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R DIÁ do Curitiba, terça-feira, 25 de setembro de 2007 | Ano VIII | nº 362| jornalismo@unicenp.edu.br| Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Positivo | UnicenP|

Haru Matsuri comemora 100 anos da imigração japonesa Ana Luisa Toledo/LONA

A 17ª edição do festival Haru Matsuri celebrou os 100 anos da vinda dos japoneses ao Brasil. O evento, realizado no Museu Oscar Niemeyer nos dias 21, 22 e 23 de setembro, apresentou manifestações artísticas japonesas como poesia, pintura, dança e música. Quem compareceu à celebração pôde degustar comidas típicas e apreciar a cultura oriental dos mangás, origamis e bonsais. Página 3

Festa reúne descendentes de japoneses de todas as idades

IO

L BRASI

Geral

Feira da Primavera abre oportunidades para pequenos comerciantes Página 3

Comunidade

Idosos fazem novas amizades nos grupos de convivência em Curitiba Página 6

Daniel Mocelin/LONA

Geral

Comerciante inicia abaixo-asssinado contra empresas de telemarketing Ensaio fotográfico mostra as belezas de Palmas do Arvoredo Página 8

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Feira da Primavera da Praça Osório vai até 13 de outubro

Feirantes reclamam de falta de manutenção Amanda Lara

A Feira da Primavera, aberta no último sábado na Praça Osório, é mais uma oportunidade de negócios para pequenos comerciantes e artesãos que, normalmente, participam de outras feiras de época, como a da Páscoa, do Natal ou do Pinhão. Os visitantes podem encontrar barracas de comida e bebida, como sanduíches, chocolate caseiro, água de coco e sorvete, e também barracas de artesanato que vão desde enfeites com temas de primavera até roupas e sapatos. O céu nublado e o tempo abafado do fim de semana não impediu que muitas pessoas fossem prestigiar o primeiro dia da primavera na feira, que homenageia a estação. Apesar do movimento, os comerciantes reclamavam da falta de divulgação do evento e também das condições precárias das barracas. Henrique Celso Tortora atua em feiras há 40 anos e atualmente está trabalhando na Praça Osório, na barraca da Pamonha e do Mel. A barraca possui alimentos derivados de milho e mel, e o feirante garante que para manter a clientela é necessário um bom atendimento. “Os vendedores têm que ter mais respeito com os consumidores, pois quem trata bem tem freguês”. Para Fabiano Barbosa, de 21 anos, a feira é um lugar agradável para passear e comprar. Mas o que não agrada ao consumidor é a falta de atenção dos vendedores em relação aos visitantes. “Tem vendedor que nem levanta para atender e quando o fazem tratam mal, falta educação e respeito”. Mas as reclamações não param por aí. Hilson da Silva, de 62 anos, é visitante assíduo de todas as feiras, pois mora perto

Serviço A Feira da Primavera da Praça Osório acontece diariamente das 10h às 22h e vai até o dia 13 de outubro.

da Praça Osório. O consumidor sempre acompanha os feirantes e suas barracas e faz uma crítica: “Há muitos anos o então prefeito da época, Rafael Greca, inaugurou a primeira feira na Praça Osório, e de lá pra cá nunca foi feita uma manutenção nas barracas. Elas estão velhas pra caramba, sujas e as peças não encaixam, o que acaba sendo perigoso para os visitantes e também para os próprios feirantes”. O aluguel de cada barraca custa R$ 800 e normalmente os espaços são divididos para reduzir custos. Nas barracas de artesanato são até quatro pessoas e as barracas de comida são compartilhadas por duas pessoas. Além do aluguel os feirantes têm que pagar R$ 200 para os seguranças, que abrem e fecham as barracas e, claro, fazem a segurança durante a madrugada. O feirante Zaqueu Fernandes trabalha na barraca de brinquedos artesanais, diz que desde que a feira foi inaugurada nunca houve mudanças nas barracas, nunca é feita manutenção e o que é pior, os feirantes não têm incentivo da prefeitura. Ele comenta que muitas vezes o dinheiro que se investe nas feiras não tem retorno. Os produtos não são caros, mas estão faltando compradores e principalmente a atenção da prefeitura. “Só com o dinheiro da feira não dá para sobreviver, é necessário ter uma outra função”, comenta Zaqueu. Maria Luiza Tortora, 54 anos, casada com Henrique, da barrada da Pamonha e Mel, diz que o baixo movimento da feira é por falta de divulgação da Prefeitura. Mas, mesmo com tantas reclamações, ela comenta que a feira não perde seu charme. “Muitas pessoas nem compram, mas sempre arranjam um tempinho para passear e conversar um pouco”, diz. Para as próximas semanas, os curitibanos esperam dias mais quentes, roupas mais leves e, claro, ruas mais floridas, afinal a primavera, estação das cores e das flores, começou oficialmente no último domingo.

