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RIO DIÁ do

Curitiba, quarta-feira, 15 de setembro de 2010 - Ano XII - Número 589 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Cultura

Exposição de Mariana Zarpellon traz fotos da Índia, Marrocos e Nepal

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redacaolona@gmail.com

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Empreendedorismo

Público jovem é alvo de empresas emergentes de entregas de bebidas e alimentos

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Opinião

Articulista fala sobre os 107 anos do Grêmio Pág. 2

Conheça o histórico dessa dia e saiba da história de uma empresa que cresceu sem grandes ações de marketing, apostando apenas no poder da fidelidade dos clientes Pág. 3


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Curitiba, quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Expediente

Opinião

Reitor: José Pio Martins. Vice-Reitor: Arno Antonio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Cosme Damião Massi; PróReitor de Pós-Graduação e Pesquisa e PróReitor de Extensão: Bruno Fernandes; Pró-Reitor de Administração: Arno Antonio Gnoatto; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira e Marcelo Lima; Editoreschefes: Daniel Castro (castrolona@gmail. com.br), Diego Henrique da Silva (ediegohenrique @hotmail.com) e Nathalia Cavalcante (nathalia. jornal@gmail.com) .

Só a imortalidade explica

Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”. O LONA é o jornallaboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP Redação LONA: (41) 3317-3044 Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-30. Fone (41) 3317-3000

Jéssica Carvalho

Os dicionários invariavelmente definem o substantivo grêmio com uma só frase. Os mais tradicionais costumam afirmar que se trata de um “grupo de pessoas reunidas em torno de um mesmo objetivo”, o que torna tudo muito simples e didático, porém, insuficiente se falarmos do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Para os que amam o manto azul, preto e branco, definir o Grêmio é uma tarefa árdua. O time pelo qual mais de sete milhões de corações torcedores batem por todo o país desafia a lógica e a racionalidade. Há quem diga que Grêmio é sentimento. Há quem diga que é doença. Há quem diga que é tudo e mais um pouco, porque pensar no tricolor gaúcho é pensar na imensidão. O Grêmio nasceu em 1903. No mesmo ano, morreu o pai de Hitler, nasceram George Orwell e Candido Portinari, as mulheres abusavam do tom pastel e a primeira versão cinematográfica para Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, foi produzida. Só nasci 88 anos depois, e ainda levei quatorze anos para provar da imortalidade pela primeira vez. Quando se é criança, as coisas não fazem muito sentido. O que é uma partida de futebol? 22 homens correndo atrás de uma bola? Só pude compreender no dia em que 22 viraram 18. Era 26 de novembro, fazia sol e a batalha acabara de começar. As camisas azul-celeste estavam todas lá, cumprindo a promessa: com o Grêmio, onde estiver o Grêmio. A bola rolou e, quando ficava por muito tempo nos pés do adversário, até ateu rezava. Todo mundo parecia implorar pra Deus ser gremista naquele dia. No campo, os jogadores pareciam sufocados. Só não se sabia se era por causa do presente da casa - a tinta fresca com querosene e gasolina no vestiário - ou porque o campeão do mundo estava na segunda divisão. A tarde foi marcada por duas penalidades máximas contra o

Divulgação

Grêmio. A primeira foi parar na trave do goleiro Galatto. A segunda foi adiada por mais de 25 minutos pelos jogadores desesperados, que guerreavam. O capitão, Sandro, parou em cima da marca do pênalti, tentando evitar o inevitável. Era final de segundo tempo e um gol do adversário condenava os gaúchos por mais um ano, mas o gol nunca foi marcado. Galatto defendeu dessa vez e Anderson ainda cuidou do placar. 1X0. O narrador gritava: - “Inacreditável! Você acredita em milagres?” O jogo que, posteriormente, ficou conhecido como “A batalha dos aflitos”, só acabou aos 60 minutos do segundo tempo. O Grêmio foi campeão, e até se poderia dizer que, nesse momento, voltou a ser grande, mas nunca se permitiu ser pequeno. Pelo contrário: nada pode ser maior. Meu coração passou a ter três cores. Desse modo, posso dizer que já nasci campeã do mundo. Portaluppi cuidou disso pra mim em 1983, quando eu ainda nem pensava em vir ao mundo. Hoje, me orgulho de torcer pelo time que completa 107 anos de glórias. Parabéns, imortal. Como diria o escritor gaúcho Felipe Sandrin, “é pequeno o detalhe de o meu sangue ser vermelho. Diante o céu e o mar, é azul o mundo inteiro”. Azul celeste.


