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LABORATÓRIO DA NOTÍCIA - 1

Curitiba, 24 de abril de 2006

Curitiba, segunda-feira, 24 de abril de 2006 Ano VIII - Nº 206 Jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Positivo - UnicenP - jornalismo@unicenp.edu.br

Chávez defende união da América contra imperialismo Márcio Guedes Brüggemann/ LONA

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteve em Curitiba na última quinta-feira, onde se reuniu com o governador do Paraná, Roberto Requião. Os dois líderes passaram o dia juntos, e assinaram contratos entre empresas venezuelanas e paranaenses. Chávez e Requião também falaram a manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), reunidos no Teatro Guaíra. Em todas as oportunidades, Hugo Chávez afirmou que a América do Sul precisa se unir, e se mostrou satisfeito com as relações entre Brasil e Venezuela: “Há uma década não havia esta integração entre nossos países”. Página 3

Campanha para vacinação de idosos começa hoje O presidente venezuelano afirmou que o estilo de vida americano está esgotando os recursos naturais do continente

Ensaio Fotográfico retrata paixão por motos Página 8

Artigo especial Consumo de discute aumento drogas entre de cursos jovens acontece de Jornalismo na própria escola Página 5

Páginas 6 e 7

Todas as pessoas com mais de 60 anos já podem receber gratuitamente a vacina que previne doenças do inverno, como a gripe. A campanha tem início hoje, em todo o Brasil. Na capital paranaense, o Ministério da Saúde espera atender 105 mil pessoas. Em Curitiba, as vacinações são feitas nos postos de saúde da prefeitura. Página 4


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EDITORIAL

Corrida contra a corrupção

Mazela brasileira O Brasil vive uma guerra que não está nos livros de História, mas que afeta toda a população. A cada dia, basta abrir o jornal ou ligar a TV para encontrar uma série de notícias que envolvem violência e tráfico de drogas. O que poucos sabem, porém, é que as notícias que chegam ao público não representam nem a ponta do iceberg do que realmente acontece no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o índice de mortalidade de jovens por causas externas, como violência e acidentes, caiu de 183,8 por cada 100 mil habitantes em 2003 para 170,9 em 2004. De acordo com a pesquisa, a taxa é semelhante aos níveis constatados em 1995, quando o índice de mortalidade entre homens de 20 a 24 anos era de 170,2 por 100 mil habitantes. A pesquisa, divulgada em abril de 2006 pelo jornal O Globo, tende a aliviar a população, uma vez que os dados indicam a redução das mortes violentas entre jovens brasileiros. O problema, porém, é que muitas mortes não chegam ao conhecimento dos órgãos públicos e, por isso, não viram estatística. Milhares de pessoas são mortas todos os dias devido ao envolvimento com o tráfico de drogas sem que haja registros no Instituto Médico Legal. Os corpos simplesmente desaparecem sem deixar rastros. Filmes como “Cidade de Deus” e documentários como “Falcão — Meninos do Tráfico”, bem como os livros que inspiraram as respectivas

produções, chocam a sociedade por trazerem dados que não fazem parte do cotidiano do grande público. Boa parte da população não tem idéia de como funciona o tráfico de drogas no Brasil e encara como novidade — mesmo que aconteçam há anos — cenas em que crianças trocam a infância pelo mundo do crime. Cerca de 80% dos crimes no Rio de Janeiro, excluindose os passionais, estão relacionados ao tráfico de drogas. Nos demais estados brasileiros, a violência também é crescente, assim como o mercado das drogas ilícitas. Não basta, porém, culpar o governo, que não oferece condições para que o cidadão possa levar uma vida digna e que acaba empurrando milhares de jovens todos os anos para o crime. Nem é possível, também, apontar como única culpada a polícia, que se deixa corromper por criminosos e permite a manutenção do tráfico em troca de propina. É preciso abrir os olhos e perceber que a violência vinculada ao comércio ilegal de drogas é responsabilidade do governo, da polícia e, certamente, do usuário de entorpecentes. Quem compra drogas financia o tráfico e abre espaço para que a violência cresça. O comércio só existe quando há consumidores interessados na mercadoria à venda, e no caso do tráfico de drogas não pode ser diferente. A cada pessoa cabe o direito de escolher usar drogas ou não, mas a este direito está atrelada a responsabilidade de manter o funcionamento do mercado ilegal de entorpecentes. (Juliana Ribeiro Pinho)

