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Curitiba, quarta-feira, 11 de maio de 2011

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Ano XII - Número 626 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

lona.up.com.br

Jogos virtuais mudam a forma de jovem interagir em sociedade Marcos Monteiro

Fernando Mad

A facilidade de acesso e a interatividade estão produzindo um novo perfil de jovem. Adeptos de jogos virtuais, os jovens são cada vez mais conectados a uma realidade própria. Especialistas apontam benefícios na prática, entretanto a falta de controle pode prejudicar a vida dos jovens. Pág. 4 e 5

Perfil Retrato pessoal do parlamentar Dr.Rosinha Pág. 8

Educação

A Associação Maria Amélia (AMA), localizada no campus da Universidade Positivo, atende as necessidades das mães que são funcionárias da instituição e das famílias da comunidade. Pág. 3

Coluna

A moda dos festivais e a busca pelo sucesso de “VIPs” Pág. 6


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Editorial Embora muitos meios de comunicação insistam em não reconhecer o impacto da internet no cotidiano de suas redações, não há como deixar de reconhecer que a forma e o jeito de receber informação não será mais o mesmo. O surgimento da internet e a sua popularização - que deve crescer ainda mais - colocou em xeque o modelo de consumo da notícia. Nessa época de tanta instantaneidade e acesso irrestrito à informação, o impresso ainda não conseguiu afirmar a sua importância, nem se descolar da notícia exclusiva. Assim como são imensas as vantagens do mundo virtual - e as suas possibilidades - alguns pontos precisam também ser melhor discutidos sobre as novas tecnologias, e a efemeridade da notícia é um deles. Enquanto o impresso deve se pautar pela permanência do que publica, a informação na internet - vide os grandes portais de notícia - se pauta pelo entretenimento mais raso e oferece uma versão ainda mais resumida da realidade. Há quem pondere que os blogues e sites alternativos fazem a parte analítica que o impresso deveria fazer, substituindo-o, portanto. Ledo engano.

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Opinião

O povo quer liberdade, mas a liberdade não chegará ao povo

Uma das vantagens que o impresso tem sobre a internet é a credibilidade e o descompromisso com a instantaneidade: Rodolfo May nem sempre a primeira notícia é O passado dos Estados Unia que tem mais valor. dos, França e Inglaterra não é Ainda circulando sobre o dos mais admiráveis quando tema, são diversos os embates se trata de política internacioacerca do uso das redes virtu- nal. São famosas as histórias ais pelos jornalistas. Alguns ve- de exploração e subordinação ículos de comunicação alegam de países com menor poder de que sites de relacionamento influência mundial praticadas como o Facebook, o Twitter e pela liga franco-anglo-amerio Orkut - pra ficarmos só nos cana. Na atual circunstância, as exemplos mais populares no potências se unem novamente Brasil - são uma extensão da e para boa coisa não pode ser. imagem do jornal, logo o que Há poucas semanas, os três publicam os jornalistas em países tomaram a iniciativa de suas contas pessoais têm vínaprovar a Resolução 1973 no culo imediato com o órgão de Conselho de Segurança da Orcomunicação aos quais presganização das Nações Unidas. tam serviços. A resolução autoriza a interOutros dizem que os puferência do exército ocidental blishers não devem inferir na da Organização do Tratado vida pessoal de seus funcionáAtlântico Norte (OTAN) na rios e que qualquer retaliação hostil Líbia, com o objetivo de ao conteúdo publicado por ajudar o povo na derrubada seus funcionários é censura. Uma coisa é certa - trazen- do líder Muammar Kadafi. O do a discussão ao âmbito mais texto da resolução condena o local: nós, universitários deve- regime por “detenções arbimos ter uma preocupação cada trárias, desaparecimentos forvez maior com o conteúdo que çados, torturas e execuções”, publicamos de modo indiscri- algo quase sem precedentes na história dos mesmos três minado na internet. Essa discussão está só co- países. Os levantes populares no meçando. Uma boa leitura a todos.

Expediente Reitor José Pio Martins Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Arno Gnoatto Pró-Reitor de Graduação Renato Casagrande Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Bruno Fernandes Coordenação dos Cursos de Comunicação Social André Tezza Consentino Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira Professores-orientadores Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima Editores-chefes Daniel Zanella, Laura Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Juliana Guerra

norte da África serão marcados na história pela insatisfação – e ação - dos povos em meio a governos autoritários, que concentram fortunas nas mãos de poucas famílias. Mas por que há necessidade de intervenção de países ocidentais nesses movimentos? Há quem afirme que Estados Unidos, França e Inglaterra estariam interessados no petróleo da região – a cada três barris, dois são produzidos no norte da África. Empresas americanas e britânicas já são as responsáveis pela exploração. Eles afirmam que a luta é pela democracia. Ainda é cedo para identificar o real objetivo das nações com a Resolução 1973. Países europeus não simpatizam com a migração africana para o Velho Continente, então nada melhor do que mantê-los satisfeitos em suas regiões. Americanos – quem sabe – investindo na guerra para depois ser “patrocinador” do povo líbio na revolução. O que é certo: as nações não intervêm militar-

mente apenas para defender a democracia. Os rebeldes só estão aguentando a pressão do regime de Kadafi pelo auxílio internacional. A ajuda das nações juntou a fome com a vontade de comer, ou seja, juntou a insatisfação popular com o armamento patrocinado. Kadafi foi importante para a região na unificação das tribos líbias. Manteve a distinção entre elas, mas trabalhou para que todas atuassem em comum acordo. Ele montou a estrutura que agora ameaça ruir. Akram al-Warfalli, um dos líderes da maior tribos do país com cerca de um milhão de membros afirma: “Dizemos ao irmão (Kadafi) que já não é um irmão, nós dizemos que ele deve deixar o país”. A principal força do ainda líder começa a se ruir. Novos tempos estão por vir. Fica a dúvida de qual será o papel de Estados Unidos, França e Inglaterra no tão esperado democrático governo líbio. Só resta esperar...

