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Edição Especial > Curitiba, 06 de junho de 2014

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Lona Especial Copa do Mundo 2014

TODOS POR ELA


LONA > Edição Especial Copa do Mundo 2014 > Curitiba, 06 de junho de 2014

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Por dentro da Copa de A a D Vinícius Santos

Grupo A

Brasil Croácia México Camarões O grupo B do mundial traz as atuais campeã e vice-campeã do torneio, Espanha e Holanda. Os campeões não têm mostrado estar em uma grande fase, e o futebol praticado tem sido muito mais pragmático do que já era. A obsessão pela posse de bola se torna cansativa e às vezes perigosa. A Holanda sempre chega como potencial candidata ao titulo, mas

Grupo C

Colômbia Grécia Costa do Marfim Japão Grupo da morte do mundial, o D conta com três campeões do mundo e um total de sete taças entre seus membros. A Itália, que vem de bons desempenhos na Eurocopa de 2012 e Confederações 2013, perdeu força no último semestre, mas com Pirlo e Balotelli não deverá cair no início; se passar de fase, fará algum estrago pelo caminho.

O grupo A da Copa do Mundo não trará muitas surpresas ao torcedor, ao menos que a sua seleção não cumpra com o que prometeu ao chegar ao mundial. O Brasil é franco favorito, não somente por ser país-sede, mas também por ser o melhor time. A segunda vaga deverá ficar com a Croácia, que não é muito melhor que os outros times, mas tem ta-

esse ano parece que a laranja não terá grandes ambições no mundial, pois muitas lesões e a falta de uma boa defesa pesam num campeonato curto como a Copa do Mundo. O Chile corre por fora e pode surpreender. Seu futebol é muito mais corrido do que técnico, mas a falta de um “homem-gol”, como Salas ou Zamorano, ainda é forte-

mente sentida pela equipe. A Austrália acabou caindo num grupo muito forte e, mesmo com a classificação tranquila para o mundial, provavelmente fará uma passagem curta pelo Brasil e deverá cair logo no início. O grande jogo do grupo, tal qual no grupo A, é o primeiro, pois será a reedição ou revanche da final de quatro anos atrás na Africa do Sul.

O Grupo C pode ser considerado o grupo da morte “B”. Todos os times são muito nivelados e não têm tradição em mundiais. A Colômbia não contará com o talento e frieza de Falcão Garcia, que se lesionou recentemente, e caberá a Jackson Martinez a função de fazer os gols do time. A Costa do Marfim conta com dois experientes jogadores para

A Inglaterra tem sempre um bom time no papel, mas no campo acaba decepcionando. A torcida inglesa acredita muito nos jovens Surridge e Sterling e nos medalhões, como Lampard e Gerrard. O Uruguai, que sediou o primeiro mundial, tem hoje a melhor dupla de ataque do torneio, com Suarez e Cavani, mas o time envelhecido e a defesa lenta serão seus pontos

lentos individuais, como os de Modric e Rakitic, que podem garantir sua vaga. Camarões e México vêm como as possíveis surpresas para o mundial, mas terão que jogar muito mais do que vêm jogando ultimamente. O time da América do Norte se classificou a duras penas para a Copa e contou com a ajuda da seleção americana em uma combi-

Grupo B

Espanha Holanda Chile Austrália

fazer a diferença nesse torneio: o segundo melhor jogador do campeonato inglês, Yaya Touré, e o matador, Didier Drogba, da equipe do Galatasaray. O Japão cresceu muito nos últimos anos e, pelo equilíbrio do grupo e alguns talentos como Honda, Endo e Nagatomo, pode chegar às oitavas. O pior time do grupo é a Grécia, que apostará tudo em

fracos durante o campeonato. A Costa Rica deu azar de cair num grupo com seleções muito fortes, e nem o talento do jovem atacante Campbell poderá salvá-la de uma eliminação precoce. O Uruguai já fez festa no Brasil e calou, na final da Copa de 1950, mais de 170 mil pessoas, no episódio que ficou nacionalmente conhecido como “Maracanazzo”.

nação de resultados, enquanto os africanos, que não passam de fase desde o campeonato mundial de 1994, não têm grandes chances de se classificar. Suas esperanças estão nos pés do craque camarônes Samuel Eto’o. O melhor jogo do grupo A será também o de abertura do torneio, entre Brasil e Croácia, no dia 12 de junho na Arena São Paulo.

