Issuu on Google+

RIO DIÁ do

Curitiba, sexta-feira, 5 de junho de 2009 - Ano XI - Número 501 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo

Venda de automóveis registra aumento de quase 5% no Paraná Div ulg açã o

O índice tem como base o mês de maio, e leva em conta a diferença das vendas sobre o mês anterior. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi apontada por especialistas como o principal meio de incentivo à compra de carros novos. O desconto no imposto deveria ter acabado em março, mas foi prorrogado até junho. Os donos das concessionárias esperam que o Governo Federal amplie novamente o prazo de diminuição na cobrança do tributo.

BRASI

L

jornalismo@up.edu.br

Entrevista

Maior parte do lixo pode ser reaproveitado 85% dos resíduos produzidos em Curitiba podem ser reutilizados. É o que diz o coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná, Laerty Dudas em entrevista ao LONA.

Página 3 Saúde

Curitiba tem caso raro de trigêmeas idênticas Página 3

Problema dos assentamentos em Matinhos ganha nova leitura

Arquivo dos alunos do projeto

Projeto de Extensão promove a união entre alunos brasileiros e norte-americanos para planejar mudanças para dois assentamentos de Matinhos – Vila Nova e Vila Progresso. Professores de Arquitetura e Direito da Universidade Positivo junto com uma professora de Urbanismo da Universidade da Flórida orientaram os alunos participantes e pretendem que os projetos sejam aproveitados pelo poder público da região e pelo parceiro Terra Nova. Páginas 2, 4, 5 e 8

A chance de isso acontecer é de um caso em 200 milhões. A concepção das meninas, que nasceram em abril, aconteceu de maneira natural.

Página 7 Colunista Raphael Moroz O cinema nacional mudou. Ele não é mais favela e violência, e nem precisa ser. Página 6


2

Curitiba, sexta-feira, 5 de junho de 2009

Opinião Projeto de extensão

Um tema, dois olhares Calvin Di Nicolo - estudante de extensão em Urbanismo Quando eu ouvi sobre o programa de verão em Curitiba, não perdi tempo. Em inglês, Brasil significa paraíso e Curitiba é o melhor destino para os alunos de planejamento urbano. Meus amigos ficaram enciumados. Fiquei um pouco nervoso de participar do programa e acredito que os outros alunos também. Sabíamos muito pouco. Quem estaria no programa? Como seria o país? Os brasileiros seriam amigáveis ou rudes, deixando-nos para morrer? Graças a Deus o grupo é ótimo, o país é lindo e os brasileiros são calorosos e receptivos. Até então, visitamos São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Matinhos. Logo estaremos visitando Maringá e o Rio de Janeiro. Passamos em Curitiba a maior parte do nosso tempo no Brasil, que, para quem não sabe, é a capital do urbanismo. Muitas das cidades dos Estados Unidos sonham em ser tão belas e planejadas como Curitiba. Apesar de nos chatearmos com a mudança do clima, nossa visita a Curitiba foi muito positiva. Vocês vivem em uma cidade linda. Quando começamos o nosso trabalho na Universidade Positivo, não tínhamos certeza se as coisas iam funcionar bem. A ideia de pesquisar e propor melhorias para um assentamento irregular parecia ótima, mas as dificuldades apareceram quando nos foram repassadas as complexas ideias acadêmicas. O início foi frustrante e tomou muito mais horas do que esperávamos. Não entendíamos o objetivo do projeto. Também senti a frustração dos alunos brasileiros.