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Dia do cliente

Parabéns para todos O dia do cliente é comemorado hoje. A data é muito plural, já que todos participam de alguma forma do consumo de mercadorias e serviços Daniel Castro “O cliente tem sempre a razão”. Quantas vezes você já não ouviu essa frase? Pois saiba que, além dela, os clientes ganharam até um dia para chamar de seu e sentirem-se ainda mais queridos pelos lojistas e empresários. A relação, não se engane, é baseada no retorno financeiro que a clientela dá para os comerciantes. Independente disso, o dia 15 de setembro é marcado pela comemoração do Dia do Cliente, criado pelo administrador João Carlos Rego. Segundo o site oficial da c o m e m o r a ç ã o (www.diadocliente.com.br), “o cliente é a única razão de ser da existência de todos os produtos e serviços, de todas as empresas, de todas as profissões e de todos os postos de trabalho do mundo. É justo, pois, que esta figura seja homenageada em uma data especial”. Nada mais justo, até porque, a existência de outras datas comemorativas como dia dos pais, mães, e crianças, só existem por causa da existência dos consumidores. Curitiba é um dos 16 municípios paranaenses que comemoram este dia, porém, a proposta não foi aprovada em âmbito estadual. No Brasil, a data foi adotada por importantes entidades, entre as quais a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) e Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (ALSHOP). A importância da clientela para as empresas é explicada por Irene Duran Otero, diretora da Exodus Consultoria e Treinamentos, que presta serviços para indústrias, empresas e

outras formas de comércio. “Os clientes nos desafiam a melhorar nossos produtos”. Além disso, ela destaca a abrangência da comemoração. “É super ampla, todo mundo é cliente de alguém”, completa. Exposição da marca A divulgação de negócios boca a boca não é coisa do passado. Irene conta que a Exodus cresceu sem precisar fazer grandes campanhas de marketing. A fórmula encontrada pela empresa dispensa investimentos pesados para a veiculação de publicidade na mídia, fazendo com que mais receitas possam ser aplicadas em conhecimento. A diretora aposta na credibilidade dessa forma de divulgação para trazer resultados positivos aos negócios da empresa. “Temos todos os nossos clientes atuando como vendedores do nosso produto”, explica. Além de apostar nessa forma tradicional de propaganda, Irene garante que não há como fugir das redes sociais, que como ela mesmo aponta, “vieram para ficar”. Por isso, sua empresa está presente nas principais redes profissionais da web. Ainda sobre o dia do cliente, a diretora acredita que a sua divulgação é limitada, o que impede que mais estabelecimentos promovam a data para os seus consumidores. No entanto, a melhora passa por uma velha conhecida sua: a divulgação boca a boca.

Consumidor: fique atento No site do Procon é possível verificar orientações para os consumidores em diferentes áreas, que muitas vezes não são cumpridas pelos estabelecimentos. Conheça alguns direitos e deveres que você nem imaginava ter. - Bares, restaurantes e lanchonetes devem colocar um cardápio com o preço dos produtos ofertados na porta de entrada do estabelecimento. - As pessoas devem exigir a nota fiscal ou ticket de caixa, pois sem este documento não há como trocar o produto ou abrir reclamações junto aos órgãos de defesa do consumidor. - As propagandas de medicamentos que não precisam de prescrição médica não podem exibir a imagens ou vozes de pessoas famosas sugerindo ou recomendando o uso de determinado medicamento. Os textos das propagandas deverão trazer os termos técnicos escritos de forma simplificada, para facilitar a compreensão do público. - A cobrança de um valor para a emissão de boleto bancário é prática abusiva e ilegal que contraria o estabelecido no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Este custo é de quem contrata o serviço da instituição financeira e não pode ser transferido ao consumidor.

