contraproposta dos sócios do Cine Belas Artes, diante do pedido de desocupação. O imóvel permanece fechado, com destino ainda incerto. Com o fechamento do cinema, o público frequentador das sessões e

mostras noturnas deixaram de frequentar a região, com seus restaurantes, lanchonetes e pequenos comércios. “Tivemos uma queda de 30% a 40% no faturamento”, afirma Ronaldo Zacarias, funcionário da pizzaria Micheluccio, que funciona no mesmo local desde 1957. Com um cardápio de massas e lanches bem sucedido e movimentação intensa após as sessões do cinema, a pizzaria, que fica em frente ao imóvel teve que passou a fechar mais cedo, com a queda de público. “Hoje em dia, à meia-noite nós já estamos fechando”, lamenta Zacarias. O cenário prejudicial para o comércio da região foi equilibrado com a estação de metrô Paulista, inaugurada em maio de 2010, ao

lado do prédio do antigo cinema, que teve seu horário estendido no começo do ano. “O público que o metrô trouxe é outro, um público de passagem”, conta Zacarias. Visto crescimento do público durante a tarde, e nova preferencia o que consumiam, a pizzaria passou a vender pastéis e a investir em bebidas em lata. “Hoje vendemos cerca de 400 pastéis diariamente. Ocorreu em um dia, às 17h30 não termos mais nenhum pastel para vender”. Para o dono da banca de revistas Belas Artes, Henrique Prioschi, a presença do cinema nunca teve grande influência nas vendas e hoje sua ausência influencia ainda menos. Há mais de vinte anos na Rua Consolação, a

banca funciona no local como uma espécie de “centro de informações”. “Não tive queda nas vendas relacionadas ao fechamento do cinema” aponta o proprietário. Segundo Paulo Braz, funcionário da do bar e lanchonete Belas Artes, a região perdeu muitos comércios ao longo dos anos, não apenas com o fechamento do cinema. Há mais de 24 anos trabalhando em diferentes comércios da região, Braz afirma que a chegada do cinema “equilibrou” a queda de lucro dos comerciantes. “Muitos comércios fecharam por aqui, os que não fecharam tiveram suas rotinas alteradas. Antes essa lanchonete ficava aberta até às três da manhã, hoje fechamos à meia

noite.” O equilíbrio causado pela chegada do metrô, pode ser visto diretamente no dia-a-dia dos taxistas, que trabalham em um ponto localizado exatamente em frente ao antigo Belas Artes. “Aqui quem saiu perdendo mais foi o pessoal que trabalha no turno da noite”, conclui Paulo Leite, taxista há oito anos no local. “Mas a chagada do metrô também prejudicou um pouco a gente que trabalha no período da tarde. Corddida pra Faria Lima, por exemplo, hoje dificilmente a gente pega”, afirma Marivaldo Lopes, há cincoanos no mesmo ponto.


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Vila Olímpia ressurge organizada Mudanças feitas por escritório renomado trouxeram nova imagem para a região

Foto: Carolina Holanda

A verticalização do bairro Vila Olímpia contrasta duas épocas distintas Por Carolina Holanda e Patrícia Guedes

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uem transita pelo bairro da Vila Olímpia, hoje repleta de edifícios, bares e estabelecimentos comerciais, talvez não imagine que já foi uma tranquila área de chácaras povoadas por imigrantes e descendentes de italianos e portugueses. “Aqui era tão tranquilo. À noite, dava para escutar barulhos de sapos e grilos”, relatou Sarah Realti que há 38 anos reside no mesmo local da Vila Olímpia. Hoje o bairro é conhecido como “Vale do Silício brasileiro”, por estarem, nele, localizadas

uma enorme quantidade de empresas da area de tecnologia e internet além de inúmeras multinacionais. Quem reside há muitos anos no local pôde acompanhar a troca das tradicionais casas por grandes edifícios, luxuosos e modernos. As noites tranquilas, agora estão bem agitadas, os bares e casas noturnas cumprem esse papel. Desde 1990 a região cresce, tornou-se movimentada, para muitos barulhenta, para outros um prato cheio para ótimos investimentos. Mas como evitar que todo esse crescimento ocorra de forma totalmente desordenada, num bairro com tanto

potencial? “Crescer é importante, mas jamais devemos esquecer que carros, semáforos, prédios e pedestres inevitavelmente precisam conviver juntos”, enfatizou o arquiteto Márcio Mazza. E foi de olho no futuro, numa tentativa de minimizar um possível caos que o conceituado escritório AFLALO & GASPERINI no ano de 2004, investiu em um premiado projeto que tentaria garantir um crescimento organizado para a região. E o plano deu certo. Aliás, continua dando certo. O projeto que recebeu o prêmio IAB 2005, foi desenvolvido para a ONG Colméia SP e visa-

