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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

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Ano XII - Número 656 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, terça-feira, 04 de outubro de 2011

lona.up.com.br

Gastos com cigarro comprometem orçamento familiar Priscila Schip

Multas Decisão do Tribunal de Justiça ainda não foi implantada e URBS continua arrecadando com multas de trânsito

Pág. 3

Arte O grafite como forma de expressão nas ruas da capital Pág. 4

Saúde ONG auxilia no tratamento de crianças com AIDS Pág. 4

De acordo com pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os gastos com o cigarro comprometem em média 1,7% do orçaOlimpíadas escolares estimulam mento familiar. Estima-se que, se uma pessoa que fuma uma carteira de cigarros por alunos e reforçam o aprendizado dia deixasse de fumar por um ano, a economia poderia chegar a R$1.728. Considerando que o salário mínimo no Brasil é de R$545, uma pessoa fuma mais de três salários míniPág. 5 mos em um ano.

Educação

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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Editorial Ser intelectual. A definição de intelectualidade é ampla e abarca uma série imensurável de ocupações. Historicamente, os intelectuais sempre foram ungidos de acordo com códigos sociais e culturais próprios de cada país. Em um país de forte tradição humanista como a França, o intelectual é retratado como uma entidade autônoma carregada de capital simbólico e político. No Brasil, o pensamento elaborado nunca foi prioridade e, até por seus longos períodos de ditaduras e democracias instáveis, o intelectual sempre foi enxergado como um elemento dispensável dentro da dinâmica cotidiana, um fardo e um não-prático. A figura do intelectual compete com a prática diária do jornalismo, certamente comprometido com prazos e refratário ao pensamento mais amplo. Se cada matéria publicada em impresso ou veiculada no telejornal das oito tivesse levantamento profundo de suas implicações éticas, pouco se leria e se veria. Até por essa fuga do jornalismo da densidade, muitas vezes em nome de uma suposta adaptação a um público médio – como se não fossemos capazes de desenvolver raciocínio aprofundado – o jornalismo pode ser encarado como um reforçador de estereótipos. Em uma editoria cultural o processo é inverso, o que não significa que não seja pernicioso: o jornalista de literatura, por exemplo, é imbuído de um poder mitológico de conferir ao produto cultural a sua validação – e como estamos falando de capitalismo, isso significa, muitas vezes, o jogo da indústria cultural. Por isso é preciso desconfiar de tudo: dos prêmios literários, das feiras literárias, das resenhas literárias, dos cânones literários e do jornalista, em si, enquanto elemento a serviço da ideologia dominante.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Daniel Zanella, Laura Beal Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Opinião

Aborto, uma prática contra a vida Juliano Gondim

Apesar da tecnologia avançada e do surgimento dos métodos anticoncepcionais, ainda se faz presente a prática do aborto. Trata-se de uma situação constante que desrespeita a vida. É uma forma cruel de se livrar de alguém. Um alguém que nem sequer teve a chance de vir ao mudo e viver este emaranhado de situações que a vida nos proporciona. É verdade que os casos de aborto têm as mais diversas origens: a mulher que sofreu uma desilusão amorosa, a que é muito jovem para ter filho, a que espera o filho com algum tipo de problema ou a que foi violentada. Em todos estes casos, a prática do aborto é injustificável. Um grande erro nos relacionamentos é o uso da gravidez para manter um vínculo com a outra pessoa. Quando o

Laura Beal Bordin

Descriminalizar.Verbo transitivo - 1. Deixar de considerar crime. Diferente de criminalizar. Normalmente, utilizar definições do dicionário para iniciar um texto opinativo me deixaria irritada, por nada mais é do que encher caracteres com informações que são do senso comum. Mas dessa vez, julguei necessário, pois parece que nesse caso o significado de descriminalizar não está bem claro à grande maioria da sociedade. Vamos pessoal! Tá liberado! Larguem as pílulas! Camisinha não precisa mais! Se joga! – Nada disso. A luta pela descriminalização do aborto não apoia às práticas abortivas, e não considera o aborto um método contraceptivo, apenas deixa de fazer da mulher que o pratica uma criminosa. O Código Penal Brasileiro prevê detenção de 1 a 10 anos, dependendo da situação, para quem praticar o aborto. O artigo 128 não pune o aborto em

amor se acaba, a criança acaba sendo “indesejada”. A responsabilidade por uma gravidez é tanto do homem quanto da mulher. Ninguém faz nada sozinho. Não é justo uma vida ser “indesejada” sendo que ela se formou de um desejo. Quando as pessoas têm maturidade para materializar seus fetiches, é esperada a mesma maturidade para assumir uma criança. Não são compreensíveis os abortos originários da imoralidade sexual. Quando a criança tem algum tipo de problema, mas não coloca em risco a vida da mãe, é intolerável o aborto. Temos o direito de fazer escolhas por nossa própria vida, mas não o de escolher pela vida do outro. É natural que a mãe dê à luz esta criança e a ame independentemente do problema.

