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CENTRO

ACOLHIDA [SP]


Trabalho Final de Graduação apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)

CENTRO

ACOLHIDA [SP] A Reintegração coletiva

Inserção social, cultural e econômica dos refugiados em São Paulo

Luana Bueno Peris Orientadora Fabiana Stuchi

São Paulo 2017


“...os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se...” (Cf. Laudato Si› n. 205)


AGRADECIMENTOS

Trabalho dedicado aos meus primeiros professores da arte da vida, meus pais: Leandro e Eliana, responsáveis não apenas pela consolidação desta formação, mas também pelo apoio e incentivo diário desta jornada. Ele, carpinteiro, me ensinou a construir sonhos com as próprias mãos. Ela, jornalista, me ensinou a carregar em poucas palavras grandes emoções. Agradeço também aos meus irmãos Leliana e Leandro, arquitetos, que foram meu espelho e meu norte em todo percurso. A minha orientadora, Fabiana Stuchi, fundamental para a existência deste trabalho, pela qual construí uma relação de respeito e admiração. Aos meus colegas e amigos de faculdade, que se tornaram companheiros

da

vida.

Aos mestres que dividiram conosco toda sua sabedoria e intelecto. E principalmente, aos refugiados de toda parte do mundo. Registro neste trabalho minha transição de telespectadora oculta a intercessora de seus direito.


ÍNDICE

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CAPÍTULO 1 – O TEMA

CAPÍTULO 2 - HISTÓRICO E DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

CAPÍTULO 3 – REFERÊNCIAS

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CAPÍTULO 4 – O PROJETO

CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

CAPÍTULO 6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


INTRODUÇÃO

O enfoque deste trabalho são os refugiados de

grande ruptura cultural e geram uma imagem negativa

diversas partes do mundo que cada vez mais ganham

onde chegam:

visibilidade na imprensa e na mídia diante do cenário mundial

que esta população acabe em subempregos e subáreas,

que se encontram de perseguições, guerra, pobreza, dentre

marginalizados em total situação de descaso.

outros fatores de vulnerabilidade e risco.

Em busca principalmente de proteção, refugiados

Paulo é a sua população flutuante que ocupa as ruas

procuram o Brasil para restabelecerem suas vidas. A cidade

durante o dia em um movimento intenso, e após o horário

de São Paulo por ser uma grande metrópole, acaba por

comercial a área sofre um esvaziamento. Trazer moradia

recebê-los em maior quantidade, já que há grande oferta de

para esta região, tem como função trazer vitalidade, já que

empregos e oportunidades.

os moradores ocupam as ruas vinte a quatro horas por dia.

Desde sua fundação até os dias atuais, a cidade

Além dos moradores equipamentos como comércio, bares e

de São Paulo tem um alto fluxo migratório, abrigando

restaurantes fazem com que essa ocupação se estenda para

descendentes de diversas etnias e sendo o destino de

as calçadas.

diversas imigrações e migrações de pessoas em busca de

melhores condições de vida. Em alguns bairros os traços

para o público de refugiados, o projeto possui apartamentos

destas imigrações são mais evidentes, como a concentração

destinados a aluguel social, um modelo de habitação social

de italianos no bairro do Bixiga, asiáticos na Liberdade,

que visa suprir o déficit habitacional da região central.

o fenômeno da xenofobia¹, fazendo com

Um dos principais problemas do centro de São

Além de todos programas e equipamentos voltados

Paraguaios e bolivianos nos bairros do Pari E Brás e Judeus na região do Higienópolis e Jardins.

A proposta deste trabalho de graduação é projetar

um espaço que possa recebê-los, abrigando-os, capacitandoos e inserindo-os na nossa sociedade e cultura. Estes usuários são de alta complexibilidade, já em sua maioria não são fluentes da língua portuguesa, necessitam de lares temporários, tem grandes traumas psicológicos, tem uma

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1. Aversão ou rejeição a pessoas ou coisas estrangeiras, temor ao incomum ou estranho ao seu ambiente. (MICHAELIS - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa)

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TEMA


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1.1. CRITÉRIO DE ESCOLHA DO TEMA E DA ÁREA DE

PROJETO

processo de degradação e desvalorização ao longo da

A escolha do tema “Abrigo para refugiados”, nasceu gradual e progressivamente à medida tomei conhecimento do assunto. Impossível ficar insensível diante os noticiários que abordam o tema – deparamos diariamente com notícias de refugiados homens, mulheres e crianças que foram banidos de seus países, em sua maioria, afugentados e amedrontados com a barbárie que batem às portas de suas casas, ora em forma de guerras (em sua maioria), ora perseguições e que fazem com que estes se joguem pelo mundo em busca de melhores condições para salvarem suas vidas e de suas famílias. O pedido de socorro é nitidamente estampado nos olhos de cada refugiado, são seres humanos que se arriscam em busca da sobrevivência, e mostrar que de alguma forma através da arquitetura é possível amenizar o sofrimento e qualificar este processo de adaptação, é algo encantador. O trabalho batizado de “CENTRO acolhida || SP” trata não só da questão da acolhida dos refugiados, mas também do centro de São Paulo, minha cidade natal.

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Embora o centro de São Paulo tenha sofrido um

segunda metade do século XX, a área continua sendo um setor privilegiado da cidade, servido com a presença de órgãos do governo, patrimônios históricos, equipamentos culturais, espaços públicos e principalmente, de ampla oferta de empregos e amplo serviço de transporte público.

Além da rica mistura de uso, de diferentes

populações e de toda a infraestrutura urbana, o centro também pode ser visto como um espaço democrático, sendo palco de celebrações e manifestações, políticas, culturais, sociais e artísticas. Assim, possuindo todo suporte que um refugiado poderia buscar em uma cidade.

Durante minha formação no curso de arquitetura

e urbanismo não fora proposto o exercício de trabalhar projetualmente o centro desta cidade, tão fascinante por estes fatores já acima descritos, fazendo com que nascesse esta ânsia de projetar ali. Portanto, resulta da fusão destas duas vontades, o centro de acolhida ao refugiado no centro da cidade de São Paulo.

