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Curitiba, terça-feira, 18 de setembro de 2012

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Curitiba, terça-feira, 18 de setembro de 2012

Greve dos bancários inicia hoje e Correios têm reunião

Ano XIII - Edição n° 746 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Colunistas comentam sobre cinema e games pág. 6

ESCRITOR História vivida por Eliane Brum nos Médicos Sem Fronteiras pág. 7

Decidido desde a última quinta-feira, bancários entram em greve hoje. Funcionários dos Correios fazem assembleia nesta pág. 3 terça-feira para decidir sobre paralisação.

OPINIÃO Lutas marciais

Brincadeiras de crianças Exposição excessiva à tecnologia pode prejudicar o desenvolvimento pág. 4 na infância. Brincadeiras tradicionais são mais recomendadas.

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e o impacto no desenvolvimento humano pág. 8


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Curitiba, terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quem ganhou com a greve?

Editorial

Os professores das universidades federais resolveram terminar uma greve de quatro meses, a mais longa da história. O movimento começou a perder força no final de agosto, quando o governo encaminhou ao Congresso a mensagem de aumento e alterações no plano de cargos — com isso, as principais instituições indicaram a retomada das atividades, entendendo que, de fato, as negociações estavam encerradas. Apesar do fim da paralisação, o mais representativo sindicato da categoria, ao sugerir, no último domingo, a saída unificada, deixou claro que não se trata do fim, mas apenas da suspensão da greve, já que os professores pretendem continuar pressionando o governo – agora o Congresso – para a obtenção de um acordo mais vantajoso. A principal crítica aos dois lados do movimento – aos sindicatos e ao governo – é a falta de diálogo. Os sindicatos resolveram radicalizar, ao não aceitarem as propostas. Mas sua bandeira não surtiu o efeito esperado, com o desejado apoio da sociedade. Pior: conquistou a antipatia de formandos, pais de alunos e do Ministério Público, que os ameaçou com uma ação judicial. O governo, depois de ter assinado o acordo com o sindicato que representa a minoria dos professores no início de agosto, ignorou completamente o barulho dos grevistas, usando a retórica, aceita como mediada de austeridade, de que o país precisa, sim, agir com parcimônia, pois o aumento de gastos com os funcionários públicos é um mal a ser combatido, sobretudo em épocas de crise. Ninguém ganhou com a greve. Os professores terão um aumento acima daquele obtido por diversas categorias, mas não conseguiram convencer o Estado nem a sociedade de que é necessário melhorar a estrutura das federais, a maioria delas caindo aos pedaços, ter melhores condições de trabalho e uma carreira estimulante. O governo, tampouco: demorou para agir, não dialogou, ignorando o apoio que recebeu dos professores na eleição de Dilma. Mas quem perdeu mesmo foi a sociedade. Apática à greve, não cobrou resolução nem dos professores, nem do governo. Ficará com as piores consequências: professores descontentes com sua carreira, universidades sucateadas e com um calendário escolar bagunçado, que poderá trazer alguns efeitos sobre os futuros profissionais que estavam com empregos, intercâmbios, bolsas engatinhados. Difícil pensar em valorização da educação num cenário desses.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Emerson Castro e Marcelo Lima | Editores-chefes: Gustavo Panacioni, Vitória Peluso, Renata Silva Pinto| Editorial: Gutavo Vaz. O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 33173044.

Opinião

Candidatos e suas propostas Camila Teter

Tempo de eleição é um período em que cada cidadão elege uma pessoa com qualidade, para lutar pela sua cidade. Para que isso aconteça, devemos observar as propostas de cada candidato, vendo quais são favoráveis, para que depois o candidato escolhido possa cumprilas. Curitiba possui vários candidatos, porém três destacam-se por apresentar propostas objetivas que ajudaram a torná-la melhor. Entre os três estão Luciano Ducci (PSB), Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT). São candidatos fortes, que estão à disposição da sociedade, cada qual com sua proposta. O objetivo dos três é melhorar a saúde, segurança, expandir as feiras livres e a pavimentação de ruas e calçadas. Vários candidatos, quando eleitos, não cumprem com o que falaram nas campanhas. As pessoas têm medo de votar porque sabem que quando elegem seus candidatos, não vão ter aquilo que foi prometido. No período de eleição, vemos obras nos parques, hospitais, escolas, porém quando o candidato consegue o cargo, as obras acabam. Reformas e construção de escolas, hospitais, creches, parques ficam todas paradas. Se cada candidato, quando eleito cumprisse suas promessas, a cidade mudaria, as pessoas mudariam, mas se os candidatos não mudam, as pessoas, a cidade não muda, continuam os mesmos, não dão valor para a sociedade tratam-na como se ela não existisse. Os políticos deveriam prestar mais atenção ao seu redor, valorizar a vida do próximo, ajudar a quem precisa cuidar da cidade, ensinar as pessoas a terem respeito, dignidade, honestidade, paciência, amor com os animais, a natureza, mas vemos que é ao contrário, percebemos que para o homem, a vida não tem valor, que o que vale mesmo é o dinheiro, fazem de tudo para ter e ser feliz, muitos roubam, mata, sequestram, por dinheiro, mas políticos também cometem injustiças. Por isso antes de votar é preciso prestar atenção nas propostas de cada candidato, porque são elas que ajudam na escolha do seu candidato.

