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Curitiba, sexta-feira, 19 de outubro de 2012

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Ano XIII - Número 764 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

ESPECIAL Intercambio é uma maneira de amadurecer Alunos e funcionarios dão depoimentos sobre intercambio de estudo. Saiba mais sobre as oportunidades p. 4 e 5

OPINIÃO

Censo 2010 aponta que mulher brasileira está tendo menos filhos

Diminuição traz uma alteração no perfil etário do país, que passa a ter uma população mais idosa. A queda se deve, principalmente, ao aumento de oportunidades profissionais para a brasileira p. 3

Saúde de Curitiba vai de mal a pior SUS da cidade é dito exemplar, mas não é o que a população vivencia p. 2


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Editorial

Curitiba quer mudança

Nessas eleições municipais pode-se perceber muito a vontade de mudança da população curitibana. O atual prefeito não chegou ao segundo turno e a câmara dos vereadores recebeu 50% de renovação. Agora os dois candidatos do segundo turno Carlos Alberto Massa Junior, conhecido como Ratinho Junior, (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) são a chance de mudança que as pessoas tanto querem. Ao que se parece o primeiro atrai mais a massa com suas propostas e promessas, já o segundo tende para a classe média e a elite, principalmente por seu passado no PSDB. Uma nova pesquisa foi divulgada ontem pelo Instituto IRG e aponta agora o candidato Fruet com 48% das intenções de vote e o Ratinho com 35,8%. Já no Datafolha os números mudam, mas as posições não: Gustavo 52% e Massa 36%. Algo curioso, já que nas eleições de primeiro turno o candidato do PSC conseguiu 34,09% e o outro 27,22%. É notável as reviravoltas nas pesquisas desta eleição, principalmente quanto se trata de Fruet. Este candidato iniciou a eleição com uma alta intenção de voto, se não a maior, mas logo caiu ficando em terceiro abaixo do atual prefeito Luciano Ducci. Entretanto, subiu e conseguiu passar para o segundo turno deixando Ducci para trás. Surpresa não é só essa, pois o outro candidato atual também não era esperado que tomasse tanta atenção. Ratinho Junior é deputado estadual, assim como Fruet, mas nunca teve notoriedade na política curitibana ou em seus assuntos relacionados. Em relação a necessidade de mudança que o cidadão de Curitiba tem demonstrado ambos os candidatos estão aptos. Ratinho seria a mudança pelo novo e Fruet a “mudança segura”, segundo seu slogan. Seus partidos também não são comuns na cena política curitibana, principalmente se falando em levar uma prefeitura. Mudança normalmente é boa, até existe uma filosofia chinesa não muito conhecida que diz que a única constante é a mudança. Provavelmente (muito certo que sim), todo esse cenário foi causado pelos escândalos no último ano na assembleia e o pouco governo do Beto Richa, o que enfraqueceu e muito o PSDB. Se essa mudança atual vai ser boa ou não, só o tempo dirá, mas algo é certo: alguma coisa os curitibanos aprenderão com isso.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Emerson Castro, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Renata Silva Pinto e Vitória Peluso | Editorial: Redação O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.