Leônidas Vinício

Divulgação

Ouvi na manchete de um jornal esportivo na televisão: “Senna vence pela 1ª vez”. Que estranho! Sentei-me em frente da TV e esperei. Cadê a imagem do Senna? Quero ver o capacete e a bandeira verde e amarela, quero ouvir o “tema da vitória”, com os toques acompanhando a batida do meu coração: pam,pam, pam! Então mostraram a matéria: era sobre Bruno Senna que eles falavam. O jovem piloto, 22 anos, filho de Viviane, irmã mais velha de Ayrton, conquistou sua primeira vitória na formula 3 inglesa. Por um instante me senti criança novamente: saí correndo como um piloto para pegar o jornal. Eu ainda tinha uma esperança: talvez tivesse uma foto do Ayrton Senna. Folheei. Cadê a imagem? Em vez da foto do Ayrton, tri-campeão mundial de Fórmula 1, tinha a figura de outras pessoas, que se diziam “heróis nacionais”, percorrendo o Brasil e levando a promessa de muitas conquistas, tanto contra a corrupção como a favor da população de baixa renda: eram políticos. Então, veieram-me algumas recordações: 1994 foi, ao mesmo tempo, o ano da morte do ídolo brasileiro e o nascimento do Plano Real. Terminava a carreira de um vitorioso nas pistas e na vida, deixando parte dos brasileiros entregue às lágrimas. E com a perda de um herói, há a necessidade de que surja outro: o povo precisa de “pão e circo”. Contudo, em vez de circo - como o falecido – o novo plano econômico, vitorioso, veio prometer o pão.

A receita parecia funcionar, até que as coisas desandaram.O tempo passou, o povo foi chamado de idiota e viu o pão ficar de fora da mesa de grande parte da população. Enquanto isso, no automobilismo, a esperança do espetáculo era um macacão com uma cor de nariz de palhaço: Rubens Barrichello. E não é que, assim como a proposta do pão, ele também parou no meio do caminho! Mais alguns anos se passaram, sem fartura na mesa nem diversão, e eis que o povo aplaude mais um candidato a herói nacional: Lula. A promessa agora é honestidade, esperança e o caminho para a conquista do pão de cada dia, o emprego. Que surpresa boa! Na procura da matéria sobre Ayrton

Senna, pude verificar que, apesar da desonestidade dos políticos e da desesperança do povo, conquistamos um dos objetivos nacionais: mais empregos. Foram criadas milhões de vagas para especialistas na produção de pizza, entregadores e outros cargos - todos distribuídos pelas cidades brasileiros, principalmente Brasília. Consegui ver esses dados e buscar na memória todas essas lembranças. Não vi Ayrton Senna, mas fico com uma frase dele que exemplifica a nossa luta permanente contra a corrupção política: “Brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro”. Como Ayrton, também quero ser campeão, mas não com o título de país mais corrupto do mundo.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Positivo –

UnicenP

Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000

Reitor: Oriovisto Guimarães, ViceReitor: José Pio Martins, Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto, Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães, Pró-Reitor de PósGraduação e Pesquisa: Luiz Hamilton Berton; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Bastos Massi; Dire-

tor do Núcleo de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: Euclides Marchi, Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro, Professor-orientador: Marcelo Lima. EQUIPE (ALUNOS) Editor-chefe: Renan Colombo. Fechamento: Renan Colombo e Guilherme Guinski. Alunos

do 2.º ano noturno A: Adriano Artur Timm, Adrielly Aparecida Silva Slesinski, Adryan Rodrigues Santos, Alexandre Fernandes da Silva, Aline Sajnaj Ferreira, Amanda Krause Guidolin, Ana Claudia Maia, Ana Claudia Rocha Rodovanski, Ana Luisa Toledo Alves, Andre Luis Gedeon de Melo, Antonio da Silva Junior, Beatriz Junqueira de Carvalho Kunze, Carolina Knopfholz, Caroline Augusta de

Andrade Michel, Debora Bueno Adams, Edson Luiz Alves Filho, Eduardo Carneiro de Almeida, Eduardo Macarios Goncalves e Silva, Fernanda Cequinel dos Santos, Gabriel Franco Lopes, Greyce Bruna Farias, Jean Wilson Martins de Oliveira, Jordana Girardi Feller, Juliana Carla Bauerle Motta, Lais Cristina Machado, Marcio Laurindo M. Silva.


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Presidente venezuelano critica exploração americana durante encontro em Curitiba

Chávez acusa EUA de desperdício biológico Anaisa Lejambre Bárbara Pombo Daiane Cristine de Souza Márcio Guedes Brüggemann O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, participou de diversos eventos em Curitiba, na última quinta-feira. Chávez veio à capital paranaense para participar do 2º Encontro Regional para Integração Paraná Venezuela. Com atraso de duas horas na chegada ao aeroporto Afonso Pena, o presidente se dirigiu ao Palácio Iguaçu para assinar contratos. Na casa oficial do governo do Estado, ele e Roberto Requião firmaram acordos entre empresas paranaenses e venezuelanas, no valor total de US$ 440 milhões – superando, assim, a expectativa inicial, que era de US$ 320 milhões. Além da integração entre os empresários de seus países, os dois líderes também querem aprofundar as relações entre as duas televisões estatais – a TV Educativa e a Telesur. Chávez também fez um discurso para movimentos sociais, como o Movimento dos Sem Terra (MST), no Teatro Guaíra. O venezuelano foi enfático na luta contra o “imperialismo americano”, e afirmou que “os homens do Brasil devem fazer a