Votar sim, não votar está fora de questão Cintia Aleixo

O que vemos nas redes sociais, nos grupinhos de conversa, na vizinhança, no país em geral, são as discussões acerca da política. Muitos se dizem revoltados com a postura dos candidatos ao poluírem a cidade, que nenhum candidato vale seu voto e que o voto não deveria ser obrigatório e que não desejam se envolver na tal política. É nosso direito votar e escolher democraticamente os nossos representantes, quando alguém se nega a exercer este direito, joga no lixo o esforço que alguém realizou para que este direito fosse alcançado. Às vezes parece complicado escolher entre os candidatos disponíveis, mas pense bem, se você se nega a votar, outros escolheram por você e ai então não terá direito de fazer nenhum tipo de cobrança aos representantes. Se não nos importamos com as eleições, no futuro não adianta se revoltar porque na sua rua não tem asfalto, que os postos de saúde não têm médico e assim por diante. É preciso votar agora, para que no futuro possamos cobrar dos nossos políticos todos os nossos direitos. Mas se você ainda continua achando que não há políticos honestos, que tal se filiar a um partido e se candidatar nas próximas eleições? Ficar sentado na frente do computador ou da TV, reclamando e se negando a exercer a democracia não resolve os problemas desta nação, o que resolve são ações e essas ações começam nas urnas. Levante, pesquise, discuta política e acredite, seu voto pode mudar a realidade da nossa cidade.


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Bancários entram em greve e Correios fazem assembleia hoje Decisões foram tomadas semana passada, Correios iniciaram operação-padrão desde a última terça-feira Camila Cassins Renata Silva Pinto

Bancários iniciam greve a partir de hoje, como aprovado na última quarta-feira. Os funcionários dos Correios possuem assembleia hoje para decidir o destino da greve. Nas últimas reuniões, ambos tiveram a maior parte de suas propostas recusadas, o que gerou o descontentamento das categorias. Em caso de paralisação, os serviços presenciais das agências bancárias serão prejudicados. Já os Correios garantem ter um plano para manter a prestação de serviços à população. Fazem parte deste plano medidas como o remanejamento de empregados das áreas administrativas, a contratação de trabalhadores temporários e realização de horas-extras e mutirões para triagem e entrega de cartas e encomendas nos finais de semana. Bancários Conforme decidido em assembleia na última quartafeira, os bancários rejeitaram a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e aprovaram a greve por tempo indeterminado, a começar

hoje. A assembleia para organizar a paralisação ocorreu ontem a partir das 19 horas, depois do fechamento desta edição. Ontem também era o prazo limite para que os bancos apresentassem propostas que atendessem às reivindicações dos bancários. Somente o Banco do Brasil e Caixa Federal convocaram negociação para a última sexta-feira, dia 14, mas as propostas não contentaram os bancários e a greve deve acontecer. Por meio de nota, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, anunciou que continuará com as negociações. “O interesse é evitar a paralisação, que não é boa para os bancos, nem para os bancários e muito menos para a população”. Com a ameaça da greve, o presidente anunciou, ainda, que os clientes devem buscar canais alternativos para o serviço presencial do banco, como internet, telefone e terminais de autoatendimento. Funcionários dos Correios Os funcionários dos Correios tem reunião marcada para hoje, podendo iniciar a greve na madrugada de amanhã. Os Correios entraram com uma liminar na justiça, a fim de impedir a greve, mas o pedido foi recusado pela vice-

presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministra Maria Cristina Peduzzi, também na última sexta-feira. A expectativa do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) é de que pelo menos 25 dos 35 sindicatos da categoria façam assembleias na noite de hoje e entrem em greve na madrugada de amanhã. Apenas os sindicatos do Pará e de Minas Gerais já decretaram greve. Outros sete sindicatos recusaram a proposta da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), mas marcaram assembleias apenas para o dia 25 de setembro. Retrospectiva Na terça-feira, dia 12, os bancários realizaram a última reunião após as negociações do mês de agosto. Os bancos encerraram com uma proposta de 6% de reajuste para salários e verbas, o que foi rejeitado em todo o Brasil. “Recebemos três propostas, mas consideramos insuficientes em função do conjunto de propostas que entregamos ao banco” declara William Mendes, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil. Os bancários solicitaram reajuste salarial de 10,25%, fim de terceirizações, redução da jornada de trabalho para 6 horas, 14º salário, melhoria

nas condições de trabalho e equipamentos, entre outros. Já os Correios entraram em operação-padrão na última terça-feira, dia 11. Em agosto, eles rejeitaram a proposta de reajuste salarial de 2% oferecida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos 9ECT). Na segunda-feira,

dia 10, as assembleias rejeitaram a proposta de 5,2% de reajuste, feita pelos Correios na semana anterior. Os trabalhadores mantêm na mesa de negociação as suas reivindicações: 43,7% de reajuste, R$ 200 de aumento linear (para todos os funcionários) e piso salarial de R$ 2,5 mil.

Aulas da UFPR voltam hoje Novo calendário acadêmico define que as aulas do segundo semestre devem seguir até o dia 16 de março do ano que vem Reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na tarde de ontem foi decidido a volta às aulas para hoje e o novo calendário acadêmico 2012. A greve foi suspensa na última quinta-feira seguindo indicação do Comando Local de Greve (CLG). Segundo o Diretório Central dos Estudantes da UFPR (DCE), as aulas voltam hoje e o semestre acaba no dia 17 de outubro. Já o segundo semestre inicia no dia 29 de outubro e segue até 16 de março do ano que vem. Arthur Wistuba, secretário geral do DCE, afirma que haverá um recesso de duas semanas entre o período de natal e ano novo. Segundo comunicado especial do Sindicato Nacional

dos docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES – SN), publicado no domingo, o Comando Nacional da Greve sugere a suspensão unificada da greve do período de 17 a 21 de setembro. Além de uma rodada de assembleias gerais. UTFPR Já a assembleia dos docentes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), decidiu na última quinta-feira para terminar a greve apenas no dia 24 de setembro. Mesmo assim, haverá uma nova reunião dos professores no dia 20 de setembro para discutir a data de retorno, segundo a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (SINDUTF-PR).


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Especial

Para as novas gerações brincarem As brincadeiras tradicionais são importantes para o desenvolvimento da criança, que pode ser prejudicado pela longa exposição à tecnologia Camila Cassins Renata Martins

As brincadeiras são percebidas por pesquisadores de psicologia e pedagogia como instrumento de aprendizagem. Com a criação de novas tecnologias, o tema se tornou cada vez mais objeto de estudos acadêmicos: possuem tanta importância que até existe a Semana Mundial do Brincar, que contou sua terceira no final de maio. Apesar da inegável importância de brincar, o desestímulo às atividades é percebido por pesquisadores, sobretudo entre as pessoas de classe média alta. “Os pais compram produtos tecnológicos para os filhos e muitas vezes não monitoram suas

atividades. Então, eles acabam deixando de brincar fora de casa para jogar videogame”, aponta Sônia Küster, vice-presidente da seção Paraná Sul da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). É o que Maria Irene Maluf, editora da revista Psicopedagogia da ABPp, também observa: “Os jogos tecnológicos, como quaisquer outros jogos, têm funções educativas maravilhosas, mas também aspectos negativos inegáveis, se não houver um adulto que organize seu tempo de uso”. Ela afirma também que a demanda de tempo que o jogo sem supervisão adulta toma da criança pode retirar o tempo necessário para fazer as lições de casa.