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1.2. CONCEITOS _REFUGIADO: conforme Art. 1º da Lei Nº 1997/9.474, será reconhecido como refugiado todo indivíduo que: I - devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não queira acolher-se à proteção de tal país; II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde antes teve sua residência habitual, não possa ou não queira regressar a ele, em função das circunstâncias descritas no inciso anterior; III - devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país. _MIGRANTE: indivíduo que se desloca de sua região de origem para outra em busca de melhores condições de vida, não por causa de uma ameaça direta. _IMIGRANTE: indivíduo que entra em outro lugar, também sem ameaça direta. _SOLICITANTES DE REFÚGIO: de acordo com a ONU são pessoas que solicitam refúgio em um pais, mas que ainda não teve seu pedido deferido. _DESLOCADOS INTERNOS: também conhecidos como refugiados internos, os mesmos se deslocam dentro do seu próprio pais pelo mesmo motivo de um refugiado, mas sem cruzar fronteiras internacionais (ONU). _RETORNADOS: refugiados e solicitantes de refúgio que retornam voluntariamente a seu país de origem (ONU). _APÁTRIDAS: segundo a convenção de 1954 sobre o estatuto dos apátridas define o termo apátrida a toda pessoa que não seja considerada por qualquer Estado, segundo a sua legislação, como seu nacional. _MIGRANTES INTERNACIONAIS: pessoas que vivem fora de seus países, mas ao contrário dos refugiados, estes escolhem viver no exterior por motivos econômicos, e não para garantir seus direitos e sua liberdade (ainda que muitos tenham sido obrigados a migrar por viver em condições precárias). _MIGRANTE INDOCUMENTADO: todos aqueles em situação irregular, não possuindo de documentos que autorizam a residência no Brasil. _EXILADOS: Individuo que fora enviado para fora do pais contra sua vontade pelo governo, podendo retornar à nação apenas através de uma autorização.

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MIGRAR [do latim migrare] 1 v.int. passar de uma região para outra. ²

2. Definição Michaelis (Moderno Dicionário da Língua Portuguesa) Centro Acolhida || SP

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1.3. CENÁRIO DE REFÚGIO NO BRASIL

No cenário de intolerâncias, guerras e perseguições

que o mundo se encontra, cada vez mais pessoas deixam seus países para se refugiar em outro local. Dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) contabilizam 65,6 milhões de pessoas em 2016 forçadas a deixar seus locais de origem por diferentes tipos de conflitos.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a

legislação brasileira sobre o refúgio é considerada uma das mais modernas, generosas e abrangentes, pois contempla todos os quesitos de proteção internacional do refugiado e foi escrita sob a ótica dos direitos humano. De acordo com a Polícia Federal 9552 pessoas de 82 nacionalidades distintas já tiveram sua condição de refugiadas reconhecida no país. “O Brasil tem generosamente recebido migrantes e refugiados por décadas, e tem feito isso com respeito aos seus direitos e à sua dignidade humana. Em um mundo onde refugiados e estrangeiros são com frequência estigmatizados e marginalizados devido ao racismo e à xenofobia, nós temos muito que aprender com

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Concentração de solicitantes de refúgio no Brasil (2013) Fonte: CONARE

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a positiva experiência brasileira em relação aos refugiados.”

serve como documento de identidade no Brasil. Com este

Angelina Jolie, então Embaixadora da Boa Vontade do

protocolo o refugiado tem direito a obter a Carteira de

ACNUR, em 2010, para prefácio do livro “Refúgio no Brasil:

Trabalho (CTPS) e Cadastro de Pessoa Física (CPF).

a proteção brasileira aos refugiados e seu impacto nas Américas”.

A partir do momento que migrante chega ao Brasil

é recomendado regularizar a estadia em território brasileiro junto as autoridades competentes, assim é possível acessar com mais facilidade uma série de direitos e serviços como saúde educação e trabalho. Para pedido de refúgio no Brasil o procedimento é feito em duas etapas: •

Solicitação de refúgio na Delegacia da Polícia Federal

ou autoridade migratória na fronteira •

Decisão proferida pelo CONARE (Comitê Nacional

para

Refugiados)

Desde que é solicitado refúgio no pais, é gerado

um protocolo provisório com validade de um ano, que

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1.4. DADOS Perfil dos Solicitantes de Refúgio no Brasil em 2016

Solicitações de Refúgio por Ano

Solicitações por Faixa Etária

Solicitações por Gênero

Fonte: Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

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Perfil dos Solicitantes de Refúgio em São Paulo no CRAI entre 2014 e 2015

Moradia

Escolaridade

Fonte: Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes

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1.5.

CENÁRIO DE REFÚGIO EM SÃO PAULO

sobreviver, trabalhando em condições sub-humanas, sendo,

A cidade de São Paulo por ser uma grande metrópole

portanto, uma analogia à escravidão. A ausência de políticas

e oferecer vasta oportunidade de emprego, recebe um

públicas adequadas faz com que, até os dias atuais, ocorra a

grande contingente de refugiados, que encontram na cidade

exploração destes imigrantes não apenas em São Paulo, mas

condições para restabelecerem suas vidas.

em todo Brasil, deixando milhares de pessoas em situação

vulnerável.

Segundo dados da CONARE e da ACNUR, São Paulo

é o estado brasileiro que recebe os refugiados em maiores

números, totalizando %26 do total de solicitações brasileiras,

da população paulistana era composta de escravos segundo

seguido pelos estados do Acre (%22), Rio Grande do Sul

o livro “Brancos e negros em São Paulo”, de Florestan

(%17) e Paraná (%12).

Fernandes e Roger Bastide. Embora a cidade tente camuflar

o passado ligado a escravidão, esta memória persiste pelas

Os dados anteriores (pág. 16 e 17) mostram que a

Na metade do século XIX, aproximadamente %30

maioria dos refugiados ingressam no país sem qualquer tipo

ruas mostrando o que tenta ser esquecido.

de renda, e embora possuam, em sua maioria, alto nível de

escolaridade, acabam em subempregos para conseguirem

escravidão rural que conhecemos por estar sempre sendo

sobreviver. Porém, se soubéssemos aproveitar esta mão

revividas em novelas e filmes de época. Os escravos urbanos

de obra, que é qualificada, em prol da nossa economia, a

eram cozinheiros, cocheiros, sapateiros, pedreiros, entre

cidade poderia ter ganhos econômicos, assim como afirma a

outros.

pesquisadora americana Leah Zamore:

“É uma forma diferente de usar os escravos. Não é o escravo

“Os refugiados trazem capital humano, ideias e habilidades

preso na senzala. São escravos que circulam o tempo todo pela

que os moradores locais podem não ter, aceitam trabalhos que

cidade”, conta a historiadora da Universidade de São Paulo

outros não aceitariam, e muitos querem ter negócios próprios,

(USP) Maria Cristina Cortez Wissenbach, autora do livro

criando oportunidades de emprego. E, quando podem, trazem

“Sonhos africanos, vivências ladinas, escravos e forros em

consigo dinheiro, recursos e conexões.”

