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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Não-Violência é lembrada com o aniversário de Gandhi

Ano XIII - Número 756 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Entrevista com o casal David Harrad e Toni Reis

Roberto Stuckert Filho / Agência Brasil

p.5

SORTE Caixa Econômica agora promove bolões oficiais para quem quer apostar

O Dia Internacional da Não-Violência foi criado pela ONU - Organização das Nações Unidas-. Neste mesmo dia, um dos maiores líderes pacifistas da história, Mahatma Gandhi completaria 143 anos. p. 3

Venda de cigarros pode ser proibida próximo a escolas e hospitais Projeto de lei apresentado em agosto está na Câmara Municipal de Curitiba e prevê uma distância mínima de 200 metros também de praças, parques, locais de prestação de serviço público e locais de embarque e desembarque de passageiros. p. 7

io

na loteria. p.6

GREVE UFPR As aulas voltam mas formaturas e trabalhos de conclusão de curso podem prejudicar alunos p. 8


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Opinião

O eterno debate

Editorial

Bruno Sentone

Há cerca de um mês, o atacante do Real Madrid Cristiano Ronaldo conquistou o troféu “Goal 50”, homenageando o craque pelos 60 gols marcados em 55 partidas oficiais disputadas pelo maior clube da capital espanhola, em um mesmo campeonato. Essa já é a segunda vez em 5 anos que o atacante luso recebe o troféu. O prêmio, que já foi conquistado por Lionel Messi na última temporada do Barcelona, fez com que o debate a respeito de qual o melhor jogador do mundo na atualidade fosse retomado. Um jogador não é avaliado somente individualmente, mas também pelo seu trabalho em equipe. O Real Madrid tem os principais títulos do ano, enquanto o rendimento de Messi se limita somente ao Barcelona. Pela Eurocopa, o português Cristiano Ronaldo fez belas atuações e ajudou seu time a chegar às quartas de final, sendo eliminado pela Espanha na cobrança de pênaltis. Por outro lado, o argentino não consegue repetir seus feitos pela seleção do seu país de nascença. Nota-se que o atacante merengue tem um imenso repertório de jogadas, excelentes cobranças de falta, e até um toque refinado de costas que utiliza nas partidas que disputa. Por outro lado, o jogador do Barça não apresenta exibições diferentes daquelas a que estamos acostumados a assistir, ou seja, é um jogador fora de série, porém limitado. E para apimentar um pouco mais o debate, o brasileiro Neymar também chega para disputar o prêmio de melhor jogador do mundo, e vem com força extra, já que carregou sua seleção até a final olímpica, sendo derrotada pelo México em uma partida sem muitas emoções. O seu clube, Santos, só consegue uma boa série de vitórias quando o craque do time é relacionado para as partidas. Caso contrário, o glorioso alvinegro praiano só acumula derrotas. Enquanto os dois jogadores que atuam na Espanha se preocupam com sua imagem e com títulos, existe um menino brasileiro que está se divertindo ao praticar futebol, e com isso inicia uma nova era no esporte. A era da ousadia e alegria, como é conhecida no Brasil. Sendo assim, esse debate não se dá por encerrado, afinal tem mais um atleta que veio para brigar por esse prêmio, o que tende a agravar a situação. E para nós, amantes do esporte, só nos resta aguardar a decisão da FIFA, e até lá acompanhar os espetáculos que o futebol proporciona com grandes craques como esses.

Candidatos a prefeito realmente conhecem Curitiba?

Última semana A última semana de campanha política é sempre a mais importante para o resultado do pleito. Nela, viradas podem acontecer, segundos turnos podem ser forçados e variações malucas nas contestadas pesquisas de opinião não são incomuns. Tudo isso porque os indecisos começam a se decidir, votos podem mudar e é quando acontece a maior número de debates na mídia (e os mais assistidos). Com isso, é preciso que o eleitor se atente na hora decidir mesmo o seu voto. É necessário ver os debates, analisar as propostas e ter desprendimento para a escolha final. Se basear em pesquisas é um “tiro no pé”. Muitos eleitores votam no primeiro ou no segundo colocado, pois os outros “não tem chance de vitória”, se esquecendo de ir atrás do programa de governo, da ficha e de realizações passadas dos candidatos. Além de tudo, os debates têm de ser levados com certa cautela. Viradas históricas já ocorreram em eleições por fatores externos ocorridos nestes eventos. Collor ganhou de Lula em 1989 muito pela edição tendenciosa que foi exibida no horário de maior audiência. Nos EUA, John Kennedy bateu Richard Nixon por explorar de forma perspicaz um distúrbio de seu rival, e deixá-lo em situação constrangedora frente ao público. O voto tem que ser escolhido pelo conjunto do candidato, não apenas pelo desempenho em um debate (por mais esclarecedor que possa parecer), ou por pesquisas de opinião. Nada contra os institutos de pesquisa, mas se basear por eles é um golpe rasteiro no que deveria ser a verdadeira democracia.

