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Curitiba, quarta-feira, 8 de outubro de 2008 | Ano IX | nº 453| jornalismo@up.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo |

Crescimento da indústria sofre queda em agosto, mostra IBGE Fernanda Vasconcelos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem pesquisa que aponta desaceleração no índice geral do crescimento da indústria brasileira. Os estados que mais contribuíram para a queda foram Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que são responsáveis por 65% da produção do setor no Brasil. Os especialistas dizem que a queda foi provocada pela falta de mercado de exportação. Com a crise internacional, a compra por outros países diminui e, conseqüentemente, o ritmo de crescimento desacelera. Além da produção, os economistas também alertam para uma queda no número de empregos nos próximos meses.

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Festival exibe filmes Sem opção, famílias deixam crianças na creche Reportagem especial latino-americanos Prêmio de R$110 mil pago Muitas vezes a família sente receio em sair para trabalhar e deimostra a maçonaria pelo Festival à categoria de mexar as crianças sendo cuidadas por pessoas desconhecidas. Nesse O ensaio fotográfico traz uma releitura dos principais elementos da história Alice no país das maravilhas - Pág 8

lhor direção é o maior do Brasil

caso, a creche é uma opção muito utilizada no mundo atual.

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Maçonaria: substantivo feminino Letycia Santos

Maçonaria, para começo de conversa e enorme esclarecimento, não é nada mais do que um grupo de homens que, através de um conjunto de processos ritualísticos, pratica a filantropia. O problema reside exatamente aí: são apenas, tão-somente, exclusivamente, homens. Para ser iniciado, um homem (veja bem, não é uma mulher) deve submeter sua vida toda a um julgamento. Deve ter uma vida ilibada e primar por bons costumes. Bons costumes: isso até chega a ecoar, tamanha a pretensão. A Loja Maçônica mista, que aceita mulheres, não é bem vista pela grande maioria dos maçons, homens naturalmente tradicionalistas. São proibidas discussões sobre política e religião, sinal de que ali, como em qualquer outro lugar ocupado por seres humanos, há diferenças de opiniões. Entretanto, os maçons procuram manter a imagem de unidade e acabam sufocando tal diversidade. Certamente são respeitadas todas as opiniões. Porém, não se pode pronunciar realmente sobre elas. Uma pena, pois o conceito essencial de política, se adotado, poderia contribuir e muito para a troca de concepções de mundo. A entidade não fere ninguém nem nada, exceto o orgulho das mulheres que acompanham esses homens. A iniciação na maçonaria significa morrer para um mundo e nascer para o outro. Realmen-

te. O compromisso com a família é um dos valores mais defendidos pela entidade. Por outro lado, os maçons devem manter sigilo quanto a tudo o que lá acontece. Suas mulheres de nada podem saber. O sigilo passa, então, a ser um ruído branco que tenta amenizar uma cena violenta: a maçonaria sabe da corrupção e não denuncia publicamente. O grande potencial do poder de denúncia não é aproveitado. O conceito construtivista da maçonaria, cuja essência é a evolução moral e ética, fica restrito à entidade. Trata-se aqui de uma entidade que influencia a política e a história mundiais desde sempre. Platão já dizia: nem todo homem está apto para ser político. Contudo, até onde dá para lembrar, o filósofo nunca disse nada quanto à inaptidão de mulheres nessa área. O machismo e conservadorismo pairam sobre as cabeças dos maçons também desde sempre. A maçonaria acredita, ainda, que a dissipação do conhecimento é importante. Por que, então, permite que apenas homens sejam membros? Se se perguntar a um maçom o porquê disso, ele, muito provavelmente, não responderá com argumentos bem fundamentados. Contradição. A democratização do saber praticamente inexiste. O próprio silêncio aponta essa forte preferência como injustificável. No fim, ele acaba compactuando com a falsa representação igualitária da mulher e do homem que diz fazer a sociedade atual.

Expediente Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande;; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de PósGraduação e Pesquisa:

Luiz Hamilton Berton; PróReitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professoresorientadores: Elza Oliveira e Marcelo Lima; Editor-chefe: Antonio Carlos Senkovski.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

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Ops! Acontece... Bruna Caroline Cruz

Mais uma vez os tropeços da mídia provocaram embaraços. Dessa vez, o descuido foi da Folha de S. Paulo que, em uma entrevista para assinantes, transcreveu erroneamente a declaração do presidente equatoriano, Rafael Correa. De acordo com o jornal, Correa teria dito que a Colômbia é um “governo que não considerávamos amigos”. Essa declaração corresponde à pergunta de como andava as relações depois que a Colômbia entrou em território equatoriano para atacar uma base das Farc. A Folha explicou que isso aconteceu porque um “não” foi colocado na frase e alterou todo o sentido da expressão. O jornal justifica que o erro ocorreu por uma dificuldade de se entender a fala de Correa, e também pelo corte de outras partes da entrevista que reafirmavam as boas relações dos países. O problema é que esse “descuido” fez com que as relações entre os países se tornassem ainda mais sensíveis. Em resposta à declaração, a Embaixada da Colômbia publicou um comunicado em seu site, no dia 3 de outubro, negando sua presença na reunião de cúpula da Comunidade Andina das Nações (CAN).

