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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

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Ano XIII - Número 754 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Comentários sobre o futebol brasileiro nas colunas de hoje p.6

CINEMA Diretores dos dois

Greve dos bancos acaba em Curitiba e Região Metropolitana Após nove dias de negociação um acordo foi fechado entre Fenaban e o Sindicato dos Bancários do Paraná botando fim à greve dos bancos em Curitiba. p. 3

Brasil não possui percentual suficiente de doadores de sangue Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) mais 1 milhão de pessoas doadoras de sangue supriria a necessidade de sangue nos hopitais. Em Curitiba, cerca de 40 hospitais precisam de bolsas de sangue para manter seus estoques. p. 4 e 5

longas curitibanos que estreiam nesse semestre falam sobre a falta de incentivo ao audiovisual no Paraná p.7

ESPECIAL Conheça as belezas da Estrada do Anhaia, primeira ligar a cidade de Curitiba ao litoral do estado p. 8


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Editorial

Câmera escondida x ética jornalística

Nos principais sites jornalísticos do país, a discussão sobre a ética das câmeras escondidas é sempre motivada pelas polêmicas em torno dos que são contra e dos que são a favor da sua prática. Qualquer redação ou agência pode decidir utilizá-la sem nenhum tipo de justificativa. Por volta dos anos 90, nos EUA, elas foram o maior sucesso e alvo de muita polêmica, pois fizeram revelações sobre o crime organizado e representaram verdadeira revolução para a mídia internacional. O problema foram as consequências: bilhões de dólares gastos com processos e ações judiciais. O jornalista não é dono da verdade, mas precisa transmitir ao público a verdade. Grande parte das denúncias hoje em dia sobre cartéis de drogas, subornos e máfias, como a do tráfico de mulheres, não teriam sido feitas de modo tão perfeito. Apesar de muitos acharem banal a Globo utilizá-las para mostrar o que manobristas fazem no interior de veículos em shoppings e locais públicos, divulga um problema grave: pessoas vasculhando suas coisas é completamente errado, e essa reportagem só mostrou como o caráter das pessoas vem diminuindo a cada dia e serviu para orientar os motoristas. A grande maioria dos que são contra o uso da câmera oculta alegam que elas obrigam o jornalista a mentir, e falsa identidade é crime, pois repórter que se passa por outra pessoa, além de enganar a fonte e trair princípios éticos também comete crime previsto no artigo 307 do Código Penal que diz: “É dever do jornalista respeitar o direito à privacidade do cidadão”. Para os juízes do Tribunal Constitucional da Espanha, o caráter oculto dessa técnica de investigação jornalística pressupõe uma violação do direito de imagem e à intimidade pessoal. Grande bobagem. Alguns apoiam, outros criticam, porém, quando a Globo exibiu no Fantástico uma reportagem sobre falsos diplomas utilizando a câmera escondida, todos acharam incrível, só não deram o braço a torcer. É evidente que a reportagem trouxe muito mais benefícios do que malefícios para a população e para os telespectadores, porque mostrou como age o mercado clandestino e como é rápido e prático hoje em dia se obter um diploma ou qualquer coisa que não é de fácil acesso ao povo. Jornalista não é polícia, não é juiz, não está acima da lei e muito menos é dono da verdade. Contudo, o uso de microcâmeras e gravadores escondidos é legítimo e deve ser feito caso seja o único método capaz de registrar formas ilícitas, criminosas e contrárias ao interesse público. Ou deixar o crime se estender é o melhor caminho?

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Renata Silva Pinto e Vitória Peluso | Editorial: Kawane Martynowicz O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 33173044.

Opinião

O que devemos ouvir?

