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Curitiba, segunda-feira, 24 de setembro de 2012

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Arquivo pessoal de Shaiene Ramão

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Curitiba, segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Queda da população jovem católica causa inovação no culto e festas

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Ano XIII - Número 750 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

ELEIÇÕES Cavaletes provocam revolta pág.7

CINEMA As diferentes maneiras de se classificar um filme p.6

Viva Cristo na Balada é uma dessas inovações, uma festa em que a bebida é sem álcool e com bandas que antes só tinham espaço para tocar em igrejas

Homicídios ainda ocorrem em locais com UPS Mesmo depois de seis meses da primeira implantação da Unidade Parará Seguro (UPS), ocorreram cinco homícidios nos bairros que estariam protegidos pelas UPS. p.4

ENSAIO Festival de Inverno em Antonina acontece a 22 anos p. 8


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Curitiba, segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Editorial

Com sol ou chuva os problemas continuam

Há alguns dias o Paraná vem sofrendo com a seca e o povo começa a reclamar do calor e dos problemas causados pelo ar seco, começam então a clamar por chuva e enfim ela e traz consigo o sofrimento. Casas levadas pela enxurrada e em média 51 mil pessoas tiveram suas casas afetadas pelas fortes chuvas. Começa aí novas reclamações, dessa vez pela quantidade de chuva que cai e deixa famílias sem teto, que ceifa vidas, que desmorona pontes e destrói estradas. E o que nos resta fazer pra resolver os problemas gerados por um ou outro estado do clima é nos prevenir. Mas uma família que mora a beira de um morro não tem como se prevenir já que muitas vezes lhe falta o dinheiro para a alimentação. Também não têm acesso à educação, esporte e lazer. Se lhes falta o básico, não terão como adquirir uma casa em um local mais apropriado e com mais segurança. Algumas pessoas dizem que quem mora em morros ou as margens dos rios o fazem por vontade própria e então devem se submeter aos sofrimentos sem reclamar. O que estas pessoas esquecem é que para poder morar em locais mais seguros- isto também é discutível- é preciso encarar 35 anos de financiamento que pode prejudicar ainda mais o acesso a outros direitos básico, e que este financiamento pode comprometer bem mais que os 40% da renda que os economistas recomendam que se gaste com moradia e além de encarar esses 35 anos de boletos vencidos a cada 5º dia útil do mês, deve se lembrar de que na maioria das vezes exige-se um valor de entrada para a compra de um imóvel. E como essas famílias que muitas vezes não tem como comprar o pão irão tirar dinheiro para a tal entrada de um imóvel. Direito a moradia, educação, alimentação e saúde, são alguns dos direitos assegurados pela constituição e se pessoas estão sofrendo com a falta de moradia digna é papel da sociedade e principalmente dos governantes garantirem esses direitos. Se não existirem políticas públicas eficientes voltadas a essa população, se a sociedade continuar com esse pensamento fechado de que pobre só é pobre porque quer, continuaremos a assistir pela tevê ou ler nos jornais que mais vidas se perderam. E ainda que mães e bebês não têm teto sobre suas cabeças por causa de chuvas ou seca, pois é muito mais cômodo continuar com o bumbum colado ao sofá, embaixo do cobertor e reclamando da chuva que não para, do que lutar pelo bem comum. Precisamos estar conscientes do nosso papel na sociedade e além de não jogar lixo nas ruas é preciso não jogar lixo nas urnas, mas isso é discussão para outro momento.