Eles foram delicados em citar apenas “os meios de comunicação” como origem da declaração, e não um jornal em específico. Numa tentativa de corrigir o erro, no dia 4 de outubro o governo equatoriano divulgou um comunicado retificando a declaração e alegando que Uribe está usando o erro como pretexto para não ir à reunião. Na última segunda-feira, dia 6, o governo colombiano afirmou não ter novidades e o embaixador do Equador lamentou que as relações entre os países tenham sido “afetadas”. É absurdo que um repórter não entenda o que seu entrevistado diz e transcreva uma declaração sem 100% de certeza. O conhecimento sobre o tema e sobre o idioma que o entrevistado fala é primordial para uma cobertura de qualidade. Como o repórter vai tão despreparado a ponto de se dar ao luxo de não entender o que o presidente falou? Não é necessário nenhum recurso tecnológico para registrar com papel e caneta o que o entrevistado relata. Em se tratando de um presidente, no caso, o equipamento acima pode ser substituído facilmente por um simples gravador devido à importância do personagem e das suas declarações. A apuração correta sem-

pre foi um assunto em pauta entre os jornalistas e é incrível como esses erros ridículos continuam acontecendo indiscriminadamente. Mesmo que a Folha corrija o erro, a relação entre os países já foi abalada e a Colômbia dificilmente irá mudar sua posição a respeito da reunião. Nos jornais brasileiros pouco foi falado a respeito desse erro e ele tende a passar batido novamente sem manchar a imagem de ninguém. Duas situações podem ser levantadas a partir desse acontecimento. Ou as redações estão tão enxutas, o trabalho feito por cada um é tanto que os jornalistas mal têm tempo para trabalhos mais elaborados. Ou, no pior dos casos, os profissionais estão mesmo mal preparados e não conseguem sequer checar declarações com o entrevistado que está à sua frente. Ambas as hipóteses são igualmente preocupantes e devem ser foco de mais atenção pela população que consome as informações. O papel da mídia é indiscutivelmente importante e todos já se deram conta disso. Erros como o acontecido deveriam ser combatidos com mais rigor pelas redações e, principalmente, pelos profissionais que têm sua imagem marcada por erros de outros.

Altos e baixos do VMB Katherine Dalçóquio da Silva

Na última quinta-feira, foi realizado o Video Music Brasil (VMB), em São Paulo, pela MTV. A premiação foi apresentada por Marcos Mion e teve convidados como o nadador Cesar Cielo, a jogadora de vôlei Fofão, a atriz Alice Braga e o comediante Danilo Gentili, do “CQC”, entre outros. Em ritmo de eleição, o evento foi democrático, pois a todo momento contava com a votação do público presente, que podia escolher se o apresentador Marcos Mion ficaria pelado, quem o comediante Marcelo Adnet deveria imitar (ele imitou Cid Moreira, Silvio Santos, Caetano Veloso, entre outras

personalidades). Um dos pontos altos do evento foi a integração dos diversos estilos musicais, como o hiphop e o samba, o sertanejo e o hardcore, que uniu Chitãozinho e Xororó e Fresno. Outro destaque foi a “Banda dos Sonhos”, que o público também pôde eleger. A banda foi formada por integrantes de diversos grupos, como os “paralamas” João Barone na bateria e Bi Ribeiro no baixo, o guitarrista Ximbinha, da banda Calypso, e Marcelo D2 como vocalista. Porém, existiram alguns pontos fracos durante a premiação. Como a presença das então “mulheres frutas”, que acabaram depreciando a imagem da cultura brasileira. Como se

não bastasse, o que aconteceu foi um espaço para elas na mídia. Desta maneira, o que parece é que estão incentivando a exposição do corpo feminino em vez de colocar em primeiro lugar o talento. Que de fato é do que se trata o evento. O talento dos artistas que batalham para conseguir um lugar no ramo musical. Concordo que o evento é realizado com humor, mas o que fizeram ao dar espaço para as frutas chega a baixar o nível da premiação. Que foge do padrão cultura musical. Mesmo com os altos e baixos, o VMB é um dos poucos eventos que consegue unir todos os tipos de público musical, desde um cantor de sertanejo ao de rock, dos amantes do hip-hop...


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Paraná está entre os estados que mais registraram queda na produção da indústria