revolução para mudar esse mundo”. Um dos maiores problemas da América Latina, segundo ele, é a perda da consciência dos cidadãos: “Devemos recuperar a consciência para conseguir mudar, porque nós também somos americanos, mas somos sul-americanos”. “Se queremos que o mundo se acabe sigamos pelo capitalismo. Se não mudarmos este caminho não haverá vida no planeta”, acrescentou. Segundo Chávez, o capitalismo utiliza muitos recursos não renováveis: “Cerca 80% dos veículos de Nova Iorque e Washington transportam uma pessoa em cada carro - é o American Way of Life”. “Os Estados Unidos interviram no Iraque, por causa do petróleo, mas acharam que seriam os libertadores daquela nação”, afirmou Chávez. Requião complementou a resposta de Chávez falando da situação do petróleo no Brasil: “Nosso país está alcançando a auto-suficiência no petróleo, mas 64% das ações da Petrobras estão na bolsa de valores de Nova Iorque. Em função do poder dos acionistas, o petróleo será sempre vendido ao preço internacional”. Durante todo o dia, o presidente da Venezuela e o gover-

Márcio Guedes Brüggemann/ LONA

Hugo Chávez e Roberto Requião firmaram acordos financeiros no Palácio do Iguaçu nador do Paraná falaram sobre a construção da Alternativa Bolivariana para a América — a Alba. Ambos destacaram que a Alba é contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo Requião, ela “é uma zona de livre comércio para o interesse da população”. Chávez acrescentou: “A Alca ficou

enterrada em Mar Del Plata”. À noite, Chávez foi a Brasília encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que ambos discutissem alguns temas - o principal é o gasoduto que liga o Brasil à Bolívia. O primeiro contato entre o presidente e o governador do Paraná aconteceu no Fórum So-

cial Mundial em Porto Alegre, em 2005. Em novembro do mesmo ano, Requião visitou Caracas, onde os dois assinaram 27 documentos que visavam a integração entre o governo do Estado e a Venezuela. “Há uma década não havia esta integração que há hoje entre o Brasil e a Venezuela”, afirmou Chávez.

Entenda o Manifesto das Américas Daiane Cristine de Souza Durante o encontro do presidente venezuelano Hugo Chávez com manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Manisfesto das América em Defesa da Natureza e da Biodiversidade Biológica e Cultural foi citado diversas vezes. No início do evento, ele foi lido integralmente pela cantora Beth Carvalho e pelo bispo de Curitiba, Dom Ladeslau Biernaski. A sambista participa ativamente das manifestações de

movimentos sociais de esquerda. Inclusive o hino oficial do MST é gravado por ela. Na ocasião, ela cantou e foi aplaudida. O manifesto é um documento que visa proteger os recursos naturais da América do Sul, e foi assinado por líderes de todo o continente. O tratado afirma que os países amazônicos e andinos, como Brasil, Venezuela, Bolívia e Colômbia, possuem grande parte da biodiversidade biológica mundial. Em contrapartida, ela está sendo explorada pelo modelo neoliberal norte-americano

– e é isso que o Manifesto visa combater. Ele é dividido em sete itens que propõem políticas consistentes para atingir essa meta, como conservar a diversidade biológica cultural, rejeitar a introdução de espécies exóticas e impedir a entrada de organismos transgênicos nos ecossistemas latinoamericanos. Outros pontos defendidos pelo manifesto são o combate às sementes estéreis, como a terminator, a oposição ao ingresso de empresas multinacionais e o respeito aos direitos de traba-

lhadores rurais, como camponeses e indígenas, que atuam nas áreas ricas em biodiversidade. Um aspecto enfático do documento é a rejeição dos países que o assinaram a tratados econômicos comandados pelos Estados Unidos, como a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O argumento que justifica esse posicionamento é o de que tais tratados priorizam os interesses econômicos e colocam em detrimento dos ecológicos. O Manifesto das Américas busca ganhar assinaturas de importantes representantes do

continente. Até o momento, 32 personalidades já aderiram ao movimento, confira as principais: Roberto Requião (governador do Paraná), Marina Silva (ministra do Meio Ambiente), João Pedro Stedile (dirigente da Via Campesina Brasil), Letícia Sabatela (atriz), Beth Carvalho (compositora e cantora), Hugo Chávez (presidente da Venezuela), Pérez Esquivel (Prêmio Nobel da Paz), Eduardo Galeano (escritor), Aníbal Quijano (cientista social), Doris Gutierrez (deputada hondurenha).


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Curitiba, 24 de abril de 2006

