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Ano XII - Número 658 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

lona.up.com.br

Bancários entram no 9° dia de paralisação É greve geral. Mais de oito mil agências de bancos públicos e privados estão fechadas em todo o país. No Paraná são 659 agências. Sindicatos discutem com bancos sobre a necessidade de reajuste salarial e maior segurança nas agências. Greve está em seu nono dia. Em Curitiba, diversas manifestações marcaram a tarde desta quarta-feira. Pág. 3

Tecnologia Apple lança Iphone 4S e ações da empresa caem Pág. 5

Risológico Festival de humor Risológico é uma das principais atrações do final de semana curitibano e contará com a presença de Rafinha Bastos

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Editorial Quem já teve a oportunidade de ver o comportamento das crianças em uma feira de livro pode até não entender como não somos um país homogêneo de leitores e de cidadãos de espírito crítico, capazes de reivindicar organizadamente condições de trabalho – desde a paralisação geral até o questionamento do cartão-ponto da empresa –, determinar políticas públicas mais efetivas e exigir a diminuição acentuada das desigualdades crônicas de nosso cotidiano. As crianças demonstram pelo livro um carinho, uma intensidade e imaginação que se perde em alguma etapa do processo educativo. Na pesquisa Retratos da leitura do Paraná, as mães são apontadas como as principais incentivadoras e formadoras em pessoas com o hábito regular da leitura. Na sequencia aparecem os professores, com maior percentual do que os pais. É de se questionar a forma como o livro é inserido gradativamente em contexto pedagógico e como incutir o gosto pela leitura em famílias onde o único livro da casa é a Bíblia – não entender isso como uma crítica, até porque a Bíblia é um excelente compêndio literário. Estudiosos alegam que o livro não deve ser implantado como mera ferramenta didática. Outros, mais radicais, afirmam que a leitura não deve ser um hábito, mas sim um vício, uma espécie de companheiro amado incondicionalmente. Para isso, é preciso de agentes transformadores apaixonados pelos livros, não burocratas que batem o cartão no horário e repassam aos estudantes a leitura como grade curricular – para se fazer resumo e tirar uma boa nota. Nota: esse contexto não é exclusivo de ensino fundamental. Qualquer professor que enxergue razoavelmente bem deve perceber que os estudantes universitários não leem os livros, e se leem, é leitura a seco, para constar no balanço semestral do portal. Em Amores Difíceis, Italo Calvino diz que todo texto quer alguém que o ajude a funcionar. Essa transição entre a palavra e o leitor é o grande desafio, tanto para a indústria cultural quanto para o jornalismo impresso: por um país de mais leitores e menos apático na aceitação de valores contraditórios. Uma boa leitura a todos.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Daniel Zanella, Laura Beal Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Opinião

Desconfiança maldita

DrOps Paraná Clube e a Série B

Thomas Mayer Rieger

Saiu uma pesquisa do IBOPE, com dados da confiança dos cidadãos em relação às instituições dos países. Essa pesquisa foi feita na Argentina, Chile, Porto Rico e no Brasil. O vencedor absoluto em todas as pesquisas e em todos os anos nos quais essa foi feita foi sempre o “Corpo de Bombeiros”. Os heroicos bombeiros, batalhadores da vida, que enfrentam as chamas em busca dos cidadãos em desespero. Depois vêm as Igrejas, que normalmente servem de grande alívio às mentes preocupadas e sem direcionamento das pessoas. Um grande remédio para aqueles que se veem perdidos em meio a tantas dúvidas que surgem no mundo moderno. Agora vamos aos grandes vencedores da desconfiança: em penúltimo lugar, o Congresso Nacional. Em último, os Partidos Políticos. À primeira vista, é um resultado plausível. Afinal, ambos são recipientes de verdadeiras latrinas humanas: só servem para agrupar ladrões, corruptos, gente da pior qualidade. É só olhar os jornais para ver que nesses lugares se amontoam mentiras e enganações, sendo essas cautelosamente preparadas e planejadas com o único propósito de assaltar os bolsos do povo.

Essa raça de políticos malditos, faz de tudo para si e para a destruição do sonho brasileiro. A pergunta que surge, depois de esbravejar contra os membros do congresso e dos partidos é: quem os colocou lá? Os “malditos políticos” são escolhidos nas eleições, pelas mesmas pessoas que preparam declarações inflamadas contra a classe que decide o futuro da população. As mesmas pessoas que lotam caixas de entrada nos e-mails e movimentam as rodas de bar com acusações alcoolizadas são aquelas que votam, a cada dois anos, e enviam os candidatos a cargos de importância. Se prefeitos, deputados, senadores e presidentes são todos membros do rol da desconfiança, o mesmo se pode dizer do eleitor desinteressado. É desse que devemos desconfiar, já que esse é o responsável pela putrefação do sistema político. Não isento os ocupantes de cargos políticos, muito pelo contrário. Mas não se envia um lobo para cuidar de ovelhas. Essa desconfiança é, na verdade, uma transmissão de culpa. Ignora-se a própria incompetência na hora de escolher o time e o culpa quando ele falha. Não é assim que se faz política. Não é assim que se constrói um país mais confiante.

29ª Rodada O Paraná Clube abre hoje a 29ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B, a popular Segundona. O confronto de sextafeira, às 20h30, é contra o ASA, de Arapiraca, 13° colocado. O jogo é no Durival Britto e Silva. Antecedentes Na última terça-feira, o Paraná foi até o Rio de Janeiro enfrentar o Duque de Caxias, último colocado com 11 pontos até então, em possíveis 81 pontos disputados. O placar final da partida foi de 0 a 0, em jogo sofrível, felizmente prestigiado por 24 torcedores. Situação A Portuguesa de Desportos é a líder da Série B com 57, oito pontos a mais do que a Ponte Preta, que vem na 2ª posição com 49. Americana e Náutico, ambos com 48 pontos, fecham o grupo de sobe pra Primeira Divisão do Brasileirão. Complicada Faltando dez rodadas para o fim do campeonato, o Paraná é o 10° colocado, a apenas 4 pontos da zona da degola e a 11 pontos da zona de classificação. Problemas administrativos relacionados a falta de pagamento e dificuldades de substituir jogadores-chave contundidos culminaram na queda de rendimento da equipe. História O Paraná caiu pra Segunda Divisão em 2007. A queda nos valores das cotas de tevê e a dificuldade de manter um elenco competitivo ileso aos ataques de empresários são os principais fatores da atual situação paranista.


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Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

GREVE

Mais de 650 agências fechadas no Paraná após uma semana de Greve Bancários exigem aumento de salário, melhores condições de trabalho e mais segurança nas agências Ellen Ziomek

Ellen Ziomek

Todos os bancos do Brasil, públicos e privados, entraram em greve na última terça feira 27. Já são 8.328 agências fechadas no país e 659 no Paraná. Após várias reivindicações para a Federação Nacional dos Bancos – Fenaban em assembleias que vêm acontecendo desde agosto, não houve nenhum acordo. Segundo o Sindicato dos bancários de Curitiba, o principal pedido dos bancários é o aumento de 5% de ganho real mais a inflação do período, em torno de 12,8%. Hoje o ganho está em 7,5% e até o momento a Fenaban ofereceu 8%, ou seja, 0,5% a mais, e é por esta razão por que a greve permanece. O bancário e sindicalista André Garcia Carrion alega que existem outros motivos além do ajuste salarial para a greve. “Pesquisas vêm demonstrando que os bancários são extremamente explorados pelos bancos. Nos últimos anos, os casos de depressão, problemas psicológicos graves, estresse, tiveram grande aumento em bancários. Nós queremos melhores condições de trabalho. Também pedimos mais compreensão em relação ao cumprimento de metas, que é, sem dúvida, exploratório.” Outro aspecto comentado por Carrion foi a respeito da segurança nas agências. “Os bancários estão diaramente expostos a riscos de assaltos a mão armada e são os que mais sofrem sequelas e traumas por situações deste tipo. Mais segurança dentro das agências é fundamental e não só para quem trabalha, mas também para os clientes”. A categoria também está reivindicando o recebimento da PLR – Participação nos Lucros e Resultados dos Bancos, e

