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Ano XV > Edição 870 > Curitiba, 10 de abril de 2014

Número de vítimas de agressão cresce em 2014 O índice de ocorrências atendidas e registradas pelo Siate, apenas em Curitiba, aumentou de 2013 para 2014, isso apenas nos três p.3 primeiros meses do ano COLUNISTAS

EDITORIAL “Valesca Popozuda pensa, e com certeza, as observações que faz sobre a mulher são profundas.” p. 2

OPINIÃO

Último aumento da frota de táxis em Curitiba foi em 1976

A capital paranaense sofre com o problema crônico da escassez no serviço de transporte, que tem a proporção de um táxi para 778 habitantes p. 4

“Em outros tempos eram amêndoas e um ovo de chocolate. Hoje são dezenas de ovos e ovinhos.” p. 2

#PARTIU O Rei do Pop, Michael Jackson, ganha homenagem em espetáculo brasileiro p. 6

Julia de Cunto “Ir ao Lollapalooza trouxe uma sensação de emancipação, de transpor a barreira do limbo intermitente de apenas ouvir música, para enfim, p. 5 testemunhar a existência dela.” Rodrigo da Silva “Afirma que assinaria novamente o AI-5 e diz que nunca soube de torturas durante o regime. Acreditar ou não?” p. 5


LONA > Edição 870 > Curitiba, 10 de abril de 2014

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EDITORIAL

A imprensa, a educação e um “beijinho no ombro” Essa semana um professor de filosofia de uma escola do Distrito Federal ganhou fama nos portais de notícia e redes sociais. Ao aplicar uma prova, Antônio Kubitschek citou a funkeira Valesca Popozuda como “grande pensadora contemporânea” e pediu que os alunos relacionassem trechos de um de seus sucessos: o hit “Beijinho no Ombro”. Nos últimos dois dias a imagem da prova foi compartilhada milhares de vezes e desde então, imprensa e internautas vem fazendo fortes críticas ao professor. No dicionário Michaelis da Língua Portuguesa a palavra “pensador” é definida como “quem, ou o que pensa” ou “aquele que estuda e faz observações profundas”. Valesca Popozuda pensa, e com certeza, as observações que faz sobre a mulher e seu espaço na sociedade são profundas (em 2013 serviu inclusive como inspiração para uma dissertação da pós-graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense). Não é novidade o uso de letras de músicas em provas e vestibulares. O ENEM 2007, por exemplo, utilizou músicas de “Engenheiros do Havaí” e “Legião Urbana” para a proposta de redação. Como os brasileiros nunca se opuseram a isso parece que o grande problema aqui, não é o uso de música, mas Valesca e seu funk. As avaliações servem – ou pelo menos é o que se espera – para determinar o nível de entendimento do aluno sobre o conteúdo abordado durante as aulas. Dessa forma, não é possível opinar sobre a validade da questão sem saber como o conteúdo foi aplicado em sala pelo professor.

OPINIÃO

Amêndoas e outros “frufrus” Bianca Ogliari

Do hebreu Peseach, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. É a maior festa do cristianismo e comemora a Passagem de Cristo “deste mundo para o Pai”, da “morte para a vida”, das “trevas para a luz”. Após o Carnaval e antes do fim das aulas, ainda que te queiras esquecer, os ovos, coelhos, amêndoas e outros vícios invadem prateleiras de mercados e lojas de formas variadas e indolores, para não nos deixar esquecer que a Páscoa está aí. Na China, o “Ching-Ming” é uma festividade que ocorre na mesma época que a Páscoa. Já na Europa, as origens da Páscoa remontam aos antigos rituais pagãos do início da primavera. A tradição mais forte é a decoração de ovos, ela diz que: “se as crianças forem bem comportadas na noite anterior ao

domingo de Páscoa e deixarem um boné de tecido num lugar escondido”, o coelho deixará doces e ovos coloridos nesses “ninhos”, isso nos países da Europa Oriental, como Ucrânia, Estônia, Lituânia e Rússia. Os Estados Unidos ainda levam a brincadeira de maneira mais tradicional – com a “caça ao ovo”. O capitalismo conseguiu transformar essa data para ele mesmo, criando faltas que não existiam, emprenhando-nos pelos ouvidos, olhos e mentes. A carne não, bacalhau sim. Rico jejum. Festa em época de Quaresma, que erro terrível! Os valores pascoais devem ser cumpridos à risca ou não, segundo a Igreja Católica. Páscoa também nos remete uma época de conveniência: convidam-se aqueles que temos que convidar.

