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ISBN 123456789-X

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cRio

Textos e Poemas


Martin Bertoni

cRio Textos e Poemas

3


Coordenação Roberto Alves Revisão Ana Freitas

Sumário Apresentação 11

AutorRetrato

Projeto Gráfico e Diagramação Luan de Assis e Daniela Ventura

O poeta vai morrer sozinho 17

Cip-Brasil. Catalogação-na-fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros,RJ

É o que tem pra hoje 21

Bertoni,Martin Crio textos e Poemas/ Martin Bertoni-Rio de Janeiro: Record,2013 ISBN 123-45-67890-12-3 1.Literatura brasileira - Poesia Direitos exclusivos desta edição adquiridos pela DISTRIBUIDORA RECORD DE SERVIÇOS DE IMPRENSA S.A. Rua Argentina 171 - Rio de Janeiro,RJ - 20921-380 - Tel.: 2585-2000 Impresso no Brasil

Elementar de mim

Um grão de areia O Corpo

23

Por onde passo 24 Uma hora dessas 25 Hora de dormir 26 Abrigo 27

20

22


Sonho Estrela 28 E aqui me encontro

Doces amargos I 43 29

Escorpião 30

Doces Amargos II ( Saudade )

44

Nas lágrimas que correm em meu rosto 45

Abismo onírico dominical 31 Canção para o término do amor de um Ornitofóbico 32

CotidiAnos

Para os dois

À metros de altura 49

33

Rotina 1 36

Tola 50

Eu 37

Sem pulso 52

Em uma Mão seguro o meu universo 38

Cinelândia 53

Incompleto 39

Graças a Deus foi um sonho e nada mais 54

E

Tarde Laranja 55

40

Não enxergo mais na escuridão 42

Jornada nada mais que cotidiana 56


Tributo aos domingos de paz

58

Dias legais com pessoas legais

60

Sobre o Patriarca

75

Cerveja, Sexo e Alice 62

DesAmores

Melô 64

Ele sentou ao meu lado... 79

Sobre liberdade, aplausos e falta de criatividade 65

Insensível 80

Amiga osga.

Ao olhar que me leva 81

66

Mel 68

No final, ninguém percebe. 82

Mudante 69

Mail Elegant

Rotina Cinza

70

83

E se meu coração parar de bater, 86

Parasita 71

Anjo das artes 87

Rotina 2 73

Colagem 88

O Cata-vento e o Girassol 74

Nunca Imaginei 89


Seria Perfeito

Apresentação

90

Como pode 91 Desfazer-me contigo 92 Soneto do Tempo Enquanto 94

Ilustrações 97

10

93

Neste livro queremos apresentar vários talentos desconhecidos de jovens que vivem na cidade Maravilhosa. Convidamos para um mergulho nos parágrafos, frases, palavras e letras que a poesia e os textos que eles expressam com sentimento e originalidade. A cada página uma nova história, uma nova oportunidade de conhecer o interior de cada um: seu cotidiano, sonhos e desejo. Sinta-se a vontade para se perder e se achar...

11


“Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.” Fernando Pessoa

12

13


autorRetrato


O poeta vai morrer sozinho. O poeta não possui princípios, nem moral ou educação. Ideais? Quanta asneira. Sai de casa todo encurvado, calado, olhando o chão. Está distraído lembrando do tempo que passou deitado, rolando de um lado para o outro no colchão, montando pouco a pouco o mundo em que passeava enquanto seus olhos abertos não estavam. É que ele sonha demais, ou melhor, sonha o suficiente pra não querer viver mais. Nessa noite solitária, ele vai morrer com doze livros publicados e certo nome. Seu corpo será descoberto uma semana depois, quando o vizinho arrombar a porta por não aguentar mais o cheiro de podre. O próprio vizinho organizará o enterro comprando um caixão simples, será triste e sem flores. Perto do fim, o poeta não conseguirá parar de tossir - seus pulmões debilitados não o deixarão ter descanso. Sua mente distante ficará preenchida de medo do que há de vir depois; poeta do jeito que é, acredita que tudo fica mais charmoso se for trágico, logo, ter uma segunda chance tiraria dele toda a alegria de seu fim triste. Seu quartinho localizado na Tijuca é amplo com poucos móveis. 17


Muitos quadros realistas e algumas réplicas do século XIX de pintores famosos embelezam a sua coleção, porém poucos são os retratos pessoais pendurados na parede. No geral, as fotografias de família foram sendo perdidas nas constantes mudanças que o mesmo fazia, o poeta estava acostumado a se deslocar de um lugar para o outro em prol de sua necessidade artística sedenta por novidades. Já havia morado em uns dezoito lugares diferentes pelo o mundo, gastando dessa forma, o pouco dinheiro conseguido com a venda de seus livros e dos contratos com a editora.

rua, fechado em si mesmo sem ninguém cativar, indo comprar 4 pães, 200 gramas de mortadela e um maço de cigarros na padaria da esquina.

Monocromático como sempre, se apega ao marrom na hora de se vestir, adora essa cor. Objetos de madeira são a sua paixão e a maioria de suas escolhas estéticas foram baseadas nisso. Decorou sua sala com alguns móveis pesados e imponentes adquiridos em seus passeios por diferentes antiquários, o seu apartamento no Rio, apesar de ter uma varandinha medíocre, possui um certo charme graças as paredes revestidas com uma madeira consideravelmente elegante. No momento ele está mais preocupado em escrever uns versos sobre a jovem vizinha que pendura roupas na corda aos domingos. Sua poesia lhe rendeu notas em jornais desconhecidos, inspiração e um mundo inacessível a estranhos, mas não lhe ofereceu nenhum amigo para segurar as suas mãos e passar um pouco de conforto em seus minutos finais. Sem nada prever sobre a tarde que terá, o poeta vai descendo a 18

Paula Amparo 19


Elementar de mim

É o que tem pra hoje

Se segurando para não alimentar o selvagem interior invocando todas as barreiras para amansar o próprio ardor fogo que queima e possui o corpo inconsciente vem à brasa de sua pele um vento forte acalmando lentamente

Hoje eu acordei com vontade do outro. Hoje eu tive vontade de ligar só pra contar que o biscoito caiu no chão com o lado do requeijão pra baixo, queria ouvir a risada do outro. Queria ouvir o outro dizer que dormiu mal, contar o que sonhou, qualquer coisa.