Em casos de estupro, a violência que sofreu não pode ser projetada em outro ser humano. Isso seria como passar de vítima a agressor. Porque dizer que ficou “psicologicamente abalada” não é argumento convincente para abortar. É lógico: o grande vilão da história é o estuprador. O único caso em que o aborto se torna uma alternativa é quando a mãe corre risco de vida. Neste caso, são duas vidas em jogo. Esta situação foi retratada recentemente na novela “O Astro”. Eu diria que este é um caso sem saída. O aborto é uma questão muito ampla para se pensar. Na maioria dos casos ocorre por imprudência do casal. Estes são casos que podiam ter sido evitados. Quem não tem compaixão pelo próprio filho deve rever seus conceitos. Com a vida não se brinca.

Larguem as pílulas! duas hipóteses: risco à vida da mãe e gravidez proveniente de estupro. Balela. O aborto pode ser feito até a décima segunda semana de gestação e até que uma decisão judicial seja dada, o bebê já estará caminhando. No Brasil, aborto é legal para quem pode pagar e essa frase já está mais batida do que utilizar definições do dicionário no início de textos opinativos. Mas fatos são fatos e quem aborta tem dinheiro e quem não tem faz o que pode. E morre. O que não faltam são casos para comprovar mais essa realidade excludente no Brasil. O aborto é ilegal para todas, mas o direito a ele é inconscientemente garantido a quem tem dinheiro. Ah, e o estupro. Como se já não bastasse viver em uma sociedade que ensina a não ser estuprada ao invés de, por favor, não estupre, ter que ver a mulher grávida de um agressor ser considerada também uma agressora é demais. Não consigo imaginar a sensação

de carregar um filho de uma pessoa que você foi forçada a fazer sexo. Eu não conseguiria, mas isso é uma questão pessoal. Aborto sempre vai ser tabu, ainda mais em uma sociedade onde a religião tem uma influência tão forte nas decisões tomadas. Mas para ficar claro de uma vez por todas - aborto não é método contraceptivo e nunca será. Pergunte a qualquer mulher que já fez um procedimento como esse. Não vai ser difícil encontrá-la, já que uma em cada vinte mulheres entre 18 e 19 anos já o fez. O aborto é um procedimento invasivo, nada fácil de ser superado. Portanto, não, as pílulas não serão largadas. A descriminalização não é um convite ao sexo sem proteção. É apenas uma forma sensata de dar a mulher o direito sob seu próprio corpo e não tornála uma criminosa. Ter o poder de decidir não deve ser um crime. Nunca.


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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Economia

Gastos com cigarro comprometem 1,7% da renda de fumantes Usuário de cigarro chegam a gastar mais de 20% do total da renda própria em um ano Thomas Mayer Rieger

Segundo pesquisa divulgada pelo Índice de Custo de Vida (IVC), medido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os gastos com o cigarro comprometem o orçamento familiar em 1,7%. Os custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) consomem as verbas em 5,43%, o que corresponde a R$ 426 milhões por ano. De acordo com cálculos da Sociedade Brasileira de Cardiologia, se uma pessoa que fuma uma carteira de cigarros por dia a um preço médio de R$ 4,80 deixasse de fumar por um ano, a economia poderia chegar a até R$1.728. Isso equivale ao preço de mercado de uma TV LCD 42”, um tablet, três passagens para Buenos Aires e cerca de sete cestas básicas na região de Curitiba. O salário mínimo no Brasil é

de R$545, o que totaliza R$7.085 anuais com o décimo terceiro. Se essa pessoa parasse de fumar por um ano, estaria economizando, portanto, 24,3% de seus ganhos totais no período. Impostos O governo federal anunciou, em agosto, a elevação do imposto sobre o cigarro. Com isso, o maço de cigarros vai ficar até 20% mais caro a partir do dia 1º de novembro, data na qual começa a valer o aumento do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado). O aumento de preços vai ser escalonado, ou seja, os reajustes vão ser gradativos: até 2015, o cigarro vai ficar até 55% mais caro. Com o aumento, a arrecadação do governo deve subir em R$1,6 bilhão em 2012, R$800 milhões em 2013 e 2014 e, em 2015, a receita deve crescer em R$700 milhões. Apesar disso, o consumo não deve ter uma queda significativa,

