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Curitiba, quarta-feira, 16 de maio de 2012

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Ano XIII - Número 716 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, quarta-feira, 16 de maio de 2012

lona.redeteia.com

Lei de Acesso à Informação entra em vigor hoje A legislação, que foi sancionada no ano passado, entra em vigor hoje no Paraná, prometendo transparência sobre a vida pública. O governador Beto Richa (PSDB) assinou ontem o decreto estadual que regulamenta a lei. Pág. 3

ESPECIAL Maioria dos empreendedores brasileiros é jovem, diz pesquisa Págs. 4 e 5

TECNOLOGIA Google: da simplicidade à revolução tecnológica Pág. 6

TRÂNSITO Carona solidária traz benefícios tanto para quem oferece quanto para quem recebe Pág. 7

ENSAIO Morretes: do dia útil ao final de semana Pág. 8 Jonas Oliveira/ANPR

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Corrupção: a gente vê por aqui

Editorial

Em O Espírito das Leis, de 1748, o filósofo francês Charles Montesquieu analisa a ciência política de seu tempo e elabora uma cartilha de procedimentos éticos às autoridades políticas. “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção de seus princípios”. As bases teóricos desta obra, de profundo caráter iluminista, foram decisivas na elaboração dos fundamentos da Revolução Francesa de 1789 e são, até hoje, mais de 250 anos depois, vitais no entendimento do pensamento político contemporâneo e na falta de virtude dos agentes públicos. Anteontem, o Ministério Público do Paraná (MP) entrou com mais uma ação de improbidade administrativa envolvendo a contratação irregular de funcionários da Assembleia Legislativa, construindo mais um episódio lamentável na história recente de escândalos da AL . Os promotores pedem o bloqueio de R$ 213,2 milhões para garantir o ressarcimento de “meros” R$ 25,5 milhões que teriam sido pagos indevidamente Opinião pela Assembleia para dez fantasmas da Casa. O MP responsabiliza o ex-presidente da Casa Nelson Justus (DEM) e o ex-primeiro secretário Alexandre Curi (PMDB) pelas contratações irregulares. Também foram notificados o ex-diretor geral da Assembleia Abib Miguel, que andou passando uma boa temporada na cadeia, o ex-diretor administrativo José Ary Nassiff e o ex-diretor de pessoal Cláudio Marques da Silva. O histórico de escândalos da Assembleia, originados a partir da série Diários Secretos, da Gazeta do Povo e RPC, abriu uma fissura política incontornável, lançando o Legislativo num abismo de incredulidade: não se sabe mais como pode piorar a confiabilidade da Casa. Entretanto, é possível enxergar os episódios por um aspecto de higienização: os órgãos fiscalizadores, tanto públicos como privados, estão realizando seu papel, e cabe agora aos representantes dos cidadãos explicarem seus atos, se defenderem democraticamente das acusações e, se culpados, ressarcirem o erário e punidos com o máximo vigor. Questão de princípio.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editora-chefe: Suelen Lorianny |Repórter: Vitória Peluso | Pauteira: Renata Pinto| Editorial: Daniel Zanella O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.