A respiração lenta e audível vem sutil a água sensível lhe acalmar com ondas de leveza e frescor antes ardor agora amor

Mas hoje outro tinha o que fazer, e eu também tinha minhas coisas, minha roupa pra lavar, gaveta pra arrumar, cd novo pra baixar. Hoje eu percebi que tô ficando mal acostumada com a freqüente presença do outro, e não tê-lo por perto faz tudo parecer tão sem sal. Então eu começo a pensar nos outros, parece que hoje todos eles estavam ocupados.

Poderia a terra sufocar-lhe com pedras e rigidez? poderia enterrar os medos e segredos? no chão que permanece, a fera que fora se esquece coberto do verde infinito nunca foi o ser mais bonito com a natureza no peito aflito

E eu percebi; não é de hoje que eu me sinto “dependente” do outro ou dos outros, mas antes eu sabia me virar bem sozinha. Não tinha a mesma graça, mas conseguia. Fazer o quê. Eu, somente eu e um filminho: é o que tem pra hoje.

elementar de mim escrito Luan Assis 20

Janine Magalhães 21


Um grão de areia

O Corpo

Sempre fui, sempre soube que era;

Prisão eterna da alma: Poderia desejar liberdade e vagar ao mundo, mas não há prazer enquanto o tato depende da pele, enquanto os olhos são físicos, enquanto minha história permanece na carne.

sempre fui ciente de que há uma imensidão diante de mim, e que nada significo diante dela. o infinito vai dos céus aos mares, do divisível ao multiplicável: E eu, sempre nesse meio, indo ao máximo que meu conhecimento pode me levar. Em alguns momentos, é necessario parar e refletir sobre esse conhecimento adquirido: É verdade? O que é a verdade? Porque sempre a busca pela verdade? As perguntas também são infinitas. No final, não se sabe para onde vai e, mesmo assim, as pessoas conseguem conviver com suas cegas certezas todos os dias.

Marcelle 22

Ponte para a existência, Reflexo concreto do espírito, simetria imperfeita, Máquina flexível: articula sem graxa, funciona a combustível, a fragmentos de Deus.

Vinicius Ladeira 23


Por onde passo

Uma hora dessas

Por onde passo passo despercebida parece irreal mas ninguém me nota

Uma hora dessas e eu ainda estou lendo tuas cartas. Um pouco cansado, desapegado da noite lá fora, o que me sustenta é o blues. tua musicalidade latejante no meu peito, no meu corpo, no meu pensamento. De verdade...? Queria escrever-te alguns dizeres, detalhes da vulgaridade em que me encontro, das conquistas que obtive e da tristeza que me dá quando eu chego em casa depois do dia corrido no centro da cidade, e não te tenho por perto. Espera... Eu queria que soubesse que as flores que plantamos estão lindas e que a primavera fez um bem danado ao menos para elas... Queria que tu me respondesse em seguida, gritando que tudo foi um equívoco da tua parte, e que em breve volta pra casa e que me trará flores e um abraço apertado, pra acalmar a saudade que sinto. Mas sei que não vou conseguir escrever porcaria alguma, que vou fazer como ontem, e todas as noites desde que tu saístes. - Vou ler tua escrita, pensar em como poderia ter sido, e me entregar a morfina, á agulha, á viagem de te esquecer por alguns momentos, diluindo com o blues... Sei que mais tarde acordo e tento outra vez jogar tudo fora, e o Rio de Janeiro depois da janela vai me chamar ao dia, e assim vou encontrar-me com a rotina. Uma hora dessas e eu falando sozinho, falando com tuas cartas e pensando em como seria... Uma hora dessas. Diógenes

Passo devagar mas ninguém se importa todos se olham ainda assim não reparam Agora caí talvez eles me vejam Infelizmente não apenas um poderia ser Ele, meu príncipe? Ele quase chegou tarde eu quase desisti. Lorena 24

25


Hora de dormir

Abrigo

Na hora de dormir, todos os fantasmas e medos seus aparecem, tudo vem à tona, você deita e nada te escapa, pensamentos, ideias, tudo.

Eu tenho um amigo E este, Que não é sangue do meu sangue Eu tenho como abrigo.

Você deita para descansar e na verdade descobre que só deitou para pensar melhor. E viver com seus medos, vira para o lado vê um, olha para o outro e sente uma sensação ruim Mas aos poucos isso vai se esvaindo e o sono vem vindo e você vai adormecendo, fechando os olhos e por fim dormindo um sono tranquilo.

Lucas Barbosa 26

Este amigo, Que é meu abrigo, Leva-me para lugares Onde eu possa fugir do perigo. Não me sinto sozinho nem confundido, Pois o abrigo amigo me acolhe E não me deixa perdido.