Thomas Mayer Rieger

como explica a economista Patrícia Tendolini: “O cigarro, assim como a bebida, é um bem inelástico. Isso quer dizer que independentemente do preço, as pessoas continuam a consumi-lo”. Patrícia ainda esclarece que esse é um comportamento diferenciado do consumo de eletrodomésticos, por exemplo. Produtos como geladeiras e aparelhos de micro-ondas são mais ou menos comprados de acordo com seus preços: se estiverem muito altos, os consumidores têm a tendência de procurarem outros bens. No caso do cigarro, isso não acontece.

Gastos com cigarro podem chegar a R$1.728 em um ano

Solução Leis restritivas ao fumo vêm se intensificando nos últimos anos. Em Curitiba, por exemplo, desde 2009 está em vigor a lei antifumo, que proíbe o consumo de cigarros em áreas cobertas. Na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos,

está em vigor uma das leis mais rigorosas do planeta: é proibido fumar tanto em áreas cobertas como em parques e praias. Além disso, o preço do cigarro é bastante elevado: em reais, custa entre R$17 e R$25. Para a economista Patrícia, essa talvez seja uma solu-

ção para desestimular o consumo: “Não há muito o que fazer, porque o cigarro envolve a questão do vício. Mas há a possibilidade de que, com um aumento ainda maior dos preços, as pessoas possam se sentir desestimuladas a começar a fumar”, diz ela.

Trânsito

Decisão do TJ não deve impedir a URBS de aplicar multas A determinação deveria ter entrado em vigor no dia 28 de setembro Rodolfo Tazoniero do Amaral O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) publicou, no dia 28 de setembro, uma sentença que impede a Urbanização de Curitiba S/A (URBS) de aplicar multas de trânsito. Segundo o TJ, a URBS, empresa que administra o trânsito de Curitiba, não está de acordo com o artigo 11, inciso 15, na Lei Orgânica de Curitiba e dos decretos municipais 696/95 e 759/95, que autorizam a municipalidade, por intermédio da URBS, a instituir, aplicar penalidades e arrecadar multas. Segundo esses decretos, apenas empresas públicas têm o direito de aplicar multas de trânsito no Paraná, e a URBS é uma empresa de economia mista. Em

outras palavras, ela é uma empresa colaborativa entre o estado e particulares. Sendo assim, a aplicação de multas acaba incorrendo na geração de lucro para as empresas particulares, o que é vedado por lei. No Brasil, as multas de trânsito têm caráter única e exclusivamente educativo. Portanto, o dinheiro arrecadado com o pagamento das penalidades deve ser utilizado para melhorias no setor e não gerar lucro, como acontece nesse caso. Apesar dessa Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), a URBS continua a aplicar multas pela cidade. Em decisão unânime, os 20 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça

decidiram que a empresa deveria, além de ter suspendido a emissão de multas, desativado todos os radares e lombadas eletrônicas de trânsito de Curitiba e guinchamentos de veículos. O MP afirmou que busca uma solução amigável para o problema, mas ameaça entrar com uma ação civil pública caso a URBS não cumpra a sentença. Segundo o presidente da Comissão de Trânsito da OAB Paraná, Marcelo Araújo, a ideia de impedir a Urbs de aplicar multas já vem sendo pensada há algum tempo. “A ação direta do MP foi analisada em 1995, quando alguns decretos de lei foram mudados”, afirmou o advogado. Ele conta que é preciso pensar nos acontecimentos da decisão do TJ de forma histórica. A Lei Orgâni-

ca de Curitiba e os decretos municipais citados, que antes eram da década de 30, foram atualizados em 1995. Neste ano, a contestação do TJ seria pertinente. Porém, a partir de 1998, um novo Código de Trânsito Brasileiro entrou em vigor e os municípios do Paraná passaram a ter o direito de multar e fiscalizar o trânsito. Por esse motivo, Marcelo Araújo explica que a decisão de proibir a URBS de aplicar multas só é valida em partes. “Apenas a questão de ser uma empresa de economia mista é válida na ação movida pelo Ministério Público do Paraná, porém isso não constava na ação inicial proposta pelo MP”. Araújo ainda afirma que a decisão tomada pelo TJ não deve trazer maiores problemas para a URBS, pois ela não está desobedecendo nenhuma

ordem judicial e a ação movida contra a empresa não entrará em vigor. A decisão do Tribunal de Justiça do Paraná de negar à URBS o direito de aplicar multas de trânsito deixou os motoristas curitibanos animados. Com essa Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo Ministério Público contra a URBS, muitos motoristas e advogados entraram com ações na justiça para questionar e pedir a anulação de multas e infrações cometidas neste ano e até anteriormente. Para Marcelo Araújo, será preciso analisar cada caso de infração separadamente. Ele explicou que o município de Curitiba irá recorrer a decisão do TJ-PR e que essa situação deve ser revertida.