Opinião

Oscar Cidri

Meia linha de metrô não resolve

No último sábado, aconteceu na Ordem dos Advogados do Brasil em Curitiba um evento para tratar da sustentabilidade, meio ambiente e mobilidade. O evento teve a participação de vários especialistas, que discutiram os temas sob o ponto de vista jurídico, técnico e social. Entre eles, o ex-governador do Paraná Jaime Lerner. O arquiteto e também ex-prefeito de Curitiba questionou a validade da obra do metrô que, por se estender do CIC até o centro da cidade, não contemplará um eixo estrutural completo – que para se efetivar precisaria ser de Sul (CIC) a Norte (Santa Cândida). Lerner lembrou ainda que se as pessoas hoje julgam o sistema de transporte coletivo “esgotado”, isto decorre do fato dele estar “mal operado”. Outro aspecto que ele já falou em outras palestras, mas que na de sábado não foi mencionado, é o fato de que as estações do metrô terão uma distância maior entre elas do que existe hoje entre os tubos do biarticulado, quer dizer, o tempo de deslocamento a pé dos usuários aumentará, mais o fato de a periodicidade das composições ter um tempo maior entre elas, pois cada uma transportará o equivalente a cinco ônibus biarticulados. Conforme Lerner, haverá estações com uma profundidade de 35 metros do nível da rua, o que, na soma dos tempos, proporcionará um deslocamento de porta à porta, semelhante ao sistema BRT (Bus Rapid Transit), como é conhecido o sistema de vias exclusivas para ônibus – que chamamos simplesmente de canaletas. Muito conhecido por suas sucessivas gestões no comando da prefeitura de Curitiba, Jaime Lerner é um arquiteto que conseguiu projeção internacional, todavia, existem muitos críticos ao seu trabalho na administração pública. Um dos muitos acontecimentos políticos que marcam sua trajetória foi a fracassada tentativa de privatizar a Copel – uma companhia estatal eficiente e lucrativa. Sobre o projeto urbanístico de Curitiba, muitos dados que podem contrapor o discurso de Lerner estão no trabalho científico do professor da Universidade Federal do Paraná, Dennison de Oliveira, que se tornou livro sob o título: “Curitiba e o mito da cidade modelo” (Editora UFPR).

Preguiça ou má vontade?

Renata Silva Pinto

Estava eu me dirigindo para casa em meu carro pela Rua Eduardo Sprada, quando vejo a frente um ônibus. Quem dirige nesta rua sabe por que do destaque do ônibus, significa que se ele não virar em algumas das poucas ruas ou se o motorista não for camarada, será até o fim do seu caminho parando e continuando. Porém, não é sobre o “drama” de chegar mais tarde em casa de quem pega um desses que quero contar para vocês, leitores. E sim sobre o fato que na descida da rua o ônibus disparou nas curvas deixando para trás a fila enorme de carros que se formou atrás dele – nem quero pensar sobre os coitados dos passageiros- no fim da descida parou num ponto e vi quando uma senhora corria em sua direção , ele ainda estava com o pisca para a direita, indicando que iria ficar parado. Entretanto, o desgraçado do motorista – me desculpem motoristas, mas isso não se faz – passou o pisca para a esquerda e fechou suas portas no momento que a senhora se aprontou para entrar no veículo. A senhora gritou e esperneou para o ar, mas ele já havia tomado seu caminho. Isso me lembrou, ano passado, quando voltava de ônibus para casa e várias vezes fui deixada no ponto na mesma Rua Eduardo Sprada, por motoristas atrasados que não paravam por só haverem três ou quatro pessoas esperando. Onde está o respeito pelo próximo? Foi trocado pela preguiça, ou até pela simples má vontade.


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Curitiba, quarta-feira, 16 de maio de 2012

Lei promete transparência sobre a vida pública Legislação atinge Legislativo, Judiciário, Ministério Público e níveis do Executivo Carolina Pereira Rafaela Guimarães Vitória Peluso Produção Integrada Rede Teia

A Lei de Acesso à Informação, sancionada em 18 de novembro do ano passado, entra em vigor hoje. A lei determina o fim do sigilo eterno de documentos oficiais. Agora o prazo máximo de sigilo é de 25 anos para documentos ultrassecretos, 15 anos para os secretos e cinco para os reservados. Os ultrassecretos poderão ter o prazo de sigilo renovado apenas uma vez. Esse decreto permite que qualquer cidadão tenha acesso a informações detidas pelo Poder Público, consultar dados, sigilosos ou não, sem precisar justificar o pedido. Essa lei atinge os órgãos públicos federais, estaduais, municipais e empresas estatais. O decreto estadual estabelece que serão disponibilizadas informações que tratem da estrutura de cada um dos órgãos de governo, seus programas e metas, endereço, telefones, servidores e suas funções, tabelas salariais, registros de aplicação dos recursos ou transferências financeiras, licita-

ções, contratos e convênios, bem como o plano de aplicação de verbas e a respectiva. Além do acesso ao Portal da Transparência, na internet, as consultas poderão ser feitas por email, telefone, carta ou documento protocolado em unidades que integram a estrutura do Estado. Em todos os casos, o órgão que receber a consulta deverá fornecer ao requerente um número de protocolo para acompanhamento da tramitação do pedido. Para fazer a consulta, é necessário um cadastro básico para que o requerente possa receber a resposta (nome, número do documento de identificação ou número de inscrição no cadastro de pessoas físicas - CPF, bem como dados do endereço para aviso de que a resposta está disponível). As informações de caráter geral e disponibilizadas no Portal da Transparência ou via e-mail serão gratuitas.

