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RIO Á I D do

Curitiba, sexta-feira, 15 de outubro de 2010 - Ano XII - Número 608 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

BRASI

L

redacaolona@gmail.com

Crescimento de Serra acirra disputa pela Presidência

Divulgação

Coluna

Centros de Socioeducação

País do futebol ou país do voleibol? Seleção de vôlei se destaca com mais uma vitória

Estilo “Febem” deixou de ser o modelo para ressocializar adolescentes em conflito com a lei

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2 Expediente Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa e PróReitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editoreschefes: Daniel Castro (castrolona@gmail. com.br), Diego Henrique da Silva (ediegohenrique @hotmail.com) e Nathalia Cavalcante (nathalia. jornal@gmail.com) .

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”. O LONA é o jornallaboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

Curitiba, sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Opinião

Do beco ao

asfalto

Resgate dos

valores

Paula Silka

Jeferson Leandro Nunes

Casa, carro, dinheiro e uma faculdade. Tudo que um adolescente poderia querer. Por que então ter o gosto de entrar no mundo perigoso e ilícito? As drogas não atingem, especificadamente, uma determinada classe, sexo, cor ou até mesmo idade. Podemos dizer que a droga é como se fosse uma norma geral e abstrata, de alcance de todos e para todos. Segundo Patrícia Azevedo, autora do artigo “Geografia do tráfico da Classe Média”, o tráfico de drogas não está mais restrito aos becos e vielas das favelas. Ele tomou o asfalto e se aproximou do seu centro consumidor: a classe média. Podemos analisar essa questão das drogas partindo do conceito de que há falta de inserção social e que houve um crescimento populacional grande, mas essa era a “desculpa” mais utilizada para entrar no tráfico. Hoje, os traficantes de classe média possuem um novo mercado, muito mais amplo. Vender para pessoas do cotidiano e para os maiores consumidores se tornou mais viável. Antes havia o risco de entrar em becos para ter acesso às drogas, agora não há mais esse perigo. Ela está ali, bem ali. O negócio usado por eles se tornou muito maior, usam as mesmas artimanhas que uma pessoa jurídica. Vender para gerar lucro e status. A curiosidade, a independência financeira e ter uma posição “superior” perante os outros. Este é o grande problema. Estar em uma posição em que as pessoas nos “respeitam” e ter muitas delas em suas mãos. Nada disso faz pensar na repressão. Uma família e dinheiro, para que se preocupar então, em sofrer as consequências de seus atos? A vida fácil, a ânsia de ter uma história para contar, como os rappers. Sentir na pele o que o gueto sofre, esse é o objetivo. A violência e a criminalidade aumentam por conta des-

O acidente que aconteceu no dia 5 de agosto com os mineiros no Chile ainda vai gerar muito espaço na mídia. Graças a Deus, segundo os próprios, é que conseguiram sair de dentro do buraco de exatos 622 metros abaixo da superfície, em uma mina de ouro e cobre, no deserto do Atacama, no Chile, a aproximadamente 800 quilômetros da capital, Santiago. A partir do mesmo dia do acidente, começou uma nova caminhada, dessa vez, política, a do presidente chileno Sebastian Piñero rumo a sabe se lá o quê. Aliás, todos sabem. Demonstrações públicas de “solidariedade” com os seus compatriotas que estavam lá embaixo, vivos ou não. Após alguns dias de angústia e esperança por parte dos familiares, descobriu-se a sobrevivência dos 33 heróis, ou melhor, vítimas de um desabamento, e que agora nada mais eram do que vitrine política e midiática para o mundo.

A curiosidade, a independência financeira e ter uma posição “superior” perante os outros. Este é o grande problema se mundo descontrolado e ativo do tráfico. A classe média é a que mais reclama dos índices de violência do país, mas é ela mesma quem financia. A Associação Parceira Contra Drogas, em uma de suas campanhas tinha como slogan a seguinte frase: “Quem sustenta o tráfico é você, se você vai comprar, lembre-se do preço”. E qual é esse preço? Na era dos entorpecentes, em que conseguir drogas nunca foi tão fácil e acessível, percebemos que lutar contra elas se tornou cada vez mais difícil. Do beco ao asfalto, do comércio ilegal ao caos, da irresponsabilidade à violência.

