Page 1

O

ún

ico

D

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

jo

@jornallona

r do IÁ nalBr R lab as IO or il at

redacaolona@gmail.com

ór

Ano XII - Número 659 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

lona.up.com.br

Steve Jobs: o fim de uma era e o seu legado ENSAIO FOTOGRÁFICO

A reforma agrária é bem mais do que um pedaço de terra. A cidade de Florestópolis é um exemplo de que a agricultura familiar pode dar certo. Pág. 8

A morte de Steve Jobs simboliza muito mais do que a perda de um bemsucedido empresário do ramo das comunicações. Jobs é o maior ícone da revolução digital. A sua marca pessoal jamais se descolou de sua empresa - a Apple - e seus produtos modificaram a forma de se comunicar de seus clientes e criaram uma espécie de culto ao criador. Steve Jobs foi a representação de um novo tempo e de suas transformações profundas. Um gênio e visionário tecnológico de seu tempo. Pág. 3

io


2

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

Editorial A morte do jornalismo impresso foi precisamente decretada pelo diretor geral da Agência de Propriedade Intelectual da ONU, Francis Gurry, ao jornal suíço – impresso – La Tribune de Geneve. Ele afirmou que as versões digitais dos periódicos irão substituir as versões impressas até 2040. “É uma evolução. Não há nada de bom ou de ruim nisto”. Ora. A previsão de Francis para os Estados Unidos é mais precoce. Para ele, em 2017 as gráficas irão parar e os jornais acabarão completamente, argumentando, de modo peculiar, que já que existem mais cópias digitais do que exemplares impressos no país. Gurry não é o primeiro, sequer o último oráculo do fim do impresso. Roger F. Filder, ex-diretor de projetos da Knight-Ridder, empresa de mídia norte-americana, disse que o jornal acabaria em 2005. O The New York Times, considerado o maior jornal do mundo, admitiu em 2007 que em cinco anos a publicação deixará de ser impressa e passará unicamente a ser produzida pela internet. No Brasil, o principal indício do fim do impresso foi o fechamento do Jornal do Brasil, elefante falido desde tempos. No Paraná, o Estado do Paraná, fac-símile da Tribuna do Paraná, também fechou e atualmente publica conteúdo virtual. É impreciso acreditarmos que uma plataforma capaz de permanecer a informação irá acabar como que por decreto. O cotidiano de uma redação de impresso, sim, deverá se modernizar e adequar-se ao espírito de seu tempo. Nenhum meio de comunicação soterra outro. Uma boa leitura a todos.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Daniel Zanella, Laura Beal Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Opinião

A reabertura da Pedreira Paulo Leminski aumentaria o número e a qualidade dos shows de música em Curitiba?

NÃO

A culpa não é da Pedreira Matheus Chequim

A Pedreira Paulo Leminski, lendário espaço para shows de Curitiba, encontra-se fechada desde agosto de 2008. O local, que já recebeu shows que vão de Paul McCartney ao tenor José Carreras, foi interditado após uma ação civil pública acatar o pedido de alguns moradores da região que alegaram ter prejuízos com os eventos realizados no local. De lá pra cá, algumas campanhas a favor da reabertura da Pedreira Paulo Leminski surgiram por aí. Mais relevante é a comandada pelo vereador Jonny Stica (PT), que tem feito alguns protestos e recolhido assinaturas de gente que quer ver o espaço aberto para shows de novo. Política e desconfiança são conceitos difíceis de separar na cabeça do cidadão brasileiro, mas apesar de ter feito seu nome em cima da campanha, há de se reconhecer o valor da mobilização realizada pelo vereador Stica. O curitibano, como povo que gosta de música (e de reclamar também), não está satisfeito com a situação. Toda vez que Curitiba fica de fora do roteiro de uma grande atração musical internacional que vem ao Brasil, as mídias sociais ficam lotadas de resmungos sobre a situação da Pedreira. A manifestação em geral não vai muito além disso, mas fale da exclusão de Curitiba na turnê de algum artista re-