Leonardo Doro O conceito de música no Brasil já perdeu há muito tempo o seu sentido e o senso crítico. Não ouvimos mais nas rádios músicas de qualidade como antigamente. O povo em geral deixou de lado aquilo que poderia fazer diferença, para ouvir letras que falam apenas de festa, de noitadas acordadas e de bebedeiras insanas com mulheres e carros de luxo. A maioria dos nossos jovens paga caro para ouvir Luan Santana e Gustavo Lima, os dois tentando emocionar as meninas em seus shows, com letras que falam sobre ser corno ou que traiu e não quer voltar atrás. Há lógica em ir a um show desses? Algo que não passa de uma parafernália, com painéis de LED com a mais alta tecnologia para tentar agradar a plateia e que na maioria das vezes não consegue agradar nem a eles mesmos. Enfim, os grandes nomes de nossa música brasileira ficaram no passado, as letras que mexiam diretamente na ferida do povo ficaram em uma prisão perpétua. Os verdadeiros artistas da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zé Ramalho, Gal Costa, Djavan, Milton Nascimento e tantos outros, ficaram esquecidos em todas as nossas mídias. Creio que cada um ouve o que quer e paga para assistir aquilo que acha ser o melhor, mas o grande problema é ver nossas crianças ouvindo apenas músicas que falam de sacanagem e que expressam gestos obscenos, e saber que se alguém perguntar a elas sobre algum dos verdadeiros artistas, lamentavelmente elas não saberão responder nada a respeito. O sensacionalismo em nosso país está perdendo a noção. As mesmas músicas idiotas tocam mais de dez vezes no dia nas emissoras de rádio, nos programas de grande público de nossa TV. As mesmas músicas são apresentadas fazendo com que o povo cante incessantemente e que fique com aquilo na cabeça até a hora que não tenha mais nada para ouvir. Hoje em dia até estátua para cantor sertanejo tem sido construída. O povo idolatra como se aquilo fosse algo de extrema importância, e que este que se diz cantor merecesse ser lembrado como um salvador da pátria. Realmente tudo está fora do comum, todo mundo está ouvindo o que não presta e deixando de lado aquilo que poderia fazer a diferença. Tenho medo de isso continuar se estendendo e os nossos jovens não terem um mínimo conhecimento sobre cultura musical.

Quem quer fazer greve põe o dedo aqui...

Amanda Bacilla

Desde fevereiro de 2011, professores de ensino superior particular não recebem reajuste salarial. Depois de mais de um ano sem reajustes, o Sindicato dos Professores de Instituições Particulares de Ensino Superior de Curitiba e Região Metropolitana (Sinpes), ameaça greve caso as entidades não aceitem o reajuste de 12% no salário. Aproveitando a onda de manifestações que não acaba mais, o sindicato decidiu manifestar a insatisfação, bem agora, dois meses antes de terminar o ano letivo. Que a justiça seja feita, afinal, fazer faculdade particular em Curitiba está bem em conta, não é? Imagine quantas pessoas estão lutando para pagar os estudos, sabendo que greves são comuns em instituições públicas, não em particulares, e agora, logo agora, cai a bomba em cima dos alunos dizendo que se o salário não melhorar as aulas serão suspensas. O Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe - PR) diz que as instituições podem reajustar o salário em apenas 6,63%, e não em 12% como quer o Sinpes, porque, de acordo o presidente do Sinepe – PR, Ademar Batista Pereira, as instituições de ensino superior não têm condições financeiras para dar o reajuste de 12%. Ainda diz que a demanda de alunos não está crescendo e que as mensalidades não estão aumentando, e sim diminuindo. Os alunos, melhor, os clientes não conseguem enxergar essa realidade, mas os docentes se reunirão do dia 6 de outubro para definir a paralisação. Então não há solução? As entidades de ensino superior particulares de Curitiba vão largar os alunos logo na reta final? Resta a dúvida e a esperança aos alunos que pagam absurdos em seus cursos e só querem que o ano letivo termine em paz.