Expediente

Carolina Pereira

Nas últimas semanas tenho acompanhado as propagandas eleitorais no período da noite. Acho importante o eleitor conhecer as propostas dos seus candidatos, por mais absurdas que elas possam parecer. Exceto na hipótese de um conhecimento mais próximo de um ou outro candidato, só a propaganda pode dar uma ideia para a escolha na hora do voto. Os candidatos a prefeito de Curitiba parecem não conhecer a cidade que querem governar, tanto por suas propostas quanto pela cidade que eles dizem que Curitiba é. Dois destes candidatos me surpreendem negativamente em suas propagandas eleitorais: Luciano Ducci e Ratinho Jr. Luciano Ducci mostra uma cidade que eu não conheço. Para ele Curitiba está bem em termos de saúde, educação, os mendigos estão na rua por vontade própria, entre tantas outras características que o povo curitibano não conhece. Obviamente isto é uma estratégia, mas revolta qualquer eleitor que já precisou de um posto de saúde, entre outros serviços. Ratinho Jr está surpreendendo nas pesquisas, mas faz propostas que custarão uma fortuna e que, provavelmente, não consiga cumprir caso ganhe a eleição. Diz que dará tênis e material escolar de graça e promete acabar com as filas nas creches diminuindo o turno dos funcionários. Não mostra de onde vai tirar tanto dinheiro para cumprir suas promessas. Fruet e Greca, menos cotados nas pesquisas, têm campanhas mais fracas, porém mais realistas. Greca até tem propostas interessantes, mas utiliza muito de sua campanha para falar mal de outros candidatos do que falar do que pretende fazer. Fruet, apesar das boas propostas, pode ser prejudicado pela mudança de partido. Os eleitores precisam conhecer melhor seus candidatos, perguntar, pesquisar para saber se as propostas são possíveis. É necessário que o eleitor saiba se os cofres públicos têm dinheiro suficiente para fazer tudo o que os candidatos prometem. Só desta forma saberá quem realmente merece seu voto. Na teoria as promessas parecem boas, mas na prática isso pode mudar.

Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Renata Silva Pinto e Vitória Peluso | Editorial: Gustavo Vaz O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Dia Internacional da Não-Violência As escolas de Curitiba não terão nenhum evento especial para a data comemorativa. Já o Instituto de Educação para Não Violência organiza palestras Flávio Martins dos Santos, Rodrigo Schievenin Tiago Francisco Pereira

do Paraná -. Antes disso, segundo in-

ceito de não-violência não significa ser omisso. É preciso

formações da página oficial ser ativo para causar transforda ONG, vão acontecer hoje mações. Uma boa reação é fana cidade de Piraquara, em zer bom uso da comunicação, comemoração ao dia da Não o indivíduo deve utilizar do

O Dia Internacional da Violência, outras duas pales- seu poder de oratória para reNão-Violência é comemora- tras nas escolas Rudi Heinri- solver seus problemas. do nesta terça-feira, dia 2 de chs (das 7h30 às 11h30) e JoA ONG atua desde 1998

outubro. Segundo o departa- mar Tessaroli (das 13 às 17h em escolas da rede pública mento de Comunicação So- horas) com os temas: “Con- de ensino promovendo ações cial da Secretaria Municipal versar para Resolver” e “Au- de caráter preventivo e edu-

de Educação de Curitiba, não toridade e indisciplina”. O pú- cativo. A escola foi escolhida está previsto nem um evento blico contará com quase 100 como público alvo, porque reou ação especial voltada para professores. conhece nela uma instituição essa data comemorativa nas

A data foi criada pela ONU

escolas da capital paranaen- - Organização das Nações se. Já o Instituto de Educação Unidas - em homenagem a

Mahatma Gandhi (1869 – 1948)

privilegiada para o incentivo da cultura de paz. Segundo Bini, o foco nas escolas vem

