Page 1

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

O

ún

ico

D

jo

r do IÁ nalBr R lab as IO or il at

ór

Arquivo pessoal de Shaiene Ramão

redacaolona@gmail.com

@jornallona

lona.redeteia.com

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Greves dos bancários e correios continuam e afetam os serviços à população.

Ano XIII - Número 751 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

PERFIL A vida de engraxate na rua XV pág.7

GAMES O marketing utilizado a favor da indústria de games. p.6

Há 8 dias os bancos permanecem fechados e não tem previsão para o fim da greve. Correios realizam audiência de conciliação amanhã e podem finalizar paralização que dura 4 dias. p.3

Moradores de Araucária insatisfeitos com transporte público Araucarienses estão com dificuldades para chegar até Curitiba. Atrasos e excesso de passageiros estão entre as principais reclamações. p.4

io

LITERATURA A vida e obra do poeta árabe Omar Khayyam

p. 6


2

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Opinião

Fumaça de liberdade

Editorial

Yoshua García Mogensen

Recentemente, o governo do Uruguai apresentou um projeto para a legalização da maconha. O governo quer uma medida para tentar diminuir a criminalidade e assim reduzir o narcotráfico. O Estado pretende ser o responsável pela venda dos cigarros da droga, com cobrança de impostos incluída. O plano se assemelha ao que foi adotado pela Holanda: serão criadas redes de distribuição estatais, com registro de consumidores e limite de consumição em 40 cigarros por mês. O uso da maconha sempre foi um tema conflitivo, e com múltiplos pontos de vista: há aqueles que a defendem. Levando em conta o seu uso medicinal; outros pelo consumo próprio. Alguns alegam que a droga deve ser totalmente proibida. Mas a realidade é que há um grande mercado se mexendo na ilegalidade. Nesta situação, a decisão foi a mais acertada, o próprio governo holandês já mostrou que é possível controlar e regular o uso da maconha, destruindo assim o mercado ilegal de consumo. É conhecido por todos que a maconha, ainda sendo uma droga, é das mais fracas. Seus efeitos são tranquilizadores e seu uso terapêutico é notável. O fato de regular a maconha permite trazer benefício para o próprio governo a partir dos impostos, controlar quem é consumidor, as quantidades que consome e o dinheiro investido nesta droga, além de aproveitar o dinheiro que ia parar nos narcotraficantes. Outro debate é sobre o uso da droga por estrangeiros, para cuja liberação ainda não há previsão alguma, nem dos que moram em cidades fronteiriças. Se a medida uruguaia for aprovada, será a primeira da América Latina. Alguns ex-presidentes, como FHC, do Brasil, Vicente Fox, do México, já deram sua opinião favorável à aprovação da medida para corrigir os conflitos armados e outros problemas resultantes do narcotráfico. Por tanto, Uruguai ou Holanda deveriam ser o exemplo a seguir por outros países, ajudando assim a favorecer a medicina, o uso controlado das drogas e a destruição do narcotráfico. Só falta saber onde ela poderá ser consumida, mas com certeza será em ambientes particulares ou especiais, trazendo assim benefícios para todos, menos para os traficantes, obviamente.