Discussões de família? Nem pense nisso. Em outros tempos eram amêndoas e um ovo de chocolate. Hoje são dezenas de ovos e ovinhos e mais postais, tem criança até emendando uma bicicleta ou uma boneca. Desconfiando que as pobres e originais amêndoas até em desuso já caem. Derrubando o verdadeiro significado da Páscoa, parece que o mundo fica todo errado. Quando substitui valores, quando se impõe valores. Para alguns, mais uma data, para outros uma data bonita, e para todos, chocolate. Com os dentes já cansados de tanto doce precisamos de mais para satisfazer a nossa sensação, falsa de dever cumprido. Aí o mercado entra com 40% de desconto.

No mesmo dia em que a prova, Valesca e sua música ganharam as atenções da mídia e dos brasileiros, a sessão da Câmara Federal para discussão do Plano Nacional de Educação terminou sem votação, dezoito mil alunos permaneceram sem aula em Rondônia por causa da cheia do rio Madeira e um professor sofreu um assalto à mão armada enquanto dava aula em uma escola pública de João Pessoa. Essas notícias foram compartilhadas poucas vezes na internet. Aparentemente, os problemas estruturais da educação brasileira não são importantes. Tudo estaria resolvido, se os professores não utilizassem ícones da cultura popular como exemplos em questões de prova.

Ilustração: Murr-Ma-Ing

Expediente Reitor José Pio Martins Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Arno Gnoatto

Pró-Reitora Acadêmica Marcia Sebastiani Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira Professora-orientadora Ana Paula Mira

Coordenação de Projeto Gráfico Gabrielle Hartmann Grimm Editores Ana Justi, Kawane Martynowicz e Luiza Romagnoli Editorial Lis Claudia Ferreira


Curitiba, 10 de abril de 2014 > Edição 870> LONA

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NOTÍCIAS DO DIA

Ocorrências com vítimas de agressão cresce no início de 2014 As agressões atendidas e registradas pelo Siate em Curitiba são as mais variadas, a única constante é o aumento das ocorrências Laura Torres

Comparando os três primeiros meses dos anos de 2013 e 2014, apenas janeiro deste ano apresenta um número menor de agressões em relação a fevereiro e março do ano passado. Na comparação do mês de março de 2013 e de 2014, houve um aumento de 33% nos registros de agressão em Curitiba. De acordo com informações do Siate, o número de ocorrências com vítimas foi de 108 em março deste ano e 87 no ano passado. O mês de fevereiro de 2014 vem em segundo lugar. Foram 87 vítimas registradas em 2014 e 73 vítimas em 2013. A diferença de registro de ocorrências em janeiro de 2013 e 2014 é de apenas seis ocorrências com vítimas. O número de 2014 é de 82, e de 2013 é 88. A estudante de Medicina, Lislaine Cruz, testemunhou a agressão de um homem contra uma mulher, na rua. “Entramos na rua de casa e vimos uma moto no chão, o motoqueiro estava

Foto: Arquivo Bem Paraná

batendo com o capacete na mulher, ela pedia para ele parar, mas ele continuava”, conta a estudante. Em uma atitude arriscada, Lislaine parou o carro e gritou para que a mulher entrasse. “Ela estava tremendo, com o braço machucado e disse que não era a primeira vez que ele batia nela, depois deixei ela na casa de um parente. Mas foi horrível”, explica. Maria Fernanda Isolani, 20 anos, estudante de Fisioterapia, foi alvo de agressão psicológica. “Desci do ônibus e estava caminhando com meu namorado para a rua de casa, quando dois homens apareceram com três armas e mandaram a gente deitar no chão. Apertaram a arma na minha cabeça e seguraram a gente por uns cinco minutos. Levaram tudo o que tínhamos”, descreve. Para o estudante de jornalismo, Lucas Silveira de Lavor, de 18 anos, a agressão foi diretamente contra ele. Lavor conta que estava festejando o carnaval em Guaratuba, no dia 2 de março de 2014, com mais dois amigos, quando decidiram ir embora. Enquanto caminhavam para a travessa em que o carro estava estacionado, quatro a seis pessoas abordaram os garotos. “Eles perguntaram o que a gente ia fazer e nós demos uma resposta vaga do tipo ‘ah, vamos ali, não te interessa’. Nisso, um dos homens agarrou um dos meus amigos, mas ele conseguiu escapar e todos nós saímos correndo, eu tropecei e fiquei para trás”, explica. Depois disso, Lavor conta que levou chutes na cabeça e desmaiou. A consequência da agressão foram três placas de titânio, mandíbula quebrada e o nariz quebra-

