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Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008 | Ano IX | nº 420| jornalismo@up.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo |

Propaganda eleitoral traz nova dinâmica à disputa de candidatos Ensaio fotográfico traz representação da paz Felipe Waltrick/LONA

A paz pode ser atingida na ausência de agitação ou uma simples pausa na rotina do dia-a-dia. Confira algumas movimentações em prol da paz - Pág 8

Até o dia dois de outrubro, os candidatos às prefeituras municipais de todo o país apresentarão suas propostas através da propaganda eleitoral, que começou a ser exibida ontem. No primeiro dia, somente os vereadores disseminaram seus discursos nas redes de televisão e de rádio do Brasil. Em Curitiba, a ferramenta deu novo ânimo à campanha. Cada candidato com uma estratégia diferente, desde ontem, até o primeiro turno das eleições, às segundas, quartas e sextas-feiras, os prefeitos aparecerão em seus programas. Já as propagandas dos vereadores são nas terças, quintas e sábados.

Reportagem mostra a poluição dos rios Apesar do fracasso de alguns projetos de conscientização ambiental, a ferramenta ainda é a melhor alternativa para a diminuição da poluição nos rios. Em Curitiba, vários córregos sofrem com a poluição por esgoto, lixo e outros resíduos.

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Serra da Graciosa atrai visitantes

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Programa melhora saúde de gestantes

A história do transporte coletivo em Curitiba Garapa serve como rotina do trabalhador comecomplemento alimentar ça,Amuitas vezes, dentro de um

Nos dois primeiros anos, de acordo com dados da prefeitura municipal de Curitiba, o “Mãe Curitibana” fez com que 97% de gestantes participassem do sistema público de saúde.

Mesmo não tendo álcool em sua composição, porque ainda não passou pelo processo de fermentação, o caldo de cana, quando tomado em grande quantidade, costuma causar sonolência.

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Hendryo André/LONA

ônibus lotado. Mas não foi sempre assim. Além de mostrar o primeiro “motor” dos coletivos em Curitiba, a reportagem do LONA desvenda a “voz” que conduz cerca de um milhão de curitibanos todos os dias.

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Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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Ficção ou realidade? Fernanda Kusma

Como é de costume, a novela “das 8” da Rede Globo mobiliza uma grande parcela da população do país . “A Favorita” ainda está no começo, mas já movimenta as revistas de fofoca e a curiosidade do público fiel. A novela decidiu inovar, e mostrou quem é o assassino antes do final da trama. Enquetes receberam milhares de votos em variadas páginas da internet, e até especialistas como um promotor de justiça e uma delegada participaram de um quadro do Fantástico para tentar adivinhar quem seria o suposto assassino, baseado nos fatos e provas dispostos nas cenas. Grande parcela da população delirou com as expectativas e nem sequer se questionou: Pessoas dessa importância não deviam estar fazendo uma coisa um pouco mais relevante para o país do que “chutar” um nome para o assassino da novela? O ator Jackson Antunes, intérprete do machista Léo na mesma novela, é prova real de como os espectadores passam a vivenciar o dia-a-dia retratado na telinha e nem percebem a inversão dos papéis que está sendo criada. Por interpretar um marido que bate na esposa, Jackson foi agredido por um

homem no dia 22 de julho. O ator, que é vítima de trombose, caiu no momento da briga e teve sangramento interno, ficando internado durante três dias. Ou seja, pessoas nas ruas tentando cumprir seus papéis, ou “fazer a sua parte”, vingar o que acham errado ou injusto. O problema é que se preocupam mais com o “faz de conta” do que com o mundo real. Pergunta: Será que este homem bateria em alguém que está poluindo o meio ambiente? Ou em alguém que recebe benefícios do governo sem estar precisando? Quantas campanhas, e dias mundiais sem carro ou sem tabaco que não conseguem sequer metade da participação que bolões e enquetes em relação às novela e reality shows conseguem? Se a Globo obviamente não vai alertar a população sobre um vício que ela criou e mantém, é responsabilidade de outros meios abrirem os olhos das pessoas para que elas possam enxergar que por trás do Léo da novela existe o Jackson Antunes (que até que se prove o contrário não faz mal a ninguém). E lembrar também que, além da revelação do assassino da ficção televisiva, existem centenas de assassinos que cometeram crimes reais e ficam no esquecimento enquanto autoridades investigam e palpitam sobre o “era uma vez”.