As eleições e seus candidatos

Jordana Lazaroto

Estamos em um período de pré-eleições, e neste momento o que mais vemos nas ruas são os famosos “cavaletes” com as fotos dos candidatos. Muitas vezes, as fotos nos chamam atenção ou por algum aspecto físico do candidato, ou, na maioria das vezes, por seu nome. Se algum dia todos nós prestássemos atenção no horário político, olhando para os nomes dos candidatos, com toda certeza iríamos nos surpreender com a quantidade de nomes estanhos e até bizarros que existem por aí. Escolher o “mais bizarro” é quase impossível, pois a quantidade de candidatos é enorme. Mas alguns nos chamam a atenção em especial. Vamos ver os 20 nomes de candidatos mais “estranhos” das eleições 2012: - Linguiça do Circo – PCS - Sobieray – PT do B - Paulinho Anão – PSC - Arlete Mãe do Guilherme- PSC - Tia do Doce – PRP - Ivan do Nhoque- PPS - Sesóstris- PT - JJ da nossa Cauma Brasil- PT do B - Kafubira- PTC - Golemba Taxista- PSC - Barão da Kombi Verde –PMDB - Norlei- PTN - Jaja Pra Melhora Corneteiro - PSL - Reikdal – PP - Adalmo Homem do Colchão - PTC - Porteiro Geraldo Pica Pau – PSL - Tiburcio da Plateia do Faustão-PR - Binthio - PSDC - Mamá Brito - PRP - Will Capa Preta – PC do B Olhando estes nomes, dá pra imaginar o tamanho da imaginação destas pessoas, não é? Mas, apesar de tudo, muitos destes candidatos e até outros que não estão na lista, como João do Suco, Jonny Stica ou o Professor Galdino já são vereadores eleitos nas eleições passadas. Pode parecer bizarro que muitos destes candidatos ganhem, mas às vezes alguns conseguem. Para alguns deles é mais difícil, pois são mais conhecidos dentro de seu próprio bairro ou vizinhança, e as chances de conseguirem se eleger são pequenas, além da grande quantidade de candidatos que já são vereadores, aí as chances diminuem ainda mais para os novatos. Você, que é eleitor, antes de escolher seus candidatos, pesquise sobre seus projetos, sobre o que eles já fizeram ou o que pretendem fazer pela nossa cidade. É pensando desta maneira que a nossa história política vai se modificando aos poucos, para que todos tenham uma cidade cada vez melhor.

Racismo: autodestruição

Uma das coisas que mais se discute no país é o preconceito racial, por ser ele um dos mais sérios problemas brasileiros. Mesmo assim, muitas pessoas ignoram essa realidade, seja pela banalização dos discursos contra racismo (que já se tornaram bastante repetitivos) ou mesmo por plena falta de responsabilidade social. O IBGE informou, tempos atrás, que os negros já constituem a maioria da população do país. Os dados do censo, no entanto, não serviram para mostrar às pessoas a real importância do afrodescendente em uma civilização que tem como base justamente o negro. O que se tem percebido, na realidade, é a violência e o desrespeito contra esse grupo, que vitimam não só pobres marginalizados, mas também pessoas conhecidas, símbolos da negritude - como é o caso da cantora Preta Gil, que sofreu racismo pelo deputado federal Jair Bolsonaro, há pouco tempo. Mas o crime mais cruel cometido contra o negro e também contra a nação é, sem dúvida, a negação do patrimônio histórico e cultural afrodescendente, em benefício dos costumes de uma minoria branca. A colaboração do negro no processo de formação da cultura brasileira é pouco reconhecida, o que não corresponde à leitura de uma sociedade racialmente harmoniosa que outros países fazem do Brasil. É preciso reconhecer, acima de tudo, o esforço de muitos anos dessa gente durante o triste passado escravocrata do país. O trabalho dos negros no decorrer de toda a história certamente foi fundamental para a construção do Brasil atual. Discriminar o negro, portanto, é demolir, aos poucos, um pouco da nossa própria identidade.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e PróReitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Renata Silva Pinto e Vitória Peluso | Editorial: João Angelo O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.


3

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paralisações se intencificam e permanecem fortalecidas na capital Greve dos bancários completa o 8º dia e continua por tempo indeterminado; correios estão parados há 3 dias e recebem audiência de conciliação hoje Marcela Andressa Nicoli Barbosa

A greve dos bancários deste ano caminha para o seu oitavo dia nesta terça-feira (25). Na última sexta feira (21), o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e o Comando Nacional dos Bancários se reuniram em todo país para fazer uma avaliação da greve e discutir estratégias para fortalecer o movimento, com o objetivo de sensibilizar a Fenaban a atender as reinvindicações. Ainda não foi apresentada nenhuma nova proposta pela Federação Nacional dos Bancos (Fena-

ban), e os trabalhadores continuam em greve por tempo indeterminado, já que não há nenhuma reunião agendada para novas negociações. No dia 18 deste mês, quando a paralisação dos bancários teve início, 212 agências ficaram fechadas na capital. Desde a última sexta feira (21), este número aumentou consideravelmente, são 309 agências bancárias fechadas e somente caixas eletrônicos estão em funcionamento, de acordo com o Sindicato. No país, a greve se amplia e 9.092 agências estão fechadas. Segundo o Sindicato dos Bancários de Curitiba, a estimativa é de que 80% dos bancários aderiram à greve e quase