Festival Haru Matsuri marca 100 anos da imigração japonesa Ana Luisa Toledo/ LONA

Renato Amendola Ana Luisa Toledo Natu Marques Lisiane Amarante

O Museu Oscar Niemeyer deu lugar à comemoração da Centésima Primavera da Imigração Japonesa – Haru Matsuri Imin 100, entre os dias 21 e 23 de setembro; esta é a 17ª edição do festival em Curitiba. Com diversas atrações e muita alegria, os descendentes de japoneses e brasileiros celebram juntos a chegada da estação das flores. O Japão é considerado um dos países que mais se identifica com a primavera no mundo. Para os japoneses, na primavera a alma das plantas está nas flores; no verão nas folhas, no outono no caule e no inverno repousa nas raízes. Por isso a importância de festejar a primavera, pois quando a alma está na flor, os seres humanos devem prestar homenagens à natureza, para garantir boas colheitas durante o ano. As homenagens são feitas através de manifestações artísticas, como a poesia, pintura, dança e a música. Tudo isso estava reunido nos dois palcos do Haru Matsuri. Dentre as barracas, os visitantes podiam apreciar as diversas formas da cultura japonesa, como o mangá (histórias em quadrinho), origami (dobraduras), bonsai (árvore anã) e a famosa culinária, que atraiu muita gente nas duas estruturas que compunham a praça de alimentação. Os pratos mais procurados eram sushi, sashimi, hamuraki (rolinho primave-

Artesanato e muitas atrações culturais no MON ra) e o tempurá (fritura crocante com legumes empanados em farinha fina). Uma das mais belas apresentações foi a de um grupo composto por crianças e jovens que tocavam taikô, espécie de tambor que animou quem parou para assistir. O grupo apresentou a música “Kizuna”, que tem um significado de elo entre o Japão e o Brasil. No sábado, aconteceu a apresentação das tradicionais “deusas da primavera” – Yumie Nakahashi, de 18 anos e Yzumi Tomazawa, de 32 anos - belas e simpáticas moças responsáveis pela propagação do amor e da alegria durante o evento, distribuindo fitinhas da sorte aos visitantes do festival. O palco um foi lugar da apresentação de cantores infanto-ju-

venis e adultos, bandas, artes marciais e várias outras formas de manifestação artística japonesa. Para Alwssa, 12 anos e Narumi, 11 anos, que participam do festival há quatro anos, esta é a grande oportunidade para fazerem o que gostam: cantar músicas japonesas, preferencialmente infantis. “Eu adoro cantar aqui, espero o ano todo! Mas é um pouco difícil porque eu não falo japonês ainda, mas faço aulas”, disse Narumi ainda ofegante após a apresentação. Ao mesmo tempo, o palco dois – que era comandado por jovens – estava bastante animado com a Matsuri Dance, desfile Cosplay, duelos, gincanas, karaokê.


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Apesar dos riscos, trabalhadores estão satisfeitos com o que fazem

Profissionais se arriscam no dia-a-dia Aline Sajnaj Suelen Ivanovski

Segundo ele, o taxista deve ficar atento com pedidos de corrida pelo celular: “Outra coisa, é a forma com que pedem troco. Se pedem troco para R$ 50 é sempre bom ficar alerta, já que corremos o risco de sermos assaltados porque não é troco que às vezes eles querem, mas é para ver se o motorista vem com a certa quantia que eles pedem e assaltam". Apesar de sempre tomar estes cuidados, Silveira já foi assaltado várias vezes: "É uma loteria, no mesmo instante que você está no ponto, você pode ser escolhido". Atualmente ele acredita que o perigo está em todos os lugares, em qualquer tipo de trabalho. "Não tem escolha, ou você trabalha sem pensar em riscos ou você acaba não trabalhando."