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no ano de 1869 em Porbandar, na Índia. Onde é hoje o estado de Gujarat. Aos 13 anos, mantendo as tradições locais, teve um casamento arranjado com Kasturba Gandhi. Estudou Direito na Inglaterra e obteve notoriedade na África do Sul, quando ajudou a resolver um caso muito difícil. Viveu na África do Sul por 20 anos defendendo a minoria hindu e liderou a luta do seu povo pelos seus direitos. Como forma de expressar respeito e admiração do povo indiano foi-lhe dado o título de Mahatma, que significa alma grande. Em 1915, quando retornou à Índia, liderou a luta pacífica pela independência da Índia. O uso da não violência baseava-se no princípio da desobediência civil. Essa desobediência se dava através de greves, jejuns e o não pagamento dos altíssimos impostos cobrados pelos ingleses. Em 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros em Nova Déli por um hindu radical. Frases do líder indiano ilustram bem o significado de NãoViolência: “Não há caminho para a paz, a paz é o caminho”. “Posso até estar disposto a morrer por um causa, mas nunca a matar por ela”.

para Não Violência, Organi- Mahatma Gandhi, nascido do histórico da instituição no zação Não Governamental nesse mesmo dia. Gandhi é trabalho com adolescentes e com sede em Curitiba, pro- lembrado por usar a ideia de crianças. Eles viram na figura

Violência, em parceria com o

como: conceito não-violência;

cia escolar”. As inscrições são

tituto de Educação para Não

gratuitas e as atividades são

Violência desde 2000)

Centro de Estudos em Segurança Pública e Direitos Hu-

Data e Hora: 04/10 das 19h às 21h Local: Escola da Magistra-

moverá na quinta-feira, dia 4 não- violência na luta pela in- do educador, uma maneira de manos da Universidade Fede- tura - Rua Ernani Santiago de de outubro, uma palestra com dependência da Índia. Valo- disseminar as ideias de líderes ral do Paraná, são ofertados a Oliveira, 87 - centro Cívico, Joyce Kelly Pescarolo, psicó- rizava princípios como o res- pacifistas. No site da organiza- todos os educadores de Curiti- Curitiba, PR loga desse Instituto desde o peito, a tolerância, o diálogo e ção (www.naoviolencia.org. ba e região, cursos, palestras e Palestrante: Joyce Kelly ano 2000, que abordará temas a solidariedade. br), “desenvolver e fortalecer debates sobre o tema “violên- Pescarolo (Psicóloga do InsPara Adriana Cristina de uma cultura de não-violência

os valores da cultura da não- Araújo Bini, coordenadora por intermédio das escolas” é violência; como ser um líder técnica do Projeto Não-Vio- a descrição da missão do grupacífico. A discussão aconte- lência, estamos propensos a po. cerá na Escola da Magistra- uma “reação violenta frente A intervenção do grupo nas tura das 19 horas às 21 horas, a uma situação violenta”. Ela escolas não acontece apenas em parceria com a AMAPAR diz, que ao contrário do que com os alunos. Através de seu - Associação dos Magistrados muitos podem pensar, o con- Centro de Capacitação Não-

certificadas pela UFPR.

Vagas disponíveis: 76 Inscrições gratuitas on line:

Serviço

www.naoviolencia.org.br Informações: Fone: 41-

Palestra Não Violência: Uma questão de atitude.

3254-1643 ou naoviolencia@ naoviolencia.org.br


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Especial

Formaturas e TCCs podem ser prejudicadas pelas greves Estudantes da Universidade Federal do Paraná que estão prestes a concluir os cursos falam dos problemas causados pela paralisação Carolina Pereira Rafaela Guimarães

As aulas da UFPR retornaram no dia 17 de setembro último. Porém, depois de 120 dias de paralisação, as formaturas dos estudantes das universidades federais podem ser prejudicadas. Mesmo com as atividades voltando em setembro, o calendário letivo não termina até o final do ano, indo até o fim de março de 2013. Esta é a estimativa do Núcleo de Assuntos Acadêmicos (NAA) da UFPR. Por causa do grande tempo sem aula, as formaturas que deveriam ocorrer no início de 2013 serão prejudicadas. Como não há alternativa, as datas serão alteradas. Esta foi a greve nacional de professores federais mais longa da história, e as Universidades envolvidas no Paraná foram a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Bianca Brandalize, estudante de arquitetura da Universidade Tecnológica do Paraná, diz que a turma pensou em conhecer empresas para fechar com

alguma para a formatura, mas devido à greve isso só será feito a partir de agora. Há alunos que já estavam pagando pela formatura, e agora verão quais foram os impactos causados. Segundo Pedro Luís, assessor comercial da Polyndia (empresa especializada em organizar formaturas), os estudantes terão de negociar novas datas para os locais da festa. A falta de orientação para o TCC também é um problema para os alunos. Os trabalhos ficaram parados, afinal não há uma data marcada para a banca e, como grande parte dos orientadores aderiu à paralisação, não há como ter revisão desses trabalhos. A estudante de Artes da UFPR Elizangela Sarraff conta que estava no oitavo período do seu curso quando a greve começou; faltava apenas um mês para que as aulas do último semestre acabassem. De acordo com ela, os alunos já tinham iniciado os trabalhos de conclusão de curso, mas não chegaram a terminar.

