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Nยบ1 PT / SET 2013

Steven DaLuz Uma conversa com O SEU arquitecto 1


Ficha Técnica Proprietário: José Eduardo de Almeida e Silva Morada da redacção: Urbanização do Lidador Rua 17, nº 105 4470-709 Maia - Portugal Contacto: +351 967 762 515 Director Geral: Eduardo Silva Sub Director: Isabel Gore Redactor Chefe: Eduardo Silva Redacção: José Eduardo Silva, Isabel Pereira Coutinho, Luis Peixoto Colaboradores para o Nº1: • Anne-Marie Pollet • Gerda Bulens • Sony Ith • Valery Oisteanu Director Técnico: Luis Peixoto Fotografia: • Arcadia Contemporary • Art Faces (James Van der Zee - capa) • Bertrand Delacroix Gallery para Jason Bard Yarmosky • Dayna De Hoyos para Capa • Galerie Carré Doré • Lower Belvedere: • Martin Adam para – “The Sphinx of Life” • Martin Adam para : Kustav Klimt Cromolitografia • Musée d’Orsay • Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia • Musée Würth France Erstein • Patrick Ramont • Steven DaLuz • Taymour Grahne Gallery

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A revista Line & Stylish é uma publicação mensal, editada exclusivamente em suporte digital e distribuída de forma totalmente grátis aos seus subscritores. Com esta decisão pretendemos criar, em Portugal, uma revista inteiramente dedicada às Artes Plásticas, pautada pela qualidade e pela fácil acessibilidade. Somos um grupo independente, sem qualquer apoio estatal, partidário, sindical ou dependente de qualquer grupo económico. Situação esta, que nos permite afirmar a nossa completa isenção no que respeita ao material a seleccionar para publicação. Deste modo, o único critério que orienta a nossa acção, será o nosso gosto e sensibilidade. Isto porque, numa óptica estritamente estética, a independência é um conceito enganadoramente utópico, uma vez que qualquer manifestação artística é, por natureza, fonte de discussão. Logo, todo o material a publicar na Line & Stylish é um reflexo do gosto da equipa que a produz, ainda que esta posição assumidamente “tendenciosa” nos obrigue a respeitar os limites impostos pela deontologia de imprensa e pela ética profissional. Simultaneamente, também não temos uma incidência regional manifesta. A revista Line & Stylish tem sede na Maia, não havendo antecipadamente qualquer preferência geográfica. Assim, é justo afirmar que a Line & Stylish é uma revista de abrangência global, procurando dar a conhecer, através do texto e da imagem, não só as novas tendências, como também as manifestações culturais nacionais e internacionais que, no nosso entender, melhor ilustrem o presente.

José Eduardo G. de Almeida e Silva Director Geral

Capa: Fotografia de Dayna De Hoyos www.daynadehoyos.com 3


Steven DaLuz Uma conversa com O SEU arquitecto Por: Isabel Gore e Eduardo Silva

estado do Texas, de nome Steven DaLuz que, desde há três anos, tem protagonizado, em nosso entender, uma das propostas plásticas mais originais. Não só pelo seu valor estético, como pela técnica envolvida. O trabalho de Steven DaLuz, ainda que afastado dos principais holofotes do mundo artístico, encarna a ambiguidade em que se desenvolve a pintura do novo século; por um lado apresenta uma cuidada componente figurativa, por outro tem uma componente abstracta, resultante de uma sintetização das formas. Para nos elucidar sobre esta proposta tão peculiar decidimos, por unanimidade, convidar o seu autor para a nossa primeira conversa (um pouco ao jeito de entrevista), inaugurando assim uma rubrica que procuraremos manter ao longo dos próximos números.

Sendo uma revista nova, o primeiro número reveste-se de uma importância suplementar. Aqui mais do que em qualquer outro número. Os elementos escolhidos ilustram o nosso posicionamento perante a Arte. Como é óbvio, várias soluções surgiram, mas todas elas esbarravam no facto de se tratar de personalidades sobejamente conhecidas, e altamente valorizadas no mundo das artes visuais não acrescentando nada para lá da evidência, ou então, serem fenómenos locais, frutos de uma época. No fundo, personagens passageiras que não trazem nada de novo ao leitor mais atento. Assim, foi natural que a nossa escolha recaísse sobre um discreto pintor, residente em San António, 4


Becoming - Ă“leo, folha de metal em painel. Cortesia de Steven DaLuz 5


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Steven DaLuz é um artista, nascido em 1953 em Handford, Califórnia. Ainda jovem decidiu interromper os estudos em arte para servir, como paramédico, na força aérea dos USA, onde permaneceu durante 24 anos. Paralelamente, tirou uma licenciatura em Psicologia Social e um mestrado em Gestão. Após terse retirado do exército, entregouse à sua paixão original, a Arte, tirando o bacharelato em Belas Artes pela Universidade do Texas em San António.

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Óleo, folha de metal em painel 36” x 36”, 2012 Cortesia de Steven DaLuz 7


em carvão ou grafite. Com a reforma, decidi regressar à Arte. Foi um processo demorado, tendo conseguido finalmente o meu estúdio em 2005. Até lá, pintava na garagem de casa. Mas era algo que tinha de fazer, pois havia uma energia em mim que precisava de ser exteriorizada. Para mim, a Arte é tão essencial como alimentar-me, e necessito de expressar a minha convicção de que, para além deste mundo caótico, existe algo de sublime, uma luz etérea, enfim a Beleza!”.

O nosso encontro desenrolouse através de uma estonteante videoconferência, com uma diferença de 6 horas entre a cidade do Porto, Portugal e a de San António, Texas. No ecrã, tínhamos a habitual cara sorridente do Steven que, como é seu costume, logo se prontificou a esclarecer a nossa curiosidade. A primeira questão colocada foi, como é que se tinha sentido ao regressar à pintura, a tempo inteiro, quando já tinha mais de 40 anos. Sem abandonar a sua boa disposição, respondeu: “Sempre senti a necessidade de pintar, pelo que achei tratar-se de um processo natural”. Pretendemos um esclarecimento mais detalhado, pelo que o Eduardo voltou a insistir no motivo que o levou a retomar a pintura quando se reformou da Força Aérea. “Sempre desenhei , fazia retratos, copiava alguns personagens de banda desenhada e, mesmo na Força Aérea, continuei a desenhar, nomeadamente desenhos abstractos

Descent

Óleo, folha de metal em painel. 60” x 48” , 2011 Cortesia de Steven DaLuz 8


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“Sempre senti a necessidade de pintar, pelo que achei tratar-se de um processo natural”.

Sentinel

Óleo, folha de metal em painel. 36” x 36”, 2009 Cortesia de Steven DaLuz 11


Ambos, o Eduardo e eu, achamos que essa necessidade manifestada era algo de óbvio. Não é por acaso que o seu trabalho percorre campos tão diversos quanto são o figurativo e o puro abstracto, pelo que perguntamos o porquê desta dualidade. Steven sorriu, mas de imediato, colocou um ar mais sério para nos dizer:

“Acha mesmo isso?!” Perante a resposta afirmativa do Eduardo, disse: “Bem, é a sua opinião e eu fico bastante contente pelo facto da minha pintura ter conseguido transmitir-lhe algo”, e continuando , “O meu trabalho reflecte a atracção por questões relacionadas com a origem, a beleza da figura humana e o poder da luz etérea, que tanto pode iluminar as coisas, como cegá-las. Isto, talvez seja o contraste entre a luz e caos, mas tal como disse, o figurativo e abstracto estão relacionados, tal como a Humanidade e o Cosmos. Daí ter necessidade de trabalhar ambos, de modo a encontrar um equilíbrio”.