Luiz Henrique Lemos 27


Sonho Estrela Não há hora para agora! Nesse mundo paralelo, não. Só há luz e som sincronizado. Sim, sincronizado. Só há expressão e gritos. São gritos, empregados empolgados e afobados para um palco que não existe. O mundo ainda é paralelo. Não há hora para agora. Ele se atrasa porque dança. Não há tarefa, compromisso, relógio. Há piano, violino, guitarra, há sonho, só sonho. Dança, garoto, canta: enquanto espera ainda espanta. Espera a luz dos canhões, a violência do seu close. Enquanto isso canta,dança, aponta. Sonho futurístico(caso planeta fosse total urbanizado enquanto plana) de uma pessoa que nasceu na época errada. Hoje ganhei na loteria, e isso é muito bom, pois agora poderei comprar o apartamento de luxo cujo sonhava a anos. Esse apartamento fica na extremidade leste do mundo e tem vista panorâmica pro fim do mesmo. Já estou até me imaginando convidando o povo todo para uma festança lá na cobertura, fazendo amor como plano de fundo o fim da Terra(muito romântico). Vou procurar algum lugar perto do rio, assim eu posso jogar comida pros elefantinhos quando não tiver nada pra fazer. Vai ser TU-DO! Vinicius Ladeira 28

E aqui me encontro jogando palavras ao vento dançando ao sabor de minhas emoções. Criando cores para o meu sorriso, forjando alegrias para meu abraço, formando batidas para meu coração. Pois quando me vens a mente, percebo o quão poeta eu sou. Escrevo paixões, amores, danço sentimentos, realizo desejos, projeto sonhos. Me sinto livre, me sinto vivo, ou apenas sinto Me sinto bem, me sinto além, me sinto seu. Sou seu. Bruno Freitas 29


Escorpião

Abismo onírico dominical

Sou escorpião Esculpido na carne Na navalha que sangra Toda semana sem poder te ver.

Um monte de delírios amontoaram-se, ao fechar os meus olhos, senti o pesar de cada um deles. Dormi bem, dormi muito, dormi mesmo. Em uma das minhas alucinações, eu não consegui me ver. Você era o todo. Acabou comigo. Breve nota sobre essa decepção: Todos somos narciso. Sofremos de encantos por histórias que fazem vermos a nós mesmos no reflexo das palavras. Coitados dos escritores, que vão escrever, essas tais palavras. Fui longe para me explicar, voltemos ao meu devaneio. Ele acabou comigo. Você acabou comigo.

Sou a picada Ardida e queimada Do escorpião Que foi cortada Pela navalha Sem nada, Sem amor, Sem poder te ver. Sou a dor Que deixou o escorpião Sem rumo, sem direção E como sempre Sem poder te ver. Luiz Henrique Lemos 30

Eu estaria extasiada só de estar neles, os habitaria. Nada se compara ao prazer, que possuo ao ocupá-los por completo. Meus resquícios de consciência dão adeus, para impedirem a entrada de realidade pelas brechas, e eu gosto. No auge dessa quimera, tentei em vão, fazer outra coisa para me distrair. Mas, enquanto eu fecho os meus, eu só consigo ver os seus. Olhos grandes, vazios sem mim, tristes olhos seus. Inexiste uma escapatória. E, não venha dizer que eu estou de onda. Talvez eu esteja mesmo, mas e dai? Eu amo tanto esses olhos. Paula Amparo 31


Canção para o término do amor de um Ornitofóbico Eu vejo olhares corujais dentre a floresta e seu ser noturno chamando o que restava da minha inocência para a perdição ininterrupta Não tendo pena de mim leva meu espírito à elevação Como é torturante e bom estar contigo fantasma moribundo e entristecido Me faz tão bem o conforto de sua presença mórbida Amor que de tanto fez, nada sobrou no final depois de desfeito seu feito Uma vez amado o amor fantasma que nem vive se recolhe e corre se despedindo na floresta Não sou capaz de ver mais olhares corujais dentre a mata e nem enxergo seu ser noturno Me abandonou destroçando o que restava da minha inocência para a perdição ininterrupta Não tendo pena de ti levando seu espirito ao esquecimento...

Luan Assis de Oliveira 32

Para os dois Tanta coisa para ser dita, mas com medo de cair em ditadores ditados, Nenhum “Eu te amo”. nenhuma palavra saiu, nenhuma lágrima caiu. Não há necessidades nós a inventamos Estamos fugindo do óbvio, e alguns podem dizer (consumidores do que é certo) que vocês foram longe demais 33


e eu, aqui, lhes fazendo perto com os pássaros de papel que não conto mais, pois meu desejo é o corte das asas dos conceitos dos números dos valores dos preços das horas das letras em mim de mim.

de plenitude e agonia ao respirar o flamejante sol flamulando ao ar e que se esqueça a morte, ela é fim. pois cada um é escravo daquilo que decide ser. Alguns decidem servir à idéia de liberdade.

Desejo o desdobrar, em outros formatos, a camada frágil. Sem limitar o que pulsa o que pensa. Desejo o êxtase de Ícaro que, imagino eu, morreu num estado 34

Vinicius Ladeira 35


Rotina 1 Os dias calmos e atípicos deixam bons resíduos Os passos em casa enclausurados em trapos furados Vista marejada pousada em paredes manchadas Meu quarto pouco iluminado Silêncio, silêncio, silêncio, prestem atenção nos tictacs do relógio da sala, nas cobertas emaranhadas e embebidas em cheiro meu nas fronhas de cereja, no cabelo de cereja, no xampu de cereja na preguiça, no cansaço, em mim e olhem só a cadela que ignora o mundo e dorme

“Eu Guardei o Caos no meu coração mas... ele não explodiu”

Paula Amparo 36

Luan Assis 37


Em uma Mão seguro o meu universo,

Incompleto

Em outra mão seguro o meu tempo, Apareceu em minha frente, abraçou-me.

Deitarei na cachoeira em cima do penhasco, e no frescor da vida te encontrei óh!paz e tranquilidade minhas belas amantes.

Com minhas mãos te acolhi, Universo e Tempo colidiram Tenho você em meu mundo para sempre.

Longe da perdição com a folia, ambas amigas dos bobos, prefiro me juntar aos carinhos das ondas e beijos constantes e gelados da cachoeira mais linda Ah, junte-se à mim sol e lua para dançarmos no bloco do sono bem longe do concreto Deixe que meu ser se torne menos incompleto...

