Page 1

RIO Á I D do

BRASI

L

Curitiba, terça-feira, 14 de outubro de 2008 | Ano IX | nº 457| jornalismo@up.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo |

Alimentos de baixo custo fazem dieta do brasileiro ser menos saudável Bancários continuam em greve Rômulo Portos/LONA

Leite materno diminui risco de vida aos bebês Os motivos para as mães deixarem de amamentar seus filhos são inúmeros. Para suprir as necessidades dos recém-nascidos é que existem os bancos de leite.

Página 6

Festival de Curitiba descentraliza pólos do cinema brasileiro Página 7

O Salário Mínimo (SM) é previsto na Constituição Federal como o valor suficiente para suprir as necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família. Atualmente, um SM equivale a R$ 415, mas segundo estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para cumprir o que está previsto em Lei no Brasil seria necessário uma quantia quatro vezes o valor de hoje. A alimentação é um dos primeiros pontos que sofrem com a insuficiência de recursos financeiros. Com o aumento no preço dos alimentos, fica difícil para muitos brasileiros colocarem comida na mesa.

Página 3

Ensaio faz releitura de obra de Lewis Carroll A velocidade com que as coisas acontecem é o tema da seqüência de imagens que pretendem reler a obra “Alice no País das Maravilhas”.

Bancários se reuniram ontem em manifestação na Praça Tiradentes - Pág 3

Página 8


Curitiba,

2

Porto do Mercosul Sandro Graciano Depois de várias críticas ao atual Porto de Paranaguá, que é considerado pela maioria dos países como sendo um porto ultrapassado, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), junto com o governo do Paraná, decidiu implantar o Porto do Mercosul, que será erguido na Ponta do Poço, município do Pontal do Paraná. O custo inicial da obra é de R$ 400 milhões, dinheiro que a Appa garante já ter em caixa. O novo porto será um concentrador de cargas e linhas de navegação, e terá a característica de “porto limpo”, porque só vai operar com contêineres. A escolha da área para construção do Porto do Mercosul leva em conta vários aspectos estratégicos, como a bacia de evolução natural, com profundidade média de 21 metros, e a redução de uma hora no tempo de navegação da entrada da barra até o novo terminal, se comparado ao Porto de Paranaguá. O trâmite para a execução do projeto seguirá o mesmo das demais obras públicas: primeiro haverá licitação para um projeto básico e depois para o projeto executivo. Apenas após o projeto final, será definido o número de berços de atracação que o novo porto terá. Mas os empecilhos só estão começando. No início de setembro, a Justiça Federal de Bra-

sília concedeu liminar ao empresário João Carlos Ribeiro, provocando a paralisação do planejamento para a construção do Porto do Mercosul. Para construir o terminal, o governador Roberto Requião decretou em maio a utilidade pública de 2,25 milhões de metros quadrados de terras na Ponta do Poço, cujo proprietário é o empresário João Ribeiro, este que recorreu à Justiça em Brasília pedindo a revogação do decreto de utilidade pública. E o caldo só engrossa, pois o pai do empresário foi secretário de Finanças durante o governo Lupion. As concessões de terras do governo Moisés Lupion foram marcadas por conflitos fundiários violentíssimos que se estenderam por décadas durante a colonização em todo o Paraná. Além de governador, Lupion era dono da Cipla, empresa que revendia áreas devolutas cultivadas por posseiros. A atuação de Lupion foi causa direta de duas revoltas armadas de posseiros, em Porecatu, Norte do Estado, em 1950, e Francisco Beltrão, Pato Branco e Capanema, no Sudoeste, em 1957. Enquanto a novelinha vai passando, é o povo quem continua arcando com a conta. Uma manipulação de grupos e personagens com interesses pessoais que se utilizam de estratégias descaradas para o enriquecimento ilícito. Mas a pergunta que fica é: esse porto sai do papel? Quando? De que maneira? Só nos resta acompanhar os próximos capítulos.

quinta-feira,

14

de

Marcos Lemos

Logo que os primeiros sinais de uma crise econômica mundial foram detectados, o presidente Lula fez questão de dar entrevistas informando que o Brasil estaria muito bem preparado para enfrentar as dificuldades. Afinal, em 2008, pela primeira vez na história o país se transformou em um credor mundial, ou seja, as reservas econômicas eram superiores à dívida externa do país. Mas será que os US$ 207 bilhões que o Banco Central possui são suficientes para segurar o impacto econômico mundial? Não foi de um dia para outro que a bola de neve apareceu; ela já unia os flocos de gelo há alguns tempo e só estava esperando ganhar massa para descer a montanha rolando. A ganância das companhias americanas em produzir com o menor custo fez com que várias empresas saíssem dos Estados Unidos e buscassem mão-de-obra barata nos países subdesenvolvidos, fato que deixou milhares de pessoas sem emprego. Hoje são aproximadamente 10 milhões de americanos desempregados. Essa evasão fez com o sistema ameri-