nomado que ele se mostrará imediatamente insatisfeito com a situação. Jogar toda a culpa sobre a interdição da Pedreira é fechar os olhos para uma situação maior. Transferir a responsabilidade para a centena de moradores que conseguiram, por meio da ação, fechar o local tem sido um ato de comodismo das produtoras musicais e culturais que não tem investido e apostado em atrações arrojadas. Há de se lembrar que antes do fechamento da Pedreira em 2008 Curitiba era quase sempre ignorada dos grandes espetáculos de música pop que passavam pelo Brasil. Grandes bandas como o U2 ou os Red Hot Chili Peppers, que já fizeram mais de 3 turnês no país, nunca pisaram na terra de Leminski. A última grande banda de rock que tocou na Pedreira Paulo Leminski foi o Pearl Jam, em 2005. É interessante ressaltar que em sua primeira turnê desde aquele ano, o Pearl Jam tem show marcado em Curitiba para novembro deste ano, independente da interdição da Pedreira. O show desta vez acontecerá no Estádio Durival de Britto, a Vila Capanema. Em janeiro deste ano a cantora Amy Winehouse passou pelo Brasil na excursão que se tornaria ainda mais importante por ser a última antes de sua morte.

Rio e São Paulo, constantes na rota dos artistas internacionais, receberam shows da cantora. Florianópolis e Recife, capitais de expressão econômica menor do que Curitiba, também conseguiram comprar o espetáculo de Amy. A Pedreira Paulo Leminski, é verdade, é um local diferenciado para shows a nível mundial. O grande paredão de pedra contribui de maneira única para a sonoridade do local, além de proporcionar uma paisagem fora de série. Dizem que se não houver Pedreira, não existe palco decente para grandes públicos em Curitiba. Mas quando a banda Oasis esteve aqui em 2009, uma estrutura foi montada na Arena Expotrade, em Pinhais, e foi capaz de receber mais de 30 mil pessoas. Na época muita gente reclamou que montar palco num estacionamento era uma grande gambiarra. Em São Paulo, é comum que grandes bandas toquem no estacionamento no Anhembi Parque. Se lá pode, por que aqui não? A exclusão de Curitiba na rota dos grandes shows, fato triste pelo interesse cultural de seus habitantes, não vem de hoje, nem de 2008 quando a Pedreira foi interditada. Desde que o local foi fechado, a única coisa que mudou foi que as reclamações do público são mais curtas, sempre encerrando no “fator Pedreira”. Abram os olhos, produtoras. Chega de comodismo.


3 5

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

Trinta e cinco anos de revolução. Steve Jobs e seu longo caso de amor com a inovação Da fundação da Apple, a criação do iPhone. De 1970 até 2011, Jobs esteve intimamente ligado a renovação tecnológica Marcos Monteiro Trechos retirados do discurso de Steve Jobs aos formandos da faculdade de Stanford, em 2004. A redefinição de uma era. A quebra de parâmetros. Uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo. A morte de Steve Jobs vem para dar lugar ao novo. Segundo ele mesmo gostava de falar em seus discursos, “a morte é a melhor invenção da vida”. Nascido em São Francisco, filho de americana com um imigrante sírio, Steve Jobs foi colocado para adoção porque seus pais não tinham condições de financiar seus estudos universitários. Este, inclusive, foi o principal fator na hora da adoção do garoto. Sua mãe biológica só assinaria os documentos após a certeza de que os pais adotivos o colocariam em uma instituição de ensino superior. E assim foi feito Aos 17 anos, Jobs entrou para a Reed College, em Portland. Foram seis meses de aula, até que sem ver sentido em fazer o que estava fazendo, e sem saber que rumo daria para a sua vida, Steve Jobs deixa de freqüentar as aulas. “Todas as economias dos meus pais de classe operaria estavam sendo gastas em minha educação superior. Depois de seis meses eu não conseguia enxergar o valor daquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer com minha vida e nenhuma idéia de como a faculdade iria me ajudar a descobrir”. Saindo oficialmente da faculdade, Steve Jobs passou a frequentar somente as aulas que realmente gostava. Porém, como não era mais um estudante matriculado na Reed College, ele não tinha se quer seu próprio dormitório. Dormia no chão, nos quartos de alguns poucos amigos. Após períodos de internato na Reed College, fundou em 1976 a Apple Computer, junto com seu “parceiro tecnológi-