IBGE mostra queda nos índices de produção industrial no país de indústrias de celulose e papel e produtos químicos. Amazonas e Santa Catarina foram Pesquisa divulgada ontem os únicos que tiveram sua propelo Instituto Brasileiro de Ge- dução industrial reduzida nesografia e Estatística (IBGE) sa pesquisa, apresentando – mostra que seis estados brasi- respectivamente – queda de leiros apresentaram queda nos 3,0 e 1,8%. A produção industrial do índices de produção industrial. Os índices foram registrados Paraná – assim como no ano entre os meses de julho e agos- passado – voltou a diminuir to. Entre os 14 locais pesquisa- diante do mesmo mês. De acordos, as quedas mais intensas do com a Diretoria de Pesquiaconteceram em São Paulo, sas e a Coordenação de IndúsMinas Gerais, Rio de Janeiro e tria, o acréscimo de 1,7% em Paraná – sendo que o último de- relação a agosto de 2007 ficou les apresentou queda de 4,8% bem abaixo do índice de julho, que apresentou acréscimo de no índice regional. De acordo com o economis- 15,2%. Dentro do aumento de ta Hugo Mezza, vários moti- 1,7%, a contribuição para a formação da vos levaram a média global essa queda na veio de mineprodução indus- “O problema é que trial. Dentre não existe demanda rais não-metálicos, edição e eles, estão as impressão, poucas impor- para a compra de máquinas e tações realiza- nossos produtos e veículos autodas e a desvalomotores – derização do câm- isso acaba interfevido ao crescibio. Segundo rindo na queda dos mento na proele, estas duas questões estão índices de produção dução de caminhões. No enintimamente li- nas indústrias” tanto, as influgadas. “O prinHUGO MEZZA, ências negaticipal problema ECONOMISTA vas mais releé que não existe vantes vieram demanda lá fora para a compra de nossos de alimentos, refino de petróprodutos. Conseqüentemente, leo e produção de álcool. Apesar das conseqüências isso acaba interferindo na queda dos índices de produção de dessa queda já poderem ser vistas, a situação se tornará diversas indústrias”, explica. Em 2007, no mesmo perío- realmente visível somente no do, os resultados foram positi- próximo ano. Segundo Mezza, vos em 12 dos estados pesqui- a diminuição de empregos será sados. A maioria destes locais a principal conseqüência. “Váapresentou um crescimento aci- rias montadoras de São Paulo ma da média nacional (que re- já demitiram um grande núpresenta 2,0%). Tiveram desta- mero de funcionários, e a sique, em termos de ritmo de ex- tuação só tende a piorar com pansão, estados como Pará o tempo”, analisa. Além de cau(10,3%), Bahia (7,0%), Espírito sar a demissão em massa de diversos funcionários, a queSanto (7,1%) e Goiás (6,7%). Segundo dados da Diretoria da nos índices de produção inde Pesquisas e a Coordenação dustrial, segundo o economisde Indústria, estes quatro es- ta, afeta também os investitados brasileiros foram bene- mentos realizados por estranficiados pelo bom desempenho geiros. Raphael Moroz Teixeira

Festival abre caminho para Pólo de Cinema do Paraná Roberto Hammerschmidt/LONA

Roberto Hammerschmidt

Desde segunda-feira, no Museu Oscar Niemeyer, acontece o 3º Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino. O evento acontece até domingo, e vai dar o maior prêmio em dinheiro já pago a um longa-metragem no Brasil: R$ 110 mil na categoria melhor direção. O valor é suficiente para desbancar o festival “É Tudo Verdade”, que premia o melhor documentário com R$ 100 mil. Na programação está a exibição dos filmes concorrentes do festival, oficinas e seminários. Duas mostras paralelas completam o evento: a Mostra Glauber Rocha, que traz uma retrospectiva de parte de sua obra; e a mostra Dino Risi, com as principais obras do diretor italiano que morreu neste ano. A terceira edição do evento cresceu bastante: de uma mostra de cinema na primeira edição, com a exibição de três filmes brasileiros e dois latinos, e a criação do Prêmio Araucária de ouro na segunda edição, com a exibição de três filmes brasileiros, três latinos e 20 filmes de curta metragem, saltou este ano para 69 filmes brasileiros, 16 filmes latinos e 173 filmes de curta-metragem, em um total de 242 trabalhos inscritos. O ápice do evento é o prêmio araucária de ouro, que vai premiar este ano todas as categorias (ano passado apenas algumas foram pre-

O prêmio do Festival para a categoria melhor direção será o maior já pago a um longa metragem no Brasil miadas), além dos prêmios em dinheiro, em um valor total de R$ 310 mil. A realizadora do evento é a atriz Itala Nandi, que estava atuando na novela Os Mutantes, da Rede Record de Televisão. No folhetim da TV ela interpretava a vilã Doutora Júlia. Itala é veterana do cinema e do teatro. Ao todo são mais de 20 filmes e 30 peças. Na TV, atuou em O Pulo do Gato(1979), Direito de Amar (1987), Que Rei Sou Eu(1989), e mais recentemente em Caminhos do Coração(2005), entre outros folhetins e minisséries. Para Itala, a participação do público tem sido excelente. “É importante dizer que todos os filmes, seminários e oficinas são gratuitos, nada é cobrado nesse festival”. O objetivo principal da atriz é criar um Pólo de Cinema do Paraná. Para isso,

ela criou além deste festival, a Escola Superior Sulamericana de Cinema e Televisão do Paraná. “O projeto é uma pirâmede. A base é uma escola, o meio da pirâmede é um festival e o topo é o pólo de cinema”, afirma Itala. A atriz faz duras críticas ao estado Paraná. Para ela, todos aqui estão cegos, surdos e mudos para o que há de melhor no estado. “Quem é de outros estados conhece essa escola superior de cinema, mas quem é do Paraná não”, reclama. Itala não tem dúvidas de que o Paraná vai se tornar um grande pólo produtor de cinema brasileiro. Ela toma por exemplo o estado do Rio Grande do Sul, que é o maior produtor de cinema fora do eixo Rio-São Paulo. “Mas porque tem festival”, completa.