cano de crédito fácil e leasing fosse golpeado diretamente. As parcelas das “financiadoras” de crédito deixaram de ser pagas. Afinal, como se paga o que já foi gasto sem receber salário? Simplesmente não se paga. Dessa maneira, o problema que deveria ser pessoal devido à má administração das rendas familiares se transformou no pesadelo das empresas que emprestaram e que não vêem mais o dinheiro. Os primeiros setores a sofrer foram os imobiliário e bancário com o déficit de pagamento. Como o rombo não é pequeno em uma economia que estimula o consumo e o uso do dinheiro de plástico que nunca se vê, o Estado teve que intervir para evitar a falência das empresas que podem provocar um tremendo efeito dominó. Os investidores sentiram que o momento é tenso e que a crise pode aumentar, optaram por diminuir o investimento em capitais de risco, retirando o dinheiro das ações de empresas. Aqui no Brasil, os efeitos têm sido os mesmos registrados em todo o mundo, o fechamento das bolsas tem sido diariamente no vermelho. Com a saída de investimen-

2008

to nas ações brasileiras, o real se desvalorizou perante o dólar, que vem atingindo ápices registrados há cinco anos atrás. Não vai demorar muito para a população sentir as mudanças. A TVs de plasma que estavam em promoção logo receberão um grande ajuste nos preços, assim como os demais produtos importados. O Banco Central já demonstrou que o país está sendo afetado e está liberando reservas para serem usadas a fim de manter o crédito escasso. Quem quiser dinheiro emprestado tem que estar disposto a pagar mais por isso já que a taxa de juros vem subindo em virtude da falta de dinheiro no mercado. A expectativa de crescimento do país para 2009 passou de 4% para 3,5%, segundo o Banco Central. A crise que começou devagar vai ganhando novas proporções, em uma economia global não há fatos isolados. A bola de neve está se transformando em uma verdadeira avalanche que passará por cima do que estiver na frente. A tendência é: quem tem dinheiro vai guardar para não perder e quem não tem se enforcará cada vez mais. Divulgação

Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Elza Oliveira e Marcelo Lima; Editor -chefe: Antonio Carlos tor-chefe: Senkovski.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

de

Avalanche mundial

Expediente Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande;; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton

outubro

O touro de Wall Street, onde está localizada a Bolsa de Nova York


Curitiba,

quinta-feira,

Economia

14

de

outubro

de

2008

3

Passeata foi marcada pela “comemoração” com bolo ao som de marcha fúnebre

Bancários fazem protesto em Curitiba e decidem continuar com a greve Rômulo Portos/LONA

Rômulo Portos

Na tarde ontem, os bancários de Curitiba aproveitaram a “festa” de 200 anos de histório do Banco do Brasil para se manifestar. Em frente à Praça Tiradentes, o movimento que começou às 16h30 distribuiu bolo ao som de marcha fúnebre contra os banqueiros. O Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região organizou o evento, que contou com a participação dos funcionários de diversos bancos. Nas primeiras movimentações, algumas faixas começaram a ser estendidas, uma banda cantou a canção “Parabéns a você”, e em seguida a marcha fúnebre, simbolizando a revolta dos funcionários dos bancos. A seguir, a distribuição de um bolo de aniversário foi feita para as pessoas que acompanhavam a manifestação. Para completar, um caminhão de som agitava os grevistas que faziam barulho a fim de chamar a atenção de todos.

Greve Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Otávio Dias, no dia 13 de agosto foi entregue uma minuta com todas as reivindicações da classe. Nela, estavam pautadas modificações econômicas (aumento do piso, reajuste inflacionário, mais 5% de aumento real, resultando em um acréscimo de 13%), o fim das metas abusivas e o fim do assédio moral. No dia 24 de setembro os banqueiros apresentaram uma proposta de 0,35% de aumento real, valor considerado muito aquém do solicitado. Depois, no dia 30 de setembro, os bancários realizaram um grande protesto com uma greve de 24 horas, e desde o dia 8 seguem a paralisação por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato de Curitiba e Região Metropolitana, 207 das 329 agências bancárias

aderiram à greve e não abriram ao público ontem. Ainda segundo o sindicato, 14 mil funcionários estão mobilizados na causa. Durante o protesto, os bancários aproveitaram para realizar uma votação, quando a continuidade da greve foi decidida pela maioria dos presentes. Os auto-atendimentos dos bancos continuam funcionando e as casas lotérica fazem grande parte dos serviços bancários, como recebimento de boletos e impostos (exceto IPVA parcelado e guias GR e DARF) até o valor de R$ 500.

Lotéricas ficaram sem serviço ontem Caroline Abreu Weber

Uma pane no sistema da Caixa Econômica Federal deixou na manhã de ontem as casas lotéricas de Curitiba sem serviço. Com a greve dos bancários, que já dura cinco dias, estes estabelecimentos estão recebendo boletos de qualquer banco para pagamentos, saques de dinheiro, sendo uma alternativa para quem tem contas com vencimento nos próximos dias. O sistema parou de funcionar às 8 horas da manhã de segunda, deixando os clientes sem a possibilidade de realizar qualquer tipo de operação nas casas lotéricas. Melina Grimm diz que o transtorno foi grande, pois precisava efetuar um pagamento. Procurou então uma agência dos correios, onde também está sendo realizado este tipo de operação. Dorildes Pereira da Cunha, bancária da Caixa Econômica Federal, diz que o transtorno acaba sendo grande, mas são coisas que podem acontecer por se tratar de um complexo sistema. O serviço voltou à ativa às 11 horas da manhã, mas ainda com algumas dificuldades.