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Acaba a greve dos bancos em Curitiba Bancos decidem voltar a trabalhar após nove dias de greve. O acordo fechado entre a Fenaban e o Sindicato dos Bancários de Curitiba foi satisfatório para ambos os lados. aderiram à paralisação 658 agências e aproximadamente 14,5 mil funcionários. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (ConDepois de nove dias de traf – CUT) alguns estados paralisação por um reajuste salarial, os bancos privados e públicos de Curitiba voltaram a funcionar na manhã desta quinta-feira. O acordo entre o Sindicato dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi fechado em 7,5% de reajuste, o que corresponde a 2,2% de ganho real para os trabalhadores. De acordo com a Fenaban o piso do caixa passa de R$ 1.900,00 para R$ 2.056,89. O vale alimenta- brasileiros continuam sem ção passa de R$ 339,08 para atendimentos nos bancos R$ 367,92. O vale-refeição devido à greve. As agências passa de R$ 19,78 para R$ da Caixa Econômica Federal 21,46 por dia. Para a PLR continuam em greve em al(Participação nos Lucros e gumas cidades de São Paulo, Resultados), a fórmula é de Brasília, Rio Grande do Sul, 90% do salário acrescido de Ceará, Sergipe, Bahia, Pará, R$ 1.544,00, que correspon- Amapá. Já as agências do de a uma correção de 10% Banco do Brasil permanecem sobre o valor fixo anterior. fechadas apenas em algumas A PLR adicional é de 2% do poucas cidades do Rio Granlucro líquido distribuído de de do Sul, Pará e Bahia. Por forma linear entre todos os isso, os bancários de bancos privados e do Banco do funcionários. No oitavo dia da paralisa- Brasil de capitais como São ção 251 bancos estavam em Paulo, Rio de Janeiro, Brasígreve em Curitiba, de acordo lia, Belo Horizonte, Curitiba com o Sindicato dos Bancá- e Campo Grande, e estados rios de Curitiba. No Paraná, como Piauí, Mato Grosso,

Amanda Bacilla Daiane Nogoceke

Acre, Rondônia, Roraima e Alagoas, dentre outros, voltaram ao trabalho nesta quinta-feira. Na avaliação do Movimento Sindical de Curitiba o acordo foi positivo, por-

tima opção dos bancários. “As greves não deveria ser necessárias devido aos resultados financeiros que o setor demonstra, e a paralisação se estendeu por nove dias devido à falta de responsabilidade dos banqueiros na negociação”, conta. O presidente também considera como ponto positivo na negociação a questão da melhoria da segurança nos bancos. Segundo ele foi negociado uma comissão com a Fanaban e

com a Contraf – CUT para melhorar a segurança bancária. Dias explica que não é intenção do Sindicato prejudicar o consumidor com as greves. “Em alguns casos o cliente precisa fazer alguma transação interna, e nesse caso ele não é atendido porque não existiam transações internas durante a greve. Mas de forma geral existem várias alternativas para realizar as transações”.

Direitos do Consumidor que manteve o ganho real pelo nono ano consecutivo, e além do reajuste no salário, se conquistou valorização dos pisos salariais. Em nove dias de greve eles tiveram um ganho real de 2,2% e no ano passado, em 21 dias de greve foi conquistado 1,5% de ganho real. Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, diz que o Brasil não passou por grandes crises financeiras como na Europa, e mesmo em situações difíceis o sistema financeiro continuou tendo lucros altos, por isso a greve não deveria ser a úl-

Cila dos Santos, advogada do Procon – PR, explica que, durante uma greve, caso não exista outra forma do consumidor pagar suas contas através de outros meios ( via internet, via caixa eletrônico, lotéricas, farmácias e correspondentes bancários), ele deverá procurar o Procon, no dia em que tentou efetuar o pagamento e comprovar que tentou mas não tinha outras alternativas. Só pode ser registrado no Procon caso haja cobrança de juros.


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Especial

Índices de doação de sangue preocupam ONU define de 3% a 5% da população como uma taxa ideal de doadores; no Brasil esse percentual não chega a 2% Jessica Rossignol Daiane Nogoceke

Cerca de 40 hospitais de Curitiba e região metropolitana necessitam de bolsas de sangue para manter seus estoques, isso porque o Hemepar vem registrando 150 doações diárias, um valor baixo para atender a demanda necessária, de 180 a 200 doações. Todos necessitam de sangue para sobreviver e a qualquer momento podemos precisar de uma transfusão. O sangue não se regenera e nem a medicina encontra meios para substituí-lo. Só no Hospital Evangélico foram realizadas, em agosto, 1.984 transfusões e em julho 2.879. Este número alto se deve a casos como os acidentes de trânsito com vítimas em estado grave, pacientes cardíacos e até mesmo cirurgia com riscos de sangramento. Por isso, é necessário que os bancos de sangue tenham estoques altos de doadores, mas o que está preocupando os profissionais de saúde hoje é a falta de pessoas que façam a doação, situação que vem se agravando com o decorrer do tempo. “As pessoas são cercadas de mitos, têm medo de doar sangue e se contaminar, como era antigamente,