Para onde vamos?

O projeto da Usina Belo Monte, no Rio Xingu, prevê que ela seja a terceira maior usina hidroelétrica do mundo. No Brasil, a construção da usina é considerada um dos projetos mais importantes e o segundo mais caro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao todo serão R$ 19 bilhões, ficando atrás apenas do trem-bala de São Paulo, que custará R$ 34 bilhões. Para o governo federal, a construção de Belo Monte é vantajosa por causa dos 18 mil empregos diretos e 23 mil indiretos que a construção vai gerar. Mas por trás dos grandes números estão os povos indígenas e ribeirinhos que serão tirados de suas terras para que as águas geradoras de energia ocupem o espaço. Serão 440 km² inundados, essa área representa um terço da usina

hidroelétrica de Itaipu. Esses povos vêm fazendo protestos para impedir a construção do Belo Monte e até uma carta da Organização dos Estados Americanos foi enviada ao Itamaraty pedindo o cancelamento das obras em respeito às comunidades instaladas lá. Contra isso, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, declarou que a OEA não tem que se meter no assunto, mas não disse para onde essas famílias vão depois que suas casas forem inundadas, apesar do cuidado que ele diz que está sendo tomado com os índios da região. Pelo visto, o fator humano e cultural foi esquecido em favor do empreendimento. Nenhuma notícia sobre Belo Monte fala sobre o destino das 12 comunidades do Rio Xingu. Ninguém, além dos próprios índios, questiona

a perda dos muitos anos da cultura local. Não muito longe daqui, o problema é parecido. No Paraná foi criada a Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais, em 2008, para defender os povos tradicionais do estado que são tirados de suas terras, algumas vezes para que áreas de preservação da natureza sejam criadas, e não podem voltar a elas. Como seria se de uma hora para outra sua casa fosse tomada e você não tivesse para onde ir, pois passou toda sua vida ali? Daquele lugar você tira seu sustento e não sabe fazer outra coisa para viver? Seja pela preservação da natureza ou crescimento econômico, a cultura e o direito à terra desses povos devem ser mantidos. Ou é melhor ter mais 12 comunidades consideradas sem teto e sem cultura?


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EDUCAÇÃO

Creche da UP auxilia mães carentes Funcionários da instituição também são beneficiados pela Associação Maria Amélia Fernanda Grein A Associação Maria Amélia (AMA) é uma instituição conveniada com a rede Positivo e está localizada no campus da Universidade Positivo. É uma creche destinada à comunidade carente vizinha e aos filhos de funcionários da universidade. A instituição conta com um espaço amplo e com uma rotina agitada para as crianças, incluindo horários

para estudar, dormir, brincar e se higienizar, juntamente com horários para cinco refeições diárias. São momentos em que as crianças interagem entre si, e com isso, já aprendem a conviver com outras crianças. A funcionária da universidade Elisangela Alves deixa sua filha de 5 anos lá desde que a creche abriu no começo desse ano. “É mais prático porque está dentro da universidade e posso ficar mais Marcos Monteiro

Elisangela Alves deixa a sua filha todos os dias na creche

perto da minha filha, além de ela vir e voltar comigo. Houve bastante mudança nela, inclusive na parte da alimentação”. Para Elisangela, a creche promove uma boa comunicação entre pais e professores. “A cada 15 dias temos um encontro para tirar dúvidas e para nos darem dicas de como lidar com situações que a idade das crianças acaba manifestando”, diz a funcionária. A AMA foi oficialmente inaugurada no dia 7 de fevereiro desse ano, apesar de um dos mantenedores do grupo Positivo sempre ter sonhado em atender crianças carentes em relação à educação. Ele já tinha o projeto em mente, já sabia como e para quem a escola atenderia. Queria algo diferente, já que ele sempre trabalhou com famílias que podiam pagar pela educação. Com o dinheiro particular do mantenedor, ele comprou o terreno, que não pertencia à universidade, e montou a instituição. No final do ano, ele e funcionários contaram com a ajuda da Fundação da Ação Social, para fazer um mapeamento de famílias carentes em Curitiba, para então realizar as entrevistas para as matrícula. Em dezembro de 2010, foram feitas 106 matrículas, sendo que hoje, há 98 crianças na creche com faixa etária entre 4 meses e 5 anos. Entre elas,

Marcos Monteiro

Há 98 crianças entre 4 meses e 5 anos na creche

aproximadamente 90% nunca tinham ido para a escola. De acordo com a diretora Gilciane Baggio Ortolani, as mães tem que comprovar que estão trabalhando e que são famílias de baixa renda, para que as crianças possam

ficar no período integral. Ela também comentou que há projetos com alunos da Universidade Positivo, dos cursos de pedagogia, nutrição, educação física e enfermagem, e ideias de um projeto com a turma de odontologia.