“ O processo criativo leva-nos a um turbilhão de ideias que se manifestam em formas e imagens diversas. Quando pinto, e consigo concentrarme nessa inspiração que estou a viver, sou levado para mundos que, por vezes, não sei aonde vão acabar”. Nesta sequência, tentamos apurar se o Steven se identificava mais com o abstracto ou o figurativo: “Tenho um grande fascínio por ambos. Provavelmente, sou mais conhecido pelos meus abstractos que, muitas vezes, são vistos quase como paisagens imaginárias”. Pelo que o Eduardo afirmou que o Steven não era um pintor de paisagens, mas um pintor de “estados de alma”, ao que ele sorriu abertamente para dizer: 12


Ovum 2

Ă“leo, folha de metal em painel. Cortesia de Steven DaLuz 13


Overture 3 - Óleo, folha de metal em painel. 60” x 84”,


2008. Cortesia de Steven DaLuz


Assim, atendendo a que a sua pintura tem uma grande espiritualidade tornou-se claro pedir para esclarecer se o seu objectivo era o de transmitir uma mensagem ou um sentimento. De uma forma mais empolgada, Steven afirmou: “Para mim a Arte é uma linguagem universal que, no meu caso, permite expressar, virtualmente alguns pensamentos e sentimentos. Eu sempre me questionei, sobre o que estará para além deste mundo, sem nunca esperar que a vida me dê uma resposta para isso. Apenas sei, que existe uma conexão entre a humanidade e o cosmos, e que sinto uma energia interior que precisa de ser libertada. Não se trata de uma atitude religiosa, mas sim de uma questão espiritual, a sensação de fazermos parte do universo misterioso, onde somos mais do que um “corpo físico”. Neste mundo escuro, caótico e tumultuoso em que vivemos, tento transmitir uma mensagem com sentimentos, sensações de serenidade e sublime, que estimulem a imaginação do espectador, de modo a que ele possa fazer uma pausa momentânea e, apenas, SENTIR algo. Se com o meu trabalho, conseguir isso, então posso

dizer que atingi o meu objectivo”. Sabendo que não há um objectivo em transmitir uma mensagem concreta e que, simultaneamente, não existe uma preocupação em se manifestar num determinado estilo, perguntamos porque é que se intitulava de “Neo-Luminista”. “Como não consegui encontrar um estilo onde o meu trabalho pudesse ser enquadrado, em 2009 usei o termo “Neo-Luminista” para classificar a minha obra, por comparação com o trabalho desenvolvido pelos Luministas dos meados séc. XIX, e com os quais partilho as preocupações dos efeitos de luz nas paisagens, ainda que de forma diferente, pois como disse anteriormente, as minhas são virtuais. Assim, a utilização da própria luz não pretende acentuar um aspecto real, mas sim enfatizar a sensação que procuro transmitir”. Depois, e de uma forma jocosa, concluiu: “Para ser honesto, mais cedo ou mais tarde, iria ser catalogado. Assim, em vez de esperar que alguém rotulasse a minha obra depois da minha morte, decidi classificar o meu próprio trabalho” 16


Se a luz é o fundamento de toda a sua expressão plástica, perguntamos quais os materiais a que recorria para conseguir esses efeitos. “Fiz várias experiências de modo a escolher os materiais certos que pudessem transmitir luz etérea e a sensação do sublime. Uso óleos e, normalmente, recorro à folha de metal e por vezes à folha de ouro. Prefiro trabalhar em painéis rígidos, preparando-os com 2 camadas de PVA, 3 camadas de gesso e 2 camadas diluídas de óxido vermelho acrílico. Utilizo uma preparação química para, rapidamente, criar pátinas de cor sobre o metal. Todo este processo, demora cerca de uma semana para preparar as superfícies sobre as quais vou trabalhar”. Mesmo recorrendo ao uso de técnicas próprias que definem, em parte, a originalidade do seu trabalho, quisemos saber qual a importância dos outros artistas na sua obra. “Como é óbvio, vários artistas tiveram e têm um papel fundamental no desenvolvimento do meu trabalho, sobretudo os mestres clássicos como, J.M.W Turner, Rembrandt, Degas, Velasquez, Sargent e muitos outros. Contudo, não posso fugir ao facto de que J.M.W Turner é a minha influência principal, quer pela sua preocupação com a cor, quer com a luz”.

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Apercebemo-nos que o seu estúdio é um espaço de especial importância. Porquê? “Penso que a maioria dos meus trabalhos, resultam de muitas horas solitárias. Necessito deixar a minha alma e mente vaguearem. Por vezes, tenho a sensação de que o tempo voa e, que todas as minhas questões estão ali, nas pinturas, esperando por uma resposta. Neste “Santuário”, consigo reflectir, falar comigo próprio, e as minhas mãos são conduzidas por essa energia interior de que há pouco falava” Depois, dirigindo-se a nós, perguntou se a sua pintura nos transmitia algum tipo de mensagem ou sentimento, ao que o Eduardo respondeu que através da sua pintura via uma espécie de paisagens poéticas, enquanto eu sentia que a sua pintura transmitia uma força cósmica, que nos levava a concentrar numa luz que não é real, mas que habita na nossa alma e mente. Ao que, Steven insistiu : “Sentem isso mesmo?!”. Insistimos na nossa posição, pelo que ele sorriu tal como havia feito no início, agradecendo a nossa atitude. E, assim nos despedimos talvez mais enriquecidos por um momento em que partilhamos a força do poder criativo do homem que só conhecíamos pelos quadros com que nos foi brindando ao longo destes últimos anos e que temos esperança de os vir a ver brevemente, algures, na Europa.

Fotografia - Cortesia de Steven DaLuz 19


JASON BARD YARMOSKY Nascido em 1987 em Poughkeepsie, New York. Jason Yarmosky começou a desenhar em criança. Em 2010 tirou o Bacharelato pela Escola de Artes Visuais , na cidade de Nova York. Aos 25 anos, Yarmosky explora os elementos físicos e psicológicos do envelhecimento, pintando os seus avós com a idade de 85 e 86 anos. Os seus trabalhos tem sido expostos e colecionados em todo o mundo. De facto, todos os seus 43 quadros, criados durante os dois últimos anos, pertencem a coleções privadas. O seu trabalho tem aparecido em inúmeras publicações tais como, Azart Magazine, American Artist Drawing, New American Paintings, High Fructose, and the Huffington Post. No passado venceu o Prémio Elizabeth Greenshields’ Foundation.

JASON BARD YARMOSKY “Studio Portrait “ Foto: Cortesia da BERTRAND DELACROIX GALLERY

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“Elder Kinder homenageia a ideia de que, a idade não é um impedimento para viver de uma forma plena, mas sim um trampolim para a exploração. As minhas pinturas examinam a relação entre as limitações das normas sociais e a liberdade de explorar, particularmente a justaposição entre o novo e velho. A natureza despreocupada , associada com a juventude, muitas vezes dá lugar a fronteiras e limites impostos sobre o comportamento adulto. Como transitamos do estado adulto para a velhice, por vezes essas liberdades rudes ressurgem. Como uma criança, você aprende a andar e mais tarde na vida aprendemos, literalmente e metaforicamente, a não saber andar. No entanto, os sonhos dos jovens, muitas vezes sublimados pelos anos, realmente nunca desaparecem. Escolho explorar este tema, com duas pessoas muito próximas de mim, os meus avós com 84 anos de idade. A falta de continuidade na vida, e inevitabilidade do envelhecimento, tem sido sempre uma preocupação crescente no meu pensamento. Também estou interessado em saber, como as pessoas, tanto na mente como no corpo, respondem à passagem do tempo. Como Madeleine L’Engle disse: “A grande vantagem do envelhecimento, é que você não perde todas as outras idades que teve.”