O terror psicológico, como ser ameaçado com armas também é uma forma de agressão ao indivíduo > Foto: Arquivo Tribuna Hoje

do em dois lugares. Apesar dos danos, o estudante considera ter se recuperado rápido. Lucas Lavor, ainda pretende fazer o Boletim de Ocorrência, já que não foi feito em Guaratuba. “Pretendo fazer em breve, mas não agora”, explica. Ao contrário da história de Lavor, o estudante de direito, Lucas Isquierdo,

“O motoqueiro estava batendo com o capacete na mulher.” 18 anos, não sobreviveu. “Ele estava em uma festa com mais dois amigos no Largo da Ordem. Na saída da festa, houve um tumulto, acho que mexeram com um dos amigos dele, mas quando saíram eles foram agredidos”, explica Rita de Cássia Rosa, 52 anos, advogada e mãe de Lucas Isquierdo. O caso aconteceu na noite do dia 6 para o dia 7 de dezembro de 2013, quando Lucas e um amigo foram agredidos por vários rapazes (estima-se que sejam mais ou menos 10 pessoas), com pauladas e chutes na cabeça. O estudante ficou oito dias internado na UTI do Hospital

Evangélico, mas faleceu no dia 14 de dezembro de 2013. Sobre as investigações, Rita de Cássia explica: “A polícia está se empenhando bastante, tinham várias pessoas no local. O outro amigo do Lucas, (que também estava no local, mas não foi agredido porque fugiu) não sei se houve um bloqueio ou o que aconteceu, mas ele diz que não lembra de nada. Mas a polícia está se empenhando, eu tenho confiança e acredito na justiça, sei que vão localizar os agressores”. Lucas Isquierdo era um menino tranquilo. A mãe explica que ele nunca se interessou em aprender alguma luta, a única coisa que fazia era academia e adorava tocar violão. “Ele adorava ler e não era violento, tanto que no enterro dele todo mundo estava indignado, porque ele era supertranquilo”, descreve. Isquierdo cursava o segundo período no curso de direito e já estagiava em um dos melhores escritórios de advocacia de Curitiba. “Ele conseguiu o estágio por mérito dele, se inscreveu, mandou currículo, fez a entrevista e conseguiu”, explica Rita de Cássia. O mês de abril de 2014 apresenta uma diminuição de 50% de ocorrências registradas com vítimas, comparadas ao mês de abril de 2013, no período de 01/04 até 08/04.


LONA > Edição 870 > Curitiba, 10 de abril de 2014

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GERAL

Curitiba sofre com problema crônico na oferta de táxis 40 anos atrás, os editais da Prefeitura indicavam o aumento da frota de táxis na cidade. Naquele período, a Capital tinha 600 mil habitantes Graziela Fioreze

O último aumento da frota de táxis na cidade de Curitiba ocorreu em maio de 1976. Desde então, três décadas se passaram e a demanda evidentemente cresceu, embora a oferta não tenha se ampliado. A capital paranaense sofre com o problema crônico da escassez no serviço de transporte, que tem a proporção de um táxi para 778 habitantes. A demora no atendimento é uma das principais reclamações de quem utiliza o serviço. Há quase 40 anos atrás, os editais da Prefeitura indicavam o aumento da frota de táxis na cidade. Naquele período, a capital paranaense tinha 600 mil habitantes. Atualmente, mais de 1,7 milhão de pessoas residem em Curitiba, como mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população se expandiu mas a oferta do serviço de táxi permaneceu a mesma, gerando insatisfação àqueles que