60% das agências ficaram fechadas. De acordo com levantamento, as agências da Caixa e do Banco do Brasil estão 100% fechadas. Os motivos da paralisação estão entre reajuste salarial de 5% de aumento real, valorização do piso salarial, mais empregos, fim de rotatividade, melhores condições de saúde e trabalho além de aumento nos benefícios como auxílio refeição, cesta-alimentação, auxílio creche/babá entre outros. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região e integrante do Comando Nacional, Otávio Dias, há mais de um mês a categoria apresenta propostas de melhorias de segurança, emprego,

igualdade de oportunidades e remuneração. “Há uma frustração porque eles alegam que estão dispostos a negociar e não atendem as nossas reivindicações”, comenta o presidente. De acordo com Dias, até mesmo um documento foi protocolado por parte dos trabalhadores anunciando que estão dispostos a negociações. “Nós lamentamos porque preferem a greve do que a negociação”, afirma Dias. A única proposta apresentada pela Fenaban, no dia 28 de agosto, foi de 6% de reajuste salarial, o que daria 0,58% de aumento real. Até o momento não houve nenhuma outra reinvindicação por parte da federação.

Divulgação

Greve dos Correios

Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná

No terceiro dia da paralização dos Correios a ministra Kátia Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), marcou para as 14 h desta terçafeira uma segunda audiência de conciliação entre as Empresas Brasileiras de Correios e Telégrafos (ECT) e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect), de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná. A reunião deve acontecer na sede do Tribunal, em Brasília. A ministra é a relatora do processo de dissídio coletivo ajuizado pela empresa em razão da greve dos trabalhadores. A paralisação atinge 21 estados e o Distrito Federal. De acordo com o Correio 16% das correspondências, car-

ta e encomendas, não foram entregues no prazo estipulado nos dois primeiros dias de paralisação e, por isso, foi realizado um mutirão no fim de semana para colocar todas as entregas em dia. As reivindicações são por um reajuste salarial de 43,7%, aumento linear de R$ 200, tíquete-alimentação de R$ 35 e a contratação de 30 mil novos trabalhadores, entre outras. Segundo o Secretário Geral do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), Luíz Antônio, 60% dos trabalhadores estão parados. “Serviços como sedex, encomendas além de outros, estão sendo prejudicados. As entregas estão sendo feitas, mas com muito atraso”, afirma o secretário. Em uma audiência realizada na última quarta-feira (19) pela ministra do TST, Maria Cristina Peduzzi, ela propôs um reajuste de 5,2% sobre todos os salários benefícios, aumento linear de R$ 80 e reajuste de 8,84% sob os vales alimentação e refeição. Além disso, a ministra propôs também a criação de mesas temáticas para discutir questões raciais, de gênero, anistia e condições de trabalho na empresa. Considerando a proposição do TST adequada, os trabalhadores acreditaram que o dissídio pode ser fechado com os índices apresentados pela ministra. Mas o ECT rejeitou a proposta oferecida pelo TST. De acordo com o Secretário, pode não haver um acordo nesta audiência de hoje. “Caso não haja conciliação, a ministra já marcou um julgamento para o dia 27 de setembro, quinta-feira, às 13h30 na sede do TST em Brasília”, diz Antônio.


4

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Especial

Araucarienses que precisam ir a Curitiba diariamente estão insatisfeitos com o transporte público Linhas metropolitanas sofrem várias reclamações dos usuários, já as linhas locais, administradas pelo TRIAR têm menos problemas

Osmar Murbach Junior Gustavo Vaz

Problemas e reclamações sobre o transporte coletivo, atualmente, são uma constante na cidade de Araucária. A frota de 70 ônibus, com 56 circulando cotidianamente nas sete linhas que ligam a cidade à Curitiba parecem não agradar aos usuários. Atrasos nos horários e superlotação são reclamações frequentemente ouvidas em viagens de Araucária, situada na Região Metropolitana de Curitiba, à capital paranaense. Araucária é uma espécie de cidadedormitório, servindo apenas como lar para uma população que depende de trabalhos na metrópole. Isto tudo acaba criando neste tipo de município um fluxo grande sobre o transporte público, que em muitos casos fica sobrecarregado. Tais linhas são de responsabilidade da Araucária Transporte Coletivo e gerenciadas pela URBS (Urbanização de Curitiba) com a Rede Integrada de Transporte (RIT). Segundo a URBS, “o sistema integrado permite que uma vez