Somente o tempo para que as mesmas emissoras que tanto ganharam audiência, também os abandonem a mercê de sua própria sorte, assim como milhões de pessoas do mundo todo, soterradas por egos muito maiores do que 622 metros E por que não dizer show midiático também, este pode ser o termo, show. Milhares de emissoras estavam no local, cobrindo o fato, mas quantas realmente estavam preocupadas com a vida dos homens que estavam lá embaixo? Os repórteres “globais” às vezes apareciam em flashes, muito extensos, e que nada tinham para acrescentar, coitado do Carlos que só o primeiro mineiro, anunciou umas cinco vezes. O resgate foi realizado das 0h11 do dia 13 de outubro, quando saiu do túnel Florêncio Ávalos Silva, primeiro mineiro a ser resgatado até as 21h55 do mesmo dia, quando o último, Luiz Urzúa Irribarre, voltou a ver o mundo sobre a superfície da Terra. Mas o que durou meses para acontecer e teve um planejamento gigantesco, durará quanto tempo para ser esquecido e para os mesmos mineiros – presenteados até com viagem –, voltarem para as condições de trabalho em que viviam antes de serem soterrados? Quanto tempo para o mesmo presidente que os acompanhou durante o resgate, em frente a milhares de câmeras e holofotes, os esquecer? Somente o tempo para que as mesmas emissoras que tanto ganharam audiência, também os abandonem a mercê de sua própria sorte, assim como milhões de pessoas do mundo todo, soterradas por egos muito maiores do que 622 metros.


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Eleições 2010

Pesquisas eleitorais apontam crescimento de tucano Para professor, fator Erenice pode ser fundamental no resultado final Daniel Castro As pesquisas eleitorais voltaram a ganhar espaço na agenda dos candidatos à Presidência da República. Logo elas, tão criticadas durante o primeiro turno, principalmente pelos tucanos paranaenses. Beto Richa, eleito governador do estado, conseguiu a impugnação da divulgação das intenções de voto na justiça, mas no segundo turno das eleições presidenciais elas prometem dar o tom a uma disputa acirrada e cada dia mais agressiva. O primeiro resultado foi divulgado sábado, pelo Datafolha, e indicou o crescimento de José Serra (PSDB). As pesquisas do IBOPE e do Vox Populi, divulgadas na quarta-feira, mantiveram a tendência de crescimento tucano, com pequenas diferenças entre si. Nesta quinta-feira, pesquisa divulgada pelo Sensus mostra empate técnico entre os dois candidatos, considerando a margem de erro. Dilma Roussef (PT) segue melhor colocada e, segundo as pesquisas, venceria se a eleição fosse realizada hoje. No entanto, o crescimento expressivo de Serra coloca a disputa em condições equilibradas. É cedo para dizer se essa tendência será refletida nas urnas, mas o tom adotado pelos dois candidatos nas propagandas eleitorais e debates é reflexo de uma disputa mais acirrada do que era es-

perado, principalmente às vésperas do primeiro turno, quando a vitória de Dilma era considerada praticamente certa. De lá para cá, os assuntos religiosos passaram a ganhar espaço na mídia. O mais comentado é o aborto, cuja descriminalização é alvo de intensa discussão entre políticos, igrejas e sociedade. Primeiramente, a acusação foi de que Dilma era a favor da descriminalização do aborto, o que a colocou como alvo principalmente de segmentos das igrejas católica e evangélica. Pouco depois, foi informado q u e S e r r a t a m b é m adotou medidas pró-aborto quando foi ministro da Saúde, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Como a taxação de ser contra a vida pegou mais na candidata petista, os t u c a n o s t êm u t i l i z a d o o tema para obter votos diante dos eleitores mais religiosos. O PT, por sua vez, busca taxar Serra de privatista, apontando, por exemplo, que ele privatizará o Pré-sal caso seja eleito. Para o professor de filosofia da Universidade Positivo Pedro Elói Rech, uma soma de fatores pode ser responsável pela aproximação de José Serra na corrida eleitoral. Um deles é a xxministra da Casa Civil, Erenice Guerra, envolvida em

escândalos de tráfico de influência. “Se a Dilma perder a eleição, a culpada chama-se Erenice”, afirma. A postura do Presidente Lula também foi contestada pelo professor. “O fim do “lulinha paz e amor” também é responsável. No final do primeiro turno, Lula se tornou extremamente agressivo achando que estava abafando”, aponta. Fator Marina O crescimento expressivo de Serra indica que grande parte dos votos destinados a Marina Silva no primeiro turno foram transferidos para o candidato do PSDB. Antes das primeiras pesquisas serem divulgadas, a dúvida sobre o rumo dos votos verdes era controverso, por causa do eleitorado disperso da candidata. Considerava-se que os votos não tinham homogeneidade, sendo motivados mais pelo desagrado com os dois candidatos que polarizaram a disputa eleitoral. Neste domingo, o PV define formalmente se apoiará algum dos candidatos que seguem na disputa ou se manterá a neutralidade. A tendência é que o partido libere os seus representantes para apoios individuais. Com isso, as lideranças cariocas - apoiadas em Fernando Gabeira - e paulistas, devem apoiar Serra. Algumas lideranças nordestinas, como José Sarney Filho, já declararam apoio à Dilma. No entan-