Grevistas se reuniram na Praça Tiradentes para reivindicar melhores condições de trabalho

Brasileiros já sentem efeitos da crise Clarissa Rocha

Ontem, depois de ter caído na última semana, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 14%. O índice é o maior desde 1999, e é explicado pela divulgação dos planos dos governos de todo o mundo para amenizar a crise. Apesar da boa notícia, um período de recessão é apontado como certo pelos especialistas. Segundo o economista José Guilherme Vieira, muito mais do que a Bolsa, todo o mercado é afetado quando “o crédito a longo prazo, principalmente nos setores imobiliário e automobilístico, já não estão fáceis como estavam há pouco tempo”. Esta é a conseqüência mais visível inicialmente, já que crise imobiliária nos Estados Unidos teve início devido à facilidade do crédito no setor de imóveis no país. Além disso, o setor expor-

tações e importações sofre grandes dificuldades, já que a exportação de commodities, setor principal de exportação no Brasil, deve cair devido à política preventiva dos países importadores; e as importações se dificultam devido ao aumento de preços e grande desvalorização do real. “Os setores de exportação e importação devem ser os primeiros a sentirem um aumento do desemprego, além do setor de construção civil, que já está sofrendo uma redução visível de empregos”, explica o economista. O setor de construção é atingido pela crise financeira quase que imediatamente, já que é um ramo em que só há investimento quando a economia está segura. “Uma construtora, em tempos de crise, não deve arriscar e começar a construir um prédio sem ter todos os apartamentos vendidos, porque há um grande risco de o edifício não ser nem terminado”, diz José Guilherme. Quanto aos efeitos diretos à população, é difícil prever quando chegarão. Ao arriscar um

palpite, o economista acredita num período de leve melhora nos próximos meses, e em 2009, um agravamento. Os efeitos da crise financeira ainda não estão muito perceptíveis à população. Enquanto isso não se define, o melhor, diz Vieira, é “não se comprometer financeiramente e não se endividar. E ainda: “a melhor opção agora é não comprar, mas se for necessário, que seja à vista”, reforça. Para o economista, com um poder aquisitivo mais baixo do consumidor, a tendência é que haja uma queda nos preços em produtos nacionais assim que as conseqüências cheguem ao território brasileiro. Então, “quem puder esperar para comprar, melhor”. Além destas medidas que podem atenuar os efeitos da crise nas finanças pessoais, José Guilherme Vieira lembra que, neste momento, a única forma de garantir certo “sossego” é economizar: “Poupar, poupar e poupar”, aconselha.


Curitiba,

4

quinta-feira,

14

de

outubro

de

2008

A cesta básica deveria garantir acesso aos bens de consumo de primeira necessidade

Especial

Cesta Básica alimenta de forma precária Franciele.Lima Suziê de.Oliveira

Todo mês é a mesma coisa. Os filhos abrindo a geladeira ou procurando algum alimento no armário comido pelas traças. “Mãe, quero comida!”, diz o pequeno, que acabara de acordar. Assim é a rotina de Evidalvina Rosa, moradora do Campo Comprido, que junto com seus oito filhos, consegue sobreviver com ajuda de cesta básica fornecida por entidades que ajudam famílias carentes. “Sempre vivi assim. Já estou acostumada. Se não tivesse a cesta básica, daria um jeito”, diz a senhora que aumen-

ta a renda da família catando latinhas. A casa, ainda sem qualquer tipo de acabamento, denuncia a pouca condição financeira. O ambiente, dividido em dois cômodos - cozinha e “quarto” -, revela a precariedade. Se para Evidalvina, conhecida carinhosamente como Dona Vina, isso é comum, para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), essa realidade reflete a desigualdade do Brasil. Uma das pesquisas mais importantes desenvolvidas por esse órgão foi em 1993. Nesse projeto, o Dieese investigou a Cesta Básica Nacional (Ração Essencial Mínima) em 16 capitais, acompanhando mensalmente a evolução de preços de

13 produtos de alimentação, assim como o gasto mensal que um trabalhador teria para comprá-los. Outro ponto levantado pela pesquisa foi uma lista de alimentos, com suas respectivas quantidades, que deveria conter quantidades balanceadas de proteínas, calorias, ferro, cálcio e fósforo, de acordo com os bens e as quantidades estipuladas em cada região. A partir desses estudos, estabeleceram-se novos horizontes para a vida dos brasileiros, que deveriam avaliar suas condições de compra de outra maneira, já que a Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988, define o salário mínimo como aquele que deve ser capaz de atender as necessidades vi-

Cesta Básica e Poder Aquisitivo do Consumidor Em janeiro de 1959, o Dieese começou a calcular, mensalmente, o Índice de Custo de Vida no município de São Paulo. E a partir dos preços coletados, passou a acompanhar o custo da Cesta Básica Nacional, que serve como referência para medir o poder aquisitivo do consumidor. Isso porque, além de analisar o preço dos produtos, o Dieese indica quantas horas de trabalho são necessárias para o indivíduo que ganha um salário mínimo adquirir estes bens. Ao longo dos anos, o acompanhamento do custo da cesta foi implantado em outras capitais, chegando a 16 atualmente.