São Paulo”.

A realidade da escravidão paulista era diferente da

Além da falta de reconhecimento destas qualificações

pelos contratantes, nos deparamos frequentemente com casos de exploração desta mão de obra, onde o “empregado” aceita as condições que os submetem pois precisam

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1.6.

DIREITOS DOS REFUGIADOS

documento de trabalho no Brasil, ele pode ser solicitado por

A partir do momento em que uma pessoa busca

qualquer pessoa maior de 14 anos que esteja em situação

refúgio no país, esta possui os mesmos direitos e deveres

migratória regular (refúgio deferido pelo CONARE e pela

de qualquer cidadão natural do Brasil. Entretanto, a cidade

Polícia Federal).

ainda possui uma dificuldade em atender pessoas migrantes

em serviços públicos, seja pela barreira do idioma, pelo

ser feito em qualquer agência da Polícia Federal mediante

desconhecimento da legislação ou pela falta de apoio técnico

ao pagamento de uma taxa, necessário também estar em

especializado.

situação migratória regular no país.

_DIREITO A SAÚDE

Como estabelece a Constituição Federal de 1988 no

CPF (Cadastro de Pessoa Física): o cadastro pode

Art. 5º:

Podem e devem ser atendidos em quaisquer hospitais e

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer

postos de saúde públicos no território nacional, incluindo

natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros

atendimento psicológico oferecido pelo SUS (sistema único

residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade,

de saúde).

à igualdade, à segurança e à propriedade.”

_DIREITO A EDUCAÇÃO

_DIREITO A DOCUMENTAÇÃO

Direito de frequentar as escolas públicas de ensino

fundamental e médio, bem como de participar de programas

Protocolo de solicitação de refúgio: o documento

que regularizar a estadia do imigrante que solicitou refúgio

públicos de capacitação técnica e profissional.

no Brasil enquanto a decisão é tomada pelo CONARE.

_DIREITO AO TRABALHO

RNE (Registro Nacional de Estrangeiros): o solicitante

Podem trabalhar formalmente e são titulares dos mesmo

de refúgio que teve a sua condição de refugiado reconhecida

direitos inerentes a qualquer outro trabalhador no Brasil.

obtém junto a Polícia Federal um número que é seu registro

_DIREITO A MORADIA

no pais.

Existem na cidade de São Paulo poucos centros de

é o

acolhida, que são espaços com alojamento provisório que

documento físico que possui o RNE, sendo o documento de

oferecem banho, guarda de pertences, dormitório e café da

identificação de estrangeiros registrados no Brasil válido em

manhã. A maioria são para pessoas de rua ou em situação

todo o território nacional.

alta vulnerabilidade, porém o contexto e o programa

se diferem totalmente quando se trata de refugiados.

CIE (Cédula de Identidade de Estrangeiro):

CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social):

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Moradores de rua em sua grande maioria tem problemas

Capacidade máxima: 110 pessoas.

relacionados a dependência química, não tem famílias, tem

Período máximo de permanência: homens solteiros em

graves problemas sociais. Já o imigrante tem dificuldade

torno de 2 a 3 meses, mulheres com crianças 4 a 6 meses,

com a língua portuguesa, tem alto grau de escolaridade e a

mas a assistente social analisa a necessidade individual.

grande maioria está acompanhado de seus familiares.

2017, efetuei uma visita a Casa do Migrante (Missão Paz).

para •

A cidade de São Paulo possui 6 centros voltados o

imigrante,

sendo

eles:

Casa de Passagem Terra Nova

Rua da Abolição, 145 – República Capacidade máxima: 50 famílias. Período máximo de permanência: 6 meses. •

Arsenal da Esperança

Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Mooca Capacidade máxima: 1150 pessoas. Período máximo de permanência: não determinado, cada situação analisada pela assistente social. •

Missão Sclabriana

Rua Teresa Francisca Martim, -201 Pari Capacidade máxima: 200 pessoas. Período máximo de permanência: analisado de acordo com a necessidade individual de cada acolhido. •

Associação Palotinas

Rua Visconde de Itaboraí, 133 – Tatuapé

Para fins de estudo de caso, no dia 18 de abril de A missão paz é uma organização ligada igreja

católica que acolhe e presta atendimento a migrantes, imigrantes e refugiados, embora não envolva nenhuma questão religiosa a seus acolhidos, o que é um fator positivo já que os imigrantes possuem diversas religiões e o centro não as reprimem.

Além de usufruir da estrutura, o centro promove

mutirões para emissão de carteira de trabalho, festas multiculturais,

palestras

informativas,

amparo

social,

profissional e psicológico, atendimento emergencial de primeiros socorros e atendimento religioso para quem solicitar, além de cederem o endereço da Casa para correspondências.

O programa da organização contempla:

Alojamento (110 vagas) dormitórios separados em

duas alas: feminina e masculina.

Capacidade máxima: 80 pessoas.

Alimentação (Café da manhã, almoço e jantar)

Período máximo de permanência: em média 6 meses.

Assistência Social

• CRAI

Aulas de Português

Rua Japurá, 234 - Bela Vista

Sala TV

Capacidade máxima: 120 pessoas.

• Biblioteca

Período máximo de permanência: até 6 meses, mas analisam

a necessidade individual.

• Brinquedoteca

• Rouparia

Casa do Migrante Missão Paz

Rua do Glicério, 225 – Liberdade

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Sala de Reunião

Salas administrativas

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FOTOS DA VISITA

A Casa do Migrante é um anexo da

A organização não permite que os

Os dormitórios estão dispostos ao

Igreja Nossa Senhora da Paz, que foi

refugiados fiquem durante o dia

redor de um jardim central, separados

construida com o intuito de resgatar a

dentro dos quartos, tem hora de

em alas masculinas e femininas.

identidade dos Italianos que viviam em

entrada e saída, para incentivar que

São Paulo.

busquem empregos.

Os dormitórios são compartilhados

Nas salas lecionam aulas de idiomas,

Devido as limitações de permanência

entre 8 e 10 pessoas, no caso das

capacitação profissional, informática,

nos quartos, o pátio externo da igreja

mulheres, elas sempre ficam com os

entre outros. Além de fornecerem

está sempre movimentado.

filhos.

palestras para visitantes sobre a organização.

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HISTÓRICO E DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO


2.1. O CENTRO DE SÃO PAULO E SEU CENÁRIO DE IMIGRAÇÃO

Um dos principais fatores que contribuem para a

riqueza econômica e cultural da capital paulista é a presença histórica de imigrantes de diversas nacionalidades, etnias, culturas e idiomas. São Paulo é conhecida pelo seu multiculturalismo desde os primórdios de sua fundação até os dias atuais. Seus primeiros habitantes eram de origens europeia e indígenas.

