Page 1

O

ún

ico

D

Curitiba, quinta-feira, 12 de abril de 2012

jo

@jornallona

r do IÁ nalBr R lab as IO or il at

redacaolona@gmail.com

ór

Ano XIII - Número 694 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, 12 de abril de 2012

lona.up.com.br

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação sobre aborto de anencéfalos, ouve apresentação do advogado da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, Luís Roberto Barroso Pág. 3

Aborto de anencéfalos é discutido no Supremo Tribunal Federal Saúde

Educação

Decisão

Jovens ainda entram na universidade e viram fumantes

Conheça mais sobre aulas de Iniciação Musical para crianças

Descriminalização da interrupção da gestação de feto anencéfalo, sim ou não?

Pág. 2

Pág. 4

Pág. 2

io


2

Curitiba, quinta-feira, 12 de abril de 2012

Opinião

Editorial

Policiais ou marginais? Foi fechada no dia 26 de janeiro uma mansão que funcionava como casino ilegal, no bairro Parolin, em Curitiba, por um grupo de policiais civis. Aproximadamente quarenta policiais estavam envolvidos na operação e agora se encontram banidos da polícia, com o argumento de que agiram sem comunicar seus superiores. Perto de fazer três meses, a operação não teve continuidade e ainda não se sabe quem eram os envolvidos com esse casino. Desde que o casino foi fechado todos os envolvidos estão sendo chamados para dar satisfação à Corregedoria da Policia Civil, do porque de não terem comunicado seus superiores sobre a operação. Outras coisas estranhas também aconteceram nesse caso. Possíveis fotos do gerente do cassino desapareceram e R$ 3.350 foram depositados na conta do mesmo, valor referente ao dinheiro retirados dos caça-níqueis da mansão. Detalhes como esses faz com que muito se questione sobre quem realmente está por trás desse cassino.

A perseguição e descriminação que os policiais vêm sofrendo é grande. Não há motivo para que toda essa punição aconteça. Percebe-se que o foco de toda essa operação não está mais na apuração dos crimes e sim na punição dos envolvidos. Muito se fala sobre o ocorrido e pouco se entende. Não era necessário tamanho escândalo, os policiais não fizeram mais do que o seu dever. Chega a ser ridículo pensar que homens da lei que fecharam uma casa, onde funcionava um casino clandestino que também servia como casa de prostituição, estão sendo punidos pelos seus atos pelo simples motivo de não terem um delegado presente com eles. Seria sensata a punição dos policiais se a operação não tivesse sido um sucesso ou se iniciativas bruscas – como agressões e coisas do gênero – tivessem sido tomadas. O policial civil é treinado para agir de forma correta e rápida. Eles fizeram um bem para a sociedade e estão sendo apresentados como marginais.

Expediente Reitor: José Pio Martins|Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani |Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino|Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira|Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima|Editoras-chefes: Renata Silva Pinto, Suelen Lorianny e Vitória Peluso|Editorial: Matheus Klocker. O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.

Aborto de feto anencefálicos Permitir ou não permitir?

Não aborte!

Sim, aborte!

Ao ouvir uma história recentemente sobre familiares de um colega com um caso de gravidez e anencefalia, pude crer ainda mais no que sempre acreditei: na força de um Deus. Defendo a vida e sou totalmente contra a decisão de interromper uma gravidez. Já presenciei, vivi e conheço histórias em que o impossível aconteceu. Assim como esta em que a mãe estava gestando um bebê anencéfalo e as chances de vida do bebê nascer com cérebro eram nulas. Mas por forças da própria mãe e dos planos de um Deus, o bebê nasceu completamente saudável para o espanto de todos os médicos. Como cristã, creio fortemente numa frase escrita em Lucas 19:27 “O que é impossível para os seres humanos é possível para Deus”.

Um feto anencéfalo não pode ser considerado vida. Como disse o próprio relator da ação proposta pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde, o ministro Marcos Aurélio Mello, “Neste caso, não existe vida possível”. Quando uma pessoa sofre “morte cerebral” o que é feito com ela? Os médicos e familiares continuam a acreditar que ali ainda está a alma? O que difere esta morte da vida que ainda nem existiu? O único preço a ser pago por levar uma gravidez como esta adiante pode ser a vida da mãe, senão na gestação ou no parto, durante o resto da sua sobrevivência em função daquele ser (me perdoem pela palavra). Vamos dar o direito de escolha às mães e não as tornemos criminosas por isso.

