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BRASI

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Curitiba, terça-feira, 2 de setembro de 2008 | Ano IX | nº 429| jornalismo@up.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo |

Candidatos faltam à assinatura de compromisso com a infância Ontem os candidatos à Câmara Municipal de Curitiba tiveram a oportunidade de assinar o “Compromisso pela Criança e pelo Adolescente”. Apesar de 803 candidatos concorrerem às vagas, apenas 87 participaram do

evento. Durante o encontro, os participantes foram alertados a uma nova postura em relação à infância e à adolescência. Segundo dados divulgados em 2007 pela Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), existe mais de

370 crianças vivendo nas ruas da capital do Paraná. E é a superação do olhar preconceituoso sobre essas vítimas da exclusão um dos objetivos da assinatura do documento.

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A banda curitibana Blindagem começou sua trajetória na década de 1970 Ana Letícia Pie/LONA

Conheça um outro jeito de fotografar Pinhole é uma técnica fotográfica artesanal que pode ser utilizada para conhecer os princípios básicos da fotografia.

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Grupo AA completa 40 anos no Paraná O grupo dos Alcoólicos Anônimos reúne pessoas que têm o objetivo de se recuperar por troca de experiências.

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Maria Rita apresenta o show Samba Meu

A cantora veio à capital no último final de semana ENSAIO: Em maio deste ano, o grupo musical se apresentou no Dia do Desafio de Curitiba na Rua XV - Página 8

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A TV do litoral A população de Paranaguá, no litoral do Estado do Paraná, está tendo mais um meio de escolher melhor em quem votar e por que votar. Isso foi possível após a instalação de uma emissora de TV na cidade, tornando realidade um acontecimento histórico, que foi o primeiro debate político veiculado ao vivo para os cidadãos de Paranaguá e todo o litoral. Além disso, estão sendo transmitidas diariamente, no horário político, as propagandas eleitorais dos candidatos a vereador e prefeito de Paranaguá, trazendo muito mais democracia e opções para os eleitores da cidade. O reflexo disso se vê nas ruas da cidade com facilidade, pois evidencia a participação do povo na escolha do melhor candidato. A portuária Elenir Jorge de Oliveira Correia se diz satisfeita com

a novidade e conta que, após a instalação da emissora na cidade, percebeu um interesse muito maior da população nos assuntos do litoral, nos problemas e, principalmente, na política, que, diga-se de passagem, é o assunto que deveria ser muito discutido não só em Paranaguá, mas em todo Brasil. Como estamos em ano eleitoral, toda a mídia concentra esforços nas eleições municipais deste ano. O horário político começa a fazer parte da rotina das pessoas de uma forma discreta, mas muito eficaz. A Importância do horário político é vital para uma escolha consciente do eleitor, já que promove interação candidato-eleitor e mostra com imagens quais são as “promessas”, metas, ideologias e principalmente a “cara” do candidato, para que o eleitor se lembre dele nas eleições seguintes. A população de Paranaguá agradece, e um brinde à democracia.

Expediente Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande;; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton; Pró-Reitor de Pla-

nejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira (colaboração), Elza Aparecida de Oliveira e Marcelo Lima; Editores-chefes: Anny Carolinne Zimermann e Antonio Carlos Senkovski.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

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Conversa de bar Cássio Bida de Araújo

Dennis de Oliveira Correia

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Era uma vez dois bons amigos. Havia dois meses que não se encontravam. Décio vivia bem informado, ligado no que acontecia no mundo. Acompanhava de tudo um pouco, mas não dava tanta importância quando a discussão era esportiva, especialmente sobre futebol. Já Sílvio era aficionado por esportes. Toda santa madrugada estava lá, ligado no que acontecia em Pequim durante os jogos olímpicos. No domingo à tarde, uma semana depois do encerramento da vigésima nona edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, os dois se encontraram no bar para discutir as novidades. - Fala, Sílvio! Tudo legal? - E aí, Décio? Tudo maravilhoso, finalmente vou poder dormir direito, na hora certa! Acabaram as olimpíadas. - Sério? E como fomos? Muitos ouros? - Ih! Nem perto do desempenho de Atenas. Só três. Um na natação e outro no atletis-

mo. Voltamos cheios de pratas e bronzes. - Mas e a Daiane? E o Diego Hipólito? - Esses não chegaram nem perto. A Daiane ainda tentou, mas não conseguiu bater as concorrentes. O Diego errou na última acrobacia e acabou caindo. - Bom, se as coisas foram assim nos esportes individuais, não vou nem perguntar dos coletivos. - Nem fale! Ouro mesmo só no vôlei feminino. De resto: prata no futebol feminino e com o time do Bernardinho. E o futebol masculino... bom, esse deixa para lá. Mas e você, o que me conta de novo? O que eu perdi de interessante em duas semanas? - Ah! Nada de mais. Começou o horário político no Brasil. Morreram algumas centenas de pessoas na Geórgia... - Espera um pouco! Na Geórgia? O que aconteceu por lá? - Um confronto contra os russos por um espaço chamado Ossétia do Sul. Um confronto armado horrível. Lamentável.