Opinião

“Bandido bom é bandido morto”

Beatriz Moreira

É isso que muita gente diz e, pior, muito mais gente pensa: cortar o “mau”pela raíz é matar o bandido. Mas a verdade, por mais que seja dolorida ao nosso ego, é que tudo isso é culpa nossa. Não existe geração espontânea de criminosos ou pessoas encarnadas com espíritos do mal, muito menos uma criança que falava: Mãe, quando crescer, quero ser bandido, traficar drogas e matar meus inimigos E assim, nós, todos nós, estaremos submetidos ao velho ciclo vicioso de que violência que gera mais violência. Repercutiu nas redes sociais, por meio da Gazeta do Povo, o toque de recolher decretado pelos traficantes no Uberaba, bairro que possui uma Unidade Paraná Seguro (UPS). A alta sociedade pediu : ação da polícia já! A lógica é que através da repressão policial a repressão criminal será detida. Mais ou menos a mesma ideia que sustenta a Guerra às Drogas: substitui-se a violência do bandido pela da polícia. Mas quem é esse tal de bandido que todos falam? O “bandido” nada mais é que um produto da própria sociedade, que nunca o tratou com respeito, sequer com direitos como educação, saúde e moradia. E aí, então, espera que ele se enquadre numa sociedade que sempre o rejeitou (ou será enquadrado pelo sistema penitenciário). Para aprofundarmos um pouco mais o raciocínio, farei uma pergunta: você sabia que Curitiba está entre as capitais brasileiras com um dos maiores registros de violência contra jovens? Ou seja, acaba sendo lógico que a maioria dos que compartilham manifestações contra agressões policiais sejam jovens, porque são esses que se deparam com essa violência em seu cotidiano. Não porque são maconheiros ou vagabundos, como acusam alguns defensores da atual política de segurança. No entanto, os conservadores decretam: se você não está com a polícia, está com o bandido. Assim fica difícil de escapar da violência, não? Porque tanto um quanto o outro são faces dessa mesma moeda. Um policial a serviço da população jamais deveria diferenciar o tratamento a um cidadão de acordo com sua cor ou classe social (e sabemos que isso acontece - principalmente com jovens negros de periferia). Essa guerra entre “bem e mal” é boa tanto para o Estado corrupto quanto para o Crime Organizado - isso se ainda existe distinção entre um e outro. Porque na verdade, essa é uma guerra antiga contra a periferia e quem usa a violência está do mesmo lado. Ou do lado de quem comete a violência física propriamente dita, ou de uma violência ainda maior: injustiça social. Enquanto isso, cada um pensa no seu quadrado e a ciranda continua igual. Mas até quando continuaremos caindo nesse conto de vigário? Até quando suportaremos essa liberdade e segurança mentirosa? Enquanto não entendermos que a violência é consequência e não fato gerador da desigualdade social, as medidas só funcionarão de maneira paliativa e, como diria um dos avatares mais notados na história: NÃO SOBRARÁ PEDRA SOBRE PEDRA.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Renata Silva Pinto e Vitória Peluso | Editorial: Cíntia Carine Aleixo O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.


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Jovens católicos inovam formato do culto Festas voltadas para o público são uma das formas de atrair os jovens para as igrejas O assessor do setor de tas voltadas para cristãos religioso também comejuventude da Arquidioce- surgiram como uma alter- çaram a ganhar espaço. A se de Curitiba, padre Alex nativa que modernizou a festa Viva Cristo na BalaCordeiro, avalia que parte Igreja Católica. Cordeiro da, que inaugurou no ínicio dessa queda na estatística conta que a iniciativa não de setembro, surgiu com a seja por causa dos católicos surgiu de forma institucio- proposta de reunir cristãos não praticantes, que deixa- nal, mas sim dos próprios em um ambiente sem bebiApesar de ser um país ram de se declarar católicos jovens, que se reinventam e da alcoólica e com bandas com pluralidade de reli- nas pesquisas. “Tenho visto criam novas formas de so- que só tinham espaço para giões, o Brasil sempre foi que o número de católicos cialização nas igrejas. “Os tocar em igrejas. A organicomposto por maioria católica. No entanto, o quadro tem mudado nos últimos anos. O número de pessoas que se declarou católico apostólico romano no Censo 2010 publicado em junho deste ano pelo IGBE corresponde a 64,6%. Dez anos antes, a porcentagem de católicos no Brasil era de 73,6%. Atualmente, a maior proporção de católicos no Brasil é na faixa etária de pessoas acima de 40 anos. A queda no número de católicos tem se apresentado principalmente pelos brasileiros Shaiene Ramão (primeira da direita para a esquerda) com os organizadores da festa cristã mais jovens. Adolescentes nas igrejas tem crescido. grupos de jovens se reúnem zadora Fany Colegaro conentre 18 e 19 anos que se No Brasil, muitos nascem para realizar retiros, festas ta que teve a ideia da festa declaram católicos caiu de católicos por cultura, mas e até raves católicas, com durante a madrugada e que 73,7% em 2000 para 64% não praticam. Os católicos o apoio da pastoral, como era o diferencial que ela em 2010. No mesmo perí- praticantes não tem deixado forma de celebrar a vida” buscava dos demais estaodo, o número de evangéli- a igreja” afirma Cordeiro. conta o padre. belecimentos no Batel. “O cos com 18 e 19 anos subiu Nos últimos anos, noMesmo fora da igreja, projeto não visa pregar, mas de 13,7% para 21,4%. vas formas de culto e fes- festas voltadas ao público sim entreter e integrar os