Pressa, correria, cobranças, hora marcada. Assim é a vida dos motoboys, que diariamente enfrentam as movimentadas ruas de Curitiba. Foi num dias destes que o motoboy Elton da Silva se acidentou. Ao fazer uma conversão proibida, bateu na porta dois do biarticulado e foi parar na porta cinco. A seqüela que adquiriu foi um braço menor do que o outro, mas há várias conseqüências de outros acidentes. No momento, ele está fazendo implante de dentes devido a uma batida na traseira de um táxi. Os riscos da profissão dos motoboy são inúmeros, pois eles enfrentam chuva e trânsito prati- Duplo Perigo camente sem proteção. "Com a Outra profissão que, além da moto, queira ou não, caiu você criminalidade, também é afetase rala", afirda pelo trânsima. Há quatro to é a Polícia Os riscos para os anos na ativiMilitar. O Codade, Elton já motoboy são inúme- mandante da 4º perdeu as conCompanhia do ros, pois eles entas de quantos 12º Batalhão, tombos levou e, Hudson Leônfrentam chuva e mais de uma cio Teixeira, potrânsito praticavez, pensou em licial militar trocar de emmente sem proteção há 19 anos, prego. Segundo conta que os ele, não vale a policiais estão pena passar por todos estes ris- muito mais expostos à situações cos, mas a necessidade de traba- de criminalidade do que outras lhar o faz enfrentá-los diariamen- pessoas: "Nós vamos de enconte. "Para falar a verdade, isso tro a tudo o que as pessoas foaqui é uma arma engatilhada na gem. Elas fogem de assaltos, de sua cabeça, mas fazer o quê... tem furtos, de veículos roubados. O que trabalhar", desabafa. policial tem que ir atrás e tenOutros profissionais que tar localizar o infrator." também estão diariamente no O risco é eminente e os cuitrânsito são os taxistas que, dados indispensáveis. O policialém dos perigos nas ruas, so- al tem que estar bem preparafrem com a criminalidade. Com do em todas as horas. 25 anos de profissão, João SilO comandante afirma que ao veira de Azevedo acredita que mesmo tempo em que eles podem hoje o trabalho do taxista se tor- estar lidando com uma pessoa do nou mais perigoso por causa do bem, um pai de família ou uma crescimento de Curitiba: "Com senhora, pode ser também um isso, além das coisas boas vêm infrator. É por esta razão que as coisas ruins também". Silvei- muitas vezes são feitas abordara conta que é necessário tomar gens e revistas. Tudo isso é pela certos cuidados, como calotes segurança do policial em serviço. com cheques ou pessoas que Os perigos são vividos diarimandam alguém mais novo pe- amente pelos policiais. Confrongar um táxi e no final da corri- tos armados, roubos a banco, da tem assaltantes esperando. situações com reféns e luta cor-

poral são apenas alguns dos riscos da profissão. Hudson conta que uma vez pegaram uma senhora como refém em Pinhais e passaram a telefonar para a casa da vítima para solicitar resgate. Na época ele trabalhava na Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), que assumiu a ocorrência e passou a negociar. Nessa negociação eles conseguiram localizar o paradeiro, porém o seqüestrador não acatou a ordem para se entregar, houve confronto e o infrator morreu. O policial já se envolveu em diversos acidentes com motocicletas. Para ele, os motoristas de hoje são mal educados. "Às vezes o condutor de um veículo comum não abre passagem para a viatura em ocorrência, a motocicleta policial também não é vista e aí o policial acaba se acidentando, tentando salvar a vida de outras pessoas", conta. O estresse é mais um problema enfrentado pelos policiais, pois eles lidam com coisas ruins. "As pessoas procuram o policial não para conversar, mas sim para passar problemas. Elas vêem no policial um caminho, uma alternativa de solução para aquele problema. E por mais preparado que seja, ele acaba assimilando um pouco deste estresse, do problema que a pessoa tem". Apesar dos riscos e preocupações, Hudson resume sua dedicação à profissão em uma palavra: "É gratificante ser policial, muitas vezes ver um sorriso de uma pessoa numa ação que você obteve êxito é gratificante". Ele lembra de um casal de idosos que levou um bolo ao posto policial como forma de agradecimento. O motivo? Uma simples ajuda que os policiais deram ao senhor para subir uma escada da qual ele havia caído.