Educação? Pra quê? Estamos novamente em ano eleitoral. Dessa vez, além das velhas figuras que despontam como candidatos a qualquer coisa, como Paulo Maluf, Marta Suplicy, ACM (agora o Neto), Fernando Gabeira, e tantos outros nomes comuns na cena política, o que chama a atenção, mais uma vez, é o grande número de candidatos com pouca ou nenhuma escolaridade. Quase 300 pretendentes a uma cadeira nas câmaras municipais ou prefeituras de todo Brasil são inelegíveis de acordo com o artigo 14 da Constituição Federal por serem considerados analfabetos. Porém, se provarem perante o juízo eleitoral através de um teste individual que conhecem o mínimo de leitura e escrita, eles podem ser aprovados nas urnas. Outros 79 mil informaram que têm apenas o ensino fundamental completo. No Paraná esse número chega a quase seis mil. No total, foram registradas quase 400 mil candidaturas em todo país e cerca de 25 mil no Estado. Os adeptos do discurso do

Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski e Karollyna Krambeck

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

presidente Lula de que não se aprende a governar na escola podem ser muitos, mas esse parece ser o último quesito a ser averiguado pelos eleitores. A prova é a grande popularidade do chefe maior do estado brasileiro que, se pudesse ser reeleito mais uma vez, com certeza seria. Não há como negar que a maioria dos candidatos com baixa escolaridade são pessoas que representam as classes mais humildes e que, por esse motivo, conseguem atingir, compreender e atender de maneira mais ampla esse público necessitado. Mas devemos observar que eles significam a perpetuação do assistencialismo como maneira de governar. Em 2007, por exemplo, o Programa Bolsa Família do governo federal atendeu mais de 11 mi-

lhões de famílias em todos os municípios brasileiros. Apesar de contribuir para redução da pobreza do país, o programa “oferece o peixe” mas não “ensina a pescar”. Outro motivo para o grande número de candidatos sem instrução aparecendo na lista dos mais votados é a quantidade de eleitores que também não freqüentam as escolas. Segundo dados do TSE, cerca de oito milhões, dos quase 130 milhões de brasileiros que estão aptos a participar das eleições municipais de outubro são analfabetos. Outros 20 milhões de eleitores dizem saber apenas ler e escrever e 44 milhões de pessoas possuem o Ensino Fundamental incompleto. Pouco mais de 10 milhões completaram a etapa fundamental de ensino. Há quem diga que a política é um dom natural. Mas governar e legislar não podem ser consideradas dádivas genéticas. A escolaridade por si só não garante que a pessoa seja ou não capacitada para assumir um cargo público, mas que a falta dela dificulta muita coisa, isso dificulta.

Vida latente Carlos Guilherme Rabitz

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande;; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton;

Há quem diga que a política é um dom natural. Mas governar e legislar não podem ser consideradas dádivas genéticas

Katna Baran

Tum... tum... tum... bate o coração um compasso ritmado, apenas para manter o corpo vivo. Corpo este que, como a vida da sociedade brasileira, permanecerá como em um coma às avessas. O corpo vive, come, bebe e respira. O corpo se mantém com uma dieta diferenciada. Nestes dias, ele vive Olimpíadas, come recordes, bebe atletas e respira limites. A sociedade, a população e a própria natureza humana esquecem-se de que há vida além dos Jogos Olímpicos. Há responsabilidades, cultura, trabalho e família. A política, tão questionada nestes tempos de CPIs, corrupção e eleições, é esquecida, é deixada de lado.

A responsabilidade de se tocar um país que simplesmente abandona a vida em tempos de Jogos ou Copas se confunde com a conquista de medalhas A responsabilidade de se tocar um país que simplesmente abandona a vida em tempos de Jogos ou Copas se confunde com a conquista de medalhas, que são comemoradas por todos os meios, todas as raças e todas as religiões, por mais fiéis aos seus ideais que possam ser ou parecer. Tudo parece se confundir com as conquistas. Tudo. O

pior é que logo após o encerramento dos Jogos a vida tem que voltar ao normal. Restarão apenas comentários e modestas comemorações. A política volta com a corda toda. Às vésperas das eleições, vai ser um “Deus nos acuda”. Promessas de campanha política, compra de votos dos eleitores, impugnação de candidatos. Parecem até as Olimpíadas de um povo carente, em que o melhor (ou aquele que mais se preparou) deveria conquistar o ouro. Mas sabemos que não é bem assim. Infelizmente, a ilusão dos verdadeiros jogos é a que vale. Sabemos que na vida cotidiana nada mudará. Enquanto isso, tum... tum... tum... o coração continua no seu compasso desinteressado de voltar de novo ao normal.


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Geral

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Ontem foi o primeiro dia de exibição dos programas de propaganda eleitoral

Propaganda eleitoral no rádio e na TV é esperança de alguns candidatos Gabriel Hamilko