Mariana Macedo

jovens de diversas igrejas” explica Colegaro. A carta de bebidas tem quase todas as bebidas servidas nas baladas tradicionais, mas sem álcool. Como exemplo, ela cita o drink Viva Cristo, que leva xarope de Curaçao Blue, suco de laranja e soda limonada. Uma das jovens que conheceu o estabelecimento é a estudante de jornalismo Shaiene Ramão, 18 anos, católica e que faz parte do Grupo Jovem Adulto Semear, da Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz. Ela frequenta festas voltadas ao público cristão e conta que a paquera acontece de forma bem diferente das baladas tradicionais. “Todo mundo vai pra se divertir, pra dançar. Quando há um interesse, as pessoas conversam, trocam contatos, mas ninguém se beija logo na primeira vez. Faz parte do pensamento cristão primeiro conhecer, pra depois beijar” explica Shaiene. No caso de algum casal ultrapassar os limites aceitos pelos cristãos, os seguranças são os responsáveis por “dar um toque”, de acordo com Fany.


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Especial

Unidades Paraná Seguro tentam pacificação Após cinco meses de UPS, homicídios ocorrem e muitos ainda não sabem para quê servem as unidades Giuliana Nogara Maria Luiza de Paula

A instalação de mais uma Unidade Paraná Seguro (UPS) teve início na última segunda-feira (17), na Cidade Industrial de Curitiba (CIC/Norte) pelo Governo do Estado e foi oficializada na última quarta-feira (19). Esta é a oitava UPS de Curitiba e a quinta da CIC, o ponto base é na região norte do bairro, onde já tem um módulo móvel no Parque Túlio Vargas, na Rua Robert Redzimski com Rua João Dembinski. Porém, mesmo com toda essa mobilização para melhorar a segurança, desde a implantação da primeira Unidade Paraná Seguro aconteceram cinco homicídios, todos em bairros que já receberam o reforço policial. No último dia 12, foram registrados dois desses assassinatos no bairro Uberaba. Segundo o subcomandante geral, coronel César Alberto Souza, os locais onde as Unidades Paraná Seguro foram instaladas

são as regiões que tiveram entre 2010 e 2011 a maior incidência de crimes violentos. O bairro Cidade Industrial de Curitiba, que concentra 17% dos homicídios da capital e 9% da população curitibana, abriga atualmente quatro UPSs. As Unidades Paraná Seguro começaram a ser implantadas neste ano para reduzir os índices de criminalidade nas regiões mais violentas da cidade de Curitiba. A primeira UPS foi instalada no dia 1º de março de 2012, no bairro do Uberaba, onde houve uma queda significativa no número de homicídios em até 56%, segundo o coronel. A operação contou com aproximadamente 450 policiais militares. Desde o mês de março, outras Unidades foram instaladas na capital paranaense, com 250 policiais envolvidos no total.