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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Arte

Grafites fazem críticas à desigualdade A arte de rua ganha os muros de Curitiba Juliano Gondim Em meio ao tumulto das grandes cidades, é comum encontrarmos muros e paredes grafitadas. Envolvidos pela pressa diária, nem paramos para apreciar o trabalho artesanal expressado em forma de cores. Trata-se de uma arte de rua que muitas vezes é marginalizada pela população. Estas manifestações visuais que transmitem ricas mensagens fazem parte da chamada arte urbana. Os artistas trazem um novo cenário para a “cidade modelo”. O grafiteiro Edrian Sorage, mais conhecido como Ensko, começou na adolescência fazendo alguns rabiscos, que foram se aperfeiçoando e se transformando em sofisticados traços. Ao falar de suas inspirações, Ensko ressalta a importância da música para materializar seus desenhos. Ao som de um reggae, ele

mostra a tela que está sendo finalizada. Em meio a latas de tinta, ele conta: “O mais difícil é o preconceito da sociedade. É difícil reconhecer o grafite como arte”. Dentre as principais mensagens que Ensko transmite em suas obras estão a crítica contra a desigualdade, a defesa da natureza e o pedido de paz. Grafite na academia A professora da Escola de Belas Artes do Paraná Elisabeth Seraphim Prosser fotografou grafites durante sete anos para compor sua tese de doutorado, um estudo aprofundado que enquadrou o grafite na linha de pesquisa “Cidade, Meio Ambiente e Urbanização”, da Universidade Federal do Paraná. As fotos foram divididas em grupos de acordo com suas mensagens. A pesquisa revelou resultados surpreendentes. “Constatei a presença de três grandes grupos que

desmentem a tese de que esta arte é somente de protesto”, conta a professora. Segundo ela, 45% dos grafites fotografados foram posicionados no primeiro grupo. Este grupo representa mensagens de protesto, sofrimento, dor, angústia, discriminação, indignação e crítica. Outros 43% pertencem ao segundo grupo que representa sociabilidade, amizade, camaradagem e otimismo. E no último grupo, 2% das obras representam a mulher, o amor e o sexo. “Caem por terra os argumentos que marginalizam o grafite por conta de suas representações negativas nas paredes”, completa a professora. Para a professora de artes Simoni Domingues de Souza, pichação e grafite fazem parte do mesmo universo. O grafite se originou das pichações. Por isso, na hora de ver as pinturas como arte, a sociedade se

Juliano Gondim

divide. Uns enxergam as pinturas do grafite como pichação, outros acabam criminalizado tudo. Outros ainda conseguem sentir a beleza das obras. É muito tênue a linha que separa o grafite de pichação. De acordo som Simoni, para as pessoas gostarem das pinturas é preciso aproxima-

ção. “Só assim elas se livram de seus preconceitos e passam a ter um olhar mais artístico”, explica a professora. É importante o reconhecimento e a valorização de grafiteiros como o Ensko. Este é um novo olhar que pode quebrar barreiras e diminuir os mais diversos tipos de desigualdade.

Entrevista

ONG abriga crianças carentes com HIV Larissa Beffa A Associação Paranaense Alegria de Viver- APAV é uma organização não-governamental que auxilia crianças carentes portadoras do vírus HIV. A Casa de Apoio é o lugar onde as crianças moram, e é organizada pelos voluntários. A advogada Carolina Correa Garcia Caron é voluntária há 14 anos e conta sobre a história e o funcionamento da casa. Como a ONG começou? Carolina: Começou em 1993 com um grupo de voluntários sensibilizados com a situação das crianças portadas do vírus HIV, que na época não era tão desmistificado como é nos dias de hoje. Como iniciou o seu en-

volvimento com a ONG? Comecei a frequentar a APAV em 1997, estimulada pela minha irmã, que já era voluntária. Inicialmente, passávamos algumas tardes cuidando e brincando com as crianças. Como as crianças chegam até a APAV? Elas mantêm contato com as famílias? Elas são encaminhadas pelo conselho tutelar. Algumas mantêm contato, algumas não têm família, algumas têm família e não mantêm porque a família acaba não procurando a criança. Não há uma regra. Tem algum tipo de acompanhamento psicológico das crianças? Hoje me parece que só uma

criança tem atendimento psicológico. É de fase, às vezes temos, às vezes não temos psicólogas atuando junto às crianças.

crianças da APAV ficam muito tristes com a perda de uma criança. Mas são reações normais de tristeza; não há nenhuma diferença dos demais lutos.

