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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

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Ano XII - Número 664 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

lona.up.com.br

Greve dos bancários acaba em Curitiba e região ENSAIO FOTOGRÁFICO

Depois de 20 dias e de mais de 11 mil funcionários em greve, as agências bancárias de Curitiba e Região voltaram a funcionar nesta segunda-feira. A greve foi considerada a mais longa dos últimos 20 anos. Entre as conquistas estão o aumento real de 1,5% e a Participação nos Lucros e Resultados, a PLR.

Ações beneficentes e crianças carentes, por Kauana Bechtloff e Priscila Utida. Pág. 8

Pág. 3

Teatro

Boêmia

Literatura

Companhia de Teatro da Universidade Posi- Casa Velha: um dos mais tradicio“Então eu acordo.”, conto de Cletivo apresenta hoje a peça Gota D’Água. Às 9 h nais redutos boêmios de Curitiba verson Antoninho 30 e às 19h30, no Pequeno Auditório Pág, 4 Pág. 5 Pág. 3

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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

Editorial

Esta edição de terça-feira que você tem em mãos demarca a última semana de publicação contínua do Lona neste ano. É cedo para retrospectivas, reavaliações e projeções, entretanto algumas considerações já podem ser feitas sobre essa temporada do Lona. Primeiramente, a consolidação do ombudsmanato foi, certamente, nosso maior mérito. Foram, até agora, oito avaliações feitas por professores do curso de Jornalismo em prol de uma didática mais ampla e levantamento de erros mais profundos - nós, como editores, sabemos que deixamos de ser muitas vezes de reconhecer nossos erros, assim como acontece na maioria das redações -. O ombudsman (em tempo: não existe correspondente da palavra para o feminino) é a certeza de que o Jornalismo deve receber permanentemente o crivo externo, geralmente apontando para o que não está dando certo - ombudsman para a torcida não nos serve de nada. Naturalmente, algumas críticas que recebemos foram mais difíceis de serem digeridas, tanto por sabermos de nossas limitações estruturais, quanto pelas dificuldades de impor um olhar sobre assuntos complexos, como conjunções econômicas e greve gerais. O jornalismo diário não permite elucubrações. Em outros casos, reconhecemos alguns delitos, principalmente no acabamento do jornal e em sutilezas que, se não nocauteiam o leitor, o leva, por pontos, para fora do jornal. Há também a urgência de uma análise profunda do papel do jornalismo impresso dentro do contexto universitário. Tivemos momentos em que nossas páginas serviram para o debate, para o contraditório e para a discussão de temas urgentes de nosso cotidiano. Entretanto, fica a impressão de que o impresso está deslocado da realidade do estudante, como se fosse um museu ambulante. Mas isso é para um próximo editorial. Boa leitura a todos.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Daniel Zanella, Laura Beal Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Ombudsman

O Jornalismo está nos detalhes Rosiane Freitas, jornalista e professora universitária

A possibilidade de ganhar a vida escrevendo é uma das características do jornalismo que mais atrai novos profissionais, diz a observação empírica. Há um quê de romântico nessa ideia de produzir textos, de escrever histórias. No entanto, escrever é uma parte bastante pequena do ofício do jornalista. É só o coroamento de um trabalho muito maior: o de apurar, de entender e de tentar fazer com que o leitor entenda você. As edições do Lona dos últimos dias ilustram um pouco essa realidade: a dos estudantes muito mais apaixonados pela escrita que pela apuração. Na edição do dia 10 de outubro, inteiramente dedicada à literatura, a equipe do período mostrou o seu melhor. Textos bem acabados, ilustrações que casaram perfeitamente com o conteúdo, atenção a detalhes. Foi prazeroso ler. Porém cabe a mim, como ombudsman, no entanto, chamá-los à realidade. Muito embora o jornalismo literário seja atraente, o exercício dele no dia a dia da redação é bastante complexo e tende a virar uma luta permanente entre a forma e a veracidade. Não é que, entendam, exista uma divergência entre jornalismo literário e jornalismo diário. Bons jornalistas se adaptam ao tipo de texto que for necessário escrever. Mas é mais fácil escrever bem com uma boa apuração em mãos. Qualquer tipo de redação que abra mão da coleta e análise de informações é, bem, qualquer coisa