Brunos Freitas 38

Luan Assis de Oliveira 39


E na rápida moção da janela vi lá o corpo estendido no chão.

havia,

Nem oração

enrolado em grossos panos, derretendo de frio um mendigo esguio

nem grito de GOL.

desviando as rotas de passos ligeiros

Sem emoção,

(tensos)

o saco preto jazia

((intensos))

e ensurdecendo de música, o passageiro dormia. ouvindo notícias, sobre o aniversário da morte da poesia. 40

Ninguém sabia, mas depois da esquina,

(((extensos))) ((((pretensos)))) de um algo pra chamar de seu Vinicius Ladeira 41


Não enxergo mais na escuridão,

Doces amargos I

Só ouço as minhas lágrimas. Meus braços estão frios, Meu corpo está sem calor, Meus passos não saem do lugar, Minha voz tem um som cinza...

Doce loucura entre as minhas mãos quão frio eu fora ao abraço teu negar-te afago amor que assim nunca tive e desde então perdi névoa púrpura no meu ser destemido alegrar-se e o livre que voando se despede longe de algo que nunca se viveu doce loucura entre meus dedos foge nas pontas da minha unha e se perde no tmepo que enferruja meus pregos

Bastou você chegar para transformar o que eu não me permito sentir em felicidade Bastou você aparecer para ilmuninar o meu tempo Bastou você me olhar para eu sorrir...

42

...Senti a sua falta...

a ti, amizade? a ti algo que distante guardo em mim...

Bruno Freitas

Luan Assis 43


Doces Amargos II ( Saudade ) Provei de tua volúpia, carnosa prazerosa morte Morreram paixões antigas e só a tua sobrou me dera tanta saliva que como vida saliva era seiva da vida Beijando-me o corpo suavemente agora sinto mesmo que longe, longe se foi ave rara! Será que dor ausente que tua falta causa passará? Provo de toda a boca que me chega, e nada sinto como louco, desvario na luxúria e entre mil acordo mas a tua saudade amarga-me a boca doce amargo é a saudade que sinto

Nas lágrimas que correm em meu rosto, Está a dor de quem perdi e a solidão de quem me deixou. Olho nas estrelas e procuro uma resposta do porque estou assim e porque essas lágrimas nunca tem fim

Luan Assis de Oliveira 44

Lorena 45


CotidiAnos

46

47


À metros de altura Um paradoxo urbano olhar de longe prédios como um cenário montado por brinquedos de encaixe ouvindo como trilha sonora o canto de pássaros e o som das folhas das árvores com o vento. Me esqueço do frenético pulsar das ruas, a sinfonia de businas, os gritos da feira, a irritação do sol queimando a nuca, que quase tem seu som próprio: um som grave, interminável, abafado. Se torna tudo muito lindo, visto à metros de altura

Vinicius ladeira


Tola. O meu corpo não está atado a mim, por isso não respeita os meus gritos internos por proteção quando me joga para margem do abismo que faz divisa entre lucidez e inconsciência. Eu descia as escadas do metrô, desprevenida, absorta na alienação de refletir sobre tudo que poderíamos ter sido. Indefesa na quimera de estar presa à minha ilha privada, ecoava no meu ser as dores de desprender a essência da carne. Desejei ter a minha face arrastada no chão em um tombo triste, sair toda ralada com sangue na mão, mas não houve mutilação física, no lugar da mesma, ganhei um dos piores tombos: aquele que acontece dentro de nós. Por sorte, me segurei. Daquela vez, eu ia quebrar. Fragmentos meus se espalhariam pelo ar, pedaços soltos ao léu, simplesmente sairiam a voar. Naquele sábado, eu mudei todo o meu trajeto por culpa da chuva; carregava comigo uma maçã companheira pro jantar representante das sobras de um almoço ruim. Minhas roupas molhadas compunham o retrato das mazelas que sofri nesse dia cinza,cheio de trabalhadores quebrando a rua para construírem outra no lugar. Eu me mostrei até transbordar. Você me fez chorar, ou melhor, me 50

deixou chorar. As inseguranças se foram de mãos dadas com o sonho de tudo aquilo que eu teria sido. A leveza de não carregar a bagagem sentimental de outrora é o que me fragmenta. Me desfaço com qualquer brisa. Estou despreparada, esse vazio dói. Minha essência se parte e dói. “Os jovens são tolos”, diz a vizinha do quarto andar. No metrô, eu afirmo: “Os jovens são tolos”. Sábia teoria popular. As executivas do alto de seus sapatos desconfortáveis, que passaram o dia desviando dos buracos de uma cidade tratada com descaso, ao me verem ridícula no metrô, pensam: “Os jovens são tolos”. Economistas que vivem para fazer o dinheiro alheio crescer, os pedreiros que destruíram a rua esburacada para a executiva pisar, o pai de família que vai sofrer um AVC semana que vem, o professor demitido por sair com uma aluna e todos os outros, me olham para concluir: “Como os jovens são tolos!”.

Paula Amparo 51


52

Sem pulso

Cinelândia.

Acordou Arrumou Escovou Lavou Penteou Vestiu Abriu Saiu Entrou Olhou Trabalhou Sorriu Pensou Saiu Chegou Chorou Amoy Parou ...

Ah, os vendedores de pipoca do centro! Vamos ovacioná-los, amigos Pela manteiga, o açúcar e o carinho.

Luan Assis

Paula Amparo

Carinho que faz parte do nosso carinho, do nosso cantinho Com nuvens sobre nós, e para nós Essas só querem nossa paz Sentados no banquinho Inúteis, imóveis e suspensos. Pelo dia todinho Pela vida todinha Nada, nadinha Enquanto a pipoca durar.

53


Graças a Deus foi um sonho e nada mais

Tarde Laranja

Era a cidade, era meu domínio, era nublado, era minha natureza, era um noticiário, tinha certa beleza, pois era pro povo, era com o povo, era na praça da bandeira, foi a mobilização nacional, foram os heróis da nação, foi meu presente, era a aberração da realidade, a campanha de doação de sangue que alimentava um sistema doentio do servidor público de sugar e sugar cada vez mais litros e litros do cérebro brasileiro.