co” Steve Wozniak. A empresa então lançou o Apple I e o Apple II. Foram os primeiros computadores pessoais lançados, embora primitivos. O primeiro foi desenhado por Wozniak, para uso próprio. Aí, a genialidade de Steve Jobs começa a fazer a diferença. Porque não comercializar um produto que todos saibam usar? Dois meses depois, o Apple I estava sendo vendido em Palo Alto ao preço de $666,66. Foram produzidas 200 unidades. O computador tinha um processador de 1,00 Mhz e uma memória de 4kb. Hoje, esses números são menores do que um arquivo de texto que é feito no Microsoft Word. Pouco tempo depois a dupla lançou o Lisa. O primeiro desktop com interface gráfica. Apesar de a Microsoft ter o sistema operacional “Windows” (em inglês, janela), foi a Apple, com o Lisa, que lançou a interface que é utilizada até hoje nos computadores. Mas o Lisa era para uso empresarial e Steve Jobs ainda queria mais. Então, em 1984, a Apple apresenta o primeiro computador da linha Macintoshi. Pequeno, acessível e simples. Três características que acompanhariam toda a história da empresa. Após mudar o rumo da informática Jobs acaba sendo demitido da sua própria empresa, por John Scully, executivo que ele mesmo tinha tirado da Pepsi dois anos antes, em um célebre episódio. Ao reunir-se com Scully, nos escritórios da Pepsi, Jobs indaga: “você vai vender água com açúcar pelo resto da vida ou quer vir mudar o mundo comigo?” E mudou. Em apenas 10 anos de empresa, a Apple cresceu e passou a valer 2 bilhões de dólares, e contava com mais de 4000 funcionários. “Como você pode ser demitido de uma empresa que você mesmo começou? Bem, conforme a Appel cresceu, nós contratamos alguém que eu achava ser muito talentoso para levar a empresa comigo, e no primeiro ano, mais ou

menos, as coisas saíram bem. Mas aí nossas visões do futuro começaram a divergir e eventualmente nós tivemos uma briga. Quando isso aconteceu, nossos diretores ficaram do lado dele”. Foram 12 anos fora do comando da empresa. Durante esse tempo, desistir nunca foi uma opção para ele. Fundou a NeXT, uma empresa que não deu certo na construção de computadores, mas foi de certa forma um sucesso com a criação de softwares. O NeXTStep é a base dos sistemas operacionais modernos. Em 1996, com a criação de um novo sistema operacional, a Apple compra a empresa de Steve Jobs que, com isso, passou novamente a ser o manda chuva em Cupertino. Enquanto estava engatinhando com a NeXT, Jobs comprou a Pixar, empresa que passaria a ser a pioneira em filmes de animação, estreando com o sucesso imediato de Toy Story. Em 2006, por 7,4 bilhões de dólares, a Disney comprou a Pixar de Jobs, que passou a ser o maior acionista da empresa de Hollywood. Hoje, a Disney/Pixar é a maior produtora de filmes de anima-

ção do mundo. Em 1997, de volta ao comando da empresa e com uma crise financeira que quase ruiu com as estruturas da Apple, Jobs inova mais uma vez. Em 98 é lançado o primeiro iMac, com o sistema operacional Mac OS 9. Foram um sucesso de vendas. O iMac consolidou a estabilidade e consistência do sistema Mac OS. Mas a verdadeira revolução ainda estava por vir. Foi no início da década de 2000 que a Apple começou a mostrar ao mundo uma nova forma de pensar a comunicação. Tudo começou com o lançamento do primeiro iPod, que estava integrado com o sistema de vendas de música online, a iTunes Store. Enquanto todos buscavam uma maneira de segurar a produção de CD’s e impedir a pirataria, Jobs criou colocou tudo para vender online. O conjunto iPod + iTunes conquistou o publico. Era pequeno, acessível e simples. Mais uma vez não acabou por aí. Em 2007, a telefonia deixa de ser como era. É lançado o iPhone. A redefinição de uma era. A quebra de parâmetros. A Apple encamin-

