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MARGENS URBANAS APROXIMAÇÃO ENTRE RIO E CIDADE O caso do Ribeirão dos Meninos

LUANA SAKIHAMA DOBO Trabalho Final de Graduação | 2015


Universidade São Judas Tadeu Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação - Novembro de 2015

Margens Urbanas: Aproximação entre rio e cidade O Caso do Ribeirão dos Meninos

Luana Sakihama Dobo Orientador Profº Gustavo Partezani


Agradecimentos À minha família, pelo apoio e incentivo de sempre. Ao meu orientador, Gustavo, pelo estímulo e troca de conhecimento. Aos amigos de sala, dos quais pude partilhar das diversas emoções cuja arquitetura e urbanismo proporciona. Desde as noites mau dormidas ou sem dormir, às festas pós entregas. Aos amigos da vida que sempre estiveram comigo durante a graduação, mesmo em forma de apoio, compreensão e desabafo. Aos colegas de profissão, pelas trocas de experiências e oportunidades oferecidas. À todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a minha formação pessoal e acadêmica.


Resumo Diante do atual contexto sobre os recursos hídricos de preocupação ambiental e resgate dos bens naturais, o presente estudo tem por objetivo reintegrar o rio às cidades, de forma que haja convivência entre o natural e o espaço criado. A elaboração desta proposta foi embasada em dados históricos, físicos e socioeconômicos referentes ao recorte abordado, enfatizando a Bacia Hidrográfica do Ribeirão dos Meninos, além do método dedutivo, tendo como ferramenta de apoio o levantamento bibliográfico para fundamentação do diagnóstico. Foram constatadas deficiências urbanas que fragilizam o espaço, que se encontra desarticulado; Em contrapartida há positividades que potencializam a área, cujas estratégias de intervenção se

constroem a partir das mesmas A implantação da nova linha 18 do metrô revela oportunidades e transformações no âmbito da mobilidade urbana como ferramentas imprescindíveis para a recuperação do espaço junto às margens do rio, a fim da formação de um eixo estruturador onde articulam-se pedestres, automóveis e as águas.   Palavras-chave: Águas ; Margens; Espaços públicos; Ribeirão dos Meninos; Metrô; Linha 18.


Sumário INTRODUÇÃO 1. AS CIDADES E AS ÁGUAS 1.1 A Sociedade e os rios ................................................................... 14 1.2 Das águas ao asfalto: As ocupações das várzeas ........................15 1.3 Resgate dos sistemas fluviais ........................................................16 2. O RIBEIRÃO DOS MENINOS 2.1 Inserção regional e contextualização histórica ............................. 20 2.2 A escolha do recorte ..................................................................... 24 2.3 Leitura Urbana ............................................................................... 27 2.3.1 Ocupação ......................................................................... 28 2.3.3 Uso do solo ....................................................................... 30 2.4 Mobilidade ..................................................................................... 32 2.4.1 Linha 18 - Uso da várzea como transporte ...................... 34 2.4.2 Infraestruturas .................................................................. 38 2.5 Situação Existente ......................................................................... 42 2.5.1 Implantação ...................................................................... 46 2.5.2 Seção ............................................................................... 48


3. A PROPOSTA 3.1 Seção ........................................................................... 52 3.2 Implantação .................................................................. 54 3.3 Estratégias projetuais .................................................. 56 3.4 Programa ...................................................................... 60 3.5 Referenciais .................................................................. 62 3.6 Estação Goiás ............................................................... 64 3.7 Estação Cerâmica ........................................................ 70 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................ 77 5. ICONOGRAFIA .............................................................................. 79


Introdução Os verões chuvosos do Brasil escancaram a cada ano nossas disfunções urbanas. A atual crise hídrica que afeta principalmente o Estado de São Paulo é mais um dos agravantes para a reflexão sobre as bases urbanas. Vítimas do urbanismo rodoviarista, os rios encontramse mortos e afunilados por vias de caráter expresso, cuja função hoje é o despejo de esgotos. As cidades vivem um paradoxo de enchentes devastadoras e secas. Em virtude deste panorama, o estudo a seguir sintetiza a recuperação das várzeas e a reinserção das águas na vida cotidiana da população, objetivando sua aproximação e permanência. A partir do recorte referente à Bacia Inferior do Ribeirão dos Meninos (situado à leste da