Idosos podem ser vacinados nos postos de saúde da prefeitura da Capital

Começa hoje campanha de vacinação contra a gripe oria das pessoas estará imune dentro de duas semanas após a vacinação, mantendo a proA Secretaria Municipal da teção de 7 a 12 meses. Ao chamar a atenção dos Saúde inicia hoje a campanha idosos, a campanha visa consde vacinação contra a gripe. A cientizar os familiares: filhos meta de cobertura do Ministério da Saúde para Curitiba é e netos que podem estimular de 105 mil pessoas. A campa- a adesão do idoso na vacinação. A divulgação da campanha nha vai até o dia 5 de maio. O primeiro lote de vacinas, de vacinação contra a gripe é com 80 mil doses, já foi re- feita pelos agentes comunitários de saúde e é fundamental passado da Central de Vacinas da Prefeitura para as 105 uni- para o esclarecimento tanto dos procedimentos para a vadades de saúde que participacinação quanto o da doença. rão da campanha. A pensionisOutras 80 ta Aurora Marmil doses serão tins Meirelles, de enviadas na Para reforçar a 69 anos, é diabépróxima semadivulgação da tica e sabe que na, quando campanha, a tem que se cuiparte da primeira remessa Secretaria Municipal dar, pois possui uma imunidade já tiver sido da Saúde distribuirá fisiológica mais aplicada. A gripe é uma doen- 4.000 cartazes e 20 baixa do que a dos outros e afirça que pode mil folhetos, que ma que com a ser contraída pelo vírus in- serão colocados nos vacinação fica fluenza e é ônibus e nas unidades mais difícil contrair o vírus. transmitida de saúde Aurora quer com extrema garantir sua vafacilidade pecinação deste ano e pretende las vias respiratórias, causando febre, coriza, tosse seca, dor de se vacinar na amanhã no Poscabeça, dor de garganta e dores to de Saúde Estrela, no bairro Fazendinha, próximo a sua reno corpo. sidência. Noeli Abrão Reis, auxiliar Imunidade de enfermagem da Unidade de As pessoas idosas e as portadoras de doenças crônicas Saúde de Botiatuvinha, próxicorrem maior risco de compli- ma a Santa Felicidade, assecações, como a pneumonia, e gurou já ter recebido o lote para a vacinação, e diz estaisso pode tornar necessária a rem preparados, pois vão ter internação hospitalar. A vacinação contra a gri- muito trabalho. Marcio Merlin, responsável pe reduz o risco da transmispela fiscalização sanitária do são do vírus e é trivalente, ou seja, cobre três vírus gri- posto de Botiatuvinha, conta que a expectativa é grande, pais: os mais prevalentes, no momento em que é utilizada, pois o bairro possui um perfil e deve ser ministrado todo o idoso e, devido à divulgação, ano, devido à mutação dos o posto está preparado para maior adesão de idosos. vírus. Para reforçar a divulgação Considerando-se o inverno da campanha, a Secretaria Mubrasileiro, a orientação é para nicipal da Saúde distribuirá que ela seja administrada preferencialmente no pré-inver- 4.000 cartazes e 20 mil folheno. A aplicação deve ocorrer tos, que serão colocados nos ônientre os meses de fevereiro, bus e nas unidades de saúde a março e abril, para que as pes- partir de semana que vem, e os folhetos serão distribuídos nos soas estejam protegidas antes que a temperatura caia. A mai- locais de vacinação.

Amanda Lara Mirella Pasqual

Divulgação/ SMCS

A meta de cobertura do Ministério da Saúde para Curitiba é de 105 mil pessoas

Inadimplência bate recorde em março Aline Sajnaj Ferreira Pesquisa da Serasa mostra que o volume de cheques devolvidos em março bateu recorde, o maior desde o levantamento iniciado em 1991. Mas a inadimplência ainda é baixa em comparação ao número de cheques emitidos pelo mercado. No total foram compensados 166,5 milhões de cheques, dos quais 4 milhões eram sem fundos. Isso quer dizer que a cada mil cheques emitidos 24,3 foram devolvidos, correspondendo a 2,43% do total. Se o índice de inadimplência for comparado com o recorde anterior, março de 2005, o aumento foi de 16,8%. O comerciante Gilmar Vieira conta que em sua loja os cheques sem fundos no mês de março aumentaram muito em relação ao mês anterior. Gilmar tem uma loja de roupas e recebe com freqüência os cheques como forma de pagamento. De cada 10 cheques que re-

Aline Sajnaj Ferreira/LONA

Foram registrados 4 milhões de cheques sem fundos cebeu em março, quatro não tinham fundos. “Os cheques prédatados são os que mais voltam, acho que as pessoas soltam e depois não se lembram”. Em relação ao prejuízo, Gilmar tenta contactar com os clientes, pois ele sempre pede que anotem o telefone na parte de trás do cheque. Nem sempre é possível recuperar o prejuízo. “Algumas pessoas são honestas e pagam, mas outras até parece que fazem de propósito”. O caso da comerciante Lorena dos Santos é um pouco mais

difícil, com uma loja de cosméticos, arcou com um prejuízo de aproximadamente R$ 3 mil no mês de março. Ela acredita que o motivo da emissão de cheques sem fundos aumentar tanto em março é pelos gastos que os consumidores tiveram no final do ano, como no Natal, os impostos, viagens, materiais escolares, entre outros. Lorena diz que de agora em diante ela aceitará somente cheques de pessoas conhecidas e confiáveis, caso contrário, ela irá à falência.