Começou ontem a propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio. Quem já estava acostumado a observar nas esquinas da cidade os cabos eleitorais com suas bandeiras e santinhos, os carros de som explodindo o tímpano da população e alguns muros pintados perto de casa, agora tem mais um tipo de propaganda. Até o próximo dia dois de outubro, os eleitores receberão cargas diárias de propaganda dos candidatos que anseiam conquistar o maior número de eleitores possíveis. Ontem, somente os candidatos a vereador participaram. Hoje é a vez de quem concorre a uma vaga no Palácio 29 de março. O atual prefeito, Beto Richa (PSDB), é quem ganha no quesito maior tempo de exposição: 11 minutos e 46 segundos, impulsionado pela grande coligação com vários partidos. Em seguida vem Gleisi Hoffmann (PT), com 5min11; Carlos Moreira (PMDB), com 4min43; Fábio Camargo (PTB), com 2min8; Ricardo Gomyde (PCdoB) e Maurício Furtado (PV), com 1min45; Bruno Meirinho (PSOL), com 1min22; e fechando a lista Lauro Rodrigues (PTdoB), com 1min17. No topo das pesquisas, Beto Richa pretende abrir seu espaço mostrando as conquistas de sua administração e a alta receptividade, sendo considerado por dois anos o melhor prefeito de Curitiba. Já a principal adversária, a petista Gleisi Hoffmann, aposta em debates sobre a humanização de Curitiba, apresentando seus projetos e propostas, além de vincular constantemente o seu nome com o do presidente Lula, destacando os avanços nacionais e obras realizadas em Curitiba como dinheiro federal. “Vamos mostrar que em te-

mas importantes para a cidade, o PT sempre esteve ao lado dos interesses da população e que isso precisa ser levando em consideração pelo eleitor na hora de definir seu voto”, destacou André Passos, coordenador da campanha. Já o restante dos candidatos acredita que o espaço na TV e no rádio vai possibilitar a arrancada nas próximas pesquisas. Carlos Moreira (PMDB) diz que com o início da propaganda eleitoral vai mudar o rumo das eleições. O candidato, apoiado pela governador Roberto Requião, pretende mostrar em seus programas alguns mitos de Curitiba. “Querem também nos fazer acreditar que Curitiba não tem problemas, que os cidadãos enfrentam transporte coletivo sem filas, são atendidos sem demora nos postos de saúde e conseguem vagas nas creches para os filhos a qualquer momento”, ressalta. Já Ricardo Gomyde (PCdoB) vai destacar o seu plano de governo, apresentando sua candidatura à população. Para o candidato, é a partir do ínicio da propaganda que as pessoas começam a tomar consciência no candidato que podem votar. Além de suas propostas, ele vai dar ênfase a chapa de vereadores de seu partido.

Fique esper to Os programas de prefeito e vice-prefeito serão às segundas, quartas e sextas-feiras. Já as propagandas de vereador são nas terças, quintas-feiras e sábados. No rádio, os horários de transmissão serão das 7h às 7h30min e das 12h às 12h30min. Na TV, os programas serão exibidos das 13h às 13h30min e das 20h30min às 21h. Os programas não serão exibidos aos domingos. No primeiro turno, o horário eleitoral obrigatório vai até o dia 2 de outubro.

Allan George/ LONA

Campanha das ruas é reforçada pelos programas no rádio e na TV

Simpósio discute 20 anos da Constituição Cássia Morghett Inácio

A partir de hoje, o curso de Direito da Universidade Positivo promove o III Simpósio Paranaense de Direito do Terceiro Setor, com o tema “Os vinte anos da Constituição Social”. A conferência de abertura terá início às 19 horas e tratará da reforma administrativa no terceiro setor. O presidente da mesa será o professor Tarso Cabral Violin. “O evento é destinado a estudantes, advogados, membros de ongs e outros interessados”, diz o professor. Amanhã serão discutidos aspectos polêmicos do terceiro setor e os 20 anos da Constituição. Segundo Tarso, o

palestrante vai ter liberdade para tratar de propostas para mudança da legislação no terceiro setor. Desde 2006, a Universidade Positivo vem promovendo eventos para discutir o Direito e o terceiro setor. No ano passado a Universidade organizou o Curso de Especialização em Direito do Terceiro Setor, o primeiro e único do Paraná. “Mesmo não existindo ainda uma disciplina Direito do Terceiro Setor, na graduação da UP o tema é constantemente tratado no Direito Administrativo e no Núcleo de Prática Jurídica”, comenta Tarso. O professor do curso de Direito Leandro Frannklin Gorsdors diz que, apesar da idéia que se tem desse setor, ele sur-

giu do processo de cooperação e terceirização do serviço público. Segundo ele, o ramo representa um papel importante na sociedade: “Conseguir monitorar o poder público e a atuação do estado é o que garante o acesso a direitos da sociedade”. Os estudiosos da Constituição tiveram a percepção de que hoje a população se organiza muito mais através de ongs e que antes a busca era por partidos políticos, religiosos ou movimentos. O último dia do simpósio será gratuito e contará com a presença dos senadores Eduardo Suplicy (PT) e Álvaro Dias (PSDB). Os dois são membros da CPI das ongs e têm posições divergentes sobre as investigações.