va requalificar o bairro da Vila Olímpia, propondo diretrizes para melhorias no espaço do pedestre, novo mobiliário, despoluição e programação visual. Foram aproveitados futuros empreendimentos em terrenos particulares para valorização paisagística das ruas. Um Setor – Modelo foi eleito para retirada do posteamento e fiação aérea, além da implantação do novo layout de vias do bairro. Desenvolvendo assim, um novo padrão de calçadas com pisos de última geração, integradas com um sistema de galerias subterrâneas livres de tampas e interferência no percurso dos pedes-

tres. “Possibilitar o convívio harmonioso entre o público e o privado é a ideia principal”, garantiu o arquiteto e urbanista Roberto Aflalo, um dos criadores do aclamado projeto. Roberto ainda nos contou que a inspiração foi trazida de fora. O que parece ser inovador no Brasil, já faz sucesso e garante bem estar social aliado ao progresso em algumas cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles na Califórnia. Aflalo ainda explicou, “Obviamente a estética é muito importante, mas não é o foco principal, digamos que seja a primeira consequência, ou melhor dizendo, a


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Oposição

O Arquiteto e Urbanista João Whitaker, em sua tese de doutorado para a Universidade de São Paulo, esse projeto que propõe “repensar a Vila Olímpia” traz apenas melhorias para casos isolados. Segundo Whitaker, mais esta “coalização típica da máquina de crescimento” favorece apenas os “associados”. Em um trecho de sua tese o arquiteto ressaltou que: “... A autoria de um projeto urbano por parte da iniciativa privada cria o problema de constatar que o

Poder Público renuncia às definições das prioridades públicas urbanas. Assim, o jornal “Colméia em Ação” nº 2, trazia as principais propostas do grupo para a cidade, entre as quais se destacava sobretudo a questão da “limpeza visual” do bairro: dos postes ao lixo, passando pelas calçadas, tudo será enterrado, limpo, reformado. Evidentemente, a abordagem imediatista resultante de políticas urbanas pensadas pelos usuários tende a se restringir à solução imediata, e não estrutural, dos problemas que diretamente afligem esses usuários. Assim, a questão da segurança aparece com destaque nas propostas trazidas pelo jornal: “segurança geral, sem descanso e para todo o bairro”, diz um dos artigos, descrevendo um projeto de segurança inicialmente “pensado para atender os 70 prédios comerciais da vila”, apesar da referência à ‘todo o bairro’ ”.

Reflexos

Sarah Realti que acompanhou na íntegra esse crescimento, disse que sente saudade do silêncio de antigamente, mas por outro lado, acredita que esse “progresso” poderia ter sido muito pior se tivesse ocorrido de forma desordenada. Nos falou também que não podemos esquecer da quantidade de pessoas empregadas que diariamente frequentam todas essas “construções verticais” que constantemente são erguidas. Para os idealizadores do projeto que visa o “redesign da Vila Olímpia”, os resultados são satisfatórios, quem acompanhou as mudanças também garante que foram muito válidas, vários pedestres, executivos, moradores, mostraram-se satisfeitos. “A Vila Olímpia está cada vez mais bonita, funcional, valorizada, eu assumo que sou fã do projeto”, disse Maria Eduarda, residente da área há 8 anos.

Relembrando a história: A Vila Olímpia em 1966 Foto: Agência Estado

mais agradável mudança já que é a primeira a ser vista”. E quem circula pela área facilmente pode observar as melhorias ocorridas. “Percebi que nesses últimos 5 anos o bairro além de mais bonito, está mais funcional. As ruas sofreram alargamentos e aumentaram a quantidade de semáforos”, contou Camila Pacheco, auxiliar de escritório.

A área que no século XIX pertencia ao general José Vieira Couto de Magalhães, era apenas utilizada para caçar e pescar, hobby favorito do seu dono. Em 1916, Leopoldo Couto de Magalhães, irmão do general, construiu ali uma casa onde viveria com seus filhos até sua morte. Leopoldo faleceu e seus filhos lotearam sua terra que foram adquiridas por agricultores, pescadores e barqueiros que trabalhavam no rio Pinheiros. A partir da década de 50, a Vila Olímpia começou a receber fábricas pequenas e médias, e novos habitantes começam a surgir na região. Eram comerciantes, operários e imigrantes. Foto: Carolina Holanda

Shopping Vila Olímpia: Exemplo da transformação do bairro


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Ciclovias atraem cada vez mais adeptos Atualmente a metrópole paulistana conta com 45 quilômetros de vias destinadas aos ciclistas Foto: Julia Chopis