menos jornalismo. Eu, como fã que sou do jornalismo diário, me preocupo com coisas mais mundanas: quando vejo num texto que Rafinha Bastos “diz ainda não ter recebido nenhuma notificação”, fico pensando: disse para quem? Conseguimos essa entrevista exclusiva com o humorista em meio à polêmica? Se conseguimos,por que não apontamos isso no texto? Se há “inúmeras pesquisas que demonstram que o preconceito contra a mulher negra é forte e presente” quero saber: que pesquisas são essas? Pode parecer bobagem implicar com detalhes tão pequenos, não é mesmo? Mas são esses detalhes, esse apego a precisão que separa os bons jornalistas daqueles que jamais vão entender porque o editor nunca os escolhe para as melhores pautas. Editor gosta de quem apura com cuidado. Porque problema de texto dá para resolver na edição, mas se o erro está na apuração é difícil de salvar a matéria no calor do fechamento. Em tempo: parabéns à equipe pelas edições temáticas. Acho a ideia uma forma excelente de trabalhar a produção de conteúdo de forma aprofundada. É impressionante notar o quanto a equipe do Lona ganhou em maturidade e capacidade de edição nos últimos meses. A qualidade do trabalho realizado nesse segundo semestre é visivelmente superior a do início do ano. Continuem com o bom trabalho.


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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

Agências reabrem após 20 dias de paralisação A greve dos bancários terminou e as agências reabriram nesta segunda-feira Sindicato dos Bancários de Curitiba

Laura Beal Bordin

Após assembleia no último domingo (16), os bancários de Curitiba e Região Metropolitana resolveram acabar com a greve e retornar ao trabalho. Mais de 700 trabalhadores estiveram presentes e optaram pelo fim da paralisação, a mais longa dos últimos 20 anos. Na sexta-feira, último dia útil da paralisação, 310 agências continuavam fechadas. Ao todo, 468 agências bancárias e mais de 11 mil funcionários voltaram a trabalhar em Curitiba e região. O fim da greve foi decidido após o acordo dos trabalhadores com a Fenaban, Federação Nacional dos Bancos, e é o mesmo para toda a categoria. Os bancários vão receber 9% de aumento, sendo 1,5% o aumento real – ou seja, corrigindo a inflação em

um ano de perda de poder aquisitivo. A categoria reivindicava pouco mais de 12% de aumento salarial. Durante as reivindicações, os bancários pediam equiparação salarial entre os cargos, o que não aconteceu. Os salários continuam variando conforme o cargo, sendo R$1900 para caixa, R$ 1400 para escriturários e R$ 970 para os funcionários da portaria. Uma reivindicação feita pelos trabalhadores e atendida pela Fenaban foi uma PLR, Participação nos Lucros e Resultados. Com o acordo, os bancários receberão 90% do salário, além de uma parcela de R$ 1400. Outro benefício será a divisão de 2% dos lucros líquidos do banco entre os funcionários. Os dias não trabalhados durante a greve não serão descontados, mas deverão ser compensados pelos

Assembleia de domingo à tarde decidiu pelo repasse de 9%. Aumento real, corrigida a inflação, foi de 1,5%

bancários. Em Curitiba, os bancários decidiram pelo fim da greve ainda no domingo, diferentemente dos outros trabalhadores do país, que voltam aos trabalhos nessa terça-feira e deverão compensar mais

um dia de trabalho. Essa compensação será feita todos os dias, por no máximo duas horas extras de trabalho até o dia 15 de dezembro. Caso a greve não tivesse terminado, o Superior

Tribunal do Trabalho julgaria a volta dos bancários ao trabalho, como aconteceu no caso dos correios. As atividades bancárias devem estar normalizadas até às 11 horas desta terçafeira em todo o país.

Tragédia brasileira em cartaz na UP Daniel Zanella

Nesta terça-feira, às 9h30 e às 19h30, a Companhia de Teatro da Universidade Positivo encena a peça Gota D’Àgua, baseada na obra homônima de Chico Buarque de Holanda e Paulo Pontes, escrita em 1975. A obra original, por sua vez, é

derivada de um trabalho de Oduvaldo Viana Filho, que adaptara a tragédia grega Medeia, de Eurípedes, para a televisão. Gota D’Água é uma tragédia urbana, ambientada no Rio de Janeiro. Os cenários e cenas transitam entre lavadeiras, oficinas e botequins. A peça retrata o drama vivido por Joana, la-