- Lamentável mesmo. - E não é tudo, Sílvio! - O quê? Ainda vem me dizer que tem mais? - É isso mesmo! Caiu um avião na Espanha e o acidente matou 156 pessoas. - Nossa! Quanta tragédia! - Para você ver! E ainda tem gente que diz que o mundo pára quando o Phelps nada por uma medalha de ouro. Muita coisa acontece por aí. E ainda mais! Morreram duas personalidades brasileiras. O Caymmi e a Dercy! - Ah, não! Agora você brincou de vez! A Dercy? Dercy Gonçalves? Morreu? - Isso mesmo! Bateu as botas. Aos 101 anos! Aquela que se julgava imortal, morreu. - Desse jeito eu vou embora! Não agüento mais! Agora outra dessas só em 2010 depois da Copa do Mundo. - Ih! Isso se o Brasil for para a Copa. Do jeito que a coisa anda... - É. Não sei, não! Mas vou indo nessa. Um abraço! Até mais, Décio! - A gente se vê Sílvio!

O problema são os veículos aos quais não interessa mostrar o lado podre da vida. Todo dia são dezenas de assassinatos, cada vez mais perto da gente. Dias atrás descobri que um rapaz que morava perto de casa havia morrido. Pô! Morreu nada! “Morreram” ele! Do lado de casa! Foi brutalmente assassinado e retalhado como um pedaço de carne nas mãos de um açougueiro. É o desespero. Essas pessoas “enganadas” vêm para cá iludidas. “Em Curitiba conseguirei melhorar de vida, vou trabalhar, meus filhos vão para a escola, e vamos ter dinheiro”. Desenganados, com a fome batendo a porta, a facilidade e proximidade das drogas – fuga a que muitos recorrem no desespero –, e devendo dinheiro, assaltam, roubam e matam. Cada vez que se faz propaganda sobre qualidade de vida ou se fala sobre crescimento com organização, a cidade vira um caos. São milhares de famílias que chegam querendo sua fatia do bolo, como se fosse fácil.

“É só chegar, seu lugar ao sol é logo ali!” Qualidade de vida não significa necessariamente vagas de emprego sobrando. Não é oportunidade para todos. Pode significar somente que, quem ali vive, está numa boa. Enquanto assistimos a nossos governantes e candidatos se digladiando em programas no mínimo hilários, nossas vidas correm risco. Risco de se extinguirem num piscar de olhos. Risco de não conseguirmos chegar até as urnas no próximo mês. Risco de colocar ali, naquelas tão disputadas vagas de um lugar ao sol, outras pessoas que, como as que ali estão, não darão a mínima para nossa segurança. Continuarão querendo garantir apenas a qualidade de vida. A sua qualidade de vida. Enquanto isso, aquele meu “quase vizinho”, tão bonzinho, coitado, foi condenado a pagar com sangue uma dívida de desespero. Uma dívida criada por ser enganado. Enganado, acima de tudo, por si próprio, que acreditou que, vindo para a capital, sua vida mudaria. E mudou.

Sangue novo Carlos Guilherme Rabitz

Não, não é sobre o prêmio de jornalismo que abordarei hoje. Também não vou dissertar sobre novos talentos descobertos recentemente. Tampouco sobre a explosão demográfica em países subdesenvolvidos. O título é apenas uma ironia com o que vem acontecendo em nossa cidade ultimamente. Uma cidade cantada em prosa e verso pelos quatro cantos do mundo como uma das melhores qualidades de vida existentes. Uma cidade que, por uma grandiosa estratégia de marketing, ficou conhecida como exemplo de bem-estar, custo de vida, receptividade e expansão. Uma cidade que, há alguns anos, vem se desmentindo, se despindo de todos os adjetivos positivos que lhe foram atribuídos. Curitiba, nos últimos anos, vem gradativamente aumentando seus índices de criminalidade. É só dar uma olhada nos jornais. Pouco importa se o jornal é sensacionalista.


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Cerca de 10% dos candidatos compareceram ao ato público