Fim da Greve No dia 13 de setembro, cerca de 500 professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participaram de assembleia e decidiram encerrar a greve. A grande maioria, 95%, votou pelo fim da paralisação. De acordo com o presidente da Apufpr (Associação dos Professores da UFPR), Luis Allan Kunzle, as aulas retornaram, mas as manifestações continuam porque os professores não quiseram assinar o acordo oferecido pelo governo por acharem muito ruim. Segundo Kunzle, o novo calendário não deve ocupar sábados, domingos e feriados, e deve garantir férias em janeiro e julho. O Ministério Público Federal (MPF) protocolou, também na quinta-feira (13), uma ação contra a UFPR, a Apufpr e o Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior) solicitando o retorno das aulas em, no máximo, 72 horas a partir da publicação judicial. O objetivo da ação era manter o funcionamento da instituição e não prejudicar os estudantes dos últimos períodos que iriam se formar no final deste ano. “A cada dia que passam, sem saber quando a greve irá acabar, os estudantes que cursam o último ano são irremediavelmente prejudicados”, explica a procuradora da república, Antonia Lélia Neves Sanches, no documento. Ainda assim, o presidente da Apufpr afirma que o fim da greve não tem nada a ver com a ação judicial. Diego Henrique da Silva


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Especial

Arquivo pessoal

Os lanços não vêm do sangue Vitoria Peluso

O casal curitibano David Harrad e Toni Reis está junto há 22 anos e este ano conseguiu em última instância adotar uma criança, após sete anos de espera. Em entrevista ano Lona, o inglês David contou como foi o procedimento de adoção e como a família está após a chegada de Alyson, de 11 anos. Toni Reis, que é presidente da LGBT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bixessuais, Travestis e Transexuais), não participou da entrevista, devido estar viajando, mas, de acordo com David, as resposta são todas consensuais. Lona: Quando decidiram que queriam formar uma família adotando uma criança e por quê? David: Foi por volta do ano 2000. Somente foi possível dar entrada ao processo de qualificação em 2005, porque foi naquele ano que o David, que é inglês, finalmente conseguiu o visto de permanência. Estrangeiros com visto temporário não podem adotar. Ambos sempre tivemos vontade de ter filhos, só que nos anos 80 e 90 não parecia ser uma possibilidade para homossexuais no Brasil ou na Inglaterra. Lona: O que é preciso ter para ser família e criar uma criança independente da composição familiar? David: É preciso ter amor, respeito, compreensão, procurar conviver em harmonia. Os laços de família não precisam ser de sangue. O vínculo entre as pessoas da mesma família nem sempre é forte, e pode se criar com pessoas com quem se tem mais afinidade. A criança precisa ser criada para respeitar o próximo

e as diferenças, ser ética, saber e cumprir seus deveres e direitos, dialogar e consensuar, aprender a ter responsabilidade, autonomia e senso crítico, para que tenha estrutura para viver bem a vida adulta.

depois da morte dela. Lona: A princípio, que perfil de criança vocês pretendiam adotar? David: Nós pretendíamos adotar um menino e uma menina em torno de seis anos de idade.

Lona: Após esses sete anos de espera para adotar o Alyson, como avaliam o processo de adoção no Brasil? David: O processo é pautado pelo bem-estar da criança. Às vezes isso gera uma demora, embora seja de suprema importância. No nosso caso, a demora ocorreu por falta de precedentes no que diz respeito à adoção conjunta por um casal do mesmo sexo, e ainda porque um representante do Ministério Público do Paraná tentou impedir - por todos os meios recursais possíveis - que pudéssemos adotar, apesar da garantia constitucional da igualdade de todas as pessoas, sem distinção de qualquer natureza. Acreditamos que com a implementação do Cadastro Nacional de Adoção, o processo de modo geral deve ficar mais agilizado, embora ainda esteja preciso promover mais a questão da adoção tardia, ou seja, crianças mais velhas e adolescentes que precisam de uma família.