O crescimento expressivo de Serra indica que grande parte dos votos destinados à Marina Silva no primeiro turno foram transferidos para o candidato do PSDB. Antes das primeiras pesquisas serem divulgadas, a dúvida sobre o rumo dos votos verdes era controverso, por causa do eleitorado disperso da candidata

to, a expectativa fica por conta do posicionamento da grande pivô da história, Marina Silva. “Marina deve estar pesando sua herança histórica e a desavença que teve no governo Lula. Tem que ver o que falará mais forte. Aposto na neutralidade, mas caso se posicione será a favor de Dilma. Não acredito em apoio ao Serra”, explica Rech. Debate Com a proximidade entre os dois candidatos, o próximo debate televisivo deve ter um tom ainda mais agressivo. Ele acontece neste domingo, na Rede TV, em parceria com o jornal Folha de S. Paulo. O evento acontece às 21h10 e terá a mediação do jornalista Kennedy Alencar.

Sensus aponta empate técnico Pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Sensus indica empate técnico entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). A candidata petista tem 46,8% das intenções de voto, enquanto o tucano aparece com 42,7%. Como a margem de erro é de 2,2%, os dois estão empatados tecnicamente. Eleitores que pretendem votar em branco ou nulo somam 4%. Indecisos e aqueles que não souberam responder totalizam 6,6%. Considerando os votos válidos, Dilma tem 52,3%, enquanto José Serra possui 47,7% das intenções de voto. A pesquisa ouviu duas mil pessoas em 136 cidades, entre 11 e 13 de outubro.


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Jornalismo Literário

Por que ler

Por que ler

Fama e Anonimato? A Sangue Frio? Eduardo Macarios

Ailime Kamaia Gay Talese foi um dos precursores do chamado “Novo Jornalismo”. A obra “Fama e Anonimato” é um dos principais livros do período. Falando assim, objetivamente, talvez seja difícil entender o porquê da admiração pelo jornalista e em específico, por esse livro. Para justificar a admiração provocada pelo autor é bom lembrar-se de Frank Sinatra. No mais famoso perfil do cantor americano, intitulado de “Frank Sinatra está resfriado”, Gay Talese fala sobre a personalidade excêntrica do artista. O mais interessante, e que para muitos demonstra a inteligência do jornalista, é o fato de o perfil ter sido escrito sem que Sinatra e Talese conversassem. Para traçar a personalidade do cantor, o jornalista teve que “persegui-lo” durante seis semanas. Além de Frank Sinatra, “Fama e Anonimato” reúne outras personalidades. Joe Di Maggio, famoso jogador de beisebol, e mais famoso a i n d a p o r ter sido ca s a d o com a platinada atriz Marilyn Monroe, também teve seu perfil retratado por Talese. Aliás, a relação do jogador com a atriz foi amplamente debatida pela mídia na época da separação, sete meses após o casamento. Pelo retrato feito por Talese sobre DiMaggio, o que parece é que a relação não havia sido superada pelo jogador na época das entrevistas. Parece bobo dizer, mas considerando que cada capítulo pode ser lido de forma independente, vale a pena

avisar que o melhor ponto de partida é justamente o primeiro texto (“Nova York é uma cidade de coisas que p a s s a m d e s p e r c e b i d a s ”) . Neste capítulo, Gay Talese faz uma “apresentação” do tema deste livro: as pessoas. São porteiros, ascensoristas, telefonistas e outros personagens que muitas vezes nem são notados na correria do dia a dia. Além disso, estão presentes outros ícones que também fazem parte do cotidiano nova-iorquino, como os manequins das vitrines, os gatos dos becos e as pontes. Falando em pontes, é disso que trata a segunda divisão do livro (“A ponte”). Os

biografados da vez são os operários, que trabalharam na obra “Verrazano-Narrows”, ligação entre os bairros de State Island e o Brooklyn. Os responsáveis pela existência da ponte eram em boa parte indígenas, e para testemunhar a rotina deles, Gay Talese chegou a acompanhá-los em viagens para as suas cidades natais. O jornalista, atualmente com 78 anos, é lembrado principalmente por “Fama e Anonimato”, mesmo tendo compilado seus textos em outros três livros: “A mulher do próximo”, “Honrados mafiosos” e “O reino e o poder”. Divulgação

