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Ano XIII - Número 690 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, 04 de abril de 2012

lona.up.com.br

COMPORTAMENTO

Média de livros lidos por brasileiros de 5 a 17 anos diminuiu, aponta pesquisa

OPINIÃO

Escolas e universidades não possuem segurança suficiente

OPORTUNIDADE

Cinco jovens participarão do programa Parlamento Jovem Brasileiro 2012; inscrições estão abertas

Projeto de leitura sai do papel após 50 anos Projeto “Remissão pela Leitura” cria minibibliotecas para 24 penitenciárias e viabiliza redução de pena Fábio Muniz

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Curitiba, quarta-feira, 04 de abril de 2012

Opinião

“Convívio” em “Sociedade” Giuliana Nogara Andreatta

Acredito que muitos já escutaram o ditado “é errando que se aprende”. Gostaria muito que essa fosse uma regra sem exceções. De segunda à sexta feira faço o caminho Água Verde/Campo Comprido de carro e é difícil o dia que termino o trajeto sem que alguém tenha furado o sinal vermelho. Já faz parte da rotina. O ideal, como ensinam os professores de autoescola, é que ao vermos o exemplo de pessoas que já se prejudicaram tomando essa atitude, não façamos igual para não sofrermos as mesmas consequências ou pior. Porém, a realidade é bem diferente e distante desse “ideal”. Mesmo se envolvendo em acidentes, quando o indivíduo se recupera e recupera seu veículo totalmente, ele volta, mais cedo ou mais tarde, a praticar tal imprudência. Tenho vários casos de conhecidos e familiares que já “quase morreram” várias vezes e, mesmo assim, insistem no erro. Burrice? E último caso que circulou na televisão, do homem que não se contentou em perder a primeira esposa passando no vermelho e perdeu a segunda, grávida? Achar que o motorista vai ser cuidadoso com você de passageiro porque teoricamente, você é uma pessoa importante para ele (pai, filho, marido, mulher), é ilusão. Por também já “quase” perder a vida no volante de pessoas muito próximas, hoje eu sei que quem não respeita a si próprio, não vai respeitar você. Já cansei de escutar que é um absurdo o limite ser 60 km/h em tal via. Sabia que, a diferença de tempo gasto, dentro da cidade num mesmo trajeto, entre andar a 60 ou a 80 Km/h não passa de 5 minutos? Se você não gosta de trânsito, faça um caminho alternativo, não é difícil, existe bastante sinalização para não se perder. É possível através desses caminhos, por exemplo, ir do Pilarzinho ao Pinheirinho sem pegar trânsito e semáforos. Ou será que você vai esperar ficar impossibilitado de dirigir para sempre, para parar de desrespeitar as leis de trânsito e as pessoas próximas a você?

Carta do Leitor A escolha do tema sustentabilidade por meio da “Hora do Planeta” na edição do Lona de segunda-feira, 2 de abril, rende boas discussões. A primeira é salientar o que o evento representa no imaginário das pessoas. Claro, é legal participar de um evento global e todos têm a sensação de fazer algo de bom para o planeta. O problema é o caráter de “eleição” que traz, ou seja, fazemos uma vez a cada ano e isso já é o suficiente (na cabeça das pessoas, é claro). É preciso gerar discussão e incentivar novas formas de poupar energia, principalmente nas residências, para as pessoas comuns. Projetos à base de energia solar ou eólica, incentivo à reciclagem nas escolas e até os mais ousados como o World Community Grid, que usa o tempo ocioso de computadores pessoais para analisar dados de pesquisa que buscam melhoras como limpeza da água, síntese de novas drogas para doenças e o uso de energia limpa. Paula S. Nishizima - Aluna do 5º período do curso de Jornalismo

Editorial

Desequilibrados + baixa segurança = tragédias Primeiro na França, agora nos EUA. Outra vez em 2012, um transtornado invade uma instituição educacional usando do fanatismo para promover uma chacina. A história já é quase uma rotina, um cidadão decidido a matar quem estiver pelo caminho adentra uma escola/universidade armado, sem ninguém perceber, e lá descarrega sua psicopatia em jovens estudantes inocentes e desprotegidos. O palco do horror desta feita foi uma pequena faculdade cristã da Califórnia, onde sete foram mortos e três acabaram feridos. O que se relata é que o atirador era aluno da faculdade e tinha fama de ser desequilibrado. Dias atrás, um atirador em Toulouse – França, também matou sete em uma escola judaica, em outro acesso de loucura, que nesse caso chegou a ser relacionado com neonazismo e fundamentalismo islâmico. A pergunta que fica é como esses casos repetem se com tanta frequência e facilidade. Parece que não há segurança nas escolas mundo afora, e se forem notar, realmente as instituições são muito vulneráveis (a própria UP tem várias brechas em sua segurança). Pessoas conseguem entrar armadas com uma facilidade aterrorizante, e bastam alguns transtornos mentais para que uma tragédia seja construída. Além de tudo, não há cuidado com os problemas psíquicos de diversas pessoas, que são jogadas ao largo da sociedade, algo que resulta não só nesse tipo de ato, mas em várias outras atrocidades. Há também o famoso bullying, que combinado a uma pessoa desequilibrada vira uma verdadeira bomba-relógio, como o ocorrido na chocante chacina de Realengo (prestes há completar um ano, no próximo sábado). Não é de se esperar que tais fatos cessem, até porque não há uma conversa séria de como reforçar a segurança nas escolas a fim de evitá-los e sem tirar a liberdade dos alunos. Ou seja, preparem os estômagos, porque novos Realengos, Columbines, Toulouses e Virginia Techs virão nos atormentar diversas e pontuais vezes.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editoras-chefes: Renata Silva Pinto, Suelen Lorianny e Vitória Peluso | Editorial: Gustavo Vaz O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 - Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba - PR. CEP: 81280-30 - Fone: (41) 3317-3044.


