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Notícia Antiga No dia 12 de setembro de 2003, o mundo se despedia de Johnny Cash, um dos maiores músico dos Estados Unidos

Edição 827

Curitiba, 12 de setembro de 2013

lona.redeteia.com

Voto secreto é abolido pela Câmara de Curitiba Anderson Tozato/CMC

A Câmara Municipal de Curitiba aprovou ontem projeto que acaba com o voto secreto para parlamentares. A aprovação só foi possível depois de três dias de análise do projeto no Regimente Interno da casa. O fim do voto secreto foi aprovado com 35 votos, dos 38 vereadores presentes. Página 3 Prefeitura de Campo Largo

A prefeitura de Campo Lardo promove um projeto de conscientização sobre drogas em todas as escolas do município, o Pescô, Projeto Prevenção em Escolas e Comunidades. 40 escolas do município já receberam a equipe que, por meio de vídeos e palestras, procura inserir o tema nas salas de aula alertando os alunos sobre os riscos das drogas lícitas e ilícitas. Além da conversa com os alunos, são promovidas reuniões com os pais e professores.

O Pescô tem parceria com 15 Comunidades Terapêuticas. Quando necessário, o projeto encaminha os usuários para essas comunidades. 230 pessoas já foram encaminhadas ao tratamento por meio desse projeto. Outros municípios têm solicitado a presença do projeto em suas escolas, como Balsa Nova, cujas escolas estaduais já receberam a visita do Pescô. Página 4

Opinião

Voto secreto

Mascarados

Por onde anda?

“No entanto, não se pode comemorar isso como um avanço. Inclusive, há até pontos a se lamentar quando se vê tanta comemoração.”

“Infelizmente, incluir os cidadãos de causas nobres em um grupo de pessoas que não sabe bem o que quer não seria o correto.”, Isabelle Kolb

O que fazem os estudantes de jornalismo depois de formados? Saiba por onde anda a ex -aluno Daniel Piva.

Colunistas

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Política “Ora, seria isso uma chantagem política? Sim, e as vésperas da corrida presidencial começar, ela vale muito”, Jorge Washington.

Cultura?


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Não é um avanço Ao saber do resultado da votação na manhã de ontem, na Câmara dos Vereadores de Curitiba, que derrubou por unanimidade o voto secreto ao alterar o Regimento Interno da Câmara, a impressão é de vitória. No entanto, não se pode comemorar isso como um avanço. Inclusive, há até pontos a se lamentar quando se vê tanta comemoração. Há muitos motivos para analisar a situação dessa forma.

O primeiro deles é que essa aprovação é apenas o primeiro passo. Para acabar de vez com esse mecanismo torpe, é preciso mudar a Lei Orgânica do município, ou seja, não depende apenas da votação que aconteceu ontem, mas de um processo mais demorado e também passível de aprovação. O segundo motivo é o fato de que os vereadores votavam secretamente em apenas três casos:

cassação e prefeito, cassação de vereador e veto de prefeito. Obviamente que é muito salutar que se tenha derrubado a votação secreta para esses casos, no entanto, alardear que agora não existe mais voto secreto na Câmara é supervalorizar uma atitude dos vereadores; torná-la muito mais importante do que realmente é. O terceiro e mais forte motivo diz respeito à docilidade do brasileiro. A de-

finição do homem cordial, explicitada no brilhante Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, é cada vez mais evidente nesses arroubos de comemoração que surgem com aprovação de leis óbvias que já deveriam vigorar há muito tempo no país. Fica claro como o brasileiro é dócil, pacífico, pacato. Só que, em doses maiores, a docilidade pode virar burrice. E é nesta última característica que,

Eu ingressei na faculdade em 2007 e me formei em 2010. Meu interesse sempre foi pela esfera esportiva e, embora tenha estagiado em outras áreas (política e assessoria de impresa), foi nela que me dediquei. Em 2010 iniciei um está-

gio de produtor na equipe de esportes da Rádio Transamérica. Após me formar, fui efetivado e desde então passei a ganhar espaço na reportagem. Além da Transamérica, atuo como assessor de imprensa para al-

Um desabafo de brasileiro desmotivado

Expediente

mato. Já o contra argumento da OAB diz que esse projeto é inconstitucional e ilegal, uma vez que já existe liminar na Justiça que autoriza a polícia a abordar mascarados e solicitar a identificação. Durante a audiência, só puderam entrar os que eram a favor da lei. Quem era contra, sem ser revistado pelos policiais, foi acusado de portar pedras nas mochilas e não pôde participar. Analisando todos os casos de protestos ocorridos em diversas cidades

não pode ser secreto. É evidente que isso já deveria valer há muito mais tempo, no mínimo desde que vivemos em um regime democrático e com eleições diretas. Em vez de comemorar, deveríamos lamentar que tudo isso só tenha ocorrido agora, em 2013.