Samaras. O time teve sua última e única glória quando ganhou a Eurocopa 2004, contra Portugal. Curiosidade do grupo é que as melhores colocações em Copa alcançadas por seus participantes foram as oitavas-de-final, com Japão em 2002, quando foi sede do torneio, e Colômbia em 1990, com time que contava com Freddy Rincón Valderrama.

Grupo D

Uruguai Costa Rica Inglaterra Itália


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Por dentro da Copa de E a H Ana Mayer

Grupo E

Suíça Equador França Honduras O grupo F é resumido com um favorito, duas forças medianas e um fraco atirador. A Argentina é a protagonista, Bósnia é pouco conhecida, mas perigosa e deve disputar a segunda vaga com a surpreendente Nigéria. Já o Irã apenas cumpre tabela. Em sua estreia em mundiais, a Bósnia quer aproveitar a boa geração de craques para surpreen-

Grupo G

Alemanha Portugal Gana Estados Unidos O grupo H pode ser o mais equilibrado da primeira fase. Duas seleções europeias vão disputar o primeiro lugar, e Coreia do Sul e Argélia vão brigar pela segunda vaga. Mas o mais provável é a classificação de Rússia e Bélgica. A seleção da Bélgica está motivada para vencer o mundial. Há muitos anos se falava que a Bélgica tinha uma geração de ouro, e isso

Suíça e Honduras se enfrentarão mais uma vez na fase de grupos da Copa do Mundo, repetindo o confronto da Copa da África do Sul. O grupo também conta com a participação do Equador e da campeã de 98, a França. A Suíça é considerada favorita; há quem diga que conseguirá se classificar com muita facilidade, porém o técnico Ottmar Hitzfeld

der. O técnico Safet Susic aposta no bom futebol de suas estrelas, o goleador Dzeko e Ibisevic, e o meia habilidoso Pjanic. A seleção nigeriana vem motivada para o Brasil, pois conquistou a Copa África de Nações recentemente e sem dúvidas está pronta para ser a melhor seleção africana do mundial. A Argentina chega como uma das maiores forças, e conta com um

dos principais jogadores da atualidade, Lionel Messi. O jogador ainda não brilhou na seleção, mas o mundial no Brasil é a oportunidade perfeita para ele mostrar que também sabe jogar com a camisa azul e branca. A seleção do Irã não tem tradição nenhuma em Copas; em 2006, voltou para casa ainda na primeira fase com apenas um ponto.

O grupo G é considerado o segundo grupo da morte, e conta com uma campeã mundial (Alemanha); o melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, e a perigosa Gana, que busca espaço. A seleção dos Estados Unidos tem evoluído, mas ainda é mera coadjuvante. Nas últimas três edições, a seleção da Alemanha levou uma medalha de prata e duas de bronze. No

se confirmou. Nas eliminatórias, a seleção fez uma campanha que só não foi perfeita por conta de um empate contra a Croácia. Na última edição da Copa do Mundo, a seleção da Argélia partiu sem marcar ao menos um gol e chega ao Brasil com um futebol convincente. Nas eliminatórias, venceu cinco dos seis jogos e conquistou o primeiro lugar do grupo.

terá a missão de livrar o time da retranca. Já o Equador não vai contar com a sua principal aliada aqui no Brasil. A altitude de Quito colaborou com a classificação da seleção equatoriana nas eliminatórias da Copa. Foram oito jogos em casa e nenhuma derrota. A maior vitória da seleção de Honduras foi chegar a uma Copa do Mundo. Com um futebol sem ex-

