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Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

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Ano XII - Número 646 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

lona.up.com.br

Jornal Lona

Copa do Mundo no Brasil custará mais

de R$ 40 bilhões aos cofres públicos Há menos de mil dias para a abertura da Copa do Mundo no Brasil, orçamento de obras nas cidadessede do evento ultrapassa mais de R$40 bilhões e gera controvérsia sobre a lisura dos investimentos públicos. Comitês populares se organizaram para exigir maior transparência do governo. Pág. 3 Camilla Hoshino Cultura

Sebos curitibanos resistem e mobilizam público cativo Pág. 4 e 5

Fotografia

Dance Boy, um personagem curitibano Por Marcos Monteiro Pág. 8

Ombudsman

O professor Emerson Castro faz um balanço da 1ª semana do Lona Pág. 2

Greve dos Correios

Falta de negociação mantém a greve dos Correios em Curitiba Comitês populares reivindicam controle de gastos e transparência do governo

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Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

Editorial

Ombudsman

Editar é fazer escolhas Emerson Castro, jornalista e professor

Um dos grandes problemas da popularização dos termos técnicos é o esvaziamento de seu sentido bruto. O termo convergência midiática parece seguir essa inevitável precipitação. Todos os conglomerados de informação alegam estar preparados ou em curso nesse processo – de fato, extremamente adiantado na vizinha Argentina. (Nota circular: Buenos Aires possui oito impressos diários, com tiragens entre 25 mil e 90 mil exemplares.) O notório caso dos Diários Secretos – tour de force da Gazeta do Povo em parceria com a RPC – é um exemplo de que a convergência é possível, se não necessária. Mas, parafraseando Carlos Drummond de Andrade, na unanimidade há uma parcela de entusiasmo, outra de conveniência e uma última de desinformação. Portanto, é preciso um pouco de cautela. Muitos dos que escolheram cursar Jornalismo após o fim da obrigatoriedade do diploma – a informação, de fato, não é um bem de classe – foram esclarecidos de que o modelo de profissional exigido pelo mercado deve ser capaz de realizar inúmeras tarefas, dominar diversas ferramentas e, como não poderia deixar de ser, convergir, ser capaz de escrever um artigo para jornalismo impresso ao mesmo tempo em que redige uma chamada para televisão, considerando, obviamente, todas as suas especificidades. Não temos o interesse de defender um tipo de profissional capaz de realizar o mesmo trabalho durante toda a vida, entretanto, é preciso pensar se esse não é o discurso ideal para aqueles que empregam: jornalistas ultracapacitados em diversas mídias, realizando o trabalho de mais de um, nunca se especializando. Para não esquecermos que ser jornalista é sempre ser um pouco do contra. Boa leitura a todos.

Expediente Reitor: José Pio Martins | Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração: Arno Gnoatto | Pró-Reitora Acadêmica: Marcia Sebastiani | Coordenação dos Cursos de Comunicação Social: André Tezza Consentino | Coordenadora do Curso de Jornalismo: Maria Zaclis Veiga Ferreira | Professores-orientadores: Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima | Editores-chefes: Daniel Zanella, Laura Beal Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Esta primeira semana do Lona - versão 2° semestre – teve uma feliz coincidência para eventos como a Semana de Comunicação e a Mostra de Profissões. Momentos que geraram diversas pautas, coberturas, temas variados, edições especiais, muito trabalho por parte dos editores e repórteres. Mas, trabalho é trabalho, e o meu aqui será apontar os erros, porque eles sempre aparecem, ainda que em estágios menos ou mais elevados de evolução. Seguirei o método adotado nas duas avaliações anteriores: um olhar mais específico sobre alguns itens e outro mais geral sobre o conteúdo. As capas ainda estão um tanto estáticas, mantendo um padrão de manchete, foto ampliada e pequenas chamadas, estas variando ao menos de linha vertical a linha horizontal, além das cores. Esse último aspecto ajuda, mas preferiria um pouco mais de ousadia e criatividade, além de valorização de temas que acabam tendo tratamento idêntico, embora sejam muito diferentes em termos de importância e abordagem para a comunidade. Nas chamadas, alguns escorregões: na quarta-feira, corridas de rua e futebol americano tornam-se esportes populares, ainda que nem de longe a matéria sobre o esporte ianque aponte para esta nova visibilidade, ao contrário da matéria sobre a corrida, de fato popular. Na capa de sábado/ segunda-feira há um destaque para o fato de que a notícia surgiu “Nesta noite de quintafeira”. O tema, certamente, era mais importante do que a noite em que aconteceu o evento que gerou a matéria, já “mui” distante da publicação. Entre as matérias principais, bem escritas em geral, vale destacar a que apresenta o atual estágio de exagero estático entre as crianças (edição de sábado\segunda-feira). Mas insisto que ela ficaria melhor com retrancas, destacando partes específicas como as que falam sobre publicidade e sobre a – deus meu – Mini Miss Curitiba.