Tentamos nos manter positivos, como o nome da universidade de vocês. Se nada desse certo, pelo menos aprenderíamos um pouco de português e os alunos brasileiros aprenderiam um pouco de inglês. Assim que o projeto realmente começou, as coisas melhoraram. Muitos dos alunos brasileiros falam muito bem inglês e com o nosso espanhol, italiano, inglês e português básico, conseguimos nos comunicar tranquilamente. Quando as palavras não eram suficientes, usávamos a mímica. Mesmo que de maneira devagar, as ideias foram expressadas e as decisões foram tomadas. Para arrecadar informações e sentir o projeto, viajamos para Matinhos. Visitamos os assentamentos de Vila Nova e Vila Progresso. Conversamos com os moradores, tiramos fotografias e fizemos marcações nos mapas que possuíamos. Os habitantes queriam falar com a gente e foi bom conhecer a visão deles sobre a situação em que vivem. De volta à universidade, formamos grupos que analisaram diferentes aspectos das vilas que visitamos. Um dos grupos trabalhou para replanejar a Vila Progresso. Conseguimos fazer muitos projetos na última semana. Todos contribuíram. Desconsiderando as dificuldades iniciais, aprendemos um pouco sobre planejamento. Comunidades irregulares são raras e não permanentes nos Estados Unidos, foi a primeira vez que tivemos a chance de conhecer uma situação como essa. Nos perguntamos se o nosso trabalho vai causar algum impacto para o futuro de Vila Nova e Vila Progresso. Esperamos que sim. Tradução: Camila Scheffer

Bruna Schlichting 2º ano – Direito manhã O projeto “Regularização fundiária: velho problema, nova leitura”, desenvolvido pela Universidade Positivo, contou com a participação de alunos do curso de direito, arquitetura e urbanismo e acadêmicos da Universidade da Flórida das mais diversas áreas do conhecimento. Consistiu em entender e desenvolver a temática da moradia de nosso país, tendo como área de atuação a Vila Nova e a Vila Progresso, ambas localizadas no Município de Matinhos. O desenvolver das atividades consistiu em visita técnica

à área, tendo como objetivo o contato direto com os moradores de ambas as localidades e de entender quais os problemas enfrentados por essas populações, como falta de saneamento básico, energia elétrica regular, asfalto e coleta de lixo. Pudemos compreender, em atividades do Ateliê, os instrumentos jurídicos necessários para a regularização da área e os procedimentos urbanísticos para uma proposta de política urbana. Outro ponto desenvolvido pelo projeto foi a chance de interação entre os alunos, possibilitando a ampliação de conhecimentos acadêmicos nas mais diversas áreas do saber. Além disso, houve um intercâmbio

O projeto foi uma das poucas possibilidades em que foi possível extrapolar a sala de aula e prolongar o pensamento até o meio comunitário, interagindo e aprendendo com outras formas de pensar

cultural, que possibilitou o diálogo entre o pensamento nacional e norte-americano sobre as questões jurídicas, urbanísticas, sociológicas e econômicas, experiência que só teve a acrescentar ao projeto, tanto no sentido acadêmico, quanto ao humano. E dessa forma, como depoimento, o projeto foi uma das poucas possibilidades em que foi possível extrapolar a sala de aula e prolongar o pensamento até o meio comunitário, interagindo e aprendendo com outras formas de pensar, além de ter sido uma experiência incrível e enriquecedora. As perspectivas sobre o projeto, para finalizar, devem se estender muito além do papel ou dos muros da universidade. Há a ânsia de que todo o trabalho realizado em conjunto seja desenvolvido e implementado na comunidade de maneira real, concreta, sendo um vetor que só venha a acrescentar ao meio social, tendendo a melhorar não só a comunidade em estudo, mas toda a sociedade.

Expediente Missão do curso de Jornalismo “Formar jornalistas com abrangentes conhecimentos gerais e humanísticos, capacitação técnica, espírito criativo e empreendedor, sólidos princípios éticos e responsabilidade social que contribuam com seu trabalho para o enriquecimento cultural, social, político e econômico da sociedade”.

Reitor: Oriovisto Guimarães. Vice-Reitor: José Pio Martins. Pró-Reitor Administrativo: Arno Antônio Gnoatto; Pró-Reitor de Graduação: Renato Casagrande; Pró-Reitora de Extensão: Fani Schiffer Durães; Pró-Reitor de Planejamento e Avaliação Institucional: Renato Casagrande; Coordenador do Curso de Jornalismo: Carlos Alexandre Gruber de Castro; Professores-orientadores: Ana Paula Mira, Elza Aparecida e Marcelo Lima; Editores-chefes: Antonio Carlos Senkovski, Camila Scheffer Franklin e Marisa Rodrigues.