Nathalia Cavalcante


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Empreendedorismo Divulgação

Feitas sob medida Empresas especializadas em entregas de bebidas alcoólicas ganham espaço apostando no público jovem

Daniel Castro Preocupados com os preços elevados de bares e boates, é comum que, antes de sair para se divertir, os jovens façam uma espécie de reunião, conhecida como “esquenta”. No entanto, a maioria dos supermercados encerra cedo os seus expedientes, e muitas lojas de conveniências fecham as portas junto com os postos de gasolina em que estão localizadas, que temem os assaltos. O que parecia um problema para os jovens transformouse em oportunidade de negócio para alguns. A referência de quem embarca nesse tipo de empreendimento vem de São Paulo. Na capital paulista, dois rapazes, cansados das vezes em que acabava alguma bebida nas festas e ninguém queria sair para comprar, criaram a SOS Esquenta, empresa que atua na entrega de bebidas alcoólicas, refrigerantes, salgadinhos, cigarros e até preservativos. A ideia correu o Brasil e chegou a Curitiba. Por aqui, já são três empresas do ramo. Henrique Massaro é sócio da empresa Alô Esquenta, junto com sua noiva, Taína Vieck. Ele tinha planos de abrir uma distribuidora de bebidas, mas as dificuldades da área fizeram

com que ele optasse pelas entregas. “O investimento e o risco para entrar nesse mercado são muito altos. Foi aí que surgiu a ideia da empresa, para desenvolvermos a marca e, futuramente, tornar-se uma distribuidora”, conta Massaro. A interação com o público é grande tanto para criar novas opções de cardápio quanto para solicitar encomendas, que podem ser feitas por telefone, MSN e Twitter. A utilização da internet reflete o principal público do empreendimento, que são as classes A e B. Augusto Cezar conheceu a Alo Esquenta no Twitter. Para ele, a fidelidade faz com que o relacionamento entre o cliente e a empresa melhore significativamente. “Hoje eu ligo e eles já sabem exatamente o que eu quero”, conta. Entregar bebidas e conveniências durante o dia inteiro rende histórias curiosas, além de pedidos inusitados. Massaro conta que certa vez, a entrega de uma carteira de cigarros às 3h da manhã fez com que o cliente pagasse o dobro do preço pelo produto, por causa da taxa de entrega. Como todas as vendas de bebida, as empresas estão

cientes de que não podem ser realizadas para menores de 18 anos. Massaro diz que apesar da empresa ser nova e focada no público jovem, o comprometimento e a seriedade têm que estar presentes nessas horas. “Como o nosso projeto não é de um ano, mas de no mínimo cinco, nós temos que ter uma postura muito séria no mercado”. Quem se beneficia desse tipo de serviço evita os problemas causados pela combinação entre álcool e direção. A entrega das bebidas evita que as pessoas saiam de carro para comprar os produtos que faltam nas festas. “Quando você está em uma festa e acaba alguma coisa, não é necessário sair de casa, é só pedir e esperar pelo produto”, diz Cezar. Para Massaro, as expectativas de mercado são positivas, mas com ressalvas. “O mercado está sendo fortalecido, mas ainda não está preparado para receber muitas empresas desse tipo”, explica. Para Cezar, a propaganda é fundamental. “Acho que existe um bom mercado, mas tudo depende da jogada de marketing da empresa”, completa.

Divulgação

“O investimento e o risco para entrar nesse mercado são muito altos. Foi aí que surgiu a ideia da empresa, para desenvolvermos a marca e, futuramente, tornar-se uma distribuidora” Henrique Massaro, sócio da empresa Alô Esquenta.

Concurso cultural A empresa de entrega de bebidas Alô Esquenta convida os universitários para participarem de uma promoção. O desafio é criar uma frase de cinco segundos para promover a marca, que será veiculada em um comercial na rádio Jovem Pan. O contato pode ser feito por telefone (32625219), site (www.aloesquenta.com.br), ou twitter (@aloesquenta).


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Tecnologia

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Metalic

O formato de gravação gera impasse entre gravadoras, artistas e consumidor

uma realidade contra a pirataria Wellington Luiz Mengatto Após alguns anos de intensas pesquisas, finalmente desenvolveu-se um novo conceito de reprodução musical, chamado Semi Metalic Disc (SMD), que com uma nova tecnologia, abordagem inovadora e rentável, conseguiu reduzir o preço de produção em 30% e o de comercialização em 80%, comparado ao Compact Disc (CD). O SMD é uma patente nacional, criada em 2003 e patenteada em todo o mundo. Tanto artistas independentes, como artistas de gravadoras e de selos fonográficos poderão ter seus discos prensados nesse novo formato, pois assim como o CD, o SMD preserva os direitos autorais. Hoje nos pontos de venda, o preço médio de um CD é de R$ 19, o que impõe ao lojista um lucro inferior a 5%. Um pirata, por sua vez, sem qualquer custo, alheio ao pagamento de todo e qualquer tributo ou di-

