Page 1

O

ún

ic

D o jorn do IÁ alBr R lab as IO or il at

@jornallona

Curitiba, qunta-feira, 5 de maio de 2011

redacaolona@gmail.com

ór

Curitiba, quinta-feira, 5 de maio de 2011

Ano XII - Número 622 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

lona.up.com.br

Decisão da união civil entre homossexuais deve sair hoje Marcos Monteiro

A votação do reconhecimento da união estável entre pessoas de mesmo sexo foi adiada para essa quinta-feira pelo presidente do Supremo Cezar Peluso. A expectativa é favorável para aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC). Pág. 8

Defensoria Pública é exigida no Paraná Apenas o estado do Paraná e de Santa Catarina ainda não possuem defensoria pública no Brasil, o movimento Defensoria Já quer mudar essa situação.

Pág 3

Especial

A influência da moeda americana no cotidiano do brasileiro Pág. 4 e 5

Colunas A força dos movimentos estudantis e a personalidade da moda Pág. 6

Perfil O dia a dia, as ambições e as dificuldades de dois gays em Curitiba Pág. 8

io


2

Curitiba, quinta-feira, 5 de maio de 2011

Editorial

As notícias referentes a morte de Osama bin Laden, líder da al-Qaeda e principal mentor do atentado do 11 de Setembro, pode servir de barômetro acerca dos dilemas envolvendo as coberturas para jornalismo impresso e para jornalismo de televisão, rádio e internet. É salutar entender que o impresso não é capaz de acompanhar o ritmo e a dinâmica de mídias especializadas em instantaneidade. Entretanto, o caso Osama é importante para entender a importância do jornalismo impresso no contexto contemporâneo. Enquanto, a rádio, a internet e a televisão navegavam num mar de contradições e especulações no domingo a noite, as gráficas dos grandes jornais brasileiros tiveram que atrasar suas máquinas para imprimir a notícia mais imediata e essencial. Diferente de algumas mídias, o impresso periga sempre entre a atualidade e o obsoleto, já que a sua notícia já pode madrugar antiga. Então, por que ler impressos? A resposta é, ao mesmo tempo, simples e

profunda. O jornalista de impresso tem um compromisso específico com a informação, o que está grafado nas páginas de seu périódico têm que oferecer comprovação do que houve, ele não pode cair na vala comum do boato e da especulação. Um site pode retificar sua informação, apagar seu post, uma rádio pode reconstruir seu texto, a televisão pode simplesmente adequar suas passagens. O impresso não. Nessa edição, estamos modestamente acompanhando os desdobramentos da votação sobre o casamento gay, assunto envolvido em aura de polêmica e defesa de direitos humanos. A responsabilidade de escrever factual sobre um tema dessa grandeza é imensurável. Esperamos conseguir oferecer informação de credibilidade, com aferição detalhada e analítica, pois sabemos que o papel não pode receber qualquer coisa. O que está inscrito permanece - e a permanência é uma grande justificativa para a existência dos impressos. Boa leitura a todos.

Expediente Reitor José Pio Martins Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Arno Gnoatto Pró-Reitor de Graduação Renato Casagrande Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Bruno Fernandes Coordenação dos Cursos de Comunicação Social André Tezza Consentino Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira Professores-orientadores Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima Editores-chefes Daniel Zanella, Laura Bordin, Priscila Schip O LONA é o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30 Fone: (41) 3317-3044.

Dafne Hruschka

Natureza em xeque

. O projeto de lei para o novo Código Florestal, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), estará em votação na Câmara dos Deputados nos próximos dias. Um dos pontos mais discrepantes em pauta na discussão é a isenção de Reserva Legal obrigatória a pequenos agricultores com área de até quatro módulos fiscais (entre 20 a 400 hectares, dependendo da região). Eles não precisarão reflorestar a área desmatada que possuem em sua propriedade, se não tiverem empregados e se sua fonte de renda for restrita ao próprio estabelecimento. A falta da mata nativa prejudica drasticamente o solo, reduzindo sua fertilidade, além de diminuir a qualidade da água e do ar, que vão gradualmente sendo poluídos pelas atividades humanas. A devastação das matas é capaz de alterar até mesmo as condições climáticas de algumas regiões. Para se ter uma ideia da gravidade do desmatamento, a Mata Atlântica, que cobria todo o litoral brasileiro, hoje está reduzida a apenas cerca de 4% de sua área original. O estado do Mato Grosso tem quase 40% de sua vegetação natural devastada. Há outros pontos problemáti-

cos no projeto de lei: as Áreas de Preservação Permanentes (APPs) ao longo dos rios sofreriam uma redução de 30 para 15 metros de largura, caso o espaço já esteja ocupado por lavouras ou construções; haverá liberação de ocupação nas encostas e morros, e - uma das mais indignantes proposta do novo Código - serão suspensas as multas aplicadas para aqueles que devastaram regiões de preservação até julho de 2008. A população está se manifestando não somente em Curitiba, mas em outras capitais e cidades. Na capital paranaense os manifestantes colheram há poucos dias, mais de 44 mil assinaturas contra o novo Código, que serão entregues no Congresso Nacional pelos deputados Dr. Rosinha (PT) e Rosane Ferreira (PV). A boa expressão da opinião pública nesses manifestos gera uma pergunta fundamental: de quem é a mata natural do Brasil? A Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, e os demais biomas que existem num país com mais de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados de área são da população. Todo o desmatamento e os danos diretos à natureza surtem efeito nas pessoas, que são afe-

tadas pela alteração do clima, deslizamento de encostas e redução na qualidade do ar. A natureza nacional é nossa. Não somente daqueles que governam o país, tomando decisões que beneficiam a parcela minoritária de grandes proprietários de terra - que ficarão isentos de suas multas estrondosas pelos crimes que cometeram -, e prejudicam uma boa maioria. Mesmo assim, não houve nenhuma consulta popular a respeito dessas mudanças no Código Florestal. A Floresta Amazônica brasileira representa 40% das reservas florestais úmidas ainda existentes no planeta e uma redução na necessidade de preservação apenas ampliaria a velocidade da devastação. É necessário um contraponto na necessidade que o crescimento econômico teoricamente exige de destruição da natureza, num país emergente como o Brasil. Existem possibilidades de adaptação e compensação. O reflorestamento e o cuidado com a vegetação e a água que dão vida aos cultivos da área rural são atitudes que, no mínimo, o homem deve como agradecimento à natureza.

O que há por trás de um aumento? Flavio Seig Imediatamente no dia seguinte à visita de parlamentares paraguaios, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou o projeto de decreto legislativo (PDS 115/11) que triplica o valor repassado ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. O texto foi aprovado com regime de urgência e deve passar pelo plenário do Senado nesta semana com o mesmo ritmo, um tanto quanto apressado. Ao que tudo indica será aprovado novamente. Além de não encontrar muita resistência na Casa, o presidente da comissão, senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), disponibilizou o texto por apenas meia hora, o que não permite a ninguém um voto mais refletido. Se for aprovado em plenário, o texto passa a vigorar sem passar por outras comissões, tampouco necessita de sansão presidencial. As opiniões daqueles que detêm o poder concedido

pelo povo nas mãos foram favoráveis, começando pelo presidente do Senado paraguaio, Oscar Gonzáles Daher. Ele afirmou, em sua passagem pelo Brasil, que tal ampliação de recursos vai contribuir para todo o Mercosul e não apenas para o desenvolvimento de seu país – como é de se esperar. A senadora que representa nosso estado, Gleisi Hoffmann (PT-PR), também relatora do projeto e ex-diretora da Itaipu, considera que a aprovação do decreto faz parte de um “jogo de ganha-ganha” e que nosso país não deve esquecer que possuímos 300 mil brasileiros vivendo em território paraguaio. Ela ainda sustenta que a medida vai beneficiar a população que vive na fronteira. A senadora declarou para a agência de notícias do Senado que “os recursos do aumento poderão ser revertidos em obras no Paraguai que beneficiariam inclusive brasileiros que residem em ter-

ritório paraguaio”. O paradoxo maior apresentado por Gleisi Hoffmann foi afirmar que o valor dos pagamentos feitos pelo Brasil ao país vizinho não será arcado pelo consumidor brasileiro. Mesmo que não haja repasse imediato para as contas de energia elétrica que chegam a nossas casas, o tesouro nacional é alimentado com as riquezas produzidas por todos os cidadãos – e consumidores – brasileiros. Por isso mesmo, a aprovação de um decreto legislativo que aumenta consideravelmente as quantias retiradas dos nossos cofres e repassadas aos nossos vizinhos careceu de maior reflexão, inclusive da iniciativa popular. Vale indagar qual a verdadeira intenção por trás deste aumento, visto que ele não nos dá garantia alguma de em 2023, quando expirar o primeiro acordo selado entre países, continuaremos usufruindo do excedente produzido pela hidrelétrica.


Curitiba, qunta-feira, 5 de maio de 2011

Mobilização exige criação de Defensoria Pública no Paraná Instituição tem a função de garantir o acesso à justiça para cidadãos que não têm condições de pagar advogado

Marcos Monteiro

Camila Tuleski Tebet Rodolfo May

O movimento “Defensoria já!” realizou, na tarde de ontem, uma mobilização em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, na Praça Santos Andrade, exigindo a criação de uma defensoria pública no Paraná. Os manifestantes percorreram outros noves locais públicos, como a Praça Tiradentes e a Boca Maldita. A estudante de direito Ana Raggio, integrante do Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDEHA), disse que a manifestação é importante para mostrar a importância da defensoria para a população, que, com isso, exigirá ela seja criada no Paraná. Ana comentou que o maior problema do movimento é o desconhecimento da população quanto ao direito à defensoria. A defensoria pública é um órgão mantido pelo governo para defender os direitos da população que não tem acesso a advogados. A Constituição de 1998 prevê a criação de de-

Movimento Defensoria Já conscientiza a população sobre a necessidade de uma Defensoria Pública no estado

fensorias em todos os estados brasileiros, mas a medida ainda não foi cumprida no Paraná.

ANÁLISE

Justiça ao alcance de todos Vinicius Ferreira A Constituição de 1988 é clara: “Todo cidadão brasileiro temo direito de um advogado de gratuitamente.” E no Brasil todas as unidades da federação têmDefensoria Pública, menos os estados de Paraná e Santa Catarina. Desta forma apenas a elite brasileira goza dos serviçosjurídicos e direitos constitucionais. O próprio Estado está nos privando deexercer direitos fundamentais, como reivindicar moradia, defesa em tribunal,direito a terra e tantos outros que são fundamentais para o bem-estar eliberdade de qualquer brasileiro. Ter Defensoria Pública significa política pública para umapopulação economicamente carente ter acesso á justiça, direitos sociais,atendimento a multiplicidade de interesses e tudo que fere a dignidade humana.

O artigo 5º da Constituição Federal garante a todo cidadão – brasileiro ou estrangeiro – o direito fundamental de acesso à justiça, ainda que não tenha condições financeiras de pagar um advogado particular. Para assegurar esse direito foi criada – através do artigo 134 – a Defensoria Pública que garante aos brasileiros condições de se defender em processos, buscar auxílio em relação a uma nova lei ou qualquer dificuldade perante o judiciário. Para a professora de direito Priscilla Placha Sá, o objetivo da defensoria é, além de esclarecer juridicamente a população, “prestar assessoria que possa viabilizar uma conciliação, uma mediação ou, caso não seja possível,

ingressar com as medidas judiciais ou contestá-las”. Priscilla faz parte do movimento Pró-Defensoria, que reúne grandes nomes do direito estadual e organiza mobilizações para esclarecer à população as vantagens do órgão. Para quem integra o movimento, a criação da instituição depende da vontade política. “Considerando que a iniciativa da proposição legislativa é a do governador do estado, a única resposta que encontramos é de que não houve vontade política nesses anos”, afirma. O projeto de criação da instituição foi sugerido apenas na gestão do ex-governador Orlando Pessuti, ou seja, 23 anos após a Constituição. O projeto foi reescrito pelo governador Beto Richa,

que solicitou que fosse dada urgência ou prioridade à votação na Assembleia Legislativa. Ou seja, a votação deve tramitar em 45 dias, passando pelas comissões e votações plenárias. Como os artigos 5º e 134 da Constituição garantem ao cidadão a defesa jurídica e assistência da Defensoria Pública, não cumpri-los seria ir contra o maior documento jurídico nacional. “No nosso entendimento, o estado do Paraná é descumpridor da Constituição”, conclui Priscilla. Ainda segundo Priscilla, depois de sancionado o projeto, o concurso público para a seleção de defensores e do grupo de apoio (que engloba, por exemplo, psicólogos e assistentes sociais) deverá ser feito em até 90 dias.


4

ECONOMIA

Curitiba, quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Valor do Dólar

A influência do valor da moeda americana no cotidiano do brasileiro Thomas Mayer Rieger Figura carimbada dos veículos noticiosos, o dólar estadunidense (USD ou US$) tem importância vital na economia brasileira. Escutam-se termos como “cotação”, “aumento do dólar”, “queda do dólar”, “balança comercial” e outros que fazem parte do grande glossário do “economês”, a misteriosa e incompreensível língua falada por quem é ligado aos estudos das ciências econômicas. Mesmo tendo grande importância, é comum encontrar pessoas que entendem pouco ou nada a respeito do dólar e os seus verdadeiros impactos na economia do Brasil. Apesar de trabalhosa, a compreensão do sistema econômico que envolve o dólar não é nenhum bicho de sete cabeças. Compreendê-lo é, na verdade, extremamente positivo. Balança Comercial

Colaboração: Pamela Castilho

A moeda dos Estados Unidos não está só presente quando se vai ao exterior. Ela integra a chamada “Balança Comercial”, que pode ser verificada por uma conta simples: o valor das importações, ou seja, tudo o que foi comprado do exterior, subtraído do valor das exportações. Se o valor da balança comercial for positivo (vendeu-se mais do que se comprou), ela é chamada de superavitária. Se o valor for negativo (comprou-se mais do que se vendeu), a balança passa a ser chamada de deficitária. A participação do dólar é fundamental: as operações de comércio com o exterior são normalmente negociadas nessa moeda. Sendo assim, quanto menor o valor do dólar em relação ao real, maior compensação em se importar. Quando o oposto acontece, é mais vantajoso

aumentar o volume de exportações para maximizar o lucro. Alta e baixa Todos os países estão sujeitos à influência da chamada taxa de câmbio, que nada mais é que o preço que uma moeda estrangeira custa em moeda nacional. Por exemplo: se a taxa de câmbio do dólar estiver a 1,65, quer dizer que um dólar custa R$ 1,65. Existem dois modelos de taxa de câmbio: a fixa e a flutuante. É uma ideia simples: o “câmbio fixo” estipula um valor determinado para a taxa de câmbio. O sistema de câmbio fixo brasileiro anterior a 1999 determinava, por exemplo, que US$ 1 era equivalente a R$ 1, valor que não poderia ser alterado por certo período tempo. No Brasil tem-se hoje um sistema de “câmbio flutuante”, que varia de acordo com oferta e a demanda de moeda. O dólar vai subir se houver muita demanda por ele, ou seja, muita saída de dólar do país. Em contrapartida, o dólar vai cair se existir muita oferta, ou seja, muita entrada da moeda no país. Aí fica o questionamento: qual valor de dólar é mais vantajoso, o alto ou o baixo? A economista Patrícia Tendolini explica que essa é uma questão relativa: “Deve-se perguntar a quem se destina esse dólar. Um dólar alto beneficia os exportadores, que vão receber uma moeda com valor alto em troca de suas vendas. Já um dólar baixo beneficia os importadores, que têm que pagar em dólar”. Dólar no dia a dia A variação do preço do dólar pode ser sentida também no bolso dos consumidores em

atos corriqueiros como uma simples ida ao supermercado ou à padaria. Isso se evidencia no preço de um dos alimentos mais comuns da mesa do brasileiro: o pãozinho. Apesar de majoritariamente agrícola, o Brasil importa uma grande quantidade de trigo, que é o ingrediente básico do pão. “Todos os produtos que dependam de algum tipo de insumo (bem ou serviço utilizado na produção de outro bem ou serviço) importado terão seu preço variado em decorrência da variação do dólar”, explica Patrícia. A lógica se reproduz em vários outros setores de produtos importados ou cujos componentes sejam produzidos no exterior. Apesar dos impostos, produtos como os equipamentos de informática, automóveis, vestuário e setores como o turismo têm seu preço variado de acordo com a moeda norte-americana. Segundo Patrícia, o consumidor brasileiro, independentemente da classe social, prefere um dólar baixo, já que isso possibilita a compra de produtos importados, que ficam com um preço mais acessível. O que muda entre as classes é a percepção da variabilidade do preço do dólar: “O que uma família de classes C e D faz com a renda? De modo geral, ela paga o aluguel, compra peças de vestuário e paga a comida. O que é importado? Pouca coisa, como o trigo”, afirma a economista. A situação muda no caso das classes A e B, que têm um padrão de consumo diferenciado. Além do básico, essas famílias têm a tendência de consumir produtos importados com um custo elevado, como computadores, televisores e gadgets eletrônicos. “Por exemplo: a minha diarista não sabe se o dólar está subindo ou descendo. Não é por ignorância, mas porque ela

sofre menos impacto. Se considerarmos uma família de classes A e B, há maior percepção da variabilidade, já que os produtos consumidos por ela sofrem mais diretamente com a variação do dólar”, comenta. Como economizar Com o aumento do dólar, o consumidor logicamente foge de produtos importados, já que seus preços estarão mais caros do que o normal. O comportamento comum é o de comprar produtos da indústria nacional, cujos preços naturalmente estarão mais interessantes. Existem, entretanto, exceções à regra. “Houve um momento em que a Europa enfrentou problemas com a carne. Eles começaram, então, a importar muita carne do Brasil. O volume de carne exportada era tão grande que o preço aqui no país subiu”, conta Patrícia. Quando o dólar estiver muito alto, é possível que o nível de exportações de produtos, normalmente agropecuários, supere expectativas e não mais consiga suprir a demanda nacional. Com a escassez da oferta, os preços acabam subindo. Jogo de Equilíbrio A indústria brasileira depende muito do valor da moeda dos Estados Unidos para fechar suas próprias balanças. A matemática é muito simples e compreensível: se o valor do dólar estiver muito alto, há a tendência de os consumidores prestigiarem o produto nacional, o que é bom para a indústria doméstica. Agora, se o preço do dólar estiver em baixa, os produtos importados estarão mais acessíveis e atrativos, fazendo a alegria dos consumidores e gerando desespero da

Inflação

A meta da inflação estabelecida para 2011 é de 6,5%. Em 2010, a inflação oficial fechou com alta de 5,91%, maior nível desde 2004, quando o índice fechou em 7,6%. Entretanto, o governo estuda rever suas metas para esse ano.

indústria nacional. Todas as economias do globo funcionam como um jogo de equilíbrio, como contrapesos e balanças: uma alteração em qualquer um dos seus setores acaba afetando a economia como um todo. Uma maior taxa de inflação, por exemplo, afeta tanto o consumidor doméstico quanto o importador de mercadorias brasileiras, para bem ou para mal. Em outras palavras, não há quem saia ganhando em todos os momentos. As flutuações e variações são constantes e imprevisíveis. O importante, na economia, é saber jogar.

Dólar alto

Quando o valor do dólar está em alta, quem normalmente comemora são os setores que exportam produtos para o exterior. No Brasil, a pauta de exportação é focada em bens agrícolas, como o café e a soja. Portanto, quem exporta produtos dessa área para o exterior acaba se dando melhor em períodos como esse.

Dólar baixo Se o dólar atinge cotações baixas, o valor do real brasileiro acaba subindo. Nessas situações, os setores importadores se beneficiam, assim como o consumidor de produtos importados. Há destaque para os bens de capital, que são as máquinas necessárias na produção de outros bens. Normalmente comprados do exterior, eles acabam se tornando mais baratos.

Combustíveis

Ao lado dos alimentos, o preço do álcool e da gasolina são os grande vilões nos índices atuais de inflação. A gasolina fechou o mês de abril com alta de 4%.


5

Curitiba, qunta-feira, 5 de maio de 2011

Conversão de Moedas A influência do valor da moeda americana no cotidiano do brasileiro

Ao chegar de alguma viagem ao exterior, é comum as pessoas carregarem aquele restinho de moeda estrangeira na carteira. Apesar de essa ser uma prática corriqueira, o especialista em comércio exterior Marcelo Grendel explica que ela não está totalmente de acordo com as leis brasileiras: “A legislação diz que o cidadão brasileiro não pode portar moeda estrangeira enquanto ele estiver no país. Se o cidadão retornar de viagem e sobrar moeda em seu poder, ele obrigatoriamente tem que entregar essa moeda aos cofres do Banco Central, através da conversão para reais”. De acordo com a legislação, quem portar um valor superior a dez mil reais ou o equivalente em moeda estrangeira deve declarar o montante à autoridade aduaneira. Essa quantia não precisa ser exclusivamente em dinheiro. Cheques e travel-

ler’s check (cheques correspondentes a uma determinada quantia de dinheiro que devem ser trocados pela moeda local na hora da viagem) também estão inclusos nessa regra. Esse tipo de operação não é feito em qualquer lugar, apenas em locais específicos: “Todos os bancos fazem operações de câmbio, mas não toda agência bancária, apenas as especializadas. Existem também as chamadas ‘casas de câmbio’, o lugar onde a própria pessoa faz a troca efetiva de cédulas de moeda nacional por moeda estrangeira ou vice-versa”, explica Grendel. Diferenças Existem diferenças em trocar moedas em agências bancárias e em casas de câmbio. A questão é: onde essa conversão é mais vantajosa? A resposta não é definitiva. Ela depende das intenções

de cada consumidor. Em termos de preço, as agências bancárias especializadas saem na frente. De acordo com Grendel, elas utilizam uma menor taxa de câmbio, o que se torna mais vantajoso para o consumidor. “O banco normalmente não tem uma reserva muito grande de papel moeda estrangeiro, principalmente pelo risco que ele corre com a variação cambial”, explica Grendel. O banco acaba praticando uma “troca virtual”: papel moeda, o dinheiro físico, em troca de dinheiro virtual, o dinheiro em conta, com o valor corrigido. As casas de câmbio, em contrapartida, utilizam uma taxa de câmbio mais elevada, mas têm mais moeda estrangeira em reserva. Em outras palavras: apesar de pagar mais caro, é mais garantido que se consiga trocar papel moeda estrangeiro por papel moeda nacional, o que configura uma “troca real”.

Lucro e Prejuízo É possível obter lucro com a conversão de moeda estrangeira para a nacional. O estudante Guilherme Ludwig (19) conta que, antes de ir aos Estados Unidos, comprou seiscentos dólares a um preço de um real e noventa centavos “Voltei ao Brasil com cem dólares no bolso, e a cotação havia subido a R$ 2,20. Deu para garantir algum lucro, mesmo que pequeno”, explica. O oposto também acontece: o estudante Gustavo Vieira (20), participou de um cruzeiro e teve que comprar dólares. “Na época, a cotação do dólar estava a R$ 1,75 e tive que comprar US$ 400. Ao voltar de viagem, sobraram cinquenta e sete dólares”, conta. Naquele momento o preço dólar estava na faixa de R$1,65. Ao trocar esses dólares por reais, ele acabou perdendo dinheiro. O raciocínio é o seguinte: ao se comprar moeda estrangeira por um valor baixo e revendê-la por um valor alto, obtém-se lucro com a conversão. Em contrapartida, ao se comprar moeda estrangeira por um valor alto e revendê-la num período em que sua cotação estiver baixa, acaba-se tendo prejuízo com a conversão. Portanto, portar moeda estrangeira é sempre um risco, tanto para o consumidor quanto para casas de câmbio e agências bancárias especializadas, que também estão sujeitas a essas flutuações de mercado. Hora de trocar Fica uma questão difícil de ser respondida: mas afi-

Direito

O Curso de Direito da UP promove nesta quinta-feira conferência aberta a toda comunidade acadêmica. O palestrante é o Secretário Nacional de Justiça, o Prof. Dr. Paulo Abrão Pires Junior

nal, qual a hora certa para se realizar conversões de moedas? Logicamente se pensa em guardar a moeda estrangeira até que sua cotação atinja um valor interessante para a troca. Como já explicado por Grendel, isso é ilegal: “Isso seria passível de sanção jurídica porque seria considerado um investimento em moeda estrangeira no país. A pessoa acaba correndo o risco de ter a quantia confiscada, de ter de pagar uma multa ou, dependendo da monta, ter que explicar a origem do dinheiro. Existem muitos casos nos quais a investigação acaba também terminando na prisão da pessoa. É um risco sério que se corre”, avisa. Não há como saber exatamente quando e em quanto as cotações irão variar, mas estimativas são sempre possíveis. Uma dica é prestar atenção nas variações de anos anteriores, já que elas têm a tendência de se repetir. “Planejamento” é a palavra de ordem.

___________________

A legislação diz que o cidadão brasileiro não pode portar moeda estrangeira enquanto ele estiver no país. Marcelo Grendel, especialista em comércio exterior ___________________ Anistia

O tema da palestra é “A eficácia da lei de anistia no Brasil e as graves violações aos direitos humanos durante o regime de exceção”. A palestra começa às 19 horas, no auditório bege.


6

Curitiba, quinta-feira, 5 de maio de 2011

Camila Rehbein

Suelen Lorianny

@camilarehbein

@sulorianny

Cursa o 3º período da manhã e publica seus textos no endereço http://monapety.tumblr.com/

Cursa o 5º período da noite e publica seus textos no endereço http://www.revolucaonopalco.wordpress.com

Movimento Estudantil

Tribos Urbanas

O hair stylist Marcos Proença afirma que só existem dois tipos de garotas: as que são it e as que não são. Mas o que seria exatamente uma it girl? Alguns entendidos do assunto afirmam que ser uma it girl vai mais além do que estar sempre na moda, usando tudo o que há de mais caro no mercado. As it girls são meninasreferência no mundo da moda, sim, mas quem acha que é somente este quesito que é levado em conta se engana completamente. Fernanda Pereira, diretora do núcleo de pesquisas da Delta Sys, afirma que essas meninas precisam de muito mais do que roupas bonitas para serem consideradas as “influenciadoras da moda”. Fatores como comportamento também são levados em conta, pois as it girls possuem um grande círculo de amigos, são independentes, já moraram fora, viajam com frequência e circulam em diferentes lugares. Além dessas características, Fernanda acrescenta que essas meninas geralmente namoram ou são casadas e a relação com os cabides vem, geralmente, da herança materna. Gostam de atividades que exercitem a criatividade e que estão ligadas à arte. O termo foi utilizado pela primeira vez pelo romancista

Elynor Glim para descrever a atriz Clara Bow, quando esta surgiu em 1927 no filme - mudo “It”. O termo surgiu justamente porque ela vivia uma personagem sensual e poderosa, que na época passou a caracterizar esse novo rótulo que hoje é utilizado para nomear as ditadoras de tendência atual. Uma das mulheres que tem seu nome ligado ao termo it girl é a modelo Kate Moss. Aos 37 anos, ela segue como uma das principais opções do mercado publicitário pelo poder de influência que conseguiu ao longo de sua carreira. Outro nome que compõe a lista de it girls pelo mundo é Alexa Chung, que com 26 anos possui um estilo que, como ela mesma descreve, é baseado em ícones de beleza masculinos, ou seja, tudo o que não exige muito esforço. O surpreende é que, mesmo sendo ícones, não são consumidoras descontroladas, como alguns acham. Quem gosta de moda consome de maneira proveitosa e consciente, porque considera o momento da compra uma decisão importante, pensada. Então se no início você achava supercomplicado fazer parte desse mundo, percebeu que o importante aqui não é vestir a capa da Vogue todo mês, mas sim adaptar as tendências ao seu estilo e ao modo como você vive. A moda não pode ser algo forçado, pois se não se torna vulgar. E não adianta ter o armário, closet ou o que for abarrotado de roupas se não houver a palavra bomsenso no vocabulário. A palavrachave aqui é personalidade e nada mais. Então se um dia você sonhou em se tornar uma it girl siga o conselho fiel da jornalista Alessandra Garattoni: “Tenha inspirações. Não seja a cópia de alguém”.

Não acabou no passado divulgação

6

Os jovens sempre cumpriram um papel importante na história da sociedade. Poderia citar momentos em diversas décadas nas quais estudantes marcaram presença. O fator histórico que sempre se retoma ao falar de movimento estudantil vale muito para a formação atual de um estudante militante. Caras pintadas, Maio de 68, Revolução Constitucionalista, criação da UNE, Diretas já!, Impeachment do presidente Collor. Em todos esses momentos os estudantes estavam lá. Mas a atividade não pode ficar por aí e essa nostalgia eu deixo para outra hora. Se você for procurar pelo significado de movimento estudantil, irá encontrar algumas descrições como “movimento policlassista” ou “os sujeitos são os estudantes” e até mesmo “é um movimento social da área de educação”. Palavras bonitas, mas até aonde todos esses termos realmente significam a verdadeira essência? O corpo discente se renova periodicamente nas instituições de ensino, consequentemente, os estudantes que participam de movimento também deveriam se renovar. O movimento estudan-

til tem como objetivo lutar pelas causas estudantis e sociais. Fazer a diferença dentro da universidade e ao seu redor também. Não colocar as forças na individualidade e sim no coletivo. É, na teoria parece muito lindo. Simples. Infelizmente, em pleno século XXI, somos jovens de uma sociedade que nos ensina a sermos individuais e lutarmos por nós mesmos, somos filhos da geração coca-cola, somos fãs do sofá. Exageros a parte e contradição a favor, em um momento a individualidade fala mais alto quando cada um decide por si se continua parado ou se vai dar a cara à tapa. Mas só nesse momento, pode ser? O movimento está aqui para mudar o hoje e o amanhã. Em muitos anos os estudantes mudaram rumos de uma sociedade. É fato, o que fazemos agora irá repercutir alguns anos e quem sabe, traçar um novo caminho de um país. A atividade preferida dos militantes estudantis está em sair às ruas e buscar por mudança através das suas indignações. Às vezes nos esquecemos do poder que temos como estudantes, esse poder não ficou lá atrás, ele ainda existe.


7

Curitiba, qunta-feira, 5 de maio de 2011

PERFIL

Sou gay, e agora? Evelyn Bueno Os meninos da vizinhança achavam Guilherme estranho, ele não gostava de brincar de lutinha. Murilo, que morava do outro lado do bairro, gostava de se vestir de menina. Havia uma irmã mais nova e uma mais velha, havia um pai meio bravo e uma mãe compreensiva. E havia um mundo, gigante e preconceituoso. Mas isso foi há muito tempo, hoje até quem não sabe quem Murilo e Guilherme são percebe que um conjunto de mudanças transformaram uma confusão de identidade em duas pessoas felizes consigo. Quando os conheci ambos estavam “trancados” em um armário. Murilo tinha a chave, mas faltava a coragem para abrir. Guilherme não sabia nem que o armário tinha uma fechadura e por muitas vezes eu quis falar que ele poderia sair de lá de dentro se quisesse. No mundo de criança, o pequeno Gui achava tudo normal, não tinha como perceber a gravidade do que enfrentaria com o tempo. Muh sempre soube que no fundo era diferente e que mais tarde

Murilo em dia de Manhattam

também iriam acontecer certas coisas. Olhar nos olhos do pai era tarefa difícil, mas certo dia eu percebi que ambos os armários estavam abandonados e com as portas abertas. “Filho, sua opção sexual só diz respeito a você”, foi o que Muh ouviu do pai em um abraço que curou muitas das suas noites mal dormidas. “Pai, gosto de meninos”, como falar? Consequências boas ou ruins podem vir de um momento confessionário como esse. Guilherme contou para a mãe em tom de “chegou a hora” e ouviu um “eu já sabia”. “Na verdade eu acho que todos os pais já sabem, apenas escondem isso com medo ou até mesmo vergonha do que tem em casa”. Hoje Gui sabe que essa questão complexa se resolve na boa e velha conversa olho no olho. Murilo tinha 14 anos e namorava uma menina. Quando conheceu o irmão dela percebeu que algo diferente aconteceu e passou a lutar contra o que sentia. Acabou descobrindo que ser “diferente” no seu caso, era ser gay. Terminou o namoro com a garota e ficou oito meses com o ex-cunhado. Gui e Muh estudavam juntos no ensino médio. Gui, às vezes, se distraia e cruzava as pernas; os colegas o olhavam de canto. Murilo, extremamente curioso, não passava um dia sequer sem me falar que aquele tal de Gui era gay, “um gay muito gay”. Ele se aproximou, tentou uma amizade, mas Guilherme continuou impassível.

Sabia que o interesse era saber se ele era ou não era. Na lista de desafios diários dos dois o número um era ser aceito por todos que os rodeavam, ou seja, o colégio era diariamente uma jaula de leões famintos que- rendo um pedaço deles. Colégio católico, regras de comportamento e dois peixes fora do aquário. Era como se existissem duas pessoas num corpo só. Uma era a que estava por dentro, querendo sair, que deveria sair. A outra era a forma, o que os olhos alheios viam e que não aceitavam. “Eu quero pintar as unhas! Eu vou pintar as unhas, pô! Eu gosto”. E pintou. O pai de Guilherme mal conseguia almoçar. Olho na comida, olho nas unhas do filho. Ora comida, ora unhas. Primeira aula, oito da manhã, 20º C em Curitiba e Murilo de moletom e capuz. A professora diz uma, duas, três vezes, “tire o capuz”, e ele diz quatro vezes, “não”. O que tinha acontecido era que o cabelo tinha ficado meio blond, sabe como? Uma tinta mal passada deixou o cabelo de Murilo digamos, cor de burro quando foge. Eram hábitos femininos saindo pelos poros. Foi a convivência e a identificação tímida que os fizeram perceber que talvez houvesse uma resposta de um para uma pergunta de outro. Amigos enfim. E numa balada matinê para adolescentes, os dois, na mais perfeita forma e alegria, souberam que podiam confiar seus segredos um ao outro. Afinal, naquele lugar, beijar meninos era quase uma lei. Era bom, eram bonitos e a entrada era barata. Cinco mangos e um carimbo no pulso escrito Manhattam. Perderam as contas de quantas vezes foram nesse esse lugar. A tal balada matinê em que entravam menores de idade deu conhecimento sobre esse mundo gay aos dois, que mais tarde passaram a frequentar lugares de gays adultos. No centro de Curitiba funciona o Cat’s night club,

descrito pelos dois como o lugar onde gays, lésbicas e travestis são iguais, onde o preconceito fica do lado de fora. Há um tipo de grande quarto escuro chamado dark room, onde as fantasias podem ser libertadas sem que ninguém interfira. Foi aí que os dois descobriram o sexo. Sexo com uma pessoa do mesmo sexo. O êxtase. “Ninguém escolhe ser gay ou heterossexual dependendo do seu dia, estado de espírito ou humor. Isso é um fato de nascença que nenhum de nós pode mudar”. Mu e Gui aceitaram quem são e abraçaram a felicidade. “Sou gay querida, algum problema?”, na farmácia, no ônibus, na rua, essa era a resposta para olhares da cabeça aos pés de gente que não fazia a menor idéia do que era “aquilo”. Guilherme é afeminado. Não tem barba porque a natureza foi gentil em não pôr barba nesse caso especial. Rosto, jeito e voz de menina, quase uma menina. Murilo, visto de longe, até consegue se camuflar no meio de heterossexuais, mas se abre a boca para falar uma palavra, se entrega, pois a voz é feminina. Formando-se em designer de interiores, Gui pegou o diploma sem jeito e comemorou ao estilo clássico. Muh na plateia orgulhoso do amigo diz: “Quando eu me formar, vou pegar o diploma, passar a mão no microfone de quem for e falar que apesar do preconceito, dos olhares tortos nos corredores eu consegui! E eu tô aqui pra falar que eu

Arquivo pessoal

Gui no Cat’s Night Club

sou gay mesmo, mas que ninguém é melhor que ninguém!” E ele vai falar, não tenho dúvida. Drogas, sexo, travestis, programa, pílulas de hormônio, esmaltes, ausência de pelos. Tudo isso era tão íntimo da realidade dos dois que parecia que quase nada os assustava. Gui já cansou de correr de skin heads no centro da cidade. Murilo sabe dar umas porradas mas não se mete com homofóbicos. Desde que se acertaram com a própria identidade, os dois já foram a quatro paradas gays - festa que comemora o orgulho gay, que luta pelos direitos dos homossexuais e que leva para a Avenida Cândido de Abreu milhares de homens e mulheres que fogem dos padrões da sociedade. Guilherme dança e flerta com quem passa. Murilo observa e repreende o amigo “Tá louca, viada?” Alguns gays casam, adotam filhos, saem fantasiados de casais no carnaval, viajam para a parada gay de São Paulo. No fundo o que todos que-rem é ser feliz. Porque, afinal minha gente, quem não quer amar? Amor é tudo de bom!