Grupo F

Argentina Bósnia Irã Nigéria

Mundial do Brasil, não vai querer bater na trave mais uma vez, certamente virá com tudo. Portugal exige respeito de todas as outras seleções, pois tem o melhor jogador do mundo. Mas o histórico português em mundiais não é tão bom assim. Das últimas dezenove edições, a seleção portuguesa esteve em apenas cinco, e em 2010 não passou das oitavas

A Rússia ficou de fora dos últimos dois mundiais, mas é considerada uma das favoritas, pois conta com o entrosamento de Roman Shirokov e Victor Faizulin. Já, a equipe da Coreia do Sul vem para sua nona Copa do Mundo. A esperança este ano é de, pelo menos conseguir repetir a última atuação, quando chegou às oitavas de final do Mundial.

pressão, o time disputa seu terceiro mundial sem nenhuma pretensão de título. Em suas duas últimas participações, foi eliminado sem vencer uma partida sequer. E a França divide o favoritismo do grupo com a Suíça. Este ano, a meta é se livrar das más lembranças do último mundial em 2010, quando foi eliminada apenas na primeira fase.

de final. A seleção de Gana é sempre muito ousada, e este ano não esperamos um comportamento diferente. Em 2010, chegou até as quartas de final e foi eliminada pelo Uruguai nos pênaltis. Os Estados Unidos não entendem muito do nosso futebol, mas podem surpreender. Ainda assim, é provável que as vagas fiquem com Alemanha e Portugal.

Grupo H

Bélgica Argélia Rússia Coreia do Sul


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NÓS Quando Ghiggia chutou cruzado e a bola passou ao lado de Barbosa, o Brasil sabia que havia acabado. Hoje, 64 anos depois, a seleção brasileira tem uma nova chance de vencer uma Copa do Mundo em casa. Mas essa batalha não será fácil, ainda mais porque o time conta com o menor número de jogadores que já disputaram o torneio antes (apenas seis) em toda sua história. Vale lembrar que a geração de transição formada por Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho não estará presente. Por isso, todo o peso de uma pátria estará nas inexperientes pernas de Neymar e companhia. Esse time saiu de 2010 com uma missão: fazer um futebol vistoso baseado no talento individual de Neymar, Ganso, Lucas, Oscar e outros jovens habilidosos. Coube a Mano Menezes fazer esse trabalho. Em pouco mais de dois anos no cargo, Mano não conseguiu bons resultados (eliminação precoce na Copa América e vice-campeonato das Olímpiadas), o que culminou na sua demissão. A pergunta era: quem será o salvador da pátria que levará o Brasil ao hexacampeonato? A resposta foi confiar na segurança.

Ilustração: Roberth Rukaza

Em meio a muita polêmica envolvendo seu nome, José Maria Marin (que havia assumido a presidência da CBF depois da renúncia de Ricardo Teixeira), escolheu Luiz Felipe Scolari como escudo, afinal, caso o trabalho não desse resultado, a culpa cairia no treinador e não no dirigente. Às vésperas da Copa das Confederações, Felipão resolveu man-

ter a base de Mano Menezes e colocar a nova “Família Scolari” em curso. As poucas mudanças realizadas foram as entradas de Luiz Gustavo, como cão de guarda da defesa, e de Fred (desafeto de Mano), como o centroavante, além de melhorar a marcação da pressão da equipe, adiantando Neymar e Hulk para combater os laterais adversários já em seu campo de defesa. O resultado foi o título e a confiança de toda a torcida canarinha.