Opinião

Abandono, a falsa saúde curitibana Cintia Aleixo

Todos os dias, nos deparamos com manchetes como estas nos jornais. “Mulher agride funcionária de Unidade de Saúde em Curitiba” ou “Rapaz morre esperando vaga em UTI”. Isso é o reflexo de como a saúde da população curitibana está sendo tratada nos últimos tempos. A mulher que agrediu uma funcionária estava revoltada com a espera de 4 horas por atendimento, porém não são raros casos de espera de até seis horas. Um fato mais recente aconteceu no dia 15 deste mês, quando um rapaz de 28 anos teve uma convulsão no dia 13 e de acordo com a família os médicos disseram que o jovem necessitaria de internamento na UTI, porém a vaga não chegou a tempo de salvar a vida dele e no dia 15 ele teve uma parada cardíaca e faleceu. Como já é de costume no Brasil, os médicos querem tirar o seu da reta e dizem que a culpa da morte era do jovem mesmo, pois este foi usuário de drogas que causaram atrofiamento cerebral. Independente de ser ou não dependente químico, se ele tivesse recebido o tratamento adequado, no tempo correto, não teria ido a óbito. São apenas dois dos muitos casos que acontecem todos os dias em Curitiba, filas sem fim, falta de equipamentos e funcionários fazem com que a saúde da nossa população vá de mal a pior. Pude comprovar pessoalmente a decadência da saúde pública municipal na Unidade de Saúde 24h do bairro Pinheirinho, onde levei meu filho com febre e diarreia, ao passar pela triagem ele recebeu uma pulseirinha verde- uma inovação da gestão atual-, pelas cores a ordem da emergência fica assim; vermelho (emergente - prioridade 1), laranja (muito urgente - prioridade 2), amarelo (urgente - prioridade 3), verde (pouco urgente - prioridade 4), azul (não urgente - prioridade 5) e branco (atendimento eletivo - prioridade 6). A unidade estava cheia e todos estavam com pulseira verde, isso significa que as pessoas estão indo aos 24 horas ficar esperando horas por atendimento só pra ficar lá atoa? Claro que não, é mais uma forma de descaso com as pessoas que se contorciam de dor, suavam de febre, vomitavam a bílis, pra piorar a situação havia dois idosos tomando soro, em pé no corredor. É pra isso que pagamos impostos tão altos? Não, quando pagamos caro em um produto, queremos que este tenha qualidade e na saúde não é diferente, pagamos caro por este serviço e temos o direito de usufruir de um serviço de qualidade. Tem gente que estufa o peito e diz que o Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba é um exemplo de qualidade. É muito fácil dizer que a saúde é de qualidade, quando se tem plano de saúde ou quando se tem condições de pagar uma consulta, sem falar dos exames e medicamentos que são outro transtorno para os mais pobres. Assim vamos morrendo a míngua, como ratos envenenados pelo sistema, que oprime, engana, ilude e ignora o povo desta bela cidade.


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Número de filhos por mulher diminui e população se torna mais idosa Dados divulgados pelo IBGE, do Censo 2010, apontam que as mulheres têm tido menos filhos do que o necessário para reposição da população. Assim, a população passa a ser mais idosa Camila Tebet Stephany Guebur

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta última quartafeira os dados do Censo 2010. Segundo as estatísticas, o número de filhos por mulher tem diminuído. A taxa de fecundidade registrada é de 1,9 filho por brasileira e está abaixo da taxa de reposição da população, que é de 2,1 filhos por mulher. No último Censo realizado, em 2000, o dado era de 2,38. A diminuição da taxa de fecundidade traz consequências para o aumento da população. Na década de 50, a população chegou a aumentar 3% por ano, enquanto na última década o aumento foi de 1,17%. Com esse panorama houve uma mudança no perfil etário do país, que agora é composto por pessoas mais idosas. “A consequência imediata, a médio e a longo prazo é uma modificação na distribuição da população, na modificação na forma da pirâmide. A gente vai tender a ter mais pessoas idosas e menos pessoas mais jovens e produtivas”, afirmou o psicanalista e mestre em Sociologia Nei Ricardo de Souza. Ele também destacou que isto pode acarretar em alguns problemas na economia do país, já que os aposentados passarão a representar uma

parte substancial da população, diminuindo a população economicamente produtiva. A escolaridade é um dos principais fatores que interfere. Entre as mulheres que possuem ensino fundamental incompleto ou não têm instrução, a taxa pode chegar a 3,00, enquanto mulheres com ensino superior completo têm uma média de 1,14 filho. Segundo a pesquisa, quanto mais alto o nível de instrução da mulher, mais tardio é o padrão etário da fecundidade. Mulheres sem instrução ou com ensino fundamental completo tendem a ter filhos entre 20 a 24 anos. Quem possui ensino médio completo e superior incompleto tem filhos entre os 25 aos 29 anos. Já quem tem ensino superior completo, a maior taxa de fecundidade vem de quem possui entre 30 e 34 anos, sendo 5,5 anos depois do que as que não possuem instrução.