Animados cachorros brincam no parque Você arrumou tudo tão bem A toalha colorida estendida pela grama Os sucos e torradas parecem sorrir O sol preenche meu espírito Eu respiro o frescor do mato e árvores Os risos das crianças Será que é domingo? Ou será um sonho? Será que eu morri? Não me reviva então, não me acorde Não deixe que a segunda-feira chegue Suplico que eternize na cor laranja Esta bela tarde laranja

Todas normas de limpeza e proteção abolidas das práticas, era Brasil, era em massa, eram filas de pessoas, era a militância pintando o concreto de vermelho. Foi então ao plano americano a enfatizar o rosto do branco mente aberta, com um buraco na testa mostrando suas carnes. Orgulhoso: “eu perco a cabeça pelo meu País” e eu acordei.

Vinicius Ladeira 54

Luan Assis 55


Jornada nada mais que cotidiana Lá vem ele, com seu frescor e iluminação itinerária. Pelo encremento, meu troco de bala é útil para desfrutar dessa competição nada mais que cotidiana, mais útil até que meu “boa noite” ignorado pelas explicações de localidades, liberações de catraca, jornais lidos e relidos acumulados em um só ser, entediado de reparar na troca de outdoors tão rotineiros quanto passar a marcha. Ligeiro, calculara o quão longe o troço poderia parar, assim, entraria primeiro que os adversários e garantiria as medalhas do comodismo. Bronze ao banco modesto e discreto, prata ao acento mais alto, ouro ao tão cobiçado controle sobre ela, que é a mais paparicada do nosso querido e invejável transporte coletivo: a janela. Aos retardatários, o prêmio de consolação depende da solidariedade, disposição e modestia dos campeões, que hesitam em oferecer ajuda com as bolsas e mochilas colocando-as no colo, sendo esse o mérito para consolar os perdedores. Durante a viagem, jogos são bem vindos. Meu preferido? Uma prova de resistência onde devo te encarar por tempos sem desviar os olhos. O que parece tão fácil, praticando não é tão simples assim, pois vc percebe as temíveis expressões bruscas e saturadas de um dia de 56

trabalho. Quando esses olhos lhe percebem com seu joguinho lançam bombas oculares, e se você não for tão forte, é bom desviar sua reta dessa visão incômoda. Meu destino: minha casa, meu banho quente. Estou cruzando a porta, me lavarei dessas impurezas da cidade, elas e os detalhes dessa jornada nada mais que cotidiana se esvairão junto d’água que antes estivera em minha cabeça, ambos em minha cabeça. E ao acordar amanhã estarei pronto para mais um capítulo inútilmente detalhado de minha rotina. Mas agora ainda estou girando a torneira, e dos meus pés, escorre para o ralo as primeiras gotas

Vinicius ladeira 57


Tributo aos domingos de paz. Hoje eu só vou acordar às 16 horas, sem despertador, grata. Os poucos barulhos que vou ouvir são os da minha mãe na cozinha e aquele odor bom de alegria mista com feijão, ao levantar a magia já haverá sido conjurada: lasanha, feijão, arroz, carré e salada. Vai me dar uma puta vontade de ouvir Caê, pouco a pouco vou estar gritando que vou junto com o digo cujo enquanto me lembro, que o sol nas bancas de revista me enchem de alegria e preguiça. Depois com Vínicius vou perguntar “Onde anda você?”, vou comer e ficar bem. Verei os gatinhos, cachorrinhos, subcelebridades, a rainha dos baixinhos e outras coisas estúpidas que meus amigos vão compartilhar nas redes sociais. Porque eu estarei bem, eu realmente ficarei bem, tão bem que vou resolver limpar o ventilador. Meu pai verá essa tola criança indo para o quintal carregando o cacareco sujo armada de paninho velho, a força que rege os adultos a criticarem tudo o fará levantar do sofá para ensinar toda a engenharia de limpar, todavia irei ignorá-lo (“E lá tem receita pra limpar ventilador?”), minha juventude tomará um tapa na cara quando eu perceber que mesmo depois de desmontá-lo para passar o pano, a insistente poeira continuará lá e eis que decepcionada com toda a palhaçada surgirá o momento ideal para a gargalhada gostosa do meu pai dominar o ambiente: 58

“Você tem que passar uma esponja com detergente ou então a gordura não solta”. Sábio papai, eu irei até a cozinha e terminarei o serviço. Terei o ventilador limpo, a cadela no sofá e o meu livro. Vida boa, boa vida.

Paula Amparo 59


Dias legais com pessoas legais Eu não sou uma pessoa muito sociável, não conheço muita gente e nem sempre as pessoas com quem eu saio são meus amigões de verdade, são só amigos pra me divertir. Mas tem aquelas pessoas que são essenciais em todos os momentos. Seja na alegria e na tristeza (aturando meus dramas ou dando muita risada), na riqueza e na pobreza (comprando esfiha e latinha pequena de coca porque é mais barato ou comendo um mcdonalds decente), etc. Com elas realmente o que importa é a companhia, nunca é incômoda e fazem o lugar mais chato ser o mais engraçado. Fazem 1 hora dentro de um ônibus passar rápido demais e você ficar triste por já estar perto de casa. Fazem uma música soar tão mais legal do que ela é quando você a escuta sozinho. Fazem um pôr-do-sol ser só um coadjuvante no cenário. Fazem você rir com ‘asougue’ quando antes estava nervosíssima pra fazer uma prova. São aquele tipo de pessoa que você não precisa ficar pensando se um evento vai ou não ser legal, estar com elas nunca tem contras, só prós. E que você pode fazer planos mirabolantes que ao invés de rir da sua cara, elas vão mais além que você. E te conhecem tão bem que são capazes de saber como você vai agir em cada situação, e tem todo o direito de reclamar quando você está fazendo algo errado. 60

São aquelas pessoas com quem seus dias são sempre perfeitos, garantia de lembranças que rendem mais sorrisos depois. E se você leu isso tudo e não conseguiu pensar em ninguém, malz ae. Eu tenho sorte em ter alguém assim por mais um ano. E mais um monte, espero.