Quando a resposta gerar despesas (fotocópias ou qualquer espécie de material), o custo deverá ser ressarcido aos cofres públicos por meio de pagamento da Guia de Recolhimento (GR) de tributos estaduais. O deputado Edson Prackzyk espera que a sociedade passe a ter informação de forma mais rápida, mais precisa e acessível, porque, dessa maneira, poderá interagir com o poder público e assim obter decisões mais acertadas. Ele acredita que qualquer cidadão deve ter acesso a todas as informações porque a partir do momento em que uma pessoa decide colocar seu nome à apreciação numa eleição, por exemplo, já deve ter consciência de que faz parte da sua fun-

ção ter a sua vida completamente transparente e acessível. De acordo com o professor de direito penal Pedro Luciano Evangelista Gebeluce, a lei pode melhorar a política do Estado porque a população terá conhecimento dos atos dos políticos. Ainda assim, Pedro Luciano acredita que essa lei não vai afetar as eleições deste ano, pois está muito em cima da hora. Porém, a continuidade dessa lei, a população poderá acompanhar mais de perto o que está sendo feito, o que poderá trazer resultados melhores para o Estado. No Paraná, ontem o governador Beto Richa assinou o decreto estadual que regulamenta a lei federal de Acesso à Informação. A partir disso todos os

secretários e gestores de empresas públicas e autarquias têm obrigação de disponibilizar para a sociedade paranaense os atos praticados na sua área de atuação. Segundo o governador, o decreto se soma ao Portal de Transparência. A medida tem como objetivo garantir que a população tenha a possibilidade de acompanhar recursos aplicados, assim fiscalizando a atuação dos políticos. As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Serviço As informações estarão disponíveis no Portal da Transparência Paraná www.portaldatransparencia.pr.gov.br


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Empreendimento é jovem Isabella Mayer Paula Nishizima

“A principal dificuldade no começo é, sem dúvida, demonstrar aos clientes que uma nova empresa tem a capacidade de prestar serviços de qualidade”, desabafa o sócio da empresa de design estratégico Granada, Heraldo Fantinatti. Essa dificuldade também pode ser comprovada em números. Dados da Junta Comercial do Paraná apontam que no ano passado cerca de 20 mil empresas foram fechadas. No mesmo período, mais de 56 mil empresas foram abertas. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo projeto Global Entreprenership Monitor (GEM) em 2010, o Brasil é o país que possui maior população empreendedora dentre os Brics (Brasil, China, Índia e Rússia), chegando a 17,5% de empresas em estágio inicial – com menos de três anos e meio.

Na China, esse número cai para 14,4%, e na Rússia, para 3,9%. Na Índia os empreendedores representavam 11,5% da população do país, segundo a última pesquisa, realizada em 2008. Os dados revelam o momento econômico vivido pelo Brasil, que, para o consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Marcelo Cantero, está propício ao empreendedorismo. “O Brasil vive já há alguns anos uma estabilidade econômica. Isso dá mais segurança para as pessoas arriscarem”. Quem são os empreendedores brasileiros? A pesquisa publicada pelo GEM também indica que a maioria dos empreendedores brasileiros envolvidos com negócios em fase inicial (com menos de três anos e meio) é relativamente jovem: possui entre 25 e 34 anos, representando 22,2% do total. A faixa de idade entre 35 e 44 anos representa 15% dos iniciantes em novos negócios. Quanto ao nível de escolaridade, mais da me-