vadeira, abandonada por Jasão, seu marido, que após compor um samba de sucesso (Gota D’Água), larga da mulher para casar-se com Alma, filha do rico empresário artístico Creonte. O espetáculo conta com músicas compostas por Chico Buarque. A peça é resultante de três meses de ensaio

da Companhia e fecha o ciclo de estudos de tragédias gregas, iniciadas com Antígona, Édipo Rei e Medeia. Para Marília Ferreira, diretora da Companhia, Gota D’Àgua é um desafio conceitual e traz o universo das grandes tragédias gregas para dentro do cotidiano do brasileiro. “Chico Buarque e Paulo Pontes

buscaram descer a tragédia do olimpo e colocá-la dentro de nossas casas. É um texto instigante e muito atual”, completa Ferreira. Serviço: Peça Gota D’Àgua, Companhia de Teatro da UP. 1° horário: 9h30. 2° horário: 19h30, no Pequeno Auditório Entrada gratuita.


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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

Pessoas que sofrem acidentes em ônibus de Curitiba têm direito a indenização Priscila Utida

Muitas pessoas não sabem, mas os usuários do sistema de transporte coletivo da rede integrada de Curitiba possuem seguro contra os acidentes que venham a sofrer dentro dos ônibus. Pouco divulgado na mídia, o SEGBUS é um seguro contra acidentes pessoais, que pode ser acionado por qualquer passageiro que estiver dentro de ônibus, terminais fechados e estações-tubo. O seguro é utilizado em Curitiba desde novembro de 2010, porém poucos passageiros já utilizaram o serviço, e grande parte da população curitibana desconhece a existência do SEGBUS. O seguro faz a cobertura de qualquer tipo acidente relacionado ao transporte

coletivo e tem como objetivo indenizar as pessoas prejudicadas. São considerados como acidentes os que não tenham hora prevista, sejam causados de forma voluntária e tenham como consequência o falecimento do segurado, sua invalidez total ou parcial. Roger de Almeida, de 26 anos, utiliza com frequência o transporte coletivo e não sabia da existência do seguro: “Nunca ninguém me disse que existia esse seguro. Já vi acontecerem alguns acidentes em que as pessoas ficaram realmente feridas e não foi comentado sobre o assunto”, diz ele. O estudante de enfermagem Ricardo Gonçalves Pereira, também desconhece o seguro: “Uma coisa como essa deveria ser mais divulgada na sociedade, milhares de pessoas utilizam o transporte público e não conhecem nenhum tipo de

Diego Silva

seguro”, para ele muitos acidentes que ocorrem no trânsito poderiam ter um socorro mais imediato: “O telefone de contato com a empresa poderia ser divulgado nos próprios ônibus, juntamente com um resu-

mo do seguro, assim toda a população teria acesso a essas informações, e quando um acidente acontecesse dentro do ônibus, as pessoas saberiam qual o número que deveriam ligar”. Segundo informações

do SEGBUS, todo o passageiro que estiver dentro dos locais que possuem coberturas do seguro, está no direito de acioná-lo quando necessário, inclusive os usuários não-pagantes (idosos e pessoas especiais).

Asilo atende idosos da cidade há 85 anos Rayssa Baú

Rosa Maria Góes nasceu em Pirapozinho, interior de São Paulo. Construiu uma parte de sua vida lá e casou-se. Rosa não teve filhos e se divorciou cedo. Ficou mais um tempo em São Paulo até sentir-se sozinha e com necessidade de ajuda. Mudou-se então para Curitiba e se instalou em um Centro de Mendicância, que hoje foi reformado e deu lugar ao Asilo São Vicente de Paulo. Hoje, aos 65 anos, Rosa é residente do Asilo e diz que adora o local. “Ter essa casa é uma bênção de Deus. Sei que aqui tenho tudo o que preciso”. Ela é uma das poucas pessoas que conhece bem a casa, já já que queestá estáhá hámais maisdede