reito autoral, vende um CD a R$ 5 com margem de lucro superior a 60%, inviabilizando quase que totalmente a venda legal do CD. A lucratividade do lojista no formato SMD é de 20%, mesmo reservando todos os direitos, junto à pirâmide envolvida no processo de produção, fabricação, divulgação e comercialização. O preço do SMD é fixo e impresso na capa, de forma que possa garantir o cunho social de combate à pirataria e acesso à cultura. Entre os artistas a opinião é dividida. Para o vocalista da banda O Homem Amarelo, Neto Albuquerque, não importa a mídia, e sim a qualidade do que irá tocar nela. “O custo de prensagem do nosso CD, com mil cópias, foi apenas 10% do custo total gasto na produção, o restante foram despesas no estúdio”, argumenta. Como o processo de gravação é relativamente custoso, Neto acredita também,

que o preço de comercialização do CD é justo. “A gravadora coloca dinheiro na locação de estúdios para gravação, confecção de cenários de shows, na contratação dos melhores profissionais para dirigir o espetáculo, logística, enfim, ela tem o direito de recuperar o investimento”, analisa. De acordo com o vocalista da Banda Rabugentos, Paulinho, que recentemente gravou seu trabalho em SMD, as gravadoras poderiam aderir ao formato. “Deveria ser aceito, mas não há interesse, porque eles teriam que se adequar as regras do SMD e baixar o preço de todos os CDs, incluindo os lançamentos, para R$ 5”, afirma. Paulinho critica este posicionamento, que auxilia no avanço da pirataria. “O lema das gravadoras é: trabalhar pouco, ganhar muito em pouco tempo e gastar mal a grana”, comenta.

Divulgação UOL/ Patrícia Cecatti

Criado pelo cantor Ralf e desenvolvido por engenheiros da Unicamp, o SMD (disco semimetálico) tem qualidade semelhante à do CD e pode ser tocado em qualquer aparelho

Saúde

Morte de crianças com até cinco anos é provocada por doenças infecciosas Divulgação/www.invivo.fiocruz.br

Diair Portes O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMC) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que a maioria das mortes de crianças com até cinco anos de idade é causada por doenças infecciosas. Das 8,7 milhões de mortes que ocorreram nessa

faixa etária em 2008, 68% foram provocadas por doenças como pneumonia (18%), diarreia (15%) e malária (8%). Metade das mortes acontece em cinco países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão e China. O levantamento também mostra que quase

metade dos óbitos, 41% acontece em recém-nascidos, crianças com até 27 dias. Nesse grupo, as complicações de doenças infecciosas, originadas de partos prematuros são a principal causa, seguidas da asfixia no parto, infecção generalizada e pneumonia.

Metade das mortes acontece em cinco países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão e China.


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Crônicas | Por Daniel Zanella

Para

escrever

crônica uma

Para escrever uma crônica. É preciso, primeiramente, estancar a veia salutar do cotidiano, parar a máquina de interpretações que absorve os dias e desperdiça papel, iluminar as pequenas estrelas dos hábitos mais mundanos, perceber que os melhores olhos são estrangeiros. Afinal, o que é a confusão do mundo diante da camiseta vermelha da moça da floricultura, com um furinho no ombro? Para escrever uma crônica. É preciso não ter medo de escrever. Esquecer os pais, os irmãos, as companheiras, os amigos, os contadores, os atendentes dos bancos, os donos dos jornais, o que os outros irão dizer, e escrever, escrever a letra mais amorosa, constrangedora, autêntica, necessária e sincera. Lembrar de todos eles. Para escrever uma crônica. É preciso não se levar a sério, rir do que mais causa vergonha e repugnância, chorar quando se quer chorar, procurar a casa onde as palavras mais puras moram e dizer no tom que julgar apropriado toda a saudade que mata, pois muitas coisas matam, amor-demais mata, tristeza mata, fome mata, desejar a cronista mata, as dívidas matam – aos poucos – e a melancolia do carteiro que entrega os malotes todas as manhãs aqui em casa também mata. Para escrever uma crônica. É preciso acreditar que nunca faltará assunto. Os dramas alheios são nossos, o aumento da inflação é nossa culpa, os amantes somos nós, o frio é mais frio quando relatamos seis linhas de inverno, a morte é mais morte quando tentamos capturar o indizível. Ser fraco, não ter verdade, amar, apaixonar e odiar com toda a intensidade. Para escrever uma crônica. É preciso gostar de poesia e nunca escrever poesia. É preciso se encantar com a música das palavras, com o