da, onde segundo ela, dia e noite, por volta de 15 a 20 pessoas costumam se reunir para usarem drogas e fazerem barulho. Ela diz que o barulho é tanto que tem tido problemas para pegar no sono. “Eu estou tomando remédio para dormir e tem dias que eu nem durmo”, admite. Liliane disse que a UPS chegou a menos de um mês no bairro, durante o início da manhã. Segundo ela, no primeiro dia o trabalho da polícia foi intenso, revistando possíveis suspeitos e falando com as pessoas.

Mas nos dias que se seguiram, não houve mais sinal dessa grande movimentação. Liliane acredita que as UPSs não passam de uma demonstração de poder em ano eleitoral e que, inclusive, a situação só tem piorado. Outra moradora do mesmo bairro, a empregada doméstica Lenir Ferreira, também afirma que a situação continua do mesmo jeito. “Ninguém tem coragem de falar nada”, disse Lenir. As duas afirmam que as pessoas não denunciam porque chamar a polícia

O LONA conversou também com um funcionário de um supermercado no bairro do Sítio Cercado, que não quis se identificar. Ele diz não ter nem conhecimento de que existem essas Unidades e que, portanto, nem sente as melhoras. Já a funcionária (ela não quis se identificar) da Escola Esmanhoto, que também funciona no bairro, diz que acha que a situação melhorou, principalmente durante o período noturno. Guiliana Nogara

E o cidadão? Mas será que a população sente esses efeitos da instalação das UPS? Quando perguntada se a situação no bairro Sitio Cercado melhorou, a empregada doméstica Liliane Oliveira, diz que não. Liliane mora em uma rua movimenta-

nunca funciona. Geralmente demora horas para chegar e as vezes nem chega.

Instalação da oitava UPS em Curitiba


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Especial

O começo de tudo

unidades foram instaladas em outras favelas do Rio de Janeiro. A 28ª Unidade é a mais recente e foi instalada na última quinta-feira (20), na Rocinha, a inauguração aconteceu na Praça Ailton Rosa, na entrada da comunidade. Apesar da UPP ter sido oficializada recentemente, o trabalho de policiais de Unidades de Pacificação já vinha sendo realizado desde novembro de 2011.

Guiliana Nogara

As operações de instalação de Unidades de Segurança teve início no Rio de Janeiro em 2008. Também conhecidas pela sigla UPP, é um projeto da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Estas unidades têm objetivo de instituir polícias comunitárias em favelas, principalmente na capital do Estado, como forma de O programa além de desarticular quadrilhas que antes controlavam estes mostrar bons resultados, territórios como estados inspirou a criação das Unidades Paraná Seguro e as paralelos. Bases Comunitárias de SeA primeira UPP foi colo- gurança (BCSs), programa Cidade Industrial de Curitiba é uma das regiões com mairo índice de criminalidade cada na favela Santa Marta, do governo baiano para no dia 20 de novembro de atender as comunidades de 2008. Depois disso, outras Salvador.

Como funciona uma UPS As Unidades são instaladas em áreas que apresentam alto índice de criminalidade, trazendo a presença constante da polícia na região. Após a primeira fase, de reforço policial e prisões de traficantes e homicidas, as bases começam a receber outros serviços públicos. São, também, passadas orientações sobre como agir em casos de violência doméstica, violência contra crianças, crianças desaparecidas e outros. O Instituto de Identificação deve ir até o local para facilitar a emissão de carteira de identidade para quem perdeu, extraviou ou precisa tirar a primeira via do documento. Dentro das Unidades os policiais realizam um trabalho preventivo, visitando o comércio local, as residências, conversando com as pessoas, distribuindo material de prevenção em reuniões com a comunidade e fazendo abordagens quando necessário. O coronel Souza também explica que, em lugares muito violentos, é natural ainda acontecer alguns crimes. “Com o passar do tempo, a manutenção dos criminosos presos, o tratamento das pessoas viciadas em drogas, as melhorias nos bairros e a confiança da população na polícia vai fazer com que essa comunidade volte aos parâmetros de normalidade. O grande problema é que acontecia um homicídio e ninguém falava nada, imperava a lei do silêncio”, explica.