dentro da RIT o cidadão utilize quantos ônibus precisar, pelo tempo precisar, pagando apenas uma passagem”. Em Araucária, a RIT começou a operar em 1996. Com a RIT, a URBS tem como objetivo “oferecer o melhor transporte ao menor custo possível”, porém, isto não se reflete na opinião dos usuários. “Ir para Curitiba é bem complicado, o pessoal vai que nem ‘sardinha enlatada’, e também tem uma diferença grande de tempo entre os ônibus, por isso, prefiro ir de carro”, relatou Márcia de Souza, microempresária de loja em Curitiba, mas que mora em Araucária. A linha que recebe o maior número de reclamações por parte da população é o “ligeirinho” Araucária-Curitiba, que interliga o terminal Central de Araucária, a Praça Rui Barbosa, passando pelos terminais do Capão Raso e do CIC Norte, em Curitiba. Pedro Santana, morador de um bairro central de Araucária, o Pequim reclamou bastante do transporte. “É muito ruim, faltam ônibus, o ligeirinho para Curitiba é ruim, principalmente entre 19h30 e 20h30, na volta do terminal do Capão Raso”. No caso de Araucária, as críticas ficam mais latentes, já que há uma comparação com um transporte local in-

dependente administrado pelo sistema TRIAR (Transporte Integrado de Araucária). A empresa é um consórcio formado por três outras viações do município, gere as 22 linhas que circulam internamente em Araucária, mais as 10 que ligam o centro do munícipio às regiões rurais, e é independente da chancela da URBS. “É tudo muito lotado no Araucária/Curitiba, o TRIAR é bom, apesar da lotação”, disse Roseli Lemos, usuária dos ônibus locais da

cidade, mas que ocasionalmente vai à capital. Apesar de haver uma percepção durante a reportagem e por parte da diretoria operacional do TRIAR de que o sistema local é mais bem aceito do que o metropolitano, não há uma unanimidade. “O ônibus demora, viaja lotado, vira um ‘fervo’. É bem ‘tenso’”, reclamou Cássia Kelly, araucariense que só usa o sistema local do TRIAR. Já o fiscal da URBS Aírton Moisés, assume que não

há maneiras de assegurar que os veículos cumprirão o horário estipulados previamente. “Sempre tem atrasos por acidentes que ocorrem no trajeto, daí não tem como fazer o horário certinho, mas a principio é para fazer”, relatou o fiscal. A URBS defende que tem um procedimento para que atrasos deste gênero sejam evitados. “Em caso de acidente no trajeto do ônibus, o operador pode desviar a rota para rua próxima, evitando atrasos em função do acidente”, declarou Osmar Murbach Junior

Terminal dos ônibus triar


5

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Especial

a instituição. Medidas planejadas e possíveis melhoras José Francisco Stocco, gerente da Araucária Transporte Coletivo afirmou que não há “planos no momento de integrar mais linhas no sistema ou de modificações nos itinerários que levam Araucária a Curitiba”. A única possibilidade de ampliação, segundo o gerente da Araucária, é uma maior integração com linhas que ligam a cidade à Contenda (município da Região Metropolitana de Curitiba, já próximo à Lapa). A empresa, junto com o município é responsável por modificações na estrutura do transporte Curitiba-Araucária. Entretanto, sobre as reclamações de superlotação nos terminais, principalmente no “ligeirinho”, a URBS declarou que, “são feitos estudos e monitoramento das linhas para adoção de medidas que se façam necessárias. A linha direta Araucária-Curitiba, por exemplo, tem um reforço no terminal Capão Raso, com o ônibus da linha Angélica que há pouco tempo recebeu seis ônibus articulados”. A instituição também tem planos de colocar veículos de maior capacidade nesta linha. “O próximo passo será a inclusão de pelo menos dois ônibus articulados na linha Araucária-Curitiba”, disse a URBS. Além disso, a empresa alegou que, “todas as reclamações feitas pelos usuários, através da Central 156, são analisadas por técnicos da área”. Para tentar desafogar o fluxo de passageiros no terminal central de Araucária, projetos de novas instalações estão sendo colocados em prática. Um novo tubo da linha Araucária/Curitiba será instalado