Na final do torneio contra a Espanha, o futebol foi de primeiro mundo. Neymar destroçou a zaga adversária que assistiu estática sem nem ao menos conseguir ter a posse de bola. Era o futebol brasileiro voltando a dar as caras, o que soa até como ironia, já que o “estilo Scolari” em 2002 foi marcado por um forte sistema defensivo, e não pelo número de gols marcados (estilo quase idêntico ao da Era Dunga em 2010, só que sem as estrelas). A Seleção pode não ter a experiência necessária, mas a preparação para essa Copa talvez seja a melhor de toda a nossa história. A formação lembra a de 2002, exceto pela presença de um meia mais cerebral (hoje com Oscar), mas a verticalidade do time é a mesma. Há ainda possibilidade de jogada pelas laterais, com os alas e com os pontas, principalmente pela esquerda, onde Neymar e Marcelo são a principal válvula de escape. Mesmo não sendo dominante, Fred sabe se posicionar como poucos na pequena área, e esse fator em um torneio de tiro curto faz toda a diferença (na Copa das Confederações fez). Esse time conta com a confiança de todos; depois de muito tempo, temos uma unanimidade na escalação. Que o Maracanã assista a um final diferente de história (o único jogo do país no estádio será em uma possível final). Um com o Thiago Silva erguendo a taça seria muito bom para tirar de vez o “complexo de vira-latas” rodriguiano que assola a seleção há tanto tempo.


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ELES

A expressão “todos contra um não” é mera coincidência. Nesse mundial, o maior desejo dos outros 31 países é estragar a festa brasileira em nossa própria residência. Para isso, eles contam com um arsenal pesado de craques. E para nós, torcedores, é muito bom que eles tragam suas joias, afinal, o que seria de uma Copa do Mundo sem jogadores como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, e Franck Ribéry? Nada mais do que um torneio de futebol qualquer. Se os amigos devem estar perto, os inimigos ainda mais, vamos analisar os adversários iniciais. Logo na estreia, todo cuidado é pouco contra a Croácia. Modric, Perisíc e Rakitic formam uma linha média de dar calafrios. Que Luiz Gustavo encarne o pentacampeão Edmilson e segure as pontas, já que os laterais brasileiros adoram avançar e deixar buracos em suas costas. Perigo à vista. Creio que México e Camarões não colocarão grandes barreiras para a Seleção Canarinha. Logo nas oitavas, pode vir chumbo grosso em nossa frente. O Grupo B promete ser um dos mais interessantes da primeira fase, já que colocou junto três seleções de bastante técnica. O tiki-taka espanhol é liderado pelo meio-campo mais técnico do torneio (Xabi Alonso, Xavi, Iniesta, David Silva e Cesc Fábregas). Você, caro leitor, pode não gostar desse estilo de jogo, mas sabe que eles são bons no que fazem. Holanda e Chile têm seleções jovens e bem velozes, com meias e centroavantes de bom nível. Ou alguém duvida da técnica de Robben e Van Persie (do time da Holanda) ou de Vidal e Alexis Sanchez (da seleção do Chile)? Adiante no torneio podem aparecer os tradicionais adversários. A Itália continua sendo regida dentro de campo pelo maestro Andrea Pirlo. Caso ele repita as boas atuações da última Eurocopa (quando a Itália se sagrou vice-campeã), as chances de bons resultados aumentam, para a alegria do sempre

carismático (e talentoso) Balotelli. Essa dependência também é encontrada nos nossos coirmãos lusitanos. Ou o “gajo” Cristiano Ronaldo (que vem baqueado para a Copa, diga-se de passagem) aparece nos momentos decisivos, ou eles terão que navegar de volta a seus mares. O que seria de um mundial do Brasil sem Uruguai e Argentina? Nada. Os primeiros nos tiraram a maior glória de toda a nossa história, e nos fizeram esperar 64 anos para tentar levantar a taça em casa. Novo Maracanazzo? É do que o trio ofensivo Forlán, Cavani e Suárez (mais um lesionado no torneio) vão correr atrás. Já a Argentina espera que a temporada ruim do Barcelona motive Lionel Messi a correr em dobro e finalmente ser idolatrado por todo seu país. Para isso, conta com fiéis escudeiros como Sergio Aguero, Angel di Maria, Ezequiel Lavezzi e Gonzalo Higuain. Haja goleiro para aguentar esse pelotão de fuzilamento. Para encerrar, coloco o meu favorito: a “penetra” da festa. A Alemanha tem um time muito equilibrado e conta com um poderio ofensivo de alto nível. Tudo na batuta de Mesut Ozil, meiocampista canhoto genial. Aliás, os germânicos podem roubar outra glória do Brasil, já que seu atacante, Miroslav Klose, está a apenas dois gols de passar Ronaldo e se tornar o maior artilheiro de todas as Copas do Mundo. Esperamos que os alemães não caiam no samba na final no Rio de Janeiro.