mas hoje tudo é diferente não tem perigo, trabalhamos com materiais descartáveis e com procedimentos de última geração”, explica Cristina Richter, pedagoga do Hemepar. A ONU define de 3% a 5% da população como uma taxa ideal de doadores para manutenção dos estoques de sangue nos países, no Brasil esse percentual não chega a 2%. Cerca de 3 milhões de pessoas são doadoras frequentes, mas seriam necessários, segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 milhão a mais para suprir a necessidade que os hospitais tem para elaborar seus procedimentos de salvar vidas. Segundo o chefe do serviço de hemoterapia do Hospital de Clínicas, Giorgio Baldanzi, a quantidade de doações varia de acordo com o período do ano. “Quando há um procedimento de alto risco e a quantidade de sangue está baixo, o jeito é recorrer à imprensa, entrar em contato com os doadores que estão no banco de dados e também através das parcerias com empresas e igrejas”, acrescenta Baldanzi. Homossexuais De acordo com a norma nacional, um dos requisitos para ser doador é não ter tido relações sexuais com vários parceiros nos últimos 12 meses. De acordo com a enfermeira do Hemobanco Rosimara

Ganassoli, depois de passar por uma entrevista, ele pode saber se está apto ou não para a coleta. “A doação é aceita desde que a pessoa não tenha um comportamento de risco nos últimos meses, cumprindo com todos os requisitos da entrevista”, acrescenta. Apesar disso, o colaborador da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Márcio Marins, defende que os homossexuais deveriam ser tratados da mesma maneira nas entrevistas. Não há registro de descriminação nos bancos de sangue, mas a ABGLT acredita que a avaliação para ser um doador deveria ser menos discriminatória.

“Os critérios propostos continuam sendo excludentes, pois o comportamento de risco acaba acontecendo mais nas relações heterossexuais, porque eles acham que tendo uma relação estável o parceiro não irá transmitir doença, já nos homossexuais o uso de preservativos é constante tanto em relações estáveis, como quando há mais de um parceiro”, diz Márcio. Em junho de 2011, o Ministério da Saúde baixou uma portaria que proíbe os hemocentros de usar a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) como critério para seleção de doadores de sangue. Para doar você deve ir a algum dos centros de bancos de

sangue, e terá que passar por uma triagem antes da doação, assim poderá saber se está apto, ou não, à doação. A bolsa de sangue será enviada para o setor de fracionamento, onde poderão ser produzidos até 4 hemocomponentes. Com os tubos de amostras coletados, o sangue será classificado por tipo ABO e fator Rh, e será submetido a exames exigidos por lei, a fim de evitar a transmissão de doenças através do sangue. O sangue que apresentar resultados sorológicos negativos será devidamente etiquetado e liberado para a transfusão. O que apresentar algum problema será descartado e o doador será chamado e receberá as orientações necessárias. Elza Fiúza / Agência Brasil


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Especial

Confira no gráfico abaixo o perfil dos doadores de sangue no Paraná.

Fonte: ANVISA

Quem pode doar: *Pessoas saudáveis que tenham entre 18 e 65 anos de idade e, no mínimo 50 kg de peso.

Quem não pode doar: *Mulheres grávidas ou que estejam amamentando; *Quem tem comportamento de risco em relação à AIDS. *Pessoas que tiveram gripe ou febre nos últimos dias; *Quem recebeu transfusão de sangue ou hemocomponentes nos últimos 12 meses; *Quem esteve nos últimos 6 meses em região endêmica para a malária ou quem teve malária nos últimos 3 anos; *Quem teve hepatite após os 10 anos de idade ou contato com alguém com hepatite nos últimos 6 meses; *Quem fez cirurgia de grande porte há menos de 6 meses; *Quem perfurou a orelha, colocou piercing, fez tatuagem ou feriu-se com materiais contaminados com sangue nos últimos 12 meses; *Entre outros.

Animais também doam sangue No país, apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul têm bancos de sangue para animais. Nos outros estados, as clínicas mantêm um cadastro de voluntários. Embora as listas não sejam grandes em cada local, ela costuma ser suficiente na maioria das vezes. O Hospital Veterinário Batel conta com esta lista para realizar cirurgias de emergência. “Nós temos pacientes que são doadores regulares, quando temos um procedimento de emergência que precise de transfusão, nós ligamos para o dono deste animal, pedimos autorização e buscamos o animal em casa, a doação é feita na clínica e leva 40 minutos, no mesmo momento a transfusão é realizada no animal que está no centro cirúrgico”, explica Raquel Sillas, médica veterinária do Hospital.