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Curitiba, 24 de abril de 2006

20% dos alunos da rede de ensino particular afirmam já ter usado maconha

Jovens têm contato com drogas nas escolas Carolina Knopfholz Dados do Ministério da Saúde mostram que a maioria dos adolescentes já teve contato com drogas ilícitas — maconha, cocaína, crack, LSD, alucinógenos — ou lícitas, como o álcool e o cigarro. Em relação à maconha, especificamente, as estatísticas são alarmantes: cerca de 14% dos jovens já experimentaram a droga. Além disso, uma pesquisa feita na rede particular de ensino revelou outro resultado importante: 20% dos alunos afirmaram já ter usado maconha, o que mostra que não são os jovens de classes pobres os únicos usuários. A pesquisa do Ministério da Saúde traz outro dado alarmante: 8% dos jovens experimentam a droga no ambiente da escola. A maioria dos estudantes das escolas particulares de Curitiba que já tiveram contato com a maconha. Adolescentes entrevistados pelo LONA afirmam que o acesso à droga dentro do estabelecimento não é difícil, e as punições previstas pelas regras das escolas raramente são colocadas em prática. Contudo, nota-se também uma imensa falta de informação em relação às sanções internas de cada estabelecimento de ensino: “Quando a gente fuma aqui, ninguém vê, e se virem, o máximo que acontece é ficar uns dias sem vir pra aula”, relata M.G., 16 anos, estudante de uma escola privada de Curitiba. Nesse contexto, outro fato preocupante é a opinião de muitos alunos em relação às campanhas antidrogas promovidas nas escolas. R.W., 18 anos, considera que “as palestras que têm sobre isso são inúteis e desinteressantes”. Tabu Quando as coordenações das escolas particulares de ensino médio de Curitiba foram pocuradas pelo LONA para abor-

darem o assunto,demonstram reações diversas. A psicóloga de uma das grandes escolas curitibanas afirma que, em seu estabelecimento, não existem casos registrados de alunos usuários: “Mesmo com desconfiança e denúncias, nunca houve um flagrante, e o problema das drogas é resolvido pela família e não pela escola”. Já o coordenador de outro estabelecimento conta que sua escola promove campanhas e debates em torno do assunto, e estabelece regras rígidas para punir severamente alunos que usam, portam e traficam drogas dentro do colégio. Em outras escolas, pode-se verificar que o assunto ainda é um tabu, uma vez que os responsáveis por estabelecimentos tradicionais recusaram-se a conceder entrevista, alegando que não divulgariam “esse tipo de dados e informações”.

Ana Paula Martinz/ Aquivo LONA

Estudante mostra camiseta que defende o plantio da maconha para consumo próprio

AGENDA CULTURAL Marisa Monte no Guaíra A cantora Marisa Monte fará apresentação nos dias 27, 28 e 29 às 21 horas no Teatro Guaíra. O show apresenta músicas dos dois novos discos, “Universo ao meu redor” e “Infinito Particular”, lançados há um mês. Marisa Monte volta a fazer turnê após cinco anos sem lançar um trabalho solo. Os preços dos ingressos são de R$ 200,00 (platéia), R$ 160,00 (1º balcão) e R$ 100,00 (2º balcão). Portadores de carteirinha de estudantes, maiores de 60 anos e doadores de um livro não-didático usado pagam a metade do preço. O Teatro Guaíra fica na Praça Santos Andrade, sem número. Telefone: 3304-7900 e 33047982. Guns do Brasil Hoje à noite no Empório São Francisco acontece um tri-

buto ao Guns’n’Roses com a banda Guns’n’Roses Brasil. Início a partir das 22h. Ingresso masculino a R$7 de entrada e R$7 de consumação. Feminino a R$5 de entrada mais R$5 de consumação. Com bônus, mulheres pagam apenas R$5 de consumação. Para os homens a entrada diminui para R$4, mas a consumação continua o mesmo preço. Echo and the Bunnymen em Curitiba Sexta-feira no Curitiba Master Hall acontece o show com a banda inglesa Echo & The Bunnymen, apresentando o novo álbum, “Siberia”. No repertório, músicas de “Sibéria”, além dos clássicos “The Killing Moon”, “Rescue”, “Super MellowMan”, “Eternity Turns” e “Lips Like Sugar”, entre outras. O início do show é às 22h. Ingressos a R$120 e R$60 (estudantes e para quem doar uma lata de leite

em pó), à venda nas Livrarias Curitiba e www.ticketcenter. com.br. Instinto Selvagem 2 Sharon Stone volta a encarnar a sedutora escritora assassina psicopata Catherine Tramell, em “Instinto Selvagem 2”. Nesta continuação, Catherine se muda de São Francisco para Londres, onde se vê novamente suspeita de um crime. A Scotland Yard designa o psiquiatra Michael Glass (David Morrissey) para fazer uma avaliação da escritora. Obviamente ele acaba envolvido na teia de intrigas e sedução dela, recebendo ajuda de uma amiga psiquiatra, Milena Gardosh, vivida pela veterana Charlotte Rampling. Cinemateca trintona A Cinemateca de Curitiba completou ontem 30 anos. E, para comemorar, preparou uma programação especial, com

apresentação gratuita de filme, palestras com especialistas em cinematografia, além de um curso prático de cinema. O curso prático de cinema começa no dia 30 de abril e vai até o dia 5 de junho. As aulas serão dadas aos sábados e domingos, em dois horários: das 9h as 12h e das 15h as 18h. A inscrição custa R$20. Os alunos aprenderão desde a história do cinema, a elaboração do roteiro, até a direção e montagem do filme. As palestras começam dia 23 e terminam dia 26, sempre às 19h. Serão abordados temas como a pesquisa de cinema na Paraná, a produção cinematográfica no Paraná e outros assuntos, como Nouvelle Vague, cinema novo, e cineclubismo. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone 3321-3245, ou pelo site: www.curitba.org.br. (Luciana Pompeu)