Problema idêntico ocorreu com outra reportagem publicada sobre o Hospital Angelina Caron. A parte que fala sobre o movimento comercial no entorno do HAC toma 2\3 da matéria, mas isso só se percebe ao longo da leitura. Destacadas separadamente, seriam melhor absorvidas. A cobertura de um evento como o da Semana de Comunicação suscita reflexões por parte da redação. Não que não tenha ficado boa, mas houve momentos em que o texto se aproximou de uma divulgação oficial, limitada ao que estava acontecendo, digamos burocraticamente. É possível estabelecer pontos de vista de cobertura de modo a pensar o leitor como alguém que pode interessar-se por este ou aquele tema, sobretudo pelo conteúdo que leva a alguma reflexão pelo leitor. Não basta informar, é preciso levar à discussão. Outra boa matéria que merecia tratamento mais adequado é a que fala sobre os resultados do ensino público no Enem. Convido aqui a uma reflexão: o que é exatamente a média do resultado do referido teste? Se o objetivo é estabelecer uma referência perece-me que isso faz pouco sentido. A média é uma composição entre as notas das escolas públicas e privadas. Claro está que as privadas têm melhores índices, na faixa de 700 pontos. Ficamos, pela matéria, sabendo que as públicas ficam abaixo da média nacional de 511 pontos, mas considerando que isso significa 96% dessas escolas, creio que seria mais informativo e, provavelmente, mais estarrecedor, perceber a diferença real existente entre as médias separadas dos dois grupos de escolas. Para manter a escrita, termino elogiando a qualidade e a pertinência de artigos e editoriais, além, e especialmente, os dois cadernos suplementares produzidos durante a semana – um sobre o curso de Jornalismo e outro sobre Educomunicação – ambos muito bem produzidos, apesar da correria paralela com a produção do Lona diariamente.

DrOps Bruno & Marrone Acabou Notícia muito triste para os fãs da dupla de música sertaneja Bruno & Marrone. A dupla acabou. Eles anunciaram o divórcio artístico neste domingo (18), em pleno Programa do Faustão. Calma, gente! Marrone alegou que o fim da dupla é temporário. Ele iniciará terapia psicológica para se tratar do acidente de helicóptero que sofreu no começo do ano. “A dupla só Deus separa”, disse o cantor ao Faustão. Carreira A dupla goiana foi formada em 1994. Bruno se chama Vinícius Félix de Miranda. José Roberto Ferreira é o Marrone. Os principais sucessos do duo são “Choram as Rosas”, “Dormi na Praça”, “Favo de Mel” e “Flashback de Nós Dois”. Trecho da última: “Eu sei que vai ser bom demais/ Pois ninguém faz como você/ Eu já tive mais de cem / Igual a você não vi ninguém...” Essa data na história A separação de Bruno & Marrone integrará o rol de datas históricas que revestem este 18 de setembro, dia da independência do Chile, do nascimento do imperador romano Trajano e do lançamento do álbum duplo Use Your Illusion I e II, do Guns N’ Roses, em 1991, à meia-noite. O álbum vendeu 500 mil cópias em duas horas. Última passagem A dupla sertaneja tocou pela última vez nas redondezas de Curitiba em 14 de agosto, no Festival de Rodeio de Campina Grande do Sul. Tocaram em um domingo com duas horas de atraso e foram vaiados em alguns momentos. Bruno, o que canta, disse ao público que não era para se preocuparem que não haveria música inédita. “Para não exigir muito de vocês...”