O LONA é o jornal-laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo – UP, Rua Pedro V. Parigot de Souza, 5.300 – Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba-PR - CEP 81280-330. Fone (41) 3317-3000


3

Curitiba, sexta-feira , 5 de junho de 2009

Geral Economia

Meio Ambiente

Cresce venda de automóveis em relação a abril Paraná teve aumento de 5,4% nas vendas; principal responsável foi redução do IPI Paula Just Os efeitos da crise mundial ainda assustam muitos países. No Brasil, não é diferente. O aumento de demissões do período faz com que, tanto o poder de compra dos consumidores como a circulação de dinheiro no país diminuam. Com isso, há uma sequência de fatos que complicam ainda mais o sistema econômico do país. Para reduzir esses efeitos, o governo federal reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o objetivo de incentivar o consumo e reaquecer a economia. Um dos setores que teve o imposto reduzido foi o de automóveis. O prazo iria até março deste ano, porém o governo decidiu estender o limite por mais três meses. Se não houvesse essa medida, o risco de queda de vendas seria de 30% no segundo trimestre do ano. A prorrogação parece que deu certo. O mercado automobilístico cresceu 5,4% em maio, penúltimo mês com imposto reduzido. Só no Paraná, as concessionárias venderam 18 mil automóveis e utilitários neste período. O pai da estudante Fabiana Hinke, de 20 anos contribuiu para esse número. Fabiana ganhou seu carro há duas semanas e, segundo ela, o IPI baixo ajudou muito para que seu pai finalmente lhe desse um carro. “Eu ia ganhar no ano passado, mas, com a crise chegando, meu pai decidiu es-

perar. Até que o imposto diminuiu e ele viu que era a hora certa para comprar”, diz.

Região Sul O aumento de vendas não aconteceu somente no Paraná. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), na região Sul as vendas de automóveis cresceram 6% em relação ao ano passado. Porém, no Brasil, o aumento foi menor, apenas 0,8%. Para o vendedor de carros Johnny Mark, muito dessas vendas é mérito dos próprios vendedores. “Há pessoas que vêm até a loja e compram, mas alguns não e nós temos que correr atrás. Ligar, avisar que o imposto reduziu e mostrar que vale a pena”, diz. Outra forma de atrair compradores

são os famosos feirões, onde as concessionárias reúnem diversos carros, modelos e oferecem melhores maneiras de pagamento. “Quando há feirões, as pessoas aparecem mais, mesmo que seja para dar uma olhada. Mas como vale a pena, é difícil não comprarem. Isso ajuda muito”, diz. O IPI reduzido vai até 30 de junho, mas existe a expectativa de que o governo prorrogue o prazo da redução por mais três meses. Outra opção é aumentar o imposto aos poucos, para que não cause um impacto financeiro no país. Para Fabiana, a diferença no preço é grande e vale muito a pena. “Meu pai colocou arcondicionado e vidros elétricos e ainda economizamos no orçamento previsto do ano passado”, completa.

Consumo excessivo aumenta produção de resíduos Falta de consciência prejudica o meio ambiente Katherine Dalçoquio No Dia Mundial do Meio Ambiente, é impossível não lembrar o volume de lixo que cada um gera. Pesquisa nacional de saneamento básico aponta que o Brasil produz aproximadamente 230 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente. Laerty Dudas, coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná, convive com esse problema. “Na verdade a gente gera o lixo e quer ver ele longe da gente, não quer saber, a gente acaba transferindo a responsabilidade para o poder público”, diz. Em entrevista ao LONA, Dudas ressalta a falta de preocupação da população. Existe um fator responsável pelo acúmulo de lixo em Curitiba? L.D.: Com certeza. As pessoas estão consumindo mais. A indústria da embalagem faz não o retornável e sim o descartável e nós acabamos nos acostumando, porque damos desculpas a nós mesmos. A gente fala muito em meio ambiente, mas pratica muito pouco. Então acabamos gerando o acúmulo. E o que vai acontecer é que o planeta vai continuar, nós é que vamos ser extintos. Qual a quantidade de lixo produzida em Curitiba? L.D.: Em Curitiba você tem uma população junto com a região metropolitana de 3 milhões de pessoas que geram todos os dias duas mil e quatrocentas toneladas de resíduos. 50% é matéria orgânica, e com esse material poderia ser feito um trabalho de compostagem. Existem vários produtos que podem voltar pra cadeia produtiva gerando emprego e renda. Quanto os programas de coleta seletiva têm ajudado a amenizar a situação? L.D.: O programa de coleta seletiva é mais além do que as