As pinturas resultantes capturam a interseção do corpo maltratado, e a alma vibrante. As imagens desta série podem ser vistas, como humilhantes ou fortalecedoras. O pessimista, vê as imagens através da lente da vergonha e vulnerabilidade, oprimido pela convenção social. O optimista vê uma sensação de libertação, onde a brincadeira de um adolescente e a liberdade de sonhar, complementam a sabedoria da velhice. “ Jason Yarmosky. BERTRAND DELACROIX GALLERY 535 W. 25th Street, NY 10001 New York info@bdgny.com 21


JASON BARD YARMOSKY

“DREAM OF THE SOFT LOOK” OUTUBRO 1 – 31 ABERTURA, 3 DE OUTUBRO

“The Soft Look” - Cortesia da BERTRAND DELACROIX GALLERY

“Dream of the Soft Look”, exposição individual de Jason Bard Yarmosky, na Bertrand Delacroix Gallery, dá continuidade à exploração do artista sobre o ciclo de vida humana. Com base nas suas primeiras obras, estas novas pinturas realistas surpreendentemente e meticulosamente construídas, convidam o observador para momentos íntimos da verdade, muitos dos quais são reflectidos, no espelho, através do olhar do modelo. A imagem resultante, provoca um diálogo externo / interno, repleta de momentos de perplexidade, frustração, humor, e imaginar como o corpo envelhecido é refletido de volta para a alma, ainda vibrante, sonhando com o olhar suave. 22


Yarmosky explora a tensão entre os elementos físicos e psicológicos do envelhecimento. No entanto, a exposição também tem muito a ver com a memória, e o seu papel permanente, durante todo o ciclo de vida. As suas pinturas poderosas a preto e branco reflectem o “realismo” de agora. São o espelho do presente, enquanto que a memória “idealizada”, muitas vezes colorida com o tempo, é apresentada em inúmeros pigmentos. O artista criou um pequeno vídeo, para explorar ainda mais esse conceito de envelhecimento. A lente a preto e branco de Yarmosky, segue seu avô, Leonard Bard, no acordar para o Nocturno de Chopin. Como o seu avô percorre a sua rotina diária e meticulosa de acordar; tomar banho, fazer a barba, etc, tem também momentos contemplativos, intercalados com flashbacks do seu passado. Essas memórias são da sua mulher e filhas, representadas por imagens de 8 mm, filmado por Leonard nos anos 50. Yarmosky mostra-nos, agora, o seu avô a preto e branco, e as suas memórias presentes, a cores. Como as danças de vídeo entre o presente e o passado, Leonard fica cara-a-cara com o seu semblante e circunstância e, em última análise, procurar encontrar equilíbrio nas suas memórias e a sabedoria adquirida com a vivência de uma vida inteira.

BERTRAND DELACROIX GALLERY 535 W. 25th Street, NY 10001 New York info@bdgny.com

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PATRICK RAMONT Pintor Belga

(1960), GHENT

“The Birth of Iathusia”- 200 x 200 pintura a óleo. Foto: Cortesia de Patrick Ramont

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fontes de inspiração. A beleza das costas da Normandia e da Bretanha estarão gravadas, para sempre, na sua memória. Ramont não se limita a pintar portos ou paisagens marinhas. A luz sobre a tela e a sua paleta sugerem uma espécie de magia estranha, por detrás da realidade. Ramont deixa-se fascinar pelos mistérios dos tempos antigos. Os rochedos escuros cobertos de musgo verde, evocam os alinhamentos megalíticos de Stonehenge e os menires da Bretanha. As passagens de luz nas suas telas, atraiem-no para uma outra dimensão. Também as profundezas misteriosas do mundo submarino têm inspirado Ramont. Como mergulhador, explorou a fauna e a flora das profundezas de mares exóticos e distantes.

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m olhar sobre a alma do artista. Ramont tinha três anos, quando os seus pais se mudaram para Ostend. Esta proximidade do mar, tornar-se-ia vital para a sua vida e, de importância crucial, para a sua obra. O mar, o cais, a praia e as dunas, tornaram-se no seu parque infantil. Brincando na praia, nadando de forma imprudente entre os molhes de Oriente e Ocidente, e pescar, foram os tempos áureos da sua infância. Nessa altura já desenhava. O desejo de capturar as impressões da natureza, não pode ser apagado da sua memória.

A figura humana está praticamente ausente no seu trabalho, considerando o homem como uma espécie poluidora e destruidora da natureza. A percepção que Ramont tem da natureza, é uma experiência solitária.

O escultor Hubert Minnebo,foi seu professor no ensino secundário, na cadeira de artes plásticas. Ensinou-o a “observar”, condição essencial para um pintor. Ramont alistouse na Marinha Belga como jovem marinheiro e navegou em mar aberto, ao longo da costa Europeia e através do Estreito de Gibraltar. Novas imagens na sua retina, novas

Os seus mestres preferidos são Rembrandt e Vermeer, admirando o uso magistral da luz nas suas obras. E na sua opinião, o mundo colorido de Van Gogh é inigualável. Ramont é um artista que sente a energia e a paixão dentro da sua alma. Gerda Bulens, 2009 25


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“The Five Element”s 200 x 200 pintura a óleo Foto: Cortesia de Patrick Ramont

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“... Ramont é um artista atento às estruturas e materiais. Com um forte sentido de observação, transporta para a tela o meio ambiente diversificado.” Os céus que representa são, ao contrário de outros, vistas do céu. Transparentes e com um dégradé cromático, que transmite calma e meditação. Os azuis combinados com roxo, malva, lilás, rosa, vermelho e laranja são um encanto para os olhos. As suas pinturas marinhas escuras e sinistras, são também atractivas”. “... A sua inspiração não é só o Mar do Norte. Também traz para a tela, cenas subaquáticas fantásticas, com ruínas misteriosas, naufrágios e estátuas antigas. Em algumas destas pinturas, encontramos o vermelho coral, com uma superfície pintada tridimensional. Os olhos do observador sentem toda a estrutura vermelho escuro. Ramont fica intrigado com o litoral de outros países, com ondas enormes precipitando-se contra as rochas. As suas pinturas marinhas têm o odor das praias, quebra-mar, conchas, algas. Os mares podem ser calmos, inconstantes, destrutivos, ameaçadores, tempestuosos e imprevisíveis. Ramont é capaz de pintar todos estes aspectos do mar “ Anne-Marie POLLET (†), historiador de arte Tradução: L&S

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“The Birth of Iathusia II”-200 x 200 pintura a óleo. Foto: Cortesia de Patrick Ramont

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ENTREVISTA COM

Steven Diamant Presidente da ARCADIA CONTEMPORARY Uma galeria é feita pela arte que expõe, e pela diferença que faz com que se distinga das outras. Nova York é, incontestavelmente, a actual capital da arte, como tal a competição é enorme. Porém, uma galeria criada em 1998, conseguiu impor-se tanto na cidade, quanto internacionalmente, apostando num género que muitos consideram antiquado mas, que aqui, se apresenta com todo o seu esplendor, e digno de figurar entre as grandes tendências do século XXI. Esta capacidade, deve-se aos artistas que representa e, sobretudo, ao homem que a fundou e que, dia a dia, a torna num ponto de referência para quem gosta e acredita, que o talento é uma das componentes vitais da arte. Este homem tem um nome: Steven Diamant, Presidente da Arcadia Contemporary. Por: Eduardo Silva Line & Stylish, Director

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ARCADIA

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

ARCADIA Gallery Interior

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

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L&S: O que é que o levou a criar uma galeria, no final dos anos 90, quando o mercado de arte começava a dar sinais de recessão?