O jornalista, atualmente com 78 anos, é lembrado principalmente por “Fama e Anonimato”

Eu me lembro quando li “A sangue frio” pela primeira vez. Minha reação ainda nas primeiras páginas foi: “Então, é isso que eu posso fazer com jornalismo?” Era uma narrativa envolvente como a dos filmes de suspense, mas com uma riqueza muito maior de detalhes e descrições. Ao que parece, Truman Capote leu uma nota no The New York Times sobre como a família Clutter foi brutalmente assassinada e viu que dali poderia sair um bom livro. Em seguida, partiu para a cidade de Holcomb, no Kansas, junto com sua assistente Harper Lee, para produzir algo que levaria quase seis anos e revolucionaria o estilo convencional de se fazer jornalismo. Em “A Sangue Frio”, Capote apresenta primeiro o cenário e os personagens, para só depois revelar o que realmente aconteceu. Investigar o cenário e em seguida as razões que movem os personagens é uma técnica consagrada no romance realista, mas esse tipo de investigação pertence também ao jornalismo. É nessa mistura que Capote apresenta o New Journalism - ou Novo Jornalismo - na sua forma mais pura. A origem desse estilo narrativo, porém, é quando Tom Wolfe, tendo problemas para escrever seu artigo, mandou para o seu editor um texto com o seguinte título: There Goes (Varoom! Varoom!) That Kandy Kolored (Thphhhhhh!) Tangerine-Flake Streamline Baby (Rahghhh!) Around the Bend (Brummmmmmmmmmmmmm), ou “Lá vai o aerodinâmico bebê floco de tangerina cor de caramelo”, em tradução livre e salvando as devidas onomatopeias. Fabio Marchioro, especialista em jornalismo literário, quadri-

Divulgação

nhos e como tirar neve da calçada em Toronto, entre outras coisas, diz que o primeiro motivo para ler “A Sangue Frio” é porque “é um clássico. E, como diz Italo Calvino, sendo um clássico é melhor lê-lo do que não lê-lo. Mas o que atraiu leitores desde a primeira edição, e atrai ainda hoje, é aquela sensação que o leitor tem de ‘estar ali’. Estar presente. Estar vendo, claramente, as coisas acontecendo. E que não é coisa fácil de se conseguir”. Relendo “A Sangue Frio”, notei que o jornalista Ivan Lessa assina, de sua casa estilo vitoriano no subúrbio de Londres, o prefácio da edição da coleção de jornalismo literário da Companhia das Letras, segundo ele, “a figura dramática dramaticamente urbana de Truman é quase tanto motivo de choque quanto o brutal crime múltiplo.” Capote vem na mão contrária do pessoal da geração beat. Ao ser confrontado com “On the Road”, de Jack Kerouac, ele é direto: “Isso não é escrever, é bater na máquina”. Capote também dizia que para ele “jornalismo era apenas uma fotografia literária.” Nesse aspecto, tanto Capote quanto Kerouac são fotógrafos de primeira linha.


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sem salvação

Adolescentes

Jornalismo Literário

Leila Moreti Antigos educandários, hoje os Centros de Socioeducação não são mais baseados na violência. Surras com diversos tipos de objetos, aplicadas por pessoas despreparadas, acreditando que desta forma o adolescente sairia da internação como um adulto preocupado com o futuro, com os estudos, em ter uma família e não causaria mais problemas para o Estado e à população pichando muros, cometendo furtos e até matando. As paredes continuam com cores claras e monótonas, onde qualquer ser humano enlouqueceria ou entraria em uma depressão profunda de habitar o local por mais de um mês. Grandes portas de ferro com correntes e trancas enormes fazem um barulho macabro. Os rostos assustados, cabelos raspados, um uniforme azul claro, aumentando ainda mais o ar depressivo do local. E chinelos. Até mesmo no frio os chinelos e roupas finas fazem parte da rotina. O direito a outras roupas, trazidas pelas famílias, é só em determinada altura do cumprimento da medida socioeducativa e só para saírem da unidade. De 14 a 21 anos, são todos tratados igualmente. Uma espécie de robôs. O almoço não depende do gosto de cada um. Chegam em caixas, meio que mal armazenados, com a tampa caindo e a comida se espalhando. Normalmente trata-se de arroz, muito arroz, um pouco de abóbora e uns dois steaks de frango fritos. Às vezes uma saladinha. Mas os