pessoas imaginam. Um exemplo é quando você vai até o supermercado. Você quer o líquido que está dentro daquela embalagem, você leva para casa e consome o líquido. Daí você fica com a embalagem, esse é o chamado “passivo ambiental”, não foi você que fez, foi o fabricante, então ele deixa para a gente o resíduo e o bônus ele leva para fora. Como fazem as multinacionais, em uma embalagem de refrigerante de três reais, por exemplo, ele pega R$2,80, leva para o país de origem e deixa os vinte centavos para nós. Ele não precisa dar destino final para aquela embalagem, pois o meio ambiente “consome” tudo. De todo o lixo produzido, quanto pode ser aproveitado? L.D.: Na verdade você pode aproveitar 85%, 15% é lixo, os outros 85% são resíduos. O que significa que esse é o material que pode voltar para a cadeia produtiva da forma original ou transformada. Por meio dessa porcentagem, você vê a consciência que a população tem com a questão ambiental. Na verdade a gente gera o lixo e quer ver ele longe da gente, não quer saber. Acabamos transferindo a responsabilidade para o poder público. Quais os problemas que a população pode enfrentar com todo esse lixo? L.D.: O lixo é uma fonte de proliferação de vetores de bichos, como mosca, barata, rato, ou seja, um atrativo para que esses vetores se propaguem. E esse vetor acaba transportando vírus, bactérias e fungos, que por consequência tem contato intimo com o homem. Existe alguma maneira de reverter essa situação ou de qualquer modo nós vamos sofrer os efeitos da falta de conscientização? L.D.: Na verdade, as pessoas devem ter educação. Essa é a palavra chave. Afinal de contas um povo educado reduz, reutiliza, recicla e não desperdiça.


4

Curitiba, sexta-feira, 5 de junho de 2009

Especial Projeto de extensão

Regularização fundiária: velho problema, nova lei

Alunos de Arquitetura e Direito da UP junto com alunos norte-americanos de extensão em Urbanismo propõem melhorias para asse

Anna Luiza Garbelinni Camila Scheffer Franklin A partir da parceria entre Jussara Maria da Silva e Rivail Andrade, professores de Arquitetura da Universidade Positivo, Leandro Franklin Gorsdorf, professor de Direito também da instituição, e Joseli Macedo,

professora de urbanismo da Universidade da Flórida, Estados Unidos, surgiu a ideia de organizar um curso de extensão para realizar um planejamento urbano que melhore a qualidade de vida dos moradores de dois assentamentos - Vila Nova e Vila Progresso - localizados no município de Mati-

nhos, litoral do Paraná. Jussara, Rivail e Gorsdorf envolveram os alunos interessados no projeto e Joseli trouxe seus alunos de extensão em urbanismo do projeto de verão para conhecer a situação das famílias que habitam o litoral paranaense. A partir do contato com moradores locais, os grupos formados por estudantes de Arquitetura e Direito da instituição e alunos de extensão em Urbanismo da Universidade da Flórida desenvolveram projetos urbanísticos que atendem as necessidades das comunidades, respeitando e entendendo as leis brasileiras. Como explica Jussara, a regularização fundiária é um dos maiores problemas enfrentados no Brasil. “São 12 milhões de domicílios irregulares”. No total, 23 alunos participaram do projeto, sendo onze de Arquitetura, quatro de Direito e oito alunos norte-americanos do curso de extensão em Urbanismo. Os alunos foram divididos em grupos heterogêneos e participaram das atividades divididas em dois blocos: atividades de campo e atividades de ateliê. Nas atividades de campo, os participantes fizeram uma leitura da paisagem a partir da observação.