cidade de São Paulo e perimetral ao município de São Caetano do Sul) a pesquisa busca encontrar a articulação das frentes urbanas na divisa de municípios entre São Paulo e São Caetano do Sul, cujo rio se caracteriza como elemento divisor. Resguardadas suas características distintas, ora de uso industrial, ora de fragilidades, ambos negam a frente ao Ribeirão dos Meninos, os quais fazem parte de um território que hoje apresenta carência de urbanização e ausência de infraestruturas que o qualifique. Entretanto, o cenário apresenta algumas potencialidades que revelam a necessidade de intervenção para a consolidação do espaço, como a futura linha metroferroviária 18 – bronze, e a frente fluvial, que proporcionará oportunidades de

articulação, possibilitando a formação de um sistema de redes que englobe as necessidades básicas para uma cidade convidativa e funcional. Deste modo, o estudo visa a apresentação e debate das possibilidades frente à implantação de um sistema de transporte de alta capacidade, no que diz respeito tanto à propensão de reconstrução das frentes urbanas dos dois municípios que detém o rio como divisor, bem como a viabilidade de classificação do mesmo como catalisador de espaços públicos.

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1. AS CIDADES E AS ÁGUAS

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1.1 A sociedade e os rios O rio sempre esteve presente na história como elemento de significativo valor cultural. Para diversas civilizações, sua presença foi de riqueza e poder, em função do grande potencial para produção de alimentos, consumo, energia, mineração, transporte e demarcação de território. As águas se estabeleceram como lógica norteadora de inúmeras civilizações, seja por razões funcionais, estratégicas, culturais ou patrimoniais. Exemplos como a Mesopotâmia, que foi erguida entre os rios Tigre e Eufrates, as cidades egípcias nas proximidades do Nilo, as civilizações greco-romana junto à Bacia do Mediterrâneo e Tibre, as cidades medievais europeias como Londres ao longo do Tâmisa, Paris ao longo do Sena, Viena ao longo de 14

Danúbio, etc. No Brasil, temos como exemplo a própria vila de São Paulo, que quando fundada, em 1554, estabeleceu-se num sítio entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú, que por sua vez, eram próximos aos rios Tietê e Pinheiros. Ainda no Brasil, populações ribeirinhas estão conectadas com rios e córregos devido as suas atividades cotidianas, como lavagem de roupa, pesca, atividades extrativistas, e lazer. “Alguns outros exemplos de cidades ribeirinhas de grande porte como Blumenau, Recife, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre têm nos rios um fator de vitalidade e atração turística, ainda que poluídos ou com suas características físicas alteradas.[...]” {GORSKY, 2010, P.35}


1.2 Das águas ao asfalto: as ocupações das várzeas O processo de urbanização, pós Revolução Industrial, associado à falta de planejamento adequado, contribuíram para grandes alterações das paisagens ribeirinhas e a degradação dos sistemas fluviais. Devido às condições favoráveis para a implantação das ferrovias, por serem planas, as mesmas foram ocupando áreas de fundo de vale junto aos cursos d’água, retificando e desviando seus leitos e desmatando suas margens. Com isso, vieram as indústrias, instaladas próximas aos trilhos para transporte de cargas, e consequentemente instensificando o processo de ocupação. As indústrias trouxeram os operários para as terras baratas e próximas ao local de trabalho. Até a década de 1930, os recursos hídricos, no Brasil, deveriam

ser totalmente preservados, porém com a intensa urbanização, essa politica foi inviabilizada, devido a demanda de terras nas grandes cidades. O alto fluxo migratório advindos da zona rural, na década de 1950, intensificou o aumento populacional das metrópoles, desencadeando um processo de ocupações irregulares nas áreas das várzeas e mananciais, que por sua véz resultou em perda da qualidade de vida, inclusive das águas.