Controle A questão do controle sobre as tecnologias é um dos assuntos mais pesquisados entre psicopedagogos. Em artigo apresentado no Encontro Paranaense de Psicopedagogia, Regina Tomazinho, mestre em distúrbios do desenvolvimento, não deixa de observar a questão. “Atualmente, em casa, a criança passa horas do dia em frente ao computador, à TV e ao videogame, geralmente, brinca sozinha e prioriza poucos tipos de brinquedos. Tanto na escola quanto em casa, passa horas parada, sem atividades e brincadeiras corporais”, comenta Regina. Segundo a psicóloga Malu Mendes, é obrigação dos pais acompanhar e orientar o uso das Renata Silva Pinto

Augusto consegue passar tardes no video game se a mãe não tirar para fazer outras coisas.

tecnologias pelas crianças, independente da classe social, pois o uso excessivo desses recursos pode atrapalhar outras atividades do cotidiano e acarretar problemas de saúde, como excesso de peso e obesidade, problemas de sociabilidade, como agressividade e de atenção e cognição, que podem levar a diminuição do rendimento na escola.

Crianças de hoje A infância de Osmar José Correia Júnior, 57 anos, foi de um garoto do interior. Em que sua rotina, se dividia entre a escola, brincar na rua e subir em árvores para comer frutas quando com fome. Curitibano que foi para Maringá com cerca de um ano, ele estranha muito a infância de seu filho Augusto Kiev Rychuv Correia, de oito anos, que passa quase o dia inteiro jogando videogame. Osmar conta também que o terreno de sua casa era o parque das brincadeiras dele e de seus vizinhos. Virava um campinho de futebol, ora brincavam de pega-pega, esconde-esconde, bolinha de gude, peão e carrinho de rolimã. Para ele, a infância das crianças atualmente é triste: “Nós brincávamos de tudo. As crianças de hoje não têm essa oportunidade, ficam fechadas em seus apartamentos”. Outro aspecto é a falta de coordenação motora que percebe em Augusto e seus colegas, ressalta a funcionária pública Lilian Elisabeth Rychuv, 42 anos, esposa de Osmar e mãe de Augusto. Quando vão praticar algum esporte, na escola, demoram muito mais. Isso provavelmente acontece porque as crianças como Augusto passam muito

tempo assistindo TV ou jogando videogame. “O único exercício que praticam é trocar de sofá”, acrescenta Lilian. Augusto causa preocupação nos pais por sua compulsão ao jogar videogame o dia inteiro. Entretanto, não é qualquer jogo que os pais permitem o filho jogar. Segundo Lilian, eles procuram sempre os mais educativos, sem tanta competitividade e violência. Segundo os pais, o menino ganhou seu primeiro jogo aos cinco anos de idade. “Tem que se esforçar para distraí-lo por 15 minutos”, contou sua mãe, que pouco antes da entrevista até decidiu fazer bolo para tentar tirar o filho da frente da TV.

Menina e menino Lilian Elisabeth Rychuv, 42 anos, acredita que as crianças de hoje não possuem tanta imaginação. “São muito inteligentes para mexer num celular touch screen ou num tablet, mas precisam de um brinquedo para brincar, não sabem criar”, complementa Lilian. Mesmo tendo morado na capital desde a infância, Lilian sempre brincou muito na rua a partir dos 11 anos e de boneca quando mais nova. Ressalta também que na hora da brincadeira não havia essa separação de menino e menina, era todo mundo junto. Compara sua experiência com a infância da outra filha do casal Ana Carolina Rychuv, 11 anos: “Hoje existe a competição de quem tem a boneca mais nova, se uma amiga da Ana compra a tal boneca, ela tem que ter também”, conta Lilian. Mesmo assim, Ana gosta


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Especial

muito de brincar no jardim de sua casa brincando com a bola, ou ainda pintando os seus livros para colorir e gosta de desenhar também. Ao contrário do irmão Augusto que ao ganhar seu tablet este ano já foi direto para o youtube ouvir músicas e baixou vários jogos, Ana demorou para lidar com o eletrônico, apenas assistindo as séries que pode ver na TV. Entretanto, para Lilian essa diferença não é questão do gênero, mas da idade. “Na geração do Augusto, as meninas também jogam videogame, mesmo sendo uma pequena diferença de idade as brincadeiras são muito diferentes”, complementa. Outra questão que a mãe repara é que “a Ana se relaciona melhor com as pessoas, conversa mais”. Já Augusto, compara, fica mais recluso, não sabe como se relacionar. Para Lilian, a falta de brincadeira em conjunto é o que causa esse problema.