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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A contradição entre lixo e ecologia presentes nos córregos da Capital “ecológica”

A contraditória jornada de um córrego Gabriel Hamilko Marie-Claire Devos

Brincadeira de criança. No pequeno olho d’água, elas se divertem à vontade. Apesar de ser o início do leito, é o suficiente para se refrescar. Com poucas casas ao redor, o local era um ponto de referência para os meninos da região, sem preocupação com poluição, violência ou outro motivo qualquer. Não faz muito tempo, isso era uma realidade. Entre 15 a 20 anos atrás. Anderson Luis dos Santos lembra. Ele mora ao lado do Córrego do Machado, que acompanha as fronteiras do Quartel General do Exército, no Pinheirinho. Com boa parte da mata ciliar conservada, hoje sofre com os maustratos dos ribeirinhos. Agora, Anderson está acostumado com a sujeira, entulhos e o cheiro que o córrego exala. Cheiro que chama a atenção de Flávio, que brinca na rua do lado. "No verão fica insuportável, normalmente já é, mas quando esquenta não dá nem para chegar perto", diz ele. Roberta Izabel Xavier, mãe de Anderson, é quem mais se revolta com o descaso que os moradores têm. "Um dia joguei o urso de pelúcia no lixo que não é lixo, pois estava furado. A filha da vizinha viu e pegou para ela. Alguns dias depois olho para

o córrego e vejo o mesmo urso lá", diz Roberta. O muro da casa dela já caiu, devido à proximidade da beira do riacho, mas mesmo assim faz questão de manter a ordem nos fundos de sua casa. Se dependesse só dela, tudo certo, mas os vizinhos não seguem seu exemplo. Ao lado é possível ver um pouco de tudo. Desde sacolas de lixo esparramadas, objetos, madeiras e utensílios de casa.

Trajetória ambígua O Córrego do Machado começa antes de um conjunto habitacional. Dali, ele parte para uma jornada contraditória, onde será recebido com cuidados ou com sujeira. Ligações irregulares de esgoto estão espalhadas por todo percurso. Ao invés de ir para a rua, o correto, desembocam nas águas, poluindo e produzindo o mau cheiro que vai incomodar os próprios moradores. Do lado direito do curso, a mata é preservada pela cerca do Exército brasileiro e, na outra margem, depende da boa vontade das pessoas. Gatos e cachorros são abandonados no local, fazendo companhia aos ratos, uma situação comum - isso quando não são jogados sem vida, aumentando o odor desagradável. Em alguns pontos o canal é pavimentado, mas logo volta ao seu estado natural.

Fotos: Gabriel Hamilko

O lixo acumulado em alguns pontos é o principal fator para as enchentes nas casas O aposentado Jerônimo Dobginski, de 79 anos, dá uma lição de meio ambiente. Ele mora em frente ao córrego e aproveitou a área "inútil" para cultivar um jardim. Com rosas, outras flores, uma pequena horta, com couves, cebolinha, salsinha, entre outros vegetais. Porém, nesse ponto a água já está totalmente desconfigurada. Vestígios de esgotos são nítidos e objetos trazidos lá de cima espalhados por todo o canal. Depois de várias quadras, o "já não mais tão pequeno" córrego desemboca em um rio, seguindo o curso da poluição.

O córrego vai tomando forma e junto com ele desce toda a poluição do esgotos jogados

A palavra é “conscientização” O Córrego do Machado foi apresentado como um caso isolado, mas é a condição de vários que estão espalhados por toda a cidade. Próximos ao fio de água que serpenteia os limites do Quartel General, existem outros que têm o mesmo destino. Tudo exige uma conscientização maior dos moradores próximos, pois, nesses casos, o que fazem pode se voltar contra eles mesmos. Além das chuvas, o perigo é a procriação de ratos, e outros bichos que vêm atraídos pelo esgoto derramado das casas. Para evitar essa situação, a Prefeitura tenta conscientizar os habitantes e oferece serviço de coleta de lixo diferenciado, incluindo recicláveis, tóxico e vegetal. Ainda assim o volume de materiais descartados pela população e depositados nos rios da cidade continua elevado. Só em 2007 as equipes de limpeza pública retiraram mais de 300 toneladas de lixo dos rios de Curitiba. Mesmo diante dos investimentos de recursos na área, o governo municipal reconhece que rios e córregos da cidade continuam comprometidos. "Alguns trechos são transformados, pela população, em depósitos de lixo e resíduos de material de construção", diz o secretário municipal do Meio Ambiente, José Andreguetto. "A parti-

cipação dos moradores dessas regiões é fundamental para que os esforços e recursos aplicados não sejam perdidos". Ele acrescenta que todos os esforços do município serão insuficientes para a preservação dos rios se a população não conservá-los livre do lixo, que além de poluir, põe em risco a saúde das famílias da região. Intervenções mais drásticas, como canalizações, estão proibidas pelo artigo segundo do Código Florestal, lei número 4771/65. Resta à Prefeitura as ações de manutenção e conservação dos rios e córregos com serviços de limpeza e roçada, trabalho feito por equipes das administrações regionais. E, por meio de campanhas educativas, desenvolvidas inclusive nas escolas municipais, a cidade conta com a conscientização da população que vive nas imediações dos rios. O secretário diz que, além de cultivar atitudes que ajudam a preservar os rios de Curitiba, a população pode ajudar a fiscalizar, denunciando ações irregulares pelo telefone 156. Para os moradores das imediações, a recomendação da Prefeitura é que verifiquem a ligação do esgoto domiciliar e, se este apresentar irregularidades, procurem a Companhia de Saneamento do Paraná, responsável pelo serviço.