Encontro cobra uma nova postura no tratamento às crianças e adolescentes a aplicação correta dos recursos destinados aos trabalhos do próximo ano. “O que queremos Dos 803 candidatos à Câma- não é nada mais nada menos ra Municipal de Curitiba, apenas do que está na Constituição, pri87 assinaram o termo de com- orizar a infância e a adolescênpromisso com a infância e ado- cia”, argumenta o procurador e lescência — elaborado por movi- coordenador do Centro de Apoio mentos nacionais de defesa dos Operacional das Promotorias direitos da infância numa cam- da Criança e do adolescente, panha que marca os 18 anos do Murilo Digiácomo. Entre as formas sugeridas Estatuto da Criança de do Adolescente (ECA), comemorados em pelo promotor para o acerto na julho deste ano. Entre os candi- aplicação do orçamento público datos presentes no ato estavam na área da infância é a participação dos Conselheiros Tutelarepresentantes de 15 partidos. A iniciativa do ato público foi res e do Conselho Municipal dos do Fórum dos Direitos da Cri- Direitos da Criança e da Adoança e do Adolescente (FDCA) e lescência (CMDCA). Na contao Ministério Público. Na aber- mão desta idéia, neste ano a Câtura do encontro o coordenador mara Municipal manteve o veto FDCA, Fernando de Góes, co- do Prefeito de Curitiba para a brou uma nova postura como proposta de lei em que a partirelação à infância e à adolescên- cipação dos conselhos na elaboração do orçacia. “Nossa socimento se tornaedade ainda tra“Nossa sociedade ria obrigatória. ta as nossas criPara Digiáanças como um ainda trata as noscomo, setores caso de polícia, sas crianças como não prioritários mas não, elas como a publicitêm que ser um caso de polícia, dade — que recaso de política cebe anualmenpública”. Fun- mas não, elas têm dador e coorde- que ser caso de po- te parte significativa dos orçanador da Chácamentos federa Meninos de 4 lítica pública” rais, estadual e Pinheiros – que FERNANDO DE GÓES municipais — trabalha com meninos que viviam em situa- deveriam perder recursos para ção de rua — Góes refrescou a o atendimento à infância. memória da platéia com os dados divulgados em 2007 pela Sem beijo de Judas Fundação de Ação Social de CuO adolescente Rodolfo Monritiba (FAS): mais de 370 me- teiro, morador da Chácara Meninos e meninas moram atual- ninos de 4 Pinheiros, fez parte mente nas ruas da Capital. “A da mesa de abertura do enconfunção de vocês (representantes tro, e lançou uma crítica aos políticos) é servir a comunida- meios de comunicação para a de, mas quase sempre aquilo falta de espaço dado o ato: “Inque se vota não é de interesse felizmente, o jovem só é visto das camadas populares”. quando apronta”. O orçamento de 2009 já pode “É um beijo de Judas”, iroatender ao termo de compro- nizou Rodolfo, referindo-se à misso, já que o orçamento par simpatia com que alguns cano próximo ano ainda não foi vo- didatos se aproximam das critado. Além de tentar implemen- anças e depois não cumprem as tar as ações sugeridas, os vere- propostas de garantia de direiadores em exercício devem fis- tos infanto-juvenis prometidas calizar o poder executivo para durante a campanha eleitoral. Ednubia Ghisi

“...Lembrava das promessas que um dia vi no jornal De uma vida melhor Aqui na capital E o político safado que me disse assim Venha a mim, criancinha, você precisa de mim E no jornal é só desgraça e corrupção É caixa 2, caixa 3, desvio e mensalão Com 13 anos já fui preso por roubar um pão E quando vi tava na frente da rebelião...” Parte da música composta pelos meninos da Chácara 4 Pinheiros, apresentada no Ato Público.

Alcoólicos Anônimos completa 40 anos Aline de Oliveira/LONA

Aline de Oliveira, Caroline Mafra e Gabrielle Chamiço

O grupo Alcoólicos Anônimos do Paraná (AA) completa hoje 40 anos. Para comemorar, será realizado um evento no Centro de Convenções de Curitiba, às 19h45, com a participação da Orquestra Harmônicas e palestras de psiquiatras. O grupo é formado por homens e mulheres com o desejo de se recuperarem do álcool por meio da troca de experiências. Segundo integrantes do grupo, das 12 etapas da recuperação, a primeira é a mais difícil. É o momento em que admitem a dependência alcoólica. Depois deste primeiro passo, eles contam com o apoio um do outro através de reuniões. Segundo o site do AA, por todo o Paraná estão espalhados 300 grupos de combate à dependência do álcool, sendo que 60 deles estão na capital, 60 na Região Metropolitana e o res-

Admitir a dependência ainda é o mais difícil no tratamento tante no interior do estado. Qualquer pessoa pode se tornar membro da irmandade, desde que queira por vontade própria largar o álcool. Para participar não é preciso pagar qualquer taxa. Para o integrante do grupo Paulo Figura, o evento tem uma importância significativa, pois nesses 40 anos muitas vidas foram salvas, inclusive a dele. “Eu já tinha perdido tudo, até mesmo minha família, e hoje vivo feliz. Reconquistei a família e ainda sou útil para

mim e para a sociedade. Faz 19 anos e quatro meses que não bebo. Sou um ser normal sem beber”, conta. O objetivo da reunião de hoje é mostrar para a sociedade que o programa do AA dá certo. O alcoolismo é uma doença grave que está na casa e na vida de muitas famílias brasileiras. Paulo Figura faz o convite: “Sabemos que atualmente muitas famílias sofrem com este problema. Se alguém desejar parar de beber, procurem-nos”.