L&S: Qual a principal diferença da Arcadia de 1998 para a Arcadia de 2013? Steven Diamant: Quantas páginas tem esta revista? Quando abrimos pela primeira vez, fomos uma das primeiras galerias a apresentar aquilo que mais tarde viria a ser chamado “Realismo Clássico”. Trabalhos criados por jovens artistas contemporâneos, que demonstravam capacidades extraordinárias no desenho e pintura. Os trabalhos expostos na galeria foram, muitas vezes, “confundidos” com obras do séc. XIX, atendendo ao talento intemporal ou imaginário neles representados… muitos colecionadores disseramnos que nunca pensaram que “ainda existissem pessoas a pintar assim”, e a galeria tornou-se num ponto de referência para pintores com talento e trabalhando no género realista. Passados 14 anos, existem galerias em todo o mundo a exporem o “Realismo Clássico”, o único problema é que estas galerias estão a apresentar artistas, cujos trabalhos parecem todos iguais. Muitos artistas pensam que, pelo facto de serem capazes de desenhar e pintar com habilidade, é o “único objectivo”, quando não é. O talento

Steven Diamant: Decidi abrir a Arcadia, quando deixei a galeria à qual estava ligado há mais de 15 anos. Era o momento de “ seguir em frente.” Quando decidi sair, pensei que podia ir trabalhar para uma outra galeria, uma vez que tive a sorte de ter recebido várias ofertas, mas a verdade tem de ser dita, estava um pouco cansado de trabalhar tanto, para os outros. Tinha chegado a altura de ser o patrão de mim mesmo. Nunca me preocupei com o estado da economia, dada a confiança que tinha nos artistas que queria mostrar. Não havia muitas galerias a apresentar, em exclusividade, trabalhos realistas, assim pensei que seriamos um local único para os colecionadores interessados na aquisição de trabalhos de artistas quer emergentes, quer relativamente conhecidos e, mais ainda importante, vivos e cujas obras ao serem observadas, pudessem ser “compreendidas”. Nem toda a gente quer ter em casa, uma vaca a flutuar dentro de um pote de formol. 32


“Untitled Painting of Vikki Sleeping”

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

ERIC PEDERSEN óleo sobre tela, 112 X 78 inches, 2012 33


é, meramente, uma ferramenta usada para criar grandes obras. A analogia que costumo fazer, é de que você pode ser um escritor com um vocabulário impressionante, mas se a sua escrita não tiver nada de especial ou de inovador, nunca conseguirá destacarse dos outros escritores. O mesmo é válido para os artistas. Existem muitos artistas qualificados e com talento, mas OS SEUS TRABALHOS NÃO DIZEM NADA. A habilidade, por si só, não é suficiente .... será que alguém consegue identificar, de imediato, um trabalho de um pintor, apenas observando-o? No caso de muitos clássicos realistas, a resposta é NÃO. Ao longo dos últimos anos, tenho procurado artistas que estão a criar obras, imediatamente reconhecíveis, com uma perspectiva que reflecte uma visão contemporânea sobre o que está a acontecer HOJE. Não é apenas o “desenho perfeito”, mas o mais importante, é saber se o artista está a criar um trabalho que é dele e só dele! Essa é a grande diferença. Os artistas que exibimos, são verdadeiramente únicos e genuínos naquilo que estão a criar, e apresentam um ponto de vista contemporâneo actual, em oposição ao imaginário que refelcte um período passado. 34

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary


“Versine” BRAD REUBEN KUNKLE óleo e ouro sobre tela, 20 X 20 inches, 2013 35


outras formas plásticas. Wahrol fez carreira sem desenhar bem ANTES de começar a explorar e desenvolver o seu talento como artista (Pop Art), o qual raramente se manifesta no sentido oposto à tendência inata. Assim, prove-me que aquilo que cria está “alicerçado” nas sua capacidades, e que ainda foi “mais para lá”, de modo a criar o seu estilo próprio.

L&S: Porque é que a Arcadia, logo no seu início, apostou em artistas realistas, numa altura em que o conceptualismo ainda era uma tendência dominante? Steven Diamant: Se a resposta à pergunta, reflecte uma “suposição calculada”, ou simplesmente “ingenuidade artística”, apresentei e continuarei a mostrar trabalhos realistas, porque este é o estilo de arte que mais me emociona. Embora eu possa “apreciar” uma escultura minimalista de Donald Judd, ou uma pintura de Pollock, eles não me transmitem nenhuma emoção. “Retraio-me”. Reconheço que é o trabalho realista que me excita.

2.

Será que reconheço, de imediato, os “SEUS” trabalhos como sendo seus? Se verifico, que no trabalho existe uma “influência demasiada de outro artista ou de um professor”, desinteresso-me imediatamente.

3.

O trabalho do artista é diferente do que já foi exposto na galeria? Se temos um artista com sucesso dentro de um certo género, não quero o trabalho de outro artista, a competir com ele. Os artistas que temos na galeria, trabalharam muito para chegarem aonde estão, e pretendo que cada um deles se destaque de todos os outros que exibimos.

L&S:Quais os principais critérios de selecção dos artistas representados pela Arcadia? Steven Diamant:

1.Talento.

Alguma vez viu os primeiros trabalhos de Picasso? Quando tinha 10 anos, era capaz de desenhar como um “Velho Mestre”. Só DEPOIS de ter demonstrado o seu admirável talento, começou a explorar o Cubismo, o abstracto e 36


L&S: No momento actual, e comparativamente com o passado, nota uma maior adesão por parte do público ao realismo, e em simultâneo uma evolução na forma como a crítica trata o realismo?

L&S: Pensa que estamos a assistir a uma revolução plástica, onde o figurativo é a grande fonte das novas vanguardas? Steven Diamant: NÃO. Penso que isso é uma declaração muito dura, mas não acredito que esteja a acontecer nenhuma “revolução”. Continuarão a existir muitos colecionadores que apreciam o trabalho figurativo e continuarão a adquiri-los…., só que não será notícia de primeira página como, por exemplo, alguém dar $12 milhões de dólares por um balão gigante, em forma de animal.

Steven Diamant: O REALISMO TEVE SEMPRE UMA GRANDE RECEPTIVIDADE, POR PARTE DO PUBLICO, representando, provavelmente, 90% de toda a obra de arte que tem sido, e continuará a ser criada no mundo. São os críticos de arte, curadores de museus e outros que tentam impressionar com o seu vocabulário e “retórica”, achando que o realismo não é “válido” ou “digno” da sua atenção. A arte e artistas apresentados em revistas de arte, são escolhidos pelo facto de os redactores ou editores, pensarem que podem “transmitir algo de novo” através dos seus ensaios escritos. Sou totalmente a favor de TODO O TIPO DE ARTE, seja ela conceptual, minimalista, abstracta; mencione uma qualquer e eu aprecio e aceito que alguém goste do género, mas dizer que uma pintura de expressão realista é “antiquada” ou “elementar”, está errado. Todos tem direito a ter a sua opinião e NINGUÉM ESTÁ CERTO OU ERRADO.