hava-se a passos largos para ser uma das maiores empresas do mundo. O iPhone não é classificado como um smartphone e nem mesmo um telefone tradicional. É um device a parte. Até março deste ano, foram vendidas 100 milhões de unidades do aparelho. Steve Jobs amava o que fazia. Era impossível não ficar fascinado a cada novo lançamento da empresa. Falava de seus produtos com se fossem seus filhos. Dava-lhes características e apelidos. Ao olhar para ele, víamos o amor pela tecnologia. Jobs mudou o mundo. Deixou de ser somente mais um pirata do vale do silício para ser o capitão do barco. “Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que eu fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Seu trabalho vai preencher grande parte da sua vida, e a única maneira de estar realmente satisfeito é fazer o que você acredita que é um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer isso, é amar o que você faz”.


4

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

SUSTENTABILIDADE

Empresa reaproveita óleo para produzir combustível Além de preservar o meio ambiente, a Usina Biodiesel também servirá como fonte de capacitação profissional Divulgação

Anelise Rodrigues

Um litro de óleo derramado na natureza polui um milhão de litros d’água, o suficiente para abastecer, por 30 dias, com água tratada, cerca de 50 famílias, afirma, com base em estudos científicos, a secretária do Meio Ambiente da Prefeitura de Paranaguá, Jozaine Baka, responsável pelo projeto da primeira Usina Biodiesel movido a óleo de fritura usado do Brasil, inaugurada no 2° semestre de 2011, em Paranaguá. A unidade industrial transforma óleo comestível em biodiesel, um combustível renovável e biodegradável, obtido a partir da reação química de óleos ou gorduras, de origem animal ou vegetal, com álcool na presença de um catalisador. A usina integra o Programa de Gerenciamento de Óleos e Gorduras Vegetais, criado por lei municipal, para minimizar o impacto desses poluentes no meio ambiente como também contribuir para a economia do orçamento público. O bicombustível resultante tem a capacidade de substituir, total ou parcialmente, o óleo diesel de petróleo em motores ciclo diesel automotivos, a exemplo de caminhões, tratores, camionetas, automóveis. Com a capacidade de produção para 500 a 800 litros de bicombustível - expansiva para até um mil litros, por dia - a usina vai contribuir no abastec-

imento da frota municipal. A expectativa é de recolher cinco mil litros de óleo por semana e abastecer 20 caminhões da frota da prefeitura. “Utilizamos 75 mil litros de óleo diesel nos carros, caminhões e máquinas da Prefeitura ao mês, representando um ganho substancial para os cofres públicos e também para o meio ambiente, já que o biodiesel não é poluente”, pontua Jozaine Baka. A unidade industrial foi viabilizada por meio de iniciativa socioambiental, firmada entre a prefeitura de Paranaguá e o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), através do Senai-PR. O total do investimento somou R$ 200 mil, sendo R$ 100 mil da Fiep e R$ 100 mil do município. Coube ao Senai a responsabilidade pela aquisição da usina e assessoria na implementação do projeto e a Prefeitura pela adequação do local, treinamento e disponibilidade técnica para a implantação. O prefeito de Paranaguá, José Baka Filho, disse, durante a inauguração da unidade, que “Paranaguá dá exemplo da parceria público-privada, não apenas pelo investimento financeiro, mas pela importância na preservação do meio ambiente”. Coleta do óleo A usina de combustível ecológico será a primeira no Brasil com aplicação prática na comunidade, a começar pelo sistema de coleta. Todos terão participação direta e podem se tornar um colaborador. É simples: pequenos geradores de óleo de fritura (residências, lanchonetes,