Promessas do governo do Paraná para a segurança pública No dia 26 de julho deste ano, o Governo do Estado anunciou que deve realizar um novo concurso para contratar mais de 6 mil policiais militares, mas o edital ainda não foi divulgado. O Programa Paraná Seguro pretende contratar mais de 10 mil policiais em todo o Paraná, além de comprar mais de 3 mil novas viaturas e implantar 400 módulos móveis. A previsão da Polícia Militar do Paraná é que sejam instaladas, além das oito já existentes, mais duas Unidades na capital. Na Região Metropolitana de Curitiba e no interior, outras dez Unidades devem ser instaladas até o final de 2013. Durante a instalação da oitava UPS da capital paranaense o governador do estado confirmou que novas Unidades Paraná Seguro (UPS) devem ser instaladas no Paraná. Em Curitiba devem ser instaladas novas Unidades nas regiões do Tatuquara e Cajuru, e também em Cascavel e Foz do Iguaçu, no oeste do Estado e em Londrina.


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Literatura

Miguel Nascido em Bela Vista do Paraíso, mas criado em Peabiru – seio de sua veia memorialista – Miguel Sanches Neto se firmou nos últimos vinte anos como um dos maiores e mais versáteis escritores paranaenses, um poeta singelo e sem beletrismos, autor de Venho de um país obscuro, de 2000, (Minha mãe costurava pras putas / e com os retalhos da luxúria / cosia minhas roupas./ Minha mãe comprava só um pão,/ repartindoo entre quatro bocas./ Que seria de nós sem a prostituição?), um cronista puro-sangue, usurpando a definição de Humberto Werneck, (como quando relata a sua ida ao escritório de Wilson Martins, a pedido da família, para discutir o futuro do espólio do célebre crítico: “Na mesa, uma carta de fim de ano, dizendo que estava mal da

pneumonia (era câncer, mas ele não comentava nem com os parentes) e que não podia mandar notícias, mas que em breve ele as enviaria, completando: ‘se o homem do crematório não chegar antes’.), um contista e romancista ainda em busca de sua grande obra – além de professor universitário e crítico literário. Ex-crítico 26 de agosto marcou a sua última coluna publicada na Gazeta do Povo, uma resenha sobre Os Passos em Volta, de Herberto Helder. “Fim desta coluna: Com esta resenha de um livro atemporal, concluo o meu trabalho aqui na Gazeta do Povo, iniciado em 10 de outubro de 1993, com um artigo sobre a tradição brasileira

do haicai. A necessidade de entregar um novo romance em janeiro de 2014 (para a editora Intrínseca) não permite mais que eu acompanhe o mercado editorial. Nestes 19 anos, o crítico foi cedendo lugar ao ficcionista e este desfecho era inevitável. Fica aqui o agradecimento a toda a equipe, a de agora e as anteriores, e principalmente aos leitores do jornal.” A ausência de Miguel Sanches Neto, além de enfraquecer o jornalismo cultural do periódico, sem um nome à altura para substituí-lo num curto prazo, denota também a problemática da crítica literária contemporânea: a simples ausência de bons resenhistas diante do contingente cada vez maior de escritores. Miguel fará muita falta, mas pode ser que de sua decisão saia

Daniel Zanella danielaugustozanella@hotmail.com

o grande romance de nossa geração – potência e voz não lhe faltam. E a escolha foi esta. Um escritor sempre é a soma de suas escolhas desérticas.