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Curitiba, 24 de abril de 2006

Artigo expõe visão sobre o aumento do número de cursos de Jornalismo no Paraná

Quem tem medo dos novos cursos de Jornalismo? Este artigo foi escrito originalmente para ser veiculado no jornal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, o Extra Pauta. Na sua última edição, o jornal do Sindicato deu cinco páginas sobre a criação de cursos de Jornalismo, defendendo que a abertura de novas faculdades tem contribuído para piorar a qualidade da formação dos jornalistas. O objetivo do presente texto era oferecer uma outra visão dos fatos. Os editores do Extra Pauta, no entanto, alegaram que o artigo só poderia sair em formado menor. O autor, por entender que qualquer corte implicaria perda de conteúdo, preferiu veiculá-lo na íntegra. A seguir, o LONA publica com exclusividade o texto.

Fábio Muniz /Arquivo LONA

Alunos do UnicenP gravam programas diários nos estúdios de rádio do centro universitário Alexandre Castro* Em sua última edição, o Extra Pauta deu amplo destaque ao tema da criação de cursos de Jornalismo no País e no Paraná – abrindo manchete, editorial e diversas matérias das primeiras páginas. Os textos assentaram-se basicamente nas posições pessoais de seus autores, tendo sido colhidos pouquíssimos depoimentos de agentes envolvidos nessa questão – e nenhum deles era contrário às teses do jornal. Em cinco páginas sobre o tema, não foi ouvida nenhuma autoridade governamental ou legislativa para explicar as políticas públicas – ou sequer lembrada alguma posição já manifestada –, não foi ouvido nenhum reitor, nenhum coordenador de curso, nenhum aluno (salvo uma referência geral à Enecos), nenhum pensador da área de educação, nenhum sociólogo. Gostaria de apresentar algumas observações que talvez

possam contribuir para uma visão de outros aspectos do tema.

1.Quantidade x qualidade Diz o editorial do Extra Pauta – resumindo tese recorrente nos demais textos – que “a proliferação desmesurada de cursos de Jornalismo” tem como conseqüência uma “tendência à perda de qualidade”. Tal assertiva não reflete a realidade, ao menos do que ocorreu com os cursos de Jornalismo do Paraná nos últimos 15 anos. Pelo contrário, esse período de aumento do número de cursos marcou a elevação da sua qualidade. É evidente que continuam existindo cursos de qualidade tão precária quanto os do passado – sendo inaceitável a falta de rigor das comissões governamentais de avaliação e de todo desejável que se criem outros mecanismos de fiscalização por entidades profissionais. Mas é de clareza solar que vários dos atuais cursos de Jornalismo são

muitíssimo melhores do que os do final da década de 80, início dos anos 90. Um dos fatores que tem contribuído de modo fundamental – embora evidentemente não o único – para a melhoria da qualidade dos cursos é justamente o crescimento da oferta, que torna imperiosa a competição. Por acaso os cursos de Jornalismo da UFPR e da PUCPR eram melhores em 1990, quando eram os únicos de Curitiba? Cito 1990 porque foi o ano em que fui convidado para ministrar a disciplina de Telejornalismo na PUCPR, para uma turma de terceira série. O curso não dispunha de nenhuma câmera de vídeo, nenhuma ilha de edição, nenhum estúdio – assim como não havia gravadores, ilhas de edição e estúdios para Radiojornalismo, entre outras carências. Aquela situação contrasta abissalmente com a realidade atual do curso. Na seqüência, foi criado o curso de Jornalismo da UTP, que se viu obrigado a instalar des-

de o início uma infra-estrutura muito superior àquela com que a PUCPR havia iniciado seus trabalhos – justamente porque teria que fazer frente à concorrência da PUCPR, crescentemente melhor aparelhada. Mais adiante, quando o UnicenP implantou seu curso de Jornalismo, já teve que começar buscando uma infra-estrutura que suplantasse as demais, oferecendo diferenciais para conquistar seu espaço. Isso levou a uma reação dos outros cursos, formando-se um círculo virtuoso no qual quem ganha é a qualidade do ensino.