A cidade surgiu a partir de uma missão jesuíta de

catequização dos indígenas, na data em que comemoramos a fundação de São Paulo, 25 de janeiro de 1554, foi executada a primeira missa no colégio que funcionava num barracão feito de taipa de pilão, realizada pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, que subiram a Serra do Mar em busca de um lugar seguro para catequização e encontraram o lugar ideal no alto de uma colina entre os rios Tietê, Anhangabaú e Tamanduateí. Existem resquícios desta construção, as fundações feita pelos padres e índios, onde hoje encontra-se hoje o Pateo do Collegio.

A ocupação da cidade ocorreu de forma policêntrica,

com diversos aldeamentos, e fora crescendo conforme enxergavam nela oportunidades, a princípio, geográficas.

O crescimento urbano de São Paulo está fortemente

ligado a dois fatores fundamentais: o ciclo cafeeiro, que

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Hospedaria de Imigrantes do Estado de São Paulo. s.d. Acervo do Museu da Imigração/APESP

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trouxe mão de obra estrangeira (principalmente italianos) e

dificultaram a importação de produtos industrializados,

a industrialização.

fortalecendo assim o mercado interno e, particularmente, a

indústria paulista, que liderava na diversificação da produção

A partir do ciclo cafeeiro, foram criadas inúmeras

ferrovias que interligavam São Paulo e o porto de Santos as

industrial.

principais áreas produtoras de café, a primeira delas foi a

São Paulo Railway.

principalmente do nordeste do pais, devido a necessidade

de mão de obra nas indústrias, que se tornaram o motor

No século XIX, a mão-de-obra escrava foi substituída

Na década de 1940 houve um novo fluxo migratório,

pela mão-de-obra do imigrante estrangeiro, neste período

econômico da cidade.

foi criada a Hospedaria dos Imigrantes (atual Museu da

Imigração do Estado de São Paulo), para recepção dos

quando a industrialização dá lugar para os negócios de

imigrantes na cidade, os quais vinham para trabalhar como

investimentos

mão de obra cafeeira, desembarcando no porto de Santos

assim o ritmo de crescimento e diversificando imigrantes

e chegando até São Paulo através da linha férrea. O abrigo

estrangeiros e migrantes internos.

era temporário, ficavam alocados por alguns dias, até que

seguissem para as fazendas.

sofreu um processo de desvalorização e degradação. O

Instalada inicialmente no bairro do bom retiro

setor de serviços ganhou maior destaque na economia

(1882), a hospedaria mudou de bairro após alguns anos por

paulistana, as indústrias migraram para municípios mais

questões epidêmicas já que a edificação não comportava

afastados e assim foram surgindo novas regiões com

o grande número de imigrantes que chegavam, assim, foi

funções de centralidade e a mancha da expansão urbana

construída uma nova sede no bairro da Mooca em 1886.

fora se alastrando pela cidade, fazendo com que a o centro

Mais da metade dos habitantes da cidade, em meados da

se tornasse apenas um lugar de passagem e não uma área

década de 1890, era formada por imigrantes.

de permanência e de estar.

O processo de deslocamento migratório só diminui financeiros

e

culturais,

desacelerando

Na segunda metade o século XX, o centro da cidade

A crise de 1929 e a primeira guerra mundial,

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2.2.

TENTATIVAS DE REQUALIFICAÇÃO

julho de 2014, sendo uma lei municipal que orientará o

“(...) está presente no vazio urbano a expectativa do novo

desenvolvimento e o crescimento da cidade até 2030.

(...) As áreas residuais são também a presença viva de um

potencial imenso. Da reconstrução, renovação, revitalização,

regulamentar o futuro da cidade de São Paulo, após

mudança. A construção do novo território. Da vida coletiva.

aprovação do novo Plano Diretor Estratégico, foi sancionada

Da metrópole que esta à espreita (...) A arquitetura e a cidade

a nova Lei de Zoneamento em 23 de março de 2016 e

contemporâneas devem ter a plasticidade que as permitam

recentemente a revisão do Código de Obras e Edificações

acomodação às articulações da rede de fluxos, aos terrenos

(COE) em 09 de maio de 2017, que estava em vigor a 20 anos

vagos, à nova dinâmica presente no território desarticulado.”

sem nenhuma alteração ou revisão.

(LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes.

2002, p.39)

projetos são elaborados com a finalidade de recuperação do

Os

últimos

anos

têm

sido

prósperos

para

Paralelamente a estes instrumentos legais gerais,

cidades

centro de São Paulo, área privilegiada da cidade por diversos

brasileiras, fruto do desenvolvimento econômico do país, fez

aspectos, sendo eles econômicos, geográficos, funcionais e

com que em apenas cinquenta anos a realidade mudasse de

históricos. A situação atual da região central é alarmante,

rural para urbana. Tal ruptura não foi acompanhada de um

além dos problemas urbanísticos, as ruas são palco de

desenvolvimento urbano nem social, fazendo com que estes

enormes problemas sociais como a quantidade de cortiços

centros urbanos crescessem de forma desordenada.

em imóveis degradados, tráfico de drogas, menores carentes

Em 2003 o governo federal criou Estatuto da Cidade, uma lei

nas ruas, prostituição e criminalidade, gerando insegurança

nacional que regulamenta diretrizes sobre a política urbana

e medo, problemas estes de saúde pública, da falta de união

e importantes instrumentos e mecanismos para gestão

dos setores públicos de saúde e de segurança em encontrar

urbana brasileira.

uma solução.

O

rápido

crescimento

urbano

das

O Estatuto tem como objetivo a efetivação dos

A tentativa de reversão da situação de desvalorização

princípios constitucionais de participação popular ou gestão

e degradação do Centro de São Paulo é até os dias atuais um

democrática da cidade e da garantia da função social da

desafio para a prefeitura e para os arquitetos e urbanistas,

propriedade. Um dos principais instrumentos é o Plano

que constantemente discutem projetos para a área. Nas

Diretor, obrigatório para toda cidade com mais de 20.000

últimas décadas inúmeros projetos foram propostos,

habitantes ou aglomerados urbanos.

mas nenhum efetivamente aplicado. No mais das vezes, o

O mais recente Plano Diretor Estratégico do

projeto é arquivado junto com o fim do mandato de nossos

Município de São Paulo, foi aprovado no dia 31 de

prefeitos, que tem duração de 4 anos. Formando assim um

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ciclo vicioso de novos prefeitos, com novos ideais e novas

domínio público podem ser a solução: a Medida Provisória

propostas, sem nenhuma eficaz alteração do cenário.