Jorge Sousa

Ilustração: Roberth Rukaza


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COPA 50

A certeza do título que não veio Em 1950, o Brasil sediava sua primeira Copa do Mundo; franco favorito, perdeu para o Uruguai no maior estádio do mundo na época Fernando Fogaça A primeira Copa do Mundo aqui no Brasil foi um grande recomeço para todas as pessoas, pois foi o primeiro grande evento realizado após a Segunda Guerra Mundial. Desde 1938, não havia uma Copa do Mundo, devido à guerra que assolou a Europa durante quase 20 anos. E a FIFA, junto com todos os países envolvidos, resolveu voltar com o maior evento de esporte que existe. Por conta de boa parte da Europa estar destruída, a entidade resolveu trazer o evento para a América do Sul. Dessa forma, o Brasil se tornou sede, principalmente por sua infraestrutura e pelas instalações, que foram consideradas exemplo para o mundo. O evento contou com seis cidade sedes: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Curitiba. Cada sede recebeu ao menos um jogo, tendo como pricipal palco para a competição o Maracanã (na época, o maior estádio do mundo). Não houve grandes dificuldades para fazer os estádios,

por conta da grande paixão dos brasileiros pelo esporte e pela boa condição que o país vivia na época.

esqueceram que do outro lado estava o campeão mundial de 1930, duas vezes campeão olímpico, o Uruguai.

seguiu espaço para virar o jogo. Com o placar de 2x1, o Uruguai calou cerca de 170 mil pessoas no Maracanã.

A princípio, seriam 32 países a disputar a competição, porém, próximo de começar o evento, várias seleções desistiram, por falta de recursos e até mesmo condições de alguns países que saíram totalmente destruídos da Segunda Guerra. Assim, apenas 13 países participaram, sendo eles Bolívia, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Iuguslávia, México, Paraguai, Suécia, Suíça e Uruguai.

“Maracanaço” O jogo final é conhecido como “Maracanaço”, derivado de uma expressão latina (em espanhol: Maracanazzo) usada pelos adversários para provocar os brasileiros. O Brasil precisava apenas de um empate para se tornar campeão. E começou muito bem, fazendo um a zero na seleção uruguaia, mas, já em ritmo de festa, a seleção celeste con-

Na tentativa de encontrar um culpado para a derrota do Brasil, os supersticiosos de plantão culparam a troca do local de concentração na véspera da final, ou ainda o uniforme, alegando que deu azar para a seleção. A partir daí, a seleção abandonou o branco e passou a jogar com o seu clássico uniforme amarelo, assim, dando início à aclamada seleção canarinho.

O Brasil recebeu a notícia com muita euforia, na cebeça de cada brasileiro, havia apenas uma certeza: a seleção nacional seria a nova campeã do mundo. Realmente, tudo conspirava a nosso favor. O Brasil vinha muito bem na competição, ganhou dois jogos, goleou, logo na sua estreia, o México, e teve apenas um empate na primeira fase. Nas etapas finais, continuou arrasador, fazendo duas das maiores goledas registradas na competição, 7x1 na Suécia e 6x1 na Espanha, em plena semifinal.