Opinião

ONG que auxilia ex-detentos é exemplo de responsabilidade em Curitiba Juliano dos Santos Gondim

A ONG Amigos Nova Jerusalém Organização Social – Anjos, localizada na Cidade Industrial de Curitiba, oferece apoio a ex-presidiários, fornencendo abrigo em um barracão com dois quartos para 15 pessoas, cozinha, banheiro e uma área externa. As refeições são feitas numa grande mesa no interior do local. O grupo

de ex-detentos conta também com atividades religiosas e com oportunidade de trabalho. A ONG foi criada há quatro anos e sua principal causa é a reinserção de ex-presos na sociedade. O número de abrigados é de 11 pessoas. Eles moram em alojamentos por um tempo que pode variar de 9 meses a 1 ano. Recebem periodicamente a visita de familiares. O barracão acolhe também dependentes químicos e desabrigados. As pessoas ficam sabendo da

ONG por meio das igrejas. De acordo com a fundadora da ONG, Jaqueline da Silva, todos os dias é servido um café da manhã, com pães e outros produtos doados por supermercados. Na ONG, acontecem o almoço, o café da tarde e o jantar. Durante o dia, as pessoas saem para trabalhar com o eletricista Oscar Moreira, também fundador da instituição. Os cultos e estudos bíblicos acontecem três vezes por semana e recebem apoio dos pastores das

igrejas CEI e Assembleia de Deus. “É uma bênção, bom demais”, diz o ex-dependente químico Anderson Emiliano, de 32 anos. O jantar é feito pelos próprios abrigados. A rotina é marcada pelos horários que devem ser rigorosamente cumpridos. O trabalho tem dado bons resultados. No computador do escritório existe uma pasta com fotografias dos abrigados quando chegam e quando saem da ONG. Saem transformados, com confiança

e com autoestima.Ricardo Afonso, 34, passou 7 anos e 10 meses preso. Durante esse período, recebia visitas de um pastor conhecido como “João Cadeia”, religioso famoso por seus trabalhos em presídios. Como Ricardo tem seus parentes em Paranaguá, e podia ficar desamparado depois de cumprir a pena, João indicou-lhe o trabalho da ONG. “Aqui é um lugar bom, eu me sinto adotado, é como se fossemos uma família”, diz Ricardo.


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MUNDO VIRTUAL

Os jogos invadem a vida real

A internet proporciona aos jogadores a possibilidade de compartilhar aventuras em tempo real em um mundo virtual Humberto Frasson Frernando Mad

lembra os grupos de cavaleiros medievais que batalhavam para proteger suas famílias ou seu povoado. “O Clã começou não faz muito tempo, pois também não faz muito tempo que esse sistema foi implantado, faz menos de 6 meses que formamos o grupo. Ele começou entre alguns amigos que queriam uma forma mais divertida de jogar em grupo.” Apesar de ser divertido e proporcionar a convivência em grupo, este tipo de jogo pode acabar prejudicando a vida de quem joga. Dependendo do caso algumas pessoas podem se tornar “dependentes” do jogo e deixar de lado as obrigações da vida real. Inúmeros são os casos em que crianças, ou até mesmo pessoas de mais idade, deixam compromissos de lado para poder passar mais tempo jogando. Koblitz conta que esse não é seu caso. “Eu nunca deixei, por exemplo, de ir a algum encontro de amigos ou a reuniões de família, por causa do jogo. O máximo que eu já deixei de fazer foi uma ou outra lição sem muito valor...”, afirma o estudante. Ele diz que com o tempo é possível conciliar a vida real com a vida virtual, mas também tem a consciência de que se deixar de fazer algo importante em qualquer um dos mundos ele pode sofrer

Tudo começou quando o primeiro Atari foi lançado. Começava a grande revolução dos jogos. Não se sabe o quanto a realidade ainda pode ser imitada, o que se sabe é que já existe uma realidade virtual que domina videogames e computadores. Com o surgimento da internet, e posteriormente da banda larga, os jogos deixaram de ser individuais e passaram a ser jogados simultaneamente por várias pessoas em vários lugares do mundo. Graças à criação desse mundo, qualquer pessoa pode criar um personagem e construir toda uma vida em cima desse novo “ser”. No princípio, os jogos mais famosos eram os de batalha, em que o personagem vive na época medieval, evolui para ficar mais poderoso objetivando vencer inimigos e conquistar territórios. Em meio a toda essa vida digital, estão vários adolescentes que gastam horas jogando e “vivendo” esse mundo paralelo. Entre eles está o estudante Guilherme Koblitz, 16, que tem vários personagens em diferentes jogos. “Eu sempre joguei no computador desde pequeno, a partir do final de 2006, quando adquiri uma internet “Se já é difícil você conADSL e aderi aos jo- trolar o que seu filho joga, gos online.” Koblitz conta que desde que imagine quando ele o faz começou a jogar online com a companhia de se identificou com os pessoas desconhecidas jogos de estilo medietanto para o pai quanto val que possuíam um enredo envolvente e para o próprio filho.” gráfico bem definido. Paulo Ribas Pinto Depois disso, passou a conhecer outros jogos do mesmo estilo que lhe rende- alguma consequencia. Engana-se quem pensa que os ram novas amizades. O estudante jogos se resumem a este estilo de conta que começou a jogar quanjogo, batalhas medievais, e que do amigos lhe chamaram para quem faz parte desse grupo de participar de um grupo de jogadores chamado de Clã. O nome jogares são apenas adolescentes