restaurantes), ao invés de jogar o produto de cozinha usado na pia, na terra ou no ralo, devem depositá-lo em uma garrafa pet e levá-lo aos postos de recolhimento, como escolas, igrejas e empresas que terão as garrafas recolhidas por caminhões da prefeitura para o processamento na usina. Entre os postos de coleta de maior representatividade estão as escolas. Segundo a diretora da escola municipal Castelo Branco, Jucimara Rodrigues da Luz Blankenburg, “serão recolhidas de dez a quinze garrafas pet por mês. Nas reuniões de pais, com entrega de boletins e apresentações em datas especiais, pedimos para que colaborem e tragam o óleo de suas casas”, conta. Segundo a prefeitura do município, atualmente, existe uma campanha forte em toda a cidade, através de propagandas de televisão, rádio, outdoors e busdoor, a fim de mobilizar os moradores para a coleta do óleo. Às pessoas que aderirem à campanha, poderão até mesmo, como forma de incentivo, ganhar um adesivo que o identificará como um colaborador da natureza. Para a jovem parnanguara, Débora Mariotto, 19 anos, a iniciativa da prefeitura é importante no sentido de que o óleo de cozinha seja reaproveitado de forma sustentável e sugere, ainda, maior participação

dos moradores visando não só mobilizar, mas também conscientizar e informar aos moradores sobre os danos que o óleo causa à natureza e, assim, cada morador fará sua parte. Na avaliação do vereador do município Cleodinor da Costa, o benefício à socie-

dade será incalculável. Em relação ao bom andamento da usina, disse que o sucesso também depende da colaboração da cidade. “O segredo está na participação da população que, ao invés de jogar o óleo e poluir o ambiente, pode coletar e beneficiar a todos”.

Expansão do biodiesel para outros municípios A FIEP informa que as indústrias do Estado também serão beneficiadas pelo projeto de Paranaguá, já que muitas delas têm interesse em produzir biodiesel para uso em seus processos produtivos. Dessa forma, o Senai Paraná poderá apoiá-las com a implementação da tecnologia, o desenvolvimento de treinamentos, demonstrações, simulações de processos, testes com diversos óleos vegetais e avaliação de contaminação. Vale lembrar que esta ação também tem reflexos no processo da educação profissional, já que a Usina de Biodiesel servirá de escola prática para capacitar os alunos do Senai. A Federação das Indústrias do Paraná também assegura que esta iniciativa pioneira servirá de laboratório para implantar outras usinas em todo o Estado, já que há condições de expandir o trabalho com a assessoria do Senai para outras prefeituras que tiverem interesse em implantar essa inovação tecnológica e social”, concluiu.


5

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

HABITAÇÃO

A construção civil é um dos setores onde mais ocorrem acidentes de trabalho Segunda o OIT, ocorrem cerca de 20 mil acidentes fatais por ano no setor Francieli Fernanda

A construção civil cresce a cada ano, mas continua ocorrendo uma série de acidentes nos canteiros de obras. Esse é um dos setores onde mais ocorrem acidentes de trabalho. Volta e meia vemos nos jornais notícias de pessoas que sofreram acidentes nas obras, muitas vezes fatais. Esses acidentes podem ser evitados apenas com o uso adequado de equipamentos básicos de segurança, pois a melhor maneira de diminuir acidentes é com a prevenção. O que será que falta, equipamentos ou prudência por parte dos trabalhadores? Os equipamentos de segurança básicos como bota e capacete podem evitar inúmeros acidentes. Muitos deles graves, que até poderiam terminar em morte. Mas não basta apenas a obrigatoriedade do uso desses equipamentos. É necessária também a conscientização por parte dos próprios trabalhadores. “Dentro do canteiro de obra, entrou no canteiro é bota e capacete, isso do início ao fim da obra. Depois dependendo da sua atividade você vai usar o equipamento. Vai trabalhar em altura é o cinto de segurança tipo paraquedista com um ou dois talabartes, usando corda, trava-queda. Vai cortar uma madeira na serra tem que usar o protetor facial, auricular. A bota também,