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MANIFESTAÇÃO

Contagem regressiva para a Copa do Mundo gera discussões sociais Gastos do poder público e possíveis violações de direitos humanos pautam debates sobre os impactos negativos do Mundial Diego Silva

Dilcélia Queiroz

Na última sexta-feira (16) as cidades-sedes da Copa do Mundo no Brasil realizaram eventos para celebrar a marca de mil dias para a abertura do maior evento esportivo do planeta. Abrindo a contagem regressiva para o Mundial, a Prefeitura de Curitiba inaugurou uma nova iluminação na estufa do Jardim Botânico, um dos cartões postais da cidade, que foi iluminado com as cores verde e amarelo. Nos próximos sete dias, a estufa terá as cores dos outros sete países campeões mundiais de futebol: Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra, França e Espanha. Apesar do clima amistoso, a Copa do Mundo ainda divide opiniões: o evento pode significar tanto oportunidades para a cultura, o esporte e a infraestrutura das cidades-sede, quanto ameaças de maior exclusão e violação de direitos da população e comunidades locais. Movimentos sociais, organizações de

direitos humanos e especialistas preocupam-se com os reais impactos socioeconômicos desse evento. Para exigir maior transparência e participação popular, em todo o país estão sendo organizados Comitês Populares da Copa 2014. Thiago Hoshino, membro do Comitê Popular de Curitiba, explica que o objetivo é incentivar o debate. “Queremos produzir um espaço de contraopinião sobre as atitudes tomadas para a Copa. O Comitê serve para levantar o debate sobre as obras, a estrutura administrativa e a legislação de exceção formada para receber o evento. É preciso deixar claro que existe crítica e resistência popular contra a forma que o Brasil está conduzindo esse processo”, explica. O preço da Copa Segundo estudo da Consultoria Legislativa do Senado, a Copa do Mundo no Brasil deve ser a mais cara da história, calcula-se que serão gastos mais de R$ 40 bilhões, custando mais para os cofres públicos do que as três últimas Copas somadas. Os valores a serem gastos pelo país ficam bem acima do total desembolsado pela África do Sul

Manifestantes pedem transparência nas obras para a Copa do Mundo que realizou a Copa mais cara até então, totalizando cerca de R$ 14,5 bilhões, entre estádios e obras de infraestruturas. Além disso, inúmeras obras já anunciadas demandarão despejos e desapropriações para Camilla Hoshino

Custo total das obras estão especuladas em mais de R$40 bilhões de reais

serem concretizadas. Somente para a realização das obras de infraestrutura de transporte no Rio de Janeiro, devem ser realizadas mais de 3 mil despejos e remoções forçadas. Segundo Hoshino o mesmo acontecerá em Curitiba. “A falta de transparência é muito grande, ainda não se sabe quais são os projetos, qual a quantidade de imóveis que serão desocupados, quais os reais impactos disso para a população curitibana”, afirma. Para o professor e pesquisador na área de Planejamento Urbano da UFPR José Ricardo Vargas de Farias, é importante ter a clareza de que o discurso construído em torno da Copa tem como objetivo legitimar os investimentos e gastos públicos no evento. Farias alerta para a criminalização da pobreza, prática que visa higienizar a cidade e deixá-la mais “atraente” aos olhos dos turistas. “Em grandes eventos como a Copa do Mundo, trabalhadores informais, ambulantes e a população em situação de rua também sentem o aumento da repressão e da criminalização que pretende levar realizar uma verdadeira “faxina social” na cidade”, esclarece.