“O número de filhos diminuiu basicamente porque a mulher está se dedicando também para o trabalho, para sua profissão, e não vê o filho apenas como algo que dê sentido na sua vida, ou seja, não é só ser “mãe” que vai realizar essa mulher, ela se realiza enquanto profissional também. Ela tem que fazer escolhas, ponderar quantos filhos o casal vai ter para que ela também possa ter uma vida profissional”, afirma o sociólogo. Outras coisas que influenciaram no resultado, foram a queda do número de filhos na área rural e a diminuição do número de filhos entre as mulheres mais jovens com idade entre 15 a 24 anos, que vivem em área urbana. Na área rural a taxa diminuiu de 3,4 filhos em 2000 para 2,6 em 2010. Apesar de ter sido menor, o número é ainda superior do que o verificado nas áreas urbanas, que foi de 2,18 para

1,7. E, com relação às mulheres jovens, apesar de também terem uma taxa menor, ainda são o grupo que possuem maior taxa de fecundidade. Na avaliação feita pelo Censo, há também uma diferença na taxa entre as regiões brasileiras. O Norte é a região com o maior número de filhos por mulher, registrando 2,47. Já o Sudeste apresentou a menor taxa, 1,7. Em 1940 o Norte também possuía a maior taxa, com 7,17 filhos por mulher. Naquela época a média no país era de 6,16. Em relação a isso, Souza explica que a mulher nas regiões como Sudeste e Sul acaba tendo maiores oportunidades profissionais, diferente de outros locais. “No Norte e no Nordeste essas oportunidades não são tão abundantes; assim, a mulher acaba se fixando dentro de casa e, consequentemente, se dedica mais a maternidade por ter essa disponibilidade”, diz.

Aumenta o número de mulheres responsáveis pela família Dados do Censo 2010 também registraram um aumento no número de mulheres no comando da família. Em 2000 a taxa era 22,2%, 15 pontos percentuais a menos do que em 2010, ano em que o número passou a ser 37,3%. Segundo o sociólogo, uma das razões desse aumento é a colocação profissional da brasileira. “Com o fato de a mulher ir para o mercado de trabalho, não é raro ela conseguir se posicionar melhor que o homem. Se a mulher já está bem colocada, se já está se realizando profissionalmente e o homem por sua vez não tenha a mesma condição, ele pode através de uma decisão estratégica do casal se colocar na posição de cuidador dos filhos”, afirmou. Um dos fatores principais que também podem interferir na decisão do chefe da família é o casal se separar e a mulher ter que assumir a dianteira, explicou Souza.


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Especial

Uma história internacional Camila Cassins Renata Silva Pinto

Ivens Medeiros Gomes, 24 anos, é estudante de direito na Universidade de Fortaleza e já passou por três intercâmbios em sua vida. O primeiro foi para Indiana, nos Estados Unidos, com 17 anos, que cursou um ano na Lewis Cass High School. Seguido por outro ano na França em Le Havre, cursando direito na Universidade do Havre em 2010/2011. E por fim, ainda neste ano passou três semanas cursando inglês na Universidade de Oxford, em Oxford, Reino Unido.

Nos Estados Unidos Em seu intercâmbio nos EUA, Ivens conta que seu irmão mais velho o fez primeiro e gostou muito, incentivando os outros. O mais novo voltou do intercambio a três meses. “Foi perfeito” é como ele descreve seu intercâmbio de high school, ressalta que o colégio, a família e a comunidade eram muito bons. Por praticar muito esporte acabou sendo campeão estadual pelo time de futebol americano do colégio, que era ranqueado como um dos melhores do país. Seu maior aprendizado durante a viagem foi com o esporte, destaca uma frase que aprendeu e leva como filosofia de vida: “quando você está prestes a desistir, quer dizer que você ainda consegue dar o dobro”. No treinamento do futebol americano

conta que treinavam três horas por dia, 4 vezes por semana, jogo na sexta e no sábado 8h da manhã viam os vídeos do jogo para ver os erros e faziam musculação regenerativa. Mesmo sendo da seleção de futebol do colégio brasileiro, conta que seu preparo físico era muito pouco em relação aos estadunidenses. “Teve um dia que eu estava morto, só que era só metade do treino, todo o time me apoiava ‘ Ivens levanta a cabeça, respira fundo, que você consegue” . Conta que qualquer dificuldade, principalmente para estudar, que encontra lembra dos treinos e relembra que pode ir o dobro. Le Havre, França Para a França, planejou com antecedência, pois quando seu ir-