Lona: Por que a Vara da Infância e Adolescência havia determinado que não poderiam adotar um menino com menos de 10 anos? David: O argumento em relação à idade da criança era de que precisasse ter discernimento suficiente para entender e aceitar ser adotada por um casal homoafetivo. A restrição quanto ao sexo somente pode ser considerada arbitrária, discriminatória e com inferência quanto a algum suposto dano que a criança pudesse sofrer neste ambiente. A mesma decisão, só que ao contrário, foi conferida pelo mesmo juiz a um casal de lésbicas, determinando que a criança tinha que ser do sexo masculino e acima de 12 anos de idade.

Lona: A Constituição brasileira afirma que qualquer pessoa pode adotar. Por que decidiram adotar como casal ao invés de adotar como solteiros para que o processo fosse mais rápido? David: Entendemos que a adoção conjunta traria mais segurança para a criança. Por exemplo, em caso do falecimento de um de nós, o outro tem a guarda da criança garantida. Já no caso da adoção como solteiros, a guarda pelo parceiro sobrevivente não estaria garantida. Um exemplo bem conhecido disso foi a briga na justiça pela guarda do filho da Cássia Eller

Lona: Quando apareceu a proposta de conhecer o Alyson, no Rio de Janeiro, quais foram as expectativas? David: Na época, o Alyson tinha dez anos. Inicialmente achávamos que não deveríamos conhecê-lo e criar expectativas que talvez não pudessem se realizar, especialmente em vista de nosso desejo de adotar crianças com cinco ou seis anos de idade. No final, contudo, conseguiram nos convencer a conhecê-lo e da nossa parte foi o encantamento à primeira vista. Lona: Após conhecer o Alyson, em que momento e por que decidiram que seria ele o adotado? David: Tivemos uma ótima impressão do Alyson logo que nos conhecemos. A primeira visita ao Rio de Janeiro para foi de dois dias e ao final já estávamos

Da esquerda para direita: Toni, Alyson e David

com vontade de adotá-lo. Nós o conhecemos nos dias 13 e 14 de setembro de 2011. Fomos apresentados no Fórum de Cascadura. Passamos a tarde com o Alyson e depois o levamos de volta para a família que cuidava dele. No dia seguinte fomos buscá-lo novamente e passamos o dia juntos. Em outubro ele veio passar uma semana conosco em Curitiba, para nos conhecer melhor e também conhecer a cidade. Em novembro fomos novamente para o Rio na ocasião do aniversário de onze anos dele, quando passamos o fim de semana juntos. Lona: Quando ele começou a morar com vocês? David: Ganhamos a guarda provisória do Alyson no dia 19 de dezembro de 2011 e a partir de então ele veio morar conosco. O estágio de convivência durou um pouco mais de seis meses e finalmente a sentença de adoção foi dada em julho de 2012. Lona: Como foi a preparação para recebê-lo e o que esperam da vida a partir de agora? David: Passamos inicialmente duas semanas de férias com ele em Camboriú. O quarto dele aqui em casa estava vazio e escolhemos juntos a decoração e os móveis. Fizemos a matrícula dele na escola e também reunimos amigos e amigas para serem os “dindos”, padrinhos. Fizemos vários almoços em casa com

essas pessoas, bem como uma festa de inauguração do quarto dele, para que se sentisse querido e com uma família estendida. Acompanhamos de perto o desempenho dele na escola e apoiamos na realização dos trabalhos de casa. Temos uma relação muito boa com a direção e com as pedagogas e é do conhecimento de todos na escola que o Alyson tem dois pais. Esperamos ter uma convivência que seja benéfica para os três. Pode ser que ainda adotemos uma menina, conforme nossos planos originais. Lona: Que importância essa conquista tem para a mudança de pensamento da sociedade quanto ao homossexualismo? David: Mostra que outros arranjos familiares são válidos e que não é a condição homossexual que determina se a pessoa é boa mãe ou bom pai. Somos muitas vezes criados para ter uma percepção heteronormativa da sociedade, de que só existe relacionamentos entre homens e mulheres, e binária (tudo se classifica em grupos de dois opostos: homem/mulher, azul/corde-rosa,delicadeza/força, etc.), quando na realidade a composição da social é muito mais complexa e diversificada. Quanto mais se contesta essas normas e se demonstram outras formas de vivência igualmente legitimas, mais próximo se chegará uma sociedade pacífica e respeitadora das diferenças.