despreocupados se engana. Os vídeogames também criaram um universo paralelo para quem é apaixonado por jogos de esportes, por exemplo. É o caso do estudante Rafael Santos, 27, que recentemente comprou um console e um jogo de futebol e descobriu que é

que predomina é o estilo de jogo RPG (Role Playing Games), em que os jogadores seguem um enredo, nos vídeogames o que predominam são os jogos de futebol e de violência. Estes jogos têm a opção de serem jogados tanto individualmente quanto em grupos online.

assolam pais e mães que se preocupam com a influência violenta para seus filhos. Para Adriana Alves, que deu o primeiro video-game para seu filho há dois meses, a única preocupação são os jogos de guerra. “A gente sabe que é tudo de mentirinha, mas como meu

possível jogar uma partida com alguém que esteja em qualquer outro canto do mundo. “Cara, esses dias eu joguei uma partida com um cara da Alemanha. Como a comunicação é toda em inglês, foi fácil de conversar.” Para Rafael, o mais interessante desses jogos é poder conhecer mais da cultura de vários países sem sair do sofá. “A conversa nunca para com o fim do jogo, você pode trocar e-mails com a pessoa e passa a conhecer Guilherme Koblitz entrou para o mundo virtual com apenas 13 anos um pouco de cada canto do mun- Para o psicólogo Paulo Ribas Pin- filho tem apenas sete anos, eu do sem ter que fazer muito esfor- to, os jogos violentos nem sempre me preocupo se o jogo não pode ço, só tem que saber jogar.” oferecem perigo para a criação influenciar no seu comportamenJogando há pouco mais de dois de crianças e adolescentes, mas to dentro e fora de casa”, alega meses, Rafael já é um dos melho- com a possibilidade de jogar com a mãe que junto com o console res dentre um grupo de jogadores pessoas que possuam diferentes comprou apenas jogos de esporte, do qual participa, mas alega não ideias pode ser perigoso devido à mas contra a sua vontade o mariser tão viciado no jogo. “Eu só influência que pode ser gerada na do comprou um jogo de guerra e jogo de noite e de fim de semana, mente dos jovens. Paulo afirma um de luta para satisfazer os desenão deixo meus compromissos de que “se já é difícil você controlar o jos do filho. lado, pois tenho uma faculdade que seu filho joga, imagine quanClaudemir, pai de L.A., acrepra acabar e um filho pra criar, do ele o faz com a companhia de dita que apenas os pais podem então não dá pra exagerar”, con- pessoas que são desconhecidas influenciar na criação dos filhos. clui Rafael. tanto para o pai quanto para o pró- “Meu filho mais velho também Quando questionado se o en- prio filho”. O psicólogo alerta que jogava todos esses jogos e hoje volvimento do filho com o mun- a melhor prevenção para evitar é uma pessoa correta. Não é um do virtual desde cedo não é pre- qualquer problema é tentar acom- jogo, ou qualquer coisa referente ocupante, Rafael alega que não panhar o que seu filho está fazen- a eles que vão guiar uma criança, se preocupa, pois o filho só pode do, em contrapartida, não jogar quando está em sua compa- se deve impedir a criança “Eu só jogo de noite e nhia. “Da mesma forma que eu de participar de grupos de fim de semana, não não exagero, também não deixo de jogos ou jogar online, ele exagerar, ele sabe que tem que pois tal atitude pode ser posso deixar os meus ir pra escola, fazer as lições e tudo mais prejudicial do que o compromissos de lado” mais. Só que quando ele joga mais próprio ato de jogar com de uma hora ele mesmo acaba en- pessoas desconhecidas. Rafael Santos joando, o moleque prefere jogar “A solução é voltar a ser bola de verdade”, afirma Rafael, criança e aprender como atirar, mas sim a criação que ela recebe que também não deixa de entrar chutar e completar as missões dos na vida real”, conclui o comerem campo de verdade para dis- jogos que seus filhos mais gos- ciante que confessa gostar de putar um jogo de futebol. tam”, brinca Paulo. passar algumas horas junto com Enquanto nos computadores o Tais jogos de arma são os que os filhos na frente do videogame.

Microsoft compra Skype

O presidente da Microsoft, Steve Ballmer confirmou nestaterça-feira a compra do Skype, programa que permite a comunicação via internet.O Skype é utilizado em vários países e está disponível em 27 idiomas.

Aquisição

Ballmer afirmou que a compra foi feita por US$8,5 milhões emdinheiro. Segundo a Microsoft, a fusãode comunicação e tecnologia foi o principal motivo da aquisição.