Cinema

Como classificar um filme? Semana passada falei um pouco sobre cinco primeiros gêneros de roteiro que o escritor norte-americano, Blake Snyder, classificou. Foram eles: Cara com um problema, Caminho dourado, Amor de companheiro, Institucional e Ritos de passagem. De acordo com Snyder, essas dez categorias englobam todos os filmes já feitos. Me resta agora falar sobre os cinco gêneros restantes. 6. SUPER-HERÓI – O segredo aqui é ter nêmesis e problema que parecem ser maiores que o protagonista. Boas histórias são sempre sobre personagens que são pressionados a seus limites até o fim. Histórias são sobre alguém lidar com seus problemas e eles só se tornarem maiores do que eram antes. O problema tem que ser ‘’bom’’ demais, complicado demais para conseguir ter o filme completo. Ex. Harry Potter, Matrix, Gladiador. 7. FORA DA GARRAFA – O que realmente faz a diferença aqui é aquele

detalha mágico no roteiro. Esse detalhe deve ser desejado pela protagonista e no final causar um problema que nunca surgiria se não fosse por ele. Mais uma vez essa magia deve complicar a vida do personagem e fazer ele tentar de tudo para resolver isso. No final o protagonista sempre cresce com o aprendizado. Ex. O Professor Aloprado, Aladdin, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança. 8. MOSTRO NA CASA – O nome já diz tudo, mas também não pode ser levado ao pé da letra. Se trata daqueles filmes que algum problema começa a perturbar o habitat natural do protagonista e não exatamente um casa. Ou seja, um problema que não usual que perturba os personagens. Ex. Tubarão, Godzilla, Independence Day. 9. COMO ASSIM? – É aquele tipo de filme que você enquanto assiste se pergunta: Porque ele está fazendo isso? Essa deve ser a grande sacada do filme, descobrir porque o personagem está fa-

zendo tudo. No final todas as ações são explicadas e fica claro quais eram os objetivos do personagem. Ex. Todos os Homens do Presidente, Chinatown, Blade Runner. 10. TOLO TRIUNFANTE – É aquele filme que o personagem sempre começa ignorante de alguma coisa. Durante o filme o personagem não supera o seu problema, mas aprende como lidar com ele. Esse problema geralmente sempre eé o motivo de muitos obstáculos para o protagonista. Ex. Legalmente Loira, Forrest Gump, Um Virgem de 40 Anos. Blake Snyder classificou com maestria os gêneros de roteiro, se pensarmos bem redefiniu o que realmente são gêneros de filmes. Comédia, ação, aventura? Esses são apenas a pequena ponta do iceberg. A partir de agora todo filme que você for assistir, comece a analizar: Em qual gênero esse filme se encaixa? Com absoluta certeza ele vai se encaixar em pelo menos um desses dez. No livro

Matheus Klocker mpklocker@gmail.com

(Save the Cat) o autor conta mais artimanhas de um roteiro, infelizmente ele não tem a versão em português, mas para um clássico como esse vale a pena treinar o inglês.