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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Erosão ameaçadora

As belezas da Serra da Graciosa ca. Estes dois instrumentos de preservação são de extrema importância para o paA Serra da Graciosa está trimônio cultural, já que perinserida num dos últimos re- mitem uma atuação muito manescentes da Floresta ampla de pesquisa e preserAtlântica. A estrada da Graci- vação. Ao longo da serra são manosa é cortada pelo caminho da Graciosa, denominada por al- tidos 7 recantos, contendo esguns de Caminho dos Jesuí- truturas de lazer (churrasqueiras, sanitários, mirantes), tas. No passado, este caminho que facilitam o acesso dos vifoi trilha dos indígenas que, no sitantes que querem conhecer inverno, subiam o planalto as belezas da Serra do Mar papara colher pinhão. Outra ver- ranaense: Vista Lacerda, Rio são é a de que indígenas des- Cascata, Grota Funda, Bela Vista, Curva ciam ao litoral da Ferradura, por esta trilha Ao longo da serra Mãe Catira e para catar são mantidos sete São João da mariscos. Graciosa. Mais tarde, o recantos, contendo Para os bamesmo camiestruturas de lazer nhistas, a esnho foi utilizatrada possui do pelo ciclo da (churrasqueiras, inúmeros loErva-mate no cais próprios Paraná. A atu- sanitários, para a atividaal Estrada da mirantes), que de. Para os que Graciosa foi gostam de construída se- facilitam o acesso mais emoção o guindo o traça- dos visitantes rio Nhundiado deste caminho e tem uma pequena ex- quara possui vários poços natensão íngreme, de 11 quilô- turais de até 8 metros de profundidade para a prática do fametros. Por sua importância, re- moso “jump”. Para os aventureiros, as cebeu reconhecimento especial com a criação da Área trilhas jesuítas formam um Especial de Interesse Turís- palco de gala, estradas estreitico do Marumbi, em 1984. A tas, íngrimes e com muitos Serra do Mar Paranaense foi obstáculos para alegria dos tombada pela Coordenadoria adeptos do mountain bike e de Patrimônio Cultural da dos alpinistas. A Graciosa Secretaria de Estado da Cul- contém lindas paisagens, cachoeiras escondidas e quase tura do Paraná, em 1986. Os limites geográficos do inexploradas, natureza rica tombamento foram utilizados em fauna flora, farta de verna declaração de Reservada de com inúmeras especies de da Biosfera da Mata Atlânti- animais, plantas e flores. Edgard Scholz Jr.

Fotos: Gabriel Hamilko

Gabriel Hamilko

O Córrego do Machado desemboca em um rio que já tem grande vazão de água, e é responsável por acolher dezenas de outros riachos da região. O rio é um canal no meio de um vale, que faz a divisa dos bairros Pinheirinho e se tornou um problema para os moradores que construíram suas casas próximas. Com o avanço da erosão, as moradias são praticamente Monteiro diz que a solução para a erosão foi o aterramento "engolidas". Nos últimos meses essa si- veu agir por conta própria. são é uma grande ameaça", afirtuação tem piorado. Com o desJuntou entulhos e aterrou ma Monteiro. matamento de parte da mata a cabeceira do rio de modo que Engenheiros da Secretaria ciliar, para a construção de no- ficasse afastado do seu muro, Municipal de Obras Públicas vos loteamentos, o volume de mas agora o novo volume pre- visitaram o local e constataram água tem praticamente tripli- ocupa. Na opinião do pedreiro, somente o crime ambiental. Secado. Os moradores do final da um muro de pedra para con- gundo nota oficial da Secretarua Leon Nicolas, no Parque ter o avanço da água é a solu- ria, "o rio sofreu um crime amIndustrial, são exemplos da re- ção, mas ao invés de resolver, biental quando moradores das volta comum em algumas áre- a fiscalização ameaçou multá- imediações despejaram detritos as da cidade. lo pela atitude. "Pagamos im- de construção civil e outros, na O pedreiro Milton Azevedo postos, somos regularizados, tentativa de se livrar do matede Abreu é mas nos senti- rial que não tinha mais utiliquem toma mos abandona- dade". "Pagamos mais atitudes. Na opinião dos técnicos, com dos", diz. Ele mora ao impostos, somos Moacir Mon- o material que foi despejado no lado do rio onde também leito do rio, obstruiu a passaregularizados, mas teiro ergueu um somora na região e gem da água, aumentando os brado para sua nos sentimos confirma a recla- riscos de enchente e desmorofamília. Segunmação de Abreu. namento da encosta. do Abreu, abandonados" A Prefeitura estuda, ainda, Vários vizinhos quando chegou MILTON AZEVEDO DE ABREU, já reclamaram a possibilidade de notificar o ao local, cons- PEDREIRO do modo como é morador, e até multá-lo pela truiu a dez metratado o rio. "E ação. "Em suma, o rio encontros da cabeceira, porém com o não é só aqui que acontece isso, tra-se indevidamente aterrado tempo o rio foi avançando até eu fico imaginando quem mora e as secretarias municipais de chegar ao lado do seu muro, pro- lá embaixo, com um volume Obras Públicas e Meio Ambienvocando rachaduras. Depois de bem maior de água. Graças a te já verificam as condições de pedidos e mais pedidos junto ao Deus parou por enquanto o pro- uma ação a fim de solucionar a serviço da Prefeitura, ele resol- blema de enchentes, mas a ero- questão nesta localidade", afirma na nota. Para Milton Abreu, o aterramento foi uma conseqüência do avanço do rio em direção à sua casa e confirma a história, dizendo que reclamou diversas vezes para orgãos da Prefeitura, e que também ao visitarem o local, o alertaram que o que ele fez era proibido. "Estou ciente do que eu fiz, mas não tive outra alternativa", lamenta ele que conclui: "Aterrei para salvar a minha casa e enquanto for preciso continuarei aterrando. Se tivesse condições, eu mesmo faria um mutirão e O rio tem uma grande vazão em dias de chuva devido ao construía uma contenção".