dependendo da atividade, tem que ser de borracha”, esclarece o técnico em segurança do trabalho Yákili Silva. O eletricista que trabalha em obras de uma construtora Paulo Ordões diz já ter visto inúmeros acidentes nas obras em que atuou, porém nenhum fatal. Ele fala ainda que há muita informação a respeito de como os operários devem se proteger, mas é preciso haver uma conscientização por parte deles de quem precisa usar esses equipamentos para sua segurança: “ Em primeiro lugar vem o equipamento de segurança depois vem o restante”. Fiscalização Quando ultrapassada a barreira da conscientização do uso desses equipamentos por parte dos trabalhadores, o setor enfrenta outro problema: a falta de fiscalização das obras por parte dos setores públicos, que teoricamente deveriam ser os responsáveis pelo bem-estar dos operários. É preciso ter certeza que as construtoras e outros setores da construção civil estão cumprindo a lei, oferecendo a seus operários todos os equipamentos necessários a sua segurança. Segundo o Ministério do Trabalho, existem hoje

Diego Silva

três mil fiscais de obras para atender o território nacional. O Paraná tem a sua disposição apenas 180 fiscais de obras e não há previsões para um novo concurso. Essa baixa fiscalização se reflete no número de acidentes que ocorrem todo o ano. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), ocorrem cerca de 20 mil acidentes fatais por ano, ou uma morte a cada 10 minutos. No ano passado houve 376 mortes no Brasil no setor da construção civil. Cumprindo a lei Há no Brasil normas e leis que regem a segurança no trabalho. A legislação compõe-se de normas regulamentadoras e leis complementares.

Ao sofrer qualquer tipo de acidente no trabalho, o operário deve recorrer aos órgãos públicos responsáveis como o Ministério do Trabalho e ou a Delegacia Regional do Trabalho. Na maioria dos casos, porém, essas denúncias não geram nenhum resultado. “Uma coisa que falta principalmente é Secretaria de Vigilância Sanitária, tanto estadual quanto municipal. Ela tem poderes inclusive de interditar e de autuar o lugar que expõe o trabalhador a riscos, até porque está mexendo com a saúde. Mas a Secretaria de Vigilância Sanitária Municipal e Estadual não fazem nada para isso”, relata o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Domin-

gos Davide. Muitos desses operários recorrem então a sindicatos de trabalhadores, por ser esta uma forma mais ágil e eficiente na garantia de seus direitos. “Qualquer denúncia telefônica ou direta que está faltando segurança ou que os trabalhadores estão expostos à riscos, nós vamos imediatamente para ver se é verdade, constatar os fatos e muitas vezes, se for necessário, nós colocamos som na porta da obra, paramos a obra e não deixamos ela acontecer”, diz Davide. O tempo limite para entrar com pedido de indenização por acidente no trabalho é de aproximadamente cinco anos a partir da data que foi caracterizado como acidente..


6

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

Humberto Frasson

Giórgia Gschwendtner

@beto_frasson

@giorgiaag

Cursa o 6° período da noite

Cursa o 6º período da manhã.

Nacional

Música

A concentração em prol da regressão O grande sinônimo para crescimento econômico na vida de muitos brasileiros é um trabalho onde ele possa ser remunerado com um salário maior do que ele já ganha. Por um bom tempo isto fez com que milhares, e até milhões, de famílias buscassem evolução em solo paulista. Pode ser que atualmente este pensamento ainda vigore na mente de muitos, mas com certeza a força já é menor do que 20 anos atrás. Segundo dados do IPEA, 46% da população adulta residente no estado de São Paulo, é natural de outros estados. Não seria nenhum erro dizer que a maioria dos que migraram para lá, o fizeram por causa da pobreza de suas regiões. Do total migrado, apenas 16% da população não vieram de estados do norte ou nordeste. E é do conhecimento popular que tais regiões possuem os menores números de desenvolvimento social, educacional e demais índices que comprovam a ineficiência dos marajás que lá mandam desde 1900 e tanto tempo atrás. Ir para São Paulo, para a maioria das famílias não foi uma opção, mas uma fuga. A vida na capital passa então a ser uma nova chance. Mas nem sempre oferece as melhores chances. Em outros dados analisados pelo IPEA, constatou-se também que os filhos de migrantes levam mais tempo para sair da casa dos pais do que os naturais do estado. Che-