Renata Silva Pinto

mão mais velho começou a cursar jornalismo o chefe de seu pai sugeriu para o irmão estudar na Espanha, em Salamanca. Como a regra da casa é que o que um irmão faz os outros têm direito de fazer, Ivens já sabia que iria. Focando na língua, estudou dois anos francês se preparando para viajar, “dentre várias universidades que a minha universidade tem parceria escolhi Le Havre pela localização, pensei ficando mais perto de Paris fico mais perto de conhecer o mundo”, relata Ivens. “A experiência que você adquire lá fora é incomparável com o tempo que você atrasa a sua universidade”, conclui Ivens. Culturalmente destaca o intercâmbio na França foi o mais construtivo, por ser na Europa em qualquer feriado Ivens pegava trem para Paris e viajava. Contanto sem calcular muito, relata que deve ter visitado mais de 50 cidades no continente e 10 países no mínimo. “Vi peças em museus que no Brasil só se vê nos livros de história”, constata que era muito interessante ver ao vivo. Algumas diferenças

Ivens Gomes visitou o palácio de Buckingham, em Londres, durante seu intercâmbio na Universidade de Oxford

Entretanto, no quesito amadurecimento acredita que o intercâmbio nos Estados Unidos. Foi adolescente, “você chega lá numa casa de família em que não conhece ninguém tem que se adequar às regras da casa” acostumado com empregada doméstica destaca os afazeres domésticos: “Lá tinha que lavar, varrer, concertar, cortar grama, construí metade de uma garagem”. Além disso, outra diferença que relata, era que quem estudava muito eram os populares, mais admirados. “Se você não estudava muito era excluído, a não ser se eram muito legal”. Para quem está planejando ir,

Ivens destaca que é importante planejar com antecedência. Também ter uma empresa que podem te ajudar lá fora, se ficar em uma família e precisar trocar, por exemplo. “Se você está em dúvida se gosta da tua família, troque, pois a sua experiência com uma melhor muda totalmente o seu intercâmbio”, aconselha. Sempre tentar ficar o mais longe possível de brasileiros, se enturmar com os nativos para treinar. Uma vez fora do país, deve tentar aproveitar o máximo, viajar o quanto pode para outros países. “Eu tive muita sorte, pois na França a cada seis semanas tinha duas semanas de férias”, revela Ivens. Sobre contato com os parentes do Brasil, acredita que deve ser apenas uma vez por semana e não ficar muito tempo, apenas contar as novidades, “quanto mais você fala com a tua família mais homesick (com saudades de casa) você fica e menos da língua estrangeira você treina”. Intercambio na UP A Coordenadora de Relações Internacionais da Universidade Positivo (UP), Larissa Dal Piva, considera planejamento fundamental para fazer intercâmbio. “Quer estudar no exterior? Comece a pensar qual país, qual universidade” . Ressalta também que tem que se preparar, pois as universidades exigem certificados de comprovante de proficiência no idioma. O principal ponto é planejar o estudo. O aluno deve ficar atento aos editais que estão abertos no site que disponibiliza os convênios da UP com universidades do exterior. O convênio é importante, pois assim não é preciso pagar a taxa de estrangeiro da universidade, podendo também aproveitar disciplinas na volta. Além disso, há uma política de incentivo, revela


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“É um salto quântico na mentalidade”, diz Ivens sobre a experiência de intercâmbio Larissa, que não precisa pagar a mensalidade da UP durante o tempo que passar fora. “Quando for fazer o aproveitamento das disciplinas, as que forem feitas aproveitamento, são pagas 80% durante o próximo ano, ou seja, 20% das disciplinas que cursaram lá fora e fizeram aproveitamento aqui”, aponta Larissa. Os alunos conseguem equivalência nos cursos se as disciplinas forem iguais, de acordo com Larissa, mas acontece que se até mesmo cursos na mesma cidade têm discrepâncias, de diferentes países ainda mais. “Eu aconselho por experiência própria fazer uma ou duas que possam ser aproveitadas e fazer todas mais diferentes possíveis que irá agregar seu conhecimento profissional e pessoal”. Estes intercâmbios são disponibilizados em editais que são publicados entre setembro e outubro. “É importante estar preparado para estas oportunidades, normalmente aparecem sem muito tempo”, comenta Larissa sobre as bolsas de estudo. A coordenadora ressalta que é importante estar com os testes de proficiência da língua em dia. Além disso, há uma exigência de nota 7 de média geral para ser escolhidos para bolsas pela UP.