30 anos lá. A casa é grande o suficiente para atender cerca de 150 idosos por dia. Esse número equivale às 128 moradoras, exclusivamente mulheres com a idade mínima de 60 anos, e aos idosos de ambos os sexos que moram com suas famílias e vêm ao asilo passar o dia, no chamado Centro Dia. O Asilo é administrado pela ASP (Ação Social do Paraná), instituição católica ligada à Arquidiocese de Curitiba, não governamental e sem fins lucrativos. Os idosos, em sua maioria, são encaminhados pela FAS (Fundação de Ação Social), órgão responsável pela Política Municipal de Assistência Social em Curitiba, que auxilia pessoas em condições de vulnerabilidade. Já outros menos necessita-

dos podem ser encaminhados ao asilo por membros de suas famílias ou por sua própria iniciativa. Segundo a recepcionista do asilo Márcia Cristina da Silva, é comum ver os familiares buscar assistência para seus pais ou avós no asilo. “Quando a família é grande, os filhos ainda conseguem se revezar para cuidar dos mais velhos. Mas hoje em dia as famílias estão menores e não conseguem dar a atenção suficiente que eles necessitam por conta de seus trabalhos e afazeres.” Para manter o asilo há a participação do estado do Paraná, da prefeitura de Curitiba e, não menos importante, das doações. Para a assistente social do asilo Suely Nascimento, a participação da população tem sido muito positiva.

“Estamos sempre recebendo utensílios domésticos e móveis para colocarmos a venda no bazar, além de roupas e cobertores destinados diretamente a elas”. Além desses objetos, o asilo necessita sempre de doações de materiais de higiene pessoal, que, segundo Suely, poucas pessoas levam ao asilo. Para dar atenção a todas as moradoras, o asilo tem cerca de 120 funcionários e profissionais separados nas três alas divididas do asilo (São Vicente, São José e Flores), conforme a condição física e mental de cada uma das mulheres. No dia a dia, as idosas contam com várias atividades artesanais e físicas, como: costuras, caminhadas e passeios, além de aulas de fisioterapia, pedagogia e musicoterapia.

Não existe um tempo de permanência máxima no asilo: as moradoras ficam à vontade, o tempo que for preciso. As mulheres que possuem familiares podem sair com eles frequentemente e também podem voltar a residir com eles a qualquer momento. Tudo depende da aceitação da família. No entanto, de acordo com a assistente social, a maioria das residentes não tem família, ou então possui, mas não recebe visitas nem notícias deles. Toda a comunidade que deseja visitar as moradoras ou fazer doações ao Asilo São Vicente de Paulo deve marcar horário. O atendimento acontece diariamente (inclusive finais de semana e feriados) das 09h às 11h e das 14h às 17horas pelo telefone (41) 3313-5353.


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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

No coração etílico da cidade Casa Velha: um dos mais tradicionais redutos boêmios da cidade, desde 1926 Divulgação

Daniel Zanella

O tradicional bairro Abranches, na região norte de Curitiba, de forte imigração polonesa e guarida da Ópera de Arame e da Pedreira Paulo Leminski – que atualmente está eternamente em reformas – fica a dez minutos de carro do centro de Curitiba. É neste bairro de traços coloniais marcantes que se localiza o Casa Velha, reduto boêmio da região. Situado na esquina da Rua Mateus Leme com o cemitério do bairro – em frente há uma imponente e um tanto torta caixa d’água – o bar é reconhecido por publicações nacionais como o melhor boteco da cidade. E neste sábado de temperatura rasgante e facilmente abaixo dos dez graus, o bar transmite em uma considerável tevê de plasma a partida entre Avaí e Atlético Mineiro, válida pelo Campeonato Brasileiro. Jogo duro de assistir. [Embaixo da televisão, uma banda de rock canta antigos sucessos e executa uma peculiar versão de “Que País É Esse?”. Não há cobrança de couvert.] O Casa Velha abre suas portas de segunda a sábado desde 1926. É o bar mais antigo da região. Fernando Mikosz, o atual proprietário, toca o boteco há vinte anos. Importante: o antigo dono mora na casa ao lado e ainda frequenta o estabelecimento. Mikosz é um quase senhor, de um certo ar peninsular, calça azul clara larga, camisa bege de manga curta, firme diante do vento que encana

Cerca de 200 pessoas foram ao centro de Curitiba protestar contra a corrupção

Fernando Mikosz toca o bar há vinte anos. Bebe de vez em quando com os clientes

embaixo do toldo. Seus cabelos antigamente compridos (alguns resistentes) não contrastam com um certo trejeito de boêmio observador. Não nega a afeição por um bom trago. “Meus clientes são de tempo, sabe. Chegam aqui depois do trabalho, do futebol, antes de saírem pra balada. Tomo uma com eles. Mas de vez em quando”, diz. O bar resguarda traços firmes de outras épocas. As paredes são decoradas com quadros antigos, a pintura parece propositalmente desgastada, evocando algo de ancestral, e algumas pratelei-