Como elas lidam com a doença? Elas sabem que são portadoras do vírus e sabem sobre os cuidados que devem ter. A Rita Teixeira, presidente da casa, trata do assunto de maneira natural e acessível, inclusive com as crianças.

Qual o número de voluntários, aproximadamente, e de crianças que são ajudadas no momento? A casa está com 19 crianças. Os voluntários oscilam muito, hoje a casa tem aproximadamente 30 voluntários.

Teve algum caso de uma criança que morreu, e como as outras reagiram? Já. Mas acabam faleceram por outras razões que não o HIV especificamente. Me recordo de uma, de morte por hepatite. Como qualquer família que perde um ente, as

Como as pessoas podem ajudar? Através de trabalhos voluntários e doações de roupas, brinquedos, alimentos, produtos de higiene e limpeza e recursos financeiros. Qual a maior dificuldade que a APAV enfrenta hoje?

Poucos ceiros.

recursos

finan-

Qual mensagem gostaria de passar a comunidade sobre a importância do trabalho da APAV? A de que todos os cidadãos tratem com respeito e naturalidade os portadores de HIV. Que não haja diferença na hora de conviver, de adotar, de ensinar, de contratar, de se relacionar, enfim, que seja deferido aos que possuem o vírus um tratamento igualitário aos demais. Serviço A APAV fica na Rua Capibaribe, número 1546, no bairro Portão. Os voluntários convidam todos a conhecer o lugar e, quem sabe, se tornar parte desse time.


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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Educação

Competições estimulam alunos a gostar dos estudos A Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) é um projeto que visa estimular o estudo da matemática e popularizá-la entre os alunos da rede pública de educação. Essa olimpíada acontece desde 2005 e, mesmo envolvendo somente alunos de colégios estaduais, ela é a de maior visibilidade no país por ser a mais divulgada, o que acabou tornando-a popular. O que muitas pessoas, inclusive colégios, alunos e professores, não sabem é que essa não é a única olimpíada existente no Brasil. Olimpíadas de Física, Química, Biologia e, inclusive, História, também acontecem todo ano. Porém, essas não são restritas e abrangem também a rede particular de ensino. A Olimpíada de História acontece desde 2009 e já em sua primeira edição contou com 16 mil inscritos. Na segunda edição, em 2010, o número de inscritos mais que dobrou, foram 43 mil participantes na primeira fase. A olimpíada visa estimular os alunos a estudar e conhecer a história do Brasil através de análises de documentos históricos. A professora de história Maria Shirlene Torrezan é uma das participantes da olimpíada deste ano. Ela dá aulas de história em um colégio estadual e participa desde a primeira olimpíada e está confiante com os resultados desta terceira olimpíada. Para se inscrever para a próxima Olimpíada de História entre no site olimpiada.museudeciencias.com.br, mas a próxima é só no ano que vem e apenas alunos de 8ª a 3º ano do ensino médio é que podem participar. O resultado para saber quem vai para a última fase, a presencial, sai no dia 19 de outubro.

Como você ficou sabendo da primeira Olimpíada de História e por que resolver participar? Fiquei sabendo através da Revista Nova Escola, onde havia uma propaganda sobre ela. Como era algo inédito na área de História, resolvi me informar, montar uma equipe e participar. Os alunos gostaram da ideia? Qual foi o critério que você utilizou para escolhê-los? Sim, gostaram, embora a princípio não tivessem muita certeza sobre o que seria. Como critério escolhi um aluno de cada série do Ensino Médio, dentre os de melhores notas e com maior afinidade comigo, uma vez que teríamos que “conviver” durante todo o período da Olimpíada. A olimpíada está em sua terceira edição, você participou apenas da primeira? Não, participei de todas as três edições que aconteceram. Na primeira, participei com uma única equipe; fomos classificados para a fase presencial e fomos para Campinas. Na segunda edição, participei com 4 equipes e, com elas, fui até a 5ª fase, porém não passamos desta. Nesta 3ª edição já chegamos à 5ª fase e estamos ansiosos para a próxima, presencial. Como funciona a olimpíada? Funciona quase totalmente on line. São seis fases (uma presencial apenas, a última), e cada uma delas classifica para a próxima. São questões de 4 escolhas, em que não há uma resposta correta e quatro erradas, mas sim uma mais pertinente que a outra, valendo pontos equivalentes conforme a escolha recaia sobre a mais pertinente delas. Também há uma tarefa em cada fase, que deve ser cumprida. Então, à medida que vai avançando, vai-se “peneirando” as equipes, até chegar às 300 da fase presencial. Em Campinas, há