Ações incentivam as brincadeiras, mas falta divulgação Sem contar com divulgação na mídia, alguns projetos do programa “Lazer na Cidade”, de responsabilidade do Departamento da Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude, são conhecidos apenas por frequentadores dos locais onde ocorrem. É o caso do “Recicle e Brinque”, parte do programa Comunidade Escola, que atua em colégios de bairros com maior índice de violência em Curitiba. A ação pretende educar crianças para sustentabilidade, ao mesmo tempo em que transformam mateUso das tecnologias

riais recicláveis em brinquedos. Outras ações presentes em Curitiba e timidamente divulgadas na programação do site da Prefeitura são o “Brincando na Rua XV” e “Brincadeira tem Hora”. Ambos os projetos recreativos realizados aos finais de semana em locais públicos da cidade, sendo o primeiro apenas sábado de manhã na rua XV de novembro, número 10. Com proposta semelhante há o “Brinca Curitiba”, quinzenalmente aos sábados nos parques da cidade.

Em excesso Excesso de peso e obesidade Problemas de atenção e hiperatividade

Na medida Autodisciplina Autocontrole

Agressividade e comportamento antissocial Depressão e medo

Rapidez de Naciocínio

Prejuízo para a leitura

Auxilia no desemvolvimento da coordenação motora

Diminuição do rendimento escolar e prejuízo para a cognição Confusão de fantasia com realidade Prejuízo para a criatividade

Números e letras são aprendidos de forma bem mais rápido Maior facilidade para conhecer e realizar pesquisas sobre determinados assuntos

Pedofilia

Renata Silva Pinto

Para saber mais A influência da tecnologia na vida de crianças e adolescentes dos pequenos centros urbanos Autores: Gustavo Anderson Silva e Luciano dos Santos Moreira Com menos de cinco páginas, trata-se, na verdade, de um artigo científico, produzido por alunos do curso de Sistemas de Informação da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Para quem deseja uma inserção no assunto, o texto cumpre bem o seu papel. O artigo foi produzido a partir da análise feita pelos autores no município de Teodoro Sampaio, interior de São Paulo, mas seus resultados são percebidos também nas capitais (a diferença é que a intensidade nestas é ainda maior). Silva e Moreira observam a presença da tecnologia na forma de televisão, computador e aparelhos celulares - na vida das crianças e fazem uma análise crítica sobre o que isso pode ocasionar, tomando como base estudos de diversas áreas, como sociologia e psicologia. Internet Segura para Crianças - Guia para Pais e Educadores Autores: Paulo Santos e José Manteigas Editora: Lidel - Zamboni Escrito em 2010, o livro representa um verdadeiro manual de instruções para pais e educadores, principalmente aqueles que pouco entendem do ambiente virtual. Com 223 páginas em sua versão brasileira, não deixa de ser rápido, além de apresentar uma linguagem simples. Os autores enumeram em seus capítulos o funcionamento dos softwares e programas. Ademais, em uma abordagem que não deixa a desejar, Santos e Manteigas explicitam todos os riscos que podem ser encontrados na internet e como atuam, desde predadores sexuais e cyberbulling até vírus. A TV que Seu Filho Vê Autora: Bia Rosenberg Editora: Panda Books Apesar de possuir 5 anos (idade avançada para um livro que discute tecnologias), a experiência de Bia Rosenberg foi suficiente para tornar o livro perfeitamente atual. A autora possui 20 anos de experiência como coordenadora da programação infantil da TV Cultura. Bia ensina como o “filtro” de um adulto deve atuar na a programação que a criança assiste. Isso torna a experiência de assistir televisão benéfica para a criança. Além disso, deve haver sempre a supervisão de um adulto, para equilibrar o tempo em frente ao aparelho. A importância dessas questões é explicada em um livro curto, de 184 páginas, e perfeitamente acessível.

No dias dos pais escola deu de presente uma caixa com brinquedos antigos para as crianças aprenderem com os pais.


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Colunas

Artimanhas de um roteiro Minha paixão pelo cinema começou desde cedo, mas somente depois de um pouco mais maduro eu descobri que roteiros eram o que mais me atraiam no universo dessa arte. Desse modo comecei a estudar mais sobre roteiros, fiz alguns cursos online, li vários roteiros de filmes, estudei livros técnicos. No meio de cursos, roteiros, análises e livros, uma obra se destacou e esclareceu muita coisa para mim. O livro se chama Save The Cat, do roteirista norte-amerciano Blake Snyder.Na obra ele mostra algumas técnicas básicas de como montar um roteiro, e o mais interessante de tudo é que ele consegue classificar todos os filmes já existentes em apenas dez gêneros de estrutura.