Primeiro lugar: vida Bombeiros. Atividade perigosa. Fogo, altura e, o trânsito também. O subtenente do Corpo de Bombeiros de Santa Felicidade, Ubiratam Choviski, está na corporação há 26 anos e conta que o perigo também faz parte do dia-

Arquivo LONA

Na hora de trabalhar os equipamentos são indispensáveis

a-dia dos Bombeiros. A ocorrência que mais marcou todos estes anos foi quando ele ainda trabalhava em Campo Largo e um ônibus sofreu um acidente na descida da Serra de São Luís do Purunã. Quando os bombeiros chegaram havia 42 vítimas, entre elas somente seis ainda estavam vivas e presas nas ferragens, o resto havia morrido. Apesar de sempre ficar abalado com os acidentes que atende, Ubiratam sente que está cumprindo sua missão profissional e de vida. “Nosso trabalho é atender bem a população, é salvar vidas”, emociona-se. Para atender as ocorrências eles deveriam levar de cinco a sete minutos, mas com o crescimento da cidade e o movimento intenso no trânsito, este tempo aumenta para 10 a 15 minutos até o local do acidente. Diariamente perto de fogo,

altura e resgates, Ubiratam se acidentou logo no trânsito. Como de costume, eles estavam indo atender um chamado, mas no caminho bateram em um ônibus expresso e o caminhão tombou. Mesmo usando cinto de segurança ele sofreu algumas lesões, como corte-contuso no crânio e face, além de uma fratura no braço direito. Ubiratam não gosta de falar, mas já passou por outras várias situações em que escapou da morte. No trânsito, eles não podem e nem devem ultrapassar sinal vermelho durante o atendimento da ocorrência. "A gente tem prioridade, mas não a preferência". Assim como o comandante Hudson, o subtenente Ubiratam também reclama dos motoqueiros, que, aliás, igualmente precisam chegar a tempo no destino. "Infelizmente os motoquei-


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Trânsito: importante fator de risco ros de hoje em Curitiba não respeitam emergência nem sinais sonoros." O trabalho exige atenção, traz o medo. Mas não é somente sentimento ruim. Além de salvar vidas, a profissão forma famílias. "Tudo o que tenho na minha vida, a minha família e tudo o que consegui foi graças ao Corpo de Bombeiros", completa. Profissões diferentes, perigos parecidos, cada um de acordo com a atividade. Altura, fogo, trânsito, violência. Quem também vive nas alturas são os eletricistas, mas com um acréscimo de perigo a mais: a eletricidade. Cleiton Pereira Ramos explica que a corrente elétrica e as quedas dos postes são os principais ricos da profissão. "A gente pode às vezes levar um choquinho de nada, mas através do susto do choquinho pode acontecer uma queda lá de cima". Para se proteger destes perigos é necessário o uso de equipamentos, como capacete, cinto, cordão umbilical e luva. Cleiton enfatiza que o mais importante é a atenção. Já perdeu colegas de profissão que levaram choque, caíram do poste e morreram por causa da queda. Apesar de tudo ele está feliz com o trabalho, gosta do que faz e o que o motiva a passar por todos os riscos é a "recompensa" tão esperada no fim do mês. Um poste pode ter até 12 metros, mas um prédio ultrapassa esta altura, e muito. E é lá que estão os pedreiros de grandes obras. Mas o perigo não está só no alto, no momento em que o profissional entrou no canteiro, já tem que ter toda a segurança, do capacete às botas. A atenção também é essencial para o trabalho deles e cada um tem que pensar na segurança de toda a equipe. "Às vezes os andaimes são feitos muito rápido e acabam causando a queda". O pedreiro Vilson Teixeira toma sustos todos os dias: a torre que está sendo levantada balança, o andaime ameaça derrubá-lo e, com isso, o medo de cair e a atenção redobram. Vilson lembra de um rapaz que caiu da obra dentro de um esgoto, foi soterrado e morreu.