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1.3 Resgate dos sistemas fluviais “A preocupação com os disturbios ambientais vem evoluindo mais significamente a partir do final da década de 1960, com os movimentos e conferências ambientais promovidos desde então.” {GORSKY, 2010, p.27} De acordo com Gorsky¹, no inicio da década de 80, planejadores testaram e desenvolveram princípios e técnicas de intervenção paisagistica que visavam um equilíbrio ecológico, como uma espécie de renascimento urbano e social, cujo aposta na diminuição da ênfase dada ao automóvel como maneira de liberar e regenerar espaços públicos. Durante a década de 90 diversas cidades situadas, predominantemente, nos países desenvolvidos, implementaram planos e projetos considerados modelos, no que diz respeito ao 16

tratamento de sistemas e corredores fluviais urbanos sob o ponto de vista da integração com o meio urbano e com a bacia que se inserem. A recuperação das margens do rio Rhône, em Lyon, França, é um exemplo da revisão sobre os recursos hídricos. Em um trecho de aproximadamente 5km, a leste do rio, onde antes pertencia a extensivas áreas de estacionamentos a céu aberto, em 2007 transformou-se num conjunto de espaços públicos que desde então, proporcionam a região lazer, contemplação e circulação. Além da reaproximação das pessoas com o rio, tais espaços incentivam o uso de meios de locomoção mais sustentáveis, como o transporte público, a bicicleta e o caminhar. Linearmente o projeto consiste

em duas cotas distintas, cuja cota inferior, junto ao nível do rio, é de acesso exclusivo a pedestres e veículos não motorizados, já a cota superior se organiza de uma maneira em que a área de pedestres se aproxima do rio enquanto o tráfego de veículos se posiciona frente aos edifícios lindeiros a orla. A conexão entre os dois níveis se dá por meio de rampas integradas ao talude, e pontos que abrigam escadarias e elevadores ao longo do percurso. A intervenção contempla serviços como postos de saúde, pontos de informação, aluguel de bicicletas, bares, cafés, casas noturnas entre outros. Além de espaços menos urbanizados como áreas pantanosas e ilhotas de sedimentação aluvial marcadas por forte presença de fauna e flora ribeirinhas, seguido de


caminhos para pedestres e ciclistas ao longo do rio, por entre árvores e canteiros, proporcionando maior contato com a natureza e permitindo atividades ligadas a água, como a pesca. Dessa forma o projeto se apresenta de maneira simétrica, onde a área central é mais urbana e as extremidades de caráter natural. Em frente ao centro histórico de Lyon, na área central do parque, consolida-se o ponto mais ilustre do projeto: as arquibancadas com mais de 300m de contemplação ao rio e à paisagem consolidada de Lyon. Ora interrompidas pela Pont de la Guilliotière, que interliga o centro da cidade, as arquibancadas apresentam um cenário especial para eventos, como concertos, projeções e comemorações.

O projeto possibilitou novas articulações espaciais nos sentidos longitudinal e transversal ao rio, ao restituir a circulação de pedestres e ciclistas em escala territorial e ao responder, programaticamente, às demandas das vizinhanças adjacentes a ele.

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2. O RIBEIRテグ DOS MENINOS

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2.1 Inserção regional e contextualização histórica Situado na Região Metropolitana de São Paulo, incluso na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, este importante curso d’água, a leste – sudeste do município de São Paulo contempla os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. É afluente da margem esquerda do rio Tamanduateí, possuindo uma área de drenagem total de 112km², em sua maior parte urbanizada. Tem suas nascentes localizadas próximas ao norte do reservatório do rio Grande, próximo ao Riacho Grande.

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O desenvolvimento da Bacia hidrográfica do Ribeirão dos Meninos é caracterizado pela ocupção industrial ao longo do tempo, devido proximidade à linha férrea Santos Jundiaí. O processo de industrialização concentrado na região do ABC atraiu novos contingentes de migrantes vindos de todas as partes do Brasil em busca de trabalho. Tal fato, evidenciado a partir da década de 1970, resultou numa acelerada expansão urbana, em parte localizada em áreas inadequadas, causando a impermeabilização do solo da Bacia.

1881 1972

1930

2001

Os diagramas a seguir mostram a evolução da mancha urbana da região metropolitana de São Paulo.

Rios Ferrovias Rodovias

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1952


1

Devido a gradativa ocupação das áreas de várzeas, nos últimos 40 anos, observou-se significativa mudança de comportamento hidrológico da bacia, causado pela canalização da maioria de seus afluentes, desenvolvidos entre as décadas de 70 e 80. Com isso, as inundações passaram a ser em períodos menores, causadas por chuvas de curta duração. As imagens ao lado, referentes ao Ribeirão dos Meninos na década de 90, mostram o resultado de um crescimento desordenado e sem planejamento, cujo rio se encontra escondido e sujo.