Espaço HUB durante um de seus eventos

tade dos empreendedores (53,5%) possuem entre 5 e 11 anos de estudo, uma faixa que abrange desde a quinta série do Ensino Fundamental até o terceiro ano do Ensino Médio. O segundo lugar, com 25,1%, vai para aqueles que possuem mais de 11 anos de estudo, compreendidos entre a graduação e a pós-graduação. Jovens empreendedores Não é à toa que os brasileiros, principalmente os jovens, estão enxergando mais oportunidades para empreender. “A economia está muito favorável para empreender. Alguns fatores que indicam isso são a estabilidade econômica, a maior facilidade de acesso ao crédito, o pleno emprego, o que significa que as pessoas estão praticamente escolhendo onde querem trabalhar, e a ascensão da classe C”, comprova o consultor do Sebrae. Cantero informa que a procura de jovens por orientação no Sebrae é grande. “Em geral, eles têm alguma ideia e vêm até aqui nos contar, muitas vezes são Hub Curitiba grandes ideias. O nosso papel é fazê-los pensarem em aspectos que muitas vezes eles não contemplaram ainda, como questões de gestão e planejamento”, explica. As novas tecnologias também ajudam na hora de ganhar conhecimento de mercado. Para o consultor, a internet tem se tornado aliada na hora

de conseguir informações e pesquisar experiências de outras empresas. Negócios sociais Alguns empreendimentos têm como objetivo transformar o mundo num lugar melhor em termos sociais, econômicos e culturais. Esse modo de fazer negócio já tem nome: são os negó cios sociais.

“Trata-se de empresas localizadas no que chamamos de setor ‘dois e meio’, que seria algo entre o terceiro setor (que são as ongs) e o setor privado. São empresas que têm o objetivo de gerar impacto social, mas que também buscam lucro, já que não são ongs”, esclarece Bruno Volpi, sócio do Hub Curitiba, espaço destinado a esse tipo de empreendimento. A principal referência em negócios sociais é o banqueiro Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006. “Yunus criou um banco que fornecia crédito para pessoas pobres, numa época em que ninguém queria emprestar dinheiro para esse público. Em geral eram mulheres da área rural que queriam empreender e sustentar suas famílias”, pontua Volpi. The Hub “The Hub” é o nome de uma rede mundial de empreendedores que conecta mais de 4.500 pessoas e dispõe de 28 sedes ao redor do mundo. No Brasil, o Hub tem uma sede em São Paulo desde 2008. A unidade de Curitiba foi inaugurada em janeiro deste ano e conta com uma sala de eventos com capacidade para 60 pessoas, uma de workshops para 30 pessoas e uma de

reuniões com mesa para seis pessoas, além de cozinha, espaço para descanso e um pequeno jardim. Bruno Volpi conta que o processo de criação de um espaço Hub tem alguns requisitos, tais como demanda da cidade e um projeto bem planejado. “Para abrir um Hub, é preciso que ele seja ‘apadrinhado’ por dois outros Hubs já existentes, no caso da sede de Curitiba, os padrinhos são o Hub São Paulo e o de Zurique (Suíça)”. Qualquer pessoa pode se tornar membro do Hub, basta consultar as opções de planos mensais no site www.hub-curitiba.com e preencher um formulário. “A gente tem desde mágicos até arquitetos aqui dentro. Nosso objetivo é aumentar a conexão entre quem quer empreender e alavancar essas pessoas para coisas maiores”, salienta Volpi. Aster - Turismo de Experiência Uma jornalista, uma estudante de direito e um estudante de economia trabalhando juntos numa empresa de turismo. Dá para imaginar? Pois é assim que Giana Andonini, de 24 anos, Mariana Halfen, de 23, e Vinicius Floriani, de 21 criaram a Aster, agência de Turismo de Experiência. O diferencial da Aster é o roteiro, baseado na experiência dos participantes e buscando sempre lugares pouco convencionais, como durante o percurso “Curitiba: Você está aqui”, no qual os “turistas” foram levados a conhecer empreendedores da capital paranaense, como o dono do bar Aos Democratas, e figuras clássicas,


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Paula Nishizima

Abrindo o negócio A jornalista Giana Andonini, sócia da agência de turismo Aster, explica um pouco mais sobre a experiência de ter um negócio e dá algumas dicas para quem quer empreender, na entrevista a seguir. Lona - Você se formou em jornalismo e hoje tem uma empresa de turismo, como chegou a essa área?