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Fernando Mad

O tabuleiro e eu

Coleção de Luiz ultrapassa 150 jogos

Era um sábado nublado jogo de tabuleiro baseado na bem curitibano. Meu objeti- série. Um jogo de tabuleiro vo era cobrir um evento de baseado na série? fãs de ficção científica. AqueOk, eu precisava conferir. le universo todo de Guerra Luiz, agora jogador, explinas Estrelas, Jornada nas Es- cou pacientemente o mecatrelas, não sei o quê mais nas nismo do jogo. Algo no míEstrelas. Meu plano era ou- nimo impressionante. Cada vir uma palestra, fazer duas detalhe da série televisiva ou três entrevistas, tirar al- era traduzido para o sistema gumas fotos, ir pra casa, dei- de jogo de uma maneira simxar o equipamento e então ples e facilmente compreenpartir para algum bar para sível. A quem se interessar encontrar amigos. A quem eu explico adiante essa pareu quero enganar? Como um te. Até então, para mim, jogo bom fã de toda essa coisa de tabuleiro era War, Banco nas estrelas, eu queria mais Imobiliário e Jogo da Vida, é aproveitar o evento e ten- basicamente. Essa série toda tar terminar todo “O José veio com a que logo a mam u n d o ideia, o Marcelo veio tem algutéria. Todo esse plano com o nome e eu entrei ma caixa foi por água em casa. com o jogos.” a baixo logo Enfim, o na palestra jogo me Luis Claudio Duarte cativou. E escolhida. Um sujeito iria falar sobre era apenas um das centenas a série Battlestar Galactica, que o fanático por jogos de que não por acaso é a minha tabuleiro possui. favorita de todos os tempos. Natural da capital Nem a série, nem o conteú- federal, o fanático, agora do da palestra vêm ao caso Luiz Cláudio Duarte, desagora. No final do falatório, cobriu os jogos de tabuleiro Luiz, o palestrante, convidou enquanto cursava direito, na todos a participarem de um Universidade de Brasília.

Abrangência

Hoje, o Skype possui mais de 170 milhões de usuários nomundo. Diariamente, são criadas 600 mil novas contas. A estimativa é que oSkype proporcionou mais de 200 bilhões de minutos de conversas no ano passado eteve um crescimento de 40% em 2010.

Comprou o primeiro da coleção em 1978 e no ano seguinte, com dois amigos, fundou a Confraria Lúcida. “O José veio com a ideia, de nos reunirmos regularmente para jogar. O Marcelo veio com o nome, que tem tudo a ver com o grupo. Eu entrei com os jogos, já que tinha começado uma coleção respeitável”, relata o confrade, com um tom nostálgico. Para atrair novos membros, o grupo colava cartazes convidando os interessados para as sessões de jogos. “Eu comprava o jogo novo, tirava a foto e espalhava por todos os lugares. Sempre dava resultado”. Os jogos de tabuleiro (ou boardgames, como preferem os preciosistas), podem ser jogados de dois até 18 jogadores simultâneos e presentes. Ou seja, é impossível não socializar enquanto se joga. E não só fazer amigos. Esse entretenimento sistemático exige do participante um mínimo de raciocínio para que a diversão seja completa.

Quanto mais se joga, mais se familiariza com as estratégias, e maior fica a vontade de jogar. Praticamente um dilema Tostines. É como no xadrez, que por acaso é o jogo de tabuleiro mais popular do mundo. Essa socialização promovida foi colocada à prova quando o fundador e quartel general da confraria saiu de sua terra natal e foi morar em Curitiba, cidade desconhecida. A convite de um único amigo curitibano, Luiz comprou a ideia e chegou à capital paranaense no final de 2009. “Eu sabia um pouco sobre a fama de antipáticos dos curitibanos. Mas mesmo assim, logo que cheguei, entrei numa comunidade virtual sobre jogadores de tabuleiro aqui de Curitiba e fiz um convite. Comentei os jogos que tinha e passei o endereço. Os que vieram se tornaram meus amigos e o grupo foi crescendo”, conta satisfeito. Mesmo contrário ao movimento crescente do entretenimento eletrônico e conectado, estes jogos, que por muitos são considerados obsoletos, atraem novos adeptos a cada novo encontro. E não falamos só do pessoal que não tinha a opção digital quando conheceu o tabuleiro. Pessoas jovens que nasceram no meio do boom da internet aceitam muito bem essa “brincadeira de gente velha”. Provavelmente gente que, como eu, estava procurando outra coisa e acabou tropeçando em algo que está aí há milhares de anos. E não envelhece. Praticamente uma múmia egípcia.

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Muito antes de Cristo

Acredita-se que o jogo de tabuleiro mais antigo do mundo seja o Senet. Existem registros de sua existência anteriores a 3000 a.C. O jogo era conhecido como “A passagem da alma para o outro lado” e era um tipo de alegoria sobre a passagem para o mundo dos mortos (o jogo é até citado no Livro dos Mortos). Mesmo com tabuleiros encontrados em tumbas dos faraós, inclusive na de Tutancamon, não há certeza de suas regras, apenas algumas interpretações de historiadores. Dos jogos vivos atualmente, o mais antigo é o gamão, que apesar de popularizado pelos chineses, onde só apareceu em 220 d.C., é originário do Irã, há cerca de 2000 a.C. O xadrez, o jogo mais popular do mundo, é mais recente. Seus primeiros registros históricos datam o século VI, na Índia, sob o nome de Chaturanga. Após cruzar várias fronteiras, só tomou as formas conhecidas hoje na Europa, durante o século XV. Considerando a história recente dos tabuleiros, o Banco Imobiliário (originalmente monopólio) foi criado em 1930. Em 1957 o cineasta Albert Lamorisse desenvolve um jogo chamado “A conquista do mundo”. Desse novo mecanismo onde vários jogadores disputam a conquista de terrenos surgiu o agora popular War, assim como diversos outros ‘’wargames” (jogos de guerra).