Copa para quem? Na Copa de 2010, na África do Sul, os ingressos mais baratos foram vendidos pela quantia de R$ 500. Já para o mundial de 2014, os valores de entrada para os principais jogos devem passar de mil reais. Para Mateus Novaes, membro da Associação Nacional dos Torcedores e Torcedoras, existe hoje no Brasil uma elitização do futebol. “Com os altos preços de ingressos, o cidadão comum que gosta de futebol já não tem mais acesso aos estádios. A Copa, por exemplo, em vez de ser instrumento democrático de inclusão, como o futebol sempre foi, tem estado a serviço de outros interesses”, afirma. Thiago Hoshino completa ressaltando que o foco da promoção do Mundial de futebol deixou de ser o esporte e passou a ser o dinheiro. “A Copa tem que ser desmistificada. Essa é uma luta pela valorização do esporte, mas pelo esporte popular, onde haja integração. Com os ingressos a mil reais, certamente que o povo vai acompanhar os jogos do sofá, assistindo pela televisão”, afirma.


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CULTURA

Sebos facilitam acesso à cultura João Marcelo Vieira

João Marcelo Vieira

Os sebos surgiram no século XVI, na Europa, quando os mercadores começaram a vender a pesquisadores papiros e documentos importantes da época. Esses mascates eram chamados de alfarrabistas (alfarrábio significa livro velho e raro), nome que os acompanha até hoje em países como a França e Bélgica, onde essa atividade é considerada essencial para historiadores e pesquisadores em geral. O nome vem do tempo em que não havia energia elétrica e as pessoas liam à luz de velas amarelentas, sujando e engordurando os livros. O contato com as velas deixava o livro todo engordurado, ensebado, sebento, termo que evoluiu a sebo. No Brasil os primeiros sebos foram montados por intelectuais no Rio de Janeiro, no final do século XIX, e logo se espalharam pelo território nacional. Itamar Esquina Navarro, 46, é proprietário da rede de sebos Líder, uma das maiores de Curitiba. O contato começou ainda na infância, com tios que eram proprietários de velhos alfarrábios. A ideia de manter a tradição da família sempre foi convicta, e assim, o gosto pelos livros e satisfação em servir aos outros foi sendo

Marcos Duarte, proprietário da Joaquim Livrarias, alega que o cliente específico é o mais fiel e foco de seu mercado adquirido. “É uma satisfação servir ao cliente e ver a alegria com que ele sai, ao comprar um livro pela metade do preço”, diz Navarro. Apesar de se fortalecer cada vez mais, a impressão sobre os sebos nem sempre foi assim. A maioria destes estabelecimentos aparenta certa desordem natural, que ao longo do tempo espantou as pessoas. Os seus encantos e peculiaridades foram percebidos apenas por aficionados. Navarro reconhece que o preconceito em relação a

este tipo de livrarias sempre existiu; afirma que hoje é bem menor que antigamente, mas que ainda existe uma ideia equivocada sobre eles. Para ele, nem todas as pessoas conseguem enxergar o diferencial em relação às livrarias convencionais, o que vai além dos preços. Os sebos conseguem atender as necessidades de todos os tipos de pessoas, desde crianças até pessoas mais idosas, independente de idade ou classe social. “Os livros são muito caros hoje. Então, você tem uma chance de comprar

no sebo bem mais barato e com hipótese de troca; o que não existe nas demais livrarias”, informa o proprietário. O Paraná é o quinto estado com mais livrarias em todo o Brasil, somando 178, e ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró Livro. Apesar de não existirem dados oficiais sobre a quantidade de sebos espalhados pelo país ou por região, estima-se que

o Paraná possua cerca de 60 em território regional, sendo 40, em média, na cidade de Curitiba. A grande quantidade de estabelecimentos distribuídos pela capital mostra que as pessoas têm deixado muitos preconceitos para trás e buscado cultura e conhecimento nestes lugares, antes, não muito bem vistos. Mesmo com as grandes livrarias investindo maciçamente em revistas e livros novos, verdadeiros Best Sellers e artigos eletrônicos dos mais variados tipos, os sebos não tem se