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

Esporte Curitiba

Tripudie no Couto Pereira, visitante O Coritiba abriu ontem, diante do São Paulo, o encadeamento de jogos decisivos dentro de casa. O discurso empregado no meio da semana sobre a mudança de postura da equipe surtia efeito, em partes. Até que, aos 38 minutos do segundo tempo, Osvaldo, aproveitando boa jogado de Lucas, pôs fim a tentativa de reabilitação do Alviverde e complicou ainda mais a situação da equipe no Brasileiro. Diferente do ano passado, o Coritiba não está conseguindo aproveitar uma arma, até então, poderosa: o Couto Pereira. Anteriormente, jogar no reduto Coxa-Branca significava dificuldade para os adversários que, retraídos, tentavam aspirar algo em meio a pressão que os sufocava. Tentavam retirar de dentro de seus pulmões esmagados, alento para que se mantivessem sóbrios. Pareciam implorar pelo ar que parecia escasso.

Já neste ano, parece que tão-somente a mística do Couto Pereira não consegue se sobrepor as fracas atuações. Os adversário, antes pungidos pela violência gratuita que sofriam no Alto da Glória, não sofrem mais a coação que sofriam. A influência determinante da torcida continua intacta, mas os gladiadores alviverdes, ou melhor, os meros combatentes, parecem não absorver o sentimento e a força de seus adoradores. Os números também corroboram com as fracas apresentações protagonizadas pelo também fraco time do Coritiba. Até agora, no Campeonato Brasileiro, em 13 batalhas disputadas no Couto Pereira, o time comandado por Marquinhos Santos conquistou seis vitórias, dois empates e sofreu cinco derrotas. Dados pífios se comparados aos de 2011, quando o Alviverde sofreu somente duas derrotas em seus

domínios em toda a temporada. Para ampliar os negativos números de 2012 ou para relembrar os momentos de solidez de 2011, o Coritiba recebe a Ponte Preta, nesta quinta-feira. Aguardemos para saber se o time verde e branco receberá a Macaca com um cartaz de boas-vindas no vestiário com a seguinte frase: sinta-se à vontade e tripudie no Couto Pereira, visitante. Menção honrosa O Paraná Clube não aspira mais nada no Campeonato Brasileiro da Série B, mas reencontrou o caminho das vitórias. Venceu o São Caetano na Vila Capanema por 2 a 1. Quem não viu a partida pensa que foi um jogo comum, sem nenhum grande lance ou jogada de efeito. Pois engana-se. O gol da virada Tricolor foi marcado por Alex Alves, que assinou uma obra-prima nos

Victor Hugo Turezo victorturezo@gmail.com

gramados do Durival Britto e Silva. O zagueiro aproveitou uma bola espirrada na área após uma cobrança de falta e emendou uma bicicleta espetacular. Ato que merece destaque nos limitados caracteres que tenho para balbuciar algumas palavras.

Games

O bom e velho terror psicológico A minha geração de gamers acompanhou todo o desastre de Racoon City, mas Resident Evil logo deixaria para trás uma das características que o deixou famoso: sustos. Com o abandono do terror psicológico pela franquia da Capcom, a Tecmo trouxe aos apreciadores do Survival Horror os sustos em primeira pessoa, e seu título Fatal Frame logo faria sucesso na era Playstation 2 com três jogos para o console da Sony e posteriormente um quarto título para o Nintendo Wii. Aos fãs desse gênero masoquista, chega uma boa notícia: Fatal Frame II Crimson Butterfly, apontado por muitos como o melhor título da série, acaba de chegar remasterizado para o console da Nintendo; e isso significa fantasmas em HD. A história da série baseia-se em maldições japonesas, e antes que

pensem em fitas que matam em sete dias, Fatal Frame envolve-se nas lendas dos sacrifícios humanos realizados em algumas antigas mansões do Japão. O primeiro jogo abusou dessa publicidade com o subtítulo “baseado em uma história real” e conquistou vários curiosos pelo enredo da franquia. Fantasmas não são novidades nos filmes de terror, mas sempre garantem bons sustos; e a Tecmo os trouxeram para os consoles e lhe deu uma câmera como defesa. Agora se você estará seguro usando a Câmera Obscura, aí é outra história. Eu poderia apontar Fatal Frame como um interessante game para os amantes da fotografia, mas quando a matéria é exorcizar fantasmas com uma câmera, não temos muito tempo para aplicar a regra dos terços. Essa visão dinâmica entre primeira e terceira

pessoa, aliada ao conhecido ambiente desconfortável e inquieto dos filmes de terror, garantem ao jogador uma ótima mobilidade e uma imersão no cenário e na história – além de garantir as surpresas na sua tela. A jogabilidade foi se soltando no decorrer da série, e hoje chega ao sensível controle do Nintendo Wii com muito mais opções do que dispunha no Playstation 2. Tudo em nome de uma maior interação com o jogo – e assim mais sustos. Fatal Frame II: Deep Crimson Butterfly revive toda a história das gêmeas Mio e Mayu Amakura e sua chegada à estranha All God’s Village, a quieta vila que sumiu do mapa após a falha de uma cerimônia especial. As novidades ficam por conta dos retoques visuais e adição de alguns modos de jogo, porém a Tecmo encobre se a história será idêntica à anterior – quem sabe este