Estes acidentes fatais servem de alerta para todos os pedreiros. Além dos equipamentos e atenção, a única segurança que eles têm é a garantia de que receberão atendimento caso se acidentem no local de trabalho. Apesar de tudo, Vilson está satisfeito e não tem nada do que reclamar. "A gente tem que gostar do que faz, não dá para ir trabalhar mal humorado."

Segurança na construção Civil Na construção civil cada etapa da obra exige uma qualificação dos trabalhadores, sendo assim, há uma rotatividade muito grande de funcionários. Em função da necessidade das construtoras, que praticamente terceirizam todo o serviço, há um problema muito sério com a qualificação do trabalhador. Muitos funcionários entram na obra sem equipamento, informação, orientação e, entre dos acidentes do trabalho que têm ocorrido na construção civil, a maioria envolve justamente isso, a qualificação e treinamento dos profissionais. O técnico de segurança na construção civil, Anderson Pi-

vovarski, conta que o Brasil teve um gasto em 2005 superior a 20 bilhões de reais com acidentes de trabalho em todas as áreas. Mas a construção civil foi a que mais se destacou, com uma parcela maior de acidentes graves, com afastamento de mais de 15 dias, onde a pessoa necessita do benefício do INSS, sendo que muitos não retornam mais ao trabalho e são aposentados precocemente. O que preocupa é a estatística de que 99% dos acidentes na construção civil acontecem por falha humana, ou seja, por falha da empresa, quando não proporciona condições de trabalho ao funcionário; ou ela oferece os equipamentos e o funcionário não usa, seja por autoconfiança, descuido ou falta de atenção. Os 20 bilhões gastos por ano no Brasil somam os custos com medicamentos, benefícios, próteses e readaptação profissional, ou seja, aquele trabalhador que cortou a mão na serra não pode mais fazer aquela atividade, então ele é treinado para outra função. O Ministério do Trabalho tem intensificado as fiscalizações nas empresas e multado muito e, por sinal, multas altíssimas. Em re-

Arquivo LONA

A altura é um dos principais riscos para os trabalhadores

Direitos Os direitos que cada trabalhador vão depende de qual área ele atua. O motoboy Elton não recebe nenhum benefício a mais no salário. Vale lembrar que muitos motoboys são autônomos. Os taxistas se encontram na mesma situação dos motoboys. O sub tenente explicou que

os integrantes do Corpo de Bombeiros têm direito de uma aposentadoria especial, com 25 anos de serviço. Mas há alguns descontos. Para se aposentar com 100%, eles devem trabalhar como todos os empregados de outras áreas, de 30 a 35 anos. O eletricista e instalador Cleiton ganha um adicional e também pode se aposentar mais cedo, mas nas mesmas condições do que Ubiratam. Não é obrigatório, mas a empresa onde ele trabalha oferece seguro de vida. O pedreiro Vilson recebe o que está de acordo com o Sindicato da sua categoria.

dos em hospitais, frigoríficos, cemitérios, serviço de manutenção de rede de esgoto e em aterros sanitários. Dependendo da natureza do agente insalubre, há a necessidade de se fazer uma avaliação no local, verificar a operação do trabalhador e indicar medidas saneadoras. Tem algumas funções que podem gerar explosões, incêndios, queimaduras e muitas vezes o óbito. Para essas, há o adicional de periculosidade, ou seja, 30% a mais sobre o salário base. O eletricista Cleiton, além do seguro de vida, recebe um pouco mais pelo perigo da função. Algumas empresas contratam o seguro de vida privado, mas isso não é obrigatório. Quem fornece a seguridade para o trabalhador é o Ministério da