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abalado. Permanecem ativos, como alternativa aos amantes da literatura que preferem buscar raridades e preços bem mais acessíveis. Enquanto a maioria dos alfarrábios modernos recebe as mais diversificadas editorias e atendem ao publico em geral, poucos se arriscam a fugir do tradicional. Entre a minoria está Marcos Duarte, 43 anos e proprietário da Joaquim Livrarias, um sebo com público específico. Trabalha com livros novos e usados, mas seu foco é literatura, sociologia, filosofia e músicas. Para Marcos, os sebos e livrarias pequenos estão ocupando cada vez mais seu espaço, devido ao diferencial de material que possuem e não são encontrados em outros lugares. Os sebos vieram para somar-se ao potencial das grandes livrarias, tornaram-se um meio de cultura econômico e diferenciado, dando oportunidade às pessoas de terem acesso a livros e revistas, entre outros, em quantidade

João Marcelo Vieira

maior do que se comprassem produtos novos. Bom preço A artesã e restauradora de móveis Vera Sanches, 57, busca nos sebos boa parte das inspirações para os trabalhos que realiza. Encontra nestas lojas revistas antigas, que não estão mais em bancas e livrarias comuns ou nas prateleiras de grandes redes. Por trás das aquisições, consegue sentir a diferença no bolso também, com produtos que caem menos da metade do preço. “Além de conseguir minhas revistas antigas, sai sempre mais barato”, diz. Sanches assume ser viciada em sebos, frequentando os locais todas as semanas, vários dias e por vezes, mais de uma hora, chegando a comprar até 15 revistas. “Tem semanas que compro menos, claro, mas em média é essa quantidade”, relata. Para o estudante Fabio Tianolyn, 16, este é um dos principais diferenciais que o sebo oferece.

Origem dos sebos remonta à Europa do século XVI Frequentador desde criança e leitor voraz de mangás, ele busca em sebos edições mais antigas e raras. As possibilidades de trocas e vendas de materiais inutilizáveis acabam gerando lucro também. “Livrarias convencionais têm publicações novas, mas não têm as velhas, que são as que você precisa para sua coleção”, ressalta o estudante. Para estas livrarias que João Marcelo Vieira

Cada vez mais , sebos tradicionais recorrem à internet para incrementar as vendas

são movidas por doações, compras, vendas e trocas de títulos, a incerteza dos produtos acaba sendo um fator complicativo para o negócio. A maior parte do acervo depende de alguém estar levando o material que estará nas prateleiras, e mesmo quando chega, nem sempre pode ser utilizado. Vanessa Fernandes, 24, é gerente de uma loja em Curitiba há seis anos. Para ela, as pessoas têm equivoco total sobre o potencial dos sebos, onde acham que tem só coisas velhas, estragadas ou que não valem à pena. Não sabem que são trabalhados livros novos e que chegam à metade do preço das livrarias. “Quem não entra não conhece o material que o sebo trabalha”, diz a funcionaria. Segundo Fernandes, isso fica mais evidente ainda no momento em recebem os livros, revistas e outros produtos. “A maioria só traz material bem ultrapassado”, informa. Estante virtual Apesar das diferenças de estilo, é consenso que, para garantir a sobrevida dos sebos, é necessário estar atento à internet, na

qual nenhum impacto foi maior que o produzido pelo surgimento, em 2005, do site Estante Virtual (www. estantevirtual.com.br), que possibilita a venda de livros por sebos cadastrados em seu banco de dados para clientes de qualquer região do país. O portal reuniu, em uma mesma estante, o acervo de centenas de sebos e leitores, criou um sistema de busca e compra de livros usados inédita na internet brasileira e contribuiu para a informatização e, consequentemente, para uma melhor organização dos sebos. Em 2005, ano inicial do projeto, o site possuía 60 sebos online e uma média de quatorze livros vendidos por dia. Seis anos depois, os números aumentaram assustadoramente; a quantidade de livrarias cadastradas já chega a 1.800, e uma venda diária de cinco mil livros. Hoje, os leitores têm ao alcance de um clique, acesso a milhares sebos de todos os estados do país. Portanto, podem encontrar e comprar, com facilidade, qualquer livro, em qualquer sebo, em qualquer lugar. (JMV)