adolescentes saboreiam como se fosse a última refeição nas mesas de plástico brancas. Datas comemorativas são motivo de alegria para os adolescentes que passam os dias remoendo seus problemas, esperando ansiosamente o dia da desinternação. Nestas datas, a comida é especial. Muitas vezes é churrasco ou alimentos preparados por eles mesmos na cozinha da unidade, como forma de aprenderem uma profissão. É obrigação de todos ajudarem nos afazeres dentro da unidade. As salas de aula são pintadas e enceradas todo início de férias, para que o adolescente aprenda a valorizar o espaço que ocupa. Eles fazem esta atividade com muito afinco. “É tão bom você manter limpo e arrumado o local que vive”, conta um deles. Visitas também são muito bem vindas dentro do Centro de Socioeducação. O visitante pode conhecer toda estrutura da unidade, inclusive onde o filho dorme. Normalmente alojamentos com dois beliches, construídos pelos próprios garotos. Ali aprendem a dar valor ao que tem e ir atrás do que precisam. Ao final da visita o parente, normalmente a mãe, almoça com seu filho. O momento sempre é de muita emoção para o adolescente L. F., de 18 anos recém completos. Os professores elogiam para a mãe o desempenho do garoto em sala de aula. “Ele é esforçado e tem tido um ótimo aproveitamento”, conta a professora de Língua Portuguesa, deixando a mãe ainda mais emocionada.

A psicóloga da unidade tem a função de conversar com a mãe do garoto, para saber como está a vida da família. Na salinha pequena, com uma mesa longa, café e biscoitos a mãe conta as dificuldades que ainda vive. “O L. não vê a hora de sair daqui. Mas eu sei que ele está mais seguro aqui dentro, pois não tenho condição de me mudar para um lugar onde ele fique longe das más influências”, conta abatida. L. é viciado em crack. Tem aparência bonita, é carinhoso com a mãe, tem porte de atleta. Viu o pai ser assassinado a facadas por um conhecido da família e até hoje não superou o trauma. Vivia com a mãe, a irmã mais velha, o irmão de quatro anos e o ex-cunhado que é traficante de drogas e vive bêbado em casa. “Não é perigoso seu filho pequeno conviver com um traficante?”, indaga a psicóloga. “Não, ele não trafica mais. Depois que levou uma surra e quase morreu ele largou mão”, afirma. As feições da mãe do garoto são de uma mulher sofrida e que não vê saída para os problemas. Magra, com muitas rugas, apesar de nova, e de estatura baixa, muito menor que seu filho. Sem estudo não acha um emprego que garanta seu sustento e da sua família. Mora numa casa pequena, sem condições de higiene e sem alimentação adequada. O filho de quatro anos tem um jeitinho arisco, parece que sabe o risco que corre. Ainda não frequenta creche. A mãe

Os rostos assustados, cabelos raspados, um uniforme azul claro, aumentando ainda mais o ar depressivo do local não conseguiu vaga, está tudo lotado. “Proibi meu ex-genro de beber em casa para não influenciar o pequenininho”, diz a mãe convicta. Ao final da conversa com a psicóloga a mãe vai para o almoço com o filho. Os dois comem a mesma comida da caixa. O abraço foi demorado, com muitas lágrimas dos dois lados. A vontade de L. de ir embora com a mãe. A vontade da mãe de ter condição de poder proporcionar um lugar decente para o filho viver. “Eu o encontrava pelado na rua, pois ele trocava até a roupa do corpo por crack”, contou a mãe em determinado momento. L. foi preso por furto. Está há quase um ano na unidade. Lá está terminando seus estudos. Não recebe tratamento para o vício. A família continua sem condições de recebêlo. A volta de L. para casa depende do Juíz, mas o restante... O restante não se sabe de quem.


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Danilo Georgete

Thomas Mayer Rieger

Escreve quinzenalmente sobre esportes, às sextas-feiras danilo_georgete@hotmail.com

Escreve quinzenalmente sobre relações internacionais, às sextas-feiras thomasmr@hotmail.com