Vinícius e Giana, sócios da ASTER- Turismo de experiência

como o cantor e compositor Plá, que se apresenta no Centro; o gato Boris, que mora num sebo em frente ao Bar do Alemão, no Largo da Ordem, e até o túmulo da “santa curitibana”, Maria Bueno, no Cemitério Municipal. “Nossa intenção é gerar emoções e, por mais que isso pareça uma coisa subjetiva, levá-la para o plano dos negócios”, explica a jornalista Giana Andonini. A ideia dos sócios empreendedores foi alavancada após sua participação no Festival de Ideias de São Paulo,

onde o trio ficou entre as vinte criações finalistas e conseguiu o primeiro patrocínio, vindo de uma empresa de telefonia móvel. Para Giana, o aumento do número de jovens empreendedores se deve ao fato de muitos terem dificuldade de se encaixar no mercado de trabalho. “Nós sempre gostamos da área de turismo, até mesmo porque na empresa em que trabalhávamos, tínhamos contato com isso. Unimos o que gostávamos com o projeto de abrir um negócio próprio”, diz a jornalista.

Mulheres e o mercado A experiência de pessoas como Giana demonstram que a presença feminina nos empreendimentos brasileiros tem crescido nos últimos anos. O relatório do projeto Global Entreprenership Monitor (GEM) publicado 2010 compara números desde 2002 da economia brasileira. A pesquisa analisou a participação de mulheres e homens em empreendimentos em estágio inicial (com menos de três anos e meio de funcionamento). O resultado acusa que entre 2002 e 2010, ambos os sexos tiveram aumento no número de empreendedores. No início do gráfico, as mulheres representavam 11,3%, e os homens, 16%. Oito anos depois, esses números saltaram para 16,2% e 18,4%, respectivamente. De acordo com o mesmo relatório, a mulher brasileira é, historicamente, uma das que mais empreende no mundo. Dentre os 59 países analisados no mesmo ano, apenas em Gana as mulheres atingiram um número maior do que os homens participando de empreendimentos em estágio inicial. O GEM é uma proposta de nível mundial que realiza anualmente o monitoramento de atuações empreendedoras em mais de 85 países.

Giana - Me graduei em Jornalismo, mas durante a faculdade os meus estágios foram quase todos no Terceiro Setor. Uma das ongs em que trabalhei por três anos e meio tem como foco o desenvolvimento de liderança em jovens e tem o intercâmbio como uma ferramenta para isso. Por isso tive bastante contato com pessoas de outras culturas (dos diferentes estados do Brasil e de diferentes países) e com a gestão de intercâmbios. Depois que viajei para a Bolívia para realizar o meu intercâmbio voltei com ainda mais vontade de empreender nesta área. Mas acredito que há bastante do jornalismo no nosso trabalho na agência, isso porque realizamos viagens mais significativas conectando pessoas com temas, lugares e experiências diferentes. Isso exige bastante pesquisa, contato com

fontes, etc., mais ou menos como no jornalismo. A diferença que o nosso canal para esta conexão não é por uma mídia, mas pelo turismo. Lona- Para você, o que significa empreender? ‘Fazer acontecer’ acho que é a melhor definição. É visualizar uma oportunidade, que você acredita ser importante não só pela sua realização profissional, mas pelo resultado que este negócio irá trazer para o mundo e colocá-la em prática. Mas acredito que mais importante do que uma definição do que significa empreender é pensar no perfil do empreendedor, pois são essas características e a forma como ele encara os desafios no dia a dia que farão a diferença no negócio. Lona- Então qual você considera a característica fundamental de um empreendedor? Talvez uma verdadeira curiosidade seja uma das características mais fundamentais ao meu ver. É importante para o empreendedor gostar do universo em qual ele está empreendendo e não só ser bem informado, mas ser curioso mesmo.

Lona- Durante o processo de criação da Aster, houve muitas dificuldades? Quais foram elas? Não chamaria de dificuldades, mas de muitos aprendizados e oportunidades. Quem se dispõe a empreender tem que saber que terá que correr atrás de muita informação, e que terá que aprender fazendo em muitos momentos. Um dos principais pontos para a gente foi definir muito bem o que seria a agência, já que não temos muitas referências de agências que trabalhem focadas no Turismo de Experiência como nós. Lona- Que dica você daria pra quem tem vontade de abrir o próprio negócio? Acredito que procurar uma orientação inicial no Sebrae pode ser um bom passo. Depois pensar em que área e que tipo de negócio você quer abrir. Você pode abrir uma empresa, ou abrir uma franquia por exemplo. Pode abrir sozinho ou procurar pessoas para compor uma sociedade. Estudar e avaliar bem todas as possibilidades é bem importante, e após isso dar início à abertura: fazer pesquisas, fazer um plano de negócio, e colocar a mão na massa.