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Curitiba,quarta-feira, 04 de abril de 2012

Projeto cria minibibliotecas em 24 penitenciárias do Paraná Presidiários podem ter a pena reduzida através do projeto “Remissão pela Leitura” Amanda Lima Ana Krüger

A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SEJU) recebeu oficialmente, nesta terça-feira (3), doze minibibliotecas referentes ao projeto Remissão pela Leitura que será implantado a partir do mês de maio, segundo o site da SEJU. A ação é resultado do convênio estabelecido entre a secretaria e a Biblioteca Pública do Paraná. De acordo com o diretor da Biblioteca Pública do Paraná, Rogério Pe-

reira, o projeto existe há cerca de 50 anos com o nome de “Caixa Estante”, que seriam as minibibliotecas implantadas anteriormente em instituições como empresas, escolas e hospitais. Porém, essa é a primeira vez que o projeto é levado a penitenciárias. “A caixa-estante é composta por cerca de 80 a 100 livros escolhidos de acordo com o perfil que traçamos dos leitores”, explica Pereira. Segundo o diretor a caixa estante possui um acervo especial na Biblioteca Pública do Paraná, para que os livros que estão nas caixas-estantes sejam pe-

Divulgação/ A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos

riodicamente renovados. Rogério Pereira ressalta que no caso das unidades penais os livros enviados são exclusivamente de ficção, como obras de autores brasileiros e internacio- As 12 minibibliotecas serão entregues às unidades penitenciárias paranaenses nais. “A intenção do pro- à chance de terem suas Serão beneficiadas pela jeto é, além da redução da penas reduzidas, pois a ação doze unidades pepena, dar a oportunidade cada livro e relatório de nais vinculadas à Secretaaos presidiários de terem leitura ou resenha execu- ria da Justiça, Cidadania e o contato com a literatu- tada, avaliada e aprovada Direitos Humanos. Desde ra, dar a oportunidade da por uma comissão, os pe- 2011 o projeto Remissão ressocialização”, relata o nitenciários têm direito a pela Leitura está previsto diretor. três dias de remissão de na Lei de Execuções PeO projeto dá aos presos pena. nais.

Estão abertas as inscrições para o programa Parlamento Jovem Brasileiro 2012 Estudantes devem fazer projetos de leis para apresentar na Câmara dos Deputados Amanda Lima Ana Krüger

apenas para os que não participaram das outras edições e vão até o dia 15 de Junho. O programa que proporA Câmara dos Deputa- ciona aos jovens a vivência dos abriu recentemente as do processo democrático, inscrições para o programa criado por uma pela resoParlamento Jovem Brasi- lução 12/03 na Câmara dos leiro 2012. O processo se- Deputados e regulamentado letivo está disponível para pelo Ato da Mesa n.º 49/04, estudantes do segundo e já está na sua 9ª edição. O terceiro ano do Ensino Mé- objetivo principal é fazer dio de escolas públicas e com que cinco jovens viparticulares. Os alunos de- vam o papel um deputado vem ter entre 16 e 22 anos. federal por cinco dias. As inscrições estão abertas Para participar os estu-

dantes devem apresentar um projeto de lei que aborde um dos temas: Agricultura e Meio Ambiente; Saúde e Segurança Pública; Economia, Emprego e Defesa do Consumidor; Educação, Cultura, Esporte e Turismo. A Secretaria de Estado da Educação (SEED) é responsável pela pré- seleção dos candidatos e os projetos serão encaminhados pelo Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) à Câmara dos Deputa-

dos, em Brasília. Os selecionados irão para Brasília, onde encontrarão os 73 estudantes dos outros estados para apresentar seus projetos, discuti-los e votá-los. Coordenadores estaduais do programa foram designados pela SEED para acompanhar todo o processo. Essa reunião acontece de 24 a 28 de setembro de 2012. Durante o período em Brasília, os participantes terão a oportunidade de co-

nhecer a rotina dos parlamentares brasileiros e experimentar desempenhar suas funções por cinco dias. As propostas de leis feitas pelos jovens estarão, na medida do possível, de acordo com as normas da Câmara dos Deputados. Instruções de como fazer um projeto, discrição do programa e o manual de procedimentos podem ser encontrados no site da Câmara. http://www2.camara. gov.br/