Tabela Comparativa do Diesse que relaciona o tempo que o trabalhador de salário mínimo precisa para comprar a Ração Essencial em Curitiba. Produtos

Volume

Carne Leite Feijão Arroz Farinha Batata Tomate Pão Café Banana Açúcar Óleo Manteiga T otal da Cesta Total

6,6 kg 7,5 l 4,5 kg 3 kg 1,5 kg 6 kg 9 kg 6 kg 600 g 7,5 dz 3 kg 1080 ml 750 g

Gasto Mensal Julho de 2007 Julho de 2008

R$ 60,13 R$ 11,48 R$ 8,46 R$ 4,20 R$ 2,18 R$ 7,92 R$ 13,14 R$ 26,40 R$ 5,94 R$ 13,28 R$ 3,84 R$ 2,28 R$ 8,60

R$ 167,85

R$ 85,60 R$ 12,00 R$ 20,52 R$ 6,75 R$ 2,99 R$ 10,80 R$ 32,40 R$ 33,00 R$ 6,25 R$ 17,10 R$ 3,66 R$ 3,61 R$ 9,62

R$ 244,30

Va r i a ç ã o Anual %

42,36 4,53 142,55 60,71 37,16 36,36 146,58 25,00 5,22 28,76 4,69 58,33 11,86 45,55

Tempo de T rabalho Trabalho Julho de 2007 Julhode 2008

34h49m 6h39m 4h54m 2h26m 1h16m 4h35m 7h36m 15h17m 3h26m 7h41m 2h13m 1h19m 4h59m

97h1 1m 97h11m

45h23m 6h22m 10h53m 3h35m 1h35m 5h44m 17h11m 17h30m 3h19m 9h04m 1h56m 1h55m 5h06m

129h31m

Franciele Lima

Dona Vina recebe doações para alimentar a família tais básicas do trabalhador e de ção às carências nutricionais de sua família com moradia, ali- uma família-referência (um camentação, educação, saúde, la- sal e dois filhos pequenos) e as zer, vestuário, higiene, trans- propostas para complementar a dieta, a fim de sanar possíveis porte e previdência social. Realidade essa bem diferen- deficiências. Com o resultado da análise te da de Dona Vina e dos assalariados. Os últimos dados foram descobertos valores inanalisados pelo DIESSE mos- suficientes para as vitaminas tram que para contemplar to- A, C, B2 e B6 e para minerais das as necessidades básicas, o como cálcio, magnésio, ferro, zinco, selênio e trabalhador brasiO percenleiro deveria ga“O óleo estimula iodo. tual de lipídios nhar R$ 2.072,70. Bem diferente dos a fritura e por no total calórico mostrou-se R$ 415,00 ofereciisso existe um elevado. Em dos como salário mínimo. número grande suma, consumir apenas a No Brasil, esde pessoas cesta básica, tudos continuam sendo feitos mês a obesas de baixa não parece um mês, e mostram as bom regime a renda, com discrepâncias de ser adotado. capital para capiNa opinião problemas tal. Em Curitiba, o de Leryanne nutricionais.” valor dos elemenLino, nutricioLERYANNE LINO tos básicos que denista, o óleo esvem compor a alitimula muito a mentação aumenfritura e por tou mais de 45% no isso existe um último ano, mostrando que o número muito grande de pestrabalhador deve atuar mais soas obesas de baixa renda, horas em seu serviço a fim de com problemas nutricionais. pôr comida na mesa (ver tabe- Ela ainda aponta os riscos que la). a cesta básica pode proporcioHá estudos que comprovam nar. que a cesta básica, seja ela re“Os alimentos mais baragional ou nacional, não supre tos são farinha, arroz, óleo e de forma adequada às necessi- açúcar. Eles propiciam uma dades alimentícias. alimentação deficiente em nuEm 1991, o Procon e o Dies- trientes e rica em calorias, ou se analisaram os itens alimen- seja, ‘engorda’ sem alimentares da cesta básica em rela- tar”, alerta.