Goleiro uruguaio, Roque Maspoli, defende chute brasileiro na final da Copa de 50 > Foto: Bob Thomas (Popperfoto/Getty Images)

Um dia antes da grande final, já era certo o título da seleção brasileira; comemorações diversas e jornais da época contavam o grande feito dos futuros campeões. Até mesmo o governador do Rio de Janeiro na época, Ângelo Morais, finalizou seu discurso saudando os jogadores como “vencedores sem rivais”. Chegou o grande dia da final: 16 de julho. O jovem estádio Maracanã recebia o maior público de toda a história das Copas: 173.850 torcedores. Havia apenas um pensamentono ar: o Brasil será campeão. Só

Copa de 50 em Curitiba Estádio Durival de Britto foi o palco dos jogos em Curitiba; além da Espanha, EUA, Suécia e Paraguai jogaram na capital paranaense A cidade de Curitiba foi uma das seis cidades que sediaram a Copa de 1950. Dois jogos foram disputados no Estádio Durival de Britto, do Ferroviário (atual Paraná Clube), na época o maior e mais moderno da cidade, inaugurado em 1947. Dois grandes motivos fizeram que Curitiba fosse uma das sedes: infraestrutura adequada à grandeza do evento ter um estádio construído desde 1947, o Estádio Durival Britto e Silva, pertencente à Rede Ferroviária Federal. Considerado o terceiro melhor estádio do Brasil na época, ficava atrás apenas do Pacaembu, em São Paulo, e do São Januário, do Rio de Janeiro. No dia 25 de junho de 1950, 9 mil pessoas viram a Espanha ganhar dos Estados Unidos por 3 a 1. No dia 28 de junho , 8 mil pessoas acompanharam o empate por 2 a 2 entre Suécia e Paraguai. Ainda houve um jogo preliminar antes dos jogos da copa, no qual se enfrentaram Inter-

nacional (Campo Largo) e União (Lapa), como uma prévia do seria a abertura para os jogos principais. Mas nem tudo foram flores aqui na capital paranaense. O governo do Paraná teve que gastar mais de 300 mil cruzeiros para completar o milhão exigido pela Fifa. A reclamação foi geral, pois Minas Gerais foi contemplada com três jogos e não teve que pagar nada. O comentário era de que o Estádio Sete de Setembro, de Belo Horizonte, não oferecia garantias, sendo o Estádio Durival Britto, depois do Maracanã e do Pacaembu, o melhor campo esportivo. Para alguns, a Copa não foi tão boa quanto se esperava, pois foi muito elitizada. O alto custo do ingresso possibilitou a participação apenas da elite curitibana. Os ingressos custavam em média Cr$20,00 a Cr$120,00 (o cruzeiro era a moeda que se usava no época), o que fez com que boa parte da população dos curitibanos não tivesse acesso ao espetáculo.


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FAN FEST

Copa do Mundo além dos estádios

Torcedores sem ingresso para assistir aos jogos no estádio terão a FAN FEST como ponto de encontro Alice Assunção e Roberty de Souza A FAN FEST surgiu, de forma informal, durante a Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Torcedores se reuniam nas ruas e montavam telões para acompanhar os jogos, de forma organizada. A FIFA percebeu, então, a necessidade de promover um evento paralelo à Copa, que poderia integrar os que não vão acompanhar os jogos nos estádios. Dessa forma, em 2006, na Alemanha, surgiu oficialmente a FAN FEST em todas as cidades onde houve jogos. O sucesso foi tão grande que aproximadamente 1 milhão de pessoas acompanharam a final entre Itália e França. Já para a Copa de 2010, realizada na África do Sul, todas as cidades-sedes tiveram a construção do espaço. Para disseminar a ideia, algumas cidades fora do país também receberam o evento. Rio de Janeiro, Sydney, Roma, Cidade do México, Berlim, Paris e Lima foram as escolhidas. Para 2014, manteve-se a ideia de ter as FIFA FAN FEST, nas 12 cidades onde haverá jogos. No Rio de Janeiro, o local escolhido foi a mundialmente conhecida Praia de Copacabana. Em São Paulo, será no Vale do Anhangabaú, e em Brasília, na Esplanada dos Ministérios. A Praça da Estação, em Belo Horizonte, será o ponto de encontro dos torcedores, assim como a Praia de Iracema, em Fortaleza. Serão locais de FAN FEST também o Parque de Exposições, em Cuiabá, o Memorial Encontro das Águas, em Manaus, e a Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba. Nas outras cidades-sede, como Natal, Salvador, Porto Alegre e Recife, o FAN FEST será construído na Praia do Forte, Praia do Jardim de Alah, Praça Glênio Peres e Marco Zero, respectivamente. As próprias cidades são responsáveis por custear grande parte do evento, e a FIFA fica responsável por telões, grades de proteção e decoração. A segurança