Em Curitiba, o banco de sangue só não existe por motivos mercadológicos, e por ser muito caro. July, animal de estimação de Vanderli Liberato de Macedo, recebeu transfusão há cerca de três semanas por problemas de insuficiência renal e anemia. Sua dona não sabia que existia doação de sangue para animais, nem mesmo como o método era realizado. “A gente levou a July na clínica porque ela estava muito mal, então os veterinários disseram que ela ia precisar de uma transfusão, ficamos assustados. O procedimento deveria acorrer no mesmo dia, mas os cachorros da polícia militar que iam doar não puderam comparecer então ela só foi receber a doação no dia seguinte”, acrescenta Vanderli. O animal já está em casa se recuperando, tem cuidados especiais e necessitar ir ao veterinário regularmente, por portar uma doença grave e crônica, mas já não precisa mais de transfusão.

Para serem doadores, os cães precisam ter entre 1 e 8 anos, pesar mais de 25 quilos, estar com todas as vacinas em dia, livres de verminoses e outras doenças. Para os gatos são as mesmas indicações, exceto o peso, que deve ser acima de cinco quilos. O tipo sanguíneo dos felinos é semelhante ao humano. Já os cães têm uma variação m a i o r, com 20 tipos sanguíneos. Mas os veterinários explicam que os testes de compatibilidade são feitos na hora U m animal pode doar a cada dois meses. Assim

que termina a retirada do sangue, cães e gatos permanecem bem, sem qualquer alteração de comportamento. A quantidade retirada depende do tamanho e do peso do animal. Como os cães passeiam mais e estão mais sujeitos a acidentes que os gatos, eles são os que mais precisam de transfusão.


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Esporte

O misterioso ano de 2012 2012 vêm sendo o ano de redenção para jogadores e times que nunca haviam conquistado nada em suas ligas. As piadas com o Corinthians e LeBron James acabaram, e não foram só esses que aprontaram neste ano. Começamos pelo Corinthians, um dos maiores clubes do Brasil, uma torcida gigantesca, muitos títulos em sua história. Sempre foi a chacota entre os torcedores por nunca ter conquistado um título da Libertadores da América, maior campeonato do continente. Depois da eliminação para o Tolima no ano anterior, ainda na fase pré, o Corinthians se reergueu, bateu no mata-mata o Vasco, Santos – que era o atual campeão da competição – e na final, o grande fantasma brasileiro em Libertadores, o Boca Juniors. Ainda pelo futebol, a Uefa Champions League (UCL) também teve um campeão inédito neste ano. O

Chelsea, da Inglaterra, superou todas as expectativas e se consagrou pela primeira vez campeão europeu. Nas oitavas de final, reverteu uma situação muito complicada contra o forte time do Napoli, e passou de fase. Depois de passar pelo Benfica nas quartas de final, conseguiu passar pelo melhor time do mundo, o Barcelona. Na final, após estar em situação adversa, contra um adversário melhor, e na casa adversária, o time conseguiu empatar e vencer a competição nos pênaltis. Chelsea campeão da UCL contra o Bayern de Munique. Nos Estados Unidos, duas novidades entre os campeões no primeiro semestre. Na NBA, maior liga de basquetebol do mundo, a final foi disputada entre Miami Heat e Oklahoma City Thunder. O time do até então “amarelão” LeBron James, contra o maior pontuador da liga, Kevin Durant. Le-

Bron já havia participado de duas finais de NBA, e perdeu ambas. Já foi o MVP (melhor jogador) da temporada regular três vezes. A única coisa que lhe faltava era o título, e ele veio no ano de 2012. Junto do título, o troféu de MVP das finais, para consagrar o ano de LeBron (que ainda conquistou a medalha de ouro nas olimpíadas pelo EUA). Na NHL – liga de hóquei no gelo dos EUA – o Los Angeles Kings foi campeão da liga pela primeira vez, em mais de 40 anos de história. Com todos esses acontecimentos, poderíamos acreditar em um título do Atlético-MG no campeonato brasileiro, e no rebaixamento do Flamengo, mas a situação de ambos parece ser difícil. No final do ano, é esperado um grande confronto entre Corinthians e Chelsea, que pode consagrar mundialmente um dos times como campeão do mundo pela primeira vez*.