Daniel Piva

Por Onde Anda?

Sem nenhuma novidade, o poder toma do povo outro direito: o de se manifestar da forma que quiser. O projeto de lei que proíbe os mascarados em manifestações populares sem cunho cultural foi aprovado nessa terça-feira (10) pela Assembléia Legislativa e tem 15 dias para ser sancionado ou vetado pelo governador Sérgio Cabral. O argumento é de que quem vai às ruas lutar por direitos apenas, sem vandalismo, não precisa vivenciar o anoni-

infelizmente, muitos político se apoiam. Em uma época de redes sociais e total falta de privacidade, é no mínimo questionável que parlamentares ainda possam esconder seus votos. Se pensar, então, no fato de que representam pessoas que votaram neles, e não têm um cargo no qual respondam apenas por eles mesmos, isso é ainda mais absurdo e incompreensível. É evidente que o voto

brasileiras até agora, voltamos ao velho ditado de que “quem planta, colhe”. Infelizmente, incluir os cidadãos de causas nobres em um grupo de pessoas que não sabe bem o que quer não seria o correto. Mas é o que acaba acontecendo. Visto que o alvo dos protestos é a política mal feita e sua disfarçada ditadura sobre o povo, é de se esperar que aglomerados mal organizados, sem objetivos definidos, onde a destruição até de patrimônios privados está pre-

gumas empresas do segmento das artes marciais e abri uma empresa, a PGTM Comunicação, que tem como cliente alguns portais de outros eixos do Brasil, como o Terra. Recentemente passei a fazer ‘freelas’ para o

jornal Tribuna do Paraná e ingressei na faculdade de Direito - já estou no terceiro período e tenho a ambição de conciliar as carreiras de jornalista e advogado.

Isabelle Kolb

sente nas mãos de quem se acha no direito de militar em causa nenhuma, sejam alvo de mais repressão. Então: bem feito! Serve de lição! Isso mostra que ainda temos que caminhar muito para que nossos gritos sejam ouvidos. Mostra que não conseguimos nada. Ganhamos apenas mais uma condição para fazer a única coisa a que supostamente temos direito nas decisões do país: ir contra elas. Até nisso nos foi tirada a “liberdade”. É

nessa bagunça que deveríamos dar ouvidos àqueles que militavam por suas causas antes desse surto repentino de mágoas reprimidas. No entanto, é preciso escutar apenas os que querem reunir o povo e não os que querem classificar amadores e pregar, revoltados, suas ideologias de alto conhecimento. Sem hipocrisias. Esse não é um depoimento de quem faz parte da velha escola dos protestantes. Também não é de quem é a favor da lei ou das repres-

Reitor: José Pio Martins Professora-orientadora: Ana Paula Mira Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto Editores: Júlio Rocha, Lucas de Lavor e Marina Geronazzo Pró-Reitora Acadêmica Marcia Sebastiani Editorial: Da Redação Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira

sões. É de quem recentemente ganhou um incentivo e que logo em seguida lhe foi arrancado. Os brasileiros não chegaram a um acordo e querem acordo com outros brasileiros. Querem se provar revoltados mais do que lutar. Querem ensinar reprimindo os ideais amadores dos principiantes. Em um país, onde mesmo o povo sendo maior que o poder em quantidade, Davi continuará derrubando Golias.


Notícias do Dia

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Fim do voto secreto na Câmara Ainda faltam dois turnos de votação para mudança na Lei Orgânica e efetivar o voto aberto. O voto secreto se manteve para cassação de vereador e de prefeito. Quanto aos vetos do prefeito ainda causa controvérsias entre os vereadores Lucas de Lavor