Vista aérea da Pedreira Paulo Leminski > Foto: Carlos Ruggi (Arquivo Prefeitura de Curitiba)

do local do evento faz parte do plano diretor desenvolvido para a Copa do Mundo. Todos os locais escolhidos para as FAN FEST têm capacidade para acomodar milhares de pessoas, além de alguns serem pontos históricos das cidades. Mesmo sem ter sido criada oficialmente aqui, a FAN FEST terá uma cara bem

brasileira, já que é hábito fazer reuniões para assistir aos jogos da Seleção. O público poderá assistir a 64 jogos, com pessoas de várias partes do mundo; algo que só o futebol pode explicar. Fan Fest do Leminski A Fan Fest em Curitiba, viabilizada pela Prefeitura, vai acontecer de 12 de junho a 13 de julho na Pedreira Paulo

Programação FAN FEST na Pedreira Shows* Dudu Nobre: 12 de junho Jota Quest: 23 de junho Erasmo Carlos: 4 de julho Raça Negra: 13 de junho

*A programação completa pode ser vista no site da Prefeitura de Curitiba

Como Chegar Rua João Gava, 970, Pilarzinho Quatro linhas** sairão da Praça Tiradentes: Linha Turismo, Mateus Leme, Nilo Peçanha e Interbairros II ** A Prefeitura não divulgou horários de saída das linhas para a Pedreira.

Leminski. Além dos telões de 100 metros quadrados com a transmissão dos jogos, a FAN FEST em Curitiba irá contar com um “Espaço Kids”, para entreter as crianças com recreação e diversão, com um ponto de informações culturais e venda de produtos turísticos, e com mais de 70 atrações musicais, entre nacionais e locais, para animar a festa. Já confirmaram presença Dudu Nobre, Jota Quest, Erasmo Carlos e Raça Negra. Enquanto acontecer a FAN FEST, a área ao redor da Pedreira Paulo Leminski contará com um planejamento de mobilidade para acessar o local, respeitando os comerciantes e moradores. As linhas de ônibus que passam na Pedreira sairão da Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, e o público será estimulado a ir de bicicleta, com um estacionamento destinado para elas. A Pedreira fica a seis quilômetros do centro e a oito da Arena da Baixada, estádio onde ocorrerão os jogos. A Pedreira tem capacidade para 26 mil pessoas, entretanto a organização optou por ter público máximo de 15 mil, para maior conforto dos torcedores. Os portões vão abrir sempre às 10h e fechar às 22h. A entrada é gratuita.


LONA > Edição Especial Copa do Mundo 2014 > Curitiba, 06 de junho de 2014

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Tabela de Jogos Grupo A Brasil

X

Grupo C

Grupo B Croácia

12/06/2014 às 17h

México X

Espanha

X

Holanda

Chile X

Austrália

13/06/2014 às 16h

Camarões

Grupo D

Colômbia X

Grécia

14/06/2014 às 13h

Costa do M. X

Uruguai

X

Costa Rica

14/06/2014 às 16h

Japão

Inglaterra X

Itália

13/06/2014 às 13h

13/06/2014 às 19h

14/06/2014 às 22h

14/06/2014 às 18h

17/06/2014 às 16h

18/06/2014 às 13h

19/06/2014 às 13h

19/06/2014 às 16h

18/06/2014 às 18h

18/06/2014 às 16h

19/06/2014 às 19h

20/06/2014 às 13h

Brasil X

México

Camarões X

Croácia

Camarões X

Brasil

Austrália X

Holanda

Espanha X

Chile

Austrália X Espanha

Colômbia X

Costa do M.