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Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

Marcos Monteiro

Luciana dos Santos

@_marcosfe

@luciawinchester

Cursa o 4° período noturno e publica seus textos no endereço disfim.wordpress.com

ESPORTES

TELEVISÃO

Para não se perder

em paixão A alcunha de melhor jogador da história transita, sem pedir permissão, entre dois nomes que dispensam apresentações: Edson Arantes do Nascimento e Diego Armando Maradona Franco. Ídolos imortalizados em bustos e estádios com seus nomes. Tratados como deuses da bola, Pelé e Maradona são sempre fatores de comparação a cada revelação do futebol que surge. Neymar é constantemente comparado a Pelé. Messi, se no Barcelona e na Espanha é rei, na seleção argentina vive à sombra de Maradona. O fato é que cada um foi um mártir do futebol de suas épocas. Mudaram a história do futebol. Criaram novos esquemas táticos, criaram novas lendas, imortalizaram a camisa 10. De Três Corações e três camisas. Em 21 anos de carreira foram apenas três brasões defendidos por Pelé: Santos Futebol Clube, New York Cosmos e também da Seleção Brasileira. Filho de jogador de futebol, Pelé desde cedo já declarava seu amor pelo esporte bretão. Acompanhando o pai pelos clubes do interior mineiro, foi no São Lourenço que surgiu o nome que brilharia ao redor do mundo. Por mais contraditório que possa parecer, “Pelé” era o nome do goleiro do time de seu pai, em 1943. E, aos três anos de idade, o pequeno Edson se encantava pelas defesas e artimanhas do arqueiro. A partir daí estava definido.

Cursa o 4° período da manhã e publica seus textos no endereço spnhunter.blogspot.com

Nascia, então, Pelé. Na década de 60, era comum a chegada de cartas oriundas dos clubes europeus querendo o passe do garoto, que não aceitou. Com sua estadia no alvinegro praiano, Pelé alcançou os 1152 gols. Enquanto Emerson Fittipaldi se tornava bicampeão mundial de Fórmula 1, nos Estados Unidos, Edson Arantes do Nascimento deixava o Brasil rumo ao New York Cosmos, clube que seria o segundo e último de sua carreira. Quando Pelé começou a ensinar ao americanos como jogar futebol, no modesto Argentinos Juniors, Diego Maradona iniciava sua corrida no futebol. Com uma visão de jogo rara de ser ver, Pibe se destacou e não tardou a embarcar rumo ao velho continente. Passou por Barcelona, Napoli e Sevilla. Retornou ao Newell’s Old Boys. Fez cinco jogos e voltou ao Boca Juniors. Na Europa, embora ídolo, saiu pelas portas dos fundos em todos os clubes. Em 587 jogos, balançou as redes em 311 oportunidades. Não estou questionando a supremacia de um sobre outro, ou a supremacia do Brasil sobre a Argentina. Mas devemos prestar atenção nos dados. Lionel Messi está no Barcelona à 11 anos. Os números: 279 jogos e 189 gols. Para muitos, é melhor do que Dieguito, embora, constantemente cobrem um título Mundial pela Argentina. E aí, Neymar?