na região central da cidade a fim de facilitar o transporte de pessoas da região sul da cidade, que atualmente tem de fazer um deslocamento maior do que o necessário para conseguir ir a capital pagando apenas uma passagem. Além disso, um outro terminal está sendo estudado para aliviar a circulação nos dois terminais já existentes (o central e o do bairro Angélica). “Este terminal central já está quase saturado”, afirmou Daniel Furman, fiscal do TRIAR. Furman ainda disse que “havia muitos problemas com atraso (no TRIAR), que foram solucionados após várias obras aqui no terminal”. A estação nova do ligeirinho que está sendo construída não seguirá o modelo tradicional de “tubo” deste tipo de linha em Curitiba. O diretor operacional do TRIAR, José Luiz Lautert criticou a forma e a praticidade desse tipo de ponto. “O tubo é bonito, mas não é prático, pois acumula muita gente e dificulta a circulação”, afirmou. No lugar dos famosos tubos, a nova estação central será em formato de plataforma (semelhante as que atendam os biarticulados nos terminais curitibanos), algo que também servirá para a estação localizada no terminal Angélica. Qual é a logística dos sistemas que operam em Araucária? O TRIAR foi criado em 1986 e ajudou a organizar o transporte público interno de Araucária. Segundo Lautert, “tinha linha com dez trajetos diferentes, era uma bagunça. Isso nos levou a uma reestruturação das linhas para terem apenas um trajeto. Agora, passageiros e motoristas não se confundem mais”. Outra

Osmar Murbach Junior

Terminal dos ônibus de Araucária para Curitiba

medida do consórcio foi implantar os “linhões”, que percorrem itinerários cruzando Araucária (como os “Interbairros” curitibanos), facilitando longas viagens. Esse tipo de linha têm veículos articulados e faz integração com as linhas metropolitanas que seguem para Curitiba. Pelo sistema TRIAR há 119

ônibus, com 117 rodando frequentemente, sendo que neles circulam uma média de 42 mil pessoas por dia, com picos de 51 mil. Ambas as empresas renovam suas frotas de forma gradual, a cada ano. José Francisco Stocco, gerente da Araucária Transporte Coletivo relatou que há “uma re-

novação sistemática, e a cada quatro anos e meio toda a frota está completamente trocada”. Cerca de 30 mil passageiros circulam nas linhas entre Araucária e Curitiba, durante os dias úteis, 23 mil nos sábados e 15 mil nos domingos, segundo dados passados pela Araucária Transporte Coletivo.

Linhas metropolitanas de Araucária a Curitiba Araucária-Curitiba (Linha direta/ligeirinho) Araucária-Capão Raso (Linha direta/ligeirinho) Araucária-Curitiba/Avenida das Araucárias (Convencional) Araucária-Pinheirinho (Alimentador) Araucária-Portão (Alimentador) Angélica-Capão Raso (Linha direta/ligeirinho) Angélica-CIC (Alimentador)


6

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

Games

Riot Games e seu marketing salvador A Riot Games é exemplo de como um bom marketing pode salvar uma empresa. Lançado em 2009, League of Legends trazia para o mercado de games um gênero até então pouco explorado pelas desenvolvedoras: o Massive Online Battle Arena. Esse gênero – nascido com DotA e a inovadora ideia de um RPG de curta duração, estratégico e em equipe – sempre foi marcado por uma curva de aprendizagem muito íngreme e por vezes recheada de detalhes que o jogador aprendia aos poucos: inúmeros itens, habilidades, heróis, unidades, conceitos técnicos e estratégicos. A Riot Games aproveitou a oportunidade e criou um jogo que soube lidar com esses dois problemas que o DotA, em sua limitada plataforma do Warcraft III, não tinha como dar suporte. Por seu marketing eficiente ou pelo alto

nível de diversão e casualidade, League of Legends ultrapassou World of Warcraft e Diablo III em quantia total de horas jogadas. O detalhe é que 70% do sucesso que o título conquista é devido à intensa preocupação da empresa com a comunidade. Não é por menos: o jogo é gratuito, e o único meio da Riot lucrar é por microtransações – o modelo comercial das roupinhas que modificam a aparência de seus personagens. Ao lado da Blizzard, ela instalou-se no Brasil e fez uma grande festa de inauguração do escritório nacional. Promoções pra cá, vídeos de divulgação para lá, agrados aos jogadores casuais e “profissionais”; tudo para engrandecer um jogo cartunesco e simples – que demorou dois anos para conseguir um sistema de pause decente – e mascarar uma interface mal programada. Mas

ela vicia, principalmente se os amigos te convidam para uma partida. Os fãs da Riot que me condenem, mas a Valve está finalizando o título que roubará parte da comunidade de League of Legends: DotA 2. Muito mais opções de adaptação e suporte ao jogador, interface planejadíssima – aliando sua conta da Steam à praticidade em procura de partidas e observação de partidas –, personalização de heróis com itens de “perfumaria” destraváveis ou pagos. Ambos já travam uma intensa luta para domínio dos torneios profissionais – o que não se limita à territórios estrangeiros, visto que em um mês ambos os games terão competições aqui em Curitiba. Só resta saber qual será a estratégia de marketing da Valve para tentar roubar o posto do jogo mais jogado do mundo. Dinheiro ela tem: premiou há poucas