desmatamento da mata ciliar

Arquivo/ LONA

Serra da Graciosa


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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O dia-a-dia de quem passa a vida em um coletivo

Um pouco de história nos ônibus de Curitiba um dia já foi assim: “Foi no dia 8 de novembro de 1887 que pela primeira vez um bonde tracionado por mula percorreu as ruas 18 horas, rua Nestor Castro, de Curitiba, iniciando-se a hisatrás da Catedral da Praça Titória do transporte coletivo loradentes, setor histórico de Cucal.” É o que diz a cartilha Sisritiba. Como acontece toda setema de Transporte Coletivo de mana de segunda a sexta-feira, Curitiba fornecida pela URBS. o ligeirinho Pinhais–Campo É, dona Maria, os tempos Comprido está lotado. Não só ele, são outros, os negros não são como os demais tubos da cidamais escravos e o Império se de, e fora dele uma fila enorme. tornou República, inclusive os São trabalhadores saindo dos formatos dos veículos mudaseus empregos para casa, outros ram. “Tratava-se de um veícuainda vão estudar. Pelo sistema lo com armação de madeira, tode integração, o Pinhais-Camtalmente aberto”. E o percurso? po Comprido dá acesso às uni“Atendendo a linha entre o bairversidades Tuiuti do Paraná e ro do Batel e o Boulevard 2 de Positivo, e ainda à faculdade Julho (hoje Avenida João GualEvangélica e às Faculdades Inberto), operada pela Empresa tegradas Espírita . Ferro Carryl Curitybana”. Já dentro do ônibus, é aqueA cidade foi crescendo e a le empurra-empurra: os “trabapreocupação com o trânsito fez lhadores enlatados” se esprecom que a “empresa Serete Enmem para conseguir um lugar. genharia S.A. e Jorge Wilheim A porta trava, há um senhor Arquitetos Associados, criassem que ainda não se sabe se vai ir o Plano Preliminar de Urbanisfora ou dentro do ônibus. Paremo, que origice impossível, nou o Plano Dimas as pessoretor de Curitias se juntam “As pessoas que ba, transformais ainda até ainda não mado em lei que a porta fecha mais um conhecem a cidade pela câmara Municipal em pouquinho e usam a voz como 1966”. A idéia ônibus parte. principal era O trânsito está guia” que a prioridamuito lento, VANTUIL PEREIRA, de do trânsito mas os passaMOTORISTA DE ÔNIBUS seria para o geiros paretransporte cocem nem mais letivo, a cidade foi dividida em se importar com ele. eixos estruturais, e o centro seO trânsito pára literalmenria um local para pedestres. te na faixa da esquerda em meio Com o crescimento e a consa buzinas, xingamentos e muitrução de outras avenidas a prito estresse. Vai um senhor apaoridade parece outra. É o que rentando uns 60 anos, junto critica o historiador Denison de com ele uma moça e criança. Oliveira: “A criação de gigantesEm meio à loucura do trânsito, cas avenidas para o automóvel lá vai o carroceiro, em busca de significava a desintegração dos materiais recicláveis.De dentro espaços públicos da cidade e a uma senhora, que vou chamar degradação dos seus valores e de dona Maria, exclama: “Anreferenciais mais significativos; tes andar numa carroça puxaque o centro deve ser preservada a cavalo que nessa lata de do como um local de encontro sardinha!”. das pessoas e não dos automóMal sabe dona Maria que o veis. Pense-se, por exemplo, no transporte coletivo de Curitiba

Robertson Luz/LONA

Leônidas Vinício

De transporte com mula ao moderno biarticulado contraste desta filosofia com aquela que inspirou a construção da prestigiosa capital federal".