Esportes

Relações internacionais

TRI Legal Uma seleção que encanta, emociona, joga bonito e ainda por cima conquista o tricampeonato mundial. Engana-se quem pensa que é a seleção de futebol de 1970. Essa é a seleção de vôlei comanda pelo “monstro” Bernardinho. Como ex-jogador de vôlei, sempre fui mais íntimo desse esporte, acompanhei o mundial desse ano meio nas coxas, por conta dos jogos serem no meio da tarde e, como somos somente o país do “fiasco” do futebol, não damos importância para os mundiais de outros esportes. Com um regulamento que escancaradamente privilegiava a Itália, anfitriã do torneio, o Brasil teve que passar por cima de todos para chegar ao legítimo tri, coisa que o futebol não tem! A seleção do capitão Giba foi duramente criticada por perder de propósito da Bulgária para cair em uma chave mais fácil. Me pergunto, criticada por que? O Brasil jogou com o regulamento debaixo do braço. Aposto que se tivesse acontecido o mesmo com o futebol, a imprensa brasileira teria apoiado. Quem lê minha coluna sabe que gosto de futebol, só que fico meio chateado com o desprezo com os esportes olímpicos. O vôlei, por exemplo, conquista mais títulos do que o futebol, e isso não é de hoje. Fica aqui meus parabéns para a BAND, que abriu mão de transmitir jogos do campeonato brasileiro para passar em rede nacional a final do mundial de vôlei. E que final foi aquela, 3x0 fácil em cima dos temidos cubanos. Escrevam o que estou

dizendo, a única equipe que poderá bater de frente com o Brasil nos próximos cinco anos será Cuba. Assim como o Brasil, Cuba tem uma base fortíssima. Parabéns também ao Giba, Dante e Rodrigão, que são os únicos jogadores a participarem dos três mundiais conquistados pela seleção. Outro jogador que também merece os parabéns é o Vissotto, que igualou a marca do eterno capitão Nalbert; os dois são os únicos jogadores no mundo a serem campeões mundiais em todas as categorias do vôlei.

Por fim, foi emocionante assistir esse mundial, foi emocionante ver os jogadores lutarem, suarem a camisa, mostrarem amor ao país. Para todos os jogadores e comissão técnica do Brasil, o sincero agradecimento do povo brasileiro, pois nesse ano onde toda a mídia apostou as fichas no futebol canarinho, foi o voleibol que trouxe mais alegrias. O melhor de tudo é saber que não acaba por aqui. Vai começar agora o mundial feminino e adivinhem: Somos os favoritos. É TRI legal assistir o vôlei nacional jogar!

Fotos: Divulgação

Liderança O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, está em visita ao Líbano. Ontem, ele questionou a veracidade do Holocausto, o massacre de centenas de milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, e do atentado às torres do World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Ahmadinejad afirmou que se a verdade sobre esses dois eventos for revelada, ficará claro que ambos são apenas desculpas para a ocupação do Oriente Médio. Em discurso, o iraniano afirmou ainda: “O mundo inteiro sabe que os sionistas (Israel) vão desaparecer. Os ocupadores sionistas hoje não têm escolha senão aceitar a realidade e voltar para seus países de origem". Em comunicado, o governo de Israel considerou a visita de Ahmadinejad provocativa e desestabilizadora. Os israelenses ainda declararam: “Parece que suas [Ahmadinejad] intenções são visivelmente hostis e ele está vindo para brincar com fogo". As tensões entre israelenses e libaneses têm história. O Líbano, um país basicamente islâmico, foi invadido por Israel em 1982. Oficialmente, a “Primeira Guerra do Líbano” veio em decorrência de ataques perpetrados pelos palestinos da Organização para a Libertação da Palestina, a OLP. Para cessá-los, os israelenses invadiram o sul do Líbano. Em resposta à invasão, foi formado o Hezbollah, “partido de Deus”, em árabe. Sediado no Líbano e treinado pela Guarda Revolucionária Iraniana, o partido tinha três objetivos principais: buscar o fim de qualquer grupo colonialista (como Israel, o

qual “tentava colonizar territórios árabes à força”), formar um regime islâmico libanês e levar à justiça os falangistas, membros do partido de oposição. Hoje em dia, o Hezbollah é considerado uma organização terrorista por países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e tem inclusive assentos no parlamento libanês, além de estações de rádio e televisão. Acima de tudo, o Hezbollah é considerado um dos principais movimentos paramilitares antissionistas do Oriente Médio. Em outras palavras: é uma milícia armada que luta contra a presença de israelenses no Oriente Médio. O personagem mais polêmico do Oriente Médio, Mahmoud Ahmadinejad, está, por mais surpreendente que isso venha soar, agindo de maneira previsível. O Irã financia e apoia o Hezbollah, e nada é mais natural que essa demonstração de proximidade e união contra uma causa comum: o tão desejado fim de Israel. Os países da região sempre estiveram mergulhados em tensões armadas contra os israelenses. Notícias de ataques terroristas tornaram-se tão corriqueiras que parecem não significar mais nada. Entretanto, por mais que os árabes odeiem tanto a nação judaica e anseiem pelo seu fim, nunca houve uma união militar coesa e efetiva entre eles. Israel sempre mostrou superioridade tática e bélica, e, mesmo em minoria efetiva, nunca foi derrotado pelos inimigos árabes. O presidente iraniano vem se reunindo, nos últimos tempos, com lideranças árabes regionais, como, por exemplo, o Líbano e a Síria. Existiria coesão tática por trás da excentricidade de Ahmadinejad?