Previdência e Assistência Social. Em caso de morte, a família recebe uma pensão. Na incapacidade para trabalhar, o empregado ganha uma aposentadoria por invalidez. Em afastamento por acidente, que exige terapia, vai receber um auxílio acidentário. Quando ocorrem acidentes, o trabalhador deve procurar o Ministério do Trabalho ou o sindicato da categoria, que vai até a empresa para verificar se o estabelecimento está em ordem em relação à segurança no trabalho. Se preciso, a instituição será autuada para a regularização das falhas. Vale lembrar que o funcionário não pode ser demitido em casos de afastamento.

lação ao uso de equipamentos, o valor chega até 4 mil reais por infração. Sendo assim, Anderson alerta as empresas para que realmente se conscientizem do quanto é importante o investimento de segurança no trabalho.

Doenças ocupacionais Os trabalhadores do Brasil têm algumas proteções previstas pela legislação. No total são 32 normas regulamentadoras de segurança no trabalho, que abrangem todos os setores produtivos da economia, tanto a indústria, como o campo e o setor de serviços e comércio. Na questão da insalubridade existem três níveis de adicionais: 10 % o mínimo, 20% o médio e 40% o máximo. "Seria uma forma de premiar o trabalhador ou de compensar pela exposição ao ambiente potencialmente promotor de doenças ocupacionais ao coletivo produtivo", explica o chefe do Setor de Saúde e Segurança da Delegacia Regional do Trabalho, Sérgio de Barros.

São de três naturezas os agentes de insalubridade: físicos, químicos e biológicos. Os agentes físicos são as temperaturas extremas. Um exemplo são os trabalhadores que ficam em câmeras frias, onde a temperatura chega ao zero grau. Outro, é o local próximo de caldeiras, onde a temperatura fica exageradamente alta e o trabalhador perde líquido, se desidrata e precisa de redução de tempo de exposição. Os agentes químicos estão presentes no cotidiano daqueles que operam com ácidos, bases, solventes. Um exemplo é o benzeno que está em estudo no processo produtivo que, por ser cancerígeno já foi eliminado de vários produtos químicos. Os biológicos são bactérias, vírus e protozoários encontra-


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Babiak criou um abaixo-assinado para exigir postura profissional das empresas

Comerciante pede melhora nos teleatendimentos Juliana Galliano/ LONA

No desfile de Sete de SetemJuliana Galliano bro, o comerciante colocou uma faixa que dizia: “Abaixo Call O dono da banca de revistas Centers – Disk 1,2,3 e ninguém e jornais Babiak, situada no resolve nada outra vez”, como bairro Alto São Francisco, em forma de protesto. “Não insulCuritiba, Roberval Babiak é um tei ninguém, fui sutil. Com educrítico do sistema de teleatendi- cação, passei para as pessoas a mento, como muitas outras pes- campanha. Os militares e cosoas. A diferença é que ele está ronéis que estavam no local me agindo para que a situação seja parabenizaram pela iniciativa.” Então, o abaixo-assinado comemelhorada, promovendo um abaixo-assinado para exigir uma çou a ser preenchido e hoje já conpostura mais profissional das tém mais de 2.500 assinaturas. Para tornar lei automaticamenempresas diante da questão. O início da campanha de te são necessárias seis milhões de Babiak se deu no dia 20 de agos- assinaturas. Mas Babiak acredito quando, ao ligar para um ta que não será preciso atingir 0800 pedindo a segunda via de esse número para que a probleuma fatura, se deparou com a mática seja resolvida. “Acionei demora do sistema e a intermi- diversas emissoras de televisão nável passagem de ligação de informando sobre a campanha e um setor para o outro para re- com todos que converso, falo sosolver o problema. Foi nesse dia bre a situação. Acredito que por o estopim para o comerciante, meio da divulgação intensa do que registrou sua reclamação na projeto, as empresas vão se senAgência Nacional de Telecomu- tir pressionadas e por si só vão nicações (Anatel), mas achou que entrar em contato para tentar apenas isso não era o suficiente chegar numa solução, sem precisarmos partir para o extremo.” e resolveu iniciar a campanha. “Nos call centers, ninguém Ele diz ainda que a campanha envolve o prestíresolve os progio e a credibiliblemas por não O abaixo-assinado dade das emprehaver autonocontém mais de 2,5 sas e que quem mia para isso. manter É por isso que mil assinaturas. Para quiser isso, terá que a demora aconse aliar. tece e passa-se tornar-se lei autoO presidena ligação de maticamente são te do Sindicato um setor para dos Trabalhadoo outro. A idéia necessárias 6 miem Telecoda campanha lhões de assinaturas res municação não é apenas (Sinttel), Eugêmelhorar o atendimento ao cidadão, mas nio Popenda, informa sua opique as empresas melhorem nião sobre a campanha: “Soube também as condições de traba- do projeto por terceiros. Concorlho de seus funcionários. Os do plenamente que tenha que se operadores de telemarkenting, fazer algo para melhorar esta muitas vezes, ficam doentes, questão, pressionar mesmo. Mas com depressão, por viverem que se lute também pela melhonum ambiente de alta pressão. ria no atendimento em geral, não Portanto, pedimos a solução só em telecomunicação. Até em para o todo. O respeito ao cida- bancos, quando se quer fechar dão que utiliza o sistema e uma conta, a demora é grande.” Popenda diz que tinha que àqueles que trabalham com o haver mais uma via para solusistema”, afirma Babiak.