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A maçonaria, apesar de existir há séculos, ainda é julgada de modo equivocado

Homens de poder porquê. O teto sobre suas cabe- e com seus membros, todos hoças aponta a disposição corre- mens. Apenas algumas reunita. O painel alegórico, a lapela, ões são públicas. Terno, gravata, meias e sa- o anel e a corda de 81 nós. A Morrer para um mundo e patos pretos. A única peça bran- pedra bruta, a quadrada e a la- nascer para outro: é isto que ca é a camisa, durante a Ses- pidada. O esquadro e o compas- significa a maçonaria. Pessoas são Magna. A cor manifesta-se so alinhados de forma peculiar que procuram interpretar o que apenas no avental sobreposto ao sobre a Bíblia, chamada de Li- os elementos do processo rituatraje social e varia de acordo vro da Lei. lístico significam têm sua curicom o rito. Até mesmo o chapéu preto, osidade estimulada. Algum membro que saiu do de abas largas e Há muito trabalho e não parou em casa caídas, igual tempo, a maçoveste o balandral, túnica usa- para todos, cosnaria era perse“Tem uma da nas ocasiões em que não dá tume surgido no guida pela igretempo de trocar a roupa. Ele século XVIII e ja católica e vápiada quando pode ser um pedreiro, um ad- que tem a mesrias correntes uma mulher vogado ou o presidente de um ma intenção do de filosofia e, país. O que importa é que te- gorro de Austrepor tal motivo, pergunta por nha uma vida ilibada e seja es- gésilo Carrano era secreta. tável financeiramente. que só pode Hoje, os segreBueno do filme Andam sempre em sentido “Bicho de Sete homem. A gente dos que existem horário naquele local de chão Cabeças”, de são os meios preto e branco. “Sessão com for- manter preserdiz: mulher não para se recomalidade”, diz alguém da por- vada a fonte do nhecer os masabe guardar ta. “Andar grau 1!”, completa. saber e da vida. çons entre si, De modo meio automatizado, as segredo” em qualquer O templo é pernas seguem sempre o ângu- sagrado. As múD.C., MAÇOM parte do munlo de 90º. Este é o Rito York. sicas clássicas e do, o modo de inPoderia ser o Escocês Antigo e a postura dentro terpretar seus Aceito. símbolos e os são pensadas. A Dirigem-se às cadeiras não reprodução acima foi feita a par- ensinamentos neles contidos. sem organização ou como quem tir de uma mente com imagiAlguns homens tentam se disputa um lugar como na dan- nação, pois praticamente tudo passar por maçons. Quando alça da cadeira. Tudo ali tem um na maçonaria é realizado para gum membro percebe, logo faz o chamado teliamento, que são várias perguntas sobre maçonaria. Há ainda outro filtro: é escolhida entre os maçons uma palavra semestral, conhecida somente por eles e que varia de país para país, servindo como um “código de identificação”. Na maçonaria, menos é mais. Até mesmo a abreviação de palavras do dicionário maçônico busca promover a discrição. Para seus membros, não há motivo de alarde quanto à prática de boas ações. É por tal razão que preferem chamá-la de sociedade discreta, e não secreta, por agir sutilmente. Apesar de ser difícil definir maçonaria, está longe de ser uma irmandade de “filhos de Satanás” ou o “braço direito do Diabo”, como afirmam os desinformados. Segundo o site www.lojasmaconicas.com.br, não é uma religião, nem associação dogmática, teoria política ou um partido. Também não Goethe, um dos grandes homens da história, foi maçom é uma corrente filosófica ou sisLetycia Santos

tema individualista. Mas não exclui a religião, a política ou a filosofia. Maçonaria é uma instituição filantrópica, filosófica e progressista. Seu lema é “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e seus princípios são tolerância, respeito mútuo e liberdade absoluta de consciência. A maçonaria resume o dever do homem como "respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família", considerando isso a maior síntese da fraternidade universal. Ciência, justiça e trabalho são valores importantes, assim como o patriotismo e o respeito à autoridade e à lei. É religiosa por reconhecer a existência de um único princípio criador, regulador, absoluto, supremo e infinito ao qual se dá o nome de Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.), não sendo, porém, uma religião. A maçonaria é, acima de tudo, bastante tolerante, mas proíbe discussões políticas e religiosas. Combate a ignorância, a superstição, o fanatismo, o orgulho, a intemperança, o vício, a discórdia, a dominação e os privilégios. Em suma, a maçonaria trabalha para o melhoramento intelectual, moral e social da humanidade.

Como funciona A iniciação não envolve beber sangue de outros membros, tampouco evocar o Anticristo. São feitas cinco viagens, como chamam os maçons. Em todas elas, o membro leva consigo um dos elementos (água, terra, fogo e ar), todos com um significado. Apenas na primeira não leva nada. O pretendente passa pela iniciação e torna-se aprendiz. Posteriormente, pela elevação, fica sendo chamado de companheiro. E, por fim, vem a exaltação e torna-se mestre. Para ser aprovada, a ficha com os dados daquele que pretende ser iniciado na maçonaria, deve ser submetida à análise três vezes em cada loja maçônica. É importante que o iniciado pague uma jóia e contribua constantemente com uma quantia de dinheiro. A in-