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2.2 A escolha do recorte Situado à leste da cidade de São Paulo e perimetral ao municipio de São Caetano do Sul, o trecho do Ribeirão dos Meninos aqui trabalhado abrange a parte inferior da bacia, entre sua foz e a Estrada das Lágrimas, percorrendo aproximadamente 3,7km. O perímetro em questão destaca-se por suas fragilidades urbanísticas, apresentando ser uma área subutilizada, cujos potenciais de transformação são interessantes, já que a área contempla de recentes empreendimentos que iniciaram tal valorização. A princípio, a discrepância de usos entre um município e outro foi primordial para uma aproximação entre o tema e o local. Contudo, foi a partir da constatação da aprovação do projeto da linha 18, que a decisão 24

foi confirmada. É através deste modal que a região se articulará ao entorno, atualmente com um sistema ineficaz de transporte público. Em seguida, foi-se descobrindo demais potencialidades do perímetro, dos quais o conjunto foi imprescindível para a conclusão da proposta.


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2.3 Leitura Urbana A desativação de algumas indústrias na região, resultou em diversas áreas vazias ou ociosas próximas ao rio. Atualmente algumas delas foram ocupadas por outro uso, como o Centro Empresarial Espaço Cerâmica, que hoje se estabelece nas terras da antiga indústria Cerâmica. Outras, ainda se encontram sem uso algum, como meros vazios murados na cidade. Através dos mapas de ocupação e uso do solo observase a quantidade de terras ociosas e subutilizadas, ocupadas predominantemente por indústrias, estacionamentos ou equipamentos infraestruturais consolidados, como a SABESP e a Eletropaulo, ou seja, grandes lotes com baixo coeficiente de aproveitamento.

Nota-se que apesar de grandes vazios, há carência de espaços públicos, e as áreas permeáveis existentes não suprem a quantidade necessária.

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2.3.1 Ocupação Ocupado

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N Escala 7:500 50

30

100

200


2.3.2 Uso do Solo Residencial horizontal Residencial vertical Industrial Comércio + serviço Institucional Infraestrutura Área verde urbana Vegetação arbórea Habitação precária Sem uso

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2.4 Mobilidade A questão da mobilidade urbana em São Paulo e na região do ABC está no centro das atenções, com debates diários. De acordo com o IBGE, a região tem atualmente 2.684.066 habitantes, o que corresponde a 102.522 moradores a mais do que o observado em 2012. O aumento populacional é significativo, porém mais do que isso é o aumento da frota de veículos no ABC, que está crescendo de uma forma assustadora. Entende-se que não é necessário investir em recursos viários, pois assim haverá o incentivo para o automóvel. O objetivo é aplicar investimentos na rede de transportes coletivos, formando um sistema que integre ônibus ao metrô e CPTM, beneficiando a população e desafogando as vias. 32

A prioridade aos espaços destinados aos veículos motorizados deixou em segundo plano os espaços de convivência humana, tornandoos escassos. A cidade para o carro inibe o pedestre, formando ruas inseguras e em más condições de uso, reduzindo as possibilidades de encontros. Dessa forma, o percurso e os espaços de permanência públicos devem sem pensados e projetados paralelamente à rede de transportes, inseridos no contexto urbano.


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2.4.1 Linha 18 - O uso da várzea como transporte De acordo com o novo cenário de desenvolvimento urbano, evidenciouse a necessidade de revisão das propostas contidas no estudo para expansão da rede metroviária – Rede Essencial do Metrô, de forma a contemplar as demandas de mobilidade. Desta forma, no ano de 2009 foi consolidado o Programa Expansão São Paulo, que envolveu significativas intervenções da rede metroferroviária de São Paulo. Foi nesse contexto que a linha 18 – Bronze passou a ser contemplada. A linha 18 estabelecerá a ligação entre o Sudoeste da Região Metropolitana de São Paulo (ABCD) com a rede metroferroviária, na estação Tamanduateí na Cidade de São Paulo, que proporcionará novas estratégias de articulação da região 34

e seu entorno, atualmente com baixo uso do transporte coletivo. A futura linha propõe uma extensão de aproximadamente 20 km e 18 estações ao longo de seu percurso, cujo traçado do eixo principal se iniciará na região de Alvarenga, no Município de São Bernardo do Campo, passando pela região central e Paço Municipal, seguindo pelo eixo da Av. Lauro Gomes, na divisa com os municípios de Santo André e São Caetano do Sul, e pelo eixo da Av. Guido Aliberti, divisa entre os municípios de São Paulo e São Caetano do Sul, até atingir a região das Estações Tamanduateí da CPTM e do Metrô, na Cidade de São Paulo. Contudo, a primeira fase corresponde somente ao trecho Tamanduateí – Paço Municipal, com extensão de aproximadamente 14 km