precisam do transporte para se locomover. Para o Presidente do Sindicato dos Taxistas do Paraná, Abimael Mardegan, o aumento na oferta do serviço nas ruas contribuiria para a mobilidade urbana: “com mais táxis nas ruas, tirase mais carros da rua. Um táxi chega a suprir 5 carros”, afirma. Ainda segundo o presidente, esse sistema “arcaico e ultrapassado” acaba insatisfazendo também a classe de taxistas. “Nós estamos aqui para atender o nosso cliente. Nós temos que tratar a população de uma forma exemplar, mas a prefeitura não nos permite isso porque segura a liberação de táxis”, aponta. Vinicius Travagin, engenheiro especialista em Infraestrutura de Transporte, aponta alguns fatores que podem influenciar na escassez de oferta no sistema curitibano. Para ele, a questão histórica voltada para o modelo de transporte coletivo por ônibus, por ser ainda muito forte na cidade – que já que foi bastante copiado por outros países, tem um certo peso. Outro aspecto levantado pelo engenheiro é de que táxi, embora possa transportar até quatro passageiros em uma mesma viagem, ainda é entendido como transporte individual. “Existe uma tendência de não se dar atenção ao táxi por não se entender que ele é um transporte de massa. Há uma compreensão equivocada a respeito, que faz com que o Poder Público tenha um olhar muito mais atencioso para os ônibus, que acabam atendendo um maior número de pessoas”, explica Travagin.

Foto: Arlindo Pereira > Arquivo Wikipedia

Foto:: Arlindo Pereira > Arquivo Wikipedia

Faltam táxis Urbs divulgou recentemente a licitação que pretende adicionar 750 novos táxis na frota da cidade Ana Lúcia Vieira, dona de casa, utiliza o serviço com frequência e afirma que já enfrentou dificuldades para ser atendida. Algumas vezes, inclusive, desistiu de fazer o chamado. “O serviço em Curitiba está defasado. Faltam táxis e não existe consideração com os clientes, pois eles (os taxistas) não avisam que não vem e ficamos horas esperando”, relata. Para aumentar o número de veículos, principalmente pela chegada da Copa do Mundo, a URBS divulgou recentemente a lista com os vencedores da licitação que pretende adicionar 750 novos táxis na frota da cidade. Atualmente, Curitiba tem 2.252 veículos em atividade na prestação do serviço de transporte. A licitação, aberta em dezembro do ano passado, promete aumentar a frota para 3.002 veículos e o novo regulamento da atividade também faz algumas exigências: nos horários de pico, a frota completa deverá circular pelas ruas da capital; obriga-se o funcio-

namento de cada veículo por no mínimo 12 horas por dia (o taxista tem o direito de cadastrar dois motoristas auxiliares). A questão que ainda levanta dúvidas é se o aumento de 30% na frota será suficiente para suprir a demanda da cidade, tanto no período de duração da Copa, quanto nos meses seguintes, uma vez que Curitiba tem solicitado cada vez mais o serviço. Para o presidente do Sinditaxi-PR, o aumento em 750 veículos ainda não é suficiente: “a demanda de Curitiba hoje permitiria entrar 4 mil táxis na praça. E isso não implica em Copa do Mundo, mas sim na população. É a população que está carente”, finalizou Mardegan. Após a convocação dos selecionados para cadastramento e apresentação de veículos, os taxistas estarão habilitados para trafegar. Segundo a URBS, a previsão é de que até o fim de maio os veículos já estejam em circulação nas ruas da capital.


Curitiba, 10 de abril de 2014 > Edição 870> LONA

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COLUNISTAS do que passar o dia ouvindo música boa ao lado de alguém especial. Vale a pena o esforço.

Poética Emblemática Julia de Cunto

Corra, Lolla, Corra No último sábado (5), realizei o sonho da minha infância de ir a um festival de música. Depois de seis horas de viagem, uma caminhada exaustiva no sol, o desmaio da minha mãe na fila do show – explicarei melhor quando vier a lançar o livro “Como quase matei minha mãe ao levá-la a um festival de rock” – eu, ela e meu namorado (também arrastado solenemente) chegamos ao autódromo de São Paulo, não tão sãos, mas salvos. Devo ressaltar: é preciso uma grande preparação física, psíquica e espiritual para aguentar um

dia inteiro de shows em um calor incomum na cidade de São Paulo. Foram grandes os pecados na organização do Lollapalooza: falta de sinalização, funcionários mal informados, fila para tudo, e quilômetros de distância entre os palcos, além da maconha livre e o preço impraticável dos souvenires (em média, R$ 100,00 por uma camiseta). E para piorar, as operadoras não suportaram os quase 70 mil usuários tentando compartilhar fotos pelas redes sociais, e o 3G não funcionou. Mas ainda assim, não há recompensa maior