Os vampiros e seus diários Divulgação

The Vampire Diaries (Os Diários do Vampiro) é dessas séries teen que acompanhou a onda de popularidade vampiresca gerada pela série Crepúsculo. Mas o que diferencia os vampiros que escrevem em diários dos demais vampiros brilhantes por aí? Vamos lá. The Vampire Diaries é baseada numa série de livros homônima da americana L. J. Smith. Basicamente, a história acompanha as aventuras da adolescente Elena Gilbert, que se apaixona por Stefan Salvatore, bonitão recémchegado na cidade e com muito gel no cabelo. O que Elena não sabe é que Stefan é, na verdade, um vampiro, desses anti-vegan, que só bebe sangue de coelhinhos. Mas vamos à parte interessante da história. Stefan tem um irmão, que não é gêmeo, mas não deixa de ser do mal. Damon Salvatore é maligno, veja bem, ele bebe sangue de menininhas inocentes, mata pessoas sem dó, nem piedade, é sarcástico, irônico e sádico, e durante parte da primeira temporada, sua aparição na tela é precedida por muita neblina e um corvo. Além, é claro, de querer roubar a namorada do irmão. Sim, The Vampire Diaries era dessas séries que você até assiste, mas não conta pra ninguém. Mas na segunda metade da primeira temporada isso mudou. Se antes a série se resumia ao romance bobo do casal protagonista, a

partir daí temos grandes mudanças. A série inseriu novos personagens, novas tramas, e passou a se apresentar como uma opção de entretenimento de qualidade, e não só um oportunismo da era dos vampiros. E quem diria que uma série adolescente sobre vampiros seria a única da temporada 2010/2011 a conseguir a façanha de realizar todos os seus 22 episódios de maneira impecável? Dar importância à personagens secundários, porém carismáticos, se tornou uma das qualidades de The Vampire Diaries. Apesar de ter uma história clichê, com vampiros, lobisomens e bruxas andando à solta pela cidade, a forma como estes personagens são apresentado e como a mitologia ligada a eles é respeitada impressiona. Aqui não tem essa história de lobisomem que vira lobo quando quer, a maldição da licantropia é apresentada como ela é: uma maldição. Os vampiros só entram nas casas quando são convidados, e é a coisa mais linda do mundo ver um deles bancar o engraçadinho e resolver dar uma volta no sol sem proteção, pegando fogo ao primeiro contato com os raios UVA e UVB. Se você gosta de vampiros e sangue de verdade, esqueça True Blood e venha assistir os irmãos Salvatore tocando o terror em Mystic Falls. Quem disse que séries teen não podem ser boas?


Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

Greve dos Correios segue por tempo indeterminado Sindicato mantém greve do servidores e entrega proposta formal de reivindicações Luciana Santos

Começou na ultima quartafeira, 14, uma greve nacional dos funcionários dos Correios. Além dos carteiros, parte dos profissionais da área administrativa dos Correios também aderiu à greve. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios no Paraná (Sintcom-PR), Sebastião Cruz, o principal motivo para a greve é a falta de negociação por parte da empresa com relação aos reajustes salariais da categoria. “Estamos há 40 dias tentando negociar com a empresa e não conseguimos”, disse Sebastião. Entre as reivindicações dos trabalhadores está a contratação de mais funcionários, reajuste salarial de 7,16%, o aumento do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635,00 e vale-alimentação de R$ 30. Os Correios apresentaram uma contraproposta de reajuste salarial de 6,87%, que também seria aplicado aos benéficos,

como o vale-alimentação, por exemplo. Essa contraproposta não foi aceita pelos trabalhadores e com o inicio da greve, foi retirada. Os Correios se nega a retomar as negociações enquanto a categoria permanecer parada, além de alertar os grevistas de que haverá desconto salarial dos dias parados. Segundo os Correios, a paralisação atinge cerca de 30% do efetivo total de trabalhadores em todo o Brasil, sendo que no Paraná esse número chega a 33%. Ainda de acordo com os Correios, a empresa mantém a entrega diária de cartas e encomendas, com possibilidade de atraso na entrega, além de suspender serviços como o SEDEX e o Disque-Coleta. Uma série de medidas foram tomadas para tentar minimizar os transtornos causados pela greve, como realização de horasextras, realocação de pessoal e entregas nos finais de semana. Uma das principais preocupações da população é com relação às contas enviadas pelos Correios, que podem

SINTCOM - PR

Sindicato paranaense representa cerca de seis trabalhadores do Correio acabar vencendo e gerando O Procon alerta ainda que o cerca de 5,8 mil trabalhadores multas antes mesmo de serem fornecedor deve disponibili- dos Correios no estado do Paentregues. Segundo o Procon zar ao consumidor, de forma raná, e informou que, com a do Paraná, o cidadão pode gratuita, outras formas de pa- recusa da empresa em retomar procurar outras formas de pa- gamento além do boleto ban- as negociações, a greve deve gamento, como a emissão do cário. continuar por tempo indeterboleto bancário pela Internet. O Sintcom-PR representa minado.