um salário inicial de R$ 2,3 mil para todos. E não como acontece hoje que o trabalhador é remunerado de acordo com a função que exerce. O sindicato declarou que conta com o apoio e compreensão dos clientes e usuários devido à paralisação das agências durante a greve, pois o objetivo é que a situação melhore e os clientes não continuem sendo explorados pelas altas taxas de juros, tarifas exorbitantes, filas intermináveis pela falta de funcionários, insegurança e precarização do atendimento bancário. Segundo a Fenaban, a categoria já possui benefícios que se comparados a outras áreas

empregativas do Brasil são de grande vantagem, como: Jornada de 6 horas diárias (30 horas semanais), com semana de 5 dias, para a maioria dos bancários, enquanto a jornada legal para outras categorias é de 44 horas semanais. Adicional de, no mínimo, 55% do salário para jornada de 8 horas diárias e 40 horas semanais, piso salarial de R$ 1.501,49 para o Caixa, valor significativamente superior às outras categorias, tendo em vista a diferença em horas da jornada de trabalho e participação nos lucros dos bancos. E é a única categoria profissional que conta com este benefício em convenção coletiva de âmbito nacional.

E ainda, os bancos prestam à população um serviço essencial. Por isso, os sindicatos, os trabalhadores e os empregadores devem, de comum acordo, garantir esse serviço. O atendimento à população é primordial, tanto nas agências como em outros canais de operação. Os clientes podem continuar tendo acesso aos serviços bancários pelos diversos canais de atendimento (internet, telefone, terminais de autoatendimento e correspondentes) e que algumas agências ainda estão funcionando normalmente. Após decisão judicial algumas agências do HSBC e Bradesco reabriram na segunda feira. E nesta quarta feira

pela manhã houve protestos no centro da cidade, um grupo de repentistas acompanhou os bancários por uma manifestação passando pelas agências centrais de Curitiba. Às 17h aconteceu no Espaço Cultural dos Bancários de Curitiba mais uma assembleia sobre a avaliação da paralisação da categoria até o momento e a discussão de estratégias em relação aos próximos passos da greve – que pode continuar por tempo indeterminado, até que a Fenaban e os bancários entrem em comum acordo. Até o fechamento dessa edição não foi tomada decisão sobre o fim da greve.


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Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

HUMOR

Hoje a risada rola solta em Curitiba Park Shopping Barigui receberá comediantes de todo o Brasil neste final de semana Pedro Lemos Curitiba será o palco do maior festival de humor do sul do país: o Risológico. De hoje a domingo o Park Cultural (anexo ao Park Shopping Barigui) vai ser tomado por várias vertentes da comédia: stand-up comedy, personagens, paródias, humor na internet, rádio e cartuns. O curador do evento é o ator e humorista Marco Zenni, que explica como vai ser o formato do Risológico: “Ele vem com um formato de festival, diferente do que acontece em outros eventos. O festival envolve vários formatos de humor, como as charges (teremos oito cartunistas, todos de Curitiba), humor no rádio, como é o caso do Boa da Pan. E dando oportunidade pra gente que é daqui.” Marco acredita que festivais como o Risológico logo se espalharão por todo o Brasil. “É um projeto que vem para ficar, vai crescer junto com o humor no Brasil. É uma tendência, como os festivais de teatro, que toda grande capital tem o seu, acredito que com os festivais de humor também será assim”. Em poucas palavras, ele