A “voz” do ônibus “Próxima parada Praça 29 de março”, anuncia a gravação do Ligeirinho. A maioria das pessoas parecem não prestar atenção no que é dito. Mas para Vantuil Pereira, que trabalha diariamente como motorista do biarticulado Centenário – Campo Comprido, o serviço é essencial. “As pessoas que ainda não conhecem a cidade usam a voz como guia.” Vantuil parece mesmo ter razão, pelo menos é o que diz o catarinense de São Bento do Sul, hoje estudante de Turismo em Curitiba, Fernando Drevek: “Com a voz no ônibus, fica mais fácil, a gente não se perde, para mim, que não conhecia a cidade, foi bastante importante, facilitou muito.” O que o futuro turismólogo não sabe é de quem a voz que o orienta na cidade. Mas

essa eu respondo: as mensagens que se repetem para mais de um milhão de pessoas todos os dias em Curitiba é da musicista Ângela Monteni. O sistema de comunicação interna nos ônibus foi lançado juntamente com o primeiro biarticulado da cidade, Ângela relata como foi: “Lembro nesse primeiro percurso do biarticulado , quando foi inaugurado foi com governador e com o prefeito, quando entrou a voz causou espanto para todo mundo, até as pessoas mais viajadas diziam: - parece que estou em Nova Iorque ou em Paris, porque lá os metrôs têm as vozes. Eu quieta, acabei não dizendo que a voz era minha”. Ainda relembra qual foi a sua expectativa: “Observei o comportamento das pessoas e tinha certeza que ia dar certo, tanto é que já está durante todos esses anos.” Às vezes a voz que deveria ajudar atrapalha, já que avisa errada a próxima parada. Com

relação a esse problema o motorista Vantuil explica: “Acontece com alguns motoristas novos, que ainda não estão acostumados com o esquema, mas é fácil”. No lado direito do motorista, tem vários botões. No caso do biarticulado, cada porta tem seu acionamento individual, e há um botão que aciona todas ao mesmo tempo. Após o motorista partir de um tubo para outro, ele deve apertar o botão referente aos anúncios sonoros. Se ele se esquecer, ou apertar mais de uma vez, sai do sincronismo. Começa a chover forte quando o ônibus chega ao Terminal Campo Comprido, é difícil dizer onde o terminal é coberto ou não, tamanho é número de goteiras. A cena me faz lembrar o comentário, na Rádio Difusora, de uma mãe que acabara de perder sua filha de quatro anos, que caiu em um buraco aberto pela chuva no bairro Barreirinha. “Esse prefeito só faz obras pros puxa-saco lá do centro”.


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Geral

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Venda de caldo de cana nas ruas de Curitiba complementa salários de aposentados

Sacarose na veia Sandro Michailev

Um pouco de calor em pleno inverno curitibano? Nada melhor que uma cervejinha, certo? Errado. Existe outra opção, principalmente para quem não consome bebidas alcoólicas. O caldo de cana ou garapa é encontrado em vários pontos das cidades brasileiras, normalmente com vendedores bem– humorados dispostos sempre a dar um “chorinho”, aquelas goladas a mais depois de o cliente já ter tomado um vistoso copo. Apesar de não ter álcool em sua composição, pois ainda não passou pelo processo de fermentação, o caldo, quando tomado em grande quantidade, costuma dar sonolência. Tomado na quantidade certa (uns 500 ml), é um grande energético, pois é rico em minerais como ferro, cálcio e fósforo, além da sacarose, que corresponde a 70% das substâncias sólidas solúveis encontradas na cana-de-açúcar. Em todos os bairros da cidade encontramos vários vendedores do “suco de cana”, em sua maioria aposentados que procuram complementar suas rendas com essa atividade. Especificamente no bairro São Braz (próximo de Santa Felicidade) há três vendedores que se encai-

O caldo de cana é encontrado em vários pontos das cidades brasileiras, normalmente com vendedores bemhumorados xam nesse padrão. Maria Soares, de 51 anos, trabalha sozinha faz pouco tempo com o caldo (já trabalhou junto com seu marido). Procura na venda do caldo ajudar nas despesas de casa, já que o dinheiro da aposentadoria é uma “mixaria”, como ela própria diz.