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A técnica pinhole é um processo artesanal com princípios básicos da fotografia

Especial

Escrever com luz Letycia Santos Marisa Rodrigues

Madeira, cola para madeira, tinta, pregos, courvin, dobradiças e placas de latão, um cartucho de filme 35 mm vazio, furadeira, dremel. 12 cm de largura, 6 cm de profundidade, 7 cm de altura. Depois de 20 horas de trabalho, divididas entre desenhos, estudos e construção e está pronta uma câmera fotográfica. Feita pelo fotógrafo e estudante de Design da UTFPR Luciano de Sampaio, a câmera pinhole encomendada pela artista Rosana Erci custou R$ 80. Pinhole - do inglês, buraco de alfinete - é a técnica que permite que o fenômeno fotográfico ocorra em um ambiente sem a presença de lentes. A projeção de imagens por este método é uma lei física, conhecida Luciano de Sampaio

pelo homem desde a Antigüidade. Antes do advento da fotografia, no século XIX, as projeções pinhole eram usadas em instrumentos científicos de visualização de eclipses e na astronomia. Nas artes, as imagens pinhole tinham função de molde para os pintores paisagistas. Até mesmo Leonardo Da Vinci estudou perspectiva através do princípio da fotografia de orifício. Um furo é o que permite a formação da imagem em um recipiente ou espaço vedados da luz. O tamanho de furo feito com uma agulha ou alfinete depende do recipiente utilizado, que deve servir como câmara escura. Latas e caixas das mais distintas proporções ou até espaços menos convencionais, mas com entrada de luz que possa ser controlada, como um refrigerador, um baú, um armário, uma sala, ou um automóvel viram máquinas fotográficas. Este furo pode ser determinado através de uma fórmula matemática relacionada às dimensões do recipiente escolhido. Quando bem calculado, garante às imagens nitidez. O furo é sempre minúsculo se comparado à dimensão da câmara escura, o que faz com que o tempo das exposições do material

fotossensível seja relativamente longo, diferentemente do click das câmeras fotográficas convencionais. Podem ocorrer também as chamadas aberrações, isto é, distorções que as imagens sofrem quando o recipiente não possui paredes planas. Por fazer com que se compreendam os princípios fundamentais da fotografia, como profundidade de campo e tempo de exposição, a fotografia pinhole é utilizada em universidades ou em cursos básicos de fotografia. Cícero Gonçalves Zeni, formado em Cinema no Rio de Janeiro, aprendeu a técnica em 2001. Zeni ensinou fotografia pinhole a alunos do 1º e 2º anos de Design e defende que os estudantes de Artes Visuais devem ter aulas de pinhole para que descubram a autêntica “escrita com a luz”. Ao constatar a escassez de material a respeito em português, Sampaio resolveu desenvolver, como Trabalho de Diplomação, um livro que sirva de orientação no uso da pinhole como artifício didático em aulas de fotografia. Segundo ele, a maioria das publicações trata da câmera de latinha sem aprofundamento.

As oficinas As oficinas desempenham um papel fundamental no despertar do interesse na fotografia pinhole. Sampaio passou a gostar de pinhole em 2005, durante um curso de fotografia do Centro Europeu, cujo primeiro módulo foi dedicado a esse tipo de fotografia. Um ano depois, Sampaio realizou uma oficina semelhante na UTFPR. Apesar de procurar se aprofundar no assunto, participou de poucos cursos e oficinas, como um realizado na Casa da Videira com o grupo de jovens do projeto Nós na Tela. Em Curitiba, existe um pequeno grupo de pessoas que trabalham com pinhole. Já no exterior, o gosto pela técnica é maior. A internet é uma aliada. Recentemente, Sampaio participou de uma conversa

Luciano de Sampaio

O orifício preciso permite uma foto bem definida sim, tudo deu certo. Foram 90 voluntários, entre fotógrafos e iniciantes em fotografia que participaram de oficinas ministradas pelo fotógrafo profissional Daniel Sorrentino. Os participantes, tanto voluntários quanto crianças, aprendem a teoria da fotografia, prática da técnica de fotografia pinhole; montam e testam as câmeras que são usadas. O grupo é instruído sobre noções de tempo de exposição, luz e mateProjetos voluntários Em 2007, no WPPD, foi re- rial utilizado. A teoria da técnica de pinhoalizada a primeira edição do Curitiba na Latinha, organi- le é indispensável, por muita zado pelo Rotaract Club. Esse gente desconhecê-la. “Ninguém evento surgiu de uma parce- entendia no início o que era o ria das Instituições Cores da projeto. Eu dizia ‘foto pinhole, Rua e Arte Geral, ongs que foto de latinha’ e apontava para exercem trabalhos apoiados no a lata e ninguém compreendia o que eu queria resgate social dizer, não entenpor meio da diam que aquilo arte, e do Rota“Ninguém era uma câmera ry e Rotaract acreditava que fotográfica”. Clubs do bairro De acordo Bom Retiro. com uma com Mello, há “Proeza” latinha também um trapode definir a balho de consciprimeira ediconseguia tirar entização, pois ção: o coordenafotos” as latinhas vidor do projeto, nham de uma Rodrigo Mello, RODRIGO MELLO, associação de cafilho de fotógraCOORDENADOR DO tadores de lixo. fo e que está no CURITIBA NA LATINHA O Curitiba Rotaract Club na Latinha teve do Bom Retiro uma repercusdesde 2002, conseguiu, em apenas um mês, são grande: além de ser escoelaborar o projeto, calcular o lhido como melhor projeto do orçamento, obter recursos e Rotaract Club do Brasil, tendo patrocínios e formar um gru- sido premiado na Bahia, e tampo de voluntários. Ainda as- bém dos distritos, foi parabe-