Isso é algo bem interessante, pois quando começamos a pensar nesse gêneros, conseguimos compreender facilmente como funciona a contrução de um roteiro de cinema. Vamos então aos cinco primeiros desses gêneros.

de um objetivo claro, definido e incrivelmente complicado. Geralmente a jornada se mostra não tão atraente como poderia ou deveria ser. Ex. Procurando Nemo, O Resgate do Soldado Ryan, Onze Homens e um Segredo.

1. CARA COM UM PROBLEMA - O primeiro gênero é literalmente o que o nome sugere, é sobre um cara com um problema. Mas esse problema é sempre radical, de vida ou morte, e que deve ser resolvido por alguma batalha física. Ex. Dura de Matar, A Identidade Bourne, Louca Obsessão

3. AMOR DE COMPANHEIRO – Tem haver com filme que mostram problemas em realcionamento. Mas aquele problemas que são essenciais para o protagonista. Normalmente aqueles que você fica se perguntando: Será que eles vão conseguir ficar juntos? Ex. Uma Linda Mulher, Sr. & Sra. Smith.

4. INTITUCIONAL – 2. CAMINHO DOURADO - É aquele tipo de filme que Não basta que o filme se passe o grupo do protagonista está atrás dentre de uma instituição, na ve-

dade a instituição não precisa ser literal. Se trata de um grupo que tem suas próprias regras e o protagonista explora os custos e benefícios dessa parceria. É sobre decidir se querem estar ou não em uma relação e aceitar correr riscos por ela. Ex. Nascido Para Matar, Os Bons Companheiros, O Diabo Veste Prada. 5. RITOS DE PASSAGEM – É quando o protagonista tem algum problema ciscunstancial em sua vida (como a adolescência, divórcio, perda de um ente querido) que ele evita. Geralmente ele está perseguindo um objetivo completamente errado mas que é divertido de assistir, mesmo que aquilo não funcione muito bem. No final de

Matehus Klocker

mpklocker@gmail.com

tudo ele acaba tendo que enfrentar a vida e sempre aprende algo no processo. Ex. Mulher Nota 10, Gente Como a Gente, Trainspotting, American Pie. Essa são apenas cinco dos dez gêneros roteiro que Blake Snyder propôs em sua obra. Fica muito fácil de você se familiarizar com os gêneros e relacionálos com vários filmes. Semana que vem eu volto para mostrar os outros cinco gêneros restantes e falar o que isso representa para o cinema.

O gamer social O Facebook vira uma terra sem lei sempre que um game social vira modinha; se você cansou dos convites que recebe de seus amigos, conhece esse desabafo. As mídias sociais – e até mesmo os celulares – se firmaram como importantes plataformas para o mercado dos jogos casuais, mas facilmente essa relação é abusada pelo típico jogador desacostumado com o objetivo desse gênero. Esse é reflexo da imensa abertura que tivemos no mercado nos últimos anos, onde o perfil do jogador de videogames assumiu diferentes formas: podemos encontrá-lo no computador, no console ou no celular, onde cada

um dispõe de quantidades diferentes de tempo para esse entretenimento. Pode ser o executivo que se diverte com Angry Birds enquanto almoça, ou o desocupado adolescente que cuida das cidades de todos os amigos que jogam CityVille – e que de quebra te envia mais convites. Nunca gostei desse gênero – sou daquela geração chata em que videogame é no console ou PC, dificilmente aceitando outras plataformas para jogos “sérios”. Mas admito que Backyard Monsters prendeu-me por algumas semanas, acho que pela ideia reversa de FarmVille: destrua a fazenda de seus amigos. Mas esses joguinhos enjoam

rápido, e quando seus amigos perdem o ânimo para continuar jogando você logo se vê sozinho naquele ambiente onde era divertido só com seus amigos; apesar de você estar destruindo a fazenda deles. Apontar esse setor da indústria de games é indispensável para uma primeira coluna sobre este assunto. Estamos falando de faturamentos altíssimos a criações independentes; um amplo mercado onde até mesmo a Amazon tem seu estúdio de criação. A Zynga, criadora do FarmVille, chegou a faturar US$ 10 milhões em ações no último mês de 2011, mas ela mesma divide o espaço com inú-

meras empresas independentes, algumas delas brasileiras, que lançam seus títulos nesse expansivo mercado na esperança de lucro por microtransações – o modelo comercial das “moedas verdes” de sua esquecida fazenda no Colheita Feliz. Pablo Miyazawa disse em sua coluna na EGW de Julho: “O futuro é social”. Sempre foi divertido jogar com amigos, seja no FIFA, no Street Fighter ou mesmo no Song Pop. Games “sérios” sempre existirão – assim eu rezo por minhas previsões –, mas é o gênero social que chama a atenção de todos os envolvidos no mercado pela sua simplicidade e facilidade – atin-