Curitiba,

quinta-feira,

Especial

14

de

outubro

de

2008

5

O preço da cesta básica tem servido de referência para estabelecer a política salarial Suziê de Oliveira

Produtos avulsos são mais baratos pouco”, reflete a economista que Vários projetos pensaram trabalha no terceiro setor. em uma forma de modificar a Para Vera, o salário mínicomposição da cesta básica. mo, que deveria suprir a necesEnquanto alguns pesquisadores sidade do trabalhador e sua fapropõem a sua regionalização, mília, deixa muito a desejar. com alimentos de produção Para reverter esse quadro, ela abundante na região em que é acredita que a regionalização consumida. Por exemplo: insertambém do salário, além dos ção de alimentos da época, com alimentos, seria uma boa solumais farinhas na safra de mição. “O salário mínimo no Norlho ou trigo, mais grãos na sadeste é muito baixo, se compafra de soja e feijão, poderiam rado ao nosso poder aquisitivo. incrementar a cesta, diminuinR$ 450 é pouco para nós, mas é do o preço e potencializando os muito para os nordestinos”. nutrientes. Outros acreditam Devido a essa diferença, a desque ampliar o consumo pode ser centralização do salário mínimo viável economicamente. Os deé um debate que putados estaduais já perdura muido Rio de Janeiro “Para atender tos anos. MesJorge Picciani e José com a disSivuca criaram a lei as necessida- mo cussão, a com4.892/06 para alterar des, o ideal plexidade do a composição da cestema que envolta básica do Estado, seria que o ve políticas pútrocando o item fransalário fosse blicas e quebra go por ave. A lei visa antigos háampliar o consumo quadriplicado” de bitos alimentade espécies, como a VERA LÚCIA res não põe em galinha d’angola, ECONOMISTA cheque de forque tem grande proma definitiva a dução no Rio de Jaquestão do saneiro. lário mínimo. Com essas mu“De qualquer forma, o valor atudanças, uma atualização da taal do salário mínimo é muito bela de consumo diário de calobaixo, não atende de forma nerias faria cair em 45% o valor nhuma 100% das necessidades da cesta básica oficial, que hoje custa o dobro do que deveria ser. básicas do trabalhador e da família. O ideal seria que o saláApesar da discrepância, há rio fosse quadruplicado”, reitequem considere esses valores ra a economista. normais. Na opinião da economista Vera Lucia Rodrigues, as pessoas acham comum viver de Projeto Voluntário forma subumana. “Acham que Os produtos que compõem a a culpa é delas, por ganharem cesta são calculados para uma

Pesquisar ainda é a melhor maneira para economizar na hora da compra família de quatro pessoas se alimentar por um mês. Mas esse cálculo não reflete a estrutura familiar brasileira, que oscila de região para região. Baseado em um novo olhar para a realidade das famílias, a economista Vera Lucia coordena um projeto na Vila Barigüi, com pessoas carentes. O projeto, idealizado há nove anos, começou com vários empresários doadores de cestas básicas para famílias carentes que pertencem à Comunidade Monte Moriá, igreja luterana no Barigui. Com apoio da Universidade Tuiuti, o projeto cresceu e ganhou pesquisas na área, como a que foi coordenada por Vera Lucia. A economista constatou que se comprasse os pro-

dutos separados, o valor da cesta cairia e os produtos seriam de melhor qualidade. Hoje, mesmo com o número de voluntários menor, e sem o apoio da universidade, Vera coordena um grupo de mulheres que além de receber, produzem as cestas, readequando a quantidade de alimentos coforme o número de pessoas que compõem a família. Apesar disso, a economista destaca que o projeto dá certo porque conta com grande redes de distribuição que fornecem os alimentos por um preço mais baixo, além de entregarem na comunidade e, como são compradas grandes quantidades de produtos, a comunidade semFranciele Lima

Franciele Lima

Duas realidades , o mesmo objetivo

Enquanto uma cata latinhas e alimenta sua família com ajuda dos outros, a outra não se imagina consumindo apenas cesta básica.

“Deve ser difícil. Uma cesta básica é muito pouco até para uma pessoa só”. Sueli Silva

“Se não tiver comida, a gente se vira, come salada, qualquer coisa”. Dona Vina

pre ganha descontos. “Para uma família montar uma cesta básica dessa forma, com os produtos fracionados, essa forma pode superfaturar o valor final, devido ao transporte de um mercado a outro em busca de promoções.” Mas para a secretaria Sueli Silva, a busca vale a pena. “Compro os produtos no supermercado, e sempre encontro boas ofertas. Por eu morar somente com minha filha, não gasto tanto com comida, compro apenas o básico”. Sueli, apesar de poder comprar a alimentação da família, acredita que uma cesta básica ajuda nas despesas, já que o salário que ganha é ajustado para os principais gastos. “Se eu ganhasse cesta básica, gastaria meu dinheiro com outros produtos”, pensa Sueli, que apesar da vida modesta, não se imagina uma alimentação somente com cesta básica. “Deve ser difícil, eu não me imagino comendo sempre as mesmas coisas. Uma cesta básica é muito pouco até para uma pessoa só”, comenta. Enquanto isso, Dona Vina agradece as doações. Para ela, a cesta básica é a principal fonte para ela e os oito filhos driblarem a fome. “A gente se vira, come uma salada, qualquer coisa”, revela.