Janine Magalhães 61


Cerveja, Sexo e Alice Alice Hoje está impaciente Alice não consegue dormir Alice desiste de seguir o coelho branco, e come ovos de páscoa entediada Alice suspira debruçada nos joelhos, enquanto a tarde de trabalho passa despercebida Ela pode girar o mundo, ela pode sair do buraco, ela pode inventar maneiras de tornar o seu dia menos chato

Alice veste a calcinha e desce o elevador Alice tenta disfarçar com um riso sua dor e pensa “Alice sua tola, caralho! está atrasada para o trabalho”

Alice levanta animada Alice enfrenta multidões no metrô Alice se perde nos atalhos para o destino em busca do amor Alice perde a cabeça e nem precisaram mandarem cortá-la Alice se entrega à perdição, tomando baldes de cerveja com um jovem bonitão Alice acorda acabada Alice enfrenta o braço do bonitão adormecente e pensa “Mas puts! que atitude adolescente” 62

Luan Assis de Oliveira 63


Melô Percebeu que é limitado. Escreve. Riu da piada sobre tomates. Escreve. O Sol é bonito na quarta-feira de cinzas. Escreve. Triste é o metrô aos sábados. Escreve. Pegou na caneta. Escreve. Tira esse peso de você e escreve.

Paula Amparo 64

Sobre liberdade, aplausos e falta de criatividade De ser livre já gritam, já pedem. Mas antes quero que olhe pra si e questione qual sua liberdade. Quer a liberdade de padronizar? Quer ser livre para poder privar-te de seus prazeres? A alegria alheia te priva? Talvez seja bom dizer que o motivo da liberdade é ser feliz. Sentir-se bem com a diferença, berrar silenciosamente sem ser crucificado, se demonstrar sem querer aplauso. Aplausos esses que tão cobiçados levam a loucura, aplauso esse que busco e você também, que cada vez mais sofisticado torna nossa alternativa a liberdade. Um ciclo vicioso contraditório. E requisitando a liberdade, coloco um ponto final, deixando a conclusão livre para ir aonde quiser.

Vinícius Ladeira 65


Amiga osga. Uma lagartixa vive em minha cozinha, grande companheira. Embora tenha passos rápidos e certa aversão a luz que acendo inesperadamente incomodando a sua paz nas madrugadas, ela é serena, diria até simpática. Sobe pelas paredes, chegando a desafiar as leis da gravidade em seus dias de mais ousadia quando resolve andar pelo teto. Soube, que isso tem a ver com as forças de Van der Waals, o que me fez esquecer aquelas ideias sobre elas terem em suas patas qualquer coisa pegajosa que costumamos a associar aos répteis. Ela não é pegajosa; a acho incrível por sua vivacidade, sempre quis andar pelo teto também.

Nunca fala ou incomoda. Se eu peço um pouco de paz, ninguém aqui em casa o dá: o cachorro se põe a latir, minha mãe a falar e meu pai reclama das contas que precisa pagar. É bom ter alguém que não quebra a harmonia do silêncio com comentários desnecessários a respeito do imposto de renda ou sobre fulano que não devolveu o CD do Roberto Carlos. Quando estou irritada com as mazelas da vida, ela lança aquele olhar expressivo que carrega um belo: “Nem te ligo, Belico” e me ignora. Amiga engraçada, não é afetada pelas as minhas variações de humor e por isso me aguenta por todas essas noites sem muito o que esperar do dia que virá.

Gosta de geladeira tanto quanto eu, a diferença é que eu curto o que tem dentro, ela o que tem embaixo. Nunca diz nada a respeito dos meus passeios furtivos após 3 da manhã à cozinha e nem julga o meu costume de comer macarrão em horários que diz a lenda não serem propícios para comer macarrão. Ela me poupa de vê-la enquanto faz as suas refeições, não sei o que de fato são, desconfio que sejam algumas aranhas desavisadas que passeiam por ai. Paula Amparo 66

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Mel

Mudante

A manhã nasce com o sol Com o doce azul da imensidão Desse anil que é o céu de aurora Que não deixo ir embora.

Fazer as malas Mudar de rumo Irei ver se me aprumo Nesta nova forma de prosar

Em matas virgens Deleito-me do mel Saboroso e gostoso Como a vida Que deixa muito mais fácil a lida.

Posso me hospedar no lero Uma vida nova é o que eu quero Distante do velho, e das falsas ambições Deixei corações para trás E isso no fundo me deixa em paz pois ainda existo na lembrança e OLHE! não sou mais criança no berço não pretendo mais ficar Não olho para trás com pesar Ao destino entrego às falas no meio da estrada, sozinho e com malas

Luiz Henrique Lemos 68

Luan Assis 69


Rotina Cinza

Parasita

Acordo e olho o espelho, espelho cinza Abro o chuveiro e a água, água cinza Visto-me, e roupas, roupas cinzas Saio à rua, puts!...rua cinza Espero ao ponto de ônibus, ônibus cinza Entro no ônibus, vejo pessoas...que pena, pessoas cinzas Chego ao meu destino...que lástima! Destino cinza Paro e vejo o quanto a vida, vida é cinza Cinza que rotina! Rotina cinza... Pergunto-me o porque de cinza... Antes de entrar em chamas era feliz cor Mas do resto queimado cinza sobre

Todos os passos corridos das avenidas centrais são providas de um sentimento que bloqueia os outros. Um sentimento que (por mais paradoxo que isso seja) inibe a ação dos outros. Aquele que é mais fatal que o ódio, que é bombardeado pela atenção, inimigo mortal da alegria: a indiferença.