Intenção

A Microsoft quer levar o Skype para o sistema operacional desmartphones da companhia, o Windows Phone 7. Para Steve Ballmer, os aplicativosdo pacote Office e do Outlook terão integração com o Skype, além de videogamescomo o Xbox 360. O presidente da Microsoft ainda promoteu que o aplicativoSkype será lançado também nos aparelhos concorrentes, como Iphone, da Apple eos aparelhos equipados com o sistema operacional Android, da Google.


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Nathalia Cavalcante

Paola Marques

@cmnathalia

@paoulam

Personalidades Cursa o 7º período da manhã e publica seus textos no endereço: cinematicamentefalando.blogspot.com

Vips

A Dois mundos em um só. Diferentes personagens em um só corpo. Esse foi o mais recente desafio de Wagner Moura. Elogiado pela sua última aparição nas telonas, como Capitão Nascimento, o ator encarna mais uma figura dramática intrigante, em VIPs, de Toniko Melo. A história de Marcelo Nascimento da Rocha impulsionou a criação de um roteiro mais interessante que a sua verdadeira trajetória. Os roteiristas Bráulio Mantovani e Thiago Dottori se inspiraram em algumas situações vividas por ele, e as adaptaram para o cinema. Com isso, um novo Marcelo nasceu. Repleto de interrogações. Na ficção não se discute as consequências dos atos do protagonista, mas sim, o que levou a realizá-los. As causas que o fizeram agir de tal forma. Para a construção da trama, com aprimoramento de personagens, optou-se por se desvencilhar do Marcelo Nascimento da Rocha, ao abraçar somente a história e três de suas ações, sendo a mais ousada, a entrevista com Amaury Jr., se passando pelo filho do proprietário das Linhas Aéreas Gol, Henrique Constantino. A personagem mais psicológica e conflituosa de Wagner Moura se distancia do Marcelo que foi preso por diferentes crimes de fraude. Assim complementa o ator, em en-

Divulgação

Cinema

trevista para a Folha de S. Paulo, em 21 de março de 2011, quando questionado sobre a diferença do que o roteiro apresenta em relação ao homem que inspirou a trama. “Eu vi ali [no roteiro] um menino inteligente, brilhante, brincando de ser outras pessoas. Ele estava se buscando, como todos nós. Ele se olhava no espelho e não reconhecia”. Assim, Moura pôde mergulhar em um enredo cujo foco já havia se tomado por um homem que sonhava em ser piloto, por causa da figura do pai. A mãe, personagem de Gisele Fróes, é dona de um salão repleto de fotografias de pessoas famosas. Ali poderia ser o reflexo do Marcelo da trama, que viria se esconder em outros papéis, menos o seu próprio; transformando-se em um recorte de personalidades. VIPs, além de contar com a excelente atuação de Wagner Moura, pode deixar no ar questões relacionadas a comportamento, mas também de que a generalização não é o melhor caminho. Cada pessoa carrega em si uma história. Outro fator é: Você realmente acredita que o mundo é dos espertos? As ações das pessoas podem ser justificadas pela sua trajetória de vida?

Cursa o 5º período da noite.

Moda

A moda dos Festivais Na hora de se preparar para uma festa ou balada é bem comum buscar ideias de cabelo e maquiagem em fotos de celebridades. Escolher um visual para um festival de música, no caso o Lupaluna que acontece nos dias 13 e 14 de maio, em Curitiba, não é muito diferente. Parece até um pouco desnecessário falar sobre isso, mas a roupa é quem vai te acompanhar durante as várias horas em que você vai estar no local dos shows. Por isso, aqui vão algumas dicas para quem quer aproveitar para se jogar e ainda fazer bonito no quesito montação durante a maratona musical. Cada um tem um estilo, e isso não é novidade, mas na hora de encarar um festival, pense no seu conforto. Evite saias e vestidos curtos demais e roupas pouco práticas. Quando for sentar no chão ou pular, vai ser chato ter que ficar se preocupando se a saia está subindo e mostrando coisas além do necessário ou se o tomara que caia está caindo, do que com o show que está acontecendo. Outro detalhe importante é checar o tempo. Ele vai indicar os caminhos de como se vestir. Como aqui em Curitiba o tempo é bem maluco, prepare-se para enfrentar sol e calor, frio no fim do dia, e se caso chover, encarar a lama. Os acessórios são os responsáveis por dar vida a um look basiquinho. Colares, brincos, pulseiras são válidos quando são poucos e levinhos. Se durante o show você vai ficar no meio da aglomeração e não quer perder nada pelo caminho, coloque todos os acessórios que “agarram” para dentro da blusa ou da camiseta. Um acessório que garante

altas doses imediatas de estilo são os óculos. Ao contrário dos chapéus que se tornam um karma depois que anoitece, os óculos são fáceis de guardar. É só por na bolsa/mochila e pronto! Vá com roupas e acessórios em que você não tenha medo de estragar. Nada de ir com uma sapatilha nova que não pode molhar e ainda machuca o pé ou com aquele casaco que você morre de medo que estrague. Você está indo lá para curtir, então procure evitar ir com objetos ou roupas que tenham grande valor material ou sentimental. ______________________