700 e o Projeto de Intervenção Urbana – PIU.

Um dos maiores projetos para a área foi anunciado

A Medida Provisória de 8 de dezembro de 2014,

em 2005 pelo então prefeito José Serra. O Projeto Nova Luz,

estipulou novas regras para a desapropriação, facilitando

tratava da renovação urbana, que seria feita através de uma

assim a intervenção nos imóveis. Enquanto o Projeto de

concessão urbanística. Previa ciclovias, ciclo faixas, jardins,

Intervenção Urbana proposto no Plano Diretor da cidade

melhorias no sistema de transporte, renovação do patrimônio

de 2014, propõe que os projetos sejam elaborados pelo

histórico, recuperação de passeios e praças, bulevares,

poder público ou pela iniciativa privada, objetivando

aumento da oferta de unidades habitacionais, comerciais

transformações

e de serviços na região com a melhor acessibilidade e

e econômicas, estando no poder público a decisão e

infraestrutura do Centro de São Paulo. Porém, o projeto foi

regulamentação da implementação dos projetos.

urbanísticas,

habitacionais,

ambientais

malquisto por pessoas da comunidade desde o início de sua implementação, acusado de ser uma “ação higienista», já que a ação resultaria em obvia valorização dos seus imóveis e, portanto, na expulsão da população local. O projeto após inúmeras contestações foi arquivado no ano de 2013 pelo prefeito Fernando Haddad.

Em setembro deste ano, o então prefeito João

Doria anunciou um novo projeto para a área. Batizado de “Centro Novo”, promete revitalizar o centro com bulevares e duas linhas turísticas de Veículo Leve Sobre Pneus (VLP), além polos de economia criativa e verticalização de áreas. O projeto ainda se trata de um estudo, e possivelmente será mais um projeto utópico para a área.

O que difere o Brasil de diversos países da Europa

que conseguiram reverter o quadro de degradação de seus centros urbanos é, principalmente, o nível de regulação pública da produção urbana. Entretanto, a combinação de dois recentes instrumentos de intervenção urbana sob

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EXPANSÃO URBANA

Planta da Cidade de São Paulo - 1810

Os mapas a seguir mostram o crescimento da Cidade de São Paulo, irradiando do centro para as periferiais.

Região da Santa Efigênia

Fonte: Geosampa

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Planta da Cidade de São Paulo - 1897

Região da Santa Efigênia

Fonte: Geosampa

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2.3. BAIRRO DA SANTA EFIGÊNIA

A área surgiu a partir do loteamento das chácaras

reaproveitadas e transformadas em habitações coletivas e

em torno do triângulo histórico. É chamado de triangulo

de baixo custo.

histórico o perímetro marcado pelas ruas: São Bento, 15 de

novembro e Direita, que marcaram o início da cidade.

parte por cortiços e habitações populares, a “saudosa

A Rua 15 de novembro, era conhecida como Rua

maloca” cantada por Adoniran Barbosa relata esta realidade,

do Rosário, devido a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos

principalmente vivida na demolição das casas populares na

Homens Pretos, que era localizada na atual praça Antônio

Rua Aurora:

Desde os anos 40 a região é ocupada em grande

Prado, onde hoje encontra-se o Edifício do Banespa. Na metade do século XIX, a rua se tornou a artéria econômica

“Si o senhor não está lembrado

do triângulo histórico e a Igreja Nossa Senhora do Rosário

Da licença de conta

dos Homens Pretos foi demolida por trazer para a área

Que aqui onde agora está

inúmeros descendentes de escravos e pobres, o que fez com

Esse edifício alto

que essa população ocupasse outras regiões do entorno,

Era uma casa velha um palacete assobradado

como o bairro da Santa Efigênia.

Foi aqui seu moço

Além do culto a Nossa Senhora do Rosário, esta

população era devota também da Santa Efigênia, estima-

Que eu, Mato Grosso e o Joca Construímos nossa maloca

se que desde 1720 há presença de uma capela na região,

Mais um dia nem quero lembrar

construída com esmolas dos escravos, onde hoje se encontra

Veio os homens com as ferramentas

a Igreja de Santa Efigênia.

O

bairro

possuía

o dono mando derruba uma

população

bastante

Peguemo todas nossas coisas

heterogênea, abrigou desde ex-escravos e imigrantes, até

E fumos pro meio da rua

elites paulistanas. Com o passar dos anos e a mudança das

Apreciar a demolição

elites para bairros adjacentes, a função residencial foi sendo

Que tristeza que eu sentia

substituída pelos usos comercias e prestações de serviços.

Cada táuba que caia

As edificações residenciais dessa elite que se deslocou, foram

Doía no coração” Fonte: Letra Cast

32

Centro Acolhida || SP

TC 2017


Perímetro do triângulo histórico. Fonte: Mapeia SP.

Centro Acolhida || SP

TC 2017

33


Nos anos 60 a região ficou conhecida

e conta com uma população de 56.981 pessoas,

como “boca do lixo”, marcada pela prostituição

numa área correspondente a 2,3 Km², segundo

e o tráfico de drogas nas ruas, além do lixo e da

dados demográficos dos distritos pertencentes

degradação dos imóveis.

às Prefeituras Regionais de janeiro de 2017.

Entretanto

a

ferrovia

atraiu

para o bairro, escritórios de companhias estrangeiras de distribuidoras de filmes e pequenas produtoras e comércio de carros. A diversificação do uso urbano contracena riqueza com pobreza: as escolas e comércio de luxo se misturam entre cortiços, lojas miúdas e populares,

cinema

e

teatro.

A área foi palco do maior núcleo de

produção de cinema dos anos 70, concentrada principalmente na Rua do Triunfo. Além do

O

uso

é

predominantemente

de

comércio e prestadores de serviços, com população heterogenia e flutuante - há grande concentração de imigrantes da Angola, Nigéria e de migrantes internos, como os nordestinos em sua maioria, instalada em hotéis e cortiços.

O comércio de eletrônicos e informática

oferecem vitalidade na vida diurna do bairro, como podemos constatar na Rua 25 de Marco e Rua Santa Ifigênia, porém a vida noturna

eram

continua sendo um desafio, já que enquanto

realizados principalmente na Rua General

não forem efetuadas políticas e projetos para

Osório, onde surgiram inúmeras rodas de

gerar habitações, não apenas de interesse

choro e de samba de São Paulo.

social, mas para diferentes classes, a região

continuará sem vitalidade no período noturno,

cinema,

vários

encontros

musicais

Hoje, o bairro Santa Ifigênia pertence a

Prefeitura Regional da Sé, Distrito da República,

34

Centro Acolhida || SP

causando insegurança e medo.