Rodolpho Roncaglio rodolphoroncaglio@gmail.com

*O Corinthians já conquistou um título mundial, no ano de 2000, mas sem a conquista da Libertadores da América. Porém, é reconhecido pela FIFA como campeão do mundo daquele ano.

Esporte Curitiba

Sequência primordial Baseando-se na média de anos anteriores, o Coritiba precisa cravar 46 pontos até o final da competição para escapar do temido rebaixamento. A conta é simples. Atualmente o Alviverde soma 28 pontos na tábua de classificação e precisa de mais de 18 para se livrar. Ou seja, dos 12 jogos que ainda faltam, o time comandado pelo técnico Marquinhos Santos, precisa vencer seis. Meta nada animadora para quem conquistou, apenas, 35,9% de 78 pontos disputados. A sequência de jogos que está por vir é decisiva para o futuro da equipe no Campeonato Brasileiro. Isso porque, dos próximos cinco jogos, o Coritiba realizará quatro no Couto Pereira, viajando somente para enfrentar o Palmeiras, em São Paulo. O colunista não hesita em afirmar que o aproveitamento alcançado nesta sequência,

será determinante para a concretização do possível descenso ou da almejada permanência na divisão de elite. Para que o time do Alto da Glória obtenha êxito neste importantíssimo encadeamento de jogos sob seu domínio, terá de trabalhar no erro zero. Os comandados de Santos não podem mais errar. Não há mais espaço para claudicações. Qualquer deslize pode ser fatal e resultar na reedição do filme que assolou o Alviverde do Alto da Glória há três anos. A mesma película, mas com protagonistas e vilões diferentes. Esperemos por um herói. Mas que este não chegue tarde demais. Falta alento na Vila Capanema Um dos pilares do planejamento do Paraná Clube não conseguiu se sustentar e ruiu. Ricardinho pediu pra deixar a Vila Capanema. Sofria pressão minimizada tanto por parte da diretoria

quanto da torcida por motivos óbvios que aqui não precisam ser transcritos. E, apesar de ter liberdade e espaço para desenvolver seu trabalho, não conseguiu lidar com os problemas dentro e fora de campo. Os resultados não estavam sendo colhidos de forma satisfatória. Chegou a fazer uma lista com 22 nomes, entregou à diretoria Tricolor, e não viu sequer a cor do atacante que tanto almejava. Foi o ápice. Toninho Cecílio chegou ao Tricolor para suprir a ausência do ídolo e, de alguma forma, tentar dar alento a um grupo que ainda sente à saída do excomandante. Com passagens breves e sem grandes trabalhos pelos times que comandou, busca iniciar no Paraná uma retomada depois de ficar mais de um ano longe da área técnica. Na competição, o Paraná Clube não briga por mais nada. Fica em banho

Victor Hugo Turezo victorturezo@gmail.com maria à espera da próximo temporada que, novamente, cria expectativa no torcedor para que seja diferente dos momentos vividos nos últimos cinco anos.


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Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

CINEMA

“A gente tem feito milagre aqui”, diz Aly Muritiba Os cineastas Aly Muritiba e Eloi Pires falam sobre a falta de incentivo para o cinema regional e criticam os valores oferecidos pelos editais públicos Jéssica Carvalho

Que a produção cinematográfica curitibana tem sido crescente, não se discute. Nos últimos anos, dezenas de curtas e longas-metragens oriundos de terras paranaenses foram às telas de cinema de todo o Brasil e, no segundo semestre de 2012, dois ganham destaque. O Circular, que estreia no dia 12 de outubro, foi feito em direção compartilhada. Participaram os cineastas Aly Muritiba, Adriano Esturilho, Bruno de Oliveira, Fábio Allon e