Cada um tem um estilo, e isso não é novidade, mas na hora de encarar um festival, pense no seu conforto. ______________________

Por falar em sapatilhas, a recomendação é deixá-las em casa. Elas não protegem o peito do pé de pisões inconvenientes. Prefira sapatos confortáveis e fechados. Não vá com mochilas ou bolsas muito grandes. A tendência é sempre colocar mais coisa do que o necessário. E com certeza uma hora toda essa tranqueira vai pesar no seu ombro. Nada de maquiagem pesada. Qualquer coisa além do básico do básico (rímel, blush e protetor labial) é desnecessária. Batom vermelho, olho delineado são lindos no começo do dia, mas depois de várias horas vai estar tudo desmanchado e borrado. E por último, a maior dica de todas é: Aproveite todos os shows e não tenha medo de se jogar!


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Curitiba, quarta-feira, 11 de maio de 2011

LITERATURA

Priscila Pacheco

Casablanca

Por Suelen Lorianny

A Infindável Ciranda da Vida Por Camila Rodrigues Por tantas vezes a gente mente, toma o doce e amargo copo da vingança, engole a seco a despedida, passa uma tinta fresca na tristeza, grita loucamente palavras incertas com a única certeza de que “essa será a última vez”. Mas o destino nos prega as mais simples e desconcertantes peças. Se a gente pudesse sentar e olhar de fora a vida passando e levando tudo consigo, veria que o viver é um círculo ininterrupto. O amor e o ódio cantando odes a vida e ao tempo, os dois de mãos dadas, rindo de nossa ingenuidade. A gente poderia ver que foi a maior bobeira de nossa vida, não aceitar ir naquele concerto daquela banda que não tem nada a ver com seu gosto musical, só para agradar seus amigos. Seria divertido sim, você cantaria uma música que não sabe, dançaria com seu corpo, e o mais belo ainda estava por vir: o sorriso quase infantil dos seus amigos, agradecendo sua

- Qual filme vamos ver? – ele perguntou. - Você que sabe – ela queria assistir o romance, mas não ia falar, pois esperava que ele escolhesse para agradá-la. Coisa de mulher. Ele escolheu o romance. Os dois sentaram bem no meio. Nem tão na frente, nem tão atrás. Com mais alguns casais dispersos, eles ficaram ali esperando o filme começar. A luz baixa tomava conta da sala de cinema junto com a música ambiente, que imitava uma valsa. Até que o momento esperado acontece. A luz baixa se apaga, e a escuridão toma conta por dois ou três segundos. E o filme começa. Ela se encanta com toda aquela magia tão rápida que o momento entrega. O filme, a cena, o silêncio, a mão dele na mão dela. Os olhos dela fixados no filme, os olhos dele fixa-. dos nela. O filme, a cena, o beijo.

gentileza e disposição. Se apertasse bem os olhos, veria o espaço entre o tempo a possibilidade, enxergando drasticamente que algumas chances se repetem, e certamente teriam dado certo caso você não tivesse sido tão afoito o quanto foi. Se tiver sorte, verá ainda mais além, tudo aquilo que você fez aos seus pais voltará imediatamente para você, seja lá o que você tenha feito. Poderia tambémdar aquela espiada nos papéis de carta, mas fique preparado para a conclusão: palavras escritas nunca ditas ou entregues ficam aprisionadas no mundo dos sonhos perdidos, as pobrezinhas nunca foram verbalizadas, sendo assim, não puderam fazer parte do real. Pode apostar, as bandas no-

loucura. Tudo isso parafraseado por algo tão anacrônico quanto o ato de musicar palavras: o amor entre duas pessoas. A eterna tragicomédia da vida. Assim como o personagem Mercúrio, de Plauto, na peça Amphitryon, a vida nos diz ávida e altiva, na voz de um deus:

vas são apen a s u m a versão mais joAllan George

vem e mais colorida daquelas que você bem conhece. As músicas falam sempre das mesmas aflições, o amor não correspondido, a vida no sertão, os dias d e

“(...)Vocês franziram a testa porque eu disse que ia ser uma tragédia? Sou um Deus, e posso mudá-la; se vocês quiserem farei da tragédia uma comédia, com os mesmos versos, todos eles.” Do mesmo jeito que o público ri e chora das mesmas frases, entoadas e interpretadas por línguas diferentes, nós dançamos de mãos dadas a ciranda cíclica da vida.


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Curitiba, quarta-feira, 11 de maio de 2011

PERFIL

O doutor do povo Questionador, amado e odiado: um perfil de Dr. Rosinha e sua articulação com os movimentos sociais no Paraná