Curitiba,

6 Saúde

quinta-feira,

14

de

outubro

de

2008

Para doar leite materno basta procurar um posto de coleta mais próximo de casa

Um ato de amor Rafaela Barros

Sendo ou não mamãe de primeira viagem, depois de alguns meses de gestação chega a hora do aleitamento materno. Porém, nem todas conseguem amamentar integralmente. Os motivos são vários, desde uma negação do bebê para mamar, o retorno da mãe para a jornada de trabalho, o nascimento prematuro da criança ou alguma ausência fisiológica. Entre tantas causas, a mãe precisa se ausentar e, dependendo do tempo de vida do bebê, é necessário achar outra fonte. Outra fonte? Sim. São para essas situações que existem os bancos de leite humano e a solidariedade de muitas mulheres. Algumas mães quando estão amamentando produzem um volume de leite além da necessidade do bebê, o que possibilita que sejam doadoras. O leite materno é reconhecido como o alimento mais adequado para recém-nascidos, pois fornece todas as necessidades nutricionais, imunológicas e psicológicas dos bebês protegendo assim a saúde do recém-nascido. O alimento é capaz de reduzir em até um quinto a mortalidade infantil em países em desenvolvimento, como o Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as mães exclusivamente amamentem seus filhos de quatro a seis meses, nem mesmo água ou chás devem ser oferecidos neste período, e até dois anos ou mais, a amamentação pode ser complementada. Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria mostram que, em média, bebês de seis a oito meses obtêm 70% de suas necessidades energéticas no leite materno. Os que possuem de nove a 11 meses têm 55% e os com 12 a 23 meses detêm 40% das necessidades nutricionais no leite da mãe. Mas os índices da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida são escassos. Um levantamento do Ministério da Saúde mostra que 97% das crianças brasileiras iniciam

a amamentação no peito logo nas primeiras horas de vida, mas permanecem mamando por um período curto. Segundo o órgão, a média de aleitamento materno da população brasileira é de 29 dias. Esses dados são muito bem ilustrados por Márcia Salete Moreira, que não pôde amamentar sua filha Juliane Silva. O motivo foi porque sua outra filha, na época, estava internada no hospital. De acordo com ela, o hospital lhe tomava o tempo integral e não conseguiu retirar o leite para sua filha ou doação. Um motivo também muito comum para a desistência do aleitamento materno é o processo inicial, em que se sente dor nos mamilos. De acordo com Juliana Fontes, mãe de Eduardo, sua preparação anterior para amamentar não adiantou. “Na hora é diferente. É muito difícil amamentar no início, pois você sente muita dor. Eu quase desisti, mas fui persistente”. De acordo com ela, hoje o aleitamento materno é prazeroso. “Amamentar é um vínculo muito forte, me sinto feliz”, afirma Juliana, mãe pela primeira vez aos 24 anos. Para doar leite materno basta procurar um posto de coleta mais próximo de casa, fazer o cadastro e receber as orientações necessárias. Não é preciso ser usuária do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses locais, as doadoras recebem as primeiras orientações e levam para casa um kit contendo gorro, máscara, etiqueta e frasco para recolher o leite. Ao retirá-lo é importante armazenar em frasco esterilizado e imediatamente guardar no freezer ou congelador. O leite materno doado passa por um processo de seleção, classificação e pasteurização, e é distribuído com qualidade aos bebês internados em unidades neonatais. O estresse vivido pelas mães dessas crianças também pode levar à baixa produção de leite, o que eleva o risco de morte de seus bebês. Pesquisas comprovam que recém-nascidos, nessas condições, que ingerem o leite ma-

terno oferecido, têm chances bem mais elevadas de se recuperar e viver com qualidade.

Bancos de Leite Alguns Bancos de Leite trabalham com coleta domiciliar. Em Curitiba os postos de coleta estão situados nas unidades municipais de saúde (US) Solitude, Eucaliptos e Vila Leonice, que destinam as doações para o banco de leite do Hospital de Clínicas e as unidades Taiz Viviane Machado, Irmã Tereza Araújo e Mãe Curitibana encaminham o leite para o Hospital Evangélico. O secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, relata que “os hospitais, principalmente os de porte maior, têm banco de leite e eles se conectam com as mulheres que têm interesse em doar. Se a mãe tem leite em excesso e quer doar, a gente recomenda que ela procure um serviço de saúde”. O Estado do Paraná possui sete bancos de leite, que integram a Comissão Estadual de Bancos de Leite Humano, oficializada através da Resolução 234, publicada em 13 de julho de 1999. Os objetivos da Comissão são a integração dos bancos, o controle de qualidade, apoio a abertura de novos bancos e promover, uma vez por ano, um evento científico aberto à comunidade. É por causa dessa comissão que há bancos de leite em todos os locais com UTI Neonatal. Na rede básica, existem os postos de coleta, que são capacitados pelos Bancos de Leite. Onde há posto de coleta, a comunidade desenvolve uma maior conscientização do valor do leite humano. O Brasil possui a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente, a rede é composta por 214 unidades, sendo 29 postos de coleta. Insuficiência Queixa comum durante a amamentação é afirmar que se tem “pouco leite”, ou que o leite