Comerciante reclama da falta de autonomia dos atendentes para resolver os problemas

cionar os problemas dos clientes além dos teleatendimentos, talvez uma política que tirasse algumas questões dos call centers para serem resolvidas no atendimento pessoal. O sindicalista também cita uma pesquisa realizada por auditorias independentes para a Anatel que revela que o grau de satisfação dos clientes com os teleatendimentos é de 81,2%, superando, portanto, a média exigida pela agência que é de 80%. “Para mim, quase 19% de pessoas insatisfeitas é uma margem grande e que deve ser considerada, mas como passou pela média, não há o que falar. Por melhor que seja o serviço de teleatendimento, ele não me satisfaz, não supre as minhas necessidades. Por isso, esse projeto é válido. Tudo que se faça para melhorar a sociedade, temos o dever de apoiar”, completou Popenda. A operadora de telemarketing Hellen dos Santos Pereira também apóia a aniciativa do abaixo-

assinado. Ela trabalha no ramo há seis meses e já sente a pressão no ambiente de trabalho.“Temos que bater metas de ligações. Como trabalho na parte de telecobrança, temos metas também de fazer com que o cliente faça promessas que vai pagar a dívida. Além disso, tudo é cronometrado até para ir ao banheiro. Não podemos estourar pausas.” Hellen diz que o primeiro passo para alcançar a qualidade dos profissionais nos call centers é a diminuição na carga horária. “Acho uma falta de educação ligar para os clientes aos sábados pra fazer uma cobrança. Esses dias aconteceu um caso engraçado. Liguei pro cliente nesse horário e pedi pra ele confirmar os dados. Ele simplesmente falou com uma voz meia embriagada: ‘Fiá, tu me pede isso em pleno sábado as oito horas da noite e depois que eu tomei uns gorós ? Vamos deixar isso pra segunda, vamos ?’ Então, eu falei: ‘Tudo bem, senhor!’. Não podemos co-

brar quando o cliente não está a fim de conversar.” Ela reivindica também uma maior remuneração e valorização por parte das empresas. “Deveríamos ser mais valorizados. Não é pra todo mundo esse tipo de profissão. Tem que ser educado, atencioso e principalmente responsável por tudo o que se fala para o cliente.” Outra questão que a operadora comenta é que dentro dos call centers as pessoas são descartáveis. A qualquer momento podem perder o emprego, pois a política da maioria das empresas é sempre renovar a equipe. Hellen já viu serem despedidas mais de duzentas pessoas ao mesmo tempo. Mas apesar de tudo, ela diz que gosta da profissão. “Trabalhar em call center é legal, fazemos amizades e aprendemos uns com os outros. Mas poderia haver melhorias no sistema para que possamos trabalhar com maior qualidade”.



LONA – 25/09/2007 – 362