uma prova discursiva só para as equipes, e, após, a premiação com medalhas para os 75 melhores colocados. Qual o nível de dificuldade? Cada fase vai tornando-se mais trabalhosa, à medida que se passa para a seguinte. Especialmente a quarta fase, quando é necessário elaborar uma tarefa que exige além de conhecimento histórico, muito fôlego e persistência, pois é muito pouco tempo para fazer algo que geralmente é bastante trabalhoso. Como é esta “tarefa” da quarta fase? Consiste na elaboração da “Gazeta do Jovem Historiador”, em que uma página de jornal deveria ser elaborada, com notícias direcionadas sobre a história do trabalho. Precisamos descobrir uma pessoa com uma profissão curiosa que não existe mais. E em outra reportagem era necessário retratar um local que tivesse sido um local de trabalho e que hoje não

é mais. Também deveria ser dito sobre o que a equipe gosta e não gosta na olimpíada. Como foi para vocês juntar história com comunicação? Foi trabalhoso fazer o jornal? Foi desafiador. Primeiro porque não temos as “manhas” do texto jornalístico. E segundo porque é preciso passar a ideia histórica exata, senão corremos o risco de não nos adequarmos ao que é pedido na tarefa. Sobre o jornal, foi muito trabalhoso, com certeza. Quais suas expectativas para essa fase? As melhores possíveis. Espero passar com todas as equipes para a 6ª fase, ou pelo com uma delas. Seja qual delas for será merecido. Embora pras demais será muito triste. Mas, ainda que não passemos, terá valido a experiência de participar, pois com certeza foi muito enriquecedor para os alunos. O que você acha da olimpíada? Acho excelente, especialmente

Diego Henrique da Silva

Isabella Mayer

Olímpiadas escolares são uma forma de estimular os alunos a irem a escola

porque se trata de história do Brasil, e ainda porque é análise de documentos históricos, a maior parte deles desconhecidos. Para os alunos é difícil de início localizar-se sobre o que pede a olimpíada, mas depois eles gostam, porque é um desafio constante a cada fase, sem contar com a expectativa para saber se passou para a fase seguinte. O que você pensa sobre essa ser uma olimpíada abranger também as escolas particulares? Acha que o nível e o estímulo para os alunos são maiores? Creio que seja mais desafiador, pois as escolas particulares acabam por ter mais “tempo”, digamos assim, para fazer as questões. Mas, acredito que o nível dos alunos é o mesmo, e que o entendimento deles é equivalente. Então, não entendo como ameaça a participação das particulares. Vejo como estímulo.


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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Luciana dos Santos

Paola Marques

@luciawinchester

@paoulam

Cursa o 4º período da manhã e publica seus textos no spnhunter.blogspot.com

Televisão

As séries da terra da Rainha Ele aproveita para salvar o mundo, o universo e tudo o mais enquanto viaja, mas o principal objetivo dessas aventuras é a diversão. Doctor Who figura no Guiness como “a mais longa série de ficção científica do mundo”, sendo que foi ao ar pela primeira vez em 1963. Produziu dois spin-offs, Torchwood e The Sarah Jane Adventures, mas depois de assistir Doctor Who você nem vai precisar de ninguém para te convencer a assistir essas duas. Prefere fantasia? A BBC apresentou ao mundo uma série que conta a juventude do feiticeiro mais famoso de todos os tempos (não, não é Harry Potter). Merlin tem suas críticas por não ser lá muito canônica, mas ainda assim é diversão garantida. Gosta de drama? Ninguém produz dramas como a Inglaterra. Downtown Abbey acompanha o dia a dia – e os escândalos – da casa da família Crawley. É uma das séries mais aclamadas dos últimos tempos, e recentemente ganhou os Emmys de direção, atriz coadjuvante para Maggie Smith, roteiro e melhor série. Prefere investigativos? Sherlock narra as aventuras do famoso detetive no século XXI. Comédia? Histórico? Romance? Musical? O que não falta na TV inglesa são opções de entretenimento de qualidade para todos os gostos e estilos.