L&S: Qual o segredo para conseguir juntar pintores emergentes e transformá-los em figuras mundiais, como é o caso de Brad Kunkle, Julio Reyes, etc ? Steven Diamant: Não há nenhum “segredo”. É apenas uma questão de nos concentrarmos naquilo que gostamos, ser diligente na procura do talento, respeitá-lo, alimentá-lo, e ir à luta para mostrar o trabalho, a um número suficiente de pessoas, de modo a encontrar aqueles que sentem da mesma maneira que você sente, acerca da grandiosidade de um trabalho. 37


“Untitled - Floating” HENRIK ULDALEN óleo em painel, 31 X 43 inches, 2013 38


Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

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“Escaping Shadows”

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

KIM COGAN óleo sobre tela,12 x 10 inches, 2013 40


L&S: Qual a sua opinião sobre a não existência de uma bienal ou de um encontro internacional de Arte, onde o figurativo seja a razão desse evento? Steven Diamant: Acho que mete nojo. Traço o meu próprio caminho, e se essas “feiras” não querem incluir galerias que apresentam trabalhos bem executados e realistas, então que se lixem, o problema é deles. Sim, isso é um pouco duro, mas felizmente, cada vez mais e mais, poderão ver a qualidade do que produzimos e irão “juntar-se a nós”

“Union Street Entrada”

Fotografia: Cortesia da Arcadia Contemporary

DANIEL OCHOA óleo e colagem sobre tela,36 x 48 inches, 2013

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L&S: Quais os planos para o futuro, a curto e longo prazo?

Steven Diamant:A curto prazo: A partir de 1 de Setembro, a galeria passará a cham de pintores realistas, que estão a pintar num estilo que existiu há 100 anos atrás, em com esta mudança de nome, esclareço que os artistas que representamos, SÃO ARTIS sobre o que se está a passar no mundo de hoje e não de ontem. A longo prazo: continuar a fazer o que estamos a fazer. Sou um homem afortunado.

*Nota da redacção: Artistas representados pela ARCADIA CONTEMPORARY 42


mar-se ARCADIACONTEMPORARY. Estou um pouco desiludido com a avalanche m vez de usar os seus talentos para criar trabalhos que “falem da actualidade”. Então, STAS CONTEMPORANÊOS, que estão a executar trabalhos que são uma reflexão

. Adoro o que faço e do que exponho na minha galeria. Sou um homem feliz.

Arcadia Contemporary 51 Greene Street New York, NY 10013 212-965-1387 arcadiafa@aol.com

Fotografia: Cortesia da ARCADIA CONTEMPORARY

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Nicky Nodjoumi

“Chasing the Butterfly and Other Recent Paintings” De 7 de Setembro a 12 de Outubro de 2013

Em Setembro, a Taymour Grahne Gallery abre portas com a inauguração de uma exposição do aclamado artista Iraniano Nicky Nodjoumi, apresentando, na galeria principal, pinturas de óleo de grande dimensão e trabalhos sobre papel na galeria anexa. “Chasing the Butterfly and Other Recent Paintings” (numa tradução liberal; Perseguindo a Borboleta e Outras Pinturas Recentes), explora a hibridização surreal de Nodjoumi com imagens históricas e contemporâneas, intercaladas com contundentes comentários políticos. Nascido em 1942, em Kermanshad, Irão, e a viver em Nova Iorque desde 1981, Nodjoumi usa a sua experiência para explorar a intersecção da sua história pessoal com a política de alienação e de convulsão. Combinando referências históricas com a crítica social realista e com a abstracção surrealista. As suas composições apresentam figuras humanas em estratos múltiplos, misturados com animais sobrepostos de forma bizarra, encenados teatralmente., contra panos de fundo indeterminados e paisagens áridas. Não negligenciando o trabalho do artista alemão Neo Rauch, as pinturas de Nodjoumi não sugerem uma leitura narrativa, em vez disso, são enigmáticas e ilimitadas. Na obra de 2012, “Inspector’s Scrutiny” (O Escrutínio do Inspector, numa tradução aberta), guerreiros em miniaturas tradicionais persas juntam-se a homens anónimos, bem vestidos, na luta para capturar e subjugar um cavalo pacífico, criando uma cena que tem, simultaneamente, uma grande carga política e uma leitura ambígua. As figuras de Nodjoumi são continuamente emendadas e reunidas em registos fracturados, com proporções incompatíveis, uma discrepância espacial que aumenta as camadas desarticuladas do trabalho, da história e identidade.

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“The One Who Sees What is Hidden”

Fotografia: Cortesia da Taymour Grahne Gallery, New York.

NICKY NODNJOUMI óleo sobre tela, 216 x 165 cm, 2011

Esta perspectiva inquieta, é equilibrada pelo humor do artista através de uma sátira amarga. Em “Time to Pray” (Tempo para Orar), de 2012, uma família de macacos, agrupados para um culto ritual, de facto estão envolvidos numa actividade sexual, supervisionada por um Mullad suplicante que parece reivindicar a adesão absurda à restrição religiosa. Nos trabalhos em papel de Nodjoumi, políticos e empresários, excluídos da actividade diária, são libertados das suas personagens públicas e recontextualizados em circunstâncias indefinidas, muitas vezes enquadradas dentro dos limites de uma grelha rigidamente estruturada, repercutindo sistemas anónimos e autoritários. Como considera Phong Bui, artista, escritor e curador, no ensaio do catálogo que acompanha a exposição, “os novos quadros de Nodjoumi evidenciam uma negociação entre convicções políticas, que não pertencem directamente nem à sua terra natal, nem ao seu país adoptivo, e a linguagem complexa e obstinada criada para a pintura. 45


Sobre Nicky Nodjoumi Nascido em 1942, em Kermanshah, Irão, Nicky Nodjoumi viveu a revolução islâmica de 1979, sob a perspectiva de um jovem artista, absolutamente ciente das convulsões políticas e sociais deste período tumultuoso da história do Irão. Após terminar o Bacharelato em arte pela Universidade de Belas Artes de Teerão, Nodjoumi mudou-se para os Estados Unidos na década de 1960, onde conclui o mestrado em Belas Artes, pelo City College de Nova Iorque, em 1974. Mais tarde regressou a Teerão como membro do corpo docente da sua universidade original, juntando-se aos seus alunos politicamente galvanizados com a crítica ao regime do Xá. Começa, então, a desenhar cartazes políticos inspirados pelo espírito revolucionário que assolava o país, para mais tarde voltar a ser exilado na sequência da revolução. O trabalho de Nodjoumi foi exposto internacionalmente e encontra-se em diversas proeminentes colecções, incluindo o “British Museum” de Londres, “The Salsali Private Museum” no Dubai e no Museu Nacional de Cuba. A sua obra será apresentada na exposição O Irão Moderno, a inaugurar na Asia Society em Nova Iorque, em Setembro de 2013, em conjugação com a sua exposição individual a decorrer na Taymour Grahne Gallery. Nicky Nodjoumi vive e trabalha em Brooklyn, Nova Iorque.

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Acerca da Taymour Grahne Gallery A Taymour Grahne Gallery procura promover um programa internacional diversificado de Arte Contemporânea inovadora, com especial atençãopara aquela que actualmente é produzida no Médio Oriente. Trabalhando em conjunto com curadores e críticos, a galeria compromete-se a promover talentos emergentes e a apoiar artistas consagrados de todo o mundo. A Taymour Grahne Gallery está situada no coração de TriBeca (bairro no centro de Manhattan, sendo o nome a abreviatura de “Triangle Bellow Canal Street”), num espaço de 4000 metros quadrados, projectado para receber um programa dinâmico de eventos públicos, organizando em conjunto exposições e publicações com elas relacionadas. Amplamente reconhecida por criar o Blog mais abrangente e lido do Médio Oriente, o fundador da Galeria, Taymour Grahne, apresenta uma especialização em Arte do Médio Oriente e Norte de África. Os artistas representados pela galeria incluem nomes como: Tarek al-Ghoussein, Ngor Ali Chagani, Reza Derakshawi, Daniele Genadry, Nermine Hammam, Hassan Haiiaj, Mohammed Kazem, Sanaz Mazinani, Ciarán Murphy, Nicky Nodjoumi, Farah Ossauli, Albert Yonathon Setyakian, Walid Siti e Camille Zakharia.