tenção é nobre: a mútua, como é chamada a quantia doada, auxilia nos projetos filantrópicos e ajuda até mesmo viúvas de maçons. O maçom evolui conforme graus. Para cada um deles, deve ser elaborado um estudo. Os pré-requisitos para passar para outro grau são chamados de solstícios. C. V., que prefere não se identificar, tornou-se maçom em outubro de 1997 e está atualmente no grau 12. Seu avô materno era maçom e, por isso, já conhecia um pouco da tradição maçônica. Não é à toa que os maçons se tratam por “irmãos”. Para ele, o grande benefício que a maçonaria pode trazer à vida é a amizade, é poder contar com os outros. Contudo, ele contesta a idéia de ser a maçonaria uma religião. “É filosofia, não religião. Para ser uma religião, teria de ser universal”, diz. Entre as 38 pessoas da loja que freqüenta, certamente existem concepções de mundo distintas umas das outras. A maçonaria não ambiciona nem procura constituir um pensamento único. A opção por deixar de freqüentar a loja maçônica e interromper os estudos é permitida. O membro pode decidir pelo kit placet. Um maçom pode também ser expulso, caso cometa atitudes consideradas imorais, como o adultério. Nesse caso, a loja toma o procedimento do chamado kit placet ex-ofício. De acordo com C. V., um maçom nunca deixa de ser maçom. “Ele pode até desistir, ou, muitas vezes, se afastar por um tempo por ter outros afazeres, mas o compromisso sempre será mantido”, garante. Quando um integrante se afasta por um período, é chamado de “maçom adormecido”. O grão-mestre é o cargo de maior poder em uma loja maçônica. Ele cuida de todas as regionais, como um prefeito, e deve ter sido venerável mestre pelo menos uma vez. O venerável mestre é quem preside as reuniões. Além dos dois cargos, existem a câmara dos deputados, secretários, grandes-secre-


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D. Pedro I passou foi iniciado em um único dia tários, 1º e 2º vigilantes, orador, tidores desde a época dos templários, cristãos que viviam bachanceler e tesoureiro. Em geral, são necessários sicamente para se preparar sete membros-mestres para ini- para lutar na guerra de liberciar uma reunião. Há um sen- tação de Jerusalém. O início de tudo é explicado so democrático na maçonaria: os cargos são ocupados a partir no Salmo 133, explica C.V. A contribuição da maçonade eleições, das quais podem ria para a históparticipar todos ria brasileira é os membros resabida. O impegulares, isto é, “Tem gente rador D. Pedro os que vão às que, assim que I foi iniciado, reuniões da Loja elevado e exalcom freqüência você diz Ordem tado em um só e têm seu pagaDeMolay, só dia para fazer a mento em dia. independência No Brasil, a grava “demo” do Brasil, a maior potência mando de José maçônica é o e aí já associa Bonifácio, tamGrande Oriente ao diabo” bém maçom. do Brasil, resP.V., INTEGRANTE DA Segundo a reponsável, além ORDEM DEMOLAY vista maçônica de outras funA Trolha, “hoje ções, por emitir não existem dúa chamada Carta Magna, documento através vidas, entre os historiadores do qual autoriza uma loja ma- sérios, de que a independência çônica a funcionar. No Paraná, brasileira foi resultado direto da há duas ramificações: a Gran- ação do movimento maçônico”. de Loja do Paraná e o Grande Na mesma edição, o veículo inOriente do Paraná. Há entre os forma sobre igual influência na dois Orientes uma relação de Revolução Farroupilha, ocorrida no Rio Grande do Sul. A abodualidade e amizade. lição da escravatura também Política, religião e história foi, em grande parte, mérito da Assim como o grupo Rosa maçonaria. Cruz, a maçonaria também influiu na história e na política Ordem DeMolay no mundo todo. Atuou nos basAo perceber o desamparo de

muitos jovens no período após a Primeira Guerra Mundial, Frank Shermann, o último templário, resolveu fundar a Ordem DeMolay. Considerada também uma entidade filantrópica, serve como uma preparação para jovens que pretendem se tornar maçons. A entidade aceita jovens de 12 a 21 anos e também requisita que haja uma assimilação de conhecimento de forma semelhante à demanda da maçonaria, que separa por graus. Não que seja enxotado pela Ordem caso passe da idade máxima permitida. É o caso de P. V., de 22 anos, filho do maçom C.V. que entrou em 1999 na Ordem. O jovem afirma que membros que entram com mais de 20 anos não aproveitam a aprendizagem que a Ordem propicia e que muitos grupos se iniciam com vários membros e vão diminuindo. “Tem gente que não leva a sério. E gente que não sabe o que significa a Ordem. Assim que você diz Ordem DeMolay, a única coisa que gravam é ‘demo’ e aí já associam ao diabo. Muito da tradição se perde”, afirma ele, com indignação. Apesar da tradição, o rapaz não foi iniciado: foi interrogado por membros, preencheu uma ficha e entrou. Continuará sendo apadrinhado pela Loja até sua emancipação do pai, por não ter condições de se sustentar sozinho e se tornar maçom. Quando entra para a Or-

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dem, o membro iniciático é o “faz tudo”, enquanto o DeMolay estuda com mais profundidade os princípios da Ordem e o cavalheiro reúne-se com outros membros para reforçar o juramento feito por ele. Na Ordem DeMolay, a hierarquização é feita de forma distinta da maçonaria. Existem duas divisões: a por idade e por funções. Os membros podem ser lowton ou seniors e de 7 a 12 anos, são escudeiros e de 12 a 18. O 1º conselheiro avalia a ficha do iniciado, enquanto o 2º cuida da iniciação. Junto com o mestre-conselheiro formam a diretoria. Existem ainda 18 outras funções na Ordem DeMolay. O órgão superior é Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil. Na Ordem, o equivalente à loja é chamado de capítulo. Para iniciar uma reunião, o máximo de pessoas permitidas são 15 e o mínimo, 12. Diferentemente da maçonaria, os membros da Ordem devem sempre estar trajados socialmente. Quando algum membro tem um pai presente e que pertence a outra loja, este é chamado de “tio”. Na reunião, este visitantes deve sempre se sentar à direita ou esquerda do mestre-conselheiro. Os membros da loja são chamados por ele de sobrinhos.