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Comportamento

Curitiba, quarta-feira, 04 de abril de 2012

Pesquisa divulga que jovens estão lendo menos

Média de livros lidos tem maior redução entre jovens de 11 a 13 anos Amanda Lima Ana Krüger

Com o intuito de avaliar os hábitos de leitura dos brasileiros, a fundação Pró-Livro divulgou na última quarta-feira (28) a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”. O estudo tornou-se referência ao ter seus resultados amplamente divulgados e ao impulsionar projetos de políticas públicas de leitura no país. O objetivo central é medir a frequência, motivação e condição de leitura da população brasileira. A pesquisa é a única em âmbito nacional com essa abrangência. Esta já é a terceira vez que o levantamento é feito, com o apoio da ABRELIVROS, CBL e SNEL em Brasília no dia 29 de março de 2012. Foram entrevistas 5.012 pessoas com idade entre 5 e 17 anos no período de 11 de Junho a 3 de Julho de 2011. O número médio de livros lidos por brasileiros de 5 a 17 anos diminuiu, aponta o levantamento. A pesquisa mostra queda geral nos índices em relação aos outros anos e a falta de leitura entre as gerações mais novas. As crianças entre 5 e 10 anos são as que menos cultivam o hábito de leitura: a média de livros lidos por cada criança é de 5,4. Em 2007 esse índice era de 6,9. A

média da faixa etária de 11 a 13 anos passou de 8,5 livros para 6,9. Já os adolescentes apresentaram uma diferença menor entre as médias de um ano para o outro. Em quatro anos a média mudou de 6,6 para 5,9. A fundação revela também que o maior estímulo entre crianças e jovens é a obrigatoriedade de leitura exigida pelas es

Educação do Paraná, afirma que a pouca prática de leitura entre as crianças e os jovens está relacionada com a falta de incentivo dos pais, professores e instituições de ensino. Muitas vezes, os pais não tem tempo ou hábito de ler e as escolas têm professores desmotivados e uma biblioteca com estrutura insuficiente. Há pouco in vestimento em programas

Agência de notícias da prefeitura de Curitiba

colas. O índice varia de 70% a 79% entre as faixas etárias. Já a média de leitura por prazer, gosto ou necessidade espontânea fica entre 40% e 47%. De acordo com os dados levantados, a Bíblia ainda é bastante procurada por crianças e jovens, lida por 24% dos participantes da pesquisa. Monica Bernardes de Castro Schreiber, pedagoga e coordenadora de mídia impressa e web/ portal da Diretoria de Tecnologias Educacionais da Secretaria de Estado da

tratégia para a melhoria do processo ensino e aprendizagem, uma vez que ela desenvolve a capacidade de análise crítica e de síntese dos alunos, como também possibilita a eles ampliar e adquirir novos conhecimentos” diz a pedagoga. Segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros vê o ato de leitura como uma fonte de conhecimento para a vida. O entendimento da leitura como fonte de atualização profissional e como fonte de estudo também é frequente entre as pessoas. No entanto, essa consciência não evita a priorização de outras ativida-

Foto: Fábio Muniz

de leitura na formação inicial e continuada das universidades, assim como nas escolas. Essa falta de motivação resulta em uma percepção negativa por parte das próprias crian ças em relação aos livros e consequentemente no interesse maior por outros meios de comunicação. Os livros, jornais revistas e outros meios complementam o que é aprendido nas instituições de ensino além de estimular a criatividade e a interpretação própria dos fatos. “A leitura é uma importante es-

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tam por assistir televisão nas horas vagas e uma grande parcela da população prefere escutar musica ou rádio, sair com os amigos, ficar com a família e assistir vídeos e filmes a ler. O costume de ler ainda é maior do que o de navegar na internet. No entanto, o número de pessoas que tem esse hábito diminuiu 8%. Já o índice de pessoas que apreciam passar o tempo na internet aumentou 6% em quatro anos. Monica explica que antes a leitura era uma prá-

tica muito utilizada, principalmente por prazer, era a única forma de se obter informação, conhecimento e o estímulo à imaginação. Essa visão da leitura perdeu lugar para outros formatos com o tempo e com as inovações tecnológicas. “A geração pós-moderna, valoriza uma leitura mais dinâmica e atual.” A pedagoga esclarece que essa transformação não tirou o espaço dos livros, e sim criaram outras formas de praticar leitura, formas essas implícitas no dia a dia a sociedade. A família tem uma grande responsabilidade em despertar nas crianças o gosto pela leitura. Portanto, segundo a coordenadora de mídia impressa é fundamental que os pais estimulem e proporcionem momentos das crianças com livros, resvistas, gibis e outros. Cabe aos responsáveis o papel de contadores de história e interpretes para envolver as crianças que ainda não sabem ler nesse universo. Em relação à escola, a pedagoga explica que os professores devem continuar a desenvolver estratégias adequadas e criativas, adequando-as às faixas etárias dos alunos. “Vale destacar ainda que a leitura não é somente responsabilidade da disciplina de Língua Portuguesa, esse compromisso deve ser de todas as áreas de conhecimento.”

LONA 690 - 04/04/2012  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.