Maximiliam Rox max_lp_rox@hotmail.com semanas US$ 1 milhão à equipe chinesa Invictus Gaming pela vitória no The International 2. Embates comerciais e sonhos de estrela profissional estão à parte: continuarei jogando ambos os títulos.

Literatura

Rubayat Por volta de 1090, um poeta persa

celebram a vida, a dúvida e o álcool

primorosa do ponto de partida literário,

resolveu escrever sobre mulheres, vi-

– em pleno palco islâmico. Rubayat é

é acusada de distorcer sobremaneira o

nhos e ateísmo: “Abre-te, meu irmão,

sua obra-prima: “Amigo, bebe vinho.

texto original.

a todos os perfumes, / Todas as músi-

Dormirás / Um dia para sempre sob a

No Brasil, o primeiro tradutor de

cas, todas as cores. Beija, / Afaga to-

terra / Sem mulher nem amigo. Ouve

Khayyam foi Manuel Bandeira, que era

das as mulheres, e repete / Que a vida

um segredo: / Não reflorescem as tuli-

apaixonado pela desconfiança do autor

é breve e serás pó na terra um dia.”

pas murchas.”

em relação aos sábios, eruditos e a or-

Omar Khayyam nasceu em 1044

Escritos em forma de quadras – nin-

todoxia religiosa, como na quadra 105:

na província de Nishapur, província

guém sabe ao certo quantas são, varian-

“Os sábios não te ensinam nada, / Mas

de Khorassan, na Pérsia. Morreu em

do de tradução para tradução – Rubayat

Daniel Zanella danielaugustozanella@hotmail.com ao acarinhares os longos / Cílios de tua

1123. Foi astrônomo, matemático e

é uma das líricas mais populares do

bem-amada / Sentirás a felicidade. //

filósofo, mas reconhecido principal-

mundo, tendo sido conhecida no oci-

Não te esqueças que tens os dias /Con-

Uma obra com o espírito da

mente como um grande (e quase pro-

dente apenas seis séculos depois de seu

tados. Assim, compra vinho, /Busca um

taberna, para ser sorvida com

saico) poeta, um autor de fortes con-

lançamento, em uma tradução duvidosa

retiro sossegado / E no vinho a paz, o

o coração na boca e a alma dos

tornos hedonistas, com estrofes que

do poeta Edward Fitzgerald, que se é

consolo.”

amantes mais profundos.


7

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

PERFIL

Uma vida aos seus pés Larissa Mayra de Lima

Larissa Mayra de Lima

No canto da rua, em algum lugar com sombra. Sentado em seu banquinho, ele espera o próximo freguês chegar, mas enquanto isso não acontece, aproveita e lê o jornal. Assim que alguém se senta na cadeira, as notícias são trocadas por panos de flanela, graxas e escovas. O engraxate começa o seu trabalho com rapidez e praticidade. No Brasil, a profissão surgiu com a chegada dos imigrantes italianos às cidades de São Paulo, por volta de 1887, pois foi na Itália de 1806 que a profissão surgiu pela primeira vez e nas cidades italianas havia vários engraxates. Quando os italianos

chegaram ao Brasil, a maioria foi trabalhar na lavoura, porém alguns daqueles que ficaram nas cidades encontraram na profissão de engraxate uma solução para conseguir dinheiro. Com o passar dos anos, o hábito de manter os sapatos brilhantes foi se espalhando por todo o país. Em Curitiba, os engraxates sempre tiveram clientes. A Rua XV de Novembro e a Praça General Osório são locais conhecidos pela presença dos engraxates. Na década de 1920, os homens se encontravam nesses lugares por dois motivos: conversar e lustrar os sapatos. Lauro Grein Filho, médico e escritor, conta em uma entrevista concedida ao jornalista José Wille, que nessa época existiam várias charutarias e engraxatarias e que, aos domingos, todos iam à