Aline Reis O ano do nascimento não importa, mas as marcas da luta estão estampadas no rosto deste paranaense nascido em Rolândia, cidade do norte do Estado, próxima a Londrina. Os pouco mais de 55 mil habitantes de Rolândia talvez não saiba, (ou sabem) mas há um rolandense que é conhecido em todo Brasil: Florisvaldo Fier. Este nome pode soar estranho para quem não o conhece pessoalmente, mas a força que carrega na voz, a barba e o cabelo brancos em contraste com o simpático apelido logo denuncia: estamos falando do deputado federal Doutor Rosinha. Doutor vem da profissão: médico pediatra, Rosinha é algo que vale à pena perguntar pessoalmente. A vida pública do parlamentar começou em meados dos anos 80, quando participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT), no qual atua com grande influência até hoje. A militância política deu-se em Curitiba, como vereador. Já nos anos 90 houve a ascensão ao cargo de Deputado Estadual. O trabalho foi reconhecido e Rosinha chegou à Câmara de Brasília. Vamos começar de novo. Estava no assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST), Eli Vive, em Londrina há algum tempo. A campanha da fraternidade ecumênica, mas encabeçada pela Igreja Católica, era um plesbicito popular sobre o limite da propriedade de terra, por isso, estava com vários papéis com espaços em branco para que as pessoas assinassem o nome a favor do limite. Era um domingo de sol. Fui ao assentamento a convite de um grande amigo, o jornalista Antonio Carlos Senkovski. As pessoas assinavam, conversavam um pouco e andavam pelo assentamento. Um homem de camisa social

Foto: Leonardo Prado

branca de manga comprida, barba e cabelos brancos andava muito à vontade pelo espaço. Me perguntou o que estava acontecendo, cumprimentou pessoas ao redor e deu a identidade. Eu sabia quem ele era. O deputado Rosinha. Assinou, me deu um aperto de mão, sorriu e saiu abraçado com um senhor barrigudo com boné do MST. A proximidade com os movimentos sociais faz com que Dr. Rosinha seja amado por muitos e odiado por outros tantos. É unanimidade quando se pergunta dele dentro dos movimentos sociais. Atuante. Firme. Coerente. Quem não vai muito com a cara do deputado Rosinha é a bancada ruralista que povoa a Câmara. A nova bancada ruralista, que abriga 217 deputados, deputadas, senadores e senadoras, tem muito que debater com Rosinha até 2015. São 158 parlamentares ruralistas, dos quais 49 são novos representantes do agronegócio e do latifúndio. Entre os mais influentes na Câmara está Alex Canziani (PTB) que usa a

bandeira de “educação”, mas tem atuação certa dentro dos ruralistas. Já no Senado, outro nome forte é o de Álvaro Dias (PSDB), ambos têm indisposição com Dr. Rosinha. A divergência surgiu pelo posicionamento do parlamentar petista em relação às políticas de reforma agrária e distribuição de terra, além de questões que permeiam o limite de terras ou o código florestal. A disputa não vem de hoje, mas é fato que mesmo os ruralistas da bancada centro-direita demostram grande respeito por Dr. Rosinha. Outra vez estava assistindo um debate apresentado pelo Lobão, na MTV, quando o tema me interessou. A agricultura familiar X o agronegócio. Não fiquei surpresa em ver o deputado Rosinha naquele estúdio. O acontecimento era ao vivo e a cada questionamento o petista tinha um milhão de papéis e mais vários argumentos que derrubavam teses de um fazendeiro e um outro parlamentar de que não me recordo. Ele sacudiu a geração Y que assistia Lo-

bão naquele momento. Rosinha é exemplo para uma juventude que tantas vezes parece desacreditada e despolitizada. “O que diferencia o deputado Rosinha é a articulação e a coerência que ele tem com os princípios que ele prega. Sempre o vejo em atos e formações que realizamos”, observa o estudante Felipe Ricardo, filiado ao PT, e membro da Juventude do PT (JPT) – esquerda marxista. Ninguém melhor do que o ex-presidente da República e uma das figuras mais importante do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, para enfatizar o quão importante é a atuação do parlamentar nas questões sociais e no direcionamento operacional do partido. “O companheiro Rosinha é um incansável defensor dos interesses do povo do Paraná na Câmara Federal e é um dos deputados que mais trabalham pela integração da América do Sul”, disse o presidente em entrevista ao site pessoal do deputado (http:// drrosinha.com.br/) e noutras tantas oportunidades em

que estiveram juntos. Mas nem só de terra vive o deputado. A luta pelo acesso aos meios de produção rural é apenas uma faceta de Rosinha. Enquanto rola uma polêmica sobre negros e homossexuais causada pelas infelizes declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ao programa Custe o que Custar (CQC) da TV BAND, todo mundo esquece de olhar o outro lado. O lado de quem apoia a luta pelos direitos do Movimento Negro e do Movimento LGBT. Também aí está a atuação do deputado Rosinha. Falar com o povo

Ele fala. Fala pelo telefone. Fala por email. Fala no twitter (@drrosinha). Parece que todos os políticos são inacessíveis e estão sempre ocupados demais para responder a população. As conversas só surgem em época de campanha, depois, vão-se com as promessas e santinhos. No caso de Rosinha é diferente. Ele faz questão de responder, de atender, de entender. Despretensiosamente liguei no escritório de Curitiba para tentar falar com o parlamentar para fazer esta entrevista. A secretária disse que me ligava depois porque ele estava em reunião. Esperei e ela não ligou. Tentei o celular dele. Simpático e com voz rouca atendeu. Disse que poderia me atender sim. E pronto, aqui está. Isso não aconteceu porque era uma entrevista para um jornal qualquer. Aconteceu porque ele se comunica com as pessoas. Deve ser por essas e por outras que 90 mil paranaenses confiaram seus votos à Rosinha nessas eleições.

Lona 626-11.05.2011  

Jornal laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo