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Curitiba, quinta-feira, 21 de agosto de 2008 | Ano IX | nº 421| jornalismo@up.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo |

Comércio tem crescimento menor em junho, aponta pesquisa do IBGE Raphael Moroz/ LONA

Boca do lixo, boca do luxo

Dados do IBGE mostram que a venda no varejo diminuiu seu ritmo de crescimento e fechou o mês de junho em 8,2% em relação ao mesmo período de 2007. Na pesquisa anterior, no mês de maio o aumento anual havia sido de 11,1%. Segundo economistas, a desaceleração ocorreu porque houve diminuição do poder aquisitivo da população por causa da alta nos preços dos alimentos.

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Lei Seca diminui em 29% número de mortes no trânsito Página 3

ENSAIO - Localizado na região central da capital argentina, o Puerto Madero era conhecido, até o final dos anos 1980, como uma das áreas menos valorizadas de Buenos Aires. O turista que se aventurasse por lá correria o risco de não encontrar nada e até mesmo ser assaltado. Nos últimos anos, no entanto, um projeto de revitalização tornou o local um dos pontos turísticos mais disputados. Além de lojas e restaurantes sofisticados, o local conta com uma ampla área de lazer lazer..

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Brasileiro é o maior consumidor de cocaína da América Latina Páginas 4 e 5


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“Sem Direitos Humanos, sem Olimpíadas” Amanda Laynes

Foi dada a largada, ânimos exaltados, a busca por medalhas é o objetivo temporário dos novos moradores da China. Tudo parece festa, estrutura impecável, recepção calorosa... calorosa? Os cinco anéis, que representam os cinco continentes, saem de cena e mais parecem cinco algemas para este povo controlado. Chineses silenciosos e curiosos com a ida de tantos atletas e turistas para Pequim. Antigamente, os gregos faziam uma oração no templo de Zeus para que as competições fossem justas. Hoje, prometem honra, dignidade e boa vontade. E os chineses, como buscar uma competição justa se vivem em um regime político ditatorial? Nos últimos meses acompanhamos a repressão do governo chinês sobre o povo Tibetano que deseja mais autonomia em sua região, governo este que se reúne no congresso do país apenas uma vez por ano e que trata como “ameaça ao regime” toda oposição ao governo chinês. Segundo o comitê de Proteção a Jornalistas, há 29 jornalistas e mais 50 blogueiros presos por causa de críticas. Isso sem contar as prisões no interior do país. O território chinês poderia abranger pelo menos quatro fusos horários, mas e daí? O go-

verno impõe que a hora oficial do país seja a de Pequim. Assim, o sol chega a nascer às quatro horas da manhã no leste, e às nove da manhã no oeste. Durante décadas vivendo sob regime comunista, tendo de conviver com os mais de 30 mil censores que controlam tudo o que os chineses comentam na internet, os nativos da maior potência econômica do mundo são alvos da desinformação. Uma pesquisa lançada em 2003, por exemplo, mostrou que 77% dos chineses não sabem que a Aids pode ser evitada com o uso da camisinha. Os chineses estão cansados desta fiscalização. Cerca de 200 chineses saíram às ruas de Auckland, na Nova Zelândia, todas as semanas dos meses de dezembro de 2007 e janeiro deste ano, para protestar contra as Olimpíadas na China. Segundo eles, se o país não oferece direitos humanos para o povo, também não pode oferecer ao mundo um evento que promove o trabalho em equipe, a liberdade, a confiança. Nenhum país, por maior que fosse sua influência, protestou contra os abusos de autoridade da China. Talvez o único país que tenha se posicionado a favor dos direitos humanos dos chineses tenha sido o governo francês, Nicolas Sarkozy, que ameaçou boicotar a

EXPEDIENTE Reitor: Oriovisto Guimarães. V i c e - R e i t o r : José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; PróReitor de Graduação: Renato Casagrande;; PróReitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Ha-

milton Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editor-chefe: Antonio Carlos Senkovski.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

realização do maior evento esportivo. Porém, é claro, não foi para frente, afinal, estamos tratando de uma potência. A China não oferece liberdade de expressão, de imprensa, de religião (há seis milhões de católicos clandestinos no país, e por isso são obrigados a viver escondidos e realizar missas em locais afastados dos grandes centros), ou até mesmo partidária. Mas nenhuma imprensa internacional se opôs à cobertura das Olimpíadas, mesmo sabendo que as transmissões das redes internacionais também seriam submetidas à censura no país. Há um atraso de 9 segundos na transmissão de redes como a CNN ou BBC, tempo suficiente para que o censor tire a rede do ar caso constate que a notícia não é agradável à China. Sabe aqueles produtos, bem baratinhos Made in China? Pois é, eles são tão baratos quanto o salário dos chineses. Um operário chega a ganhar R$80 por mês. Pouco? Pois é,

mas para os camponeses que passam a vida com os pés na lama em lavouras de arroz, esse salário é um sonho. Mais uma vez somos telespectadores da magnitude do poder econômico prevalecendo sobre os interesses humanitários. Neste momento, a imprensa, assim como os chineses, se cala, compactuando com os malefíci-

os de um governo déspota. Enquanto você lê este texto, atletas ganham medalhas e voltam a seus países como vencedores, como símbolos de um país campeão. Porém, na China, algum ser humano, por optar por algum tipo de religião ou por se manifestar contra o governo chinês, por clamar por liberdade, pode estar sendo condenado.

Poderosa ferramenta de ensino João Nei

Infelizmente, no Brasil vemos resistências políticas que trazem prejuízos incalculáveis à nação. É o caso do projeto de lei elaborado em 1996 e que só agora deve ser assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que obriga o ensino da música nas escolas públicas. Os benefícios da música são inúmeros, como a facilidade para aprender matemática, noções de estética, desenvolvimento de habilidade motora, concentração. Além do conhecimento da história, inclusive a nossa, através dos estilos musicais. O pragmatismo das políticas educacionais levou a programas desastrosos como a suspensão, que vigorou por muitos anos, das aulas de filosofia e sociologia no ensino médio. O atual governo tem batido na tecla da educação como uma ferramenta para o crescimento, mas, além de incentivar a formação de

A sociedade precisa de cidadãos mais sensíveis e atentos às suas raízes; a música, portanto, pode ser uma ferramenta preciosa para valorizar a cultura novos cursos, novas faculdades, novas bolsas de estudos, o gestor público não pode abrir mão da qualidade e de atentar para o que de fato é necessário para uma formação humana mais ampla e menos tecnicista. Os benefícios do ensino musical são visíveis e indiscutíveis. A sociedade precisa de cidadãos mais sensíveis e atentos às suas raízes; a música, portanto, pode ser uma ferramenta preciosa para valorizar a cultura nacional e promover sua identidade cultural. O novo desafio está em

atender a demanda de professores de música nas escolas. Em Curitiba, com aproximadamente 1,8 milhão de habitantes, há apenas três cursos de licenciatura em música, que somados não chegam a oferecer mais de cem vagas por ano, sendo que o índice de desistência é alto, exatamente pela falta de perspectiva de inclusão no mercado de trabalho. Outro fato que preocupa é a qualidade das aulas, para que não fiquem naquele estereótipo de que aula de música é só diversão. A música é apaixonante e não há quem não goste. Exatamente por isso deve ser ministrada com muita responsabilidade, para que não abafe talentos e não cause desincentivo aos interessados. Certamente este projeto de lei é de extrema importância e logo a sociedade estará colhendo os frutos desta decisão. O brasileiro tem criatividade e força de vontade, só precisa de oportunidades e orientação.


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Alta nos preços dos alimentos diminuiu o poder de compra dos consumidores

Inflação desacelera vendas no comércio brasileiro em junho, mostra IBGE Diego Lopes

Números apresentados em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma desaceleração no crescimento das vendas do comércio varejista no mês de junho. O aumento das vendas foi de 1,3% em relação a maio. Em relação a junho de 2007, o crescimento registrado foi de 8,2% — índice menor se for comparado o mês de maio de 2008 com o do ano anterior (11,1%). Segundo economistas, a inflação dos alimentos diminuiu o poder de compra do consumidor e contribuiu para uma pequena queda nas vendas do varejo. O impacto da inflação foi mais sentido nos setores de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que fecharam junho com alta de 1,5%. Estes setores ocuparam 46% do total do índice de vendas do varejo e foram os responsáveis pelo fraco desempenho. Ao comentar o crescimento da inflação nos últimos meses, o professor da Escola de Negócios da Universidade Positivo Ronaldo Hofmeister explica que o Brasil vem sofrendo as mesmas pressões que estão sobre a economia mundial. Os efeitos da inflação sobre o índice de vendas ficam mais evidentes quando comparados os números do crescimento das vendas com a receita obtida pelos varejistas. Enquanto a venda teve alta de 8,2% em um ano, a receita subiu 15,2%, ou seja, o lucro obtido cresceu mais que as vendas, o que acontece sempre que os preços sobem sensivelmente. Quando comparada a venda e a receita dos hiper, supermercados e alimentos, a diferença fica ainda maior. Este grupo teve um aumento de 15,6% na receita enquanto as vendas subiram ape-

nas 1,5%. E é justamento no supermercado que a zeladora Dirce Alvez de Souza sentiu o maior aumento. Segundo ela, os maiores reajustes ficam por conta do arroz, do feijão e do restante dos produtos da cesta básica. A alternativa encontrada por ela e por milhões de brasileiro é a pesquisa de preços, embora ela confesse: “Eu não tenho muito tempo, sabe, porque a gente trabalha, e eu, quando faço compras, não tenho como ficar procurando o mais barato”. Apesar dos efeitos negativos da inflação, o primeiro semestre de 2008 teve desempenho superior ao mesmo período do ano passado com uma alta de 10,6% contra 9,8% do ano anterior. Hofmeister afirma que o Brasil enfrenta a crise mundial dos alimentos com certa tranqüilidade, e que demonstrou “fôlego e força para não passar por uma situação como essa novamente”. Para o IBGE, mesmo com os impactos da inflação em junho, não há motivos para acreditar em uma desaceleração das vendas do varejo puxada pela alta dos preços, pois os índices anteriores mostram que a inflação está diminuindo sua pressão sobre as vendas e que a alta da renda, da expansão do crédito e do alongamento dos prazos de pagamento beneficiam os varejistas. O professor, porém, ressalta que o país deve deixar de se esconder atrás do título de país agrícola. “Todos os países tem que ter soberania sobre os alimentos, sobre o combustível e o Brasil, se depender só da sua agricultura, vai ter uma dificuldade muito grande”. Um bom caminho, segundo o professor, é investir no processo de industrialização. “Quanto mais se industrializar”, diz, “maior é a chance de não sofrer com esses impactos mundiais”.

Lei Seca diminui mortes no trânsito do Paraná Priscila Fernandes

Dois meses depois da implantação da Lei Seca, houve uma diminuição de 29,69% do número de óbitos em acidentes de transito no Estado do Paraná. Os dados são da Polícia Rodoviária Estadual. Se for comparado ao mesmo período do ano passado, entre junho e agosto, o número de acidentes com mortes caiu de 64 para 45 em 2008. Em âmbito nacional no mesmo período, o número de acidentes com mortes caiu de 998 em 2007 para 862 em 2008. A Lei 11.705, que entrou em vigor há dois meses, e o rigor da fiscalização fizeram com que os motoristas mudassem seus hábitos, o que

FOTO DO DIA

Se for comparado ao mesmo período do ano passado, entre junho e agosto, o número de acidentes com mortes caiu de 64 para 45 em 2008. fica evidenciado nos dados divulgados pela Policia Rodoviária Estadual. A lei prevê limite de dois decigramas de álcool por litro de sangue. A partir deste volume, o motorista é multado e sofre autuação. De acordo com os dados da Polícia, as autuações por embriaguez passaram, no mesmo período de comparação, de 33 para 94 autuações.

Desde que a Lei foi sancionada a lei, a Polícia Rodoviária Estadual registrou 1.524 acidentes, no mesmo período do ano passado ocorreram 1159. Segundo o Marcio Hugolino Trevisa, da Polícia, este aumento no número de acidentes se deve ao aumento da frota e a facilidade de aquisição de automovéis. Mas Trevisan ressalta que diminuiu o número de óbitos, bem ocorreu uma diminuição de 6,23% no número de feridos. “Os índices são realmente favoráveis. Buscamos níveis melhores, mas, para isso, necessitanos que a comunidade se conscientize e faça a sua parte”, diz o responsavél pelo Nucleo de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Estadual do Paraná, Marcio Hugolino Trevisan.

Marisa Rodrigues/LONA

Acidente na via rápida do Campo Comprido, que derrubou um poste de energia elétrica


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Relatório da ONU coloca o Brasil na segunda posição no ranking do mercado da droga

Brasil é o maior consumidor de cocaína da Ana Cláudia Pereira

Apesar da baixa do consumo de drogas no mundo, a América do Sul apresenta números crescentes. No dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito (26 de junho), a ONU apresentou o Relatório Mundial Sobre as Drogas 2008. Elaborado pelo Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (Unodc), o documento leva em conta dados de pesquisas realizadas pelo governo federal entre os anos de 2001 e 2004. O Relatório coloca o Brasil na segunda posição no

ranking do mercado de cocaína das Américas. O consumo dessa droga (de quem usa ao menos uma vez no ano) subiu de 0,4% para 0,7% entre pessoas de 12 a 65 anos. São 870 mil usuários brasileiros, o que coloca o país atrás apenas dos Estados Unidos, onde existem mais de seis milhões de consumidores. No mundo todo, a cocaína faz parte da vida de 16 milhões de pessoas, que em 2007 financiaram a produção de quase mil toneladas. A principal preocupação da ONU é com o aumento do cultivo da coca, que pode diminuir o preço e aumentar a oferta da planta. A principal Divulgação

origem da cocaína continua sendo a Colômbia – dona de 99 mil hectares de plantação, concentrados em 10 dos 195 municípios do país -, seguida agora do Peru. Afeganistão e Mianmar também são importantes regiões de cultivo. O Brasil foi considerado pelo relatório o mais importante país de trânsito de cocaína, pelo fato de muitas organizações criminosas usam os pontos de rota brasileiros com o intuito de enviar à Europa a droga que vem da Colômbia, Bolívia e Peru, resultando num aumento da oferta no mercado local brasileiro, com preço mais acessível. Alguns outros canais, como em direção à Europa - via África, em apenas dois anos tiveram um aumento de 7% no contrabando.

Maconha Em quatro anos o consumo mundial da maconha praticamente dobrou. O Brasil apresentou os números mais altos da América do Sul. Durante o mesmo período, o número de usuários aumentou 160%, o equivalente a cerca de 3 milhões de pessoas. Segundo o relatório, esse índi-

A ONU teme que o aumento do cultivo da coca diminua o preç ce está diretamente ligado à maior oferta de maconha e haxixe provenientes do vizinho Paraguai. A América Latina é responsável por 12% das apreensões mundiais da planta, só no Brasil foram 167 toneladas. A região Sudeste tem a

Fonte: UNIFESP

Cocaína História A substância alucinógena é retirada da planta da coca, natural dos Andes, que já era utilizada por civilizações Incas antes mesmo de Cristo. Os incas acreditavam no poder do “presente dos deuses” que os ajudava a suportar a fome e a fadiga – um privilégio da nobreza. No começo do século XIX, os farmacêuticos e botânicos denominaram a folha da coca de “tesouro da matéria médica” e até de “saudável e condutora da longevidade”, embora outros especialistas já a comparassem ao ópio e alertassem os danos provocados

maior concentração de consumidores, com 3,7%, seguido da Região Sul, com 3,1%. O Nordeste e o Norte são responsáveis por 1,3% e 1,2%. O secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Uchoa, em entrevista à Agência Brasil, disse que o aumento no con-

pelo abuso da droga. Depois da descoberta do princípio ativo puro, a medicina adotou definitivamente a coca, e seus efeitos anestésicos em tratamentos de dores de dente e garganta, e em cirurgias oftalmológicas. Na segunda metade do século XIX, os primeiros produtos dessa matéria-prima começaram a ser vendidos. Duas bebidas ganharam destaque nessa época, a Coca-cola e o vinho de coca. A Coca-cola era usada em combate à cefaléia e como tonificante. Depois, o boticário norte-americano responsável pela mistura, acrescentou outros componentes e gaseificou a água, anunciando o produto como “a bebida dos intelectuais

e abstêmios”, e em 1901, a cocaína foi retirada da fórmula. O vinho de coca foi lançado em 1863 com a promessa de que nutria, fortificava e refrescava a mente e o corpo. Elogiado por alguns papas, seu criador ganhou uma medalha de ouro do Papa Leão XIII. Por volta de 1905, a cocaína já era inalada com freqüência nos Estados Unidos e até 1956 havia sido banida do mercado livre. A partir dos anos 70 o narcotráfico colombiano se especializou na substância, e nos anos 80 atingiu notoriedade internacional, faturando 200 bilhões de dólares anuais.

Formas de consumo A cocaína pode ser consumida de formas diferentes. Uma delas é das folhas da planta, que são mascadas, um hábito chamado de “coquear”, ou são consumidas em forma de chá digestivo, e não causam danos à saúde. A pasta de coca é o sulfato de cocaína, geralmente misturada ao tabaco e fumado. Se essa pasta for refinada, gera o cloridrato de cocaína, um sal, consumido via nasal ou venal se diluída em água. O que sobra da produção do cloridrato vira crack, normalmente fumado em pedras.

Efeitos fisiológicos Quem usa a cocaína tem uma rápida sensação de bemestar e aumento da atenção, da pressão arterial e da freqüência cardíaca. Doses maiores podem causar a síndrome cerebral orgânica, que provoca infarto, convulsões, pânico, confusão, irritabilidade, entre outros. Efeitos Psíquicos Aceleração do pensamento, inquietação psicomotora, estado de alerta, inibição de apetite e variações de humor. Riscos à saúde Causa dependência. Pode causar problemas cardíacos durante o consumo.O consumo freqüente leva à depressão, ansiedade, impulsividade e cansaço.


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O Brasil foi considerado pelo relatório o país mais importante para o trânsito da cocaína

Especial

a América do Sul Divulgação

ço e aumente a oferta da planta sumo de cocaína e maconha no país não é “nenhuma surpresa”. A pesquisa da ONU estima que 208 milhões de pessoas consumem drogas no mundo todo, sendo que 165 milhões destas são usuários de maconha, 24 milhões

usam anfetaminas, 16 milhões consomem derivados do ópio, 9 milhões fazem uso de ecstasy e 26 milhões podem ser considerados dependentes. Por ano, cerca de 200 mil pessoas morrem pelo efeito das drogas ilícitas, estimativa baixa se comparada aos cinco milhões de mortos por culpa do tabagismo e os dois milhões e meio de óbitos causados pelo álcool. A pedagoga e coordenadora dos projetos Formando Cidadão e Agente Jovem da Prefeitura de Curitiba, Denise Pereira, está à frente de um trabalho de prevenção e de ajuda no tratamento de crianças e adolescentes dependentes químicos, ou que possuam casos de dependência na família. Ela acha muito válido falar sobre o assunto com os jovens, para que entendam qual a verdadeira face das drogas. “As palestras e discussões promovidas pelos programas servem para que eles mesmos avaliem e coloquem na balança os prós e os contras de ser um usuário”. Os adolescentes que participam dos projetos estão incluídos no considerado grupo de risco com relação às drogas e por isso uma conversa

Maconha História Os chineses já utilizavam a substância alucinógena da canabis (Delta-9-Tetraidrocanabionol ou THC) dois milênios antes de Cristo, como cura e misticismo. Além disso, sua matéria-prima também cabia na produção de alimentos e fibra têxtil. A religião hindu é uma grande precursora da erva, e segundo tradições indianas, dá prazer, coragem e atende aos desejos sexuais. No final do século XIX um grupo de franceses fundou o Clube dos Haxixins, que fomentava as produções artísticas e o uso do haxixe. Na mesma época foi lançado o livro “Alice no país das maravilhas”, cheio de alusões ao consumo da droga que, no final da década de 30, foi proibida na maioria dos países. Desde os anos 70 a maco-

mais ampla e abrangente sobre o assunto é inevitável. “Normalmente há mais de um caso na família dessas crianças e os pais, que deveriam dar o exemplo, são os próprios usuários”, explica a pedagoga. A., de 14 anos, participa do projeto há seis meDivulgação

nha não saiu mais de cena, na Holanda a droga é legalizada em locais específicos e alguns países como o Canadá aceitam a prescrição do tetraidrocanabinol como estimulador de apetite para pacientes de câncer e Aids. A legalização é um assunto muito discutido atualmente. O haxixe é feito da peneiração do pólen das flores fêmeas da cannabis, uma resina de maconha.

For mas de Consumo A maconha é mais utilizada em forma de cigarro. Os brotos da cannabis são triturados e enrolados em papel para serem fumados ou os fragmentos adicionados a massa de bolo ou brigadeiro para serem ingeridos. O haxixe é comercializado em bolinhas da resina e pode ser misturado ao tabaco e o Bhang é um composto líquido

muito usado na Índia.

Efeitos Fisiológicos Pode provocar taquicardia, boca seca, hipotermia, tontura, incoordenação motora, aumento do apetite e tosse. Efeitos Psíquicos Alucinações e ilusões, sonolência, ansiedade, irritabilidade e prejuízos à concentração e memória de curto prazo. Alterações na percepção do tempo, risos sem motivo, fala solta, relaxamento e aumento da percepção dos sentidos são os efeitos euforizantes da planta. Além de trazer riscos a saúde, causa: *Dependência; *Piora a concentração e potencializa a desmotivação; *Pode desencadear quadros de pânico, paranóia e psicóse; *Câncer de pulmão.

ses e seu pai é usuário de ma- vida numa boa sem se atraconha e crack há quase oito palhar, ano que vem se foranos. As educadoras da Pre- ma em Farmácia, na PUC, feitura garantem que ele é onde faz pesquisas sobre a bom aluno, muito dedicado, planta: “Eu estudo isso, sei e que apesar da má influên- que também faz mal e prejucia dentro da própria casa é dica a saúde. Mas com o cicontra o uso de drogas, um garro é assim também, todo valor segundo ele ensinado mundo sabe os malefícios pela mãe: “Aqui no projeto a mas continua usando.”. A.S. ficou ingente aprenternado em uma de porque “No começo fuma- clínica de recuusar droga faz mal, mas va demais, pratica- peração durante quatro longos eu já tinha mente todos os meses para aprendido abandonar o víi s s o l á e m dias, depois, com o cio da cocaína e casa”. diz que hoje, se R .C . t e m tempo, a gente pudesse nunca 2 0 a n o s e é aprende até onde teria nem expeusuário de rimentado a dromaconha há pode e não pode ga e tudo seria cinco, d o s ir...” mais fácil. A.S. quais prati- R.C. conta que seu recamente três USUÁRIO lacionamento com uso diário. “No começo fumava de- com a família mudou, e que mais, praticamente todos os na época em que usava a drodias e vários por dia, depois, ga tinha alucinações muito com o tempo, a gente apren- fortes, pânico e lapsos de mede até onde pode e não pode mória, e que, além disso, junir, pra pegar leve e não des- tando a coca ao outro vício, o cuidar tanto”, afirma R.C. Ele tabaco, tossia muito e não tinão vê a maconha como uma nha resistência imunológica droga e garante que leva a alguma.


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Com apenas três anos, ele já tem atitudes que imprecionam a família

Luiz Guilherme: cheguei e arrasei Texto e foto: Carolina Adam Helm

Lugar apertado, molhado e barulhento. A cada dia seu espaço diminui, quem vive ali tem a necessidade de deixar esse lugar que, aparentemente sombrio, é cheio de amor e carinho. Passadas algumas semanas o aperto é insuportável e a sua própria estrutura já deixa pronto o novo ser que rapidamente entrará em contato com um mundo cheio de desafios e descobertas. Sentimento singular e inexplicável, mistura medo, ansiedade e alegria, mais ou menos isso é o que acontece. De repente o choro é inevitável e essa explosão de emoções se encontra quando mãe e filho se tocam, se abraçam e sentem-se fisicamente. É o acalento materno do abraço e do aconchego. É uma simbiose fantástica. Começam agora os desafios, preocupações, contradições e descobertas. Aos 21 anos, Patrícia descobre que em seu ventre habita um novo ser todo formado e quase pronto para encarar o mundo. Uma surpresa aterrorizante. Com apoio de alguns familiares e amigos ela deu à luz seu filho. Falando assim parece ser fácil, mas a vida começa a lhe mostrar as dificuldades. Rejeitados pelo bisavô materno, uma pessoa de extrema e especial importância em sua vida, começou a lidar e lutar com o sofrimento da angustiante aceitação. Quando Luiz Guilherme (nome escolhido pelos pais que agora são só amigos) completou sete dias de vida, foi ao encontro do seu bisavô. Ao olhar para aquele pequenino ser embrulhado em um cobertor azul, esse senhor, militar antiquado, se enterneceu e o pegou no colo pela primeira vez. Um bebê tranqüilo, que não chorou muito, teve pouca cólica e quis o tempo todo mamar no seio da mãe. Foi ao pediatra com um mês de vida,

teve que completar o leite ma- ferência por garis e lixeiros nheiro, prontamente pegou terno com leite em pó. Sua que são ovacionados por ele, seu cofrinho e deu para a avó, mãe adoeceu e ele foi o seu que espera todo dia o cami- achou que ia resolver o promaior incentivo para tirá-la nhão do lixo passar, princi- blema, e deixou todos encanpalmente o do "lixo que não é tados com sua atitude. Já era da cama. Com o passar dos meses, a lixo". perceptível um nível de preoTêm paixão por motos, car- cupação e de raciocínio muito cada dia Luiz Guilherme começou a emitir sons novos e ros, trens e tudo que roda. De avançado para tão pouca idasuas mãozinhas não paravam seus amiguinhos é o mais ar- de. de mexer e se entrelaçar. Sen- ticulado o único que às vezes De personalidade forte, por tia-se livre e demonstrava um precisa ficar no cantinho re- onde passa deixa sua marca. prazer imenso ao tomar ba- fletindo. Atitudes como: dei- Às vezes encanta ou nho, achava ruim e resmun- xar a torneira aberta e ala- irrita todos. Engava quando o tiravam da gar o banheiro, ou por imitar frenta seu bisavô lobo, assustar seus colegas, de igual pra água. Aos sete meses engati- contribuem para que isso igual como se fosnhou e a partir daí, o bebê aconteça. É adorado pelas pro- se adulto, levantranqüilo não parou mais qui- fessoras, diretora e principal- do-o a tomar meeto. Subia e descia, pendura- mente pelas serventes que lhe didas mais enérva-se nos sofás, nas cadeiras, preparam a comidinha e con- gicas para e em tudo o que alcançava, tam com sua ajuda para lim- aprender a resdeixava todos a sua volta pre- par a sala. É o rei da cozinha, peitá-lo e aos ouocupados e admirados com ta- por comer de tudo e muito tros. Há poucos manha agilidade. bem. Cantarola músicas em dias estavam os Já falando “papai” e “ma- inglês, faz aulas de capoeira dois sozinhos mãe”, em pouco tempo pro- e educação física. quando seu binunciou várias outras palaLigado em tudo o que acon- savô foi ao bavras. Com aproximadamente tece ao seu redor, principal- nheiro, sorum ano seu interesse por mente nos diálogos de adul- r a t e i r a música já era marcante, co- tos, começa a mostrar sua per- mente vimeçou cantarolar algumas sonalidade. Não gosta de ver rou a chacantigas de ninar e não parou ninguém chorando e mostra ve e tranmais. Seguiu com um reper- seu instinto protetor. Coloca c o u - o . tório a cada dia mais amplo, a cabeça da pessoa em seu colo Nervoso o com total surpresa para todos, e consola como gente grande. bisavô copois já arriscava o funk, sam- Preocupa-se quando vê al- meçou a griba, pagode e MPB. A televisão guém triste, sem o menor tar, mas de o influenciou muito, princi- pudor questiona o que houve, pouco adianpalmente os comerciais. Atra- insistindo em suas perguntas tou, pois vés de sua memória associa- até achar que pode resolver. Luiz Guitiva, ao ouvir ou ver a ima- Para demonstrar que está sa- l h e r m e gem de algum produto, corria tisfeito com a explicação, saiu rapide onde estivesse para dançar toma determinadas atitudes d a m e n t e e cantar. como pegar o telefone e bri- obrigandoChama seus familiares e gar com a pessoa responsável o a arrombar conhecidos pelo próprio nome pelo acontecido. a porta. Luiz e não por adjetivos comuns Dias atrás escutou sua Guilherme foi como: “titia”, “titio”, “vovó”, mãe falando que não tinha di- repreendido e fi“vovô”, com exceção de Nome: Luiz Guilherme Helm Belizário “papai” e Data de nascimento: 24/06/2005 “mamãe”. Local: Hospital Nossa Senhora de Fátima, Curitiba-PR Hoje, Horário: 17h33 com três Comprimento ao nascer (cm): 47 anos, ao Peso ao nascer (g): 3,145 passear Raça/Cor: Branca na rua, Tipo de Parto: Cesário cumpriFiliação: Rafael Fischer Belizário menta a todos, Patrícia Adam Helm tendo pre-

cou sem andar de bicicleta por dois dias. A sua firmeza ao escolher objetos de uso pessoal como tênis, roupas, brinquedos, mostram o desenvolvimento das suas preferências. Muitas vezes faz isso para agradar aos outros. Seu time de futebol, para uns é Atlético e para outros Coxa-Branca, dependendo do gosto e da importância que a pessoa tem para ele. Vive em um mundo de preocupações desnecessárias para a sua idade. Crescer, aprender, amadurecer são efeitos normais da vida. Crianças deixam de viver sua lúdica infância porque a correria do mundo as está impedindo. Crianças como Luiz Guilherme, crescem e amadurecem muito rápido, será que isso vai ser bom no futuro? Só sei que ele veio para unir nossa família, pois há muitos anos não passávamos o natal juntos. Ficamos mais tolerantes uns com os outros. Ele conseguiu resgatar em todos nós a importância de uma família unida apesar das diferenças, dificuldades e desavenças.


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Competição baseou-se em reality show do canal People and Arts

Desafio Passarela do Senai premia estudante de 17 anos Silvia Henz

Aconteceu na última sextafeira na Universidade Positivo a final da terceira edição do Desafio Passarela, promovido pelo Senai durante a Olimpíada do Conhecimento. A aluna Carolina Gritten, de 17 anos, saiu vitoriosa. A competição baseia-se no reality show “Runway”, do canal People and Arts. Na segunda-feira da semana passada, contava com 100 participantes, que foram ficando para trás nas outras etapas. Os participantes, alunos do curso técnico de Estilismo, tiveram cinco dias para desenvolver um “look” completo, desde o croqui, até o desfile da roupa pronta. Para a montagem dos looks, tiveram R$ 100 para gastar com tecidos e R$ 10 com aviamentos (botões, zíperes, ombreiras...). Nesta edição o tema foi “identidade”, ou seja, os alunos deveriam desenvolver uma roupa para eles mesmos, que de algum modo transparecesse sua personalidade. “Movimento” foi a palavra que Carolina usou para se definir. O look vencedor foi composto por três peças: top, regata e saia. A comissão julgadora foi formada por importantes nomes da moda e do jornalismo, como: Caio Gobbi, Gisa Gabriel e Rafaela Sabatawitch. Segundo o aluno William Nassu, o tema foi uma surpresa: “Eu esperava o tema sustentabilidade”. William é descendente de japonês, mas não quis demonstrar isso na sua roupa, pois se considera bem brasileiro. Seu “look” é composto por quatro peças: bermuda, camisa, colete e gravata, e é todo em preto e branco. Nassu diz que não conseguiu os tecidos que desejava e que a parte mais difícil foi a costura. Já a estudante Luana Guerra não tem ascendência japonesa, mas admira muito a cultura

das gueixas, por isso apresentou um casaco de inverno no estilo quimono. Para ela, a parte mais difícil foi lidar com o orçamento: “Nós tínhamos 100 reais e 40 minutos para procurar tecidos, não tinha tudo o que a gente precisava, foi uma correria.” No primeiro teste os alunos desenharam figurinos para celebridades como Angelina Jolie, Alinne Moraes, Adriane Galisteu, Amy Winehouse, etc. Daí foi pedido aos alunos que esquecessem o que tinham feito que o tema seria “identidade”. “Minha roupa é inspirada em mim mesmo. É superlivre, irreverente, bem à vontade. Eu usei brim e viscose, nas cores verde e rosa e bastante aviamento. Aliás, meus gastos com tecido deram abaixo do orçamento e os aviamentos ultrapassaram...”, diz o aluno do terceiro módulo Hildo Fabri. Apesar do clima de competição estar presente Hildo garante que os participantes estão bem unidos, todos se ajudando e que a convivência com entre eles foi muito legal. Mas ao ouvir a pergunta “quer ganhar”, responde sem pensar “claro”. Os critérios de escolha do vencedor foram baseados na criatividade, na relação do look com a proposta e na defesa oral do aluno. A vencedora levou para casa um cheque de R$ 3,3 mil, vale-compras em lojas de roupa, além do reconhecimento em um concurso que abre portas no mundo da moda. A edição deste ano faz parte da programação paralela à etapa nacional da Olimpíada do Conhecimento. Durante a semana foram exibidas as etapas do desafio por meio de um telão instalado no lounge do Desafio Passarela, na Universidade Positivo. Segundo o coordenador do curso de estilismo do Senai, Edson Korner, o objetivo era promover a interatividade e permitir que mais pessoas conhecessem o projeto.

Silvia Henz/ LONA

Participantes do Desafio Passarela

ELEIÇÕES 2008

A lei é clara: ofendeu, tem direito de resposta Marie-Claire Devos

Começam as propagandas eleitorais no rádio e na televisão e junto com elas as brigas dos partidos. Mas, para esse tipo de mídia, existem leis eleitorais - as mais conhecidas são os direitos de resposta. No rádio e na televisão, a lei eleitoral restringe-se ao horário gratuito definido por lei, sendo proibida a veiculação de propaganda paga. Ainda é vetada a veiculação ou divulgação de filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica a candidato ou partido político, exceto em programas jornalísticos ou debates políticos.

No rádio e na televisão, a lei eleitoral restringese ao horário gratuito definido por lei Em municípios que não possuem emissoras de televisão, os órgãos regionais dos partidos participantes podem requerer à Justiça Eleitoral que reserve 10% para divulgação da sua propaganda na emissoras geradoras que os atingem. Quanto ao direito de resposta na mídia, o candidato que se sentir ofendido, difamado ou

caluniado poderá pedi-lo. O prazo é de 24 horas quando se trata do horário eleitoral, e 48 horas quando se trata da programação normal das emissoras de rádio e TV. No horário eleitoral gratuito, o ofendido terá o mesmo tempo da ofensa que sofreu, nunca menos de um minuto. Já se o tempo for inferior, a resposta será levada ao ar tantas vezes que forem necessárias para a sua complementação. Se a ofensa ocorrer em dia e hora que não seja possível a sua reparação dentro dos prazos estabelecidos, a resposta será divulgada nos horários que a Justiça Eleitoral determinar.


Curitiba,

8

quinta-feira,

De porto decadente a região nobre da cidade

Texto e fotos: Raphael Moroz Uma mistura de restaurantes sofisticados, edifícios modernos e barcos, tendo, ao fundo, o Rio da Prata. Assim é o bairro Puerto Madero, um dos pontos turísticos mais visitados de Buenos Aires. No entanto, nem sempre foi assim. Até o final dos anos 80, o local era um porto decadente, cheio de galpões abandonados. Tratava-se da região mais precária da capital Argentina. Foi durante o governo de Carlos Menem que esta situação começou a

se modificar. Visando reformar totalmente a área, ele fez uso de recursos públicos e realizou parcerias com investidores privados. Após obras de infra-estrutura como pavimentação e drenagem, surgia o novo Puerto Madero. Hoje, o bairro possui restaurantes de diversas nacionalidades – incluindo brasileira – fábricas, hotéis e bares que agitam a vida noturna da cidade. Estima-se que o metro quadrado na região custa, aproximadamente, três mil dólares.

21

de

agosto

de

2008


LONA 421- 21/08/2008