Rua XV para engraxar os sapatos. Os engraxates utilizavam palavras como: “jolucentão’’ para nomear os fre-

1973. Começou a trabalhar Entre outras opções de com apenas 10 anos, para aju- engraxates, Ari Luiz prefedar a família. Foi na mesma re o trabalho de Miguel por idade que recebeu um apelido dois motivos: a qualidade e a

Larissa Mayra de Lima

gueses que pagavam menos e ‘”julete’’ para nomear os fregueses que pagavam mais. Miguel Antunes sabe como é a vida de um engraxate. Todos os dias ele acorda cedo, deixa sua cidade de Campo Largo e pega um ônibus em direção a Curitiba. O seu local de trabalho é no final da Rua XV, ao lado da Galeria Tijucas. Com seus 53 anos, Miguel gosta do que faz e sempre se sustentou com o pano e a graxa na mão. Nasceu na cidade de Francisco Beltrão, em

usado até hoje: Jinga Brasil. Com muito orgulho, Miguel conta que quem lhe deu esse apelido foi um integrante Banda Blindagem, no tempo em que a banda ainda tocava no restaurante Bife Sujo. Miguel sempre estava por lá, e como sempre dançava as músicas da banda, recebeu esse apelido. O trabalho de Antunes vai além do simples lustrar. Os clientes gostam de conversar e contar suas histórias. Ari Luiz Antunes é um dos seus clientes há mais de 15 anos.

localização, pois quando ele senta na cadeira consegue ficar de frente para o Palácio Avenida, local que em 1986 ajudou a reformar. “É bom poder ver algo tão bonito que você ajudou a construir’’, comenta Ari. Terminada as perguntas, Miguel Antunes pediu apenas um favor: uma foto revelada para que ele pudesse colocar na estante da sua sala. O engraxate, que guarda as memórias e histórias de tantas pessoas, também quer ter sua história eternizada.


8

Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2012

TEXTOS LITERÁRIOS

Pisem em mim Suelen Lorianny

Um lugar que deseja ser pisado. Sentei-me na plateia, vazia. Escolhi a melhor cadeira, gosto da fila D. Costumo ir ao teatro toda semana, mas dessa vez não paguei entrada e nem passei na bilheteria, estava fechada às duas horas da tarde. Meu ingresso eu consegui com um pedido: “posso entrar no teatro só para olhar o palco?” A recepcionista achou muito estranho. “É rapidinho, só quero olhar, não vou nem pisar”. Mesmo achando a situação esquisita, ela me deixou entrar. Fiquei ali por alguns minutos. Passei a reparar o palco de jeitos que nunca tinha visto. Especialmente neste que eu já havia encenado em cima e também já fiz parte de sua fiel plateia. Ele é todo preto, deve ter uns nove metros de largura e uns quatro de comprimento. Tamanho médio. Já vi palcos bem menores e outros gigantescos. Mas aquele é confortável, deixa a cena por completo, nada tão perto e nada tão distante. Dessa vez sentei-me na plateia composta apenas por mim, para assistir um espetáculo composto apenas por ele, o palco. Fico imaginando como seria se ele tivesse sentimentos. Na verdade, eu considero que tenha, mesmo sabendo de todo o conceito de objeto inanimado. Talvez pela minha aproximação com a vida artística, mas garanto que essa loucura não é só minha, pelo contrário, muitos atores consideram aquele lugar tão pisado um possuidor de muitos sentimentos. Como se ele tivesse todos os sentimentos do mundo em sua superfície, e a cada peça divide um pouco com os personagens que, consequentemente, dividem um pouco com quem assiste as encenações. Não tem como você olhar para um palco e enxergar somente um chão. No mínimo você se imagina ali em cima. Passando vergonha ou sendo a estrela do momento. Sai dali e fui a caminho de uma praça perto do teatro. Nessa praça acontecem muitos eventos culturais. Na própria calçada já assisti a muitas peças. E quando me dei conta disso, percebi que ali era outro palco. Olhei ao redor e vi quantas pessoas estão naquele palco, pisando, tropeçando, paradas e não imaginam que são figurantes do meu momento. A calçada é um palco na vida real. De vez em quando é delimitado para artistas apresentarem ali suas falas