Marcela Andressa, aluna do 3 º período do curso de Jornalismo

Jefferson Nunes aluno do 7 º período do curso de Jornalismo

Fumar ainda parece bonito? Elisa Shneider

Depois da lei que proibiu as pessoas de fumarem em locais fechados de uso coletivo como bares, casas noturnas, shoppings e universidades, foram proibidos também os cigarros com sabor. Estão querendo criminalizar o fumo do cigarro e tem gente que entra na faculdade e vira fumante. Isso porque se descobriu a relação entre o cigarro e os mais diversos tipos de câncer. Porque o fumo passivo é a terceira maior causa de mortes evitáveis no mundo. Que jovens começam a fumar por se sentirem atraídos por cigarros de chocolate e canela e isso faria deles os futuros fumantes. Caminho contrário esse, que leva contra o raciocínio coletivo. Podemos andar pela Universidade Positivo e ver pontas de cigarro por toda parte. Nas escadas externas, onde existiam cinzeiros presos à parede e que foram retirados depois que a lei anti-fumo entrou em vigor. Uma ponta de cigarro acesa quase caiu nas minhas costas. É que as lixeiras foram retiradas, mas os alunos não foram proibidos de fumar no local. Pode ser que se elas ainda estivessem ali, a “bituca”, não iria voar escada a baixo e pode ser também, que a escadaria fosse mais limpa.


Curitiba, quinta-feira, 12 de abril de 2012

STF iniciou votação ontem sobre descriminalização do aborto de anencéfalos

3

Decisão sobre o aborto de fetos sem cérebro deve formalizar entendimento, já que não há lei específica Daiane Nogoceke Flávia Proença Julia Willich

O Supremo Tribunal iniciou nesta quarta-feira (11) a votação que decide a descriminalização do aborto de anencéfalos no Brasil. O julgamento foi transmitido ao vivo pela TV Justiça.

dido do ministro é que o STF passe a interpretar de forma diferente a intervenção na gestação em casos como esse. De acordo com o portal G1, uma das justificativas de Mello é que o feto anencéfalo é considerado morto juridicamente, não tendo direito, portanto, à proteção do Estado. Desde 2011 tramitam no Congresso Nacional duas propostas buscando

à prática do aborto por ir contra princípios do livro sagrado da religião. “As pessoas, nessas horas, só pensam na mãe, mas não levam em conta a vida da criança. A Bíblia condena toda forma não-natural de morte e interrupção da gravidez”, conta ele. Mifeldt diz, porém, que é uma opinião muito pessoal e que pode variar entre pastores e praticantes

Representantes da sociedade civil e religiosos assistem sessão de julgamento

Atualmente, pela lei brasileira, a interrupção da gravidez só é possível em casos de estupro ou em que há risco para a vida da mãe. O relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello, alega que ser considerado crime o aborto de crianças sem cérebro é inconstitucional. O pe-

a legalização do aborto em casos especiais. Um dos entraves para aprovação das propostas seria a questão religiosa, já que igrejas e outras entidades, inclusive a bancada evangélica, são contra o aborto. O pastor Celso Misfeldt, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, afirma ser contrário

Agência Brasil

da religião, já que a Igreja Luterana não tem uma posição oficial sobre o assunto. Segundo a Organização Mundial de Saúde (dados de 1998), o Brasil seria o quarto país do mundo com maior incidência de anencefalia fetal: um em cada mil fetos seriam gerados sem cérebro. Segundo in-

formações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nascem anualmente 2 944 928 crianças vivas no país, segundo levantamento realizado em 2006. Isso significaria que cerca de três mil anencéfalos são dados à luz por ano. A questão de saúde, apoiada pelos dados da OMS, é o principal argumento dos ministros a favor da legalização do aborto. Para o médico Marcos Takimura, o aborto em casos de anencefalia deveria ser aprovado pois as crianças anencefálicas que sobrevivem à gravidez (muitos são natimortos) têm poucas chances de vida, sendo que muitas falecem de meningite antes de alcançar os dois anos de idade. O obstetra informou ainda que, quando o bebê consegue sobreviver, ele permanece em estado quase vegetativo. Takimura opina que a lei não protege as mães e que a legislação deveria ser alterada, mas acredita que isso “não é uma coisa simples”. Ele ainda conta que, se o aborto for realizado no início da gestação e em ambiente hospitalar adequado, os riscos para a mãe são poucos. Quanto mais avançado o estado de gravidez, mais danoso o aborto pode ser

para a mulher. A discussão teve grande repercussão nas redes sociais. No Twitter, palavras-chave relacionadas ao caso, como ‘STF’, ‘TV Justiça’ e ‘Marco Aurélio’ [Mello, relator do processo] estavam entre as mais comentadas mundialmente. A “hashtag” #afavordavida (criação desconhecida) foi usada pelos usuários do microblog para expressar contrariedade a projeto; o oposição se baseia marjoritariamente em princípios religiosos. O pastor evangélico Silas Malafaia chegou a pedir aos seus “seguidores” no site que enviassem emails ao STF, pedindo que o projeto não fosse aprovado. Até o fechamento desta edição do Lona, o julgamento para legalização do aborto de anencéfalos estava cinco a um a favor, no fim do dia a votação foi suspensa. O julgamento volta hoje. No total, dez dos onze ministros do Supremo participam. Conforme informação do portal G1, o ministro Dias Toffoli teria se declarado impedido de participar da votação por ter anteriormente emitido parecer a favor da legalidade do ato durante sua gestão como advogadogeral da União.