Maximiliam Rox

max_lp_rox@hotmail.com

gindo cada vez mais as pessoas que nunca experimentaram esse tipo de entretenimento. Por isso, todo o mercado estima: será que em alguns anos teremos mais investimento nessa área? O mercado de games curtiu isto.


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Escritor

Eliane Brum lança o livro “Dignidade” em Curitiba Jornalista vivenciou realidade da doença de chagas em cidade boliviana Luiza Romagnoli

Com prefácio de Dráuzio Varella, “Dignidade” marca o

perguntou aos que vieram an-

intuição, que seria o som de

tes e obteve a garantia de que

sua vida. Na porção rica do

ela sempre esteve lá. Não há

mundo, a parte a que elas não

notícia de um mundo sem vin- pertencem, os vampiros da chuca. Desde cedo as crian-

ficção movimentam milhões

quadragésimo aniversário da ças aprendem a reconhecer o Médicos Sem Fronteiras. Os arranhar de suas asas e patas

de dólares na indústria do en-

textos transportam os leitores nas paredes de barro antes de para um universo desconheci- atacar. “Soa como as folhas

Bolívia, é como se os vampi-

tretenimento. Ali, nos vales da ros existissem. E milhões é a

do, de regiões que não estam- secas do milho ao vento”, di- ordem de grandeza que mede pam as principais matérias de zem Cristina Salazar López o número de suas vítimas na jornais e acabam esquecidas, e Maria Rodríguez Barrios. América Latina. mergulhadas em suas próprias “Escutamos e então sabemos São muitos os seus nomes. tragédias. que elas estão lá. No escuro. Barbeiro, chupão, bicho-deO capitulo editado em que Sobre nossas cabeças. Espe- parede, cascudo ou fincão. Eliane Brum presencia a do- rando para cair sobre nossos ença de Chagas na Bolívia: corpos.” “A vinchuca sempre este-

vinchuca é seu nome em quéchua, a língua falada des-

Quando ouviram a vin-

de antes dos incas. Significa

ve lá. Cada homem ou mulher chuca pela primeira vez, Mados vales e morros da Bolívia ria e Cristina souberam, por

“deixar-se cair”. A cada noite centenas desses insetos de seis patas e até 3 centímetros de comprimento se alinham sobre o teto de palha e as paredes de barro das casas dos camponeses. Quando homens, mulheres e crianças adormecem, despregam-se. Aterrissam sobre eles. Enfiam seu ferrão e sugam até seu corpo inchar. Empanturrados de sangue, de-

Luiza Romagnoli

fecam. Quando suas vítimas

Luiza Romagnoli

se coçam, em um sono agitado pela dor das picadas, o parasi-

doentes morrem. Cristina, Maria e milhares

ta letal que habita suas fezes de camponeses da região de invade o corpo. Ou as conta- Narciso Campero, província mina pela boca e pelos olhos.

fincada ao sul do departamen-

É o Trypanosoma cruzi, to de Cochabamba, na Bolíidentificado pelo sanitarista via, vivem, noite após noite, brasileiro Carlos Chagas na um filme de terror com bem primeira década do século mais de duas horas de duraXX.

ção”, conta Eliane Brum no

De cada 100 infectados, 50 debate. desenvolvem a doença. Nes-

Eliane Brum é escritora,

tes, lenta e silenciosamente o jornalista e documentarista protozoário vai levando seu gaúcha. Já ganhou mais de hospedeiro ao fim, ao minar quarenta prêmios nacionais e coração, esôfago, intestinos e internacionais de reportagem. sistema nervoso central. Mais Com “A Vida que Ninguém de 10 milhões de pessoas es- Vê” venceu o Prêmio Jabuti tão infectadas no mundo. E, a em 2007. Mantém uma coluna cada ano, surgem 40 mil no- semanal, às segundas-feiras, vos casos e cerca de 14 mil no site da revista Época.