Grécia X Japão Japão X

Uruguai X

Inglaterra

Costa Rica X

Colômbia

Itália X

Itália

Uruguai

23/06/2014 às 17h

23/06/2014 às 13h

24/06/2014 às 17h

24/06/2014 às 13h

23/06/2014 às 17h

23/06/2014 às 13h

24/06/2014 às 17h

24/06/2014 às 13h

Croácia X

México

Holanda X

Grupo E Suíça

X

Chile

Equador

Argentina

X

15/06/2014 às 19h

França X Honduras

Irã X

Costa do M.

Grupo G

Grupo F

15/06/2014 às 13h

Grécia X

Bósnia

Nigéria

Costa Rica X

Inglaterra

Grupo H

Alemanha X

Portugal

16/06/2014 às 13h

Gana X

EUA

Bélgica X

Argélia

17/06/2014 às 13h

Rússia X Coreia do Sul

15/06/2014 às 16h

16/06/2014 às 16h

16/06/2014 às 19h

17/06/2014 às 19h

20/06/2014 às 16h

21/06/2014 às 13h

21/06/2014 às 16h

22/06/2014 às 16h

20/06/2014 às 19h

21/06/2014 às 19h

22/06/2014 às 18h

22/06/2014 às 13h

Suíça X

França

Honduras X

Equador

Honduras X

Suíça

Argentina X Nigéria

X

Irã

Bósnia

Nigéria X Argentina

Alemanha X

Gana

EUA X Portugal EUA X

Alemanha

Coreia do Sul X Bélgica

X

Rússia

Coreia do Sul X

25/06/2014 às 17h

25/06/2014 às 13h

26/06/2014 às 13h

26/06/2014 às 17h

25/06/2014 às 17h

25/06/2014 às 13h

26/06/2014 às 13h

26/06/2014 às 17h

Equador X

França

Bósnia X

Oitavas de Final

Quartas de Final

1ºA

X

2ºB

1ºC

X

2ºD

28/06/2014 às 13h 28/06/2014 às 17h

1ºE

X

30/06/2014 às 13h

2ºF

1ºG

X

2ºH

1ºB

X

2ºA

30/06/2014 às 17h 29/06/2014 às 13h

1ºD

X

2ºC

1ºF

X

2ºE

29/06/2014 às 17h 01/07/2014 às 13h

1ºH

X

01/07/2014 às 17h

Irã

2ºG

1ºA ou 2ºB X 1ºC ou 2ºD 04/07/2014 às 17h

1ºE ou 2ºF X 1ºG ou 2ºH

Portugal X

Gana

Argélia

X

Argélia

Bélgica

Rússia

Semifinal

Final

Venc. 1 X Venc. 2

Venc. 1 X Venc. 2

08/07/2014 às 17h

04/07/2014 às 13h

13/07/2014 às 17h

Disputa 3º lugar

1ºB ou 2ºA X 1ºD ou 2ºC 05/07/2014 às 17h

1ºF ou 2ºE X 1ºH ou 2ºG

Venc. 3 X Venc. 4 09/07/2014 às 13h

Perd. 1 X Perd. 2 12/07/2014 às 17h

05/07/2014 às 13h Expediente

Reitor José Pio Martins Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Arno Gnoatto

Pró-Reitora Acadêmica Marcia Sebastiani Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira Professora-orientadora Ana Paula Mira

Coordenação de Projeto Gráfico Gabrielle Hartmann Grimm Editores Ana Carolina Justi, Kawane Martynowicz Ilustrações Roberth Rukaza


Edição Especial da Copa 902