gou-se a conclusão de que isto se deve ao fato de tais migrantes levarem mais tempo para conseguirem um bom grau de profissionalização que de garantias de andar com as próprias pernas. Surge aqui a parte suja de São Paulo. Que assim como os estados nordestinos também tem sua parcela de culpa. Afinal, invocar novos moradores para trabalhar em sua terra sem ter evoluir no respaldo oferecido aos que ali chegaram, como saúde, educação e infra-estrutura, é tão errôneo quanto os marajá que não assistiram seus habitantes nativos. Este é o eterno ciclo que gera os famosos bolsões de pobreza não só em São Paulo, mas em outros grandes centros também. Rio de Janeiro e suas favelas que o digam. Enquanto a cidade maravilhosa foi construída graças aos esforços de quem desceu para desenvolver a cidade em busca de melhores qualidades, seus operários e construtores foram empurrados para as margens do desenvolvimento. Brasília com seu grande projeto piloto e todos seus pedreiros escravizadamente pagos, diga-se de passagem, é outra prova de que nada adianta oferecer promessas sem ter a garantia de continuidade no patamar de evolução alcançado pelos migrantes durante o desenvolvimento destes estados e suas cidades. Se a burocracia não travasse a evolução, talvez não nos deparássemos com tanta pobreza gerada pelas falsas promessas eleitoreiras.

Respeito é bom e eu GOSTO A declaração nem é tão nova para os padrões tecnológicos atuais, mas como toda palavra dita perpetua e não se pode voltar atrás, acho que as declarações pós-Rock in Rio da cantora Claudia Leitte merecem um momento de reflexão nessa coluna. Após sua apresentação no dia 23 de setembro, Claudia saiu do palco em meio a aplausos e vaias. Nas redes sociais, inúmeras pessoas debochavam da cantora, principalmente por ter realizado um cover da banda inglesa, Led Zeppelin. O desabafo veio no dia 27 de setembro em seu blog (http:// www.blogdaclaudinha. com.br/). “Ok. Não gostar de Axé é normal! Anormal é achar-se superior porque conhece John Coltrane ou porque adora o Metallica. Procurem no Google sobre a história de um ariano que se achava superior aos judeus…Há tanto por fazer. E pessoas com voz ativa, com acesso à internet, manifestam-se como se fossem melhores que as outras porque curtem o LED ZEPPELIN… Hein?”, disse a cantora. Primeiro, John Coltrane é jazz, não rock. Segundo, ela cantou em um dia que apenas Paralamas do Su-

cesso e Titãs eram bandas do gênero que comparou a Hitler, lembrando que ambas são nacionais. Terceiro, ela mesma tocou Zeppelin, o que está falando? Pop, samba, metal, erudito. Independe de uma classificação musical, as palavras de Claudia ultrapassaram o limite de um comentário sensato. Ela pode odiar rockeiros, assim como eles a odeiam, mas generalizar o público dentro de um festival que abrange os mais variados gostos é ignorância. A inda mais quando a comparação chega a extremos. No restante do texto, a cantora clamou por liberdade e respeito, mas ao se posicionar se quer lembrou-se de fazer o mesmo. Ela deveria ter se dirigido ao Google e pesquisado história, alem de utilizar melhor sua comunicação. Aplausos são conquistados com a força do seu trabalho, a própria Claudia foi aplaudida. Por infelicidade algumas pessoas presentes no momento não a respeitaram e julgaramse no direito de expressar sua opinião da forma mais dolorosa para o artista, a vaia. O que deve acompanhar a carreira do músico é preparo emocional, afinal nem todo dia se ganha.