Fernando Fogaça

Anderson Tozato/CMC

Foi aprovado , no início da tarde de ontem (11), o voto aberto na Câmara Municipal de Curitiba . A abolição do voto secreto foi dada depois de três dias de análise dos itens que compõem a mudança no Regimento Interno da casa. Para aprovação efetiva, será necessário mais um turno na votação e mais dois turnos para a abolição do voto secreto na Lei Orgânica. O presidente da casa, vereador Paulo Salamuni (PDT), considerou o dia “histórico” para casa evidenciando a transformação que a casa sofreu desde a liderança passada. Dos 38 vereadores, 35 estavam presentes e que votaram a favor do voto aberto na casa. No total foram 31 artigos alterados no regimento e faltaram mais 11, porém a sessão foi adiada para a próxima segunda-feira por falta de quórum (números de parlamentares necessários para a sessão). Um Projeto de Lei foi aprovado para avaliar alguns artigos específicos do regimento para análise mais criteriosa. Uma das análises realizadas pelos vereadores foi a figura do colégio de líderes, que agora institucionalizado e terá reu-

Vereadores aprovaram mudanças no Regimento Interno que extinguem o voto secreto Mesmo que possa secreto daria outro reador Pedro Paulo niões frequentes. As análises dos ar- valer oficialmente, resultado”. disse que a casa já tigos do novo regi- o vereador Serginho Apenas três situações tinha em mente remento começaram do Posto ressaltou deverão continuar tirar o voto secreto e no final da sessão que, por mais que com o voto secreto Salamuni completou plenária de segun- fosse o voto secre- são eles: cassação de dizendo “ Câmara de da-feira e logo foi in- to até o momento, vereador, cassação Vereadores de Curiterrompida para que lembra que os votos de prefeito e vetos ao tiba ouve as vozes desse continuidade sempre foram aber- prefeito. No caso dos das ruas e entra em na terça-feira. A mu- tos. “Nós estamos vetos, a Câmara ain- sintonia com as madança do regimen- apenas abrindo para da pretende instituir nifestações do povo to interno é apenas que o cidadão tenha o voto aberto, contu- brasileiro”. Salamuni uma das alterações acesso e fiscalizar do alguns vereadores também considerou que precisa ser feita o parlamentar, de se mostraram con- o dia histórico para a para que o voto aber- qualquer maneira tra. Jonny Stica (PT) Câmara de vereadoto seja efetivo, já que sempre foi divulga- diz que com muita res: “Foram três dias é previsto duas vota- do (votos) pela im- dificuldade que um seguidos de análise ções para o regimen- prensa”. Durante a veto do prefeito será e estamos bem além to (já realizadas), e votação para o voto derrubado, alegan- do horário, esse 11 duas para a mudan- secreto, Serginho fez do que os vereado- de setembro será hisça da Lei Orgânica uma observação de res podem se sen- tórico para Curitiba”. da cidade (espécie que “eu acho que se o tir “constrangidos”. Apenas às 13:10h Manfron que o voto aberto foi de “Constituição” voto para a abolição Ademir própria da cidade). do voto secreto fosse (PP) e Jairo Marceli- votado e extinto. no (PSD) manifesta- Na segunda-feiram apoio a Stica. ra, apenas o fina da Essa é a segunda re- sessão plenária foi forma do regimen- destinada à iniciar to em menos de um a discussão sobre a ano. Ano passado, mudança no Regiuma comissão se re- mento Interno. Pounião especialmente rém, pouco antes para essa mudança, do encerramento, o porém algumas fa- vereador Professor lhas foram percebi- Galdino exigiu que das no decorrer do seu pedido de disano foram constadas curso na tribuna fospelos vereadores. Na se cedido, foi quando segunda-feira, o ve- reclamou da propa-

ganda que a Câmara de Vereadores fazem ao aderirem ao voto secreto nessa altura, já que sem os dois turnos de votação da Lei Orgânica, não há mudança efetiva, além de que, normalmente se altera a Lei Orgânica em primeira instância. Salamuni revidou falando que a votação iria ocorrer de um modo ou de outro, e que o processo - dois turno de votação para o regimento e dois turnos para a Lei Orgânica – funciona como um todo e que não há tendências. O Projeto de Lei que retira o voto secreto da Lei Orgânica está em tramitação, projeto proposto pelo Professor Galdino (PSDB) e conta com o apoio de mais 13 vereadores.