Moda

Novos acabamentos, novos materiais

Divulgação

A Inglaterra tem uma das produções de séries mais rica do mundo. De temas como f i c ç ã o científica à suspense e terror, a Inglaterra há muito tempo dita um padrão de qualidade em produções televisivas que os americanos – e o resto do mundo – até tentam, mas não conseguem atingir. Uma série não sobrevive na TV inglesa se não tiver no mínimo um roteiro decente, atores competentes e uma audiência sólida. Vou te dar umas dicas, só pra você ver o que está perdendo. É fã de séries de terror e suspense? Vá correndo assistir Dead Set e Survivors. Enquanto Dead Set produziu a melhor história com zumbis que a televisão já viu a partir de um enredo que tinha tudo pra dar errado (num apocalipse zumbi os únicos sobrevivente são os participantes do Big Brother, pra você ver como a raça humana está perdida), Survivors acompanha um grupo de sobreviventes de uma gripe que dizimou 99% da população global. Gosta de ficção científica? A Inglaterra inventou o gênero. O que está fazendo que ainda não assiste a Doctor Who? Essa série acompanha as aventuras de um alien, um Time Lord para ser mais específica, que viaja pelo tempo e pelo espaço, normalmente com companheiros humanos, em uma cabine de polícia azul londrina dos anos 60 que é maior do lado de dentro.

Cursa o 6º período da noite.

A indústria da moda está sempre em busca de novidades parafazer a máquina girar. Se em uma temporada é a vez do couro, na outra é a horae a vez das rendas. As pesquisas por materiais que possuam cores diferenciadas,texturas interessantes e que sejam viáveis comercialmente nunca acabam. Amovimentação que aos poucos está ganhando espaço nas araras e já é realidade ediferencial para algumas marcas é o movimento eco-consciente. Nesse movimento, a mata e seus elementos são osprotagonistas, aumentando o uso e aplicação desses materiais nas roupas eacessórios. Estilistas e empresas que vestem a camisa da sustentabilidade jáestão produzindo coleções com materiais alternativos como fibras de garrafa pet,algodão orgânico, bambu e com mão de obra justa. Marcas internacionais como a Levi’s possuem peças em que asmatérias primas são de origem orgânica e todo o processo de lavagem do jeansreutiliza boa parte da água. Já pequenas confecções apostam na exclusividadecomo maneira de aproveitar os materiais

naturais e ainda assim oferecer roupasde qualidade e dentro das tendências. De acordo com dados da EPA, Agência de Proteção Ambiental, aindústria têxtil está entre as quatro que mais consomem recursos naturais. Oestudo promovido pela instituição também relata o impacto que inseticidas epesticidas das plantações de algodão são oito vezes maior que o uso dessesagentes em cultivos de alimentos e representam 30% do uso de pesticidas em todoplaneta. Utilizar o couro de tilápia para bolsas e sapatos, sementespara acessórios e aplicações, além do tingimento de tecidos com chá e flores emconjunto com técnicas na maioria das vezes artesanais, faz com que as roupas sejammuito mais duráveis e até mesmo confortáveis. Investir em roupas que vão duraranos e anos também é uma maneira de contribuir com o meio ambiente. Mesmo quecustem um pouco mais hoje elas matem a qualidade por muito mais tempo e evitam quesejam desperdiçados recursos naturais para se produzir roupas que serãorapidamente descartadas.


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Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sérgio mostra que não é apenas nas provas de atletismo que corre atrás das vitórias Francieli Fernanda

Entre dificuldades e desafios nasce um campeão. Quem vê esse homem franzino de 1,70m e 56 kg não imagina a força e persistência que ele teve que ter para chegar até aqui. Sérgio Rodrigues da Silva é maratonista e Sargento da Força Aérea Brasileira, tem 35 anos e nasceu em Guarapuava, cidade do interior do Paraná. Não teve uma infância fácil. De família pobre e tendo perdido o pai com apenas sete anos de idade teve de assumir responsabilidades de adulto para superar os problemas e dificuldades junto com sua mãe e irmã que na época tinha apenas dois anos de idade. Com o apoio efetivo dos avós maternos não chegou a passar fome, mas as dificuldades eram grandes. Até seus 14 anos de idade tinha que fazer verdadeiros milagres para poder estudar, se alimentar e se vestir. Teve uma infância difícil, mas bastante proveitosa. Não tinha TV, muito menos energia elétrica. Mas por ser do interior pode desfrutar de muitas coisas que as crianças da cidade não têm oportunidade, como criar seus próprios brinquedos e viver em constante contato com a natureza. Em 1994, aos 18 anos, decide vir para Curitiba em busca de uma vida melhor. ” Meu propósito era nunca me afastar de minha mãe e irmã, mas precisei sair para estudar e buscar meus objetivos”. Quando criança Sérgio gostava era de jogar futebol, por pouco não virou profis-