7

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

ESPORTE CANINO

Corrida de obstáculo une cães e donos O agility chegou no Brasil em 1978 e ajuda a manter a saúde dos cães em alta Divulgação

Mariana Mendes

Pular obstáculos e andar em passarelas. Essas habilidades não são exclusivas dos cães de cinema ou de provas. Em poucos meses seu amigão pode fazer tão bonito quanto além de se divertir com você e melhorar a saúde. Tanto quanto os donos, os animais de estimação precisam de atividades físicas para manter a saúde em alta. Por isso, desde 1978 – quando foi criado na Inglaterra – o Agility vem sendo procurado por gente que, mesmo sem sonhar em participar de competições, deseja envolver o bicho numa atividade estimulante. Treinadora de Agility desde 2003, a médica veterinária Fernanda Lesnau conversou com o LONA sobre esse esporte que serve para cães e donos. Agility no Brasil O esporte foi criado em 1978 na Inglaterra e hoje é praticado no mundo inteiro. No Brasil ele chegou na década de 90, e rapidamente conquistou muitos adeptos. Primeiramente profissionais (adestradores) foram buscar o esporte, porém hoje já encontramos todo o tipo de profissionais dentro do Agility, que o veem como um hobby. Objetivos e regras O agility é um esporte praticado por duplas, que são o cão e o seu dono ou condutor. As regras, e o esporte em si, foram baseados no hipismo. O objetivo é terminar a prova sem cometer infrações e no menor tempo

No Agility, os cães exercitam habilidades e se mantêm saudáveis

possível. Oque faz do agility uma prova de habilidade, em que a velocidade é o critério decisivo em caso de empate. Quem pode praticar Qualquer um pode praticar agility: cães e humanos. Porém, algumas raças tendem a ser menos recomendadas para o esporte de competição. Os pugs e o dog alemão não são indicados por causa da anatomia. Ele é extremamente recomendado para cães muito ativos, porque direciona a energia que o cão, possivelmente, gastaria cavando buracos, roendo móveis e ou sapatos, para o aprendizado dos obstáculos.

Não há idade mínima para começar a ensinar o cão, menos ainda para o dono levar o cão para treinar. Nós temos praticantes com mais de 70 anos treinando e competindo. Só é conveniente levar o animal para consultar um veterinário para ver se a saúde está ok. Obstáculos O obstáculo mais comum no agility é o salto (salto simples, salto duplo, salto em distância, muro e pneu), temos ainda dois tipos de túnel, rígido e flexível, o slalon e as zonas de contato (gangorra, passarela e rampa). As zonas de contato são obstáculos que possuem áreas onde o cão deve

obrigatoriamente tocar e são pintadas com uma cor diferente. Além de ser uma demonstração de controle e de treinamento, elas foram criadas para a segurança dos próprios cães. O método utilizado para o ensino de cada um dos obstáculos varia conforme o cão. Raças de caça, como Dachshunds (salsichas), têm facilidade de aprender e fazer o túnel

O agility é uma forma de melhorar a relação com o cão.

por terem sido desenvolvidos para entrar em tocas, porém essa mesma raça precisa de atenção junto aos saltos devido a sua coluna mais comprida que as dos demais caninos. O agility é o esporte canino mais praticado em todo o mundo, e além de ser um ótimo exercício para o cão e também para o dono, o agility é uma forma de melhorar a relação com o cão. Treinando-o a pessoa desenvolve não apenas novos comandos, direcionados diretamente a transposição dos obstáculos, mas também aplica comandos básicos (senta, deita, fica...), além de desenvolver sua linguagem corporal.


8

Curitiba, sexta-feira, 07 de outubro de 2011

Eu sou a terra, eu sou a vida Fotos: Aline Reis Texto: Daniel Zanella

O poema de Cora Coralina remete à primeira terra revirada, os alicerces para as casas que abrigarão os manifestantes do MST de Florestópolis, norte pioneiro paranaense.

O

LONA 659 - 07/10/2011  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you