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Geral

Prefeitura de Campo Largo promove projeto de prevenção às drogas 40 escolas do município já foram visitadas; projeto tem parceria com 15 Comunidades Terapêuticas Jaqueline Baumel

A Prefeitura Municipal de Campo Largo promove, desde o início do ano, um projeto de conscientização sobre drogas lícitas, como álcool e tabaco, e ilícitas nas escolas do município. Das 80 escolas da cidade, o Pescô, Projeto Prevenção em Escolas e Comunidades, já esteve em 40 delas e pretende alcançar as demais até o final do ano. O Pescô é coordenado pela Secretaria Municipal de Políticas Sobre Drogas e acontece em quatro etapas: na primeira, a equipe do Pescô apresenta a proposta do projeto à equipe pedagógica da escola, depois, conversa com os pais dos alunos alertando sobre o tema. A terceira etapa consiste na apresentação de vídeos e palestras a todos os alunos e, por fim, o projeto leva arte de rua aos estudantes, como música e grafite. Segundo o secretário municipal de Políticas Sobre Drogas, Carlos Weber, esse projeto tem como objetivo capacitar os jovens com informações, distanciando-os das drogas, inserir a prevenção às drogas ao conteúdo do Plano de Trabalho Docente (PTD) e orientar os pais dos alunos sobre como tratar desse assunto. “Nós apresentamos aos alunos os principais dados que refletem a realidade

do Brasil hoje, como no caso do álcool, que mata aprox i m a d am e n te 40 pessoas por ano em acidentes nas estradas do país; queremos mostrar, também, que é possível se divertir longe das drogas”, explica. Ainda segundo o secretário, os estudantes têm se mostrado muito interessados nas palestras, interagindo com a equipe do Pescô por meio de perguntas sobre o Alunos de teatro do Colégio Juventude, de Balsa Nova, em sua primeira apresentação no auditório da Prefeitema. tura de Campo Largo. O Colégio Estaos alunos em um usuários para es- projeto e entra- e Balsa Nova. “O dual Sagrada Fasó lugar.” Ainda sas comunidades. do em contato teatro é uma formília recebeu o segundo a dire- “90% dos casos com a Prefeitura ma lúdica e diPescô na semana tora, as palestras que chegaram até de Campo Lar- vertida de ensido dia 5 de agostiveram uma boa nós necessitan- go solicitando a nar a temática do to. A equipe pasaceitação por do de internação presença da equi- projeto”, explica sou por 53 salas parte dos jovens, foram recebidos pe do Pescô. O o secretário. No de aula e realizou que se identifica- por essas Comu- projeto já esteve último dia 20, duas reuniões com pais e professores. A diretora, irmã Lucia Staron, conta que equipe pedagógica do colégio realiza, todo ano, palestras e atividades sobre o tema. “O Pescô veio pra auxiliar um projeto que a escola tem. Porém, a gente precisa contratar palestrantes. Este ano fomos presenteados pela Secretaria Municipal de Políticas Sobre Drogas, que trouxe as inSecretário municipal de Políticas Sobre Drogas, Carlos Weber, no Colégio Estadual Sagrada Família. formações gratuitamente”, conta. ram com o tema. nidades Terapêu- em todos os co- os alunos do CoA diretora expliparceiras. légios estaduais légio Juventude Outra finalida- ticas ca que nos outros de do projeto é Na maioria dos de Balsa Nova e apresentaram a anos era necessáo tratamento de casos, consegui- iniciou uma par- primeira peça de rio reunir todos usuários de dro- mos a internação ceria com o Colé- teatro. A estreia os alunos no sagas. “Nós fize- em vagas sociais, gio Juventude do aconteceu no aulão de eventos do diz. município: todas ditório da Prefeimos parcerias gratuitas”, colégio, o que gecom 15 Comuni- Hoje, mais de 230 as terças-feiras, tura de Campo rava uma superdades Terapêuti- pessoas já foram o Pescô promo- Largo. lotação. “A equicas para atender encaminhadas ao ve aulas de teape do Pescô visita os dependentes tratamento por tro gratuitas aos sala por sala por químicos”, conta meio do projeto. alunos. As peças 50 minutos, o que Outros municí- serão apresentaWeber. Quando é bem melhor do necessário, o Pes- pios têm se in- das em escolas que reunir todos pelo de Campo Largo cô encaminha os teressado