rumo de nossos humores, ler o canto dos animais quando o dia nasce, tentar aplainar o sofrimento de quem sofre, dividir a amargura, as ironias, a preguiça. Para escrever uma crônica. É preciso beber sempre. Nunca confiar em quem não bebe, sempre reescrever o passado, mentir com tanta sinceridade que nem lembraremos quem somos antes e depois, sonhar os copos mais fundos, uma vida mais vivida, tentar alcançar o esplendor das estrelas quando a noite cai. Escrever sobre o nada, observar o rio quando o rio não faz nada, fazer do nada a faísca que cria a substância, com essa faísca iluminar o quarto todo, abraçar o travesseiro da madrugada mais longa, ter no peito sempre uma canção, rememorar o acalanto mais singelo, saber que é preciso seduzir o leitor – nosso confidente, nosso sangue – compartilhar com ele a brevidade do tempo, nossas fúrias e serenidades, se possível, também atenuar um pouco nossos corações em brasa, lava e lama, se alimentar da lama. Para escrever uma crônica.

Como

seria

Quando acordo com sede extrema, uma tontura maior do que as dores de cabeça, alguma coisa que esqueci no bar, uma aspiração quase monumental de viver além de, fico a pensar em como seria se. Como seria se não eu tivesse essa solitária a me consumir diariamente, me fazendo entregar horas de silêncio ao duvidoso ofício de escrever. Como seria se pudesse me trancar numa biblioteca infindável, os livros a caírem em minha cabeça, um punhado de poetisas pairando sobre o teto. Como seria se não precisasse desse dinheiro que me leva a trabalhar nas madrugadas capoeiras, buscando jornais que ninguém lê, entregando notícias que são sempre as mesmas. Como seria se não fosse necessário vender livros que prometem o céu e o inferno, os relatórios enfadonhos, os cálculos dos boletos, os leitores do novo sucesso do momento. Como seria se os amigos não trabalhassem de segunda a sexta, se não reclamassem de sono atrasado nos finais de semanas, se as esposas não pedissem moderação com a bebida, se as esposas não dissessem que chega por hoje. Como seria se o patrão parasse com essa mania de fazer festas pra integrar a equipe, não, não faça festas, dê aumentos, diminua a jornada de trabalho, abandone o planejamento de metas, não demita aquele que não se adequou aos protocolos, não faça discursos dizendo que somos uma família. Como seria se não carecesse o alimento repentino, me deu uma vontade súbita de comer tâmaras agora, sim, tâmaras, não sei se por causa do nome ou por causa do amor. Como seria se não faltasse amor, se a companheira não estivesse tão distante, se os meses passassem mais rapidamente até o reencontro, se bastasse levantar da cadeira e avisar que estou chegando. Como seria se não tivesse que reprimir a pele, pudesse dizer a companheira: olha só essa moça, ela escreve coisas maravilhosas, leia, você vai gostar, ela é linda, ela pode dormir com a gente hoje? Como seria se a minha irmã não fosse tão horizonte, imperceptível, feita de pedra e desencanto. Como seria se a vida fosse uma prolongada noite na taberna, nunca faltassem os trocados da cerveja e do vinho, os amigos todos reunidos, as mulheres que amamos, os abraços mais sinceros, as canções mais tristes e felizes e eternas, alguns poemas portugueses, um brinde ao patrão, que está em casa arquitetando novas contas, um brinde ao proletário, que abandonou a obra pra tomar um trago, um brinde ao meu pai, que me deixou de herança a paixão pelo futebol, um brinde ao religioso que ainda não entendeu o poeta que disse que os deuses são deuses porque não se pensam, um brinde à minha mãe, que através de si me deu o exemplo do que não quero ser, trabalhe menos, mãe, trabalhe menos, um brinde ao primo, aquele filho da puta que quis me vender um carro estragado, um brinde ao escritor que nunca morrerá, um brinde à todas as esquinas sujas, um brinde ao amor de todos os corações, ao meu coração aos tropeços, ao seu coração que busca outro coração, às palavras que seguram a barra, o desejo e o firmamento, um brinde ao prazer de viver além de.