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Eleições

Cavaletes de políticos sofrem intervenções de cidadãos

Propaganda irregular pode ser denunciada pelos eleitores, mas a depredação é crime Centro de Apoio Eleitoral do Ministério Público Estadual, afirma que a fiscalização é feita pelo Ministério Público mas o papel principal é dos eleitores. “O eleitor é o principal protagonista do pleito. Ele Quem anda pelas ruas de tem que participar, não só para Curitiba já percebeu a quanti- receber as mensagens e poder dade de cavaletes espalhados escolher, mas ele pode participelas calçadas e canteiros das avenidas. A proibição de uma série de ações para divulgar o número e fotos dos candidatos levou os marketeiros a investirem grande parte da verba das campanhas na produção dessa nova maneira de poluição visual. O eleitor acaba sendo o principal vilão dessa forma de divulgação. Porém, ao quebrar ou derrubar o cavalete, o cidadão pode ser preso em flagrante. A escolha da utilização dessa ferramenta é principalmente para respeitar a determinação da lei que especifica a mobilidade das propagandas. De acordo com a Lei nº 12.034 de 2009, na época de propaganda eleitoral é permitida a colocação de cavaletes, bonecos, cartazes, mesas para distribuição de material par voluntariamente ajudando de campanha e bandeiras nas seus candidatos e fiscalizando ruas. A propaganda deve ser a propaganda ilícita”, afirma móvel, não atrapalhar o trân- o promotor. Caso o candidato sito ou a passagem de pe- esteja colocando propaganda destres, ser colocada após 6h em árvores, praças públicas da manhã e ser retirada até ou de alguma forma impedinàs 22h. O não cumprimento do o trânsito de pessoas ou de acarreta em multa no valor de veículos, o eleitor pode fiscaR$2.000 a R$8.000. lizar e denunciar. Armando Sobreiro Neto, Entretanto a fiscalização promotor e coordenador do que percebemos ao andar nas Gustavo Panacioni

ruas pode ser considerada como uma justiça feita com as próprias mãos. A depredação dos cavaletes é perceptível nas avenidas mais movimentadas. Desenhos, rabiscos e frases são encontrados facilmente sobre as fotos dos candidatos. Também não é raro ver alguns quebrados e derrubados. Essa

impedir, ou prejudicar ou danificar a propaganda lícita. E quem estiver depredando ou destruindo propaganda lícita, incorre em crime e pode ser preso em flagrante”, defende Sobreiro. Com tantas sanções sofridas, seja de eleitores depredadores ou da justiça eleitoral,

é a forma mais comum percebida da participação dos eleitores. Armando Sobreiro Neto explica que nesses casos, por mais poluída que a cidade esteja, a atitude errada é de quem danifica os cavaletes. “A propaganda lícita não pode ser objeto de restrição nem de destruição. Constitui crime previsto no código eleitoral qualquer ação que tente

os candidatos são obrigados a começar a elaborar outros meios de atrair a atenção do eleitorado. De acordo com a cientista política Cliceia Alves a atuação dos políticos em época de campanha está mudando bastante nas últimas eleições. “Hoje tem se desenvolvido caminhadas pelas ruas e também um forte relacionamento através da inter-

Renato Murakami

net, com a utilização das redes sociais”, explica Cliceia. O que se vê hoje é uma conversa muito mais próxima com a comunidade. Cliceia Alves acredita numa preocupação maior do político em estabelecer um contato com a população. “Percebo que o corpo a corpo tomou uma proporção maior. O candidato hoje faz reunião com lideranças, bairros e municípios”, afirma a cientista. Mesmo com essa nova abordagem dos candidatos, é preciso perceber e respeitar o que os eleitores pensam e exigem durante uma campanha. Não há ainda, por exemplo, uma preocupação por parte da maioria do público em entender as propostas e pesquisar efetivamente o histórico do candidato em questão. Cliceia exemplifica: “É uma questão muito complicada de você imaginar que o eleitor sente na frente da tv sua sala com a família para acompanhar as propostas dos candidatos”. O motivo, ainda de acordo com a cientista, seria a desconfiança que o povo brasileiro desenvolveu ao pensar e discutir política. “Falar hoje de confiança é um pouco complicado. A política caiu em descrédito nos últimos anos por conta dos escândalos”, defende Cliceia. “Se existe um grande descrédito, dificilmente as pessoas hoje analisam propostas. Eu vejo que o eleitorado hoje se concentra em torno de nomes”, finaliza.


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Revelações de inverno Vitoria Peluso

Nas férias escolares de meio de ano, a cidade de Antonina respira cultura. Em cada rua, em todo canto, a arte toma conta, durante duas semanas de programação. Antonina vira palco de peças teatrais, concertos musicais, dança, shows e oficinas das mais diversas e para todas as idades. Os antoninenses envolvem-se e participam do Festival de Inverno há vinte e dois anos.

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LONA 750 - 24/09/2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO

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