Faixa funciona somente aos domingos Por Julia Andrada

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governo do estado de São Paulo tem investido no aumento e na manutenção das ciclovias, para melhorar os dias de lazer dos paulistanos. A primeira foi inaugurada em agosto de 2009, com aproximadamente cinco quilômetros de extensão, hoje elas passam a ter 45 quilômetros espalhados pela metrópole. A mais nova via ciclística da cidade está localizada na região sul

da capital e abrange os bairros do Brooklin, Campo Belo e Vila Olímpia. São sete quilômetros e meio que se estendem pelas avenidas Roberto Marinho e Luiz Carlos Berrini. As ciclovias funcionam aos domingos das 7:00 às 16:00 horas. É montado um esquema de segurança monitorado todos os finais de semana, CET´s são deslocados para os locais para fiscalizar o cumprimento das normas de segurança, colaboradores ajudam na sinalização

nos cruzamentos e semáforos. “É importante para nós, porque passa uma segurança quando saímos para andar de bicicleta com toda a família”, diz a dentista Maria Helena, moradora do bairro Campo Belo. Com a ampliação da ciclofaixa, algumas modificações nos cruzamentos tiveram que ser feitas, obrigando os motoristas a mudarem os trajetos, o que desagradou alguns moradores da região. “O problema não é o fechamento dos cruzamentos, mas sim a falta de sinalização. Quando iniciou os domingos com as ciclovias não existiu nenhuma comunicação sobre os fechamentos das ruas o que causou confusão para motoristas.”, diz o morador do Brooklin André Saura. Outra modificação feita para melhoria do uso da ciclovia é a redução da velocidade dos carros que passam pelas vias, de 60 Km/h para 40

km/h. Para os ciclistas essa norma ajuda a diminuir acidentes, assim como os colaboradores que ajudam na sinalização. Existe um SOS bicicleta, eles se encontram em pontos da ciclovia estão lá para auxiliar os ciclistas se um pneu fura, a corrente sai do aro, etc. Segundo Fábio Andrade, trabalhar ajudando ciclistas é um prazer, eles veem como um incentivo para as pessoas passarem a usar mais a ciclovia e até sair de casa de bicicleta para trabalhar. “A população deveria ser educada para ir de bicicleta ao trabalho, isso provocaria uma queda nos quilômetros de congestionamento que as pessoas enfrentam todos os dias”, disse o jornalista Bruno Favery. A Zona Leste de São Paulo, um ponto afastado do centro, por exemplo já tem ciclovias funcionando diariamente nos bairros Jardim Helena, São Miguel

Paulista, Itaim Paulista, Guaianases e Estação Itaquera do Metrô, essa ação da prefeitura ajuda na melhoria do transito. A ciclista paulistana Bea Aliberti que pedala todos os dias a noite pela cidade diz que não há respeito pelos motoristas com ciclistas. “Eles passam em alta velocidade e não nos respeitam”, casos como o da Márcia Regina de Andrade Prado, atropelada na Avenida Paulista em 2009, são constantes. Entre erros e acertos aos poucos o governo vai ampliando e intensificando o incentivo ao uso das bicicletas, uma forma sustentável e saudável de locomoção. “É muito bom ver cada vez mais as pessoas fazendo uso da bicicleta como meio de transporte. Mesmo que seja apenas aos fins de semana, o mais importante é que essa iniciativa estimula o respeito entre os bikers e os motoristas”, exalta a triatleta Viviane Costa.

sem citar os valores das comissões dos imóveis. O apartamento mais barato, com cerca de 120 m2, duas suítes e 4 vagas de garagem demarcadas, tem valor inicial de cerca de quinhentos mil reais, ainda na planta. O valor tem significativo aumento se a compra for feita com o

imóvel já entregue pela construtora. A maioria dos condomínios oferece piscinas aquecidas e cobertas além das tradicionais, brinquedoteca, bike box, espaço zen, área de fitness, camarotes e salão de festas entre outros espaços finamente planejados e decorados.

Foto: Danielle Koetz

Vila Mariana também sofre verticalização Assim como Vila Olímpia bairro nobre ganha mais prédios Por Danielle Koetz

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verticalização em São Paulo vive um bom momento imobiliário onde, cada vez mais, as casas dão lugar a empreendimentos de alto luxo. Claro, existem os saudosos. Bairros super valorizados, como a Vila Olímpia, Itaim e Vila Mariana, onde o perfil residencial está dando lugar ao comercial, quadras inteiras dão

lugar aos canteiros de obras. Onde haviam casas e vilas, incorporadoras lançam edifícios de alto padrão para quem quer morar ou investir em um endereço com todo o luxo e infraestrutura. Para a arquiteta Bibiana Pinkoski, as vantagens da verticalização estão principalmente ligadas à estrutura: “Utiliza-se o mesmo espaço de 4 casas para construir um prédio com, em média 10 andares. Acomoda-

se mais gente num mesmo espaço e os custos estruturais podem ser diluídos.” Somente no Paraíso, região da Vila Mariana, a construtora R.Yasbek tem doze empreendimentos residenciais sendo comercializados. “A região, por ser próxima ao Parque do Ibirapuera, atrai principalmente famílias que buscam sofisticação, conforto e uma bela vista” declara a corretora Juliana Gomide, que comemora


Urbano