Maximiliam Rox max_lp_rox@hotmail.com cantinho não merece algo novo? Aos fãs do gênero, esta é mais uma chance de saborear mais alguns sustos e respirar os antigos ares de suspense. Aumente o volume, apague a luz; saboreie à vontade.


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Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

EDITORIA

Bolões oficiais da Caixa Econômica passam a valer a partir desta segunda-feira Andressa Turin

A partir desta segunda-feira (01/10), a Caixa Econômica Federal decidiu formalizar o bolão nas apostas da loteria. Por meio de uma sistema próprio das loterias, com tecnologia desenvolvida espe-

cificamente para este tipo de aposta, apostadores terão uma garantia em caso de bilhete premiado. Com esta mudança, os jogadores poderão formar grupos de apostas de 2 até 100 pessoas para concorrer aos prêmios oferecidos pela Caixa, como: MegaSena, Quina, Dupla Sena, Loteca e Lotofácil. Anteriomente estas apostas embora fossem muito comuns

não eram seguras, uma vez que a loteria não emitia nenhum comprovante de que a aposta havia sido feita. Com a formalização do bolão, a aposta é registrada no sistema gerando um recibo de cota para cada participante. Em caso de premiação, cada apostador poderá pegar sua parte do prêmio individualmente. Os volantes normais passarão a exibir um novo cam-

po especialmente para este tipo de aposta, com as opções de quantidade de cotas para marcação em caso de bolão. Caso o bolão seja organizado pelas unidades lotéricas, poderá ser cobrada uma taxa de serviço pela administração do bolão, de até 35% do valor da cota. Em 2010, na cidade Novo Hamburgo, 40 pessoas acertaram as seis de-

zenas da Mega-Sena, mas não receberam o prêmio de R$ 53 milhões, porque a loteria não registrou o jogo. Casos como esse serão evitados com a oficialização do bolão, pois na hora de fazer a aposta, o organizador do grupo deve informar o número de participantes e cada pessoa tem direito a um comprovante oficial, emitido pela própria Caixa Econômica.

Venda de tabaco pode ser proibida em regiões próximas a escolas e hospitais jam utilizados para o em-

Larissa Mayra de Lima

Tramita

na

Câmara

Municipal

de

Curitiba

uma proposta de lei que pretende proibir a comercialização

de

produtos

fumígenos como cigarros, charutos, cachimbos ou cigarrilhas em locais próximos a instituições de ensino, de saúde, locais

de

prestações

de

serviço público, praças, parques e regiões que se-

trônicas. Se a infração se causa

diferentes

tipos quem recebe a multa é

barque e desembarque de repetir, o comerciante re-

de doenças. No ano de o estabelecimento, que

passageiros.

2009, a Câmara Munici- tem o dever de orientar

ceberá multas e o seu al-

A distância a ser respei- vará de licenciamento de pal aprovou e o prefeito seus clientes. O valor da tada seria de 200 metros estabelecimento

poderá sancionou a Lei 13.254, multa é de R$ 1.000,00,

em torno das instituições. ser cassado.

popularmente conhecida podendo aumentar se a

O projeto foi apresentado

como Lei Antifumo.

pela vereadora Maria Go-

Outras medidas

retti (PSDB) no dia 27 de agosto.

situação não for resolvi-

A lei entrou em vigor da. no dia 17/11/2009 e proiVocê sabia?

A preocupação do po-

biu o uso de cigarros em

De acordo com a pro- der público com o con-

recintos de uso coletivo,

posta, o comerciante que sumo do tabaco pode ser

independente de ser um

No ano de 1986, a lei

desrespeitar a lei inicial- avaliada como uma me-

local público ou privado.

federal 7.488 institui o

mente receberá notifica- dida preventiva, consi-

Caso uma pessoa esti-

Dia 29 de Agosto como o

ções por escrito ou por derando que o uso do ci-

ver fumando em um es-

‘’Dia Nacional de Com-

meio de postagens ele- garro e outros fumígenos

tabelecimento

fechado, bate ao Fumo’’.