ras abrigam uma variedade atordoante de penduricalhos fora de série. O uniforme do Combate Barreirinha, um dos clubes amadores mais populares de Curitiba, recebe uma parede especial, emoldurada, homenageando conquista histórica do time nos anos 80. A cerveja do bar é barata e bem gelada, as porções são bem acessíveis e incrementadas com doses significantes de óleo de cozinha – porções excelentes – e o público que frequenta o local pode receber tranquilamente a alcunha (não pejorativa) de diversificado. São jovens atentos à

rodada de futebol, senhores jogando baralho, mesas com pais, mães e filhos de colo, mulheres de batons exagerados e gente de copo na mão cantando com ardor e paixão, como o homem de camiseta social azul, três botões abertos, menos dois dentes, que não esconde a devoção pela canção “A Sua Maneira’. “Ai, ai, ai... Adoro essa música!” Meus amigos de mais de eras e degelos sentam nas cadeiras que dão de frente para o cemitério e observam um grupo de meninas de saias justíssimas dançando funk ou algo semelhante. Relem-

bram histórias folclóricas da região, como a Loira do Abranches, fantasma que embarca em táxis e coletivos à procura de seu grande amor perdido. Fernando Mikosz alega que muitos clientes juram por tudo o que é de mais sagrado que o personagem é real. Certamente. Mikosz precisa ir, o bar está cheio e estão chamando no balcão. Antes de ir, ele informa que toda primeira segunda-feira do mês tem o Clube do Vinil e costela assada. Chegam mais duas cervejas. Bom trabalho, Mikosz.


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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

Suelen Lorianny

Luciana dos Santos

@sulorianny

@luciawinchester

Cursa o 6° período da manhã e publica seus textos no endereço revolucaonopalco.wordpress.com

MOVIMENTO ESTUDANTIL

TELEVISÃO

Engajamento particular “Uma universidade privada não precisa de movimento estudantil” – já ouvi essa frase várias vezes. Baderna é coisa de quem não tem o que fazer, também é outra afirmação constante vinda dessas pessoas que dizem pagar a mensalidade (não sei para você, mas para mim é um valor alto, caro, absurdo!) para estudar e só. Mas ao contrário do que dizem, o Movimento Estudantil (ME) tem realizado e conquistado grandes feitos dentro das instituições. Não desmereço toda a estrutura e qualidade de ensino que temos ao pagar uma taxa mensal. Mas assim como a moradia, saúde e lazer, a educação também é um direito de todo o cidadão. Temos diversas questões internas e externas ao campo universitário para lutar e uma delas é o valor que pagamos por algo que é parte do nosso direito. Poderia citar muitos motivos para lutarmos, mas fica para outro dia. O primeiro passo para a mobilização acontecer não é insistir aos alunos que façam movimento estudantil. É preciso que haja reconhecimento do próprio estudante sobre a importância de uma representação acadêmica. O engajamento acontece por uma escolha e é seguido por

Curso 4° período da manhã e publica seus textos no endereço spnhunter.blogspot.com

atitudes. Nos dias 10 e 11 de outubro eu participei de dois encontros realizados pelo curso de direito da Universidade Positivo. No total, dez ex-alunos do curso de direito de diversas instituições, hoje profissionais da área, testemunharam suas vivências no movimento estudantil como incentivo a participação. Foram depoimentos engraçados, emocionantes e que pôde motivar os estudantes. O curso de direito está em processo eleitoral da nova direção do Centro Acadêmico de Direito da Universidade Positivo (CADUP). Quatro chapas estão disputando a vaga e fazendo tremer os corredores do bloco bege. Fiquei muito feliz ao ver cada chapa defendendo suas propostas ou não-propostas. É importante perceber que a instituição é feita por nós, alunos, e por isso temos razões de sobra para buscar melhorias necessárias. Não importa se é particular e podemos mudar para outra universidade se não estamos satisfeitos aqui, o que importa é que somos estudantes em qualquer uma delas. Daqui a alguns anos, quando eu falar do movimento estudantil também quero me emocionar e lembrar das conquistas que eu vivenciei. Hoje eu já tenho certeza de que vale a pena.