Vila Nova No assentamento Vila Nova, foi analisado o projeto de regularização fundiária proposto

“Se eu não tivesse visitado o local, não saberia o que fazer. As pessoas estão vivendo em um pântano, não deveriam estar lá. Deveriam ser transferidas” JIM BEELER, ESTUDANTE DE URBANISMO NORTE-AMERICANO pelo grupo Terra Nova, empresa privada que media a regularização entre os proprietários das terras e os ocupantes. Foram analisados os pontos positivos e negativos do projeto, aprimorando os negativos e adequando o projeto já existente. O objetivo da observação era saber se as pessoas que estão habitando a área já se sentem donas do espaço, pois o processo de regularização está indo para o fim. Se os alunos observassem melhorias nas casas, jardins e ruas, a sensação de posse estaria confirmada. E isso foi comprovado. Para facilitar a observação, a vila foi dividida em sete setores. Os grupos designados a observar a área também entrevistaram os moradores para conhecer o que deveria ser melhorado na visão dos habitantes. Cleverson Sgoda e Carolina Burbello, estudantes de Arquitetura da Universidade Positivo, acreditam que as entrevistas foram importantes para que o projeto se adequasse às expectativas dos moradores e suas necessidades. “Conversar com os moradores foi crucial para conhe-

cermos a situação que eles vivem e projetar. Muitas vezes, na faculdade, projetamos a partir de uma proposta irreal e sem parâmetros válidos”. Carolina também diz que mesmo que as modificações propostas pelo seu grupo não sejam utilizadas, todo o trabalho compensou por poder divulgar a realidade das famílias da região. ”Desenvolver o projeto serviu para alertar a população do que está sendo feito, porque muitos desconhecem os problemas da região e o projeto realizado pelo Terra Nova”. Os alunos responsáveis por melhorar as condições da Vila Nova propõem um eixo de integração com canchas esportivas, já que faltam áreas de lazer na região. Em relação ao meio ambiente, eles pretendem recuperar a mata ciliar que está junto ao canal encontrado na região e reorganizar as pessoas que residem nas áreas de proteção permanente, transformando a mata em parque.

Vila Progresso Na Vila Progresso, os grupos de alunos foram divididos


5

Curitiba, sexta-feira , 5 de junho de 2009

Fotos: arquivo dos alunos do projeto

: itura

entamentos de Matinhos

por tarefas. Enquanto um grupo fazia leitura da mobilidade do sistema viário, outros analisavam a infraestrutura e a qualidade dos elementos naturais do rio e da mata do entorno. Nicole Albizu Piaskowy e Ana Cecilia Johns de Oliveira são duas das alunas brasileiras que estão analisando a situação da vila. Segundo Nicole, uma das maiores dificuldades encontradas para trabalhar com os alunos norte-americanos foi fazê-los entender as leis brasileiras em relação à regulamentação das áreas invadidas. “Para eles, o direito de propriedade é algo fundamental. Eles não entendem os sem-terra brasileiros. O fato de regularizar uma área de ocupação, para eles, foi um choque”. Ana complementa: “Para nós, estudantes brasileiros, todas as casas que fossem possíveis relocar eram importantes. Para os estudantes americanos, devido às leis que conhecem, se a casa estivesse na propriedade de terceiros, a solução era removê-la”. Jim Beeler é um dos alunos do projeto de verão da Universidade da Flórida que está sugerindo melhorias para a Vila Progresso. O estudante de urbanismo está trabalhando para que as áreas verdes da região façam parte do assentamento. Visitar Matinhos e a Vila Progresso, para Beeler, foi o diferencial necessário para viabilizar o projeto. “Se eu não tivesse visitado o local, não sabe-

ria o que fazer. As pessoas estão vivendo em um pântano, não deveriam estar lá. Deveriam ser transferidas”. Quando indagado se concorda com as invasões de terra que acontecem no Brasil, ele diz: “Não sei se concordar seria a palavra certa, mas agora eu entendo”. Conhecedor da história do Brasil, Beeler acredita que o motivo de as terras terem sido tão mal distribuídas em todo território brasileiro vem da época imperial. Muitas pessoas são proprietárias de latifúndios e desconhecem o tamanho de suas posses. Para ele, foi muito difícil entender a visão de propriedade privada dos brasileiros.