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e conclusões previstas para o ano de 2020. A ligação está prevista para operar com ressaltado grau de segregação, com praticamente a totalidade do traçado em elevado e o trecho nas proximidades da Estação Tamanduateí em nível, partilhando a faixa de domínio ferroviária, contando, ainda, com a tecnologia Monotrilho e as estações elevadas.

As ilustrações acima mostram como se comportará a paisagem após a implantação do monotrilho, segundo a Companhia do metrô. 36


De acordo com o projeto realizado pela Companhia do Metrô de SP, os acessos ao veículo será por ambos lados do eixo, onde o acesso principal se fará a oeste da linha, no município de São Paulo e o acesso secundário a leste, em São Caetano, onde serão previstas passarelas de pedestres cruzando as pistas da avenida Guido Aliberti.

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N Escala 7:500 50

38

100

200


2.4.2 Infraestruturas INFRAESTRUTURA EXISTENTE Viário principal Linha férrea 10 Turquesa Futura linha 18 bronze - VLT Futuras estações da linha 18 Raio de abrangência do intermodal Rios

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N Escala 7:500 50

40

100

200


INFRAESTRUTURA PROPOSTA

Viário principal Linha férrea 10 Turquesa Futura linha 18 bronze - VLT Ciclovia

Futuras estações da linha 18 Raio de abrangência do intermodal Rios

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2.5 Situação Existente O território em questão apresenta carência de urbanização, cujas partes se encontram desarticuladas. As diferentes realidades dos municípios comprovam que o rio se insere nesta paisagem apenas como elemento divisor. Desprovido de infraestrutra que o qualifique, o cenário se mostra ora subutilizado pelas grandes glebas predominantemente ocupadas por galpões industriais, ou mesmo vazias, ora consolidado precariamente, cujas edificações não assumem relações para com a paisagem. Tais questões, somadas à carência de espaços de permanências ou condições para passeio pedonal, faz com que o percurso se torne inibido para o pedestre e passe a ser apenas rota de veículos, já que a região conecta 42

demais centralidades. Na parcela pertencente ao município de São Paulo há predominâncias habitacionais, especificamente HIS, dos quais ignoram a presença do rio , cujo neste caso se comporta como fundo de lote, evidenciando a precariedade do local. À leste do rio, ao lado do município de São Caetano quem se destaca é a avenida Guido Aliberti, de caráter arterial, onde recebe alto fluxo de veículos automotivos, totalizando 7 pistas de ambos os lados. A avenida margeia São Caetano, que interliga São Paulo à São Bernardo do Campo. Como coadjuvante, o Ribeirão dos Meninos neste trecho, assim como nos demais, apresenta-se sob muros, impercptível à paisagem senão fosse seu mau odor. O recorte

ainda conta com a presença da linha de alta tensão, a qual percorre paralelamente ao rio. Em contrapartida, o cenário vem apresentando transformações com a recente vinda do Centro Empresarial Espaço Cerâmica, onde contempla elementos dos quais possuem potenciais para estruturar a região, cumprindo papel urbanístico de equipamento âncora. Além de projetos de transportes modais já contemplados, como ja citado anteriormente, a linha 18 - bronze que proporcionará significativos avanços no âmbito da locomoção.


As imagens mostram o comportamento da paisagem existente, na parcela de S창o Paulo, onde se mostra degradado na margem imediata.

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As ilustraçõs acima retratam a parcela do município de São Caetano do Sul, na Avenida Guido Aliberti. Nota-se o início da transformação do uso industrial devido ao Centro Empresarial Cerâmica.

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As ilustraçõs acima retratam a Avenida Guido Aliberti, no município de São Caetano do Sul, onde evidencia-se a falta de atratividade ao percurso pedonal, inclusive pela dimensão das calçadas.