A Terra Prometida Divulgação

Em 26 de setembro estreou pela Fox “Terra Nova”, uma das séries mais aguardadas dos últimos tempos, com produção executiva de ninguém mais, ninguém menos que Steven Spielberg. A trama de Terra Nova é simples. Num futuro onde a Terra está completamente devastada e sem nenhuma possibilidade de salvação, cientistas descobrem um modo de viajar 85 milhões de anos no tempo. Sim, Terra Nova tem elementos que podem fazer qualquer série dar certo: viagem no tempo e dinossauros! Mas não se engane com o nome de Spielberg na produção. Terra Nova não tem nem de longe a qualidade dos longas do diretor. Na verdade, Terra Nova desponta como a grande decepção dessa temporada. A trama central de Terra Nova gira em torno da família Shannon, do ano de 2149, que consegue passe para a colônia Terra Nova, localizada ao norte e alguns milhões de anos no passado. Temos Jim, o pai, policial, que acaba indo parar em Terra Nova de maneira ilegal, mas como ele é o herói, ele chega conquistando todos na terra dos dinossauros. Elisabeth é a mãe da família, cientista, e é graças a ela que a família consegue passe para a colônia. Te-

mos também Josh, adolescente rebelde cujo único propósito é chorar pela namorada deixada no futuro. Zoe é a criancinha engraçadinha que não poderia faltar e Maddy é a sabe-tudo insuportável posta lá pura e simplesmente para murmurar coisas que pareçam ter fundamento científico e que pareçam fazer sentido para o espectador. Outro personagem que se destaca é o Comandante Taylor, personagem que parece ter saído diretamente de um filme da Sessão da Tarde. Mas nem só de pessoas é feita Terra Nova. Os dinossauros, que tinha tudo para ser a grande atração da série, acabam se tornando outro ponto irritante. Eles atacam pura e simplesmente por que não foram com a cara dos seres humanos, e não por que estão com fome ou assustados. Por que os pobres animais provavelmente não têm nada pra fazer da vida além de atacar seres humanos... Terra Nova decepcionou como estréia? Sim. Então por que devemos acompanhá-la? É uma série que ainda tem um grande potencial para melhorar. Ela tem 13 episódios previstos para a primeira temporada, um orçamento milionário e não se esqueça: viagem no tempo e dinossauros!


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Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

LITERATURA Estou em uma maca, há um silêncio pairando no ar. Silêncio interrompido pelo barulho de solas de borracha das sapatilhas andando pelos corredores. Não sei porque estou ali, na verdade só sinto meu nariz escorrendo e ardendo, e como complemento uma forte dor de cabeça. Com a cabeça explodindo puxo o catarro sinto ele percorrendo a minha garganta, me coloco sentado na maca, impulsiono meu corpo para frente e jogo a bola verde com detalhes vermelhos pra fora de mim. Catarro e sangue, paredes brancas, silêncio. Estas coisas me deixam confuso. Tento me lembrar de algo, mas não consigo. Entra um homem vestido de branco, provavelmente um médico. E sorrindo me cumprimenta dizendo que finalmente acordei. Pergunto a quanto tempo estou ali e ele me diz que já fazem dois dias. Pergunto o porque de eu estar ali e ele me responde que sempre é assim, as pessoas bloqueiam essas coisas. Eu dou uma tossida que atinge o jaleco deste homem, o jaleco é branco e agora tem resquícios vermelhos. Uma borrifada de sangue em um momento inapropriado, não que exista motivo apropriado para este tipo de coisas. O homem sorri. A minha cabeça dói e ele começa a me perguntar o por que eu fiz aquilo, eu digo que não sei do que ele está falando. “Seu maluco, pare de fingir, será melhor pra você. “ Ele diz isto calmamente. Eu digo que realmente não lembro, então ele começa a me contar que no Amazonas os índios tem um modo genuíno de caçar tubarões. Eles vão de canoa pro mar e então fazem uma fogueira no meio dela, basta colocar uma chapa de ferro embaixo da fogueira e ela não queimará a canoa. Eles pegam um caldeirão e deixam fervendo um tal de girimum. Ele pergunta se eu sei o que é uma abóbora, se eu lembro o que é uma abóbora. Eu balanço a cabeça afirmativamente. O girimum é tipo uma abóbora só que menor. Ele diz que eles deixam este girimum fervendo em caldeirãozinho e então penduram um pedaço de carne na ponta de uma vara e balançam ela perto da superfície, de modo que os tubarões subam. O tubarão quer carne. Ao ver o tubarão eles retiram o girimum do caldeirão, e o lançam no ar, ele me conta que chega a ser bonito ver o tubarão saltando fora da água e engolindo o girimum de uma só vez. E quando ele bate na água simplesmente afunda por questão de dois segundos e boia morto. Ele me diz que isto se chama estuporação, o girimum está fervendo e ao ir direto para o estômago do tubarão e ter contato com a água gelada ele causa uma espécie de choque térmico instantâneo. Morte instantânea. Não entendi o porque da história, mas estes índios são muito espertos. O homem de branco tem um sorriso no rosto, e me diz que tudo vai ficar bem, ele leva a mão ao bolso e me traz a foto de uma mulher

E então eu acordo.