4

Geral

Curitiba, quinta-feira, 12 de abril de 2012

Aulas de música auxiliam no aprendizado das crianças Daiane Nogoceke Flávia Proença Julia Willich

Você já deve ter ouvido falar em aulas de iniciação musical. Mas o que é exatamente isso? E pra que serve? Há duas espécies de iniciação musical: aquela em que se aprende a ouvir a música e aquela em que se aprende a praticála. A iniciação é um meio de desenvolvimento artístico e um elemento de cultura geral, uma vez que a criança trabalha os aspectos dinâmicos, sensoriais, afetivos, mentais e espirituais, colaborando no desenvolver do ser humano e da personalidade humana. O método é totalmente lúdico: ensina a criança por meio da recreação. Esta iniciação pode ser

começada a partir dos 6 meses de idade e vai até os 8 anos, quando a criança começa a aprender um instrumento de fato. A musicalização é um contato direto com ritmos, compassos, estilos músicais, conhecendo instrumentos e familiarizando-se com eles. Para o professor de inicialização musical Tiago Madalozzo, o principal aspecto que diferencia a iniciação musical de outros tipos de atividade recreativas é que o objetivo principal é a formação musical. “Isso atribui uma série de beneficios extramusicais, como aprender a trabalhar em grupo, aprender limites, principalmente entre as relações interpessoais, para fazer com que a criança se socialize com as outras”, diz.

Aprendizado A música também pode servir de suporte para a melhoria do aprendizado nas escolas. Ao trabalhar concentração e limites, em se tratando da mate-

mática. “As pessoas costumam dizer que na música muitas coisas são matemáticas e numerais. Isso porque trabalharmos com o tempo e as numerações, compassos, contando ritmos, o que auxilia no raciocínio lógico-matemático”. Tiago descatou a importância de uma atividade de extensão da UFPR, realizada há dois anos, que atendeu cerca de 300 crianças. “Percebemos que a cultura da cidade mudou um pouco por conta da abrangência do curso. Depois dele, muitas pessoas passaram a procurar a música como atividade extra.” A procura por esses cursos aumentou muito, segundo Tiago. Há 5 ou 6 anos, não havia muita audência. Os pais preferiam colocar os filhos em práticas esportivas. “Hoje a cultura tem um peso maior sobre a educação. Os pais querem que os filhos absorvam também esse conhecimento para que seja aliado na educação básica”, afirma. Os pais também participam, pois crianças de até 4 anos precisam de acompanhantes. De 4 a 8 anos, elas ficam sozinhas; de 6 a 8 anos, as crianças já começam a conhecer

“O contato com a múdiferentes instrumentos musicais, como um in- sica torna os individuos centivo para que esco- mais descontraídos e tira o medo de nos socializarmos. A manipulação dos instrumentos faz com que a criança tenha controle sobre eles e se sinta mais confiante, ao ver que o instrumento responde ao seu comando”, diz Ana Paula. lham um ou mais entre A pedagoga Eliziane eles para se aperfeiçoar. Quando questionado Berno diz que infelizsobre as aulas para adul- mente nas escolas públitos, Tiago diz que as pes- cas a musicalização não soas as têm procurado é uma obrigatoriedade cada vez por conta dos curricular. “Alguns profilhos. fessores individualmente “Há um envolvimento trabalham esse aspecto, muito grande por parte mas isso é complicado, dos pais. Às vezes entra porque você só consegue alguém que não conhe- passar para os alunos o ce muito do curso e vê o que você aprendeu dudesenvolvimento dos fi- rante a sua formação. O lhos. Essa pessoa acaba Governo Estadual propôs se envolvendo tanto que atender 200 mil crianças acabam divulgando pra até dezembro em atividaoutras pessoas, e muitos des de educação integral, deles acabam aprendendo gostaria que dentre esmúsica para tocar com os sas atividades estivesse a filhos, para passar mais musicalização.” tempo em família.” Os preços variam entre Para a psicóloga Ana R$ 120 e R$ 150 mensais Paula Noronha, a muis- na região de Curitiba, e calização na infânia é es- são aproximadamente 20 sencial e pode ser uma escolas na capital que peça-chave na formação. oferecem o curso.

“O contato com

a música torna os indivíduos mais descontraídos e tira o medo de nos socializarmos com os outros indivíduos...”

LONA 694 - 12/04/2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you