A UP também empreende A Universidade Positivo incentiva o empreendedorismo por meio da Incubadora de Projetos e Empresas da universidade. São mais de dez empresas que atuam em diversos setores, como design e biotecnologia. As empresas incubadas contam com o auxílio da universidade por meio de uma equipe que aconselha e acompanha as principais dificuldades. “Somos também cobrados periodicamente sobre os resultados e metas propostas”, conta Heraldo Fantinatti, sócio da empresa de design estratégico Granada, que busca desenvolver o design como uma estratégia de agregar valor ao produto. “Mas, sem dúvida, além de toda a consultoria administrativa, o melhor é a experiência em conjunto com os outros incubados, que, naturalmente, criam uma rede de negócios, abrindo muitas portas por meio de indicações, oportunidades de negócios e troca de experiências”, explica Fantinatti. Outra empresa que surgiu na incubadora da UP é a Engeled, cuja proposta é desenvolver produtos de iluminação com a tecnologia LED de alto brilho, considerada mais sustentável ambiental e economicamente. O sócio da Engeled, Rodrigo Ferraz, dá a dica para quem quer começar um negócio. “Uma ideia inovadora junto com muita força de vontade é o que levam você longe, é o que a gente está conseguindo agora”. Ferraz também conta que pretende estender a Engeled a nível nacional. No ano passado, a Incubadora promoveu o evento “Circuito StartUP”, que forneceu uma série de atividades competitivas aos participantes, com a elaboração das empresas incubadas. Para este ano, foi lançado o Prêmio Inovação UP 2012 com o tema “Sociedade do Futuro” e com o objetivo de estimular soluções que colaborem para a construção de uma sociedade mais inovadora. Puderam ser inscritos no concurso projetos de pesquisa, Trabalhos de Conclusão de Curso, iniciação científica, iniciação tecnológica ou projeto incubado.


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Literatura

O cronista e o pornógrafo O centenário de nascimento de Nelson Rodrigues traz à discussão literária a força do maior dramaturgo brasileiro, criador de uma obra extensa, provocante e muitas vezes mal compreendida. Nelson Rodrigues foi, ao seu tempo, acusado de pornográfico e alienado. A primeira pecha vem de seu tratamento impiedoso da família brasileira, com suas histórias de traição e luxúria, mesmo que ele não tenha sido um adepto de linguagem chula e detestasse palavrões. A alienação vem de ele não ter se posicionado abertamente contra a ditadura, o que lhe rendeu duradoura perseguição da esquerda nacional, que trouxe o aspecto biográfico para

o entendimento da obra rodrigueana. (Nelson Rodrigues criticou, ao seu modo, o regime militar, principalmente após a prisão de seu filho, algo bem detalhado na monumental biografia de Ruy Castro, O Anjo Pornográfico, de 1992, estudo que contribuiu para uma leitura mais moderna e arrojada da carreira de Nelson Rodrigues, também prejudicado pelas rasteiras adaptações cinematográficas.) Outro aspecto pouco discutido é a sua importância como cronista. Autor de muitas crônicas esportivas, de verve lírica e ensaística, ele trouxe o imaginário do futebol para dentro da literatura, com uma linguagem que conciliava o erudito e o popular, o

caráter trágico e dramático do esporte ao cotidiano do homem simples e contraditório. Em 1967, Nelson publicou no Correio da Manhã uma série de memórias, depois reunidas no livro A Menina Sem Estrela. A crônica que dá título ao livro e narra a reação do autor diante do nascimento da filha cega é uma das maiores passagens da literatura brasileira. “Dois meses depois, dr. Abreu Fialho passa na minha casa. Viu minha filha, fez todos os exames. Meia hora depois, descemos juntos. Ele estava de carro e eu ia para a TV Rio; ofereceu-se para levar-me ao Posto 6. No caminho, foi muito delicado, teve muito tato. Sua com-

Daniel Zanella

danielaugustozanella@hotmail.com

paixão era quase imperceptível. Mas disse tudo. Minha filha era cega”. O centenário de Nelson Rodrigues é a oportunidade de mergulhar (perigosamente) nas sombras do ser humano comum e infinito. Sem preconceitos.