Expectativas Jussara acredita que muito do que os alunos projetaram para os assentamentos poderá ser aproveitado pelo poder público e pelo projeto Terra Nova. Concretizar essas ideias permite que os alunos tenham uma nova visão sobre a profissão que escolheram. A interação entre os alunos brasileiros e norte-americanos não teve obstáculos, pois a linguagem técnica é a mesma. Todas as ideias serão apresentadas durante o evento que acontecerá hoje à noite, no bloco vermelho da Universidade Positivo, às 18h30. A partir dos estudos e planejamentos dos estudantes, Jussara pretende lançar um livro que apresente as melhores propostas e explique todo o projeto.

“Para nós, estudantes brasileiros, todas as casas que fossem possíveis relocar eram importantes. Para os estudantes americanos, devido às leis que conhecem, se a casa estivesse na propriedade de terceiros, a solução era removê-la” ANA CECILIA JOHNS DE OLIVEIRA, ESTUDANTE DE ARQUITETURA

Projeto propõe nova visão para o problema de regularização de terras O projeto Terra Nova é uma iniciativa privada, inovadora e ganhadora de vários prêmios internacionais, que visa fazer uma mediação entre os moradores e os proprietários de terras ocupadas irregularmente. Depois de feito, é encaminhado ao poder público para que seja aprovado e finalmente favoreça as áreas ocupadas com a infraestrutura necessária. No caso do assentamento Vila Nova, no espaço de um mês, a empresa foi procurada pela associação de moradores e pelos donos das terras, que desejavam resolver o assunto pendente há anos. Mesmo pouco conflituoso em sua resolução, o planejamento do loteamento do município de Matinhos envolve vários quesitos, como a adequação às leis municipais, a demora para a aprovação do projeto e principalmente a satisfação dos envolvidos. Foi essa, na opinião de Daniel Albuquerque, coordenador do Terra Nova, a principal lição aprendida pelos alunos, encarregados de fazerem críticas ao planejamento programado pela empresa. ”Foi importante eles poderem ver como funciona todo esse processo, porque nosso trabalho não é simplesmente resolver uma briguinha judicial entre proprietários e moradores; envolve, na verdade, toda uma mudança de cultura em relação ao processo de regularização”. Para Albuquerque, os acadêmicos de direito também enriqueceram sua experiência, convivendo com a falta de profissionais conhecedores da legislação de terras, o que é muito comum em município pequenos. Além disso, também tiveram a chance de acompanhar de perto a demora de um processo como esse. Apesar de o projeto já existir, todas as alterações que forem sugeridas através de um estudo mais aprofundado, na visão de Albuquerque, são válidas. “Tudo o que for proposto pelos alunos servirá como referência dentro daquilo que for negociado com os órgãos públicos e com os moradores”. A intenção da empresa não é ser única no mercado, mas servir como modelo para outros estudos e muitas outras ações, e quem sabe resolver a situação de todas as várias áreas irregulares do Brasil.


6

Curitiba, sexta-feira, 5 de junho de 2009

Coluna Cinema

Chama o Garçom

O “ressurgimento” do cinema nacional Fotos: divulgação

Raphael Moroz Seis milhões de espectadores em todo o país. O número prova que o brasileiro gosta muito de ir ao cinema, mas isso não é nenhuma novidade. A grande surpresa fica por conta do filme que atraiu tanta gente para as salas de cinema: “Se eu fosse você 2”, uma produção brasileira. “Um filme nacional atrair

tanta gente?”. Essa pergunta foi, certamente, feita em peso pelos odiadores do cinema do brasileiro – uma raça de pessoas que sempre se recusou a pagar ingresso para assistir a produções cinematográficas de seu próprio país. Este ano, no entanto, o clube dos odiadores do cinema nacional perdeu vários membros. Muitos deles, mesmo que contrariados, ajudaram a lotar cada sessão de “Se eu fosse você 2” e, pasmem, saíram do filme felizes por cada centavo gasto no ingresso. O cinema brasileiro nunca esteve melhor. “Se eu fosse você 2” e “Divã” – outra produção que, sem dúvida, seguirá os passos da primeira - são filmes bem acabados e bem atuados. O roteiro de ambos os longas, ao contrário do que sempre aconteceu na história do cinema nacional, é tratado com leveza e inteligência, e explora, principalmente, situações cômicas. Os diálogos de “Divã” impressionam por sua consistência e agilidade. Eles trazem o te-