de, direitos humanos e cultural. Com propostas diferentes para cada curso e interesse do intercambista. Já os Talentos Globais, o objetivo é de trabalho. É uma oportunidade de trabalhar numa multinacional na tua área que estuda no Brasil. “Existem parceiros bem grandes que acreditam na nossa causa, as vagas mais concorridas são Nike e Google, na Europa”. Destinos com maior vagas são Índia, China, Turquia e Colômbia. Para poder participar dos programas o candidato deve passar por um processo seletivo, consiste em três fases: se inscrever, participa de uma dinâmica em grupo e uma entrevista individual. Depois está dentro da instituições Renata Silva Pinto

e participar de uma conferência. As inscrições para o intercâmbio não fecham, é só chegar no escritório que eles vão fazer uma entrevista de alinhamento de expectativas, ver o teu curso e para onde você quer viajar, falar sobre as vagas que estão disponíveis. Larissa Dal Piva, coordenadora de Relações Internacionais da Universidade Positivo, que fez intercâmbio pela AIESEC, ressalta que o diferencial da organização é que você trabalha na sua área de conhecimento. Destaca que o importante é a rede de contatos que você conhece, “quando eu terminei meu intercambio no Canadá eu atravessei o país parando nas casas dos integrantes da AIESEC, eles abrem as portas para você”.

AIESEC oferece intercâmbios para estudantes Cidadão Global e Talentos Globais, são os dois programas de intercâmbio que a AIESEC oferece. O primeiro é social, em que o “intercambista tem a oportunidade de auxiliar o desenvolvimento de uma comunidade ao redor do mundo”. Os destinos mais comuns são: América Latina, África, Leste Europeu e Ásia, onde as pessoas precisam. Com duração de seis a doze semanas, é um projeto voluntário. Possui vertentes que a pessoa pode escolher: ambiental, gestão, saú-

Ivens Gomes com outros estudantes que também ganharam bolsa para Oxford

Em cada intenção, um programa e um destino Para quem deseja fazer um intercâmbio, há muitas questões para levar em conta. André Kenzo, que já foi intercambista e hoje é representante da filial curitibana da agência de intercâmbios Egali, explica que as expectativas da pessoa com relação ao intercâmbio acabam sendo indicativos da viagem e do destino ideal. Segundo Kenzo, custo, língua, objetivos, tempo que tem para fazer o intercâmbio e o cenário internacional são as situações que devem ser levadas em conta. “Um curso de curta duração é pra quem não quer ter que trancar o curso, quer desenvolver mais na fala do que na gramática”, explica. Já um de longa duração é mais adequado para quem quer conhecer o país, fazer uma imersão cultural. “Na Europa ainda dá pra fazer mochilão”, sugere Kenzo. Existem ainda os cursos especiais. Estes, como o inglês jurídico, são de curta duração, mas exigem maior conhecimento da língua, por tratarem do vocabulário mais técnico. Segundo a linguista e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Carmen Koppe, “Em três meses de convívio o estrangeiro já possui domínio da língua para se virar nas mais diversas situações”. Quem costuma ficar mais tempo, segundo André Kenzo, pode estar buscando também oportunidades de emprego. Para isso, ele alerta “Tem que ver os pré requisitos de cada país, e se a sua agência de intercâmbio garante (o emprego). Em alguns casos a pessoa acha que o emprego está garantido, mas a agência só dá orientação e ela tem que procurar”. Segundo o representante da Egali Curitiba, o intercambista também precisa possuir certas características para sair em um programa de intercâmbio. “Flexibilidade com as possibilidades, saber se virar sozinho”, exemplifica. Ainda de acordo com Kenzo, outras questões mais burocráticas precisam ser analisadas, como o visto de entrada. No Canadá e na Austrália, países mais rígidos para emitir vistos, é necessário apresentar dois “patrocinadores” (pessoas que mostrem possuir renda mensal acima de R$ 4 mil para o Canadá e R$ 6 mil para a Austrália). Para a Austrália, ainda é necessário comprovar que possui mil dólares australianos por mês de intercâmbio e provar que tem intenção de voltar ao país de origem (algum curso superior, por exemplo). Todas as exigências devem ser atendidas ainda no Brasil. Já na Irlanda, a questão do visto é mais simples. Kenzo explica que, por este motivo é o país que mais recebe intercambistas brasileiros. “Se você faz um curso de vinte e cinco semanas, consegue um ano de visto de estudante. Com isso você pode viajar pelos países vizinhos, por exemplo”, sugere o representante. Finalmente, André Kenzo ressalta a importância de uma atualização sobre o lugar de destino ao chegar lá. “É preciso um suporte na adaptação, saber sobre o transporte coletivo, onde ficam as farmácias, ter a quem recorrer”, explica.

LONA 764 - 19.10.2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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