Tecnologia

Dude! Where is meu carro? Não podemos negar que uma das maiores invenções tecnológicas do último milênio foi o Google. Mesmo sendo uma empresa prestadora de serviços, e não especificamente uma invenção tecnológica, o Google impressionou o mundo com diversos serviços de grande utilidade para todos. Não só impressionou como ainda impressiona. Na última semana, uma pequena/grande alteração foi anunciada no Gmail, serviço de e-mail e um dos principais produtos da empresa. Agora as mensagens que chegam para você em outro idioma podem ser traduzidas instantaneamente na própria janela da mensagem. Não há complicações. O Gmail identifica que o idioma não é o padrão utilizado por você e já sugere a tradução. Simples assim. Agora já é possível

comunicar-se com o mundo na sua língua nativa e sem precisar fazer aquele curso básico de inglês ou, até mesmo, japonês. Talvez você pense que esse novo recurso do Gmail nem seja considerado uma tecnologia e queira parar a leitura desta coluna tecnológica. Se realmente for um problema, eu trago uma outra inovação do Google para acalmar seus ânimos. A bola da vez é um carro que dispensa a função do motorista e se desloca sem qualquer interferência humana. O carro do Google já recebeu inclusive uma licença para poder trafegar pelas ruas e estradas no estado americano de Nevada. Nos 255 mil quilômetros percorridos pelo carro, na fase de teste, poucos incidentes foram registrados; num deles, um outro carro conduzido

por uma pessoa bateu levemente no carro do Google. O pequeno incidente apenas confirma que um dos principais fatores de acidentes com carros são os próprios motoristas e que talvez (eu disse talvez) o computador possa evitar grande parte das fatalidades por aí. Independente da natureza e utilidade dos serviços, as últimas inovações tecnológicas anunciadas pelo Google deixam de ser consideradas “simples” invenções para iniciar uma revolução social, de comportamento e de interação pessoal e interpessoal. O Gmail sem barreira linguística permite, por exemplo, a aproximação cada vez maior de pessoas de diferentes culturas. Já o carro que dirige sozinho pode permitir o deslocamento de pessoas impossibilitadas de dirigir por algum motivo físico ou psicoló-

Gustavo Ribas

gustavo.gpr@gmail.com

gico. Claro que as limitações ainda existem e vão demandar um certo tempo para poderem ser tão comuns, como o celular que você carrega no bolso hoje. O que vale é perceber que esses protótipos começam um ciclo de novas perspectivas para a qualidade de vida da população e que a tecnologia vai muito além do que um monte de luzes piscando ou uma tela touch screen.


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Carona solidária pode diminuir congestionamentos Transportar vários passageiros por veículo é uma boa saída para economizar combustível e diminuir poluição Carolina Pereira Rafaela Guimarães Vitória Peluso

O trânsito nas grandes cidades tornou-se um problema não apenas por formar longos congestionamentos durante os horários de pico, como também por afetar os habitantes que precisam se locomover. Segundo o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), na capital paranaense há 1,6 habitante por carro. De acordo com professor de Arquitetura e Urbanismo Ciro Andrade Siqueira, em termos de números Curitiba é a quarta capital com mais

Thiago Falat e Aline Lima

automóveis nas ruas. Segundo o IPPUC, para reduzir a quantidade de veículos e evitar os congestionamentos é preciso administrar um planejamento de trânsito, criar meios alternativos como incentivos ao uso de bicicletas, melhorar as calçadas para atrair os pedestres em deslocamentos curtos, investir na qualidade do transporte coletivo e incentivar a carona solidária. “Para a tarefa de dar carona, destaco o envolvimento das empresas, escolas e principalmente das universidades, por serem as maiores geradoras de tráfego na cidade”, conforme a assessoria de imprensa do IPPUC.