lespectador para a sua própria vida, fazendo ele se identificar com os problemas e preocupações de uma mulher de meia idade (interpretada por Lília Cabral, perfeita no papel). O mesmo acontece com “Se eu fosse você 2”, que conta com um grande time de atores, encabeçados por Glória Pires e Tony Ramos. O cinema nacional mudou. Ele não é mais favela e violência, e nem precisa ser. Ressurgido das trevas com força total, o cinema brasileiro está mais leve e dinâmico, deixando de lado abordagens pesadas e exageradas. No entanto, não deve ser tirado o mérito de produções magistrais, como “Central do Brasil” e “Cidade de Deus”. Ambos os filmes possuem temas pesados, mas que foram tratados com maestria. Infelizmente, eles são exceções à regra da cinematografia nacional, que insistia, até pouco tempo atrás, em mostrar de maneira estereotipada o que o país tem de pior.

Cerveja no frio, por que não? Cervejaria da Vila Luiz Felipe Marques Chega o frio, aquela preguiça de sair de casa, e as pessoas, quando ousam ir à rua, logo pensam em lugares aconchegantes, com comidas e bebidas mais quentes e fortes. Ainda assim, tem gente que não larga a cerveja gelada por nada e, para sua sorte, tem bares que também não. Salve a Cervejaria da Vila! Ela é uma das poucas casas de Curitiba voltadas quase exclusivamente para cervejas, com uma variedade surpreendente de rótulos internacionais, vindos de países como Inglaterra, Alemanha e Bélgica. No entanto, a cara do bar é de uma cerveja brasileira. Catarinense, para ser mais específico. Boa parte da carta de chopes e garrafas da Eisenbahn está presente na Cervejaria da Vila, para alegria e apreciação de apaixonados e também novos conhecedores da marca. Criada em 2002 e com sede em Blumenau, a Eisenbahn começou pequena, mas ambiciosa, desde sempre com o objetivo de fazer uma cerveja de nível internacional. Tida como cervejaria artesanal, produz 1,8 milhão de litros por ano, divididos por 15 diferentes tipos da bebida, todos com características individuais e graduação alcoólica que pode chegar a 11,5%, muito acima das cervejas comuns. Na Cervejaria da Vila, tanto as garrafas quanto os chopes convencionais da marca catarinense custam por volta de cinco reais. Vale a pena pedi-los junto de uma das porções da casa, como a de batata frita ou alcatra. Com mais fome, a batata suíça é uma ótima pedida, ainda mais se for com recheio de linguiça Blumenau. Outros pratos também são servidos na casa, sempre com um preparo e qualidade muito bons, quantidade e preços regulares. Durante a semana, alternam-se promoções de happy hour, (envolvendo principalmente as cervejas e chopes Eisenbahn) assim como bandas de folk, rock’n’roll e country. Um último destaque para cerveja vai à Diabólica, produto artesanal, feito em Curitiba mesmo e uma delícia. Trata-se de uma Indian Pale Ale (tipo da cerveja), de cor vermelha e muito encorpada. O nome vem de sua graduação alcoólica: 6,66%. Uma garrafa de 600ml da Diabólica é vendida por R$15,00 na Cervejaria da Vila – que, como deu para perceber, é um bar diferente, com cervejas diferentes e que têm valores acima das comuns. Porém, não se deixe assustar pelo preço de uma garrafa: para sair um pouco do trivial e conhecer mais do mundo das cervejas, vale uma visita à Cervejaria da Vila. Saúde!