com outros fotógrafos interessados em pinhole de outros países através do Skype, depois formatada em podcast. Com o intuito de promover e celebrar a fotografia pinhole, é realizado todo último domingo de abril em várias cidades do mundo o World Pinhole Photography Day (WPPD). As fotografias produzidas neste dia são postadas no site do evento.


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nizado pela secretária de Cultura de Leme (SP) e tema de uma reportagem exibida no programa Enfoque da TV Educativa.Neste ano, foram feitas três oficinas para capacitação de voluntários do evento ministradas pelo fotógrafo profissional Daniel Sorrentino e um dia foi destinado ao ensino e à prática de pinhole. As crianças da Acridas, uma institutição que cuida de menores em processo de adoção, registraram imagens de locais turísticos e parques curitibanos. O número de voluntários aumentou: foram aproximadamente 100, cada um responsável por duas crianças. Durante a manhã, as crianças fotografaram no Museu Oscar Niemeyer e, após o almoço, subsidiado pelo próprio projeto, visitaram o Jardim Botânico. Mello conseguiu até o transporte. Os “caminhõesbaú” usados em 2007 como laboratórios de revelação foram substituídos neste ano por contâiners. O valor das câmeras fotográficas é baixo. Porém, é alto o custo das revelações das fotografias, o que pode inviabilizar projetos como esse. A dificuldade em achar um espaço que sirva de laboratório é outro obstáculo. O coordenador do Curitiba na Latinha pode afirmar com propriedade, afinal adaptou a sauna da sua

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casa para poder revelar. “Improvisar” é também outra palavra relacionada à fotografia pinhole. Além de sua experiência pessoal com o laboratório arranjado de Mello, vasos sanitários serviram de mesa no Curitiba na Latinha.

de revelação, sabe que a fotografia pinhole é muito mais artesanal, apesar de fazer parte de uma geração que presenciou o advento do processo digital. O dono da escola e estúdio fotográficos Portfolio e proExperiências na UP 2007 também foi ano de no- fessor de fotografia vidade em fotografia para cri- dos cursos de Design anças de escolas vizinhas ao e Publicidade e Procâmpus da Universidade Posi- paganda, Genésio de tivo. A Oficina de Criação do cur- Siqueira Júnior, afirso de Design, projeto idealizado ma que o projeto é impelo professor e coordenador do portante para trazer curso Antonio Razera e organi- o lúdico e que as crianças zado pelo aluno do são o 4º ano Leandro público ideTelles inseriu au“Tem um ou al. Elas ainda não las de fotografia outro maluco possuem a rigipinhole no projeto, dez do olhar dos que envolve uma que faz um adultos, tendo atividade esporticurso de uma percepção va, como pipa e boa para as imabets. As crianças fotografia e gens. “Um olhar são monitoradas coloca a lata infantil, sem por alunos volunmedo de errar e tários do curso, pra rodar” sem compromisque são, normalLUCIANO SAMPAIO so. Acho que é asmente, calouros. sim o verdadeiro “A idéia do projeto é resgatar o processo artesanal aprendizado”, afirma Siqueira. O estudante Luciano Samda fotografia, o processo analópaio acha que fotografia pinhole gico”, diz Telles. “Sei que o resultado é dife- não é levada a sério, o que talrente do digital, que não é a vez ameace a sobrevivência desmesma coisa”. A participante se tipo de prática. “A maioria dos Desireé Janaina Glock, assim projetos tem a intenção de usar como Matheus Jagnydcz, que a pinhole para divertir a criangostou bastante do laboratório çada, que é um objetivo nobre e Rosana Erci

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legal, mas não é a totalidade do negócio. Quase ninguém leva além disso”, declara.