Análise

A greve dos Correios e a luta contra a privatização Juliana Cordeiro Os principais veículos de comunicação do Brasil anunciaram a greve dos Correios, como mera manifestação por aumento de salário. As matérias relatam somente a iniciação da greve em 13 de agosto e seus desdobramentos, que culminaram numa mobilização com adesão de 70% dos trabalhadores em algumas capitais e a participação dos 34 sindicatos do país. As matérias realizadas pelos veículos tradicionais do país disseram que os principais motivos de desencadeamento da greve foram: a falta de reajuste salarial, que não acontecia desde 2009; e falta de trabalhadores para atender as demandas. No

entanto, os meios de comunicação esqueceram-se de citar que entre as bandeiras erguidas por esta greve está a não privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafo (ECT). Em votação na Câmara, ocorrida em agosto de 2011, os deputados decidiram apoiar o governo de Dilma Rousseff pela privatização da ECT, aprovando a Medida Provisória (MP) 532. É algo surpreendente de relatar, o governo que tanto repudiou a política de privatização de Fernando Henrique Cardoso e outros tucanos, se contra diz em seu discurso ao propor um projeto que deixa brechas para uma futura privatização. À Medida que já passou pela aprovação do Senado, espera votação no Con-

gresso Nacional. Os brasileiros longe de buscar informações, ficam a margem de noticias que tratam a MP como grande avanço, por permitir que a ECT passe a competir no mercado internacional. Além disso, usa-se o famoso discurso da modernização. O difícil é acreditar que um texto que prevê a abertura de investimento privado e consequentemente o lucro para grandes empresas, esteja preocupado com o trabalhador que vai ficar a mercê do desemprego. O novo texto coloca em pauta a terceirização. A Medida Provisória 532 diz ser a solução para debates a respeito do monopólio dos Correios e sua administração. O novo texto prevê a criação

de um conselho administrativo, aos moldes das sociedades anônimas, que funcionam com capital dividido em ações e responsabilidades de sócios e acionistas de acordo com o valor de suas ações. Enfim, em outras palavras estaremos diante de uma empresa privada, com regras mercadológicas que visam o lucro. Atualmente, os Correios têm um presidente, indicado pelo Ministério das Comunicações e nomeado pelo Presidente da República. É preciso que a população tome consciência da importância deste decreto. A greve dos Correios deve perpassar o debate do aumento de $ 400 no salário, reajuste no vale-refeição, contratação de 21 mil trabalha-

dores em todo o país e pagamento de perdas salariais, dentre outras propostas. Deve-se ficar atento e principalmente se empoderar desta MP que espera aprovação no Congresso. Se uma empresa com lucro liquido de 827 milhões de reais não consegue ter verba suficiente para investir em recursos humanos, é porque tem algo de errado. Cabe a população repensar se quer deixar as informações somente nas capas dos jornais, ou se irá discutir e questionar os dados divulgados. Depois não adianta reclamar do preço alto de serviços que anteriormente eram garantidos pelo estado. Lembre-se dos serviços de telefonia? Melhoraram?


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Curitiba, terça-feira, 20 de setembro de 2011

ENSAIO FOTOGRÁFICO

PERSONAGEM EM CORES Fotos: MARCOS MONTEIRO Texto: DANIEL ZANELLA

Adial Junior, mais conhecido como Dance Boy, não se intimida com estúdios fotográficos, nem protege suas barreiras pessoais. Em sua busca por reconhecimento nacional, conforme ele mesmo enfatiza em suas entrevistas, as lentes obedecem a um planejamento e necessidade: é preciso expor.


LONA 646 - 20/09/2011