Divulgação

A doação exige um kit especial para a doadora é fraco. Isso está relacionado, freqüentemente, com a insegurança materna quanto à sua capacidade de nutrir o seu filho e muitas vezes o complemento com leites artificiais alivia a tensão materna. Se a produção do leite parecer insuficiente para a criança, cabe ao médico conversar com a mãe e tentar determinar o que está a interferir com a produção do leite. De acordo com Juliana Fontes, ela produzia uma quantidade de leite elevada e seu médico afirmou que o leite é normal, entretanto seu filho não estava ganhando peso necessário. “Ele não perdia peso, mas também não ganhava apenas com o leite materno”. Ela foi orientada a complementar a mamada ao invés de substituíla pelo leite artificial, mantendo assim o estímulo da sucção, indispensável para a produção do leite. Apesar da alta quantidade de leite, infelizmente ela afirma que não doou. “Depois do parto é muito estressante. Minha mãe falou para doar, mas eu tirava e jogava fora”. Para que essa cena não se repita com outras mulheres,

existe o Dia Nacional de Doação de Leite Humano (1º de outubro). A data tem como objetivo esclarecer os benefícios do consumo de leite materno e estimular mulheres sadias, que estejam amamentando e que não fazem uso de medicamentos, a se tornarem doadoras de leite. Neste dia, bancos de leite humano dos estados também desenvolvem ações com o objetivo de mobilizar e sensibilizar a sociedade para doação. A mãe do Rafael Henrique, Katyulce Kassy Korobinski Ribas, na época em que o amamentava teve essa conscientização da importância do leite materno e tornou-se “mãe de leite” de seu primo João Henrique. De acordo com ela, a mãe de João Henrique tinha mais de 40 anos e o bebê nasceu pré- maturo, ficando internado por alguns dias no hospital por conta de uma infecção. “A mãe do João não tinha leite suficiente, foi ai que eu me tornei mãe de leite dele. Como sabemos o leite materno é fundamental para o desenvolvimento da criança no seu primeiro ano de vida”.


Curitiba,

quinta-feira,

Cultura

14

de

outubro

de

2008

7

O Grão foi escolhido o melhor filme pelo júri oficial, enquanto o júri popular ficou com Feliz Natal

Festival de cinema movimenta a capital Fotos: Camila Vida e Taise Verdério

Camila Vida Taise Verdério

Se lton Mello, It tala Nandi, Glauber Rocha, Dino Risi, Roberto Requião, Carlos Vereza, Fernando Severo, Darlene Glória, Beto Carminatti. O que estes nomes têm em comum? O 3° Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino, encerrado no último final de semana, que fortaleceu tendências e proporcionou uma reflexão sobre os filmes exibidos. Ittala Nandi, realizadora do festival, não imaginava que seria um sucesso imenso, que se firmasse tanto. “Eu sabia que o Paraná queria isso, mas não sabia que quisesse tanto! E tem que se criar o Palácio do Festival, isso é importante,” desabafa Ittala. O governador Roberto Requião, em entrevista exclusiva ao Lona, avaliou o evento: “O festival é uma decorrência da Escola Latino Brasileira de Cinema, que o estado criou no centro Freire Maia, que é consenso hoje, a melhor Escola de Cinema do país e o festival é um espaço, não só para os paranaenses e curitibanos, como para o cinema brasileiro e latino americano se apresentar. O festival aqui alavanca o in-