Por Cleverson Antoninho Diego Henrique da Silva

com o rosto deformado. A minha mulher. É incrível como uma foto lhe traz a memória, lembro-me de chegar em casa e minha mulher sorrindo dizer que hoje tinha uma surpresa pra mim, eu a beijo, toco sua cintura, cresço um volume em minha calça, passo a minha mão nos cabelos dela, dou duas voltas de cabelo dela em minhas mãos, e levo o seu rosto duas vezes seguidas de encontro ao meu joelho. Duas vezes. Desenrolo o cabelo dela das minhas mãos, não bati forte, ela tinha que ficar consciente pra ver o resto. A minha filhinha de nove anos está imóvel e parada na divisória da sala pra cozinha. Eu sorrio pra ela, sorrir é algo bom. Sempre. Vou até ela e digo que tudo vai ficar bem, que a amo e que vou sentir saudades. Eu amo minha mulher e minha filha, sou mais um destes caras que viajam por ai a mando de suas companhias, e tenho destas famílias de comercial de manteiga. Sabe aquela família que tem uma filha, dois filhos no máximo? É a manteiga determinando sua família. Uma mulher sorridente, um homem de barba feita e vestido com uma camiseta sport, um portão de casa baixo, como se não existissem ladrões nos comerciais de manteiga. Tá não existem. E é claro, pra finalizar um lindo gramado e um cão labrador. Não sei porque, mas o labrador sempre aparece no ideal da família manteiga. Não pode ser outro cachorro. Eu estava em mais uma das inúmeras viagens da minha empresa, não queria trair minha mu-

lher e depois de três semanas em abstinência você precisa bater uma punheta. Virou moda, as empresas constataram que esta vida de hotel estressa e diminuí a produtividade dos funcionários, então agora é moda que você fique na casa de um dos inúmeros funcionários da empresa multinacional para a qual você trabalha. Será uma família, uma rotina de família, só que não a sua. Só pra você não ficar na monotonia. Você atuando em um comercial de manteiga. Só que sem comer a patroa. Resumindo, fique em uma casa de família e diga adeus ao canal de sacanagem, diga adeus a andar peladão pelo seu quarto de hotel depois de fumar uma maconha ou encher o cu de cerveja, diga adeus as partes boas das viagens. Se você não é um homem fiel, diga adeus a possibilidade de junto com as viagens pela empresa você fazer o chamado turismo sexual. Você chega no hotel e junto com o catálogo de bebidas vêm outro catálogo. O de carnes. E se você é um homem fiel esqueça o canal de sacanagens que lhe proporcionava a purificação. Você acorda na casa de família e depois de mais uma visita de trabalho você passa em uma videoteca e compra um filme de sacanagem. O título é “anal é o que há”. Sua mulher não curte muito isto, e então você compra este filme mesmo, pelo menos na punheta você precisa inovar. Você chega no seu quarto, o da sua “família”. Coloca o filme pra rodar, e a abertura do filme é uma citação. Outro dia vi um filme de guerra que tinha uma citação bem assim:

“Quando morrer sei que vou direto pro paraíso, pois vivi o inferno na Terra.” Soldado Anônimo. Neste filme que estou prestes a ver tem uma bem assim: “A diferença entre cagar e dar o cu é meramente vetorial” e em vez de crédito pela frase tem duas setas. Uma pra esquerda e outra pra direita. Depois da citação começa o filme, e por Deus, é a sua mulher ali. Pode acreditar. É a porra da sua mulher. Ela de quadro e outro cara enrabando ela, ela geme como nunca gemeu com você, e você sabe que ela te traiu, você come ela desde que ela tinha 15 anos. E neste momento você a odeia. A paixão pode atingir dois extremos, o amor ou o ódio. Você sai do quarto da sua família e se dirige até o aeroporto, não tem passagem. Você fica doze horas sentado imóvel em um banco de aeroporto esperando pelo próximo voo. No caminho você reza para que o avião pare de funcionar, caia e todo mundo morra. Tudo. Você quer que tudo acabe. O cara do hospital me contou que os condenados por espancamento não vão mais presos, eles sofrem como cobaia para testes de armas biológicas. Ele me conta que a temperatura do corpo é de aproximadamente 36 graus celcius e que eles criaram um novo vírus, que quando a pessoa contrai, ela vai atingir uma temperatura interna de 100 graus e sentirá um frio externo de mais ou menos uns 10 graus abaixo de zero. É mais ou menos o que acontece com o tubarão só que ela dura exatas seis horas de tortura para o individuo. A única possibilidade de erro é a pessoa se matar na primeira uma hora