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Escala 7:500 50

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100

N 200


2.5.1 Implantação existente

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2.5.2 Seção existente

10 05

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20


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3. A PROPOSTA

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SEÇÃO PROPOSTA

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Escala 7:500

N

100 200

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3.3 Estratégias Projetuais A partir do diagnóstico apresentado, foi possível traçar algumas premissas para desenvolvimento do projeto, baseado em critérios urbanísticos, fundiários e paisagísticos, cujo cenário atual apresenta deficiências e fragilidades. As estratégias de modo geral, buscam trazer a escala do pedestre ao decorrer do percurso longitudinal do espaço, com o objetivo de dinamizá-lo e ativá-lo, fazendo com que através do rio, forme-se um eixo de atividades mistas. Diante do cenário atual, cujo rio se encontra como barreira entre os municípios, o partido nasce da lógica de usá-lo como âncora para articulálos. Para isso, a água sempre será cenário e elemento de composição da paisagem.

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O rio como elemento divisor dos municípios

Conexões e facilidades de acesso às margens

Espaço agregador de pessoas, mobilidade mais fluida e aproximação com a água.

O percurso se inicia com o Parque Matarazzo, instalado em 20 ha de terras vazias antes pertencentes às Indústrias Matarazzo. Com sua significante área verde, o parque traz a ideia de se diluir pelo espaço, como se nas demais partes adentrasse vestígios do mesmo. Em sua composição há atividades que proporcionam o lazer, a circulação e a contemplação ás águas, à natureza. Pista de Skate, pista de cooper, ciclovia, quadras poliesportivas, arquibancadas, decks e espelhos d’água, além de serviços de apoio como administração, lanchonetes e cafés formam este elemento que engloba espacialmente o perímetro de intervenção.


PARQUE MATARAZZO

PARQUE LINEAR

Adiante, claramente dividido em três parcelas, o percurso define-se em: municipio de São Paulo, leito do Ribeirão dos Meninos e município de São Caetano do Sul. Diante disso, o desenvolvimento do projeto se dá, de fato, através do aperfeiçoamento do privado e do redesenho do espaço público, a fim de que haja harmonia entre as partes, priorizando a qualidade do mesmo, para usufruto da sociedade.

Assim, na parcela pertencente ao município de São Paulo, característicamente residencial e já consolidado, percebe-se que há predominâncias nas edificações que tratam o rio como fundo de lote, evidenciando o abandono da área. A partir disso, a proposta para reativação da mesma se dá através da implantação de vias locais em determinados pontos, maneira para que as edificações tenham novos

endereços, e as tornem frente do rio, numa nova relação para com o mesmo. Para o rio e suas margens lindeiras foi tomada decisões determinates para o projeto. Em relação a qualidade da água, segundo Gorsky, há de se tomar medidas sobre a preservação das águas doces, a coleta e tratamento de esgoto para controle e filtração da poluição difusa, além da redução do impacto de despejos dos deflúvios. Para isso, há de se proteger as nascentes, não as soterrando nem compactando, e mantendo-as plantadas. Interceptar fontes de poluição por meio da coleta e do tratamento do esgoto e das águas pluviais. Promover a coleta seletiva do lixo e dos resíduos sólidos.

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Sobre a linha 18 - bronze optouse por manter apenas os blocos principais das estações, sendo o embarque e desembarque único e exclusivamente através do bloco localizado à margem oeste do rio. Ou seja, a proposta defende a ideia de que o pedestre, a partir do espaço criado, possa e deva transitar entre as partes, usufruindo das atividades ali sugeridas. Em relação a linha de alta tensão que percorre o recorte de atuação foi tomada a decisão de enterrá-la, já que sua presença impossibilita a fruição entre os eixos, além da poluição visual. Neste caso, foi utilizado o método de aterramento em uma extremidade da linha, conhecido como single-point bonding. Para isso, manteve-se os edificios de apoio à Eletropaulo, a fim do controle geral 58

do sistema. A intenção da orla é abrigar equipamentos e atividades que atraiam as pessoas, trazendo dinâmica à região. A parcela do município de São Caetano tráz consigo boas oportunidades, diferente de São Paulo. É uma região em que já vem conquistando significativas transformações e a ideia da proposta segue a mesma linha de raciocínio. O novo alinhamento viário feito na avenida Guido Aliberti, afasta as edificações da via e cria uma “buffer zone” (zona de amortecimento) equipado com mobiliários urbanos e ciclovia. Para que a região se dinamize e tenha movimento, foi necessário a radical transformação de uso do