Colunistas

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Jorge Washington Politicalizando O último que sair apague a luz A foto de Eduardo Campos e Aécio Neves abraçados em um encontro em Recife, caiu como uma bomba no Planalto Central. Dilma Roussef ainda tentava seduzir Eduardo Campos para uma p ossível aliança, e com isso desfazer a candidatura de Cam-

pos para a presidência no ano que vem. Mas parece que o pedido não foi aceito. Muito pelo contrário. Além de se candidatar, Campos ainda levou Aécio para o seu estado. Sim, um tucano começando a ganhar terreno no Nordeste. Problemas para o PT? Por

ora não. Mas caso os dois resolvam se aliar realmente contra Dilma, isso sim prejudicará a presidenta no futuro pleito. Nessa semana uma entrevista deixou outro ponto de interrogação em Dilma. A entrevista de Michel Temer (seu vice e presidente nacional do PMDB), concedida ao Portal UOL, onde o mesmo declara que a aliança para 2014 ainda não esta fechada. Ora, seria isso uma chantagem política? Sim, e as vésperas da corrida presidencial começar, ela vale muito. Se recordarmos a divisão da base aliada na CPI dos Portos e na divisão dos royallites

do petróleo, quando ficou clara uma irritação do PMDB com a presidenta. Dilma sabe que sem o PMDB ela terá grandes dificuldades em sua reeleição. E mesmo reeleita, o problema na Câmara e no Senado Federal serão imensas. O PMDB não tem um candidato próprio ao governo brasileiro, mas tem diversos caciques em todo o Brasil, o que o faz líder em governos, prefeituras, senadores e deputados no Brasil. Abaixo do PMDB se encontra o PSDB. Sim, abaixo de seu maior aliado, encontra-se o seu maior rival. Caso se quebra a base, como o PT fará seus projetos? Ainda mais ago-

ra sem o crescente PSB, que hoje já tem mais prefeitos em capitais brasileiras que o próprio PT, e no ano que vem promete eleger mais governadores também. Nessa balança, o papel de Lula pode ser a salvação petista. O seu apoio popular é conhecido por todos, e ele sabe negociar muito bem apoios (e patrocínio de campanha também, embora isso fique para outra coluna). Se Lula conseguir manter o PMDB e manter o cambaleante PSD ao seu lado, mesmo sem Eduardo Campos e Marina Silva juntos da base aliada, o PT ainda terá a maior parte da Câmara e Senado. Mas o preço

pode ser caro. Quem sabe a desistência de Lindbergh Farias ao governo do Rio de Janeiro, em favor de apoio ao candidato do governo José Eduardo Pézão. Ou quem sabe um controle maior as decisões da presidenta pela Câmara e Senado (como ocorreu no final do segundo mandato de Lula). Será que o pedido será ainda mais ousado? Que tal o candidato da base aliada ser do PMDB em 2018? Uma eleição por outra. Porque visivelmente o PMDB quer mais, e o PT hoje é refém de seu próprio poder adquirido.

nistas masculinos e femininos atraentes, que ou se envolvem afetivamente ou combatem uma tensão sexual entre eles que é evidente na tela, as novelas se repetem, uma após a outra, disfarçadas em maquiagens de contextos, culturas e épocas diferentes (Mas pera lá: as séries não fazem isto o tempo todo - 2?). O público cativo de uma novela que se encerra no abraço caloroso dos fãs rapidamente se organiza em torno da próxima novela. E trata logo de fidelizar-se rapidamente à “nova” estória e aos “novos” personagens. (Mas pera lá: as séries não fazem isto o tempo todo - 3?) Obviamente, estou sendo injusto com muitos programas, tanto nacionais como internacionais, que

possuem qualidade e conteúdo. Faço isto por tentar provar um argumento. O meu argumento. Sou apreciador de boa televisão, que existe e é relativamente acessível. Mas acho que sou justo ao afirmar que seu público é inexpressivo quando contraposto ao grande público. Será mesmo que a televisão brasileira não tem criatividade? Parou no tempo? Não soube acompanhar o seu público? Ou será que Martha Kaufman expôs a hipocrisia americana auto engrandecida de que, quem faz televisão é o dinheiro?

Daniel Martini Cultura? Televisão de qualidade As séries de televisão norte americanas vieram para ficar. Seja através do site Netflix, dos canais de televisão a cabo, ou até dos canais abertos que têm traduzido muitas das séries de sucesso para o português, o público dos seriados americanos vem rivalizando o das tradicionais telenovelas brasileiras. Em março deste ano, a produtora Martha Kaufman, criadora de uma das séries de maior sucesso de todos os tempos, o cultuado Friends, esteve no Brasil e falou com o jornal O Estado de São Paulo sobre a televisão brasileira. Kaufman criticou a fórmula ultrapassada e repetitiva das novelas brasileiras, e disse que é preciso acordar e se preparar para um público