Mulheres A maçonaria diz primar pela fraternidade de todos os ho-

mens, que todos são filhos do mesmo Criador e, portanto, humanos e seguidores da fraternidade entre todas as nações. Entretanto, não há tanta abertura ainda para mulheres. A Grande Loja permite que existam lojas mistas, compostas por homens e mulheres. C. V. afirma que o impedimento tem uma razão: durante a iniciação, o membro tem partes do corpo que ficam expostas e são tocadas por membros responsáveis pela iniciação. Na verdade, apenas braços e pernas ficam desnudos. O maçom D. C. diz existir uma piadinha que se faz quando uma mulher pergunta por que não existem mulheres na maçonaria: “A gente diz: porque mulher não sabe guardar segredo. Mas isso não passa de uma simples piada”, brinca. Na Ordem DeMolay, as meninas podem ingressar nos grupos Filhas de Jô e no Arcoíris. As mulheres de maçons são chamadas de acácias e são responsáveis por auxiliar na filantropia, havendo cargos de presidente e vice-presidente. Contudo, as mulheres reúnem-se em locais diferentes dos homens. Para conhecer mais sobre a loja mista, podese acessar o site www.grande lojamista.com.br. No site www.gob.org.br constam mais informações a maçonaria no Brasil. O Dia do Maçom é comemorado no dia 20 de agosto. Imagens: divulgação

O filme “A Lenda do Tesouro Perdido” aborda a Maçonaria como sendo ainda secreta


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A sinuca, além de ser um esporte, também é vista como diversão

A bola da vez Rebeca Alcântara Renata Penka

A bola da vez está ali, na direção da caçapa e na mira do taco. Ela já foi cantada, mas antes de ser encaçapada um espirro pode acabar com a morte certa. Para quem é “sinuqueiro” ficou fácil entender do que este texto está falando. A sinuca é sempre ligada à diversão, descontração com os amigos. Muitos não sabem que se trata de um esporte que tem até uma federação organizada e jogadores profissionais inscritos. Noel Rodrigues Moreira é o atual campeão de sinuca do Brasil. Paranaense de Roncador, começou a praticar o esporte em sua cidade, quando ainda trabalhava em uma farmácia. Os responsáveis pelo site Ponto da Sinuca, Rodrigo Remes e Fernando Mazur, contam a trajetória de Moreira através de fotos online. Quando o jogador veio para Curitiba, seu jogo foi evoluindo, pois concorria com a "nata da época". Em 1994 conquistou seu primeiro título em uma etapa do campeonato paranaense; hoje ele tem, entre outros, dois títulos de campeão brasileiro. A maioria das pessoas leva o jogo como uma brincadeira, poucos encaram o esporte até como uma profissão, normalmente o interesse passa de pai para filho. O servidor público e consultor jurídico da Assembléia Legislativa do Paraná Jefferson Abade é um grande apreciador dos jogos de tacos de mesa. Ele conheceu esse esporte com seu pai, Diniz, e com seu tio Edson, que admiravam os jogos e freqüentemente disputavam com cunho amadorístico, apesar de serem bastante estudiosos do assunto. “Eles, em várias ocasiões, levavam a mim e meu irmão Marcos, para assisti-los jogar no Clube 21, na Rua Marechal Deodoro, esquina com a Dr. Muricy, tradicional local de encontro dos grandes mestres da arte da sinuca, do snooker, da ‘fodinha’, da vida e da bola oito, além de outras modalidades”, conta Abade, referindo-se às designações das formas de jogar.

Para os aficionados, o jogo é como uma terapia, consideram que se aprende muito com a derrota, com o erro e a falha, sendo que muito pouco se aprende com a vitória fácil. “Sempre me diverti jogando em clubes, bares e restaurantes, e somente no ano de 2003 comprei minha primeira mesa profissional de bilhar e a coloquei na sala principal de minha casa de praia onde procuro sempre jogar com amigos e familiares, pois é um momento de jogar renove o giz na ponta do descontração”, explica. Abade lembra, com sauda- taco e sempre tente as jogadas de, um momento marcante: foi mais simples, não esqueça que em em 1988 quando ele jogou a menor distância entre dois no Grupo Sérgio, um grande pontos é a reta”. restaurante de São Paulo que possui várias mesas. Lá conhe- Mulheres no jogo ceu e jogou com dois grandes Se é difícil encontrar mulheprofissionais do snooker do Bra- res que jogam sinuca, mais raro sil e reconhecidos mundialmen- ainda é encontrá-las participante, Rui Chapéu e Carne Frita. do de alguma federação. Na feO jogo preferido dele é o “bola deração paulista uma das insoito”: “Dois jogadores, 15 bolas critas é a filha do Rui Chapéu. numeradas, de um a sete, um Mas tem mulher que joga para mata e de nove a descontrair. É 15, o outro mata, o caso de Eliadepois que matar “O posicionamento ne Lima, que as suas sete bodá suas tacalas é colocado na dos pés é que dá das por pura mesa a bola nú- todo o equilíbrio diversão: “A mero oito para a maioria nas decisão”, explica. para a manutenção mesas de sinuCom tanto tempo ca são homens do taco na mira de jogo, aprendeu mesmo, é ena respeitar o opo- certa” graçado quansitor e fazer de JEFFERSON ABADE do eles perdem das partidas um para nós, eu aprendizado. dou muita riPara ter certeza do sucesso sada”. Ela começou a se inteda tacada Abade dá a dica, “o ressar quando foi convidada posicionamento dos pés é que pelo primo a jogar uma partidão todo o equilíbrio para a ma- da. Depois de ter ouvido as renutenção do taco na mira cer- gras, ele teve paciência e explita; a mira é feita com a mão de cou o passo a passo na prática, trás e não com a mão que está a boa mira a incentivou a conpróxima à bola; cada vez que tinuar jogando. Apesar de ir a