Sobreviverá a pinhole? Apesar de utilizar câmeras fotográficas convencionais, Sampaio mantém o otimismo. Segundo ele, a fotografia pinhole sobreviverá. “Enquanto tiver filme no mercado, vai ter gente fazendo, com certeza, até porque sempre tem um ou outro maluco que faz um curso de fotografia e coloca a lata pra rodar. O WPPD/Curitiba na latinha também ajuda a manter viva a idéia”, diz. Xica, Michelle, Christine e Charlotte. Tais nomes não se referem a namoradas, amigas ou barcos. São algumas de suas máquinas fotográficas, as de lentes. “A gente precisa trabalhar,

o de Samp

né?”, indaga Siqueira, consciente de ter a fotografia pinhole restrições e peculiaridades, não sendo tão ágil no registro do cotidiano ou na produção de fotografias que exijam a qualidade da digital. Já Rosana Erci, que deu uma oficina de pinhole no Colégio Sion, acrescenta: “Pode ser que as pessoas talvez comecem a se interessar exatamente por causa da banalização da fotografia digital, o que faz com que se volte a pensar sobre o processo artesanal”, afirma a artista. Até mesmo o coordenador do Curitiba na Latinha ambiciona ensinar fotografia digital às crianças do projeto na edição de 2010, apesar de a idéia ter partido da fotografia pinhole.

FAÇA A SUA CÂMERA PINHOLE

Fotografia pinhole da oficina ministrada pela fotógrafa Rosana Erci

Os materiais utilizados na fabricação são bem simples. Lata de achocolatado, tesoura e agulha.Papel preto para forrar todo o recipiente, inclusive a parte interna da tampa e fita isolante. O furo por onde passa a luz é bem pequeno e deve ser feito com a agulha. Na parte de fora da lata deve ser feito uma aba que vai proteger o furo. Ela pode ser confeccionada com um pedaço de papel preto e colada com a fita. Depois de pronta a câmera, o papel fotográfico (encontra-

do em lojas para fotógrafos profissionais) deve ser colocado em um ambiente totalmente escuro ou com luz vermelha. O tempo de exposição vai variar conforme o clima. Quanto mais sol e luz, menor o tempo de exposição.Informações sobre câmera pinhole estão nos sites www.pinhole.com www.curitibanalatinha.org.br www.pinholeday.org www.pinholeresource.com www.withoutlenses.com www.pinhole.org www.f295.org

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Em meio a pilhas de filmes vistos diariamente, Matheus sonha em ser cineasta

O mecânic show de Matheus Bruna Gorski

Uma televisão, um DVD e, nos dias de frio, uma cobertinha sempre acompanha o chocolate e a bolacha ali no sofá. São raros os dias da semana em que lá pelo meio da tarde ele não esteja ali, deitado no sofá da sala, com as cortinas fechadas, em frente à televisão, assistindo um daqueles filmes que você nunca ouviu falar e depois descobre que é um clássico. Ou então lá em cima, em seu quarto, dormindo. Este não é o “típico adolescente”, embora tenha sim suas chatices, mau humor, e uma certa rebeldia que aparece vez ou outra quando diz aos pais: “Daqui um ano vou fazer o que eu quiser, se eu quiser trabalhar eu posso, se não quiser mais estudar, também não preciso. Vou poder fazer qualquer coisa. Vou ser maior de idade”. Mas bastam alguns segundos de reflexão e ele percebe que as coisas não são bem assim, e logo faz com que todos esqueçam o comentário presunçoso, soltando uma daquelas piadas que sempre acabam com seu pai rindo e dizendo: “Esse guri parece uma personagem de cinema, acho que ele assiste a tanta televisão que acaba pensando que está em um filme”.

Matheus Rego, 17 anos, não pensa que faz parte de um filme, embora diga algumas vezes achar que sua vida é como a de Truman: “Eu sei que isso aqui é tudo uma farsa, que eu estou no Show do Matheus”, só para puxar uma daquelas conversas estranhas sobre a origem da vida e o porquê das coisas serem como são. Às vezes ele até parece uma personagem mesmo, com frases daquelas que você só vê em um filme do Jack Nicholson. Está aí, se tem um ator que ele gosta é o Jack Nicholson. Já assistiu a todos os seus filmes, principalmente a “O Iluminado”, mas confessa que ainda não entendeu o final. “Os filmes do Kubrick têm que assistir mais de uma vez, pra entender o que ele realmente quis dizer”. Nisso ele não vê problema. Já assistiu “Laranja Mecânica” mais de dez vezes e se você o convidar para assistir de novo, ele vai até seu quarto, busca o filme que faz parte da sua coletânea do “melhor diretor já existente”, como se refere a Stanley Kubrick, e sim assiste ao filme inteiro mais uma vez. Matheus não se atém apenas a bons filmes e diretores, sua cultura cinematográfica tem se tornado cada vez mais ampla, embora algumas vezes, meio