solo. As grandes quadras industriais, caracterizadas por galpões e serviços automobilísticos foram substituidas por edifícios de uso misto, e quadras menores, facilitando o percurso do pedestre e potencializando o sistema viário regional, através das novas vias implementadas, já que haverá o adensamento populacional da área. Diante das estratégias de reparcelamento e mudança do uso solo, viu-se a oportunidade da criação de uma nova frente urbana através também do gabarito, onde as quadras frontais seguem com até quinze pavimentos, as centrais até cinco e as traseiras dois.


O diagrama mostra a relação do gabarito entre as parcelas do trecho, conforme adensamento proposto para São Caetano. 59


5

6

2 1

14

5 3

8

7

4

6

7

8

6

5

6

6

9 13

10 11

12

Escala 7:500

50

60

100

N 200

16

15


3.4 Programa Shopping popular

2

Edifício de serviços

3

Edifícios de uso misto comércio + serviço Igreja Matriz Velha -

8

4 Paróquia São Caetano +

praça de entorno

17

8

5 5

1

6

17 20

6

5

Edifício Institucional

6

Edifícios de uso misto residencial + comércio + serviços

7 Apoio à Eletropaulo

6

2

8 Edifícios residenciais 9 10

18

12

19

8

Administração e apoio ao parque Serviços e apoio ao parque

11 CDHU 12 Indústrias 13 Estação Goiás

Edifícios de uso misto

17

8

14 residencial + serviços +

indústrias

15 Praça das águas 16 SABESP

Edifícios de uso misto 17 residencial + comércio +

serviço + inddustrial

18 Estação Cerâmica 19 CEU Meninos 20

Parking Shopping São Caetano


Escala 7:500

50

62

100

N 200


3.5 Referenciais As referências aqui destacadas são ideias dos possíveis tipos de usos para determinados espaços, para que este priorize o encontro e o passeio, dos quais as pessoas se apropriem de forma efêmera.

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3.6 Estação Goiás Prevista em um dos pontos nodais do perímetro, a estação Goiás se localiza à margem esquerda do Ribeirão dos Meninos entre a rua Michel Saliba e a avenida Almirante Delamare. Dentre um dos elementos que compõem a nova paisagem imediata, ela funciona como um equipamento ativador do espaço público e da nova dinâmica que abrange a área, composta de comércios e serviços que a alimentam, além das residências locais mantidas. A estação tem papel fundamental para a mobilidade do bairro, sobretudo na integração dos ônibus intermunicipais presentes no local.

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Apropriação do espaço público em suas variadas formas

Ciclovia integrada com o espaço arborizado.

Mirante para o rio e acesso à estação


0

100

N 65


SEÇÃO GOIÁS

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15m

AMPLIAÇÃO SEÇÃO GOIÁS 1:500

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12m

28m

22m

13m

20m


27m

8m

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3.7 Estação Cerâmica Instalada em outro ponto de conexão entre os municipios de São Caetano e São Paulo, a estação Cerâmica se localiza próxima ao CEU Meninos, mais precisamente em seu estacionamento, ao lado esquerdo do rio, na Rua São Paulo. A estação é interligada ao CEU permitindo a troca de acessos entre si e promovendo a possibilidade de encontros e usos com o equipamento educacional. Sua localização estratégica beneficia os novos espaços que estão se consolidando, assim como os novos empreendimentos do Centro Empresarial Cerâmica, bem como a dinâmica proposta para a área.

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Espaços convidativos que proporcionem o encontro e o estar.