Diego Florentino. O roteiro envolve cinco personagens que se cruzam no Interbairros, um ônibus que passa por boa parte de Curitiba, destacando suas diferenças sociais. O filme foi financiado pelo Edital de Longa-Metragem de Baixo Orçamento do Ministério da Cultura (MinC), um prêmio nacional, e recebeu um milhão de reais em 2009. Dois anos depois, fez sua primeira aparição nas telas nacionais, durante o Festival do Rio, mas somente agora irá aos cinemas porque faltavam recursos para a sua distribuição. Os produtores tiveram que desembolsar 23 mil reais para lançá-lo. De acordo com Aly Mu-

ritiba, o problema fica ainda mais sério se pensarmos apenas no Paraná e justifica sua colocação com o seguinte argumento: “esse ano, Pernambuco investiu 8,7 milhões em audiovisual. O Paraná não investiu nada. Tivemos o Conta Cultura, mas isso não é investimento, é isenção fiscal”. Sobre editais como o do Mecenato, diz que são poucos e os valores são insuficientes. “É difícil remunerar as pessoas para fazer filmes com orçamentos baixos. Com pouco dinheiro, se produz por amor, mas amor não enche barriga”, e completa: “a gente tem feito milagre aqui”. Para o diretor, o poder público precisa entender

Eloi Pires Ferreira, diretor do longa-metragem Curitiba Zero Grau.

Cassia Maffei

que cultura também movimenta a economia. “Quando eu trago um milhão de reais para fazer um filme em Curitiba, eu estou empregando 300 pessoas diretamente e mais umas 500 indiretamente”, explica. Já Curitiba Zero Grau, do diretor Eloi Pires Ferreira, estreou em agosto. Nele, são contadas histórias tipicamente regionais. Utiliza-se da mobilidade urbana para apresentar quatro personagens: um vendedor de carros, um motoboy, um motorista de biarticulado e um carrinheiro. Estes se cruzam ao longo da narrativa, sempre no trânsito, transformando o longa em uma sessão de boas imagens da rotina curitibana. Eloi Pires, que nasceu no bairro do Portão e começou a trabalhar com cinema na Cinemateca de Curitiba, é um fã declarado dessa rotina. “Eu costumo dizer que o Curitiba Zero grau é uma declaração de amor à cidade. Eu gosto de ter nascido aqui e gosto da vida que eu levo aqui”, conta. Mas nem só de amores vive o diretor. Ele também se queixa dos valores ofertados nos editais públicos. “O cinema é uma atividade muito cara, mas tem sua razão de ser. Ao mesmo tempo em que se gasta muito, vários empregos são gerados”, explica. Para produzir este filme, por exemplo, ele ganhou o

Divulgação

Aly Muritiba Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo em 2008 (esse edital só voltou a ser aberto esse ano). Recebeu um milhão de reais, mas gastou um milhão e trezentos. Assim, aos trancos e barrancos, a obra só pode estrear em 2012. “Tiramos leite de pedra e ainda saímos endividados”, afirma o diretor. “Se você for fazer um orçamento bem realista, na ponta do lápis, nos padrões Rio-São Paulo, esse era um filme para ser feito com três milhões”. No fim das contas, o saldo foi positivo. As dívidas foram pagas e nove cópias do Curitiba Zero Grau chegaram aos cinemas, fazendo com que mais de 9.500 pessoas o assistissem (só em Curitiba). A ideia agora é leva-lo para outras praças, principalmente cidades do interior do estado e grandes capitais brasileiras.


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ENSAIO

Curitiba, sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Estrada do Anhaia: História e beleza natural em uma caminhada Amanda Bacilla

27 amigos resolveram sair da cidade e partir em uma caminhada ao ar livre com destino ao pé da Serra do Mar. Todos de Curitiba e região foram ou são funcionários ou parentes de funcionários da empresa Lactec (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento), que fica dentro do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A saída aconteceu da frente da empresa às 8 horas da manhã do sábado com rumo à estrada do Anhaia, primeira a ligar Curitiba ao litoral do Paraná. Mais precisamente do quilômetro 36 da rodovia BR-277, de onde partiram a pé descendo a Serra do Mar com rumo à cidade de Morretes. A estrada do Anhaia foi aberta em meados do século XVI e foi usada como principal caminho para os fornecedores do porto de Morretes, por isso conta com os mais antigos alambiques da região. Antigamente, a principal fonte de renda era a produção da cachaça, além da agricultura.


LONA 754 - 28/09/2012