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Perfil

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Mão no batom e no volante: motorista por vocação SXC/Ralph Morris

Daniel D’Alessandro “Ai, moço, o mais comum é ouvir que sou mulher-macho, né?”, responde Maria ao ser questionada sobre o preconceito quanto ao seu trabalho. “Já ouvi de tudo. Tem aquela: tá faltando panela em casa, dona? Vai cozinhar!”, lembra, mas sem rancor. A curitibana de 34 anos sempre se interessou por motores, numa identificação com o que seu pai taxista fazia. Seu Miguel sempre falava para a filha a respeito da boa sensação que sentia ao dirigir. Remune-

SXC

ração por isso? “Melhor ainda”, ele dizia. Já a mãe achava que a filha precisava estudar. Coração materno fala que o esforço compensa. Para dona Selma, a inteligência conquistada com esforço seria a única coisa que jamais alguém teria a chance de tirar da filha. “Mas eu preferia brincar de carrinho”, diz Maria. As colegas da escola achavam a sua amizade prescindível, já que os gostos da menina eram impopulares entre elas. Isso justamente no momento da vida em que a afirmação perante os outros praticamente significa felicidade. Os meninos eram mais legais, não a cobravam sobre seu cabelo ou roupa, apenas queriam que ela brincasse direito, sem atrapalhar. Maria, contudo, não se tornava um deles. “Futebol eu nunca gostei. Andava com eles porque também gostavam de carros”. Maria guarda até hoje os caminhões de brinquedo que comprava com dois garotos em conjunto, numa interação entre as mesadas. A cada semana a diversão tinha de ficar na casa de um, mas alguns caminhõezinhos estacionaram para sempre no seu quarto. Os meninos os esqueceram, Maria não. A adolescência foi quando aprendeu a guiar. “O pai até que dizia sim, que ia me ensinar, mas morria de medo de eu bater o táxi. É o teu pão, ele me falava”, conta Maria. A garota co-

meçou a pegar o carro do tio enquanto ele dormia, de folga do trabalho. “Ia pra lá e pra cá. Eu pegava o Monza escondida, mas dava uma abastecidinha nele”, lembra. Quando o tio descobriu, Maria já era a melhor motorista da família. Uma semana depois de completar a maioridade, Maria recebeu em casa a habilitação. Tinha em mãos o presente esperado por 18 anos. O contratempo chegou logo em seguida: seu Miguel adoeceu e morreu meses depois. Maria terminou os estudos com a obrigação de conseguir um emprego melhor com o máximo de urgência, já que os doces de dona Selma, a mãe, não vendiam como antes. “Levei uma porrada, mas cresci. Deus é grande”, confia. Após dois dias procurando empregos de balconista e atendente, Maria recebe a proposta de virar caminhoneira. A chance bateu curta e grossa, quando um gerente de transportadora, credor de algumas dívidas que seu Miguel deixou, a chamou. “O homem que levaria o caminhão até Ribeirão Preto um dia depois estava doente. Me chamaram porque sabiam que eu já dirigia coisa grande também”. Maria assim teria a chance de sanar a dívida, além de ser contratada, caso trabalhasse com competência. Levou as 10 toneladas com maestria, conseguindo no caminho outro carregamento, dessa vez para ser en-

tregue em Foz do Iguaçu. “Voltei em uma semana, com o emprego garantido”, orgulha-se. Aos quatro anos de função e vinte e dois de idade, Maria engravidou de seu primeiro namorado, que sumiu após saber das consequências de um preservativo furado. “Ah, meu Deus! Aquele cara lá não servia pra nada, hoje eu sei”. Nos primeiros anos de vida de Isabelly, a menina ficava mais com a avó, que já não trabalhava mais, sustentada pelas viagens de Maria. Mais três anos na boleia e a caminhoneira larga a profissão. “Foi por saudade da Belinha”, justifica. “Não aguentava ver a minha filha apenas nos fins de semana”. Na primeira tentativa, Maria passou nos exames e entrou para o efetivo de motoristas de ônibus de Curitiba. “Após um

ano, já consegui pegar um desses aqui”, afirma, retocando o batom enquanto o Ligeirinho está parado no sinal vermelho. Sobre os passageiros, para ela, as reações são diversas. “Uma vez, bateram na traseira do ônibus e um passageiro reclamou, afirmando que a culpa era minha, que mulher não devia dirigir”. Na ocasião, os usuários que já a conheciam expulsaram o sujeito do veículo. “Foi bonito de se ver”, diverte-se. Isabelly, 12 anos de idade, sempre que pode acompanha a mãe no trabalho, como um guarda-costas. “Né que eu te protejo, mãe?”, pergunta. Sobre sua futura profissão, não hesita: bióloga e bem inteligente, pois, segundo a menina, a única coisa que ninguém tirará dela é seu conhecimento.