Horário da Galeria: de Terça a Sábado das 10h ás 18h Taymour Grahne Gallery 175 Hudson Street New York, NY 10013 info@taymourgrahne.com 47


”Inspector’s Scrutiny” NICKY NODNJOUMI óleo sobre tela, 85 x 130 inches, 2012

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Fotografia: Cortesia da Taymour Grahne Gallery, New York.

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ART FACES

No Musée Würth France Erstein Para todos aqueles que se interessam por fotografia, pintura e, em especial, pelo papel que o retrato desempenha nas artes visuais, o Musée Würth, continua a apresentar a exposição “Art Faces”; “The photographs find the artists”, uma exposição interessante e que recomendamos. A arte do retrato, classificado como um dos géneros nobres da pintura na hierarquia dos géneros do século XII, conhece uma séria concorrência com o desenvolvimento da fotografia no decurso da segunda metade do século XIX. Com efeito, este período corresponde tanto ao triunfo do retrato pintado, impulsionado pela ascensão da burguesia, e ao desenvolvimento do retrato fotográfico, mais barato e mais rápido. Seguidamente, o século XX traz o triunfo do retrato fotográfico, conquistando as multidões populares e relegando para segundo plano o retrato pintado. Numerosos fotógrafos especializam-se na arte do retrato como Nadar, August Sander, ou mesmo, Helmut Newton. Se o retrato resulta de um momento encenado ou da captação de um momento casual, o retrato é sempre o fruto de um encontro, de um jogo ou de uma negociação entre dois sujeitos; um atrás da objectiva, o outro diante dela. A exposição “Art Faces” concentra-se nos encontros, frequentemente célebres, entre alguns fotógrafos de renome tais como Michel Sima, Gisèle Freund ou Herbert List, com artistas como Pablo Picasso, Piet Mondrian ou Gerhard Richter. Este conjunto de fotografias, que actualmente pertencem à Colecção Würth, foi reunido pelo fotógrafo suíço François Meyer. O ponto de partida da sua colecção é constituído por uma série de retratos fotográficos por ele realizados no final dos anos 70, durante a sua estadia nos Estados Unidos onde teve a oportunidade de frequentar os ateliers de Sam Francis, Roy Lichtenstein, ou ainda, Andy Warhol. A partir destes fundos, adormecidos durante vinte anos, ele e a sua mulher Jacqueline reuniram, até aos finais dos anos 90, uma colecção de mais de 250 retratos a preto e branco de diversos artistas. Lista de fotógrafos integrantes da exposição Art Faces: Kurt Blum, Philippe Bonan, Jean-Cristian Boucart, Denise Colombo, Pierre Descargues, Jean Dieuzaide, Luc Fournol, Gisèle Freund, Michael Halsband, Monique Jacot, Benjamim Katz, Barbara Klemm, Herbert List, Oliver Mark, Olivier Mark, François Meyer, Inge Morath, Arnold Newman, Sebastiano Piras, Michael Sima, James Van der Zee, Sabine Weiss. A exposição está patente até ao dia 5 de Janeiro de 2014. 50


Capa: Jean-Michel Basquiat (1960 – 1988) fotografado por James Van der Zee (1886 – 1983), em Nova Iorque, 1982. Cortesia do Musée Würth France Erstein.

Musée Würth France Erstein Z.I. Ouest / Rue George Bresse / BP 40013 F – 67158 Erstein cedex Tel: + 33 (0) 388647484 Mail: mwfe.info@wurth.fr 51


DECADÊNCIA ASPECTOS DO SIMBOLISMO AUSTRÍACO Lower Belvedere 21 Junho a 13 de Outubro 2013

Anjo Vermelho, 1902 Karl Mediz Óleo sobre tela, 172 × 185.5 cm © Colecção Particular, Vienna 52


Esta é a primeira vez que o Belvedere, através de uma grande exposição, destaca as posições multifacetadas do Simbolismo Austríaco. Como primeiro passo para uma revisão, muito atrasada, deste movimento altamente significativo na arte austríaca por volta de 1900, até agora, quase exclusivamente, analisado a partir de aspectos parciais, a exposição oferece uma panorâmica geral do desenvolvimento da aproximação Simbolista na Áustria e Europa Central. Apresentando uma compilação diversificada. de pontos de vista artísticos, com uma série de temas, Decadência - Aspectos do Simbolismo Austríaco, ilustra um amplo espectro de estilos e formas de expressão pessoal. Uma intervenção artística do compositor canadiano e artista reconhecido pelas suas instalações, Robin Minard amplia a experiência visual e acústica da exposição, de modo a que a mesma tenha em conta as aspirações interdisciplinares deste movimento artístico.

Simbolismo como ponto de partida para o modernismo

“Apesar de ter sido a base para os movimentos relevantes do século XX, como o Realismo Mágico ou Fantástico durante o período entre guerras e pós-guerra, o Simbolismo foi visto com desagrado, no mundo da arte. O fantástico e exuberante foram considerados obsoletos, irracionais e decadentes. No entanto, foi particularmente na Áustria que esse estilo, durante muito tempo negligenciado, desempenhou um papel central na evolução do Modernismo. Desenvolver a partir do espírito de decadência descobriu, por si mesmo, uma estética enigmática e mística em declínio,como em 1870”, tal como explica Agnes Husslein-Arco, directora do Belvedere. Tanto Egon Schiele como Oskar Kokoschka, com os seus trabalhos Expressionistas, basearam-se no Simbolismo, enquanto as obras de Gustav Klimt ou Koloman Moser baseiam-se no pensamento Simbolista, movimento que se revelou crucial para o desenvolvimento da pintura abstrata, como se torna evidente, por exemplo, na obra de Franti ek Kupka.

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A Filha do Rei, antes de 1902 Eduard Veith Óleo sobre tela, 74 x 49.5 cm Š Belvedere, Vienna

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The Sphinx of Life, 1898 Franz Metzner Porcelana com esmalte, H 37cm Š BrÜhan-Museum, Berlin Fotografia: Martin Adam, Berlin 55


Em busca de meios para expressar Sensualidade, Magia e Profundidade Procurando uma saída do Historicismo esplendoroso e da superficialidade do Naturalismo, a jovem geração de artistas foi em busca de uma nova forma de expressão que pudesse representar sensualidade, magia e profundidade. Os seus membros analisaram os mistérios da mitologia e misticismo, criando os seus próprios mitos modernos. A pintura historicista e aparatosa, deu lugar a um foco de opiniões subjectivas da mente, rendido a uma linguagem sugestiva de cor e forma. Este abandono da realidade, levou alguns artistas para o poético e outros para visões cósmicas. Foi, principalmente, através da Secessão de Viena que, artistas como Max Klinger, Franz von Stuck, Fernand Khnopff e Jan Toorop divulgaram esta abordagem estética em toda a Áustria e Europa Central. “Decadência - Aspectos do Simbolismo Austríaco ilustra como, no contexto do fim do século, a abordagem da decadência levou à dissolução de normas estéticas tradicionais, em favor de uma experimentação liberal e criativa, com a possibilidade de representação pictórica. Se por um lado, o Simbolismo abraçou vários estilos, por outro, estendeu-se a géneros como a literatura, poesia e música, sendo mais uma mentalidade do que propriamente um estilo”, refere Alfred Weidinger, vice-director do Belvedere e curador da exposição. O carácter interdisciplinar do simbolismo culminou com o surgimento do Gesamtkunstwerk conceito que também é integrado na exposição, sob a forma de uma intervenção acústica, pelo compositor e artista canadiano, Robin Minard, que remete para um ornamento gráfico usado em exposições da Secessão, com a ajuda de 2.000 alto-falantes, sendo inspirado pela música Simbolista, literatura e poesia.