define bem o que é esse festival: “É mais uma oportunidade para o curitibano rir e conhecer as novas tendências do humor”. O evento vai contar com mais de 50 artistas, entre comediantes, cartunistas e radialistas. Entre os comediantes que vão se apresentar no Risológico estão nomes de destaque no humor local, como Afonso Padilha, Thiago de Souza e Leonardo Forti. Para cada um deles, participar desse festival tem um significado diferente: “Eu acho muito bacana. É importante participar, trocar uma ideia com quem já está há um tempo fazendo, conhecer gente nova, se apresentar para um número grande de pessoas. É legal também fazer parte da primeira edição” conta Thiago. Para o mágico e humorista Leonardo Forti, participar do Risológico representa uma oportunidade: “Para crescer e se aprimorar, por ser um tipo de evento diferente, de um porte maior, que eu não participei ainda. Vai ser um desafio.” Já para Afonso Padilha, o Risológico é um bom espaço para os humoristas paranaenses: “Apesar de eu estar

há apenas dois anos fazendo [stand-up], é legal ganhar uma chance num evento desses, assim como para o Thiago e para o Leonardo. Pra mim vai ser uma grande vitrine e espero participar também de todas as próximas edições”. Mas se engana quem pensa que o Risológico será feito só de talentos da nossa capital. Humoristas de expressão nacional também estarão presentes, como é o caso de Nany People, Murilo Gun, Luiz França, Léo Lins, Mauricio Meirelles e Rafinha Bastos que, aliás, será o humorista homenageado da edição de 2011 do festival. Sobre a escolha de Rafinha Bastos como homenageado, Marco Zenni, explica: “A ideia do Risológico é sempre trazer um novo nome do humor para ser homenageado, e o standup comedy é uma coisa nova. Se você pensar que o standup no Brasil não tem nem 10 anos, o Rafinha Bastos já é um senhor do stand-up comedy. Ele ajudou a formar a platéia do stand-up. Homenagear o Rafinha é um jeito de mostrar tudo o que ele já fez em prol do stand-up comedy”. E o homenageado de 2012, já está escolhido? “Danilo Gentili”, diz Marco. “E a gente sempre vai querer manter isso:

novas caras, pessoas novas. Homenageando gente que está fazendo acontecer agora”. Apesar disso, também vai acontecer uma homenagem

Divulgação

surpresa para José Vasconcellos. “Ele está passando por problemas de saúde e é um dos poucos humoristas de stand-up ‘das antigas’”, explica Marco.

Serviço: Risológico, de 06 a 09 de outubro no Park Cultural, anexo do Park Shopping Barigui. Mais informações no site www.risologico.com.br

Opinião - Caso Rafinha Bastos Eu gostaria de viver em um mundo onde piadas fossem apenas piadas, e não consideradas apologia a crimes. O assunto da semana foi uma piada do apresentador/ humorista Rafinha Bastos do CQC. Ele fez uma piada, sobre Wanessa Camargo: “Comeria ela e o bebê”. Posso estar sendo imparcial... Na verdade estou sendo, com certeza, imparcial, já que sou comediante. Mas estou cansado de ouvir gente choramingando por aí sobre piadas que ouviu em um programa de humor. Quem diria, piadas

em um programa de humor, em que mundo nós vivemos? Não questiono aqui a qualidade da piada, mas sim o direito que cada um tem de se expressar livremente. Humor tem limites? Não. Não tem limites se algo é engraçado. Se não é engraçado, logo não é humor. Matemática simples. Aqui coloco uma interrogração: será que se a piada fosse feita com alguém que não é famoso, teria tanta repercussão? Wanessa é cantora, esposa do empresário Marcelo Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno, que cogitou a hipótese

de tentar tirar anunciantes da Band. A Band, aliás, que me decepcionou, pois ela sempre passou uma imagem positiva, afinal é a casa do stand-up comedy na televisão aberta, mas sucumbiu à pressão popular e afastou Rafinha da bancada do CQC. Não perdeu os anunciantes, mas perdeu a graça do programa, perdeu audiência, e perdeu o meu respeito (que não vale muita coisa, então apegue-se mais à graça e a audiência). Muito me admira um humorista ser afastado de um programa de humor por que contou uma piada (fez o seu