muitos bares e sempre ser bem tratada, um dia, em um bar no seu bairro, Eliane estava na companhia uma amiga e viu um aviso dizendo que mulheres só podiam jogar se acompanhadas por algum homem. Ela entendeu o aviso como discriminação e, em um site de relacionamentos, deixou clara sua indignação: “Me senti totalmente ofendida! Isso não esta certo”, alfineta.

Regras da sinuca A bola branca é utilizada para impulsionar as outras. Chama-se bola da vez a que é colorida de menor pontuação presente na mesa. Ela é livre, ou seja, o jogador não perde pontos caso erre quando tentar encaçapá-la. Quando encaçapada, não retorna à mesa e dá direito para bater livremente qualquer outra bola. Esta, se encaçapada, retorna à mesa e o jogo continua com a próxima bola. Com exceção da tacada inicial, é permitido tacar uma outra no lugar da que está na vez, porém com perda de sete pontos em caso de erro. As mesas brasileiras possuem 2,84 metros de comprimento por 1,42 metro de largura. Já a mesa original inglesa, possui mais de 50cm, tanto na largura, quanto no comprimento. Há uma tendência em campeonatos de se jogar na regra inglesa.

Um pouco de história As primeiras citações do bilhar surgem em livros dos séculos XVI e XVII. Antes desse período, a mesa era coberta por uma série de obstáculos, como pinos, arcos de ferro, que as bolas deveriam atravessar ou circundar. E as caçapas eram buracos cortados na superfície da mesa. As bolas de bilhar eram feitas de marfim. A modalidade do snooker surgiu em 1875, durante um período de chuvas na cidade de Jubbulpore, na Índia, quando oficiais ingleses do Regimento Devonshire passaram muitas horas em volta de uma mesa de bilhar. O oficial Neville Francis Fitsgerald Chamberlain, iniciou experiências com variações no uso das 15 bolas vermelhas e uma branca do jogo “pyramids”, mesclando-as com as bolas coloridas do “life pool”, e outras depois acrescentadas, e assim nasceu o jogo snooker. A divulgação da nova regra em outros continentes teve maior repercussão por meio de John Roberts, então grande jogador de bilhar, que em 1885 viajou à Índia e foi apresentado a Chamberlain, conhecendo e adotando o novo jogo. O termo sinuca é uma adaptação do inglês snooker, nome com que a modalidade do jogo foi lançada no Brasil a partir de 1889. Logo, sinuca ou snooker é o nome específico de um determinado jogo, mas apesar dessa especificidade, às vezes é utilizado popularmente de forma genérica, para fazer referência a diversos tipos de jogos. De todos os jogos de bilhar, a sinuca é sem dúvida o mais popular no Brasil.


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Creche pode ser uma opção para as mães que trabalham

O local ideal para deixar o filho Fabíola Stabelini Juliana Fontes

Escolher uma babá ou procurar uma creche? Esse é o dilema que preocupa muitas mães quando a hora de voltar ao trabalho se aproxima. Se algumas mulheres chegam ao fim da licença maternidade cheias de vontade de voltar ao trabalho, outras encaram essa situação com muita ansiedade. A idéia de deixar o filho com pessoas desconhecidas é uma imagem ainda em transformação, por isso a escolha da creche é fundamental. Apesar de alguns acontecimentos noticiados nacionalmente no mês passado, tendo como palavras-chaves: mortes e creches, elas ainda são a grande solução para as mulheres que trabalham fora. E se não restam opções para as mães que não têm o privilégio de ter a avó da criança ou outra pessoa de confiança à disposição, o que fazer para saber se o filho será bem cuidado na creche? Para a coordenadora da ong Criança Segura, Ingrid Stammer, é importante que os pais visitem a creche antes da realização da matrícula, para verificar como será o dia-a-dia da criança. “Primeiramente devem procurar a direção da escola para verificar se a linha seguida por aquela instituição atende ao que os pais têm como expectativa”. Foi isso que fez a administradora Maria Izabel Martins. Depois de uma longa procura, ela encontrou a creche ideal para deixar sua filha Luíza. Izabel conta que antes de matricular a pequena, pesquisou bastante, conheceu várias instituições para que, com segurança, escolhesse a certa. “Foi muito difícil encontrar uma escola que atendesse as minhas necessidades e as da Luíza. Visitei aproximadamente seis creches até escolher a que ela vai ficar”. Segundo a pedagoga Maria José Silva, “para receber as crianças, as creches devem estar de acordo com normas da Vigilância Sanitária e do Corpo de-