2. Saturação de mercado Outra assertiva do editorial do Extra Pauta e das matérias seguintes é a de que existe uma “cada vez mais restrito, ou não existe”, o que justificaria até uma “moratória” da criação de cursos. Nesse ponto, é preciso enfatizar três aspectos. Primeiro, o que se entende

por mercado e qual a extensão territorial em que poderá atuar o futuro profissional. Se considerarmos como mercado apenas os veículos tradicionais, já existentes, então não haverá realmente condições de assimilação de todos os novos jornalistas. Mas há muitas outras alternativas – seja na crescente área de assessorias de comunicação, na internet, nas ONGs, na iniciativa particular, em inúmeras funções empresariais não exatamente jornalísticas mas para cujo exercício são determinantes as capacidades adquiridas no curso. Sem contar o próprio exercício do magistério superior – campo que cresceu tanto quanto a “proliferação” dos cursos... E, nessa área, com salários muitas vezes bem acima da média do mercado. Em pelo menos uma das instituições particulares de Curitiba, por exemplo, um professor doutor, atuando na área de graduação de pelo menos uma instituição particular de Curitiba, precisa trabalhar apenas oito horas semanais para ganhar o atual piso salarial da categoria no Paraná (que, aliás, é um dos mais altos do País). E isso se estiver atuando na graduação, porque na especialização o salário mais do que duplica. Além disso, os novos profissionais são habilitados para atuar em todo o território nacional, podendo assim buscar colocações em regiões não tão “saturadas”. O segundo aspecto é o de que a universidade não pode pautar-se exclusivamente pelos desejos pontuais – a voracidade ou a saciedade – de um determinado mercado. O “mercado” não é um deus ao qual a universidade deva reverência: “agora o mercado está com fome – aumentem a formação de alunos; agora o mercado está satisfeito – diminuam a formação”. É evidente que a universidade deve preocupar-se – e muito – com a empregabilidade de seus alunos. Mas o papel da universidade é certamente muito mais amplo – inclusive abrin-


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Curitiba, 24 de abril de 2006 do os olhos de seus alunos para o fato de que há muitos mercados e possibilidades de realização mundo afora. E o terceiro aspecto: mesmo se admitindo – por absurdo e só para fins de raciocínio – que o papel da universidade fosse o de servir ao deus mercado, que esse mercado fosse restrito e estivesse com sua fome de novos profissionais plenamente saciada, ainda assim não se justificaria a intenção de barrar a criação de cursos e a ampliação de vagas nos existentes: se já seria uma tragédia o jovem não ter possibilidade de acesso ao mercado de trabalho, seria uma crueldade inominável impedi-lo de ter acesso também ao ensino.

3. “Moratória” de cursos Não se trata nem de longe de defender a tese de que o jovem deve poder fazer um curso superior apenas para pendurar o diploma na parede. O que soa incompreensível é a posição dos que, por um lado, defendem a universalização do ensino, e por outro pregam a proibição de criação de cursos ou ampliação de vagas. Todas as estatísticas escancaram o fato de que, ao contrário de existirem cursos superiores demais, há cursos de menos: no Brasil, apenas 9% dos jovens em idade de estar na universidade – entre 17 e 24 anos – efetivamente conseguiram essa oportunidade. Mais de 90% deles deveriam estar lá, e não estão. Alguns se escandalizam com o fato de que Curitiba, por exemplo, tinha dois cursos de Jornalismo há 15 anos e hoje tem oito. Bem: houve um tempo em que Curitiba tinha 2 mil habitantes e um grupo escolar. Agora, tem dois milhões de habitantes, e a população não apenas não pára de crescer, como não perde a cisma de querer estudar... O problema não é a quantidade de escolas, mas a sua qualidade – e não será reduzindo o seu número ou proibindo a criação de cursos que ela irá melhorar. Se uma escola do padrão de uma Cásper Líbero, de uma ECA, de uma UFSC, de uma Unisinos, de uma PUCRS, para ficar só nas mais próximas, quiser se implantar em Curitiba, deve ser proibida? A sua implantação representaria um decréscimo ou um acréscimo de qualidade ao ensino de Jornalismo na cidade?

4. Profissionais assustados Na matéria “Chuva de ca-

nudos” do Extra Pauta afirmase que “há sete anos, as 620 vagas em cursos de Jornalismo já assustavam os profissionais” (grifo meu). Por que assustavam? Pelo medo da concorrência dos novos jornalistas, que poderiam vir muito melhor preparados que eles, formados em cursos cada vez melhores? (Se os cursos fossem tão ruins, não haveria por que se assustar com os seus egressos...). Por acaso a saída para “tranqüilizar” os profissionais antigos seria instalar uma torneira (“só se formam mais jornalistas à medida que a gente for se aposentando...”)? Além disso, não se poderia jamais afirmar que “os” profissionais estavam assustados. Alguns talvez estivessem, mas certamente não todos. Já a expressão de que a criação de novos cursos abriu as “porteiras” não merece comentários.

5. Financiamento de cursos A mesma matéria diz ainda que a explicação para o crescimento do número de cursos de Jornalismo no Paraná “talvez esteja no uso dos cursos de Jornalismo para financiar outros na mesma instituição de ensino”. Quem conhece o elementar dos custos das universidades sabe que não é assim. Existem realmente cursos que dão maiores lucros e ajudam a financiar outros até deficitários. Mas não é

o caso dos cursos de Jornalismo – que são caros em razão dos equipamentos que demandam. Os cursos que “financiam” outros são os de baixa exigência de infra-estrutura laboratorial, como Administração e Direito, que se assentam basicamente na figura do professor e em biblioteca. Pode até haver cursos de Jornalismo que comecem sem a infra-estrutura necessária, mas certamente não irão longe se não investirem pesadamente.