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Economia

Qualidade paranaense

Indústria cafeicultora do Paraná está entre as dez maiores do país

Em uma relação das 100 maiores indústrias de café, realizada em 2009 pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o Paraná aparece entre os dez primeiros colocados. Com participação nos 8,8% na exportação paranaense, juntamente com outros produtos, o café contribui para a economia do estado e do país. No início de 2010, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) traçou previsões para a produção cafeeira no Brasil durante este ano. As expectativas para a indústria no estado são melhores que os resultados obtidos em 2009, considerando que os números atingidos serão de 36% a 50% maiores que a safra passada. Mas será em torno de 23% menor que 2008, considerado de grande aproveitamento. Com dificuldades financeiras sofridas pelos cafei-

cultores, em 2009, a área cultivada baixou para 4%, representando atualmente um total de quase 4 mil hectares ativos. O motivo principal para a queda da área produtiva foram as frequentes oscilações no preço do grão em contraposição ao aumento do custo da produção, como constata a Conab. A instabilidade do clima vem se tornando um inimigo dos cafeicultores, pois as previsões acabam não acontecendo e a qualidade do café é prejudicada. O inverno chuvoso do ano passado comprometeu o crescimento das lavouras e a safra. As cidades de Coronel Procópio e Campo Mourão tiveram diminuição na área cultivada e cada uma tem participação de 7% e 12% no mercado paranaense, respectivamente. Maringá, Paranavaí, Umuarama e Ivaiporã também apresentaram queda.

Produção Hoje, o Paraná conta com cerca de 50 mil hectares e mais de 295 mil cafeicultores em toda produção. O estoque de grãos governamentais, em posse da Funcafé, soma um total de 35.796 sacas. As estimativas da Conab na contribuição paranaense este ano para a indústria cafeeira são de 4,4% em contrapartida ao restante do país. Apesar de hoje não ser mais o principal produto da economia brasileira, o país continua a ser líder no ramo da exportação do café, com a dominação de 30% do mercado internacional. É também o maior consumidor, seguido dos Estados Unidos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra de 2010 pretende chegar a 2,7 milhões de toneladas de café colhido.

Divulgação/SXC

Giórgia Gschwendtner

Hoje, o Paraná conta com cerca de quase 50 mil hectares e mais de 295 mil cafeicultores em toda produção

Mudanças na legislação para compras no exterior

Ministério da Fazenda fixa novas regras para os consumidores que preferem os produtos importados Manoela Militão O Ministério da Fazenda divulgou as novas regras para compras de produtos do exterior. A lei entrará em vigor em outubro e esclarece que bens pessoais não entram nas cotas dos US$ 500 permitidos para compras no exterior. Desde que todos estejam fora da caixa e em uso. A Polícia Federal frisa que os celulares devem estar ligados e com linha. Deve-se ter em mente que a cota de US$ 500 é para entradas aéreas e marítimas. Para entradas fluviais e terrestres este valor baixa para US$ 300. A lei ainda não entrou em

vigor, mas já causou polêmicas. A advogada criminalista Juliana Fabris explica que é muito difícil especificar o que é, ou o que não é bem de uso pessoal e alerta a respeito de detalhes importantes. “Além disso, os aparelhos devem estar em funcionamento no momento da entrada no país. A fiscalização continuará sendo motivo de discórdia”, diz. Por exemplo, se uma pessoa compra uma joia de US$ 20 mil, esse produto será considerado bem pessoal e sobre ele não incidirá o imposto. A proprietária poderá, contudo, ser questionada quanto à origem do dinheiro usado para a compra. As regras mudaram tam-

bém para bebidas alcoólicas e cigarros. Antes a taxação ficava sob responsabilidade do fiscal, o que segundo o governo, era uma maneira injusta de legislação. Antes, um fiscal poderia achar duas garrafas de vinho como excessivo e outro liberaria duas caixas de vodka. A liberação dependia de como o fiscal avaliava os produtos. Para que haja mais problemas assim ficou estipulado no parágrafo 1º do art.7 da portaria nº 440/2010 do Ministério da Fazenda que é permitido trazer 12 litros de bebidas alcoólicas; 10 maços de cigarro, contendo cada um 20 unidades; 25 unidades de charutos ou cigarrilhas e 250 gramas

de fumo, no total. Esta mudança alegrou os viajantes constantes. Para a estudante Ana Sansonowski, a nova lei é justa. “Celulares, relógios e máquinas fotográficas são muito caros no Brasil, vale mais a pena comprar no exterior”, diz. Segundo a estudante, US$ 500 não é suficiente para as compras,

quando se trata de produtos eletrônicos. “Quando compramos coisas mais caras como notebooks e videogames é comum termos que pagar imposto na chegada. Portanto, acredito que isso melhorará, e muito, a possibilidade de aquisição de mais produtos e de mais qualidade”, lembra.