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TEXTOS

Arco do Tempo Daniel Zanella

Curitiba, terça-feira, 2 de outubro de 2012

O caderninho do bar Suelen Lorianny

Quando menos se vê, entre um livro e o cair da noite de uma se-

O mundo está cheio de pessoas sozinhas. Um chopp, um pastel e

gunda-feira qualquer, se está pensando em uma ex-mulher. É coisa de

o barulho dos carros são minha companhia. A ligação nunca vem, a

se ver, as lembranças se atrapalhando à sua frente, ainda mais quando a moça aparece deslumbrante, andando como se uma rainha sem lei e sem mundo. Eu vejo esta moça que já tive nos braços e que já foi minha principal confidente com um certo jeito estranho de perceber, como se não soubesse quem ela é mais, logo aquela que dividiu tantos e inúmeros

mensagem não chega. O chopp pela metade e a saudade começa a gelar meu coração. E é sempre assim, quando você desaparece, as palavras voltam a me acompanhar. A sua ausência me inspira mais que a sua presença. O chopp já está quente, mas ainda me faz companhia. A

e diversos copos e amarguras, e agora nem sei de onde vem, para

música que toca aqui é a mesma que você cantou para mim na varan-

onde vai, quais são seus amores, se está apaixonada ou não – mesmo

da da sua casa. Ela diz que seremos futuros amantes, que amores são

assim, confiro suas curvas e elas me parecem inéditas, os contornos elegantes de seu rosto, o mesmo e antigo olhar disperso e aleatório.

sempre amáveis. Eu sei que quem disso isso foi Chico, mas tenho cer-

Meu coração é um barco – como na canção Arco do Tempo, de

teza que o futuro não está perto da gente até porque ele também disse

Paulo César Pinheiro: “... O barco é o meu sentimento/No mar do

que o amor não tem pressa. O chopp acabou. A primeira folha do

peito eu me encharco/Em qualquer ponto do tempo/Eu passo e finco meu marco//Meu rastro é o verso que eu deixo/Formando um mar de

caderninho que carrego comigo também. Você está sozinho por aí e

sargaço/E quanto mais mar eu vejo/É mais um canto que eu faço//Já

deixou toda a poesia comigo. Ainda bem! Foi o que me restou de nós,

fiz um círculo e tanto/Cruzei um século inteiro/Morrer eu vou/Mas

sou tão grata. Ela não me deixa fazer parte dessas pessoas sozinhas,

meu canto/Jamais vai ter paradeiro” – e sinto agora uma vontade incontrolável de abraçá-la e de beijar seu rosto com a leveza dos aman-

mesmo que o melhor de mim eu enxergue na solidão. Pedi outro cho-

tes conhecidos e de perguntar se ainda gosta de mim e se podemos

pp, bem gelado. Parei de escrever e vi um moço me assistindo. Fechei

voltar a ser bons amigos e eu sinto tanto a sua falta, sabe?

o caderno rápido, ninguém pode ler isso. Tomei um gole ligeiro e me

Mas, meu coração. Entra agora uma destas mulheres que perturbam qualquer ambien-

atrapalhei toda com aquela plateia. Que plateia amigável, percebeu

te, ainda mais em uma sala vazia, escutando somente o eco de minhas

minha falta de jeito com seu olhar e sorriu. Disfarcei e peguei mi-

saudades. Agora não é mais uma sala vazia, agora também não é

nha caneta. Voltei para a varanda com a música e meu antigo amor,

mais uma crônica sobre um antigo amor. São letras de arrebatamento porque ver uma mulher bonita faz a vida da gente melhorar e ela é também um tipo singular de rainha – e é bailarina profissional tam-

nada de gostar de novos olhos. Não deu tempo para isso, antes que eu escrevesse mais uma palavra a plateia se aproximou, puxou uma

bém! – e o seu perfume se espalha à velocidade do fim do dia e o meu

cadeira e sentou na minha frente. Claro que não deixei ele ler, muito

desejo momentâneo é muito sincero.

menos li para ele. Só brindamos e ficamos ali. Aproveitando o chopp,

Começa a aula de economia. Alega o professor que as necessidades individuais são ilimitadas

o pastel e o barulho sozinhos. Arranquei a folha do caderninho, dei-

– e se são! – e, a bem da verdade, sempre tive dificuldade com con-

xei em cima da mesa e fui embora. Não sei seu nome, nem sua voz. O

ceitos abstratos como x, y e z.

chopp ficou pela metade, quente e não acabou. Igual a gente.

Mais abstrato são meus amores.


LONA 756 - 02.10.2012