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Opinião

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Princípios esportivos nocauteados Isabelle Kolb

As tragédias gregas eram caracterizadas por apresentarem finais aterradores, suscitando terror e piedade nos espectadores. Essa mistura de sensações produzia a chamada catarse, que é uma espécie de purificação pessoal por meio do sofrimento alheio. Esse é um dos bons argumentos usados para explicar o prazer do ser humano ao assistir esportes de agressão física. O MMA (traduzido, Artes Marciais Misturadas) é um estilo de luta em que os participantes não precisam seguir um estilo específico de arte marcial. Pode conter boxe, jiu-jítsu, caratê, judô, muay thai, entre outras. É o esporte que mais cresce no mundo, principalmente após o surgimento do UFC (Ultimate Fighting Championship), evento americano formador da maior organização de MMA existente. Por ter ganho tanta visibilidade, esse gênero de embate corporal tem causado todo tipo de reação. Tem até deputado querendo barrar a transmissão dos programas que demonstram a prática. Análises psicológicas afirmam que todo ser humano, quando tem um lapso momentâneo de raiva, ou doses latentes de agressividade, necessita extravasar. Por isso, são recomendados objetos em que possam ser descontados os ímpetos violentos, transferindo o alvo da sua ira. No caso do MMA, o receptor dessas hostilidades seria o próprio oponente. Mas pelo fato de ser um esporte regrado, diríamos que é uma violência controlada. Seria um bom exercício de canalização para aqueles que possuem algum índice de fúria interiorizado, em maior ou menor grau. Pode ser também analisada a visão do espectador, que extravasaria essa ira por meio da catarse. Porém, o que é remédio para uns, é veneno pra outros. Em alguns, essas transferências

seriam realizadas com sucesso. Mas para os patológicos, serviria de incentivo. Doenças psicológicas podem ser agravadas com o acesso a imagens que realizem o que se passa pela cabeça do doente. As regras da luta, o comportamento do atleta fora do ringue, nada disso é levado em consideração. Sabe-se que um crime pode ser julgado doloso ou culposo. Doloso é aquele em que o agente prevê o resultado lesivo da própria conduta, e ainda sim a leva adiante para gerar o resultado. Já no culposo, não há intenção de produzir um desfecho ilícito. Há quem diga que essas práticas esportivas não incitam nem mais nem menos a violência do que o batalhão de informações e notícias desastrosas que estamos acostumados a receber. Mas incorporálas ao lazer seria como um crime doloso. Tragédias cotidianas infelizmente não podem ser evitadas. Se a sociedade já é violenta, qual é a finalidade de oferecer mais um motivo para que ela prossiga dessa forma? Produzir ou libertar de vez esse frenesi latente no ser humano não é de todo inteligente. A intenção do MMA e das demais artes marciais é unicamente lesionar o adversário. A palavra “marciais” tem origem no nome do deus romano da guerra, Marte – que na mitologia grega, corresponde a Ares. Não há nem uma origem digna de um bom ensinamento. A desculpa de que a luta profissional tira as crianças das drogas, lhes ensina a seguirem normas de conduta, a ter disciplina e respeito, é muito fraca, uma vez que esses são os intuitos e consequências de qualquer esporte que é praticado com seriedade. Infelizmente, o deputado José Mentor (PTSP) - por melhores que sejam suas intenções - é um dos poucos contrários à transmissão do MMA, já que o UFC, em suas últimas edições, chegou a vender 1 milhão de assinaturas de PPV (pay-per-view) e 20.000 ingressos para assistir ao show no ginásio. O giro de capital e o lucro para o mercado são enormes. Banir somente o MMA não é, nem de longe, a solução para o que se pretende frear. A questão aborda um âmbito muito maior, bem mais

generalizado. Além dos tantos outros esportes dessa categoria, ainda incluiríamos nesse grupo os diversos jogos eletrônicos de temas assassinos e sanguinários, cada vez mais desenhos com tramas de vingança na base da violência, produtos que também deveriam ter sua venda proibida. Práticas esportivas de contato físico que têm o objetivo de lesar o oponente são, com certeza, ferramentas gratuitas de desenvolvimento agressivo na sociedade. Partindo do princípio de que o intuito do esporte é desenvolver a mente e manter o corpo sadio, não há justificativa para práticas que destruam física e neurologicamente o competidor. O problema só seria nocauteado se houvesse uma mudança no pensamento social. Mas até isso ocorrer, muitos irão à lona.

LONA 746 - 18/09/2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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