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Folha de calendårio para 1897 Gustav Klimt Imprimido por K..K. Hoflithograf A. Haase, Praga 1897. Cromolitografia 50 x 65 cm Š Museum of Decorative Arts, Prague 57


The Evil Mothers , 1894 Giovanni Segantini Óleo sobre tela, 105 x 200 cm © Belvedere, Vienna

The Judgment of Paris, 1885-1887 Max Klinger Óleo sobre tela, madeira e moldura de gesso 370 x 752 x 65 cm © Belvedere, Vienna 58


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Ex oriente lux, 1911 Karl Wilhelm Diefenbach Óleo sobre tela, 91.5 x 193.5 cm Š Collection Schmutz, Vienna

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Rose Miracle, 1905 Wilhelm List Óleo sobre tela, 185 x 105 cm © Collection du Musée des Beaux-Arts de Quimper

Souls at the River Acheron, 1889 Adolf Hiremy-Hirschl Óleo sobre tela, 215 x 340 cm © Belvedere, Vienna 61


A Imaginação Simbolista entre Visão e Sugestão: Gesamtkunstwerk Juntamente com temas como Da Alegoria ao Símbolo – Rostos - Corpos - Paisagens, Fim do Século e a Idade do Ouro, A Mulher como Símbolo, Entre o Submundo e Universo, Richard Wagner e os Simbolistas, a exposição apresenta obras de Gustav Klimt, Egon Schiele, Giovanni Segantini, Gustave Moreau, Max Klinger, Arnold Böcklin, Jan Toorop, Fernand Khnopff, Alfred Kubin, Franz von Stuck, Luigi Bonazza, Wilhelm Bernatzik, Wilhelm List, Maximilian Lenz, Erich Mallina, Rudolf Jettmar, Eduard Veith, Franti ek Kupka, Maximilian Pirner, Karl Mediz, Arnold Clementschitsch, Koloman Moser, Wenzel Hablik, Ernst Stöhr, Oskar Kokoschka, e outros artistas. O tema Da Alegoria ao Símbolo, ilustra como a imagem simbolista, ao contrário da alegoria clássica, que se baseia na convenção e pode ser apreendida intelectualmente, tem como objectivo causar um impacto sugestivo, colocando a experiência sensual antes do conhecimento racional, justapondo as banalidades da realidade, do mito e misticismo. Rostos – Corpos – Paisagens aborda a preocupação dos artistas com as suas visões subjectivas do mundo. Através da renúncia à representação naturalista, meios artísticos de concepção, podem ser utilizados como veículos de expressão, de modo a que o tratamento do rosto, corpo, retrato da natureza, pintura do nu, arte paisagística e paisagem, numa busca da percepção. O foco do Fim Do Século e Idade do Ouro está na continuação simbolista da melancolia, paisagem atmosférica do Romantismo. Muitos artistas encararam a hipercivilização como um fardo; ansiavam por uma vida simples, analisando a relação entre o homem e o seu ambiente. A secção A Mulher como um Símbolo, mostra como o papel central da mulher, enquanto figura alegórica, assume um novo significado no Simbolismo. Tradicionalmente associada à sensualidade e mistério, a mulher apresenta-se como uma figura ideal de projecção, os vários papéis, 62


oscilando entre santa e prostituta, entre a mulher frágil e mulher fatal, são interpretados em todas as suas facetas e enriquecida por novos aspectos. Entre o Submundo e o Universo, demonstra como a morte é uma transição do mundano para as funções eternas vitais, como uma metáfora perfeita para os objetivos dos Simbolistas: desde as trivialidades da vida quotidiana até aos mistérios da vida após a morte, ao céu e inferno, ao submundo e reinos cósmicos, além do tempo e do espaço. Finalmente, Richard Wagner e os Simbolistas ilustram, como a visão de Wagner da obra de arte total e o seu Anel de Nibelungo, o seu opus magnum apresentado pela primeira vez em 1876, forneceu um repertório inesgotável de motivos inspiradores e uma oportunidade de mergulhar num reino subaquático romântico, que até então só existia na música e na literatura. Assim, pode-se dizer que a obra de Wagner foi, provavelmente, a fonte contributiva mais relevantes feita pelo Simbolismo Austríaco. O download do catálogo está disponível em PDF em : www.belvedere.at/press (login: PR2013) A exposição tem o apoio da Direcção da UNIQA.

LOWER BELVEDERE MUSEUM Prinz-Eugen-Straße 27, 1030 Wien, Austria 63


YIN XIU

NENHUM LUGAR

De 23 Julho a 28 d

798 Art District, No.2, Jiuxianqiao Roa

Após a primeira exposição individu 2010, Pace Pequim tem o orgulho d segunda exposição individual desta chinesa contemporânea, líder no m integrar, de forma imaginativa, mem drásticas e realidades ásperas, co mostrando a realidade do pós-mo delicada, sombreada sobre o seu está bem visível nas suas duas nova “Firework” (2013), apresentadas nesta cair desordeiro dos deslumbrantes fo O caracter feminino da artista, v são evidentes nas suas obras, com e fragmentos, preocupações da ar subtilmente, nas suas obras, pois acelerada da nossa experiência di individualidade e independência da obras, Yin transcende os elementos in alguns valores pessoais no domínio Bhabha, isso é conhecido como Third cultura conceptual internacional, ba de desmorona as práticas culturais e 64


UZHEN

R PARA POUSAR

de Setembro 2013

ad, Chaoyang District, Pequim 100015

ual “Second Skin” de Yin Xiuzhen em de apresentar, em julho deste ano, a a artista. Considerada uma artista mercado, Yin tem a capacidade de mórias e lugares colectivos, mudanças om algumas capacidades intimas; odernismo chinês, a sua qualidade u desenvolvimento incontrolável, as obras “Nowhere to Land” (2012) e a exposição ; rodas paradas no ar, e o ogos-de-artifício. vulnerável, modesto e nostálgico, mbinado com memórias colectivas rtista para o futuro transmitidas, não só, reflectem a historicidade iária, mas também representam a artista. Além disso, através das suas ndividuais e esforça-se em estabelecer o público. De acordo com Homo K. dness, um elemento chave e novo, na aseada no hibridismo, um espaço que narrativas históricas. 65


Yin Xiuzhen BIOGRAFIA

Yin Xiuzhen (nascida em 1963, em Pequim, China) começou a sua carreira no início de 1990 após a sua graduação pela Capital Normal University, em Pequim, onde tirou o Bacharelato em pintura a óleo do Departamento de Belas Artes em 1989. As suas obras já foram exibidas em várias exposições internacionais. Yin Xiuzhen trabalha e vive em Pequim. Mais conhecida pelos seus trabalhos que incorporam objetos em segunda mão, Yin usa a sua arte para explorar as questões da globalização e homogeneização. Através da utilização de materiais reciclados, como documentos esculturais de memória, procura personalizar objectos com alusão à vida de indivíduos específicos, muitas vezes negligenciados, em direcção à urbanização excessiva, ao rápido desenvolvimento moderno e à economia global crescente. A artista explica: “ Numa China em rápida evolução, a “ memória “parece desaparecer mais rapidamente do que tudo o resto. É por isso, que a preservação da memória tornou-se um modo de vida alternativo”.Yin usa a memória como uma ferramenta critica, para examinar a construção política, social e ambiental que a rodeiam. Inspirada pela mudança rápida do ambiente de Pequim, os temas comuns na obra de Yin Xiuzhen incluem; a memória, o passado e o presente, bem como a relação complexa entre indivíduos e a constante mudança da sociedade em que vivem. Através da recolha e montagem de materiais antigos num novo contexto, Yin é capaz de tecer experiências passadas, juntamente com o presente. Desta forma, abraça a noção de memória e experiência, numa tentativa de transmitir aspectos da vida individual em relação à transformação global.