Sobra cinza...

Abundante nas relações profissionais, ela corrói nossa rotina, transformando o universo em um conjunto de mundos particulares, limitados, pessoais e intransferíveis. Nos tira toda a atenção ao próximo, não deixa nos comovermos com os outros e seus problemas, ignorando-os. Parente próximo do egoísmo, a indiferença nos retira todo o impulso de tentar ajudar as pessoas. Característica principal dos seres-humanos urbanos, que em sua maioria é capaz de ver um velho fraco tentando surfar nas sacolejadas do ônibus e não se levantar para aliviar as pernas do homem que mal sustenta seu próprio corpo. Sentimento nada sentimental responsável pelo estupro, corrupção e várias outras proezas que esse animal é capaz de cometer contra seus semelhantes.

Luan Assis 70

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Nenhum de nós é tão bom e mentiroso o suficiente para demonstrar imunidade à esse parasita presente em tantas atrocidades da história. Presente no nazismo: indiferença aos entulhos de corpos sem alma. Presente no Vietnã: Indiferença aos gritos horrorizados ao ver e sentir a chama de Napalm impregnada nos poros inocentes. Presente na humanidade: indiferença às dores, aos gritos, às mortes, às lágrimas, à fome, à esperança. Indiferença à vida. A indiferença se apresenta em várias proporções, podendo causar, através do homem, desde a morte de uma criança com dengue esperando a três dias ser atendida num hospital público até um planeta revoltado contra os abusos egoístas de uma raça que só pensa em si. Uma praga que vai nos consumir pouco a pouco até não sobrar nenhum de nós: Então a Terra poderá se ver livre desse parasita que não poderá recorrer a ninguém para se alimentar e sobreviver.

Vinícius Ladeira 72

Rotina 2 Água de ar condicionado nos sorvetes, engravatados quebrando os pescoços em busca de traseiros, o democrático cheiro de merda, e aquele bueiro na Buenos Aires que certa vez cai. mesmo assim uma presença vibra nessas ruelas daquela adolescência estranha; um clichê bonito tal como aqueles moços de outrora que reencontro e os esqueço e me esquecem e derreto em torpores nesse calor e nesse tédio que goteja na minha lucidez. encaro esses postes enquanto como tapioca, as luzes vermelhas de neons distantes, os cartazes publicitários mal impressos em plásticos baratos e me revejo, no sentimento de amar essa cidade.

Paula Amparo 73


O Cata-vento e o Girassol

Sobre o Patriarca

Gira no vento um sorriso lento Meu girassol acompanha seu sorriso atento Sem rumo, sem luar nem sol.

Titãs, Rita Lee, Zé Ramalho, eu não sei pai Estamos a 80km/h em ruas suburbanas

Gira ao léu com nuvens no céu Sentindo o palpitar, o alento O colorido do seu cata-vento. Cata-vento, girassol Girassol, cata-vento Que será você sem mim, E qual será nosso momento?

Luiz Henrique Lemos 74

Juntos, fazemos barulho Juntos, gracejamos de tudo Juntos, reis do mundo Aceito ser guiada Coloco os pés no painel do carro O braço além da janela Olhos fechados A vida é pra valer, avisa o rádio Pobre Marvin

Paula Amparo 75


DesAmores

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Ele sentou ao meu lado... Ou sentei ao dele... não lembro... nenhum dos dois reparou. Ele olhava para fora de tudo: de si... da janela... dos outros. Com o olhar fixo, será que penetrava ou acariciava aquilo que seus olhos encontravam? Tinha a impressão que sua visão atravessava tudo de uma só vez, atropelando qualquer camada da percepção, da moral e educação. Não importava o que, mantinha fixos os olhos lá. Esquecia de me ver aqui do lado, esquecido de lhe ver ali vendo o céu que de azul inundado, amarelo iluminado, se cobria de um cinza profundo, gradativo, como se ninguém visse o pequeno buraco de uma tarde de primavera sumir no algodão não tão doce de uma nuvem molhada. Isso o excitava, dava para sentir quando encostava a cabeça para trás e lançava os olhos para cima, onde não me via, enquanto ninguém o via, nem eu.

Vinicius Ladeira 79


Insensível

Ao olhar que me leva

Agora eu quero assim

Irei insistir na minha resistência a te olhar Ele me fascina, me faz perder o ar Insolitamente cantando o luar nesta noite pertenço ao destino e seu açoite que de me iludir e entristecer foi enegrecendo meu viver e quem me dera um dia poder morrer junto ao corpo teu pois só assim ficarei satisfeito que mesmo no purgatório de nossos desejos ainda serei seu

Sem essa reviravolta toda Paixão em vão, à toa, não Agora eu quero calma Um passo de cada Só corpo Sem alma.

Janine Magalhães

Luan Assis


No final, ninguém percebe.

Mail Elegant

Minhas cartas entupindo tua caixa. meus pés descalços na chuva. a chuva molhando as cartas. o silêncio da madrugada. meus paços solitários subindo e descendo a escada. o prédio na chuva. a lágrima na banheira, a gota de sangue no mar. teu amor que ainda é meu, tudo aquilo que não sou mais, tudo aquilo que eramos antes. a tatuagem no peito. o meu desespero. teu enredo nas esquinas, minha lapa, a noite linda, teu paladar e meu pau, tuas mãos e a lua o e que era no inicio.

Mail Elegant Para: © Dean Scary |ORIGINAL| De: Rost Savchuck Para: Dean Scary

no inicio ninguém percebe.

Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos.

as verdades, as mentiras, a saudade da liberdade. a liberdade sem fim. outro rumo. o desconhecido atraente, o veneno e as serpentes, o latejar do peito dormente, a vontade de se encontrar, o fora, o corpo estranho, os pequenos defeitos, os detalhes vulgares. as pessoas ao redor, a lua e o sol, a noite e o dia, a falta de alegria, a necessidade de ser feliz, uma tara, um cigarro após o outro, uma dose de amor, e o tempo além do fim.

Bem, dizem por ai que eu sou boa com as palavras mas… eu não sei o que acontece, quando falo de você, minhas palavras somem, ou melhor, me faltam palavras pra descrer você e o que eu sinto, é… inexplicável.

Não existem príncipes nem princesas. Aprendi com você a encarar o outro de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser. E você trouxe de volta e melhor parte de mim…

- o que se aproveita é sempre o meio. Diógenes 82

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Quando te encontrei e falei com você pelas primeiras vezes, senti meu coração parar de funcionar por um segundo… senti que naquele momento estava nascendo dentro de mim algo diferente, algo que nunca havia sentido antes. E com o tempo fui te conhecendo melhor, todas as tuas qualidades me encantaram, e os teu defeitos também. Afinal Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, o amor é feito de defeitos na maioria das vezes, e eu aprendi a aceitar os teus, eu te amo em tudo, nas suas qualidades e nos seus inúmeros defeitos.

Medo de amar… é isso que atrapalha, medo de se entregar a algo que te faria muito mais feliz, mais em fim, as escolhas são suas, e eu não sou ninguém pra julgar ou querer mudar alguma coisa. Eu só sei que eu te amo e isso eu não posso mudar. Você está dentro de mim, como um veneno, e não tem cura, não tem solução. Desculpa por te amar tanto, e não saber te esquecer…

As vezes algumas pessoas me dizem que sou “boba”, por estar ao lado de alguém que namora com outra e tem medo de encarar o amor de verdade… Mais eu não consigo desistir… tem algo que não me deixa desistir de você e desse amor… Por que algo me diz que um dia tudo vai se resolver. Nada melhor do que o tempo pra curar as feridas, mais não sei se ele vai ser capaz de me fazer esquecer… Eu já cansei de falar mil vezes a mesma coisa, são coisas que eu já falei e não vou repetir… 84

Lucas Barbosa 85


Anjo das artes Que encanto de mulher Que nenhuma aquarela pôde reproduzir Sua grande autenticidade Estava na arte de sorrir.

E se meu coração parar de bater, deixarei eu de amar?

Bruno Freitas 86

Sua força era bruta Seu conhecimento fascinante Da magia da arte Vivíamos a cada instante Oh, anjo das artes Desse mundo partiste Por favor, colore sempre este céu Para que o mundo não fique triste!

Luiz Henrique Lemos 87


Colagem

Nunca Imaginei

Se eu pudesse recortava teu olhar carinhoso, enigmático, penetrante e colava noutro amante

Que o amor fizesse sofre tanto Pois nunca achei Que amaria alguém com tanto encanto

Se eu pudesse recortava teu sorriso sincero, pra que você sorrisse sempre assim e só pra mim Se eu pudesse costurava em outro corpo teus braços, encaixe perfeito pros meus abraços.

Muitas vezes fingi Por ti não sentir nada Mas com o tempo descobri Que estava apaixonada Pensei em te esquecer Mas porque me enganar? Seja como for É com você com quem eu quero estar

Se eu pudesse te montava noutro te fazia novo pra que você só a mim quisesse. Se eu pudesse… Janine Magalhães 88

Lorena 89


Seria Perfeito Sentir sua respiração junto ao meu peito e sentir seu coração Estou por perto sempre que você sorrir e toda vez saber o motivo do que te faz infeliz Ver sua reação quando ler meus sentimentos te mostrar que a inspiração vem de você A cada momento

Lorena 90

Como pode uma cabeça oca encher e esvaziar decidir desistir e mudar de uma hora pra outra?

Janine Magalhães 91


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Desfazer-me contigo

Soneto do Tempo

Pensando no que virá eu roubei meu bem Eu roubei meu bem e afaguei sua cabeça junto ao meu peito Respiramos o último suspiro de decadência e mergulhamos no devaneio Sinto meu rosto suar de tanto correr, e te levar em meus braços Somos fugitivos da realidade Loucos Pintores que destroem obras primas Pintamos de vermelho todas as rosas Borramos de paixão todas as faces insatisfeitas do mundo Eu e você Não estamos perdidos Venha! Corra! segure mais forte minha mão posso sentir seu coração ele quer sair de ti mas não deixarei quero nessa velocidade me fundir a ti meu suor quente e teu calafrio desesperado dois amantes rindo no gargalhar da lua

O tempo, constante tempo Senhor da razão que é trago com o vento. Rodopiante tempo, que gira em mim, sem perceber, me carrega para outro tempo, quem sabe o passado, voltar eu sei que não tento, mas ele vem com o alento, e alerto fico. E sei que o tempo é comigo, No tempo com o vento Sinto que estou contigo. Voa tempo, livre tempo. É o tempo que gira, solta, pira, Dança, alucina, apaixona, ilumina, Goza, ama, enlouquece, Às vezes esquece, Mas o tempo marca, Cicatriz não cura. Simplesmente: TEMPO!

Luan Assis

Luiz Henrique Lemos 93


Enquanto Enquanto cantarem os pรกssaros Enquanto o sol brilhar Enquanto o dia for dia, o meu amor serรก eterno Quando a lua beijar seu rosto Quando a noite fizer morada Quando nossos corpos forem um, seremos para sempre

Brunos Freitas 94

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Ilustrações Demonic Heart - Luan Assis p.12,13 Urban Silence - Luan Assis

p.47

Sem Título - Robert Tavares p.75

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Esta obra foi composta nas tipologias Century, no corpo 12 e Monofur, corpo 24. Impresso em papel alto alvura 90g/m² no sistema Offset da Gråfica da Distribuidora Record

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Crio textos