Serviço A Cervejaria da Vila fica na rua Mateus Leme, nº 2631. Funciona de segunda a sexta, das 18h à 1h, e nos sábados, das 15h à 1h. *Para ver as edições anteriores dessa coluna e mais histórias sobre todo o ambiente de bares e botecos, acesse: www.chamaogarcom.blogspot.com


7

Curitiba, sexta-feira , 5 de junho de 2009

Saúde

Diana Axelrud/LONA

Caso raro

Nascem trigêmeas idênticas em Curitiba Casos de trigêmeos idênticos é muito raro, cerca de um para cada 200 milhões Diana Axelrud No dia 16 de abril de 2009 Curitiba foi palco de uma raridade: trigêmeas univitelinas nasceram de fertilização natural. Ana Clara, Helena e Laura nasceram, respectivamente, às 19h31, 19h33 e 19h36. Pegos de surpresa, os ginecologistas e pais das trigêmeas, Ana Cecília e Cleverton César Spautz estão muito felizes com a chegada das meninas. O casal, que já possui uma filha, Maria Luísa, de dois anos e oito meses, não aguardava a chegada de trigêmeas. A surpresa ocorreu quando

Ana Cecília fez um exame de rotina na gravidez e descobriu que não esperava um, mas três bebês. Imediatamente contou, por telefone, a notícia ao marido. “No primeiro momento levamos um susto. Depois ficamos preocupados, pois teríamos que mudar a estrutura da casa, o carro e outras questões. Mas sempre ficamos muito felizes com a chegada das meninas”, conta Ana Cecília. Único homem entre cinco mulheres, Spautz não se importa, pois sempre quis ter filhas meninas e devido a sua profissão as entende bem. “Nossa filha mais velha ficou

feliz ao saber que teria três irmãzinhas para brincar”, relembra Ana Cecília. As meninas nasceram no início do sétimo mês. Tudo ocorreu quando a mãe realizou um exame cujo resultado deu alterado. Optou-se então, por realizar a cesariana naquele mesmo dia. A primeira a nascer foi Ana Clara, a maior das trigêmeas. Helena foi a segunda e Laura, a última. “Elas são muito parecidas com o pai. Consigo diferenciar a Ana Clara das demais porque ela é maior, mas ainda confundo a Helena e a Laura”, comenta Ana Cecília.

O médico Carlos Miner Navarro que acompanhou toda a gestação de Ana Cecília explica que, no caso dela, um óvulo foi fecundado por um espermatozóide, e o ovo resultante se dividiu em outros dois. “As meninas estavam na mesma placenta, porém em bolsas diferentes”, explica o médico. O mais comum é que existam três bolsas e três placentas. A gravidez de trigêmeos é de alto risco e exige uma série de cuidados especiais. “É uma gestação que precisa de um acompanhamento bem mais rigoroso, há necessidade de repouso, alimentação adequada, suplementação com vitaminas e exames mais freqüentes.” A raridade no nascimento de trigêmeas idênticas é enor-

me. “A literatura descreve a proporção de uma gestação de trigêmeos idênticos a cada 200 milhões de gestações”, comenta o médico que trouxe as meninas ao mundo. Quanto ao futuro, a família já tem planos. “Pretendemos criá-las com muito amor, carinho, respeito e também disciplina. Sabemos que não somos uma família comum”, diz a mãe. Desde que as meninas nasceram, Ana Cecília vai diariamente ao Hospital Nossa Senhora das Graças onde as meninas estão internadas na UTI Neonatal. Por nascerem prematuras, e consequentemente, muito pequenas, as trigêmeas estão há mais de um mês internadas e devem ficar ainda mais um tempo para se recuperarem por inteiro.

“Elas são muito parecidas com o pai. Consigo diferenciar a Ana Clara das demais porque ela é maior, mas ainda confundo a Helena e a Laura” ANA CECÍLIA, MÃE DAS TRIGÊMEAS


8

Ensaio Projeto de extensão

Alunos de Arquitetura e Direito da Universidade Positivo junto com alunos de extensão em Urbanismo norte-americanos visitaram os assentamentos Vila Nova e Vila Progresso em Matinhos, analisaram a situação dos moradores e propuseram melhorias para melhorar a qualidade de vida dos moradores. Neste ensaio estão algumas fotos tiradas pelos integrantes do projeto enquanto realizavam suas pesquisas.

Curitiba, sexta-feira, 5 de junho de 2009

Fotos: arquivo dos alunos do projeto


Lona 05.06.09