Bombeiros, como por exemplo, ter o mobiliário adequado com o tamanho e idade das crianças, tomadas de energia protegidas, além de não possuir móveis pontiagudos”. Outras normas importantes a serem seguidas pelos estabelecimentos dizem respeito à limpeza e ventilação do ambiente, ao piso, que deve preferencialmente ser de material agradável ao tato, porque bebês passam muito tempo brincando no chão. É necessário que haja algumas almofadas ou cadeirinhas próprias para acomodar os que ainda não têm muita firmeza em ficar sentados. Também deve haver um local específico para trocar fraldas e um banheiro adaptado para os pequenos. Como todos os lugares freqüentados por crianças, a creche exige medidas de segurança. Na escola onde Maria José trabalha, o momento de mais atenção dos educadores é a hora da brincadeira no parquinho. “Como neste período as crianças estão todas juntas, elas ficam afoitas para brincar, então é necessário que haja mais de uma pessoa por perto, pois esse é o momento onde podem acontecer acidentes”, ressalta a pedagoga. Além das normas e regras estruturais que devem ser seguidas, uma das funções das creches é estimular o desenvolvimento da criança, com profissionais capacitados, tornandoa mais sociável, favorecendo assim o vocabulário e a convivência com outras crianças. Foi visando encontrar essas características que a assistente administrativa, Elaine Clementino decidiu deixar sua filha Sthephany, de 3 anos, na creche. Mesmo com tempo livre para ficar coma menina, Elaine considerou importante a filha ir cedo para a escola. Ela freqüenta a escolinha no período matutino há um ano. “Achei importante a Sthephany ir brincar e se socializar, recebendo estímulos necessários para sua idade. Ela aprende a comer nos horários corretos e tem contato com a leitura. Os profissi-

onais da escolinha desenvolvem as capacidades que ela precisará utilizar mais tarde.” Elaine observa que os resultados foram positivos, pois o comportamento da filha se alterou. “Sthephany costumava ter muita energia e isso fazia com que ela não parasse quieta e sempre brigasse com as irmãs, a rotina com outras crianças faz com que ela conviva melhor em casa”. Segundo a coordenadora da ong Criança Segura, Ingrid Stammer, a relação da escola com os pais é de fundamental importância para o desenvolvimento da criança pois, “os estímulos recebidos em casa devem estar em sintonia com a escola.” Ingrid conta que não adianta a escolinha proporcionar bons ensinamentos para as crianças e os pais não oferecerem os mesmos valores em casa. “A criança não saberá qual atitude é a correta, qual deve seguir, portanto, é importante que os pais também se adaptem às

regras da escolinha”. A coordenadora faz referência, em especial, às normas de segurança repassadas para as crianças nas creches. Se a criança é ensinada, por exemplo, que não deve colocar o dedo na tomada, não deve brincar com objetos da cozinha ou que não pode mexer com produtos de limpeza, não adianta ela chegar em casa e encontrar o caminho livre para fazer todas essas coisas, pois assim ela não vai entender o porquê está aprendendo aquilo. Para Maria Izabel, a única coisa que ainda pode preocupar é a saudade que irá sentir da filha. A administradora está com os dias da licença maternidade contados, mas certamente a palavra preocupação já não faz mais parte de seu vocabulário. “Eu preciso acreditar que ela será bem cuidada. Não adianta eu ficar preocupada, pois tenho que passar segurança para minha filha e para mim mesma”. Juliana Fontes/LONA

Izabel visitou seis creches para escolher onde deixar a filha

Mais tempo com o bebê Foi- se o tempo em que lugar de mulher era somente em casa, hoje elas também precisam pegar no batente. Apesar dos tempos terem mudado, um antigo papel da mulher permanece: a função de ser mãe. Toda grávida tem o direito de se ausentar do trabalho por 120 dias consecutivos sem ter nenhum prejuízo no salário no fim do mês. A proposta para aumentar o tempo da licença maternidade para seis meses foi aprovada, porém nem todas as mamães poderão ser beneficiadas com essa lei. As servidoras públicas já têm o direito de permanecer dois meses a mais em casa. Para funcionárias de empresas privadas, a ampliação da licença só começa a valer a partir de 2010. Como os dois últimos meses são opcionais, ela precisa ser negociada com o empregador. As empresas que concederem às funcionárias mais dois meses de licença-maternidade poderão descontar do Imposto de Renda o valor integral pago de salário durante este período. As micro e pequenas empresas estão excluídas do sistema, e não podem descontar do Imposto de Renda os gastos com a licença estendida. A justificativa é de que essas empresas já pagam um imposto especial, bem menor, e que não descontam o IR em si, não havendo como fazer a isenção. Além disso, os dois meses extras de licença não são incluídos na contagem do tempo de contribuição da funcionária. Assim, as empresas que quiserem beneficiar suas empregadas terão que desembolsar a quantia, o que dificulta a decisão.A medida de ampliação do tempo da licença, também vale para os casos de adoção.


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Os símbolos de Alice Texto e fotos: Fernanda Vasconcelos Composto por personagens enigmáticos, moldes lúdicos, situações que num primeiro impacto não possuem nexo algum, “Alice no País das Maravilhas” abre-se para diversas interpretações. As situações nada convencionais por que Alice passa fazem alusão à transição da infância para a adolescência, fase pela qual a personagem-título está passando. Na primeira foto, é retratada a inerente curiosidade do novo nas crianças. Na segunda foto há uma referência ao Rei e à Rainha do País das Maravilhas, que nada mais são do que cartas de baralho. A terceira foto é um símbolo representando a infância, fase que Alice está deixando para trás e, por último, um jogo, fazendo alusão a um dos últimos capítulos do livro, em que Alice é convidada a disputar uma partida de croquet.

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LONA 453- 08/10/2008