trabalho). Alguém deve estar pensando: “Mas ele fez apologia à pedofilia”. Por favor, não leve uma piada tão a sério, afinal ela é apenas uma piada, e não um discurso presidencial para ser lido na ONU. Apologia por apologia, a Band deveria tirar o Brasil Urgente, comandado por José Luiz Datena do ar, já que em 50% do programa só se fala em pedofilia. Se não fosse pelo Datena, esse termo jamais chegaria à boca dos ignorantes. Tempo atrás vi um vídeo no Youtube. Ele reproduzia

parte de um episódio d’Os Trapalhões. A cena era mais ou menos assim: “Dedé para Zacarias: ‘Onde está o macaco?’. Zaca responde: ‘Atrás do carro’. Dedé vai para trás do carro e encontra Mussum, que exclama ‘Macaco é a mãe!’”. Vale lembrar que tal cena foi transmitida em pleno regime militar. E não foi a única. Apologia ao racismo? Não. Simplesmente uma piada. Vamos parar de dar importância exagerada às piadas, porque assim, até a comédia fica cha-


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TECNOLOGIA

Ações da Apple caem após lançamento do iPhone 4S Novo iPhone não tem muitas mudanças e chega às lojas norte-americanas no dia 14 de outubro. No Brasil, o smartphone deve chegar até o final do ano. Rodolfo Tazoniero do Amaral

O lançamento do novo iPhone, batizado de iPhone 4S, aconteceu nesta terçafeira (4), na sede da multinacional Apple, localizada na cidade de Cupertino, na Califórnia, EUA. No evento “Let’s talk iPhone”, o vicepresidente de marketing da Apple, Phil Schiller, apresentou a quinta versão do smartphone mais famoso do mundo, que chega às lojas de apenas oito países no dia 14 de outubro. Até o final do ano, cerca de 70 países irão receber o iPhone 4S. A expectativa para o lançamento era enorme, mas o iPhone 4S acabou causando grande decepção, já que ele não apresenta muitas novidades. Os applemaníacos, fãs da empresa de eletrônicos, esperaram 15 meses pelo novo aparelho e foram apresentados apenas com uma atualização do seu antecessor, o iPhone 4. Complicações Como consequência do lançamento do iPhone 4S, a bolsa de valores Nasdaq, em Nova Iorque, registrou uma queda imediata de 3% nas ações da empresa, que fechou com baixa de 0,56% na terça-feira (4), cotadas a US$ 364. As ações da Apple apresentavam valores positivos antes do lançamento oficial, mas começaram a cair durante o evento. Os usuários do smartphone também ficaram decepcionados porque a apresentação não foi feita inteiramente pelo novo CEO da Apple,

Divulgação

Tim Cook. Ele substituiu o co-fundador da empresa e magnata, Steve Jobs, em agosto desse ano. Cook esteve no evento e falou mais sobre o novo sistema operacional do iPhone 4S, o iOS 5. Quando Steve Jobs anunciou sua saída da Apple, as ações da empresa chegaram a cair mais de 5%, com uma baixa de 0,65%. A Samsung Eletronics anunciou ontem que planeja impedir a venda do iPhone 4S na Itália e França. Segundo a empresa, a Apple copiou as tecnologias relacionadas à transmissão de dados móveis dos smartphones da Samsung. A multinacional sul-coreana afirmou que a violação da Apple é tão grande que as vendas do iPhone 4S devem ser proi-

bidas em todo o continente europeu. As duas empresas já haviam brigado na justiça antes, quando a Apple conseguiu proibir a Samsung de vender o “Galaxy Tab” na Alemanha. A empresa criada por Steve Jobs afirmou que o “Galaxy Tab” havia copiado o desenho e algumas funções do iPad, outro produto de grande sucesso da Apple. Melhorias As melhorias do iPhone 4S incluem: câmera traseira de maior qualidade, com 8 megapixels, maior sensibilidade à luz e capacidade de gravar vídeos em alta definição (1080p); processador Apple A5 de dois núcleos, que deixa o smartphone mais rápido; bateria de maior duração;