duvidosa. Outro dia estava lá assistindo “Plano 9 do Espaço Sideral”, do Ed Wood, considerado o pior diretor que já existiu, mas tudo bem porque ele justifica dizendo, “se quero ser diretor tenho que conhecer tudo. E até que isso aqui é engraçado”. A idéia de ser cineasta já vem de algum tempo, embora ninguém saiba ao certo de onde surgiu essa vontade. Quando era pequeno ele dizia que queria ser bombeiro, astronauta, cientista, mas depois de um tempo, decidiu que o que queria ser mesmo era “polícia e ladrão”, parece que ele já gostava de dinheiro desde pequeno. Conforme o tempo foi passando, deve ter percebido que a relação custo-benefício da atividade que queria não era muito boa, aí veio com esta idéia de fazer cinema. No começo todo mundo achou que era uma vontade passageira, daquelas que ele sempre teve, como o basquete, o futebol, o teatro, o judô. Mas o negócio veio para ficar. Começou a assistir três, quatro filmes por dia, a ler sobre o assunto, se interessar por fotografia. Fez uns filmes caseiros e até um curso de cinema em São Paulo nestas últimas férias. Claro que ele não foi sozinho, afinal de contas ele é o “raspa do tacho,”como diz seu Bruna Gorski / LONA

Bruna Gorski / LONA

pai, e como todo bom caçula, é mimado e meio dependente. Adorou o curso, tanto que veio com essa idéia de que “faculdade de cinema tem que ser em São Paulo, aqui em Curitiba não é bom e não tem mercado para isso”. O que ele queria mesmo era ir para o exterior, mas seu pai logo o convenceu de que é melhor fazer ao menos um ano de faculdade em São Paulo para ver se é isso mesmo que ele quer e depois ir para fora. Na verdade São Paulo é mais próximo que qualquer outro país, o que facilita, já que a idéia de que o mais novo dos três filhos vai morar longe de casa, não agrada muito aos pais nem aos irmãos. No fundo parece que não agrada muito nem a ele mesmo. Ter que lavar roupa, arrumar a casa, fazer comida, vai ser complicado, já que uma de suas teorias é “não faz sentido arrumar a cama já que eu vou bagunçar de novo para dormir”. A vontade de independência pode ser grande, mas o pequeno garoto de um metro e oitenta tem uma preguiça que é muito maior que ele. Tanta que demora até para andar. Outro dia ele estava no aeroporto, atrasado para o embarque e sua mãe pediu pra que fosse correndo na frente para segurar o avião. Quase perderam o vôo. Esta é uma coisa que deixa sua mãe nervosa, a velocidade com que ele faz as coisas. Ele diz que é devagar porque quer “é de propósito, pra vocês não me pedirem mais favor”. Mas a realidade é que ele é tão calmo, que tudo que o que faz

acaba se tornando calmo e conseqüentemente, devagar. Não esquenta a cabeça com nada. Ano passado ficou com nota ruim em todos os bimestres em química. Nem ligou “no final do ano eu estudo e passo”, frase que quase tirou seu pai do sério. Mas no final do ano, com a maior calma do mundo, estudou e passou. Ele só se preocupa de verdade quando o assunto é doença. Quase sempre sente algo novo, geralmente os sintomas vêm acompanhados com o que acabou de descobrir sobre uma doença. Ultimamente ele acha que pode estar com dengue, afinal de contas, “tem tanta gente no Rio de Janeiro pegando dengue. Tô com dor de cabeça, mas é melhor não tomar remédio né, pode mascarar os sintomas”. Seus pais ficam quase loucos com os comentários e reclamações de dor que aparecem quase todo mês. Mas mesmo assim, o levam ao médico, fazem exames, só por precaução, ou apenas pelo fato de ele ser o caçula. Matheus pode ser meio devagar, preguiçoso, hipocondríaco e mimado, mas não se importa. Contanto que ele tenha um filme para ver, e um docinho pra comer, tudo bem. Televisão ligada, um programa de TV, um chocolate ao lado e nos dias de frio uma sopinha na mão. São raros os dias da semana em que lá pelo final da tarde ele não esteja ali, deitado no sofá da sala, com as cortinas fechadas, em frente a televisão, assistindo um daqueles seriados tipo Friends.


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Apesar das críticas, a cantora ganhou vários prêmios e destaque internacional

Maria Rita trouxe seu samba a Curitiba Evelise Toporoski

Para aliviar a dor na garganta, entre uma música e outra, ela toma um grande copo de água e continua a cantar. Maria Rita subiu pela segunda vez no palco do Teatro Positivo no último sábado, com o show Samba Meu. Nessa apresentação, o frio abalou a saúde da cantora, que se desculpou antecipadamente por estar se recuperando de uma gripe. Mas o incômodo não atrapalhou o andamento do show, que mesclou músicas dos três discos, como “Encontros e Despedidas”, tema da novela global Senhora do Destino (2004/ 2005); “Caminho das Águas”, do disco Segundo (2005), que recebeu o Grammy Latino de Melhor canção brasileira de 2006, e as músicas do álbum lançado ano passado; Samba Meu, com a música “Tá Perdoado”, parte da trilha sonora da novela Duas Caras (2007/ 2008). De barriga de fora e saia com abertura até o joelho, a cantora apareceu mais sensu-