Clientela fiel Já Orlando Alves do Prado, 66 anos, aposentado da construção civil, está no mesmo ponto há 14 anos. Conta que nessa época uma jovem senhora sempre comprava caldo. Um ano depois, essa mesma senhora ficou grávida e com o passar dos anos, seu filho foi crescendo e hoje é um adolescente maior que a mãe. O desenvolvimento dessa criança, Prado acabou acompanhando, pois o hábito de tomar caldo de cana foi passado de mãe para filho. Em dias de pico, costuma

vender até três fechos de cana (cada fecho tem por volta de 12 canas). A cana vem de Adrianópolis, região do Vale do Ribeira, e é muito apreciada pelos fregueses. Nos dias de forte calor, o lucro é líquido e certo. Por seu ponto estar próximo ao cemitério de Orleans, dia de Finados com sol rachando é sinônimo de dinheiro no bolso. José Seduovski está com 63 anos e há oito anos vende caldo de cana e água de coco. Conta que apesar de vender mais caldo de cana, o diferencial da água de coco aumenta suas vendas, já que é mais uma opção para o cliente. Conseguiu a licença para vender os dois produtos “em cima do laço”, porque logo em seguida a vigilância sanitária foi taxativa: ou caldo de cana ou água de coco. Depois de trabalhar a vida inteira em várias áreas (agricultura, montagem de brinquedos, pintura), Seduovski vê na venda de garapa, além de complemento para a renda de casa, um hobby, pois gosta muito do que faz. Bastante religioso, não vende aos domingos e feriados para não deixar de ir à missa. Sempre atencioso e de bomhumor ao servir seus clientes, Seduovski, porém tem duas queixas. “A intransigência da Vigilância Sanitária” em não

Sandro Michailev/ LONA

A vendedora Maria Soares deixar vendedores de caldo de cana comercializarem comida em suas barracas (como acontece em outros estados) e a peque-

na distância entre os garapeiros da região, que muitas vezes não chega a um quilômetro, prejudicando assim o lucro de todos.

Projeto promove cuidados na gravidez Clarissa Ferreira

A manutenção da saúde da mulher exige várias atitudes e cuidados preventivos. Cada uma tem uma história e uma fisiologia, que influencia nos resultados obtidos. Porém, essa atenção deve ser redobrada quando a mulher está grávida. Os exames e as consultas devem fazer parte da rotina no período da gravidez. Ao avaliar essa necessidade, a Prefeitura de Curitiba lançou, em 1999, o Projeto Mãe Curitibana, que melhora o acesso e a qualidade na saúde das gestantes.

Nos dois primeiros anos, de acordo com dados da prefeitura, o programa atingiu 97% de gestantes, participando do sistema público de saúde. Um ótimo resultado. O agente administrativo José Fernando, que trabalha na Unidade Mãe Curitibana, afirma que o objetivo do projeto é “fazer com que a mulher tenha uma gestação prevenida e um bom parto”. Para que isso aconteça, o programa, juntamente com o Ministério da Saúde, disponibiliza médicos (ginecologistas obstetras), que realizam todo o controle da saúde no período da gestação.

O objetivo é fazer com que a mulher tenha uma gestação prevenida e um bom parto Além disso, oferece à gestante um suporte de exames, consultas, vacinas e tudo que for necessário para uma boa gravidez. A técnica em enfermagem do Trabalho Isabel Pereira realizou todo seu pré-natal na Unidade de Saúde, participou do Projeto Mãe Curitibana, e teve seu parto realizado no Hospital do Tra-

balhador. Isabel afirma que as orientações passadas pela unidade de saúde são muito boas, principalmente quando a mãe é de primeira viagem. “Eles ensinam como amamentar, como cuidar do umbigo e orientam psicologicamente para que não tenhamos depressão pós-parto”. O programa ainda conta com oficinas em linguagem clara e acessível, para proporcionar as gestantes mudanças sócias e psicológicas. A enfermeira da saúde da mulher Maria Celestina Bonzanini Grazziotin ressalta que as mulheres que engravidam devem ter um acompanhamento

médico mensal, até os primeiros meses, após esse período, as consultas devem se tornar mais freqüentes.As mães precisam tomar cuidado com a alimentação “Ser balanceada e rica em frutas, verduras, legumes, carnes, leite e ovos”. Porém, a enfermeira afirma que cada gestação difere uma da outra. As orientações e os cuidados são passados visando cada caso. “Cada gestante é individual, não há tratamento geral para todas. E na mesma mulher a gravidez é diferente da anterior”. Porém, todas as mulheres que engravidam necessitam de acompanhamento médico.


Curitiba, quarta-feira, 20 de agosto de 2008

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Bandeiras da Paz

Fotos: Felipe Waltrick

Texto: Daniela Piva

Calmaria. Ausência de agitação. A paz pode ser um estado interior ou de uma nação. No século XXI, os dois conceitos se integram e são bem-vindos... A cor branca representa, mas a mescla de cores é que a faz. Gêneros, credos, raças... A pluralidade é que transforma a paz em um espírito tão desejado. É preciso levantar esta bandeira a cada dia. Ao nascer, ao morrer.

LONA 420- 20/08/2008  

JORNAL- LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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