TC 2017


“...a união entre o passado e o futuro está na própria ideia da cidade, que a percorre tal como a memória percorre a vida de uma pessoa e que, para concretizar-se, deve conformar a realidade, mas também conformar-se nela.” ROSSI, Aldo. Arquitetura da Cidade, pág. 200. 

Centro Acolhida || SP

TC 2017

35


2.4. ANÁLISE DA ÁREA RAIO 1000m PONTOS DE INTERESSE

5_ESTAÇÃO DA LUZ

1_PRAÇA DA REPÚBLICA

2_PRAÇA PRINCESA ISABEL

3 2

3_ESTAÇÃO JULIO PRESTES

6 4

5

7

6_JARDIM DA LUZ

8

7_PINACOTECA

1 4_MEMORIAL DA RESISTÊNCIA

36

Centro Acolhida || SP

8_P. S. CRISTOVÃO

TC 2017


RAIO 1000m PRINCIPAIS VIAS E REDE DE DRENAGEM

CÓRREGO DA LUZ

AV. PRESTES MAIA RIO TAMANDUATEÍ

AV. RIO BRANCO

AV. SÃO JOÃO

AV. IPIRANGA

Centro Acolhida || SP

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37


RAIO 1000m REDE DE TRANSPORTES

LINHA DE ÔNIBUS LINHA CPTM LINHA METRÔ ESTAÇÃO DE TREM ESTAÇÃO DE METRÔ

38

Centro Acolhida || SP

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RAIO 1000m GABARITO DE ALTURA

3 metros

140 metros

Centro Acolhida || SP

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39


RAIO 1000m CHEIOS E VAZIOS

40

Centro Acolhida || SP

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RAIO 1000m ZONEAMENTO

ZC ZEPAM ZEM ZEIS - 3 ZEIS - 5 ZOE ZDE PRAÇA E CANTEIRO PERÍMETRO OPERAÇÃO URBANA CENTRO

Centro Acolhida || SP

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41


2.5. A QUADRA O quarteirão do terreno está compreendido entre as ruas Rua General Osório, Rua dos Andradas, Rua dos Gusmões e a Rua do Triunfo, com aproximadamente 6.430 m². Segundo o PDE 14/16.050 e Lei de Zoneamento 16/16.402, trata-se de uma área de Zona de Interesse Social – 3, área com ocorrência de imóveis ociosos, subutilizados, não utilizados, encortiçados ou deteriorados localizados em regiões dotadas de serviços, equipamentos e infraestruturas urbanas, boa oferta de empregos, onde haja interesse público ou privado em promover Empreendimentos de Habitação de Interesse Social. Além disso, o terreno faz parte do perímetro da Operação Urbana Centro, proposta que foi criada para promover a melhoria e revalorização da área central, afim de atrair investimentos da iniciativa privada, revertendo o processo de deterioração que se encontra. Portanto, para

QUADRA SITUAÇÃO ATUAL

42

Centro Acolhida || SP

parâmetros de ocupação, o coeficiente de aproveitando nas áreas de operação urbana o valor seis vezes a área do terreno. A região escolhida para projeto, possui imóveis com valor histórico reconhecido pelo patrimônio histórico da cidade. O tombamento é analisado caso a caso perante aos órgãos responsáveis, o que faz com que estes edifícios não sejam um empecilho na questão projetual, já que não tem restrições específicas.

MANTIDOS X DEMOLIDOS

Quadro parâmetros de ocupação. Fonte: Site Gestão Urbana

QUADRA COM EDIFÍCIOS REMANESCENTES

TC 2017


2.6. LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO DA QUADRA

A DEMOLIR VAZIO OU SUBUTILIZADO TOMBADOS/RESTAURAR

44

Centro Acolhida || SP

TC 2017


A DEMOLIR VAZIO OU SUBUTILIZADO TOMBADOS/RESTAURAR

Centro Acolhida || SP

TC 2017

45


3

REFERÊNCIAS


PÁTIO BELLAVISTA

O patrimônio histórico e a revitalização urbana

Local: Chile / Santiago Ano: 2006 Arquiteto: Plan 3 Arquitetos

48

Centro Acolhida || SP

TC 2017


O Centro gastronômico, comercial

O projeto restaurou as fachadas das

O programa é desenvolvido em 5 níveis,

e

quadra,

antigas fábricas da quadra e interveio

em algumas áreas em dois níveis acima

principalmente seu miolo, em uma

com novas construções para acomodar

do nível da rua, além dos 3 andares

antiga área degradada no Bairro

o novo programa.

de estacionamento subterrâneo, com

cultural

ocupa

Bellavista.

uma

16 lojas, 8 bares e restaurantes, e 221 vagas de estacionamento.

Centro Acolhida || SP

TC 2017

49


PLANTA PAVIMENTO TÉRREO

50

Centro Acolhida || SP

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CORTES

Centro Acolhida || SP

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51


BIKUBEN KOLLEGIUM

A habitação e os espaços coletivos

Local: Copenhagen / Denmark Ano: 2007 Arquiteto: AART architects Engenheiro: Rambøll

52

Centro Acolhida || SP

TC 2017


Ruptura com o modelo tradicional de

As

em

Cozinhas e áreas comuns são voltadas

habitações com vastos corredores e

um princípio de rotação, com áreas

para um pátio central de forma que

claras divisões entre áreas comuns e

comuns acontecendo pelo trajeto.

consigam ser vistas de todos andares.

unidades

desenvolvem-se

unidades.

Centro Acolhida || SP

TC 2017

53


CENTRE HUMANITAIRE PARIS NORD

Abrigo de refugiados e o programa

Local: França / Paris Ano: 2016 Arquiteto: Julien Beller e Hans-walter Müller (bolha)

54

Centro Acolhida || SP

TC 2017


Com propósito de evitar a formação

O programa é divido em três blocos:

As acomodações estão dispostas em 8

de

a bolha inflável onde o refugiados são

áreas para 50 pessoas. Os quartos de

refugiados pelas ruas de Paris, as

recepcionados; as acomodações que

16m² são para 4 pessoas, com camas,

autoridades

foram montadas dentro de um galpão

roupeiros e tomadas. Os sanitários

cidade o centro humanitário para

de um antigo armazém e um centro

são externos, compartilhados entre 2

refugiados.

de saúde.

quartos.

acampamentos

informais

francesas

Centro Acolhida || SP

criaram

de na

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55


CENTRO DE ABRIGO TEMPORÁRIO

CENTRO DE SAÚDE

capacidade para 400 pessoas

atendimento médico e psicológico

CENTRO DE BOAS VINDAS orientação e encaminhamento

56

Centro Acolhida || SP

TC 2017


CABANAS NO INTERIOR DO GALPรƒO dormitรณrios compartilhados

Centro Acolhida || SP

TC 2017

57


4

O PROJETO


4.1. PARTIDO ARQUITETÔNICO

O projeto é um complexo que pretende

de usos dos espaços, tem o intuito de suprimir

além de fornecer moradia temporária, reintegrar

as necessidades primárias dos refugiados que

o

estão chegando e trazendo em suas bagagens as

refugiado

socialmente,

culturalmente

e

economicamente na cidade de São Paulo.