assistente inteligente de voz e maior velocidade de conexão à internet via rede de telefonia celular. O iPhone 4S também virá em uma versão de 64GB, a maior capacidade do aparelho até agora. O estudante e usuário do celular da Apple, Marcos Monteiro, 21, esperava mais. Segundo ele, houve uma grande movimentação a respeito do novo iPhone por mudanças que já eram previstas. “Alteraram somente a questão do hardware do aparelho e o design continua o mesmo do iPhone 4. O design é sempre uma das características que mais chamam a atenção na Apple”, afirmou. Ele comprou seu iPhone 4 em junho deste ano e disse que ainda não vale a pena trocar. “No dia 12 de outubro, a Apple vai

liberar uma nova atualização do software do meu iPhone. Terei o mesmo software do iPhone 4S, sem a câmera nova e o processador duplo”, completou o estudante. Já o publicitário Giordano Damiani, 23, gostou das mudanças. “Eu gostei do Siri (sistema de voz inteligente do novo iPhone), da bateria de maior duração, da câmera nova e também da “petaband”, que faz o celular funcionar em qualquer lugar do mundo”, relatou. Ele pretende trocar o seu iPhone 3G, que comprou há mais de 3 anos, logo que foi lançado. “Se eu estiver bem financeiramente e tiver alguma promoção na época que o iPhone 4S chegar ao Brasil, eu vou comprar sim”, disse o publicitário, animado com o lançamento da Apple.


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Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

Marcos Monteiro

Camila Rehbein

@_marcosfe

@camilarehbein

Cursa o 4° período da noite

Cursa o 4° período da manhã e publica seus textos no endereço monapety.tumblr.com

ESPORTES

TRIBOS URBANAS

Em ritmo de festa

Na corrida pela construção do estádio que será utilizado para a abertura da Copa do Mundo 2014 – que acabará provavelmente com o Corinthians e seu lendário Itaquerão – os clubes buscam investidores para financiar as obras – exceto o Corinthians e seu lendário Itaquerão, que terá a utilização de verbas públicas e incentivo fiscal (mas essa é outra história). O fato é que: talvez pela ânsia de ter um estádio, os clubes esquecem-se do principal motivo da construção, o torcedor. Saiu, há pouco mais de uma semana, o ranking de público do Brasileirão – de séries A a D. Flamengo, Corinthians e São Paulo, encabeçam a lista, colocando, em média, mais de 40 mil pagantes em seus estádios. Exceto o Corinthians, que há 100 anos joga em campinho público. Em fase intermediária estão Palmeiras, Cruzeiro, Atlético-PR e os rivais de Porto Alegre, com público entre 20 e 30 mil pagantes, juntamente com as jóias Ganso e Neymar, que lotam a Vila Belmiro em sua totalidade. Não. Não é bem assim que se encontra o futebol nacional. Somos filhos de mãe solteira e o futebol segue como o bastardo na nação. Já usado como arma populista, hoje nossos times de elite penam para colocar meia tigela de gente nas arquibancadas. A lista, elaborada pelo jornalista Rodolfo Brito, do blog

rbrito1984.blogspot.com, mostra a necessidade urgente de uma “reforma política” na maneira como é administrada a relação clube-torcedor. A lista é cheia de curiosidades. O time que mais atrai torcedores – lembrando a você, leitor, que aqui estão os 100 clubes que compõe as séries A,B,C e D do Campeonato Brasileiro – é de Pernambucano, e vem da série D. O Santa Cruz, nesta temporada, põe, em média, 33.450 pagantes por jogo. Pouco? Muito? Se levarmos em consideração que o Flamengo, clube de maior torcida, está colocando 15.386 pagantes por jogo chegamos a uma conclusão óbvia. Só para saborearmos um pouquinho: dos 20 clubes com maior média, seis não são da primeira divisão. AméricaMG, Avaí, Atlético-GO, Santos, Fluminense e Cruzeiro são aqueles que não fazem parte da seleta lista dos 20 primeiros. Os “Meninos da Vila 2.0” não conseguem atrair mais do que 8.000 torcedores ao estádio em seus jogos. Por curiosidade: Cerâmica, do Rio Grande do Sul, tem a pior média: 111 pagantes por jogo. O Duque de Caxias, que duelou com o Paraná Clube na última rodada da série B e levou 24 torcedores ao estádio, tem a quarta pior média: 199 torcedores a cada embate. Tirem as crianças da sala, os elefantes brancos pedem passagem.