SXC/Agata Urbaniak


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Cultura

Para

os

amantes amantes

Juliana Guerra

da

Como esquecer

Júlia acaba de ser abandonada por Antonia, com quem teve um relacionamento intenso por mais de dez anos. Após o término do namoro, ela conta com a ajuda de seu melhor amigo, Hugo, também homossexual. Enquanto tenta se recuperar e reestruturar sua vida, Julia não esconde a dor enquanto narra suas emoções.

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Ana Elisa Cristina da Silva O espaço: Cinemateca de Curitiba. A localização: Duas casas restauradas e um anexo construído recentemente no centro de Curitiba. No passado: Sua “carteirinha” era disputada, e os que a tinham, eram os intelectuais. Hoje: não existem mais carteirinhas, e os frequentadores, raros. Enquanto um espaço cultural, a Cinemateca, é sinônimo de sucesso. Os recursos enviados pela prefeitura são suficientes para mantê-la em pleno funcionamento, e os projetos possuem grandes apoiadores

como a fundação Caixa Cultural e Itaú Cultural que custeiam algumas produções locais e os caros processos de restauração. Já como entretenimento o sucesso não é tão grande, não pela programação que oferece, mas pelo pouco público que chega até ela. Representa uma grande saída para quem quer fugir dos cinemas caros, abarrotados de gente e dos grandes “blockbuster’s” americanos. Pela programação da Cinemateca passam filmes estrangeiros de grande notoriedade no cinema

Além das salas de projeções, o espaço da cinemateca abriga um museu e também oferece cursos e oficinas de cinema voltados a cineastas e a estudantes da sétima arte. Os cursos normalmente são intensivos, duram cerca de três meses e têm por objetivo a produção completa de um filme pelos alunos

mundial, estreias de longas e curtas de produção nacional com destaque para as produções paranaenses. O espaço também recebe muitas mostras de cinema amador. E ainda exibe partes do seu acervo. Além das salas de projeções, o espaço da cinemateca abriga um museu e também oferece cursos e oficinas de cinema voltados a cineastas e a estudantes da sétima arte. Os cursos normalmente são intensivos, duram cerca de três meses e têm por objetivo a produção completa de um filme pelos alunos. Já sabe o que fazer no próximo fim de semana? Que tal dar uma passada na Cinemateca? Confira a programação no site: www. fundacaoculturadecuritiba. com.br/cinema. Serviço: De segunda a sábado R$ 5,00. Domingo R$ 1,00. Crianças de até 12 anos, estudantes e espectadores acima de 60 anos pagam meia entrada. A Cinemateca de Curitiba também disponibiliza sessões gratuitas. Endereço: Rua Carlos Cavalcanti, 1174 - São Francisco Fundação Cultural de Curitiba – 3213-7500

Divulgação

Em cartaz no Cineplex Batel (Shopping Novo Batel) e Unibanco (Shopping Crystal).

Juntos pelo Acaso A única coisa que Holly e Eric têm em comum é a afilhada Sophie e a antipatia de um pelo outro. Mas após um acidente que tira a vida dos pais da menina, eles são designados a cuidar dela. Agora, morando sob o mesmo teto, precisam entrar em um acordo para cuidar de Sophie.

Divulgação

Em cartaz no Cinemark Barigui, Cinemark Mueller, Cinesystem Cidade, Cinesystem Curitiba, UCI Estação, UCI Palladium e Unibanco (Shopping Crystal)

A Festa da Menina Morta

O filme dirigido por Matheus Nachtergaele conta a história de Santinho, que passou a ser considerado santo em uma comunidade ribeirinha, do Rio Amazonas, porque recebeu da boca de um cachorro o pedaço do vestido Divulgação de uma menina da comunidade que havia desaparecido. Há 20 anos a comunidade recebe visitantes que fazem adoração ao tecido e aguardam revelações da menina morta. Em cartaz na Cinemateca de Curitiba até dia 20 de outubro

LONA608  

JORNAL-LABORATÓRIO DIÁRIO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIVERSIDADE POSITIVO

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