al do que nas primeiras apresentações ao público com 24 anos. Agora, prestes a completar 31 anos no próximo dia 9, ela também mostra diferença nas músicas do novo disco, que traz mais samba, letras populares, mas sem perder a elegância demonstrada nos trabalhos anteriores. O resultado foi a venda de mais de 125 mil cópias do Samba Meu. Maria Rita fica bem à vontade no palco, dançando e cantando em todo espaço. Pode ser uma herança dos pais também músicos Elis Regina e Camargo Mariano. Entretanto, seguir carreira musical não foi algo imposto pela família, pois a mãe faleceu quando ela tinha quatro anos e o pai recusara ensinar a menina tocar piano porque tinha aprendido sozinho e ela deveria fazer o mesmo. Cantar ela também não aprendeu, apenas soltava a voz e pronto. Mais tarde fez aulas e aprimorou até gravar o primeiro CD, Maria Rita (2003). No início da carreira, a cantora sofreu críticas e comparação com Elis Regina. Mesmo assim, recebeu prêmios e destaque

Luciano Sarote/LONA

A cantora Maria Rita apresentou seu show Samba Meu no último sábado em Curitiba internacional. Em 2004, recebeu o Grammy Latino nas categorias revelação do ano, melhor álbum MPB e melhor canção em português (“A Festa”); prêmio Faz a Diferença (jornal

O Globo); melhor cantora do Prêmio Multishow, prêmio TIM nas categorias revelação e escolha do público. O disco Segundo tem mais dois Gramys Latinos de 2006 por melhor álbum de

MPB e melhor canção brasileira do ano. O último álbum, de setembro de 2007, foi lançado nos Estados Unidos, América Latina, México, Portugal, Israel e Reino Unido.

Fórum discute uso de óleo diesel em veículos de passeio e comerciais Divulgação

Diana Axelrud

Aconteceu nos dias 28 e 29 de agosto, no EXPO Unimed Curitiba, o 5° Fórum SAE Brasil de Motores Diesel. A SAE é uma organização sem fins lucrativos, que congrega engenheiros, técnicos e executivos de todo o Brasil, dispostos a disseminar técnicas e conhecimento relativos à tecnologia da mobilidade. No fórum discutiram-se as vantagens e a viabilidade da legalização do uso do diesel como combustível para automóveis (de passeio e comerciais) no Brasil. Representantes de várias empresas automobilísticas participaram do Fórum, assim como membros da Petrobras. O uso do diesel como com-

bustível para carros de passeio é proibido no Brasil desde 1976, e o motivo foi a crise do petróleo da década de 1970. Um dos palestrantes do Fórum e consultor Sênior da Petrobras, Luiz Correa, disse acreditar que o diesel possa ser utiliza-

do no país entre 2011 e 2014. Para Correa, o aumento da frota de carros nas ruas brasileiras tem relação com o crescimento do PIB. Olivier Boutand, representante da Renault, falou ao público sobre o sucesso do motor a die-

sel na Europa. Boutand fez apenas uma ressalva: para que seja possível o uso desse combustível no Brasil, deverá haver uma limpeza diesel brasileiro, retirando-se o enxofre presente. Uma das vantagens do mo-

tor a diesel é que ele é mais econômico e necessita de menos manutenção. Apesar de no Brasil não ser permitido veículos de passeio a diesel, o país exportou cerca de 25 mil veículos movidos a esse combustível entre 1999 e o primeiro quadrimestre de 2008. Luso Ventura, presidente da SAE Brasil, defendeu que os táxis que utilizam Gás Natural Veicular (GNV) como combustível deveriam passar a usar (quando permitido) o diesel. Dessa maneira, os táxis não precisariam de tanta manutenção e teriam mais espaço no portamalas. Para Ventura, os beneficiados por essa mudança seriam muitos: taxistas, meio ambiente, população, os consumidores e a matriz energética. O Fórum encerrou-se com uma mesa redonda moderada pela jornalista Adriane Werner.


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Uma banda curitibana Texto e fotos: Ana Letícia Pie

Nos anos 70, na época do auge do rock, surgiu em Curitiba a banda Blindagem. O trajeto da banda foi longo: passou por bares, festivais, comícios, praças, clubes, teatros e outros lugares. Em 1980, a banda tocou no Teatro Guaíra pela primeira vez e gravou seu primeiro vinil. Fez algumas apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas Curitiba sempre foi o lugar onde sua música tinha mais força. Em 2007, a banda tocou com a Orquestra Sinfônica do Paraná, com casa cheia, no Guairão, apresentação que uniu rock e música erudita. A banda Blindagem até hoje contagia o público com sua música. Em maio deste ano, tocou na Rua XV e ajudou promover o Dia do Desafio em Curitiba.

Curitiba,

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LONA 429- 02/09/2008