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Editora Decolar - Nº1 - Ano 2009

EGIPTUDO

Costumes e Curiosidades do Egito

A Escrita Hieróglifa Editor Chefe: Vinicius Ferreira Goulart

Colaboração de: Luan Benedito de Oliveira


Costumes e Curiosidades do Egito Suas Roupas...

Antigamente os egípcios usavam roupas feitas de linho, couro e artefatos de ouro e pedras preciosas. Também era costume perucas devido aos insetos e também pelo visual. Era costume o uso de poucas roupas, devido ao calor.

As roupas usadas no cotidiano atual são bem diferentes... Devido à religião mulçumana, as mulheres usam roupas que cobrem todo o corpo, e os homens usam blusas e calças, bem diferentes.

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Comes e Bebes Egipcios... Como os judeus, os árabes não comem carne de porco. Dizem que é impura. Além do porco, o Corão proíbe comer carne de qualquer animal que tenha morrido de morte natural. Ou alimento feito com sangue. A população mais pobre não come carne nunca, a não ser na época do Aid El-Adha, a Festa do Sacrifício, quando os ricos doam pedaços de carne aos pobres. A diversificação dos pratos egípcios mereceria um capítulo especial.

Dentre as comidas típicas, o fuul é bastante popular. Consiste de

um feijão forte como soja, temperado com óleo de oliva e limão. É comido puro ou colocado dentro do aesh, aquele pão redondo, principalmente no café da manhã. Mas é preciso ter estômago de camelo quem não estiver acostumado.

Interessante era vermos as carroças passando nas ruas, com seus vasilhames enormes, de boca pequena, de onde era tirado o

fuul para vender às mulheres que desciam dos apartamentos, ainda cedo pela manhã. Pelo tamanho reduzido da boca daquelas vasilhas, e a conseqüente dificuldade em lavar as mesmas, pode-se imaginar que a higiene não devia ser grande coisa.

Minha mulher adorava comer uára al-áinab, um bolinho de arroz e tempero enrolado em folha de videira. Em Brasília, um libanês

faz o mesmo bolinho, só que utiliza folha de repolho ou couve na falta de folha de uva.

O aesh baladi é um pão chato e redondo, parecido com boina de milico, o mais popular do Egito. Tem uma cor escura, talvez pela adição de milho ou batata. Dizíamos, brincando, que era feito de areia do deserto. Esse tipo de pão era também encontrado nas calçadas, estendido sobre jornais velhos, cheio de poeira e moscas em volta. Só comprávamos o aesh shami, mais branco e higiênico, encontrado nos supermercados, também conhecido como "pão sírio". Há, ainda, no Egito o aesh shamsi (pão do sol), feito em Lúxor de acordo com a antiga prática de deixar crescer a massa com fermento do lado de fora da casa, e o aesh saraia (pão do palácio), de cor laranja, feito de grãos finos embebidos em geléia de frutas. Há, ainda, o pão uras, também redondo e chato, popular nas festas cristãs coptas, e levado aos cemitérios para alimentar os pobres. Como se sabe, milhares de pessoas vivem nos cemitérios do Cairo. Uma figura típica no Cairo é o ciclista que, com uma espécie de cesta rasa e muito comprida, feita de bambu, cheia de aesh, equilibrando aquilo tudo em cima da cabeça, sai pedalando em alta velocidade, dando fechada em carros e, vez por outra, dando uma trombada e espalhando o pão pelo chão, alguns rolando para longe. O sujeito, na maior calma, recolhe todos os pães na cesta, equilibra tudo de novo na cabeça e sai pedalando a destino. À vezes, a rua onde caiu o aesh é imunda, totalmente podre. Mafísh mushkêla! (Não tem problema!).

A taamiya é um tipo de lanche que faz sucesso entre os egípcios e os turistas que querem economizar seu dinheiro. É feito à base de feijão, legumes e salada.

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O kóshari é composto de arroz, tomate, macarrão, pimenta, salsa e cebola frita. O que não pode faltar na comida árabe é pimenta, cebola, alho, páprica e salsa, usados em profusão. A panqueca egípcia fitir é diferente daquela conhecida no Ocidente. Consiste de camadas de um tipo de massa especial e é feito com vários ingredientes, incluindo carne ou queijo. Há, ainda, o tipo doce, muito delicioso também. As frutas encontradas no Egito são dulcíssimas. Com exceção talvez do abacaxi, que lá custa 6 dólares a unidade, todas as frutas que temos no Brasil também existem por lá. Como todas as plantações são irrigadas pelas águas do Nilo, não há o problema da falta de chuvas no Egito e vários tipos de frutas podem ser escolhidos para o cardápio durante o ano inteiro. Com o sol dardejando seus raios de fogo o ano todo no Egito, as frutas se tornam muito doces, a exemplo das do Vale do Rio São Francisco e da região do cerrado brasileiro, onde também há muito sol e calor. Laranja, figo, pera, melancia, melão, uva, tangerina, pêssego, manga, tâmara. Nunca em minha vida tinha degustado frutas tão saborosas. Há milhares de quitandas espalhadas por todo o Cairo, onde podem ser encontrados legumes, frutas e verduras viçosas. Há legumes de proporções faraônicas, como a berinjela. Tem repolho que enche uma bacia. Em compensação, o melão é pequeno e há maçãs ácidas minúsculas, do tamanho de uma bola de gude. O egípcio é também um grande comedor de sementes. Em frente de armazéns, nas calçadas, podem ser vistas muitas sacas contendo sementes de girassol, melancia e abóbora, dentre outras. É incrível a habilidade que eles têm para descascar as sementes só com os dentes. Não ficam devendo nada a papagaios e araras. Durante as horas de folga, durante um bate-papo ou no recreio do colégio, é comum a gente ver egípcios mordiscando sua semente preferida.