sional. O sonho não deu certo, mas o que ele ainda não sabia é que outro esporte iria chamar sua atenção, a corrida. Seu interesse pelo esporte se deu a partir de 2001, quando foi para seu primeiro curso de formação militar fora de Curitiba, na Escola de Especialidades de Aeronáutica no Curso de Formação de Cabos em Guaratinguetá, São Paulo. Lá , ele via alunos se destacando como atletas padrão da escola e nutriu o desejo de voltar algum dia para fazer o curso de Sargento e deixar sua marca como atleta. Foi o que fez em 2004, quando retornou. Participou de três olimpíadas do corpo de alunos ganhando todas as provas de 800m, 1500m e rústica, com isso , ganhou o Mérito Desportivo da escola em 2004 e 2005 com recorde em algumas provas. Desde então começou a participar de corridas de rua. Sérgio Rodrigues é tricampeão da corrida Unimed Curitiba. Ganhou a prova por três anos consecutivos mas nenhuma das corridas que ganhou marcaram sua carreira como atleta como a prova de pista que disputou em junho de 2007 na modalidade de 1500m do Campeonato Brasileiro de Forças Armadas. O motivo de essa corrida ter sido uma das melhores da sua carreira, segundo ele é porque teve uma grande superação na última volta e conseguiu o índice para os Jogos Mundiais Militares em Hyderabad na índia. Hoje seus treinamentos estão voltados para provas mais longas. A sua mais re-

cente prova de destaque foi a Maratona (42,195 km), nos jogos Mundiais Militares, mas já esteve competindo em provas de pista como o 1500m no Mundial na Índia em 2007. Sérgio faz parte da Seção de Educação Física do batalhão em que atua como Sargento. Trabalha no Cindacta II em Curitiba, de onde são controlados todos os voos que saem do sul do Brasil e representa a Força Aérea Brasileira em algumas competições. É casado e tem dois filhos, uma menina e um menino. Tem uma grande admiração pelo também maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima. Sérgio admira as grandes conquistas que Vanderlei possui, mas principalmente a humildade que ele deixa transparecer em todas as vezes que se encontram.

Sérgio, podemos dizer, é tão humilde quanto o seu ídolo famoso, pois admira mesmo, aqueles que têm grandes dificuldades para treinar, sem o apoio necessário para se tornar um grande atleta e ainda assim conseguem bons resultados nas competições. Sérgio nem percebeu, mas ele estava se descrevendo. As lutas para vencer as dificuldades do passado valeram a pena para alcançar seus objetivos. Sérgio, assim como muitos em sua profissão, encontram inúmeros obstáculos para superar além das pistas. Não encontram incentivos do governo, não conseguem patrocínio e ficam a mercê dos organizadores dos eventos. “ Hoje as corridas de rua estão virando mais comércio para organizadores que só querem lucrar com o evento, e

o retorno financeiro para os atletas é quase nulo”, desabafa o maratonista. Sérgio já teve muitos motivos para desistir de seus sonhos. Mas continuou firme na luta. Temente a Deus, diz ter encontrado nele forças para prosseguir nos momentos de maiores dificuldades. Mas quando esses pequenos obstáculos são vencidos ele vê que tudo valeu a pena. “O que mais me motiva a continuar correndo, fazendo um treinamento forte, é a vontade de estar cada vez melhor naquilo que mais gosto de fazer. Estar no pódio e ter a recompensa de um trabalho de meses que às vezes se resume em uma única prova, além do reconhecimento das pessoas que verdadeiramente torcem por mim”.


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ENSAIO FOTOGRÁFICO

Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

Centro Cívico por outro ângulo Ágatha Dea Em meio a tantas construções, políticos, prédios e pontos turísticos, quis mostrar algumas peculiaridades que passam por mim todos os dias e que ao mesmo tempo são próximas e desiguais. Estação de ônibus lotado, pedras cansadas por onde passo, linhas que me levam ao Ministério Público e ao Edifício Caetano Munhoz da Rocha, garis que merecem ganhar mais do que muitos da nossa querida Assembleia Legislativa e por fim o Museu do Olho, visto por um vidro quebrado, formando uma textura particular. É isso que vejo, é isso que me aborrece, é isso que me permite ver a vida de outro ângulo.


LONA - 656 - 04/09/2011  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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