O melhor do sábado foram, definitivamente, as bandas mais novas. Os franceses do Phoenix e os norte-americanos dos grupos Capital Cities e Cage The Elephant deixaram para trás os “headliners” Muse, cujo vocalista, o britânico Matthew Bellamy, estava com uma voz rouca não habitual; e Nine Inch Nails, da velha guarda americana, que também teve alguns desajustes. E o que tenho a dizer sobre Julian Casablancas: bonitinho, mas ordinário. Aderiu o estilo protopunk e parecia cantar a mesma música durante o show inteiro. O que era uma lenda pra mim, resumiu-se em gritos e solos de guitarras maçantes. Afirmo também não ter nenhum arrependimento em ter trocado o show do Imagine Dragons pela performance incrível de Portugal. The Man, um grupo do Alasca (não, não são portugueses) desconhecido para muitos – e esse talvez seja um dos aspectos mais legais do festival , que é

a possibilidade de incrementar o seu playlist com bandas novas e bacanas que conquistou corações com um som neo-psicodélico suave, totalmente original. A grande musa foi a neozelandesa Lorde, que arrancou lágrimas das fãs enlouquecidas com uma voz incrível e arranjos musicais pra lá de sensacionais. E depois de vê-la ao vivo acredito veementemente que ela é a voz dos adolescentes descolados e a frente de seu tempo, afinal, nem todos são capazes de ganhar um Grammy aos 17 anos. Tenho dito! Ir ao Lollapalooza trouxe uma sensação de emancipação, de transpor a barreira do limbo intermitente de apenas ouvir música, para enfim, testemunhar a existência daquilo que me acompanha durante toda a vida. A música move o mundo com seu ritmo, e dá voz às manifestações ao longo das gerações. Se você é garageiro, poptchura, indie-folk ou post-punk revival e um dia tiver a oportunidade a ir a um festival como esse, agarre-a com força e aproveite o máximo que puder.

Ingenuidade ou condescendência O programa de Roberto D’Avila, na GloboNews, teve como entrevistado, no último sábado, a inexorável figura do ex-ministro Delfim Netto. Na tênue relação entre ideias progressistas e a defesa à Ditadura Civil-militar, Delfim é uma incógnita. Confesso, não foi fácil assisti-lo até o fim.

o ex-presidente Médici perguntar se “os boatos” de que havia tortura eram verdadeiros. Disse ter ouvido da boca do presidente que o questionamento não procedia. Para ele, não havia motivos para duvidar de Médici. Não?

No mês dos 50 anos do golpe, nada mais intrigante do que ouvi-lo. Aos 86 anos, ele está na ativa. Escreve semanalmente a revistas com viés progressistas. Sobre o ex-presidente Lula, dá 9,5 de nota e o classifica como um diamante bruto. Se diz otimista com o futuro do Brasil e acha o Bolsa-família um programa exemplar.

A história do Brasil parece passar ao longe das verdades que a cerca. E respostas como a do ex-ministro obscurecem ainda mais esse passado tenebroso. Como alguém tão próximo e tão poderoso do regime pode negar o que se sabia e o que hoje está mais do que comprovado. As torturas não só foram praticadas, como legitimadas pelo Estado. Elas foram um instrumento de repressão e deram poder à Ditadura.

Ao mesmo tempo, chama o Golpe de Redentor. Afirma que assinaria novamente o AI-5, pois fora necessário e diz que nunca soube de torturas durante o regime. Acreditar ou não? Não só caricato, Delfim Netto é complexo. Dentre as muitas histórias, contou que foi até

Como, portanto, entender que figuras como a de Delfim com tantas peculiaridades, dentre elas inúmeras positivas, venha a público e seja condescendente com aquilo que não mais precisa ser. Delfim chorou durante a entrevista ao lembrar-se de um encontro com Jus-

Geni e o Zepelim

Rodrigo da Silva

celino Kubisheck, na França, quando o ex-presidente vivia o amargo exílio e o ex-ministro era embaixador em Paris. Na ocasião, em um bar, foi até Juscelino e chamando-o de presidente o cumprimentou firmemente. JK deixou lágrimas cair. Sofria por não poder voltar ao Brasil. Juscelino voltou e foi morto por esse regime que agora Delfim chama de Redentor. Ao que tudo indica Jango também o foi. Herzog, Zuzu Angel, Stuart, Rubens Paiva e tantos outros tiveram o mesmo fim. Antonio Delfim Netto se não negasse as mazelas e barbaridades da Ditadura não perderia seu pos-

to de O Grande Homem da Economia. Ganharia, pelo contrário, o título de homem sério que é acrescido de honras, dignas de um verdadeiro homem democrático e de Estado. Infelizmente, preferiu não fazê-lo. Quanto a Roberto D’Avila – sempre muito simpático – ficou na iminência de perguntas às quais não poderia deixar de ter feito, no entanto, também não o fez. Instigou, mas – assim como fez com Joaquim Barbosa – recuou, foi complacente e elegante, diga-se, até demais. Contudo, isso é tema para outro momento.