telespectador que, segundo a autora, evoluiu. Será? Dois aspectos que sempre me irritaram em novelas, especialmente as globais, é que a fórmula delas é algo absurdamente evidente, e figurinos, maquiagens e atuações por vezes excelentes distraem o olhar do espectador, que não nota que a história é de uma estupidez precedida apenas pela novela anterior. O público é tratado como burro, mesmo. Não existe surpresa alguma, nem reviravoltas mirabolantes que fazem você ficar impressionado com a criatividade dos idealizadores. E em primeira análise, as séries americanas são o oposto: elas são criativas, cheias de ação, com efeitos especiais de qualidade incon-

testável, atuação de primeira, e histórias sempre originais e imprevisíveis. Será? Na verdade, o que acontece é que a fórmula de seriados é outra, mas tão óbvia quanto a fórmula noveleira. Os finais de episódio que te deixam, assim, na beira do sofá para saber mais do mesmo. A proposta é oferecer um produto para um público que é levado a pensar que é inteligente (“Eu sabia que isto ia acontecer!”), e deixa-lo curioso em relação a o que vai acontecer em seguida. (Mas péra lá: as novelas não fazem isto o tempo todo?) As séries dispõem de um orçamento pesado, e levam em conta as reações de seu públicoalvo e os números de espectadores para serem

filmadas, continuadas, ou até interrompidas. (Mas péra lá: as novelas não fazem isto o tempo todo - 2?) Alguns diretores de séries são favoritos entre os telespectadores, e as séries são vendidas baseadas, muitas vezes, na fama que precede seus criadores. (Mas pera lá: as novelas não fazem isto o tempo todo - 3?) Já as novelas, produtos destinados a um público nacional, pouco interessado em profundidade de conteúdo oferecem, entre outros apelos comercias chulos, sexualidade explícita, que normalmente encaixota a personagem feminina no seu velho estereótipo de mulher-objeto (Mas pera lá: as séries não fazem isto o tempo todo?). Com estórias que são vividas por protago-


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NOTÍCI ANTIGA No dia 12 de setembro de 2003, faleceu o cantor e compositor Johnny Cash, conhecido por seus fãs como “O Homem de Preto”. Em uma carreira que durou quase cinco décadas ele foi para muitas pessoas a personificação do country. Sua voz sepulcral e o distintivo som “boom chicka boom” de sua banda de apoio “Tennessee Three”, dão às canções o seu som característico. Desde seus primórdios como um pioneiro do rockabilly e rock and

roll nos anos 50 até sua transformação em um representante internacional da música country o levaram a uma reconquista da fama nos anos 90. Cash influenciou incontáveis músicos e deixou um trabalho igualado apenas pelos maiores artistas de sua época. Em 1999 Cash foi diagnosticado com Síndrome de ShyDrager, uma doença neuro-degenerativa. Diagnóstico que mais tarde seria alterado para problemas no sis-

tema nervoso associados à diabetes. Seu estado de saúde o forçou a encurtar uma turnê; ele foi hospitalizado em 1998 com grave pneumonia, que prejudicou seus pulmões. Johnny Cash morreu devido ao diabetes aos 71 anos de idade enquanto estava hospitalizado no Baptist Hospital em Nashville, Tennessee. Ele foi enterrado ao lado de sua esposa no Hendersonville Memory Gardens, perto de sua terra natal, Hendersonville, Tennessee.

O que fazer em Curitiba? Exposição “Consiente do Inconsciente” no MASAC De 8 de agosto a 3 de novembro, no Masac – Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Largo da Ordem - Setor Histórico), tem a exposição São Francisco de Assis – O Homem Atemporal, com esculturas da artista plástica Nilva Rossi. Museu de Arte Contemporânea Até dia 23 de setembro no Museu de Arte Contemporânea (Rua Desembargador Westphalen, 16) ficam as exposições “Cor, Cordis”, com obras do acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná; e axposição “Lugar inComum”, das artistas Erica Kaminishi, Julia Ishida e Sandra Hiromoto. Informações: (41) 3323-5328 e 3323-5337. Teatro Novelas Curitibanas De 23 de agosto a 29 de setembro, no Teatro Novelas Curitibanas (Rua Carlos Cavalcanti,1222 – São Francisco), tem apresentação do Espetáculo teatral Cronópios da Cosmopista – Um antimusical psicodélico, do Coletivo Portátil do Theatro de Alumínio. Informações: (41) 3222-0355.

Lona 827 - 12/09/2013  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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