Por bens pessoais entendem-se relógios de pulso, uma unidade de telefone celular, incluindo smartphones, e máquina fotográfica


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Cultura

Menu

Fragmentos de um

Nathalia Cavalcante

cotidiano.................distante

Vivo na cena Neste sábado os curitibanos poderão prestigiar o show do cantor Nasi, que vem a Curitiba para lançar o DVD “Vivo na Cena”. O artista apresentará, também, sucessos que o consagraram nos seus mais de 20 anos de carreira. O repertório conta com “O tempo não para”, “Poeira nos olhos” e “Me dê sangue”.

Exposição fotográfica no Bloco Azul da UP mostra um mundo diferente sob olhar atento

Yasmin Taketani Zarpellon. Ela ainda recebe olhares bravos, de estranhamento e olhares sorridentes retratados por onde passou. Mas não pense que vai encontrar pontos turísticos. Ou cores. Como o próprio nome da exposição diz, todas as fotos foram feitas em preto e branco. “Sempre gostei muito de foto com cor e dificilmente faço PB. O problema desses países é que há cores em tudo, e são muitas. A foto acaba ficando só cor, o que desvia a atenção da forma, dos detalhes e até mesmo da luz para uma variedade de cores que não tem significado”, explica Mariana. Para ela, a cor tem que ter significado e ser utilizada com “capricho”, de modo a realçar e colaborar com outros elementos da fotografia.

Sua preocupação foi além do “momento decisivo” para a seleção das fotos e a relação com o observador: “A seleção foi acontecendo ao mesmo tempo em que fui educando e aperfeiçoando meu olhar. Muitas de que não gostava acabaram como preferidas no final. O critério foi bem pessoal, escolhi fotos de momentos que me marcaram de alguma forma, mas sempre pensando em como o objeto representado estava encaixado visualmente e no poder da imagem em transmitir sensações do contexto na qual ela foi feita”. Serviço “Do Marrocos ao Nepal Um olhar em PB” fica exposta até o dia 30 de setembro, na Universidade Positivo.

Mariana Zarpellon

Onde: Plock Bar Quando: Sábado, às 23h Preço: Pista – 1º Lote: R$ 15 (feminino) e R$ R$ 25 (masculino) Divulgação

Valêncio Xavier A obra do criador da Cinemateca de Curitiba, Valêncio Xavier, inspirou a montagem de “Engarrafados”. O espetáculo acontece as quartas e quintas, no TUC. A história é baseada no texto do livro “Mez da Grippe”. O enredo mescla fatos históricos à ficção. A peça ganhou o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2009.

Onde: Teatro Universitário de Curitiba - TUC Quando: 15/09/2010 a 24/09/2010, às 20h Preço: R$ 10 e R$ 5

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Roda de choro Todas as quintas o Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba apresenta roda de choro, que une o artístico ao didático. Os “chorões” da cidade se apresentam com os músicos Cláudio Menandro e Clayton Rodrigues.

Divulgação

Conhecemos muito pouco sobre a cultura e o cotidiano de países como Nepal, Marrocos e Índia. Uma boa (e bela) oportunidade para reverter essa situação é conferir a exposição “Do Marrocos ao Nepal - Um olhar em PB”, no Bloco Azul da Universidade Positivo. A exposição fotográfica reúne cerca de 50 imagens da aluna do curso de Publicidade e Propaganda Mariana Zarpellon. Elas foram feitas entre 2008 e 2009, quando Mariana passou por 23 cidades dos três países. A partir de fotografias selecionadas de um grupo de mais de quatro mil imagens, entramos em contato com a cultura e a beleza natural de lugares tão distantes geográfica e culturalmente. A fotógrafa consegue captar um cotidiano tão estranho ao nosso, usando de paisagens a pessoas comuns. Outro aspecto que chama atenção são os olhares, pois normalmente as pessoas se assustam ou se fecham diante da câmera. Porém, o que vemos são homens e mulheres se abrindo p a r a

Onde: Conservatório de Música Popular Brasileira Quando: Todas as quintas (exceto nos feriados), às 17h30 Ingresso: Gratuito

Lona 589 - 15/09/10  

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

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