teresse pela produção e o áudio

visual, a par da sua inserção no longas-metragens e professora de processo cultural, é uma das in- cinema da Universidade Positidústrias mais importantes no vo, Solange Stecz, avalia que a tendência é que no ano que vem, mundo hoje.” Carlos Vereza, ator do filme no festival se qualifique ainda Mistéryos, explica que o longa é mais. “Ampliar a representativiextremamente poético, baseado dade da América Latina é um em contos de um gênio de Curi- dos objetivos que o festival bustiba, chamando Valêncio Xavier. ca, acredito que este é o ponto Para Vereza, o festival é impor- principal a ser melhorado.” O diretor Beto Carminatti faz tante porque sai do eixo Rio - São Paulo e mostra o rosto do Brasil. coro com os elogios: “Eu detesto O conceituado ator e agora eventos e adoro celebração, o fesdiretor Selton Mello, adora estes tival é uma grande celebração do festivais, e comenta que a sele- cinema brasileiro, latino, munção dos filmes foi linda, que esta- dial, e é uma grande oportunidade de encontro de va muito feliz pessoas para disde apresentar cutir idéias e traseu primeiro fil- “A única coisa que balhar o conhecime Feliz Natal faltou foi uma mento.” Seu parcomo diretor, ceiro de direção, mas desabafou: cobertura decente Pedro Merege, “O júri popular da imprensa” analisa: “Estou é o melhor prêcompletamente mio que tem, e FERNANDO SEVERO satisfeito com o surpreendentemente eu ganhei o júri popular, prêmio de melhor diretor do file o povo que votou no júri popu- me Mistéryos. O festival, compalar não pode entrar na festa, en- rado com o anterior, cresceu e amadureceu, e pode vir a ser uma tão eu vou embora!” Darlene Glória, atriz coadju- dos mais importantes do país”. Natália do Carmo, estudante vante premiada do longa-metragem Feliz Natal, de Selton Me- da Escola Superior Sulamericallo, afirma nunca ter pensado, na de Cinema e TV considera que em apenas três anos, o Pa- que os estudantes estão particiraná apresentasse um evento pando mais como apoio, e que os que não falhou em nada e abriu filmes exibidos neste ano são de as portas para o cinema no Bra- ótima qualidade. “O Paraná está sil. E avalia como foi atuar no se tornando vitrine para o cinefilme: “Foi muito confortável tra- ma nacional. Para a próxima balhar. O diretor Selton, com a edição é preciso melhorar a dialma de ator, nos deixou criar e vulgação prévia, a seleção dos nos aprovava, e isso é muito bom, curtas e a infra-estrutura”, arnão é um filme para divertir, é gumenta Natália. Ezio Massa, considerado um dos mais jovens um filme para pensar.” O diretor Petrus Cariry apre- diretores latino americanos, ressentou seu primeiro longa-metra- ponsável filme Villa, argumenta gem, O Grão, já premiado no que está acontecendo no Paraná Chile, Venezuela e Barcelona e a nível cinematográfico algo agora escolhido como melhor lon- muito impactante e sai daqui ga do 3° Festival do Paraná de para Buenos Aires comentando Cinema Brasileiro Latino. “O sobre a qualidade do festival. “Esjúri foi muito corajoso em pre- tou muito feliz com o prêmio, honmiar um filme ousado e di- rado e sinceramente não esperaferente do panorama naci- va. Para melhorar o festival é só onal de cinema que se faz ele continuar neste caminho.” José Mojica Marins, o “Zé do hoje, estou muito feliz. Uma dica para quem Caixão”, precursor do cinema de quer começar a fazer terror no Brasil, ficou admirado cinema é ver muitos com a quantidade de jovens no filmes, e acreditar evento, interessados pelo cinema sempre no seu tra- nacional. “Porque hoje a garotada só pensa em balada e tem balho”, disse ele. A jurada dos muitos jovens de 16 a 19 anos,

isso me deixou muito contente.” Zé do Caixão explica ainda o diferencial de seu filme, Encarnação do Demônio: “É que ele é coisa nossa mesmo, é o folclore brasileiro, não tem nada a ver com vampiros de fora, lobisomem, múmia, não, nós temos a nossa macumba, nós temos a nossa favela, nós temos as nossas bruxinhas, mãe de santo, pai de santo, essa coisa toda, então eu mexo com isso, fica na vida cotidiana de cada um”. Fernando Severo, responsável pela montagem de Mistéryos, criticou a divulgação do festival: “O evento está sendo surpreendente, cresce numa proporção gigantesca a cada ano, este ano está melhor ainda, a única coisa que faltou foi uma cobertura decente da imprensa paranaense. Uma boa parte dela ignorou o festival.” Já o ator Antonio Pitanga considera que a envergadura do evento, com critérios latinos, é um festival que veio para ficar. “A descentralização já é um gol de placa, é um festival do conhecimento!” Débora Gómez, melhor atriz de longa-metragem pelo filme Fronteria, de Rafael Conde, avalia que o festival estava bem estruturado e vê o prêmio como estímulo e uma mostra de que ela está no caminho certo. “Este festival representa muito bem o nome do Paraná, é uma vitrine para o cinema nacional, quem quiser fazer cinema deve ver muitos filmes e não desistir nunca, porque a profissão é difícil, tem muitos percalços e deve estudar muito, sempre.” Mas nem só de filmes foi o 3° Festival do Paraná de Cinema. Seminários, mostras, oficinas e debates, que, com a idéia de refletir o cinema, contribuíram com a qualidade do evento. Claudio M. Valentinetti, jornalista, escritor, e crítico de cinema, explica o que representou a Mostra Dino Risi: “Dino Risi foi um grande diretor, um dos maiores da comédia italiana, e o Brasil sempre acompanhou o cinema italiano, até porque o cinema novo é filho do neo-realismo italiano. O Brasil, e especialmente o Paraná, tem muitos descendentes de italianos, aproximando o público com a Mostra”.

Fotos: Camila Vida e Taise Verdério

Alguns premiados Juri

Oficial

Melhor filme -“O grão” Melhor direção - Beto Carminatti e Pedro Merege Juri Popular

Melhor filme -“Feliz Natal”


8

Corre-corre Texto e fotos: Liz Basso Antunes de Oliveira

O dia começa com pressa, pessoas correndo para seus empregos de carro ou mesmo a pé. Após um dia cansativo procuram um modo de relaxar, de crescer novamente para o próximo dia que há de chegar. Apesar de o tempo passar tão devagar, o dia logo irá acabar. Chegando aos seus lares, a noite sempre acaba com a mesma pergunta, quem somos e por que mesmo correndo continuamos parados? Nunca haverá resposta.

Curitiba,

quinta-feira,

14

de

outubro

de

2008


LONA 457- 14/10/2008  

JORNAL- LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you