Menino = Menina. É apenas uma questão de opinião Muito do que vemos nas ruas está envolvido, em maior ou menor grau, com moda. É besteira achar que o seu jeito de ser não é influenciado por algum tipo de padrão, cultura ou tendência. Cada tribo que existe nesse universo segue alguma tendência e porque não dizer, uma moda? Andrógenos, você já ouviu falar? Se você é como eu, deve ter estranhado o termo, mas ele está mais comum ou pelo menos mais explicado do que nunca. A androginia é “a ausência de gênero”. Como assim? São pessoas assexuadas, é isso? Não. O conceito de androginia já é representado desde as pinturas do italiano Caravaggio (1571-1610) quando alguns homens eram representados com características femininas. Dando um pulo no tempo, chegamos aos dândis ingleses e seus modos à La Oscar Wilde. Mas a maior representação da androginia no passado, e que não deixa de ser muito atual, é Gabriele Chanel. Já nos anos 20, ela emprestava roupas de seus namorados e as usava normalmente. Na época isso foi um espanto, pois na Paris pós-belle époque, ser mulher era estar envolta de saias amplas e chapéus cheios de ornamentos. Para o psicólogo Claúdio Picazio, o que deve ser levado em conta nessa historia é a troca entre homens e mulheres. “O bacana desse história é justamente quebrar a invenção dos padrões de gênero e Chanel foi uma das primeiras a fazer isso”, afirma em entrevista a revista Elle. Em um mundo onde homens e mulheres são iguais, a androginia vem somar pontos. Os homens e mulheres trabalham dentro e fora de casa, cuidam dos filhos, leem as mesmas coisas, se interessam pelos mesmos assuntos, e por que não usar as mesmas roupas? Andrea Bisker, diretora da WGSN no Brasil, portal que mapeia as tendências de moda e comportamento, afirma

que os andrógenos são como um terceiro gênero. “Não é mais uma mulher masculinizada ou um homem afeminado. É uma busca pela neutralidade. Ser homem ou mulher é um mero detalhe”. A geração Y é uma das responsáveis pela popularização do termo. Essa geração, ou melhor, a nossa geração já nasceu com acesso a internet, sem muitas restrições. Sabemos que é possível ser o que quisermos, desde roqueiros à fashionistas, em segundos. Uma coisa importante a ser destacada é que a androginia não está relacionada a opção sexual, é apenas um modo de se vestir e ver o mundo. Um fator que contribui, e muito, para que isso seja possível e a liberdade de expressão que temos hoje. O preconceito está cada vez menor e isso é muito importante, pois possibilita uma linguagem diferente e criativa por parte das pessoas. No Brasil, onde as mulheres são conhecidas por sua sensualidade e os homens por serem machões, ser andrógeno parece uma ilusão, mas hoje muitas marcas já estão preocupadas em atender esse público que vem crescendo no país. Os estilistas João Pimenta e Mário Queiroz, experts em moda masculina, já estão dando passos nessa direção. No último São Paulo Fashion Week, praticamente toda a sua coleção feminina continha peças quase iguais às desfiladas pelos meninos. Ser andrógeno, então, não é estar restrito as araras femininas ou masculinas. Ser andrógeno é poder ser quem você quiser, na hora que você quiser, sem ficar cheio de tabus ou preconceitos. É poder olhar uma blusa linda na seção masculina e levar pra casa, afinal, se ela caiu tão bem em você porque ficar preocupada só porque ela estava do outro lado da loja? Como descrito por Platão em O Banquete. Quase 2 mil anos depois, os “deuses” da moda estão nos permitindo ser quem quisermos.