quando a temperatura já atinge o seu nível para o dilaceramento. Os primeiros trinta minutos são marcados por cuspes ou catarros com sangue. Ele me pede que se possível ele gostaria que eu não tentasse me matar pois de nada iria adiantar, eles criaram uma sala toda revestida de espuma. Merda nem tinha reparado, mas sim tudo em volta de mim é espuma. E ele finaliza dizendo que seria muito grato se eu descrevesse a dor. Isso ajudaria na parte comercial, ajudaria a vender mais. Teria um tipo de recomendação “se você realmente quer foder com uma pessoa compre esta merda.” As pessoas gostam de saber antecipadamente o quanto farão as outras sofrerem. O que me deixa puto é que ele não sabe o porque eu fiz aquilo. Ele não sabe que eu amava minha mulher e a perdoei ao bater nela. Ele não sabe que eu matei minha filha sem querer, quando você vai abraçar uma menininha linda de 3 anos de idade sabendo que é a última vez, tome cuidado. Não abrace muito forte, ou você poderá sentir o pescoço dela se desfalecendo entre os seus braços. Eu gostaria mesmo que ela tivesse dito pra eu parar, que estava apertando ela ou algo assim. Mas tudo aconteceu tão rápido, acho que ela ficou sem ar, acho que comprimi a corda vocal dela e ela não pode falar. Acho tanta coisa. Minha mulher com o rosto desfigurado apenas olhava pra mim e acho que também não podia falar que eu estava quebrando o pescoço da nossa filhinha. Ela só chorava. Acho que desmaiei quando vi que minha filha estava morta. Agora nada mais faz diferença. Quando nada mais faz diferença, acerte um murro na cara do homem de branco. Vai te fazer sentir bem. Quando você lembra de outro homem nu em cima da tua mulher, acerte outro soco. O vermelho do sangue as vezes funciona como terapia. O irracional, o animalesco que há em você. Isso faz bem. Se o homem de branco te chamar de louco, diga cale a boca você não sabe de nada e aperte o pescoço dele com uma única mão, erga ele e o jogue pra cima e quando ele cair no chão acerte um chute bem em sua costela. Se você tiver sorte você vai ouvir a costela quebrando. Isso é melhor do que qualquer consulta psicológica ou psicanalítica. E se vierem as pessoas da segurança tentando te parar, se você tem só mais cinco horas de vida. Arranque um dos olhos do homem sangrando que está abaixo do seu joelho que pressiona a barriga dele ao chão enquanto você fica em um angulo favorável para lhe esmurrar a cara. Arranque o olho dele com os dedos que você usa pra fazer paz e amor. Mastigue o olho na frente dos outros caras e ria. Gargalhe. É, solte uma gargalhada. Diga que tá pouco se fodendo pra tudo e grite que quer ver eles te pegarem. Todos eles ficarão imóveis diante de tal cena. E então eu acordo.


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ENSAIO FOTOGRÁFICO

Curitiba, terça-feira, 18 de outubro de 2011

ABRASEL Por Kauana Bechtloff e Priscila Utida A ABRASEL do Paraná (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) promove anualmente a Semana Solidária da Criança em parceria com o IPCC (Instituto Pró-Cidadania de Curitiba) e com a FAS (Fundação de Ação Social). A ação beneficia mais de sete mil meninos e meninas carentes do Paraná. O objetivo do projeto é dar uma oportunidade para que os jovens conheçam gratuitamente alguns dos principais empreendimentos gastronômicos do Estado. São oferecidos café da manhã, estúdio de pintura e escultura em balões. Ao final do evento, cada criança ganhou um brinquedo.

LONA 664- 18/10/2011  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO

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