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Yin Xiuzhen tem participado em exposições colectivas e individuais em todo o mundo; China, Holanda, EUA, Rússia, Ucrânia, Japão, Itália, Austrália etc. A artista recebeu uma série de prémios de prestígio, incluindo o Prémio de Arte Contemporânea, na China (CCAA) e o prêmio UNESCO / ASCHBERG em 2000. Os seus trabalhos foram reconhecidos pelo New York Times em 2006, e Art in America, em 2003.

“Black Hole” YIN XIUZHEN 2013 -PACE BEIJING Foto: Cortesia de Pace Beijing

Para mais informações, por favor contactar: Pace Pequim 86,10. 5978.9781 pr@pacebeijing.com | www.pacegallery.com 67


Existem eventos artísticos cuja grandeza não reside no que é apresentado mas, sobretudo, no que é sugerido. Este é o caso de:

One True Art – 16 Responses to the question what art is. (numa tradução literal: “Uma Arte Verdadeira – 16 respostas para a questão o que é a arte)

É uma experimentação artística performativa, que convida o espectador a reconsiderar a noção de arte ao examiná-la sob perspectivas específicas, variando da metafísica à política. O objectivo do projecto é formular uma definição de arte ou reflectir nas razões porque tal definição é impossível. A componente central do trabalho é um evento público compreendendo dezasseis entrevistas, cada uma com uma duração de trinta minutos, com seis peritos em arte – filósofos, críticos, curadores e artistas – no decurso de apenas um dia no auditório 400 no Nouvel Building do Museu Nacional centro de Arte Reina Sofia, em Madrid. Este evento decorrerá em Inglês e será gravado em vídeo. O material Audiovisual resultante deste encontro será projectado no Auditório do Edifício Sabatini até ao dia 6 de Janeiro de 2014. One true art, é um projecto do artista Manuel Saiz para o programa Fisuras do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia:

Calle de Santa Isabel, 52 (perto da Estação de Atocha) 28012 Madrid, Spain

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Masculino / Masculino

O Nu Masculino na arte de 1800 até à actualidade

Pierre et Gilles, Mercure [Mercury] de 2001 © Pierre et Gilles. Cortesia Galerie Jérôme de Noirmont, Paris Jean-Baptiste Frédéric Desmarais, The Shepherd Paris, 1787 Ottawa, a Galeria Nacional do Canadá, Foto © NGC

Nível 0, Área de exposição principal 24 Setembro de 2013 - 02 Janeiro de 2014

Embora tenha sido bastante natural para o nu feminino ser exposto, de forma regular, o nu masculino não teve o mesmo tratamento. É altamente significativo que, até à exposição no outono de 2012 no Leopold Museum, em Viena, não houvesse nenhuma outra exposição que tivesse optado por fazer uma nova abordagem, através de uma longa perspectiva histórica, no sentido de representar o nu masculino. No entanto, a nudez masculina foi, durante um longo período de tempo, desde o séc. XVII até ao séc. XIX, a base da formação tradicional na arte académica, e um elemento chave na arte ocidental. Portanto, ao apresentar a exposição Masculino / Masculino, o Musée d’Orsay, com base na riqueza 70


das suas próprias colecções (algumas esculturas desconhecidas) e noutras colecções públicas francesas, pretende uma aproximação interpretativa, lúdica, sociológica e filosófica, para explorar todos os aspectos e significados do nu masculino na arte. Atendendo a que o séc. XIX inspirou-se na arte clássica do séc. XVIII, e essa influência ainda está bem patente nos dias de hoje, o Musée d’Orsay está a expandir uma série histórica tradicional, a fim de traçar um veio contínuo de criação, através de dois séculos, até os dias de hoje. A exposição vai incluir todo o tipo de técnicas: pintura, escultura, artes gráficas e, claro, a fotografia, terá um lugar igual na exposição. Para transmitir a natureza especificamente masculina do corpo, a exposição, em detrimento de uma apresentação cronológica pesada, leva o visitante a uma viagem através de uma sucessão de focos temáticos, incluindo os cânones estéticos herdados da Antiguidade, a sua reinterpretação do estilo Neo-Clássico, Simbolista e era contemporânea, onde o herói é cada vez mais glorificado, o fascínio realista para a representação verdadeira do corpo, a nudez como estado natural do corpo, o sofrimento do corpo e a expressão da dor e, finalmente, o seu erotismo. O objetivo é o de estabelecer um diálogo genuíno entre diferentes épocas, a fim de revelar como certos artistas foram levados a reinterpretar obras anteriores. Em meados do séc. XVIII, Winckelmann analisou o legado da proporzioni divina, o corpo herdado da Antiguidade que, apesar de desafios radicais, ainda se aplica hoje de forma misteriosa, através da história da arte, como a definição aceitável de beleza. Desde Jacques-Louis David de George Platt-Lynes, LaChapelle e Pierre et Gilles, e inclusive Gustave Moreau, toda uma série de conexões é revelada, em torno de questões de poder, censura, modéstia, os limites da expectativa do público e as mudanças nas normas sociais.

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A glorificação da beleza grega de Winckelmann, revela um desejo carnal implícito, tanto nos homens como nas mulheres, ao longo de dois séculos, desde o grupo “Barbus” e do estúdio de David, até David Hockney e o diretor de cinema James Bidgood. Esta sensibilidade também permeia a viragem do séc.XIX para o séc. XX, uma vez que questiona a sua própria identidade, como podemos ver na extraordinária pintura École de Platon (Escola de Platão), inexplicavelmente, comprada pelo estado francês em 1912, ao artista belga Delville. Da mesma forma, a exposição vai revelar outro visual e relações intelectuais, através das obras de artistas conhecidos como; Georges de La Tour, Pierre Puget, Abilgaard, Paul Flandrin, Bouguereau, Hodler, Schiele, Munch, Picasso, Bacon, Mapplethorpe, Freud e Mueck, exibindo algumas surpresas como, Saint Sebastian (São Sebastião) do mexicano Angel Zarraga, Les Bains mysterieux (Banhos Misteriosos) de De Chirico e os Erótica dos norte-americanos Charles Demuth e Paul Cadmus. Assim, neste Outono, o Musée d’Orsay vai convidar o visitante para uma exposição, que desafia a continuidade de um tema que sempre interessou os artistas, através de confrontos inesperados, ainda que produtivos, entre os vários renascimentos do nu masculino, na arte. Curadores: Guy Cogeval, director do Musée d’Orsay eo Musée de l’Orangerie Ophélie Ferlier, curador escultura, Musée d’Orsay Xavier Rey, curador de pintura, Musée d’Orsay Ulrich Pohlmann, directora da coleção de fotografia, Stadtmuseum, Munique Tobias G. Natter, director do Museu Leopold de Viena A exposição foi organizada pelo Musée d’Orsay, em colaboração com o Museu Leopold em Viena .

Musée d’Orsay 62, Rue de Lille 75343 Paris Cedex 07 France 72


Escola de Platão (detalhe), 1898 Jean Delville (1867-1953) óleo sobre tela, H. 260 ; L. 605 cm Paris, Musée d’Orsay © ADAGP, Paris - RMN-Grand Palais (Musée d’Orsay) / Hervé Lewandowski

Departamento de Comunicação: Amélie Hardivillier: +33 (0)1 40 49 48 56. amelie.hardivillier@musee-orsay.fr Imprensa: Marie Dussaussoy: +33 (0)1 40 49 49 96. marie.dussaussoy@musee-orsay.fr 73


Setembro, 2013

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Line and Stylish PT Set 2013