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Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

LITERATURA

O que aconteceu com o amor? Por Sofia Ricciardi

Diego Silva

Uma louca neurótica ciumenta me ligou às pressas, fazendo mil perguntas e me xingando nos intervalos das respostas. Em certa altura da conversa, eu já estava cansada de explicar que só estava ligando para o namorado dela para perguntar se topava uma cervejinha nas mesinhas de madeira lá embaixo, com todo mundo, gente amiga, gente sociável e sem neurose, mas não deu certo. Fiquei com o coração mole, me deixei levar pelo desespero daquela voz fina e desesperada. Pedi desculpas, prometi que não ia mais ligar, compreendi as outras. Meu grupo de amigas caiu pela metade depois de alguns namoros vingarem. Sinto falta de algumas, mas a resposta é sempre a mesma: não podem. Deixei de lado, saí com amigos homens, bebi com eles. Me libertei xingando casais bundões, reclamando de alianças de prata e do instituto namoro. O que há com a gente? Esquecemos o que é estar junto. Sonhamos em encontrar a pessoa certa, para mudá-la completamente e transformar naquilo que é mais cômodo. Não sei ser assim, não sei ter alguém grudado a mim. Não sei sair para jantar sem ouvir as histórias do Fulano que encheu a cara, Ciclana que você ainda não conhece, mas conta ótimas piadas. Beltrano, eu não sei gostar de quem não vive! Nem mesmo de mim. O mundo então virou. É muita gente que não sabe amar com aquele espaço para amar a si mesmo. Vivemos nos escondendo em status de internet, colegas de trabalho, históricos não salvos. Mesmo?! Serei mesmo essa louca, vagabunda, mal amada e encalhada, porque convido gente simpática pra uma cervejinha nas mesinhas de madeira lá embaixo?


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ENSAIO FOTOGRÁFICO

Curitiba, quinta-feira, 06 de outubro de 2011

TRANSPORTE PÚBLICO CURITIBANO Por Rodolfo Tazoniero

Curitiba é conhecida nacionalmente como a cidade modelo do país. O sistema de transporte público da cidade é um exemplo disso. A Urbanização de Curitiba S.A., mais conhecida como URBS, já recebeu uma série de prêmios internacionais que comprovam a sua eficiência, mais recentemente da instituição inglesa Building and Social Housing Foundation. Os passageiros também estão satisfeitos com o transporte. Segundo pesquisa realizada pela própria URBS, onde 89% deles disseram achar o sistema de transporte coletivo eficiente. Criada em 1963 e originalmente chamada de “Companhia de Urbanização e Saneamento de Curitiba”, a URBS se diferencia das outras empresas de transporte coletivo porque criou o Sistema Integrado de Transporte. Com esse sistema, os passageiros pagam apenas uma passagem e deslocam-se mais, fazendo conexões em terminais de ônibus e estações-tubo. “Eu saio da minha casa todos os dias para trabalhar, pego quatro ônibus diferentes e pago só uma vez.”, afirma a empregada doméstica Neuza Nascimento, 44, que mora em Colombo e desloca-se todas as manhãs ao bairro Água Verde para trabalhar. Os ônibus biarticulados, outro diferencial do transporte curitibano, facilitam o transporte devido a sua grande capacidade de passageiros e ao número alto de paradas, nas chamadas estações-tubo. A tarifa domingueira, de apenas um real, incentiva o lazer e a cultura curitibana. No total, quase dois milhões de pessoas são usuárias do sistema de transporte público de Curitiba. São mais de 1980 ônibus e 395 linhas que atendem a capital paranaense e 12 municípios vizinhos. Isso gera 15 mil empregos diretos, facilidade de transporte para a população e desenvolvimento da cidade e, consequentemente, do país.


LONA 658 - 06/10/2011.