Percurso arborizado na ciclovia, entre a via de transito rápido e a local com térreos ativos

Playgrounds próximos às quadras e ao CEU, promovendo integração de usos


0

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N 71


ERÂMICA

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AMPLIAÇÃO SEÇÃO CERÂMICA 1:500

13m

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9m

16m


19m

19m

15m 23m

11m

21m

24m

6m

6m 16m

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4. referências bibliográficas GORSKY, Maria Cecília Barbieri. Rios e cidades: Ruptura e reconciliação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010. GIRIBOLA, Maryana. Especial Sustentabilidade – A Cidade e as Águas. Arquitetura e Urbanismo. Editora Pini. São Paulo, n. 234. P.18. Ano 28, set. 2013. JACOBS, Allan B. Great Streets. MIT Press. Cambridge, EUA. 331p. 1995. JACOBS, Jane. Morte e Vida nas Grandes Cidades. São Paulo: Martins Fontes, 1997 ALMEIDA, Tammy Evelise Pereira de. Tietê Leste – resgates e permanências. Reurbanização da orla fluvial do parque ecológico do tietê. 2009. 60 f. Trabalho Final de Graduação (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www. metropolefluvial.fau.usp.br/downloads/projetos/GMF_ensino-tfg_almeida.pdf>. Acesso em: Ago/2015. DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica. Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Bacia Superior do Ribeirão dos Meninos (Diagnóstico geral e ações recomendadas).Dez. 1999. Disponível em: <http://143.107.108.83/sigrh/basecon/macrodrenagem/meninos/Relatorio_Meninos.html>. Acesso em: Set/2015.

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5. iconografia p. 7 Imagem aérea do perímetro. Acervo Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul. p.10 Imagem aérea do perímetro. Acervo Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul. p.12 Mapa da cidade de São Paulo, com destaque para os rios. 1922. Acessado em nov/2015. Disponível em: infograficos.estadao.com.br p.14 Mergulho no rio Tietê. 1926. Acessado em mai/2015. Disponível em: almanaqueurupes. com.br p.15 Ocupações em mananciais e áreas de várzea. Acessado em nov/2015. Disponível em: notíciasr7.com Navegação e pesca no rio Tiete. 1905. Acessado em nov/2015. Disponível em: notícias. uol.br p.17WV Recuperação das margens do rio Rhône, em Lyon, FR. Acessado em out/2015. Disponível em: marioceniquel.com.br p.20 Bacia hidrográfica do Tamanduateí. PDMAT (1999) Imagem de sat 78


p.22 Evolução da mancha urbana da RMSP. PDMAT 2 (2011) Comportamentos do Ribeirão dos Meninos no trecho de intervenção. 1990. Acervo pessoal Odair Mantovani - Secretário municipal de mobilidade urbana de São Caetano do Sul. p. 25 Imagens aéreas do perímetro. Acervo Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul. p.32 Mobilidade urbana. Acessado em no/2015. Disponível em: 1 - mobilize.org.br 2- portaldonic.com.br 3- meutransporteblogspot 4- jornalggn.com.br p.34 Trajeto linha 18 - bronze. Acessado em mai/2015. Disponível em: metro.sp.gov.br p.36 Perspectivas após implantação do monotrilho. Acessado em abr/2015. Disponível em: metrodesaopaulo.blogspot.com.br p.37 Implantações das estações Goiás e Cerâmica. Acessado em abr/2015. Disponível em: metro.sp.gov.br Seção prevista após implantação do monotrilho. Acessado em abr/2015. Disponível em: metro.sp.gov.br

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p.62 Arquibancadas de frente ao rio. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com Arquibancadas de contemplação ao rio Rhône, França. Acessado em nov/2015. Disponível em: marioceniquel.com Ciclovia próxima ao rio. Acessado em nov/2015. Disponível em: goldaarquitetura.blogspot.com.br Projeção de filmes ao ar livre. Acessado em nov/2015. Disponível em: catracalivre.com.br Passarela sobre o rio em deck. Acessado em jun/2015. Disponível em: landezine.com Fonte d’água. Acessado em out/2015. Disponível em: landezine.com Parede de escalada. Acessado em nov/2015. Disponível em: viagem.uol. Rua compartilhada com serviços e comércios variados. Acessado em out/2015. Disponível em: theatlanticcitties.com Ginástica no parque. Acessado em nov/2015. Disponível em: blogbarradecereal.com Guarda corpo vazado. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com p.64 Apropriação do espaço publico. Acessado em nov/2015. Disponível em: dotankbrooklin. org

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Ciclovia rotatória. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com Mirante para o rio. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com p.70. Espaços convidativos. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com Ciclovia percurso arborizado. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com Playground. Acessado em nov/2015. Disponível em: landezine.com

Observação: As ilustrações e fotografias não listadas aqui são de autoria própria.

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TFG | MARGENS URBANAS: Aproximação entre rio e cidade