LONA > Edição 870 > Curitiba, 10 de abril de 2014

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ACONTECEU NESTE DIA

Inicia-se a Guerra Civil Americana Em 10 e abril de 1861 inicia-se a Guerra da Secessão entre os estados do norte e do sul, nos Estados Unidos. Os estados do Norte ganham a guerra e é abolida a escravidão no país todo. Foi uma guerra civil travada entre 1861 e 1865, em razão de vários estados escravistas do Sul terem declarado sua secessão, e unirem-se para formar os Estados Confederados da América (conhecidos como “Confederação” ou “Sul”). Os estados que não se rebelaram ficaram conhecidos

como “União” ou simplesmente “Norte”. A guerra teve sua origem na controversa questão da escravidão, especialmente nos territórios ocidentais. Após quatro anos de sangrentos combates que deixaram mais de 600 mil soldados mortos, e destruíram grande parte da infraestrutura do sul do país, a Confederação entrou em colapso, a escravidão foi abolida, deu-se início a um processo de reconstrução, no qual a unidade nacional garantiu direitos civis aos escravos libertos.

Soldados negros lutam por sua liberdade > Foto: Arquivo Blog Mundo Cidadão

#PARTIU Em Cartaz

Rodrigo Teaser estrela tributo ao rei do pop

Capitão América 2 – O Soldado Invernal Aventura > 136min > 12 anos Estreia o segundo filme do Capitão América e adapta a história do surgimento do Winter Soldier dos quadrinhos.

“Ingressos já estão à venda para o maior espetáculo latino em homenagem a Michael Jackson, que vem pela primeira vez a Curitiba”

Refém da Paixão Drama > 111min > 12 anos Eles Voltam Drama > 95min > 12 anos

Música Tributo ao Rei do POP Data: 10 de maio > Horário: 21h15 Duração: 1h30 > Ingressos: R$51 à R$116 Local: Teatro Positivo – Grande Auditório U2 – Zen Garden Data: 10 de abril > Horário: 21h Duração: 90min > Classificação: 16 anos Ingressos: R$246 inteira R$126 meia-entrada (plateia inferior) > R$176 inteira R$91 meia-entrada (plateia superior)

Cinema Alternativo A Grande Beleza (Itália) Comédia, Drama > 142min > 14 anos A Beleza de Iara (Brasil) Documentário > 91min > 12 anos Prenda-me (França) Drama > 99min > 14 anos Vidas ao Ventos (Japão) Animação > 126min > livre

O significado e o legado de Michael Jackson ainda permanecerão vivos por muitas gerações. Prova disso é o sucesso do show “Tributo ao Rei do Pop”, estrelado por Rodrigo Teaser e considerado o maior espetáculo da América Latina em homenagem ao astro norte-americano, que desembarca pela primeira vez em Curitiba. O show demandou dois anos de pesquisa e investimento para chegar o mais próximo da realidade que era assistir ao show de Michael Jackson. Com realização da Prime, a inédita apresentação que recria toda a estrutura das principais performances do Rei do Pop. Dois anos de pesquisa e investimento para a concepção do show, contando, inclusive, com entrevistas feitas com os integrantes originais da produção do Michael Jackson. No repertório, grandes clássicos como “Billie Jean”, “Thriller”, “Beat it”, “Smooth Criminal”, “Black or White”, entre outros, na voz e desempenho de Rodrigo Teaser e banda ao vivo. O show conta com elementos que compunham a produção de Michael Jackson como bailarinos, efeitos pirotécnicos e

Espetáculo reproduz com exatidão shows do astro Michael Jackson > Foto: Divulgação

especiais, elevadores de palco e vídeos produzidos especialmente para o show. As coreografias, assim como os arranjos e figurinos, são reproduções exatas dos originais. Inclusive é o único show da América Latina com o aval do coreógrafo Lavelle Smith, responsável pelas principais performances de Michael Jackson.


Lona 870