6. Tabelas de avaliação Em página adiante, o Extra Pauta relaciona os “Cursos de Jornalismo autorizados pelo MEC a funcionar no Paraná” e publica, ao lado, as “Avaliações das faculdades de Jornalismo do Estado até 2003”. Os conceitos publicados nessa tabela, no entanto, não são efetivamente os das faculdades, mas os resultados alcançados pelos alunos no hoje extinto “provão”. A diferença é muito grande. As avaliações “das faculdades” – seria melhor dizer “dos cursos” – é feita pelo MEC com base em três dimensões: projeto pedagógico, corpo docente e instalações. São avaliações feitas em média a cada quatro anos, e que resultam em um conceito para cada uma das três dimensões. Já o “provão”, um instrumento totalmente distinto, era aplicado apenas aos alunos do último ano dos cursos, anualmente, resultando num concei-

to único baseado nas médias de todos os alunos. Todos lembram as polêmicas que envolveram o “provão” (hoje substituído pelo Enade): os alunos de muitos cursos excelentes boicotavam o exame, entregando as provas em branco, o que provocava notas evidentemente distorcidas para suas instituições. Cursos que tinham conceitos “A” nas avaliações do MEC (projeto pedagógico, corpo docente e instalações) viam seus alunos aparecerem com notas “E” no “provão”. Não estou querendo dizer que as notas obtidas pelos alunos do curso que coordeno (“C” em 2002 e 2003) tenham sido erradas. Penso que refletiram mesmo a realidade de um curso então em implantação, porque os alunos estavam motivados e certamente fizeram o melhor que puderam. Muito menos sou contra a divulgação dos resultados do “provão”, apesar de suas distorções. O que digo é que uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.

7. Prioridade ao empreendedorismo Uma observação é necessária também sobre o artigo “O empreendedorismo como alternativa de trabalho”, publicado nas mesmas páginas. O autor diz que o “empreendedorismo surge como uma das poucas soluções para empregar” os jornalistas recém-formados. Logo após, faz uma série de críticas Fábio Muniz/ Arquivo LONA

aos cursos, afirmando que “as instituições de ensino ainda não se deram conta disso, não preparando os acadêmicos”; que “o empreendedorismo deveria ser encarado pelas faculdades como matéria prioritária para a formação do futuro profissional”; e que deveriam ser incluídas “matérias interdisciplinares durante a graduação” em Jornalismo, estabelecendo-se um diálogo “com várias outras profissões, como a de administrador de empresas”. O autor refere-se também à sua própria trajetória profissional, lamentando que ao se formar penetrou “num mercado totalmente fora do que vemos nas faculdades”. Talvez por ter ficado tempos fora do Brasil, como ele mesmo relata, o autor não esteja familiarizado com a realidade atual dos cursos de Jornalismo de Curitiba – pelo menos a de alguns deles. No UnicenP, por exemplo, já há três anos está consolidado no currículo, justamente, o eixo (conjunto de disciplinas) de Empreendedorismo, no qual os alunos têm disciplinas como Teoria Geral da Administração (ministrada por professor com graduação e mestrado em Administração de Empresas), Gestão de Empresas Jornalísticas (em que se analisa não apenas o empreendedorismo para a iniciativa própria, mas a necessidade de espírito intraempreendedor) e Projetos Inovadores em Jornalismo. Já estão faltando dedos nas mãos para enumerar os Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos que se transformaram em projetos concretos colocados no mercado.

8. Produção intelectual Para terminar, gostaria de lembrar que a “proliferação” de cursos levou também, aqui e pelo País afora, a uma proliferação de especialistas, mestres e doutores em Jornalismo, a uma proliferação de livros e periódicos científicos sobre Jornalismo, a uma proliferação de congressos de Jornalismo, a um amplo e sem paralelos processo de reflexão sobre o fazer jornalístico, sobre suas técnicas, suas teorias, sua ética, suas encruzilhadas. Talvez isso signifique algo para o exercício da profissão.

O TelaUn, telejornal-laboratório do UnicenP, vai ao ar diariamente pela TV Comunitária

* Alexandre Castro é jornalista, professor, coordenador do curso de Jornalismo do Centro Universitário Positivo (UnicenP) de Curitiba


8 - LABORATÓRIO DA NOTÍCIA

Curitiba, 24 de abril de 2006

Emoção sobre duas rodas Texto e fotos: Viviane Fagundi A primeira moto Harley Davidson nasceu nos Estados Unidos em 1903, quando os irmãos Davidson reuniram suas ferramentas e criatividade para inventá-la no quintal de casa. Essas motos, que hoje são consideradas as melhores do mundo, tiveram uma grande trajetória ao longo da história. Antes de se tornar mundialmen-

te famosa, a Harley passou por períodos difíceis, até conquistar os compradores e apaixonados pela marca. Atualmente, seus admiradores são em grande maioria aventureiros com mais de 40 anos, que viajam pelo mundo. A marca é tão conhecida que as pessoas associam outros modelos parecidos com a original. E mesmo sem haver tantas Harleys nas ruas, seus seguidores aumentam a cada dia.


LONA – 24/04/2006 – 206  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO.

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