Curitiba, quinta-feira, 5 de maio de 2011

Marcos Monteiro

Decisão adiada pelo STF Laura Beal Bordin

Deve sair hoje a decisão do reconhecimento da união estável entre pessoas domesmo sexo. O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a votar ontem à tarde, masadiou a decisão. Até às 19 horas de ontem apenas o relator Ayres Britto havia dado o seuvoto, que foi favorável ao reconhecimento. O presidente da Corte, Cezar Peluso,já se declarou favorável, mas ainda não deu seu voto oficial, juntamente com osoutros 10 ministros. Na sessão de hoje, os ministros devem analisar o pedido da ProcuradoriaGeral da República (PGR) para que a união de casais homoafetivos sejareconhecida como “entidade familiar”.

SIM Laura Beal Bordin Na Argentina já é reconhecida a união estável de pessoas de mesmo sexo. O que faz com que o Brasil não tenha a mesma atitude? A falta de apoio das entidades religiosas do país, que não aceitam a homossexualidade como uma orientação sexual. Do mesmo jeito que, durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff foi alvejada por querer repensar a descriminalização do aborto, as autoridades do poder brasileiro têm medo de uma reação negativa por parte da população. Não há por que pensar assim. Homossexuais devem ter os mesmos direitos e deveres civis que um he-terossexual tem. Sexualidade não define cidadania. Hoje, 78 direitos

garantidos aos casais heterossexuais, são negados aos casais homoafetivos. O principal deles é o não-reco-nhecimento da união estável. Não se luta pela liberdade de ter um casamento no religioso, e sim, ter direitos iguais a um casal hétero. Direito à herança, direito à adoção, direito usufruto dos bens do parceiro. Direitos que são assegurados a um casal. Não deveria importar se o casal é formado por homem e mulher ou homem e homem ou mulher e mulher. O que importa é que eles são um casal, e tem direito a ser um casal, legalmente. Hoje no Brasil, ser um casal homossexual é estar fora da lei. Tudo o que se luta é por direitos iguais. Há de se respeitar a diversidade. Há de se garantir direitos a todos. Sexualidade é o de menos.

Hoje, a Constituição brasileira reconhece como entidade familiar apenas oscasais formados por um homem e uma mulher. A proposta da PGR tramita no STFdesde 2009. O governo do Rio de Janeiro fez o mesmo pedido em 2008. O governador doestado, Sérgio Cabral, quer incluir os casais gays no regime de previdência e assistência,além de outros benefícios que são conferidos aos servidores estaduais quecomprovam uma união estável. Dados no Censo 2010, divulgados nesta semana, revelam que o Brasil tem pelomenos 60 mil casais homossexuais, sendo essa a primeira edição do recenseamentoque contabilizou a população que vive com um parceiro do mesmo sexo. A união é defendida por movimentos gays de todo o Brasil. Eles afirmam que,sem a aprovação da união, os homossexuais não têm uma série direitos constitucionais.

10 direitos que casais heteros têm e homossexuais não 1. Não têm reconhecida a união estável 2. Não podem somar renda para aprovar financiamentos 3.Não inscrevem parceiros como dependentes da previdência 4. Não têm garantia à metade dos bens em caso de separação 5. Não podem assumir a guarda do filho do cônjuge 6. Não têm licença-luto, para faltar ao trabalho na morte do parceiro 7. Não têm direito à herança 8. Não têm usufruto dos bens do parceiro 9. Não têm direito à visita íntima na prisão 10. Não podem declarar parceiro como dependente do Imposto de Renda (IR)

Pamela Castilho A união entre duas pessoas do mesmo sexo divide opiniões e levanta questionamentos: a família tradicional perderá seu conceito de importância? É o que pronunciam a igreja católica e denominações evangélicas que se posicionaram contra a aprovação de um projeto de lei, na Argentina. A nova constituição do país determina a igualdade entre casais heterossexuais e homossexuais, ou seja, estipula que casais gays podem adotar crianças, obter benefícios previdenciários e heranças. No Brasil, a discussão sobre a possível aprovação de um projeto de lei gera polêmica e faz refletir sobre um ponto em especial: a adoção. Isso acarretaria

NÃO

consequências não tão favoráveis, pois possibilitará que crianças cresçam num meio deturpado e não possuam o conceito tradicional de família. A união em si não é o problema, pois as pessoas tem o direito de se relacionarem com quem bem entenderem. Mas a possibilidade de adoção acarretará consequências psicológicas para tais crianças. Dilema, como por exemplo, o fato de elas possuírem dois pais ou duas mães, diferentemente de outras crianças do mesmo convívio social, é exemplo do tipo de problema que a adoção por casais gays traria como consequência. Por isso, a aprovação desse projeto não trará mais liberdade para casais homossexuais e sim dilemas sobre o atual conceito de “família correta”.

LONA 622-05.05.2011  

JORNAL LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.