Localizado no bairro da Santa Efigênia,

o espaço será dedicado para o acolhimento em uma moradia provisória para o refugiado, oferecendo-lhes além da moradia, as ferramentas necessárias para que possam sanar ou ao menos, amenizar as inúmeras dificuldades de adaptação

suas tradições e costumes, mas também, muita insegurança e medo.

Como o refugiado tem direito a todo

serviço público da nossa cidade, a intenção projetual é não criar uma “ilha” e sim dar o suporte mínimo para que os mesmos busquem

e sobrevivência no novo país em que se

os equipamentos na cidade, mesmo por motivos

encontram. Para tanto, essa edificação chamada

sociais de inseri-los e englobá-los no nosso

de “complexo” pelas suas amplas características

contexto

60

Centro Acolhida || SP

urbano.

TC 2017


Centro Acolhida || SP

TC 2017

61


4.2. PROGRAMA • O

Além da oportunidade de interação social, inicia-se também seu restabelecimento econômico e inserção no mercado de

Abrigo temporário para refugiados programa

busca

vulnerabilidade

acolher

social,

qualquer

econômica

e

imigrante

em

cultural.

trabalho, capacitando-os para gerir estes estabelecimentos, afim de trazer a população local para o complexo, havendo

Os apartamentos são compartilhados, com capacidade de 4

uma troca mútua de cultura e costumes. Visto que o

pessoas por unidade, podendo abrigar famílias ou pessoas

complexo está inserido no centro da cidade do São Paulo,

distintas. A divisão entre os quartos é feita através de

a fachada ativa³ serve como uma forma de dar vitalidade a

marcenaria, assim, tendo possiblidade de alteração.

área.

A cada andar é disposto um apartamento para Portadores

de Necessidades Especiais, compartilhado também entre 4

Em todos andares existem lavanderias comunitárias e

pessoas.

bagageiros, além de alguns andares existirem também

• Administração

espaços

Além

do

psicológico, •

acolhimento, jurídico

e

presta-se médico

acompanhamento

(emergencial).

Centro de capacitação

Áreas Comuns

de

convivência

e

cozinhas

comunitárias,

incentivando o convívio dos usuários. Como o térreo é ocupado pelo centro gastronômico, a fim de gerar uma área livre para convívio e ao mesmo tempo

Dentro do complexo também há o setor de qualificação,

privada do comércio, é criado um térreo elevado que garante

onde são oferecidas aulas de português, ateliês de atividades

esta interação porem com certa privacidade. Dispondo de:

manuais além de aulas e workshops de capacitação voltado

brinquedoteca, playground, salão de jogos, biblioteca e

para o mercado alimentício, a fim de preparar o imigrante

midiateca, academia e um café.

para ter seu próprio negócio no embasamento do complexo,

o centro gastronômico.

Uma nova proposta da Prefeitura de São Paulo é estimular

a criação de habitações de pequenas unidades subsidiadas

Centro gastronômico

Aluguel Social

O centro gastronômico fora pensado com dois propósitos

para aluguel na área central da cidade, com a vantagem de

distintos, primeiramente como uma forma de interação dos

descontos no IPTU e a permissão de aumento do coeficiente

refugiados com a população da cidade, unindo-os através

de aproveitamento para edifícios que servirem a inquilinos

de uma das maiores disseminadoras de cultura: a culinária.

de menor renda. Esta iniciativa é vantajosa já que a maioria

62

Centro Acolhida || SP

TC 2017


das habitações de interesse social (casa própria) criadas são em áreas periféricas, feitas em grande escala.

Em relação ao projeto, o aluguel social serve como

uma maneira do refugiado dar o primeiro passo em busca da sua independência e estabilidade na cidade, já que o centro de acolhida se trata de um período temporário, e este teria que buscar uma nova moradia. Portanto, a locação social, além de atender a população, serve também para dar continuidade para integração deste refugiado. 3. “Fachada ativa corresponde à ocupação da fachada localizada no alinhamento de passeios públicos por uso não residencial com acesso aberto à população e abertura para o logradouro.” Fonte: site Gestão Urbana > acesso em 17/10/24

Centro Acolhida || SP

TC 2017

63


N

0

IMPLANTAÇÃO PAVIMENTO TÉRREO ESC. 1:2500

5

10

20


QUADRO DE ÁREAS 6.573

Área total do terreno X

C.A. Máx. Zona

4

26292

Área por Pavto.

Pavimento Pavimento térreo

3151,83

Primeiro pavto.

3805,2

Segundo pavto.

3725,89

Mezanino

869,98

Terceiro pavto.

1183,95

Quarto pavto.

1280,88

Quinto pavto.

1183,95

Sexto pavto.

1183,95

Sétimo pavto.

1280,88

Oitavo pavto.

1280,88

Nono pavto.

1183,95

Décimo pavto.

1280,88

Décimo primeiro pavto.

1183,95

Décimo segundo pavto.

1280,88

C.A. do Projeto

23877,05 > 500 m²

T.O. Máx. Zona T.O. do Projeto

85%

5.587

3922,21 Pessoas por unidade Quantidade

Pessoas

50

4

refugiados P.N.E.

10

4

Loft individual

20

2

Loft familiar

8

4

Apartamento Aluguel Social 50m²

40

3

Apartamento Aluguel Social 63m²

20

3

Tipologia Apartamentos compartilhado para refugiados Apartamentos compartilhado para

Total de pessoas do empreendimento

492


N

0

16

16

5

16

16

10

20

1.Recepção

10.D.M.L

2.Assistência social e

11.Ambulatório

jurídica

12.Assistência

3.Sala de espera

Profissional

4.Posto de informação 13.Rouparia 14.Sanitários

5.Hall aluguel social

6.Sala de comunicação 15.Hall abrigo

16

16

10

7.Recepção médica

16.Restaurantes/

8.Consultórios

comércio

9.Expurgo

17.Auditório

16 16

14 12 15

13

11

9 10

7

2

5

8 6

1

3

4

15 14

16

16

17 16

16 14

16

PLANTA PAVIMENTO TÉRREO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

16

16

16

5

16

16

10

16

16

20

3.Sala de espera

21.Ateliê atividades

10.D.M.L.

manuais

14.Sanitários

22.Salas de aulas

15.Administração

23.Estoque

16.Restaurantes/

24.Câmara Fria

comércio

25.Cozinha Industrial

17.Auditório

26.Passarela/

18.Biblioteca

Praça Alimentação

19.Sala de reunião

27.Exposições

20.Recepção

16

16

14

26

15

27

3

25 23

22 24

22

19 18

10

20 21

16

16

16

16 14

27

16 16

PLANTA PRIMEIRO PAVIMENTO PAVIMENTO TÉRREO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

14.Sanitรกrios 28.Salรฃo de Jogos 29.Academia

32

32

32

32

32

32

32

32

32

32

32

32

32

32

30.Brinquedoteca

32

31.Loft familiar 32.Loft individual

32

28

14

29

30

32

32 32

32

31

31

31

31

31

31

31

31

PLANTA SEGUNDO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA MEZANINO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

33.Apartamentos Aluguel Social 34.รrea de Estar 35.Lavanderia Comunitรกria 36.Apartamento abrigo P.N.E. 37.Apartamento Abrigo 38.Lockers/bagageiro

36

34 37

37

35

37

37

38

35

34

37 33

33

33

33

33

33

PLANTA TERCEIRO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

33.Apartamentos Aluguel Social 34.รrea de Estar 35.Lavanderia Comunitรกria 36.Apartamento abrigo P.N.E. 37.Apartamento Abrigo 38.Lockers/bagageiro 39.Cozinha Comunitรกria

36 37

37

35

37 39

34

37

38

35

34

37 33

33

33

33

33

33

PLANTA QUARTO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA QUINTO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA SEXTO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA SÉTIMO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA OITAVO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA NONO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA DÉCIMO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA DÉC. PRIMEIRO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


N

0

5

10

20

PLANTA DÉC. SEGUNDO PAVIMENTO ESC. 1:600

0

5

10

20


CORTE AA ESC. 1:400


Acabamento de piso cimentado alisado

Rufo

Argila expandida

Cimentado como proteção mecânica Usar tela se necessário

Manta de impermeab. Laje

Pingadeira

00

5 5

10 10

20 20


CORTE BB ESC. 1:400


00

5 5

10 10

20 20


TIPOLOGIAS

ABRIGO REFUGIADO moradias compartilhadas

Unidade de 68m² para 4 pessoas com divisórias em marcenaria possibilitando alteração de layout


Unidade de 67m² para 4 pessoas adaptado para portadores de necessidades especiais


TIPOLOGIAS

ALUGUEL SOCIAL moradias familiares

Unidade de 51m² para até 3 pessoas com divisórias em marcenaria possibilitando alteração de layout


Unidade de 68m² para até 3 pessoas com divisórias em marcenaria possibilitando alteração de layout


TIPOLOGIAS

ALUGUEL SOCIAL lofts

PLANTA PRIMEIRO PAVIMENTO

PLANTA MEZANINO

Unidade duplex de 74m² para 2 pessoas


PLANTA PRIMEIRO PAVIMENTO

PLANTA MEZANINO

Unidade duplex de 170m² para 4 pessoas


5

CONSIDERAÇÕES FINAIS


O intuito inicial de estabelecer uma reflexão crítica e aprofundada a respeito do cenário de acolhimento dos inúmeros refugiados abrigados cidade de São Paulo, acabou por responder a diversas questões levantadas à respeito dos problemas urbanos da metrópole.

Através da análise dos estudos de caso e das

referências bibliográficas, foi possível compreender e explorar as questões a serem abordadas de maneira mais profunda, tornando possível o desenvolvimento de uma solução qualificada para as problemáticas levantadas no início.

Por meio deste trabalho, focado, em sua grande

maioria, nos aspectos emocionais, sociais e econômicos da situação dos refugiados em São Paulo, foi possível imergir neste delicado cenário em que a cidade – mais especificamente o centro – se encontra, e trabalhar nos diferentes aspectos para que tais imigrantes possam viver dignamente e com segurança.


6

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


COELHO JUNIOR, Marcio Novaes. Processos de intervenção

desenvolvimento sustentável num planeta urbano. São Paulo :

urbana: bairro da Luz. São Paulo, FAU USP, 2010.

Bookman, 2012.

PRODAM: São Paulo antiga. Disponível em: www.prodam.

ANDRADE, José H. Fischel. Direito Internacional dos

sp.gov.br/dph/spimag. Acesso em:

Refugiados: evolução histórica (1952-1921). Rio de Janeiro:

2017/08/20.

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ROSSI, Aldo. Arquitetura da cidade. São Paulo, Martins

ARGAN, Giulio Carlo. A história da arte como a história da

Fontes, 1998.

cidade. 5ª ed. São Paulo, Martins Fontes, 2005.

JACOBS, Jane. Morte e vida nas grandes cidades. São Paulo,

FERNANDES, Florestan. Brancos e negros em São Paulo:

Martins Fontes, 2001.

ensaio sociológico sôbre aspectos da formação, manifestações atuais e efeitos do preconceito de côr na sociedade paulistana.

BRUNO, Ernani da Silva. História e tradições da cidade de São

São Paulo: Editora Global, 2008.

Paulo. 4a ed. São Paulo: Hucitec, 1991. CUTTS, Mark. A situação dos refugiados no mundo. Tradução BASTOS, Sênia. História urbana e hospitalidade: o Bairro de

de Isabel Galvão. Almada/POR: ACNUR, 2000.

Santa Ifigênia/São Paulo. RAMOS, André de Carvalho. 60 anos de ACNUR: Perspectivas LEITE, Carlos. Cidades sustentáveis, cidades inteligentes:

de Futuro, ACNUR, USP e UniSantos. São Paulo, 1. ed. - 2011

Profile for Luana Bueno

TFG ARQUITETURA ||| CENTRO ACOLHIDA REFUGIADOS  

A Reintegração coletiva || Inserção social, cultural e econômica dos refugiados em São Paulo.

TFG ARQUITETURA ||| CENTRO ACOLHIDA REFUGIADOS  

A Reintegração coletiva || Inserção social, cultural e econômica dos refugiados em São Paulo.

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