Para Siqueira, a carona solidária pode ser uma forma de diminuir o número de carros nas ruas e desafogar o transporte público. “Se cada pessoa der carona para seu vizinho, por exemplo, podemos ter uma redução drástica do número de automóveis”, alega o professor. Os horários de picos, que são o maior problema por causar congestionamento nas cidades populosas, na opinião de Siqueira, podem ser uma solução. “O fato de muita gente ter horários parecidos e ir para os mesmos lugares ou locais próximos pode facilitar o deslocamento de várias pessoas por meio da carona”, diz.

Amizade dá a ele uma ajuda simbóA estudante e dona de casa Andreia Regio Giaconassi e seu filho saem de casa todos os dias por volta das 7h. Ela oferece carona ao estudante Gustavo Berini Ansbach e mais dois colegas do filho, pois todos estudam na mesma instituição. “Se vamos para o mesmo lugar e não é preciso mudar o meu trajeto, não vejo por que não dar carona”, conta Andreia. Para ela, além de ajudar quem precisa dar carona é um modo de colaborar com o meio ambiente. Gustavo, que vai para a faculdade com Andreia, conta que precisa da corona por morar longe da escola e porque o deslocamento por transporte coletivo é muito demorado. “Se não tivesse a carona, teria que pegar cinco ônibus e acordar antes das 6 h”, explica o estudante. Para ele, o fator financeiro não é um dos motivos para precisar de carona, diferente da estudante Aline Lima. Ela pega carona com o também estudante Thiago Lucas Guimarães Falat, mas

lica para colaborar com os gastos. Os dois moram em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba, mas só foram se conhecer na sala de aula e ficaram mais próximos por virem todos os dias juntos. Aline diz que, mais do que a vantagem de gastar menos do que gastava com transporte coletivo, a carona ameniza o desgaste de ir e voltar de uma cidade para outra todos os dias. “Para vir de ônibus eu teria que pegar seis ônibus e acordar bem mais cedo”, relata Aline. “Ao vir de carro, eu fico menos cansada, pois de ônibus eu já chego estressada na faculdade”, conta. Segundo Aline, o estresse e o cansaço acontecem porque, além de precisar pegar muitos ônibus, normalmente eles estão lotados. Siqueira acredita que a tendência é que o número de carros nas cidades aumente cada vez mais devido ao fato de o transporte público ainda ter diversos problemas. “Apesar de Curitiba ser famosa por ter um bom transporte público, ainda é incompatível com o número de habitantes”, afirma. Além da vantagem financeira e de facilitar o deslocamento de quem recebe, o ato de dar carona traz benefícios para quem oferece carona, seja ela solidária ou com alguma colaboração. “Dar carona é um ato de amizade e é uma forma de aprofundar uma amizade já existente”, acredita Aline Lima.


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Morretes:

duas cidades em uma só

Cidade de 16 mil habitantes onde seus moradores podem desfrutar de um dia a dia tranquilo e caminhar por suas ruas largas a qualquer hora do dia. Não há trânsito, os carros dividem o mesmo espaço nas ruas com pedestres e ciclistas. Nos dias de semana, os bares, lojas e restaurantes quase não têm movimento. E os hábitos de lazer das pessoas são típicos de lugares pequenos: pescam, conversam em frente a suas casas e estabelecimentos comerciais. Nos fins de semana, Morretes recebe artistas de vários lugares diferentes que vêm apenas para mostrar seus trabalhos, ou porque possuem casa na região, pois a cidade atrai muitos turistas que vão para almoçar o barreado, prato típico do litoral paranaense, e visitar a feira de fim de semana. Bosco Bruno, 33 anos, é um artista de múltiplos talentos e se apresenta na cidade como estátua viva. Juan Carlos Valverde, 31 anos, é peruano e mora há 10 anos entre Curitiba e Morretes. Nos fins de semana, toca flauta na praça da cidade para divulgar seus trabalhos. Dona Elza, 85 anos, é agricultora e artesã. Nos dias de semana, trabalha em casa fazendo os produtos artesanais que são vendidos na feira. Fotos e texto: Vitória Peluso


LONA 716 - 16/05/2012