Hummm.... dá água na boca, né...

A Bandeira do Egito...

Vermelha

Simboliza a história do país.

Branca

O branco representa a Revolução de 1952 que permitiu a deposição do rei Faruk I, e que acabou com a definitiva proclamação da República.

Preta

A cor preta simboliza o final da opressão do colonialismo britânico sobre o povo egípcio. E também a morte dos Faraós Tutankamon e Menés.

O escudo é um símbolo da paz no Egipto desde a Guerra dos 6 Dias, e também um dos símbolos egípcios mais importantes.

Símbolo central

O símbolo central representa a Águia de Saladino. Dourado é a cor dos grandes impérios e reinos.

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A Escrita Hieróglifa... Introdução aos hieróglifos - tipos de sinais e seus valores Durante a época clássica se calcula que os escribas usassem cerca de 700 sinais hieroglíficos. No entanto, não é preciso conhecer mais do que os 200 mais freqüentes para se ler os textos mais importantes da língua egípcia. Os sinais hieroglíficos são classificados em três tipos: Ideogramas: são os mais antigos; representam um morfema inteiro. Fonogramas: representam sons consonantais. Determinativos: sinais que não são lidos, apenas ajudam a esclarecer o significado de certas palavras. Um mesmo sinal podia ser lido de todos esses modos. Assim, o sinal

pode ser um ideograma significando

"casa", um fonograma representando os sons pr, ou um determinativo que se acrescenta ao final de palavras que se referem a construções.

Os fonogramas são divididos em unilaterais (representando 1 consoante), biliterais (combinação de 2 consoantes) e

triliterais (3 consoantes).

Os sinais unilaterais são os mais comuns, e constituem o que comumente se chama de "alfabeto" egípcio. São eles:

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Alguns sinais possuem mais de uma forma de serem escritos, como y e w. Outros são:

ou

para m,

para n.

A maioria dos sinais tem valores óbvios (b, p, f, etc.). Já outros precisam de uma explicação adicional: - A, por exemplo, costumava ser associado ao 'alif árabe (uma pausa glotal, como em uh-oh!). Atualmente, no entanto, é quase certo que em médio egípcio representava um som próximo de r.

- a representa um som próximo ao ayin árabe (difícil de explicar por escrito; pergunte a alguém que conhece árabe). - j devia ser mudo em médio egípcio, mas em época anterior era pronunciado como y. - x representa o ch alemão (ou o j espanhol). - X tem um valor incerto; provavelmente algo entre x e S (outro som difícil de se explicar). - S representa sh. - q é o q árabe (um k pronunciado com o fundo da boca). - T e D originalmente representavam tch e dj; posteriormente se tornaram pronunciados como t e d (talvez já em médio egípcio).

Para facilitar, no entanto, convencionalmente se pronuncia A e a como a; j e y como i; w como u e acrescenta-se um e

curto entre as demais consoantes. Assim, nfr = nefer; Ax.t = akhet e xwfw = khufu.

Os sinais biliterais, como já se mencionou, representam uma combinação de duas consoantes. Os mais comuns são mostrados abaixo:

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Os sinais triliterais (representando uma combinação de 3 consoantes) são os mais numerosos. Os mais comuns

(que, afinal, não são muitos) estão na figura abaixo:

O último grupo de sinais que será apresentado aqui é o dos determinativos. Estes são (quase) sempre

colocados no final da palavra, o que é muito útil para se saber quando uma palavra termina e outra começa. Assim,

todas as palavras que se referem à água (rio, inundação, etc.) terminam com o determinativo

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Todos estes sinais apareciam, é claro, misturado nos textos. Uma mesma palavra podia conter sinais uniliterais, biliterais, triliterais e determinativos. Muitas vezes, sinais adicionais eram acrescentados para preencher os espaços vazios. Estes sinais são chamados de complementos fonéticos.

xpr (xpr-r)

nfr (nfr-f-r)

sDm (sDm-m)

Como se vê, são fonogramas que repetem parte ou todo o valor fonético do sinal anterior. Isto também se torna útil quando se tem dúvida sobre como ler determinado símbolo: os complementos fonéticos estão sempre lá para ajudar. Outro ponto importante é o da inversão por respeito. Em palavras que contêm o elemento "deus" ou "rei", estes são colocados no início da palavra. Note, entretanto, que isto não altera a leitura:

Hm-nTr "sacerdote" (lit.: servo do deus)

pr-nsw "palácio" (lit.: casa do rei)

Dados da Egiptudo: Jornalistas: Vinicius Ferreira Goulart e Luan Benedito de Oliveira Editor Chefe: Vinícius Ferreira Goulart Revisão: Suzanne Leduc Ano: 2009 Número 1 1ª Publicação: 3 exemplares.

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