Fim de noite Jéssica Carvalho

Você é o meu fim de noite. Está sempre lá, na porta de qualquer lugar, com uma blusa reserva na mão. Quando me vê, me abraça com aquela tua expressão de quem entende e não se importa com a minha maquiagem borrada. Em geral, tento retribuir com um sorriso forçado que quer dizer “eu falei que não precisava vir” e “obrigada” ao mesmo tempo. Depois nós vamos para a minha casa, mesmo que você more do lado oposto da cidade e só vá me deixar no portão. No caminho, a playlist é a minha. A pasta no iPod tem meu nome e você ouve cada música com paciência. “Gosto melosinho esse teu, hein?”, provoca, tentando me animar, mas se cala ao ver que eu só sorri de canto.

decoradas e suas marcas ensaiadas. Mas o que existe de tão sagrado nessa relação de palco e ator? “Quando entra no palco todo ator se encontra no ápice, ali eu me sinto plena”, palavras de uma jovem atriz curitibana. Patricia Cretti convive com esse chão especial desde pequena. O relacionamento dos dois é de respeito, ela sabe que qualquer lugar que possa fazer teatro se torna um palco, e a partir desse momento, qualquer chão passa a ter vida, a dar vida. O palco carrega uma teatralidade que é o poder de transformar qualquer coisa em cima dele em teatro. É o lugar onde acontece por concreto a relação entre público e o artista. É onde o personagem ganha vida. Quando fui visitar outro santuário artístico, como o diretor Geraldo Vieira define o teatro, me deparei com um palco que estava no mesmo nível que meus pés. Talvez esse seja mais humilde. A plateia ficava ao seu redor, um degrau mais alto que ele. É, talvez não seja só humildade, e sim carência. Quer a atenção de todos, coloca as cadeiras em 180 graus dentro de uma sala antiga e escura. As luzes são direcionadas somente em seu centro. Comprovado, ele é carente. O iluminador estava lá testando e mapeando a peça daquela noite. Pessoa de cara fechada e quieta, um homem baixinho e conhecido por ser chato, dá atenção total a este palco. Nem me atrevi a falar com ele, a concentração na mesa de luz era imensa. Percebi que ele é um dos responsáveis por esse palco ser mimado. “Aqui não é só um palco. É onde tudo que o personagem sente pode se soltar. Fora do palco o personagem está preso, dentro dele é a sua liberdade”. Fernanda Caris tem 19 anos e tem certeza de que ali é seu lugar. Para a atriz, o palco não é para todos, ele seleciona os seus. Garante que isso aconteceu com ela: “O palco me escolheu”, diz com muita convicção. Para subir no palco você tem que ter algo certo a fazer, a dizer. Entrar em cena sem motivo é uma ofensa. Eles existem aos milhares. Cada um da sua cor, tipo e tamanho. Uns são palcos de arena ou semi-arena, outros são palcos italianos, outros palcos elizabetanos. Andei por muitos lugares. Visitei vários pedestais dos atores. Aquele que fica abaixo dos pés dos que brilham não se incomoda em ser pisado. Ao ser escolhido para ser o palco de um espetáculo, seu orgulho aumenta. Pisam, pulam, caem, deitam, beijam, sujam. Ator faz tudo isso. Quem entende esse amor? O ator e o palco. Um casal que vive entre tapas e beijos. O ator está ali para isso. O palco está ali para isso. Desde que o personagem de cada ator ganhe vida ao pisá-lo, ele está ali.

Com o sinal vermelho e a quinta música no fim, pergunta: “O que aconteceu?”. Eu não respondo, nunca respondo. Acho injusto dar ao meu coração partido por outra pessoa a sua companhia. Você parece compreender isso quando eu balanço a cabeça negativamente. Principalmente porque em seguida olha para a pista e sustenta o nosso silêncio aumentando um pouco mais o volume do som. Ao chegar na minha garagem, desliga o carro e diz que sente falta da minha alegria. Eu percebo que sente falta de muito mais e te agradeço com os olhos por não dizer. Abraço forte e repito meu discurso lamentoso que pede desculpas por tudo, mas sou barrada pelo teu dedo indicador nos meus lábios, me impedindo de justificar. Ao colocar a mão na maçaneta da porta, penso em olhar pra trás, voltar pra você, tentar de novo, merecer o seu silêncio. Só aí me lembro da maquiagem borrada e do coração partido. Melhor um do que dois. Então saio do carro e entro em casa com a certeza de que os meus fins de noite jamais acabarão como começos de manhã.

LONA 751 - 25.09.2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALSIMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you